Mablung
Mablung foi um elfo sinda de Doriath, capitão de Thingol e mestre de seus caçadores. Chamado de o Caçador, teve papel importante nos acontecimentos narrados em Os Filhos de Húrin, especialmente no conflito entre Túrin e Saeros, na viagem de Morwen e Niënor a Nargothrond e na revelação final da tragédia dos filhos de Húrin.
História
Em Doriath
Mablung era um elfo de Doriath a serviço de Thingol, descrito como capitão do rei e mestre de seus caçadores. Durante o período em que Túrin viveu em Menegroth, Mablung aparece entre os elfos próximos à corte de Thingol e participa dos acontecimentos que levaram ao afastamento de Túrin de Doriath.[1]
O conflito entre Túrin e Saeros
Durante uma das raras visitas de Túrin a Menegroth após passar a combater nos confins de Doriath, ele se sentou, sem intenção aparente de afronta, no lugar normalmente ocupado por Saeros no salão. Saeros interpretou o gesto como provocação e passou a insultá-lo, primeiro com zombarias sobre sua aparência e depois com palavras ofensivas contra as mulheres de Hithlum. Túrin, que conversava com Mablung naquele momento, reagiu lançando uma taça contra Saeros e sacou a espada, mas foi contido por Mablung antes que o atacasse.[2]
Após a saída de Túrin do salão, Mablung repreendeu Saeros, considerando-o culpado pelo mal ocorrido e advertindo que a morte de qualquer um dos dois seria um feito indigno de Doriath. Na manhã seguinte, Saeros atacou Túrin de surpresa quando este deixava Menegroth. Túrin o venceu, desarmou-o e, em vingança pelos insultos, perseguiu-o nu pela floresta. Mablung, que seguia os dois, tentou deter Túrin, mas Saeros, fugindo em pânico, caiu em uma ravina e morreu.[2]
Depois da morte de Saeros, Mablung pediu que Túrin retornasse a Menegroth para ser julgado por Thingol. Túrin recusou, temendo a prisão e rejeitando a necessidade de pedir perdão ao rei. Embora advertisse Túrin de que uma sombra pairava sobre ele, Mablung permitiu que partisse, afirmando que uma morte já bastava.[2]
No julgamento realizado por Thingol, Mablung foi uma das principais testemunhas e falou com clareza sobre os acontecimentos, ainda que parecesse inclinar-se em favor de Túrin. Questionado pelo rei, declarou que fora amigo de Túrin, mas que amava a verdade ainda mais. Seu testemunho, somado posteriormente ao relato de Nellas, contribuiu para que Thingol reconhecesse a culpa de Saeros no início do conflito.[2]
A viagem de Morwen e Niënor a Nargothrond
Após chegarem a Doriath notícias incertas sobre a queda de Nargothrond e sobre o destino de Túrin, Morwen decidiu partir em busca do filho ou de informações seguras a seu respeito. Thingol, embora não quisesse detê-la pela força, reuniu uma companhia de seus guardas fronteiriços e colocou-a sob o comando de Mablung, ordenando que seguissem Morwen sem serem percebidos, que a protegessem caso o perigo a ameaçasse e que procurassem descobrir o máximo possível sobre Nargothrond.[3]
Quando Morwen chegou ao Sirion, acima dos Alagados do Crepúsculo, os elfos tiveram de revelar sua presença, pois ela não conhecia o caminho para atravessar o rio. Mablung tentou persuadi-la a retornar, mas, diante de sua recusa, decidiu auxiliá-la, ainda que contra a própria vontade. Ele conduziu Morwen até as balsas ocultas mantidas pelos elfos naquela região e a companhia atravessou o Sirion antes do amanhecer.[3]
Na margem ocidental, descobriu-se que Niënor havia seguido secretamente a companhia e atravessado o rio com eles. Mablung percebeu então que sua missão se tornara mais difícil, pois deveria proteger não apenas Morwen, mas também a filha de Húrin. Apesar de censurar a falta de prudência da família de Húrin, aceitou prosseguir, estabelecendo que Morwen e Niënor deveriam seguir a cavalo entre os cavaleiros e não se afastar deles.[3]
A companhia avançou com cautela para oeste, atravessando terras silenciosas e desoladas até se aproximar do Narog. Ao perceber o perigo crescente, Mablung tentou convencer Morwen a não prosseguir, mas ela recusou. Então ele decidiu conduzir Morwen e Niënor a Amon Ethir, o Monte dos Espiões, onde poderiam permanecer sob guarda enquanto ele investigava Nargothrond. Dali, Mablung avistou as portas abertas de Nargothrond e deixou Morwen e Niënor sob vigilância, antes de seguir com parte de sua companhia em direção ao rio para procurar notícias.[3]
A busca por Niënor
Enquanto Glaurung avançava para fora de Nargothrond, Mablung atravessou o Narog e entrou nos salões abandonados de Felagund, ainda tentando descobrir o destino de Túrin. Não encontrou ninguém vivo entre as ruínas e, temendo o retorno do Dragão, voltou para o leste. Ao regressar, foi escarnecido por Glaurung, que o incitou a subir novamente a Amon Ethir para ver o que acontecera àquela que estava sob sua proteção.[4]
No topo do Monte dos Espiões, Mablung encontrou Niënor imóvel e silenciosa, sob o encantamento de Glaurung. Ela não respondia às suas palavras, mas permitia ser conduzida pela mão. Mablung, sem companhia e sem outra escolha, começou então a levá-la de volta para o leste, até que encontrou três membros dispersos de sua comitiva, que haviam sobrevivido à confusão causada pela passagem do Dragão.[4]
A viagem de retorno foi lenta, pois Niënor caminhava como alguém privada de consciência e memória. Perto dos limites ocidentais de Doriath, ao sul do Teiglin, o grupo foi atacado por Orques. Durante o combate, Niënor despertou subitamente em pânico e fugiu para a floresta. Mablung e seus companheiros mataram os Orques e tentaram segui-la, mas ela desapareceu sem deixar rastro, apesar de longas buscas ao norte.[4]
Mablung retornou a Doriath tomado por pesar e vergonha, considerando-se desonrado por ter perdido Niënor. Melian, porém, afirmou que ele havia feito tudo o que podia e que enfrentara um poder maior do que qualquer habitante da Terra-média poderia resistir. Ainda assim, Mablung não abandonou a busca: com uma pequena companhia, passou três anos procurando sinais ou notícias de Morwen e Niënor, desde as Ered Wethrin até as Fozes do Sirion.[4]
O encontro final com Túrin
Após a morte de Glaurung, Túrin, tomado pelo desespero, caminhou até as Travessias do Teiglin. Ali encontrou doze caçadores élficos vindos de Doriath, entre eles Mablung, principal caçador de Thingol. Mablung contou que procurava Túrin porque soubera que Glaurung se voltara para Brethil e temera que o Dragão estivesse em busca dele. Ao saber que Túrin matara a Grande Serpe, os elfos se admiraram, mas Túrin não se alegrou com o louvor e pediu notícias de sua família em Doriath.[5]
Mablung então revelou que Morwen e Niënor haviam deixado Doriath em busca de Túrin quando se soube que ele era o Espada Negra de Nargothrond. Contou também que, após o aparecimento de Glaurung, a guarda fora dispersada, Morwen desaparecera e Niënor fora tomada por um encantamento antes de fugir e perder-se. Quando Túrin reagiu descrevendo Níniel como se não pudesse ser Niënor, Mablung corrigiu-o, explicando que a irmã de Túrin era alta, de olhos azuis e cabelos dourados, semelhante a Húrin em forma feminina. Com isso, Túrin compreendeu que Níniel era Niënor.[5]
Diante da reação de Túrin, Mablung percebeu que algo terrível havia acontecido e decidiu segui-lo para tentar ajudá-lo. Túrin, porém, fugiu rapidamente e chegou antes dos elfos a Cabed-en-Aras, que chamou de Cabed Naeramarth. Ali, junto às águas do Teiglin, lançou-se sobre Gurthang e morreu.[5]
Quando Mablung chegou ao local, encontrou Glaurung morto e viu também o corpo de Túrin. Ao compreender o efeito de suas próprias palavras, lamentou amargamente ter sido enredado no destino dos filhos de Húrin e ter contribuído, ainda que sem intenção, para a morte de alguém que amava. Depois disso, Túrin foi sepultado em um monte tumular, com os fragmentos de Gurthang postos ao seu lado.[5]
Morte em Doriath
Em O Silmarillion, Mablung morreu durante a ruína de Doriath, após a morte de Thingol e a partida de Melian de Menegroth. Quando os Anões de Nogrod atacaram o reino para tomar o Nauglamír, no qual estava engastada a Silmaril, Mablung caiu diante das portas do tesouro, e a joia foi levada pelos invasores.[6]
Sua morte encerra sua trajetória como servidor de Thingol e defensor de Doriath, ligando seu destino final à Silmaril recuperada anteriormente na caça a Carcharoth.[6]
Características
Etimologia
Outras versões do legendário
Referências
- ↑ J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin (Túrin em Doriath).
- ↑ 2,0 2,1 2,2 2,3 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin (Túrin em Doriath).
- ↑ 3,0 3,1 3,2 3,3 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin (A Viagem de Morwen e Niënor a Nargothrond).
- ↑ 4,0 4,1 4,2 4,3 Erro de citação: Marca
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadasFDH-Viagem3 - ↑ 5,0 5,1 5,2 5,3 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin (A Morte de Túrin).
- ↑ 6,0 6,1 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). O Silmarillion (Da Ruína de Doriath).
