Andróg
Andróg foi um Homem de Dor-lómin e membro dos Gaurwaith, o bando de proscritos ao qual Túrin Turambar se juntou após deixar Doriath. Entre os proscritos, esteve ligado aos episódios envolvendo Forweg, Beleg Cúthalion, Mîm e a queda de Amon Rûdh.[1][2][3]
História
Origem e entrada nos Gaurwaith
Depois de deixar Doriath, Túrin seguiu para oeste e chegou às florestas além dos limites ocidentais do reino de Thingol. Naquela região viviam homens sem lar, remanescentes de guerras e terras devastadas, além de outros que haviam sido expulsos para o ermo por crimes ou atos de violência. Esses grupos passaram a roubar e a pilhar para sobreviver, sendo chamados de Gaurwaith, ou "homens-lobos", por aqueles que ainda defendiam suas casas.[1]
Andróg era um desses proscritos. Vinha de Dor-lómin e fora expulso de sua terra pelo assassinato de uma mulher. No bando, é apresentado como o mais duro de coração. Outros membros da companhia também vinham de Dor-lómin, entre eles Algund e Forweg, este último então capitão dos proscritos.[1]
Encontro com Túrin
Túrin encontrou os Gaurwaith depois de deixar os domínios de Thingol. Ao ser abordado por membros do bando, não se intimidou, e sua força levou os proscritos a hesitarem antes de atacá-lo. Andróg estava entre os homens que avaliaram o recém-chegado e reconheceram que ele não era uma presa fácil. Em vez de matá-lo ou roubá-lo, o bando acabou aceitando sua entrada entre os proscritos.[1]
Túrin não revelou seu nome verdadeiro e passou a ser chamado de Neithan, "o Injustiçado". Embora ainda não fosse o chefe da companhia, sua presença logo alterou o equilíbrio interno dos Gaurwaith, pois demonstrava maior força, disciplina e autoridade que os demais membros do grupo.[1]
Morte de Forweg e liderança de Túrin
A posição de Túrin entre os proscritos mudou após a morte de Forweg, então capitão dos Gaurwaith. Forweg e Andróg haviam perseguido uma jovem, filha de Larnach, e Túrin interveio ao encontrar a mulher fugindo. No confronto, Túrin matou Forweg, apresentando o ato como punição pela violência cometida contra aqueles que não eram inimigos do bando.[1]
Andróg, que estivera envolvido no episódio, não enfrentou Túrin depois da morte de Forweg. Quando o caso foi levado aos demais proscritos, Túrin defendeu que o bando deveria deixar de atacar os fracos e os indefesos. A força de sua atitude e a ausência de um líder mais capaz levaram os Gaurwaith a aceitá-lo como novo capitão. Andróg, apesar de sua dureza e de seu passado violento, esteve entre os que reconheceram a autoridade de Túrin sobre a companhia.[1]
Captura de Beleg
Depois que Beleg Cúthalion encontrou o esconderijo dos proscritos, os Gaurwaith o prenderam na ausência de Túrin. Beleg declarou que era amigo de Neithan e que o procurava por amor, trazendo boas novas; Andróg, porém, desconfiou dele, chamou-o de espião de Doriath e propôs que fosse morto. Também cobiçou o grande arco de Beleg, pois ele próprio era arqueiro.[1]
Por insistência de Andróg, Beleg foi deixado amarrado a uma árvore, sem alimento nem água, enquanto os proscritos aguardavam que ele falasse. Após dois dias e duas noites, muitos dos homens já se inclinavam a matá-lo, mas Túrin retornou antes que isso acontecesse. Ao reconhecer Beleg, Túrin cortou suas amarras e se envergonhou do tratamento dado ao amigo. Beleg, por sua vez, não revelou a Túrin toda a malícia de Andróg, temendo aprofundar a separação entre Túrin e Thingol.[1]
Mîm e Amon Rûdh
Mais tarde, os Gaurwaith encontraram Mîm e seus filhos, Ibun e Khîm, nas terras próximas a Amon Rûdh. Quando as três figuras tentaram fugir carregando seus sacos, Andróg atirou contra elas; duas escaparam, mas Mîm foi capturado. Durante a captura, Andróg também pediu que o Anão fosse morto, tomando-o por criatura próxima dos Orques. Túrin, no entanto, poupou Mîm e aceitou como resgate a promessa de que ele compartilharia sua morada oculta.[2]
Guiados por Mîm, os proscritos chegaram a Bar-en-Danwedh, a "Casa do Resgate", no interior de Amon Rûdh. Ali descobriram que uma das flechas disparadas por Andróg havia atingido Khîm, filho de Mîm, que morreu antes que pudesse ser curado. Como parte do preço de seu resgate, Mîm exigiu que o homem que atirara a flecha quebrasse seu arco e suas setas e nunca mais voltasse a portar arco ou flecha. Andróg obedeceu com relutância, mas Mîm lançou sobre ele uma maldição: se voltasse a usar tais armas, morreria por esse meio.[2]
Andróg permaneceu desconfiado de Mîm e, ao se perder nas cavernas enquanto procurava comida, encontrou uma escada secreta que levava ao topo de Amon Rûdh. Ele não revelou a descoberta de imediato. Mais tarde, quando a companhia de Túrin passou a guerrear a partir de Bar-en-Danwedh, Andróg desafiou a maldição de Mîm e voltou a empunhar arco e flecha. Em uma incursão, foi ferido por uma flecha envenenada de Orque e levado de volta quase morto, mas Beleg conseguiu curá-lo. Mîm, vendo sua maldição frustrada pelo Elfo, passou a odiar Beleg ainda mais.[2][3]
A queda de Amon Rûdh e morte
A força reunida em torno de Túrin e Beleg em Amon Rûdh passou a ser conhecida como Dor-Cúarthol, a "Terra do Arco e do Elmo". A posição, porém, foi traída quando Mîm conduziu os Orques até a morada oculta. No ataque a Bar-en-Danwedh, Túrin e Beleg recuaram para o interior da caverna e bloquearam a passagem com uma grande pedra. Nesse momento, Andróg revelou a escada secreta que levava ao topo plano de Amon Rûdh, descoberta anteriormente por ele nas cavernas.[3]
Túrin, Beleg e parte dos homens subiram pela escada e alcançaram o topo, onde por algum tempo resistiram aos Orques que escalavam a rocha. Sem abrigo no alto desnudo de Amon Rûdh, muitos foram atingidos por flechas disparadas de baixo. Andróg destacou-se entre os defensores, mas foi mortalmente ferido por uma flecha junto à cabeceira da escada exterior, retomando assim a maldição que Mîm lançara sobre ele.[3]
Depois que Túrin foi capturado e Beleg ficou preso sobre a rocha, Mîm aproximou-se do Elfo caído com intenção de matá-lo. Andróg, ainda vivo apesar do ferimento mortal, arrastou-se entre os mortos, apanhou uma espada e ameaçou Mîm, que fugiu do topo de Amon Rûdh por uma trilha íngreme. Reunindo suas últimas forças, Andróg cortou as amarras de Beleg e o libertou. Morreu logo depois, dizendo que seus ferimentos eram profundos demais até mesmo para a cura de Beleg.[3]
Características
Andróg é apresentado como um dos membros mais duros dos Gaurwaith. Era oriundo de Dor-lómin e vivia entre os proscritos após ter sido expulso de sua terra por assassinato. Sua conduta inicial é marcada por violência, desconfiança e pouca consideração por aqueles que estavam fora do bando, como se vê no episódio envolvendo a filha de Larnach e na forma como tratou Beleg quando este foi capturado.[1]
Também era arqueiro, característica importante em sua relação com Mîm. Foi sua flecha que matou Khîm, filho de Mîm, e por isso o Anão exigiu que Andróg quebrasse seu arco e suas setas, além de lançar sobre ele uma maldição caso voltasse a usar tais armas. Andróg mais tarde desafiou essa proibição e retomou o arco, sendo ferido por uma flecha envenenada de Orque antes de ser curado por Beleg.[2][3]
Apesar de sua brutalidade, Andróg não é retratado apenas como covarde ou traidor. Ele reconheceu desde cedo que Túrin era superior em força aos demais proscritos e aceitou sua entrada no bando. Na defesa final de Amon Rûdh, foi contado entre os mais valorosos dos homens de Túrin e, mesmo mortalmente ferido, impediu que Mîm matasse Beleg, libertando-o antes de morrer.[1][3]
Família
Etimologia
Outras versões do legendário
Referências
- ↑ 1,00 1,01 1,02 1,03 1,04 1,05 1,06 1,07 1,08 1,09 1,10 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin ("Túrin entre os Proscritos").
- ↑ 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin ("Sobre Mîm, o Anão").
- ↑ 3,0 3,1 3,2 3,3 3,4 3,5 3,6 J.R.R. Tolkien (autor). Christopher Tolkien (editor). Os Filhos de Húrin ("A Terra do Arco e do Elmo").
