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A tradição também atribuía aos Anãos-Miúdos uma relação antiga com [[Nargothrond]]. Antes da chegada de [[Finrod Felagund]] a Beleriand, eles teriam encontrado o local e iniciado sua escavação. Esse passado ajuda a explicar o ressentimento de Mîm contra os Elfos e, em especial, contra os Noldor, pois para ele a expansão élfica estava ligada à perda das antigas habitações de seu povo.<ref name="FDH-Mim" /> | A tradição também atribuía aos Anãos-Miúdos uma relação antiga com [[Nargothrond]]. Antes da chegada de [[Finrod Felagund]] a Beleriand, eles teriam encontrado o local e iniciado sua escavação. Esse passado ajuda a explicar o ressentimento de Mîm contra os Elfos e, em especial, contra os Noldor, pois para ele a expansão élfica estava ligada à perda das antigas habitações de seu povo.<ref name="FDH-Mim" /> | ||
=== Mîm e | === Encontro com Túrin === | ||
Depois da partida de [[Beleg]], no segundo verão após a fuga de Túrin de [[Doriath]], a situação dos proscritos tornou-se mais difícil. Com o aumento da presença de [[Orques]] nas terras a oeste de Doriath e a chegada de chuvas fora de época, [[Túrin Turambar|Túrin]] passou a procurar um refúgio mais seguro para sua companhia. Ao conduzir seus homens para o sul, nas bordas ocidentais dos bosques do Vale do [[Sirion]], encontrou três figuras encapuzadas que caminhavam entre pedras carregando grandes sacos.<ref name="FDH-Mim" /> | |||
Os proscritos perseguiram os desconhecidos, e [[Andróg]] disparou contra eles. Dois escaparam no crepúsculo, mas o terceiro, mais velho e carregado, foi alcançado e capturado. Alguns homens quiseram matá-lo, pensando tratar-se de um Orque ou de alguém ligado aos Orques, mas Túrin percebeu que era um Anão e ordenou que fosse poupado. O prisioneiro então revelou seu nome: Mîm. Interrogado por Túrin sobre o que poderia oferecer como resgate por sua vida, Mîm acabou admitindo possuir uma morada segura e aceitou compartilhá-la com os proscritos, embora se recusasse a entregá-la como propriedade deles.<ref name="FDH-Mim" /> | |||
Túrin prometeu que, caso Mîm os conduzisse sem traição até um bom esconderijo, nenhum homem de sua companhia o mataria. Mîm, porém, demonstrou grande apego ao saco que carregava, no qual havia raízes e pequenos objetos aparentemente sem valor. Como Túrin não permitiu que ele partisse sozinho, Mîm foi mantido durante a noite entre os proscritos. Pela manhã, irritado por ter sido amarrado, declarou que um Anão não perdoaria tal tratamento; Túrin, contudo, reafirmou sua decisão e prometeu que Mîm não seria posto em amarras outra vez. Então o Anão aceitou guiá-los até [[Amon Rûdh]], que em sua própria língua chamava de [[Sharbhund]].<ref name="FDH-Mim" /> | |||
=== Bar-en-Danwedh e Dor-Cúarthol === | === Bar-en-Danwedh e Dor-Cúarthol === | ||
Mîm conduziu Túrin e seus homens por um caminho oculto até o alto de Amon Rûdh. Ali ficava [[Bar-en-Nibin-noeg]], antiga morada dos Anãos-Miúdos, conhecida apenas por velhas tradições de Doriath e [[Nargothrond]]. A entrada era difícil de encontrar para quem não conhecesse o caminho, e a habitação fora escavada sob o monte ao longo de muitos anos. Ao chegar à caverna, Mîm a chamou de [[Bar-en-Danwedh]], a Casa do Resgate, nome que Túrin aceitou depois de reconhecer que a morada era de fato segura.<ref name="FDH-Mim" /> | |||
Dentro da casa, porém, Túrin descobriu que [[Khîm]], um dos filhos de Mîm, havia sido atingido pela flecha disparada por Andróg durante a perseguição e morrera ao pôr do sol. Comovido, Túrin declarou-se devedor de Mîm e prometeu pagar um resgate em ouro pelo filho morto, caso algum dia viesse a possuir riqueza suficiente. Mîm aceitou que os proscritos permanecessem em sua morada, mas exigiu que Andróg quebrasse seu arco e suas flechas e os depositasse aos pés de Khîm. Também lançou sobre ele uma maldição: se voltasse a usar arco e flecha, morreria por esse meio.<ref name="FDH-Mim" /> | |||
Com o tempo, Amon Rûdh tornou-se o centro da resistência de Túrin e Beleg contra os servos de [[Morgoth]]. O refúgio passou a ser chamado também de [[Echad i Sedryn]], o Acampamento dos Fiéis, embora o caminho até ele permanecesse conhecido apenas pelos membros antigos da companhia. Por conselho de Beleg, novos aliados não eram admitidos na morada de Mîm, mas acampamentos auxiliares foram estabelecidos nas terras vizinhas. A força reunida em torno de Túrin cresceu, e ele passou a chamar a região entre o [[Teiglin]] e o limite ocidental de Doriath de [[Dor-Cúarthol]], a Terra do Arco e do Elmo.<ref name="FDH-Arco-Elmo">[[J.R.R. Tolkien]] (autor). [[Christopher Tolkien]] (editor). ''[[Os Filhos de Húrin]]'' (A Terra do Arco e do Elmo).</ref> | |||
A presença de Beleg em Bar-en-Danwedh aumentou o ressentimento de Mîm. O Anão odiava os Elfos e via com ciúme a afeição de Túrin pelo arqueiro de Doriath. Quando Andróg, durante uma incursão, voltou a usar arco e foi ferido por uma flecha envenenada de Orque, Beleg conseguiu curá-lo. Para Mîm, isso pareceu desfazer sua maldição, e seu ódio por Beleg tornou-se ainda maior.<ref name="FDH-Arco-Elmo" /> | |||
=== Traição e queda de Amon Rûdh === | === Traição e queda de Amon Rûdh === | ||
À medida que a fama de Túrin e Beleg se espalhava, Morgoth voltou sua atenção para Amon Rûdh. Espiões passaram a cercar o monte, observando os movimentos dos homens que entravam e saíam. Mîm sabia da presença dos Orques nas proximidades, e o relato principal afirma que, movido por seu ódio a Beleg e pelo desejo de recuperar sua casa, decidiu procurar os servos de Morgoth e conduzi-los ao esconderijo de Túrin.<ref name="FDH-Arco-Elmo" /> | |||
Mîm tentou impor condições aos Orques: queria pagamento pelos homens capturados ou mortos, exigiu que sua casa lhe fosse devolvida e pediu que Beleg fosse deixado amarrado para que ele próprio cuidasse dele. Também pediu que Túrin fosse libertado. Os Orques aceitaram suas exigências apenas de modo aparente, pois não pretendiam cumpri-las, e mantiveram [[Ibun]], o outro filho de Mîm, como refém. Assim, Mîm foi obrigado a guiá-los até Bar-en-Danwedh. Outra tradição, registrada junto ao relato, atribuía a traição menos a uma intenção deliberada de Mîm e mais à captura de Ibun e à ameaça de tortura contra seu filho.<ref name="FDH-Arco-Elmo" /> | |||
Com Mîm como guia, os Orques alcançaram a saliência diante da entrada de Bar-en-Danwedh e atacaram o refúgio. Túrin, Beleg e seus homens resistiram, primeiro junto à entrada da caverna e depois no topo de Amon Rûdh, ao qual chegaram por uma escada secreta. A defesa terminou em derrota: quase todos os homens de Túrin foram mortos, Andróg caiu mortalmente ferido, Túrin foi capturado e Beleg, ferido, foi deixado preso sobre a rocha.<ref name="FDH-Arco-Elmo" /> | |||
Depois da partida dos Orques, Mîm saiu de seu esconderijo e encontrou Beleg amarrado e indefeso. Aproximou-se dele com uma faca, mas Andróg, ainda vivo entre os mortos, reuniu suas últimas forças e o afastou. Mîm fugiu por uma trilha difícil conhecida por ele, enquanto Andróg libertava Beleg antes de morrer. Assim caiu Bar-en-Danwedh, e a Casa do Resgate foi traída.<ref name="FDH-Arco-Elmo" /> | |||
=== Retorno a Nargothrond e morte === | === Retorno a Nargothrond e morte === | ||
Edição das 15h15min de 4 de junho de 2026
Mîm foi um Anão-Miúdo de Beleriand, pai de Ibun e Khîm, lembrado como o último sobrevivente de seu povo. Habitava Amon Rûdh, na morada chamada Bar-en-Nibin-noeg, e entrou na história de Túrin Turambar quando foi capturado pelo bando de proscritos que seguia Túrin. Em troca da própria vida, conduziu-os até sua casa, que depois passou a ser conhecida como Bar-en-Danwedh, a Casa do Resgate.[1]
História
Origem e povo
Mîm pertencia aos Anãos-Miúdos, chamados pelos Elfos de Beleriand de Nibin-nogrim. Pouco se sabia sobre esse povo mesmo nos Dias Antigos, e sua memória acabou desaparecendo quase por completo. Segundo a tradição preservada no Narn i Hîn Húrin, os Anãos-Miúdos não eram amados pelos Elfos e, por sua vez, também não amavam os Eldar. Temiam e odiavam os Orques, mas guardavam especial ressentimento contra os Exilados, a quem acusavam de ter tomado suas antigas terras e moradas.[1]
A origem dos Anãos-Miúdos era explicada de modo incerto. Dizia-se que descendiam de Anãos expulsos das cidades anânicas do leste em tempos antigos e que, muito antes do retorno de Morgoth à Terra-média, haviam migrado para o oeste. Vivendo sem senhores, em pequeno número e com pouco acesso a metais, perderam parte de sua antiga habilidade como ferreiros e passaram a levar uma existência furtiva e isolada. Tornaram-se menores que outros Anãos, embora continuassem fortes e resistentes como os demais de sua raça.[1]
A tradição também atribuía aos Anãos-Miúdos uma relação antiga com Nargothrond. Antes da chegada de Finrod Felagund a Beleriand, eles teriam encontrado o local e iniciado sua escavação. Esse passado ajuda a explicar o ressentimento de Mîm contra os Elfos e, em especial, contra os Noldor, pois para ele a expansão élfica estava ligada à perda das antigas habitações de seu povo.[1]
Encontro com Túrin
Depois da partida de Beleg, no segundo verão após a fuga de Túrin de Doriath, a situação dos proscritos tornou-se mais difícil. Com o aumento da presença de Orques nas terras a oeste de Doriath e a chegada de chuvas fora de época, Túrin passou a procurar um refúgio mais seguro para sua companhia. Ao conduzir seus homens para o sul, nas bordas ocidentais dos bosques do Vale do Sirion, encontrou três figuras encapuzadas que caminhavam entre pedras carregando grandes sacos.[1]
Os proscritos perseguiram os desconhecidos, e Andróg disparou contra eles. Dois escaparam no crepúsculo, mas o terceiro, mais velho e carregado, foi alcançado e capturado. Alguns homens quiseram matá-lo, pensando tratar-se de um Orque ou de alguém ligado aos Orques, mas Túrin percebeu que era um Anão e ordenou que fosse poupado. O prisioneiro então revelou seu nome: Mîm. Interrogado por Túrin sobre o que poderia oferecer como resgate por sua vida, Mîm acabou admitindo possuir uma morada segura e aceitou compartilhá-la com os proscritos, embora se recusasse a entregá-la como propriedade deles.[1]
Túrin prometeu que, caso Mîm os conduzisse sem traição até um bom esconderijo, nenhum homem de sua companhia o mataria. Mîm, porém, demonstrou grande apego ao saco que carregava, no qual havia raízes e pequenos objetos aparentemente sem valor. Como Túrin não permitiu que ele partisse sozinho, Mîm foi mantido durante a noite entre os proscritos. Pela manhã, irritado por ter sido amarrado, declarou que um Anão não perdoaria tal tratamento; Túrin, contudo, reafirmou sua decisão e prometeu que Mîm não seria posto em amarras outra vez. Então o Anão aceitou guiá-los até Amon Rûdh, que em sua própria língua chamava de Sharbhund.[1]
Bar-en-Danwedh e Dor-Cúarthol
Mîm conduziu Túrin e seus homens por um caminho oculto até o alto de Amon Rûdh. Ali ficava Bar-en-Nibin-noeg, antiga morada dos Anãos-Miúdos, conhecida apenas por velhas tradições de Doriath e Nargothrond. A entrada era difícil de encontrar para quem não conhecesse o caminho, e a habitação fora escavada sob o monte ao longo de muitos anos. Ao chegar à caverna, Mîm a chamou de Bar-en-Danwedh, a Casa do Resgate, nome que Túrin aceitou depois de reconhecer que a morada era de fato segura.[1]
Dentro da casa, porém, Túrin descobriu que Khîm, um dos filhos de Mîm, havia sido atingido pela flecha disparada por Andróg durante a perseguição e morrera ao pôr do sol. Comovido, Túrin declarou-se devedor de Mîm e prometeu pagar um resgate em ouro pelo filho morto, caso algum dia viesse a possuir riqueza suficiente. Mîm aceitou que os proscritos permanecessem em sua morada, mas exigiu que Andróg quebrasse seu arco e suas flechas e os depositasse aos pés de Khîm. Também lançou sobre ele uma maldição: se voltasse a usar arco e flecha, morreria por esse meio.[1]
Com o tempo, Amon Rûdh tornou-se o centro da resistência de Túrin e Beleg contra os servos de Morgoth. O refúgio passou a ser chamado também de Echad i Sedryn, o Acampamento dos Fiéis, embora o caminho até ele permanecesse conhecido apenas pelos membros antigos da companhia. Por conselho de Beleg, novos aliados não eram admitidos na morada de Mîm, mas acampamentos auxiliares foram estabelecidos nas terras vizinhas. A força reunida em torno de Túrin cresceu, e ele passou a chamar a região entre o Teiglin e o limite ocidental de Doriath de Dor-Cúarthol, a Terra do Arco e do Elmo.[2]
A presença de Beleg em Bar-en-Danwedh aumentou o ressentimento de Mîm. O Anão odiava os Elfos e via com ciúme a afeição de Túrin pelo arqueiro de Doriath. Quando Andróg, durante uma incursão, voltou a usar arco e foi ferido por uma flecha envenenada de Orque, Beleg conseguiu curá-lo. Para Mîm, isso pareceu desfazer sua maldição, e seu ódio por Beleg tornou-se ainda maior.[2]
Traição e queda de Amon Rûdh
À medida que a fama de Túrin e Beleg se espalhava, Morgoth voltou sua atenção para Amon Rûdh. Espiões passaram a cercar o monte, observando os movimentos dos homens que entravam e saíam. Mîm sabia da presença dos Orques nas proximidades, e o relato principal afirma que, movido por seu ódio a Beleg e pelo desejo de recuperar sua casa, decidiu procurar os servos de Morgoth e conduzi-los ao esconderijo de Túrin.[2]
Mîm tentou impor condições aos Orques: queria pagamento pelos homens capturados ou mortos, exigiu que sua casa lhe fosse devolvida e pediu que Beleg fosse deixado amarrado para que ele próprio cuidasse dele. Também pediu que Túrin fosse libertado. Os Orques aceitaram suas exigências apenas de modo aparente, pois não pretendiam cumpri-las, e mantiveram Ibun, o outro filho de Mîm, como refém. Assim, Mîm foi obrigado a guiá-los até Bar-en-Danwedh. Outra tradição, registrada junto ao relato, atribuía a traição menos a uma intenção deliberada de Mîm e mais à captura de Ibun e à ameaça de tortura contra seu filho.[2]
Com Mîm como guia, os Orques alcançaram a saliência diante da entrada de Bar-en-Danwedh e atacaram o refúgio. Túrin, Beleg e seus homens resistiram, primeiro junto à entrada da caverna e depois no topo de Amon Rûdh, ao qual chegaram por uma escada secreta. A defesa terminou em derrota: quase todos os homens de Túrin foram mortos, Andróg caiu mortalmente ferido, Túrin foi capturado e Beleg, ferido, foi deixado preso sobre a rocha.[2]
Depois da partida dos Orques, Mîm saiu de seu esconderijo e encontrou Beleg amarrado e indefeso. Aproximou-se dele com uma faca, mas Andróg, ainda vivo entre os mortos, reuniu suas últimas forças e o afastou. Mîm fugiu por uma trilha difícil conhecida por ele, enquanto Andróg libertava Beleg antes de morrer. Assim caiu Bar-en-Danwedh, e a Casa do Resgate foi traída.[2]
Retorno a Nargothrond e morte
Características
Etimologia
Outras versões do legendário
Primeiras versões
O tesouro de Nargothrond e o Nauglafring
The Complaint of Mîm the Dwarf
Referências
- ↑ 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin (Sobre Mîm, o Anão).
- ↑ 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 2,5 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin (A Terra do Arco e do Elmo).
