Amon Rûdh

De Compendium Tolkien
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Amon Rûdh foi uma colina solitária de Beleriand Ocidental, situada nas terras ao sul de Brethil e associada aos Anãos-Miúdos, a Mîm e ao período em que Túrin Turambar e seus proscritos fizeram dela sua morada. O lugar também foi chamado de Monte Calvo e, na língua dos Anãos-Miúdos, de Sharbhund.[1]

Geografia

Amon Rûdh ficava na borda oriental das altas charnecas que se elevavam entre os vales do Sirion e do Narog. Acima do urzal pedregoso em sua base, o monte erguia-se a mais de mil pés, tornando-se visível a grande distância no ermo de Beleriand Ocidental.[1]

Do lado oriental, o terreno subia irregularmente em direção aos altos espinhaços, com grupos de bétulas, sorveiras e velhas árvores espinhosas enraizadas na pedra. Nas encostas inferiores e nos brejos próximos crescia o aeglos, enquanto o cume era descrito como uma cabeça cinzenta, íngreme e quase nua, coberta apenas pelo vermelho do seregon.[1]

Apesar de sua aparência exposta, Amon Rûdh possuía acessos difíceis. O caminho até a morada de Mîm seguia por trilhas ocultas, ravinas, depressões rochosas e passagens entre espinheiros, de modo que dificilmente poderia ser encontrado sem guia. O acesso principal levava a uma saliência setentrional, invisível de baixo, onde havia um pequeno lago alimentado por uma nascente e, atrás de um anteparo de bétulas, a entrada de uma caverna escavada pelos Anãos-Miúdos.[1]

Essa caverna era a antiga Bar-en-Nibin-noeg, a casa dos Anãos-Miúdos em Amon Rûdh. Após o acordo entre Mîm e Túrin, ela passou a ser chamada também de Bar-en-Danwedh, a Casa do Resgate.[1]

História

Morada dos Anãos-Miúdos

Antes da chegada de Túrin Turambar e seus homens, Amon Rûdh abrigava Bar-en-Nibin-noeg, a casa subterrânea dos Anãos-Miúdos. A morada fora escavada sob o monte ao longo de muitos anos, numa época em que aqueles Anãos ainda viviam sem serem perturbados pelos Elfos-cinzentos das florestas próximas.[1]

Nos dias em que Túrin chegou à região, os Anãos-Miúdos já haviam quase desaparecido da Terra-média. Em Amon Rûdh viviam Mîm e seus dois filhos, Ibun e Khîm, últimos remanescentes conhecidos daquele povo. Mîm guardava a lembrança amarga da perda das antigas terras e moradas dos Anãos-Miúdos, e seu ódio pelos Elfos, especialmente pelos Noldor, era parte importante de sua relação com os recém-chegados.[1]

Túrin e os proscritos

No segundo verão após sua fuga de Doriath, Túrin e seu bando de proscritos passaram a sofrer com a pressão crescente dos Orques e com a falta de um refúgio seguro. Enquanto procuravam abrigo ao sul do Teiglin, os homens encontraram três figuras encapuzadas carregando sacos entre as pedras. Dois escaparam, mas o terceiro foi capturado: era Mîm, que pediu a Túrin que poupasse sua vida.[1]

Túrin exigiu de Mîm um lugar seguro como resgate. O Anão, temendo a morte, aceitou compartilhar sua morada, embora não a entregasse livremente. Depois de passar a noite preso entre os proscritos, Mîm guiou Túrin e seus homens para o oeste, até Amon Rûdh, que ele chamava de Sharbhund antes que os Elfos mudassem seu nome.[1]

Ao chegarem a Bar-en-Nibin-noeg, os proscritos descobriram que Khîm, filho de Mîm, fora mortalmente ferido por uma flecha disparada por Andróg durante a perseguição. Túrin lamentou a morte do jovem Anão e declarou-se devedor de Mîm, prometendo pagar um danwedh por seu filho caso algum dia obtivesse riqueza suficiente. A partir desse episódio, a morada passou a ser chamada também de Bar-en-Danwedh, a Casa do Resgate.[1]

Como parte do acordo, Mîm permitiu que Túrin e seus homens habitassem Amon Rûdh, mas impôs uma condição a Andróg: ele deveria quebrar seu arco e suas flechas aos pés de Khîm e nunca mais portar arco. Mîm lançou ainda uma maldição sobre Andróg, afirmando que ele morreria por esse meio caso voltasse a usar tal arma.[1]

Dor-Cúarthol e a queda do refúgio

Com o tempo, Amon Rûdh tornou-se o centro da resistência conduzida por Túrin e Beleg Cúthalion contra as forças de Morgoth nas terras a oeste do Sirion. A morada secreta passou a ser chamada de Echad i Sedryn, o Acampamento dos Fiéis, e apenas os membros da antiga companhia conheciam o caminho até ela. Outros acampamentos e postos vigiados foram estabelecidos ao redor, comunicando-se com Amon Rûdh por sinais.[2]

Nesse período, Túrin voltou a usar o Elmo de Hador, e ele e Beleg ficaram conhecidos como os Dois Capitães. A fama de suas ações espalhou-se por Beleriand, atraindo Elfos e Homens sem liderança. Túrin deu então o nome de Dor-Cúarthol à terra entre o Teiglin e os confins ocidentais de Doriath, reivindicando para si o senhorio daquela região.[2]

A posição de Amon Rûdh, embora vantajosa para um grupo pequeno, tornou-se perigosa à medida que a força de Túrin cresceu. Beleg advertiu que o monte era isolado, visível de longe e vulnerável a cerco caso o segredo fosse perdido. A preocupação mostrou-se correta quando Mîm, movido por seu ódio a Beleg e pressionado pelos Orques, guiou os servos de Morgoth até Bar-en-Danwedh.[2]

No ataque que se seguiu, os homens de Túrin foram cercados no topo de Amon Rûdh. Muitos morreram, incluindo Andróg, que tombou ferido por flecha depois de lutar na defesa do monte. Túrin foi capturado vivo e levado pelos Orques, enquanto Beleg, ferido, foi deixado preso sobre a pedra. Depois da batalha, os Orques devastaram Bar-en-Danwedh, encerrando o período em que Amon Rûdh servira como refúgio de Túrin e centro de Dor-Cúarthol.[2]

Habitantes e controle político

A primeira ocupação conhecida de Amon Rûdh foi a dos Anãos-Miúdos, que escavaram sob o monte a morada chamada Bar-en-Nibin-noeg. Nos dias de Túrin Turambar, essa habitação era ocupada apenas por Mîm e seus filhos, Ibun e Khîm, apresentados como os últimos remanescentes conhecidos de seu povo.

Depois do encontro entre Mîm e os proscritos, Amon Rûdh tornou-se abrigo de Túrin e de seu bando. A ocupação não correspondeu a uma conquista formal do lugar, mas a um acordo imposto como resgate pela vida de Mîm, que passou a dividir sua morada com os Homens.

Mais tarde, com a chegada de Beleg Cúthalion, Amon Rûdh tornou-se o centro da companhia que atuava contra os Orques nas terras entre o Teiglin e os limites ocidentais de Doriath. Esse domínio militar recebeu o nome de Dor-Cúarthol, mas permaneceu dependente do segredo do refúgio e da mobilidade dos seus defensores, sem constituir um reino ou povoação estável.

Características

Amon Rûdh combinava exposição e ocultamento. Seu cume era visível a grande distância, o que o tornava um ponto de vigia privilegiado sobre o ermo, mas os acessos reais à morada de Mîm eram difíceis de encontrar sem conhecimento prévio do terreno.

A posição do monte favorecia uma companhia pequena, capaz de se mover por trilhas ocultas e observar a aproximação de inimigos. Por isso, Amon Rûdh serviu como esconderijo, posto de vigia e base de ataques contra os Orques durante o período de Dor-Cúarthol.

Essa mesma posição, contudo, tornava-se frágil caso o segredo fosse perdido. Amon Rûdh era isolado e podia ser cercado; uma vez revelado o caminho para Bar-en-Danwedh, o refúgio deixou de proteger Túrin e seus companheiros, tornando-se o lugar de sua derrota e captura.

Etimologia

Amon Rûdh é traduzido como “Monte Calvo”. O nome se refere à aparência do cume, descrito como uma cabeça cinzenta e desnuda, marcada apenas pelo vermelho do seregon.[1]

O nome Sharbhund era usado por Mîm para se referir ao lugar antes de sua nomeação élfica. O texto não desenvolve a etimologia interna desse nome, apresentando-o apenas como a forma empregada pelos Anãos-Miúdos.[1]

Outras versões do legendário

Em fases anteriores do desenvolvimento do legendário, o monte recebeu diversos nomes antes da forma final Amon Rûdh. Nos comentários ao mapa de Beleriand, Christopher Tolkien registra variantes como Amon Garabel, Carabel, Amon Carab, Amon Nardol, Nardol e Amon Rhûg. Esta última, assim como Amon Rûdh, tinha o sentido de “Monte Calvo”.[3]

Essas alterações pertencem ao processo de revisão dos nomes geográficos de Beleriand e não indicam lugares distintos dentro da narrativa publicada. Para o verbete principal, a forma Amon Rûdh deve ser tratada como a forma final, enquanto os demais nomes podem ser registrados como variantes textuais ou redirecionamentos.[3]

Referências

  1. 1,00 1,01 1,02 1,03 1,04 1,05 1,06 1,07 1,08 1,09 1,10 1,11 1,12 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin ("Sobre Mîm, o Anão").
  2. 2,0 2,1 2,2 2,3 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin ("A Terra do Arco e do Elmo").
  3. 3,0 3,1 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). A Guerra das Joias ("The Later Quenta Silmarillion", comentário ao mapa de Beleriand).