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	<title>Compendium Tolkien - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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	<subtitle>Contribuições do usuário</subtitle>
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		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1159</id>
		<title>Citações Marcantes do Legendário</title>
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		<updated>2026-04-01T12:53:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 01/04/2026).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento dos momentos mais marcantes (ou apenas interessantes) do legendário. Ou seja, não necessariamente têm alguma mensagem sobre a vida ou algo do gênero, sendo apenas, por assim dizer, citações “legais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Hobbit (1937) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Até os bons planos de magos sábios como Gandalf e de bons amigos como Elrond dão errado às vezes, quando você parte para aventuras perigosas do outro lado da Borda do Ermo; e Gandalf era um mago sábio o suficiente para perceber isso.|fonte=[[O Hobbit]] (4. Sobre Monte e Sob Monte)}}{{Citação em Bloco|trecho=Tentou adivinhar da melhor maneira que podia e rastejou adiante por um bom pedaço, até que de repente sua mão topou com o que parecia ser um minúsculo anel de metal frio caído no chão do túnel. Era uma grande virada em sua carreira, mas ele ainda não sabia disso.|fonte=[[O Hobbit]] (5. Adivinhas no Escuro)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Em Eregion, muito tempo atrás, foram feitos muitos anéis-élficos, anéis mágicos, como você os chama, e é claro que eram de vários tipos: alguns mais potentes e outros menos. Os anéis menores eram apenas ensaios do ofício antes que este estivesse maduro, e para os artífices-élficos eles eram meras miudezas — ainda assim, em minha opinião, arriscados para os mortais. Mas os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, esses eram perigosos.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É uma bela história, apesar de triste, como são todas as histórias da Terra-média, e mesmo assim pode lhes dar ânimo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 11. Um Punhal no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Em uma coisa não mudaste, caro amigo,” comentou Aragorn, “ainda falas por enigmas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O quê? Em enigmas?”, disse Gandalf. “Não! Pois estava falando comigo mesmo em voz alta. Um hábito dos velhos: eles escolhem a pessoa mais sábia presente para falar com ela;”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mithrandir nós o chamávamos à moda dos Elfos,” disse Faramir, “e ele se contentava. ‘Muitos são meus nomes em muitos países’, dizia ele. ‘Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anãos; Olórin eu fui na juventude, no Oeste que está esquecido, no Sul, Incánus, no Norte, Gandalf; ao Leste eu não vou.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV, 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Repentinamente o rei deu uma exclamação para Snawmana, e o cavalo partiu em um salto. [...] Parecia destinado à morte, ou a fúria de batalha de seus pais corria em suas veias como fogo novo, e foi carregado por Snawmana como um deus de outrora, como o próprio Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto, e eis! brilhava como uma imagem do Sol, e a relva se inflamava de verde em torno dos alvos pés de sua montaria. Pois a manhã estava chegando, a manhã e um vento do mar; e a escuridão foi removida, e as hostes de Mordor pranteavam, e o terror se apossou deles, e fugiram, e morreram, e os cascos da ira passaram sobre eles.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 5. A Cavalgada dos Rohirrim)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Vou chegar lá nem que deixe para trás tudo exceto meus ossos”, disse Sam. “E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo lá para cima, nem que quebre minhas costas e meu coração. Então pare de discutir!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Venha, Sr. Frodo!”, exclamou ele. “Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor e ele também. Então levante-se! Vamos lá, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. Só diga a ele aonde ir e ele irá.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com Frodo agarrado às costas, [...] para seu espanto, achou leve o fardo. Ele receara mal ter força para erguer seu patrão sozinho e, além disso, imaginara que compartilharia o terrível peso de arrasto do maldito Anel. Mas não foi assim. Fosse porque Frodo estava tão desgastado por suas longas dores, pela ferida do punhal e pela picada venenosa, e pelo pesar, medo e andança sem lar, ou seja porque lhe fora dado algum dom de força final, Sam ergueu Frodo sem maior dificuldade do que quem carrega uma criança hobbit no cangote [...]. Inspirou fundo e partiu.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sus! senhores e cavaleiros e homens de valor indômito, reis e príncipes, e bela gente de Gondor, e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de Elrond, e Dúnedain do Norte, e Elfo e Anão, e intrépidos do Condado, e todo o povo livre do Oeste, escutai agora a minha balada. Pois vos cantarei de Frodo dos Nove Dedos e do Anel da Perdição.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali terminava a caligrafia de Bilbo, e Frodo escrevera:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A QUEDA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SENHOR DOS ANÉIS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E O&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RETORNO DO REI&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[...] “Ora, o senhor quase o terminou, Sr. Frodo!”, exclamou Sam. “Bem, preciso dizer que se esforçou.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Já terminei, Sam”, disse Frodo. “As últimas páginas são para você.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Então o Rei-bruxo riu-se, e ninguém que o ouviu jamais esqueceu o horror daquele grito. Mas, nesse momento, veio cavalgando Glorfindel em sua montaria branca, e, no meio de seu riso, o Rei-bruxo voltou-se em fuga e passou para as sombras. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Com isso Eärnur cavalgou de volta, mas Glorfindel, observando a escuridão crescente, disse: ‘Não o persigas! Ele não voltará a esta terra. Ainda está muito longe a sua sina e não cairá pela mão de um homem.’ Estas palavras foram lembradas por muitos; mas Eärnur ficou irado, desejando apenas vingar-se pela sua desgraça.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; I. Os Reis Númenóreanos)}}{{Citação em Bloco|trecho=O poder de Moria perdurou através dos Anos Sombrios e o domínio de Sauron, pois, apesar de Eregion estar destruída e estarem fechados os portões de Moria, os salões de Khazad-dûm eram demasiado fundos e fortes e repletos de um povo demasiado numeroso e valente para que Sauron os conquistasse do exterior.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; III. O Povo de Durin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mesmo assim eles habitavam, então, no Reino de Arda, e esse era não mais que um pequeno domínio nos salões de Eä, cuja vida é o Tempo, que flui sempre da primeira nota ao último acorde de Eru.|fonte=[[O Silmarillion]] (Quenta Silmarillion; 8. Do Obscurecer de Valinor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Então Fingolfin contemplou (como lhe parecia) a completa ruína dos Noldor [...]; e, cheio de ira e desespero, montou Rochallor, seu grande corcel, e partiu sozinho, e ninguém pôde impedi-lo. [...] e todos os que contemplavam seu avanço fugiam em assombro, pensando que o próprio Oromë chegara: pois uma grande loucura de fúria estava sobre ele, de modo que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim ele chegou sozinho aos portões de Angband, e soou sua trompa, e golpeou, mais uma vez, as portas brônzeas, e desafiou Morgoth a vir para fora para combate singular. E Morgoth veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Por fim, tão desesperado era o caso de Barahir, que Emeldir do Coração-de-homem, sua esposa (cuja intenção era antes lutar ao lado de seu filho e seu marido do que fugir), reuniu todas as mulheres e crianças que tinham restado e deu armas àquelas que queriam usá-las; e as levou para as montanhas atrás de Dorthonion e por caminhos perigosos, até que chegaram enfim, com perdas e sofrimento, a Brethil.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Vazias e silenciosas estavam todas as terras em volta quando o Rei do Mar marchou sobre a Terra-média. Por sete dias viajou com bandeira e trombeta, e chegou a um monte, e o subiu, e dispôs ali seu pavilhão e seu trono; e se sentou em meio à terra, e as tendas de sua hoste estavam todas arranjadas à sua volta, azuis, douradas e brancas, como um campo de altas flores. Então enviou arautos e mandou que Sauron viesse diante dele e lhe jurasse fidelidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Sauron veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora. Por azar, ou por um acaso feliz, o Anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Um grande fardo fora removido. [...] Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra-média.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; I. O Desastre dos Campos de Lis)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] seus jovens e velhos eram ajudados pelas mulheres mais moças, que naquele povo também eram treinadas em armas e lutavam ferozmente em defesa de seus lares e filhos.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (i) Os Nortistas e os Carroceiros)}}{{Citação em Bloco|trecho=Eorl exigiu que o cavalo renunciasse à sua liberdade até o fim da vida, como compensação por seu pai; e Felaróf submeteu-se, apesar de não permitir que nenhum homem, exceto Eorl, o montasse. Compreendia tudo o que diziam os homens e teve vida longa como eles, assim como seus descendentes, os mearas, “que não levavam senão o Rei da Marca ou seus filhos até o tempo de Scadufax”.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (ii) A Cavalgada de Eorl)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘Tu estás armando alguma das tuas, Mestre Gandalf. Tenho certeza de que tu tens outros propósitos além de me ajudar.’&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“‘Tu tens toda a razão’, concordei eu. ‘Se eu não tivesse outros propósitos, nem te estaria ajudando. Por muito que teus negócios te possam parecer importantes, eles são apenas um pequeno fio na grande teia. Eu me ocupo de muitos fios.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Há uma coisa que preciso fazer um dia destes; preciso visitar esse teu Condado. Não para ver mais Hobbits! Duvido que possa aprender algo sobre eles que eu já não saiba. Mas nenhum Anão da Casa de Durin pode deixar de olhar aquela terra com assombro. Não começou lá a recuperação do Reino sob a Montanha e a queda de Smaug? Sem mencionar o fim de Barad-dûr, apesar de que ambos estavam estranhamente enredados. Estranho, muito estranho”, comentou, e fez uma pausa.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não, imaginei que ele [Bilbo] queria permanecer “solteiro” por alguma razão bem profunda, que ele mesmo não compreendia ou não queria reconhecer, pois ela o alarmava. Queria, mesmo assim, ser livre para partir quando surgisse a oportunidade ou quando ele tivesse reunido coragem.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Quando assuntos de peso estão em debate, Mithrandir, espanta-me um pouco que tu te divirtas com teus brinquedos de fogo e fumaça, enquanto outros debatem a sério.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Gandalf riu e respondeu: “Não te espantarias se tu mesmo usasses esta erva. Descobririas que a fumaça soprada limpa sua mente das sombras interiores. Seja como for, ela confere paciência, para escutar os desacertos sem se enraivecer. Mas não é um dos meus brinquedos. É uma arte do Povo Pequeno lá no Oeste: gente alegre e valorosa, apesar de ter pouca importância, quem sabe, nas tuas altas políticas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; IV. A Caçada ao Anel; (iii) Acerca de Gandalf, de Saruman e do Condado)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 1 (1983) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas isso é através dele, e não por ele; e ele verá, e vós todos também, e mesmo esses seres que devem agora morar em meio ao seu mal e, por causa de Melko, tolerar tormento e pesar, terror e perversidade, que isso redunda, no fim, apenas para minha grande glória, e não faz senão tornar o tema mais digno de ser ouvido, a Vida mais digna de ser vivida, e o Mundo tão mais formidável e maravilhoso que, de todos os feitos de Ilúvatar, este será julgado seu mais poderoso e mais belo.’|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}{{Citação em Bloco|trecho=A neve é de tal beleza que ultrapassa meus mais secretos pensamentos e, se há pouca música nela, a chuva, por outro lado, é realmente bela e tem uma música que enche meu coração, e alegro-me que meus ouvidos a encontraram, ainda que sua tristeza esteja entre as mais tristes de todas as coisas.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 2 (1984) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] há muito tempo se diz entre os Homens que todos os que provassem do coração de um dragão conheceriam todas as línguas de Deuses ou Homens, de aves ou feras, e seus ouvidos captariam os sussurros dos Valar ou de Melko tal como jamais tinham ouvido antes.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 2]] (2. Turambar e o Foalókë)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Formação da Terra-média (1986) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando o mundo estiver muito mais velho e quando os Deuses se cansarem, Morgoth voltará pela Porta e a última batalha de todas acontecerá. Fionwë lutará contra Morgoth na planície de Valinor, e o espírito de Túrin estará ao lado dele, há de ser Túrin aquele que, com sua espada negra, matará Morgoth e assim os filhos de Húrin hão de ser vingados. Naqueles dias, as Silmarils hão de ser reavidas do mar e da terra e do ar, e Maidros há de quebrá-las e Belaurin, com o fogo delas, há de reacender as Duas Árvores e a grande luz há de vir de novo e as Montanhas de Valinor hão de ser aplainadas, de modo que essa luz chegará a todo o mundo, e Deuses e Elfos e Homens hão de se tornar jovens de novo e todos os seu mortos vão despertar.|fonte=[[A Formação da Terra-média]] (2. A Primeira Versão do &amp;quot;Silmarillion&amp;quot; (O &amp;quot;Esboço da Mitologia&amp;quot;); Esboço da mitologia com especial referência aos &amp;quot;Filhos de Húrin&amp;quot;; 19)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=De fato, em extrema necessidade ou defesa desesperada, as nissi [mulheres] lutavam valentemente, e havia menos diferença em força e velocidade entre homens-élficos e mulheres-élficas que ainda não tinham dado à luz criança do que se vê entre mortais. Por outro lado, muitos homens-élficos eram grandes curandeiros e hábeis no saber dos corpos viventes, embora tais homens se abstivessem de caçar e só fossem à guerra se houvesse máxima necessidade.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar)}}{{Citação em Bloco|trecho=Outros [Valar] havia, incontáveis para o nosso pensamento, embora conhecidos uns dos outros e enumerados na mente de Ilúvatar, cujo labor se dava alhures e em outras regiões e histórias do Grande Conto, em meio a remotas estrelas e mundos além do alcance do mais longínquo pensamento. Mas desses outros nada sabemos e não temos como saber, embora os Valar de Arda, talvez, recordem a todos eles.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Cinco: Mitos Transformados; II)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em sua casa sobre as muralhas Idril se veste com cota de malha e busca Eärendel. [...] Idril lutara, sozinha como estava, feito uma tigresa, apesar de toda a sua formosura e pequenez.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Por outro lado, o ato da procriação [dos Elfos], sendo ato de vontade e desejo partilhado e deveras controlado pelo fëa [“espírito”], realizava-se com a presteza de outros atos conscientes e voluntários de deleite ou de feitura. Era um dos atos de principal deleite, em processo e memória, em uma vida élfica, mas sua importância derivava apenas de sua intensidade, não do tempo ou da duração: não podia ser suportado por grande espaço de tempo sem desastroso “gasto”.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento; 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
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		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1158</id>
		<title>Citações Não-ficcionais sobre a Vida</title>
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		<updated>2025-11-07T20:22:17Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 07/11/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento das melhores citações de J.R.R. Tolkien sobre a vida, retiradas exclusivamente de suas obras não-ficcionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Árvore e Folha (1964) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Feéria contém muitas coisas além de elfos e fadas e além de anões, bruxas, trols, gigantes ou dragões. Ela abriga os mares, o sol, a lua, o céu, a terra e todas as coisas que estão nela: árvores e pássaros, água e pedra, vinho e pão e nós mesmos, homens mortais, quando estamos encantados.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia é uma atividade natural humana. Ela certamente não destrói ou mesmo insulta a Razão; e não torna menos aguçado o apetite pela verdade científica, nem obscurece a percepção dela. Ao contrário. Quanto mais aguçada e clara a razão, melhor fantasia fará.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso. [...] Pode ser posta a serviço de fins maus. [...] Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade? Os homens conceberam não apenas elfos, mas imaginaram deuses e os adoraram, adoraram mesmo aqueles mais deformados pelo próprio mal de seus autores. Mas eles fizeram falsos deuses com outros materiais: suas nações, suas bandeiras, seus dinheiros; até suas ciências e suas teorias sociais e econômicas já exigiram sacrifício humano.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] “ver as coisas como nós somos (ou fomos) destinados a vê-las” — como coisas separadas de nós mesmos. Precisamos, em todo o caso, limpar nossas janelas; de forma que as coisas vistas claramente possam ser libertadas do fosco borrão da banalidade ou da familiaridade — da possessividade.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=Por que dever-se-ia escarnecer de um homem se, achando-se na prisão, ele tenta sair e ir para casa? Ou se, quando ele não pode fazê-lo, pensa e fala de outros temas que não carcereiros e paredes de prisão? O mundo lá fora não se tornou menos real porque o prisioneiro não consegue vê-lo.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] um aviso de que não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual).}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] ela é uma graça repentina e miraculosa: nunca se pode contar que ela se repita. Ela não nega a existência da discatástrofe, da tristeza e do fracasso: a possibilidade dessas coisas é necessária para a alegria da libertação; ela nega (diante de muitas evidências, se você quiser) a derrota final universal e, nesse ponto, é evangelium, dando um vislumbre fugidio da Alegria, a Alegria além das muralhas do mundo, pungente como a tristeza.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[O Regresso de Beorhtnoth]], Filho de Beorhthelm)|trecho=“A vontade será mais severa, o coração mais ousado, o espírito maior, conforme nossa força diminui.”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Cartas de J.R.R. Tolkien (1981) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Dizem que o primeiro passo é o mais difícil. Não o considero difícil. Tenho certeza de que eu poderia escrever infinitos “primeiros capítulos”. Escrevi muitos, na verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 23)}}{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Alemão, “confirmação”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não sou de origem ariana: tal palavra implica indo-iraniana; que eu saiba, nenhum dos meus antepassados falava hindustani, persa, romani ou qualquer dialeto relacionado. Mas se devo deduzir que os senhores estão me perguntando se eu sou de origem judaica, só posso responder que lamento o fato de que aparentemente não possuo antepassados deste povo talentoso. Meu trisavô chegou na Inglaterra no século XVIII vindo da Alemanha: a maior parte da minha ascendência, portanto, é puramente inglesa, e sou um cidadão inglês — o que deveria ser suficiente. Fui acostumado, no entanto, a estimar meu nome alemão com orgulho, e continuei a fazê-lo no decorrer do período da lamentável última guerra, na qual servi no exército inglês. Não posso, entretanto, abster-me de comentar que, se indagações impertinentes e irrelevantes desse tipo se tornarem a regra em matéria de literatura, então não está longe o momento em que um nome alemão não mais será um motivo de orgulho.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 30)}}{{Citação em Bloco|trecho=A qualquer minuto, é o que somos e o que estamos fazendo que conta, e não o que planejamos ser ou fazer.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 40)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quase todos os casamentos, mesmo os felizes, são erros: no sentido de que quase certamente (em um mundo mais perfeito, ou mesmo com um pouco mais de cuidado neste mundo muito imperfeito) ambos os parceiros poderiam ter encontrado companheiros mais adequados. Mas a “verdadeira alma gêmea” é aquela com a qual você realmente está casado. [...] apenas a mais rara das sortes junta o homem e a mulher que, de certo modo, são realmente “destinados” um ao outro e capazes de um enorme e esplêndido amor. A ideia ainda nos fascina, agarra-nos pelo pescoço: um grande número de poemas e histórias foi escrito sobre o tema, provavelmente mais do que o total de tais amores na vida real [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 43)}}{{Citação em Bloco|trecho=No fundo, o comercialismo é um porco.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)|trecho=De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular — que provavelmente faria de mim um soldado melhor aos 49 do que eu fui aos 22 — contra aquele maldito tampinha ignorante chamado Adolf Hitler (pois a coisa estranha sobre inspiração e ímpeto demoníacos é que eles de modo algum aumentam a estatura puramente intelectual: afetam mormente a simples vontade), que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.}}{{Citação em Bloco|trecho=Minhas opiniões políticas tendem cada vez mais para a anarquia (filosoficamente compreendida como significando a abolição do controle, não homens barbados com bombas) — ou para a monarquia “inconstitucional”. Eu prenderia qualquer um que use a palavra Estado (em qualquer outro sentido que não o do reino inanimado da Inglaterra e seus habitantes, uma coisa que não tem poder, direitos, nem uma mente);|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Governo é um substantivo abstrato que significa a arte e o processo de governar, e deveria ser uma ofensa escrevê-lo com um G maiúsculo ou usá-lo para se referir a pessoas. Se as pessoas estivessem acostumadas a se referirem ao “conselho do Rei George, Winston e sua turma”, isso ajudaria a desanuviar certas concepções e a reduzir a assustadora vitória esmagadora da Eles-cracia.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o trabalho mais impróprio a qualquer homem, mesmo os santos (os quais, de qualquer maneira, ao menos relutavam em realizá-lo), é mandar em outros homens. Nem mesmo um homem em um milhão é adequado para tal, e menos ainda aqueles que buscam a oportunidade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas o horror particular do mundo atual é que toda a maldita coisa está num mesmo saco. Não há para onde fugir. [...] Há apenas um único ponto brilhante, e esse é o crescente hábito de homens descontentes de dinamitar fábricas e estações de energia; espero que isso, agora encorajado como “patriotismo”, possa permanecer um hábito! Mas não causará bem algum se não for universal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Nascemos em uma era sombria fora do tempo devido (para nós). Porém, há este consolo: de outro modo não conheceríamos, nem amaríamos tanto, o que amamos. Imagino que o peixe fora d’água é o único peixe a ter uma noção do que é água.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como tudo é estúpido! e a guerra multiplica a estupidez por 3 e sua potência por si mesma: assim, os dias preciosos de uma pessoa são regidos por (3x)&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;, onde x = crassidão humana normal (e isso é ruim o suficiente). Contudo, espero que em dias vindouros a experiência de homens e coisas, ainda que dolorosa, mostre-se proveitosa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 61)}}{{Citação em Bloco|trecho=O absoluto desgaste estúpido da guerra, não apenas material, mas moral e espiritual, é tremendo para aqueles que têm de suportá-lo. E sempre foi (apesar dos poetas) e sempre será (apesar dos propagandistas) — não que, é claro, não tenha sido, seja e será necessário enfrentá-lo em um mundo maligno. Mas tão curta é a memória humana e tão evanescentes são suas gerações que em cerca de apenas 30 anos haverá poucas ou nenhuma pessoa com aquela experiência direta que é a única a tocar de fato o coração. A mão queimada é a que mais ensina a respeito do fogo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o mal trabalha com um vasto poder e sucesso perpétuo — em vão, apenas preparando sempre o terreno para que o bem inesperado brote. Assim o é em geral e assim o é em nossas próprias vidas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seja como for, os humanos são o que são, inevitavelmente, e a única cura (fora a Conversão universal) é não ter guerras — nem planejamento, nem organização, nem regimento.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pois estamos tentando conquistar Sauron com o Anel. E seremos bem-sucedidos (ao que parece). Contudo, a punição, como você sabe, é criar novos Saurons e lentamente transformar Homens e Elfos em Orques. Não que na vida real as coisas sejam tão claras como em uma história, e começamos com muitos Orques no nosso lado.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você está dentro de uma história muito grande! Também acho que você está sofrendo de “escrita” suprimida. [...] Possivelmente o inibiu. Creio que se pudesse começar a escrever e encontrar seu próprio modo, ou mesmo (para começar) imitar o meu, você acharia isso um grande conforto. Sinto entre todas as suas dores (algumas simplesmente físicas) o desejo de expressar seu sentimento sobre o bem, o mal, o belo e o feio de algum modo: de racionalizá-lo e impedi-lo de simplesmente supurar. No meu caso, ele gerou Morgoth e a História dos Gnomos. Muitas das partes antigas dela (e dos idiomas) — descartadas ou absorvidas — foram criadas em cantinas enfarruscadas, em preleções em frios nevoeiros, em barracas cheias de blasfêmia e obscenidade ou à luz de vela em tendas de alarme, algumas até mesmo em abrigos de trincheira debaixo de balas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Um pequeno conhecimento de história deprime a pessoa com a sensação da massa e do peso eternos da iniquidade humana: antiquíssima, lúgubre, sem fim, repetitiva depravação incurável e imutável. Todas as cidades, todas as vilas, todas as habitações dos homens — antros! E ao mesmo tempo sabe-se que sempre há o bem: muito mais oculto, muito menos claramente discernido, raramente aparecendo em reconhecíveis belezas visíveis de palavras, feitos ou rostos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 69)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sim, penso nos orques como uma criação tão real quanto qualquer coisa na ficção “realista”: suas palavras vigorosas descrevem bem a tribo; a diferença é que na vida real eles estão em ambos os lados, é claro.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 71)}}{{Citação em Bloco|trecho=E, quando estiver tudo terminado, terá restado às pessoas comuns alguma liberdade (ou direito), ou elas terão de lutar por ela, ou estarão cansadas demais para resistir? A última parece ser a ideia de alguns do Povo Grande que, na maioria das vezes, viram esta guerra de dentro de grandes automóveis.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Receio ter cometido um grande erro ao fazer minha continuação complicada e longa demais e demasiado lenta na publicação. É uma maldição ter o temperamento épico em uma época superlotada dedicada a pedacinhos ligeiros!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pelo menos não acho provável que você decaia permanentemente para o pior; e devo dizer que você precisa engrossar um pouco a camada exterior, mesmo que apenas como uma proteção para o interior mais sensível; e se você conseguir isso, será de permanente valia em qualquer situação mais tarde na vida neste duro mundo (que não mostra sinais de suavização).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Urukhai é apenas uma figura de linguagem. Não há Uruks genuínos, isto é, pessoas tornadas más pela intenção de seu criador; e não há muitas que estão tão corrompidas a ponto de serem irredimíveis (embora eu tema que se deva admitir que há criaturas humanas que parecem irredimíveis, exceto por um milagre especial [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o homem não pode viver de pedra e de areia mas, de qualquer maneira, não posso viver apenas de pão; e se não houvesse a rocha nua, a areia não trilhada e o mar não explorado, passaria a odiar todas as coisas verdes como uma protuberância fungiforme.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pensamentos sombrios acerca de coisas sobre as quais não é possível realmente se saber algo; o futuro é impenetrável, especialmente para os sábios; pois o que é realmente importante está sempre oculto dos contemporâneos, e as sementes do que virá a ser estão germinando silenciosamente na escuridão de algum canto esquecido enquanto todos estão olhando para Stalin ou Hitler [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 79)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não voltei para casa até meia-noite, e caminhei com C.W. parte do caminho, quando nossa conversa se voltou para as dificuldades de se descobrir que fatores comuns, caso houvesse algum, existiam nas noções associadas com a liberdade, tal como usadas atualmente. Não creio que haja algum, pois a palavra tem sido usada de forma tão abusiva pela propaganda que ela deixou de ter qualquer valor para a razão e se tornou uma mera dose emocional para gerar calor. No máximo, ela parece implicar que aqueles que o oprimem devem falar (nativamente) o mesmo idioma — o que, em último caso, é a tudo que as ideias confusas de raça ou nação se resumem; ou de classe na Inglaterra, por falar nisso.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é angustiante ver a imprensa se rebaixando a um nível tão baixo quanto o de Goebbels no seu auge, gritando que qualquer comandante alemão que se mantém firme em uma situação desesperadora (quando as necessidades militares de seu lado também beneficiam) é um beberrão e um fanático apatetado. Não consigo ver muita distinção entre nosso tom popular e os “idiotas militares” celebrados. Sabíamos que Hitler era um cafajestezinho vulgar e ignorante, além de quaisquer outros defeitos (ou das origens deles); mas parece haver muitos cafajestezinhos v. e i. que não falam alemão e que, dada a mesma oportunidade, apresentariam a maioria das outras características hitlerianas. Houve um artigo no jornal local defendendo seriamente o extermínio sistemático de toda a nação alemã como o único curso apropriado após a vitória militar: porque, com sua licença, eles são cascavéis e não sabem a diferença entre o bem e o mal! (O que dizer do autor?) Os alemães têm tanto direito de declarar os poloneses e judeus vermes subumanos e extermináveis quanto nós temos de selecionar os alemães: em outras palavras, nenhum direito, o que quer que tenham feito. É claro, ainda há uma diferença aqui. O artigo foi respondido e a resposta impressa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, você não é o único que deseja soltar vapor ou rebentar às vezes; e eu poderia soltar vapor se abrisse a válvula, comparada com a qual (como a Rainha disse à Alice) isso seria apenas um borrifo de perfume. Não dá para evitar. Você não pode enfrentar o Inimigo com o Anel dele sem se tornar um Inimigo; mas, infelizmente, a sabedoria de Gandalf parece ter passado com ele há muito tempo para o Verdadeiro Oeste [Valinor].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas estou com a sede de viagens outonal, e de bom grado eu partiria com uma mochila nas minhas costas e sem um destino específico, a não ser por uma série de estalagens sossegadas. Um dos prazeres há muito adiados que devemos prometer a nós mesmos, quando agradar a Deus nos libertar e nos reunir, é simplesmente tal perambulação, juntos, de preferência no interior montanhoso, não muito longe do mar, onde as cicatrizes de guerra, matas derrubadas e campos aplainados não são tão fáceis de se ver.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Se um ragnarök queimasse todos os cortiços, gasômetros, garagens desarrumadas e subúrbios iluminados por lâmpadas a arco voltaico, por mim ele poderia queimar todas as obras de arte — e eu voltaria para as árvores.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 83)}}{{Citação em Bloco|trecho=Encostado na parede quando saíamos da igreja havia um velho mendigo esfarrapado, algo parecido com sandálias amarradas a seus pés com barbante, uma velha lata em um pulso e na sua outra mão um cajado grosseiro. [...] Dessa vez muito surpreendi o Pe. C. ao lhe dizer que eu achava que o velho se parecia muito mais com S. José do que a estátua na igreja — de qualquer maneira, S. José a caminho do Egito. Ele parece ser (e que pensamento feliz nestes dias miseráveis em que a pobreza parece trazer apenas pecado e sofrimento) um mendigo santo!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 89)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas temo que uma Força Aérea é uma coisa fundamentalmente irracional per se. Eu poderia desejar encarecidamente que você nada tivesse a ver com algo tão monstruoso. [...] Mas tais desejos são vãos, e é seu dever, compreendo claramente, fazer nesse serviço o melhor que está ao alcance de sua força e de sua aptidão. Em todo caso, talvez seja apenas um tipo de aversão, como um homem que gosta de bife e rim (ou gostava), mas não quer estar ligado ao negócio de abate. Enquanto a guerra for lutada com tais armas, e se aceite quaisquer benefícios que possam advir (tais como a preservação da própria pele e até mesmo a “vitória”), é simplesmente se esquivar do problema considerar as aeronaves de guerra um horror especial. Faço isso mesmo assim.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 92)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se a lit. nos ensina algo, é isto: que temos em nós um elemento eterno, livre de preocupação e medo, que pode analisar as coisas que na “vida” chamamos de más com serenidade (isto é, não sem apreciar sua qualidade, mas também sem qualquer perturbação do nosso equilíbrio espiritual). Não do mesmo modo, mas de algum modo similar, todos nós sem dúvida havemos de analisar nossa própria história quando a conhecermos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 94)}}{{Citação em Bloco|trecho=Assim como (para comparar com uma coisa pequena) o urbano convertido tira mais proveito do interior do que o simples caipira, mas não pode se tornar um verdadeiro homem da terra, ele ao mesmo tempo é mais e de um certo modo menos (verdadeiramente menos térreo, de qualquer forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=Uma história deve ser contada ou não haverá história e, ainda assim, são as histórias não contadas que são mais comoventes. Acho que você ficou comovido com Celebrimbor porque ele transmite uma sensação de infinitas histórias não contadas: montanhas vistas ao longe, que jamais serão escaladas, árvores distantes (como a de Cisco) das quais jamais se aproximará — ou, caso seja possível, apenas para se tornarem “árvores próximas” (a não ser no Paraíso ou na Paróquia de C).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=A destruição e miséria aterradoras desta guerra aumentam de hora em hora: destruição do que deveria ser (e de fato é) a riqueza comum da Europa e do mundo se a humanidade não fosse tão estúpida, riqueza cuja perda afetará a todos nós, vencedores ou não. Todavia, as pessoas tripudiam ao ouvir a respeito das filas intermináveis, de 40 milhas de comprimento, de refugiados miseráveis, mulheres e crianças afluindo para o Ocidente, morrendo no caminho. Parece que não restam vestígios de piedade ou compaixão, nem imaginação, nesta sombria hora diabólica.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] a Guerra não terminou (e a que terminou, ou parte dela, foi grandemente perdida). Mas é claro que é errado nos deixarmos levar por tal estado de espírito, pois as Guerras são sempre perdidas, e A Guerra sempre continua; e não adianta nada esmorecer!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 101)}}{{Citação em Bloco|trecho=É possível fazer do Anel uma alegoria de nossa própria época caso se queira: uma alegoria do destino inevitável que espera por todas as tentativas de derrotar o poder maligno com poder.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seria inútil fingir que eu não desejo muito sua publicação, visto que uma arte solitária não é arte, nem que eu não sinto prazer com elogios, com tão pouca vaidade quanto um homem caído pode lidar (ele não possui muito mais participação em suas obras do que nos filhos de sua própria carne, mas já é alguma coisa possuir uma função); mesmo assim, o principal é completar a própria obra, na medida em que a conclusão possui algum sentido real.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=É um dos mistérios da dor que ela seja, para o sofredor, uma oportunidade para o bem, um caminho de ascensão, por mais árduo que seja.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 113)}}{{Citação em Bloco|trecho=Desagrada-me a Alegoria — consciente e intencional; todavia, qualquer tentativa de explicar o propósito dos mitos ou dos contos de fadas deve empregar uma linguagem alegórica. (E, é claro, quanto mais “vida” uma história tiver, mais facilmente ela será suscetível a interpretações alegóricas, enquanto que quanto melhor uma alegoria deliberada for feita, mais prontamente ela será aceitável apenas como uma história.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=O Inimigo, em sucessivas formas, sempre se ocupa “naturalmente” da mera Dominação, sendo o Senhor da magia e das máquinas; mas o problema — de que esse mal aterrorizante pode surgir, e surge, de uma raiz aparentemente boa, o desejo de beneficiar o mundo e os demais, rapidamente e de acordo com os próprios planos do benfeitor — é um motivo recorrente.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqui [em Beren e Lúthien] encontramos, entre outras coisas, o primeiro exemplo do motivo (que se tornará dominante nos Hobbits) de que as grandes políticas da história mundial, “as rodas do mundo”, são frequentemente giradas não pelos Senhores e Governantes, ou mesmo pelos deuses, mas pelos aparentemente desconhecidos e fracos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Uma moral do todo [...] é aquela óbvia de que, sem o elevado e o nobre, o simples e vulgar é totalmente vil; e, sem o simples e ordinário, o nobre e heroico não possui significado.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=De maneira decisiva e convincente, é a função de uma coda um tanto longa mostrar o preço da vitória, (como sempre), e mostra que nenhuma vitória, mesmo numa escala que abala o mundo, é final. A guerra continuará, assumindo outros modos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se você tiver, por assim dizer, feito um “voto de pobreza”, renunciado ao controle e contentar-se com as coisas em si mesmas sem referência a si próprio, vigiando, observando e de certa forma conhecendo, então a questão dos bens e males do poder e do controle pode se tornar totalmente sem sentido para você, e os meios do poder, sem valor algum. É uma visão pacifista natural, que sempre vem à mente quando há uma guerra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é claro que humildade e consciência do perigo são necessárias. Um escritor pode ser basicamente “benevolente” no seu entendimento (como espero que eu seja) e ainda assim não ser “benéfico” devido ao erro e à estupidez. Eu afirmaria, se não achasse isso presunçoso em alguém tão mal instruído, ter como um objetivo a elucidação da verdade, e o encorajamento da boa moral neste mundo real, através do antigo artifício de exemplificá-las em personificações pouco conhecidas, que podem tender a “esclarecê-las”. Mas posso estar errado, é claro (em alguns ou em todos os pontos): minhas verdades podem não ser verdadeiras ou podem estar distorcidas: e o espelho que criei pode estar embaçado e quebrado. Porém, preciso estar completamente convencido de que qualquer coisa que “simulei” é realmente danosa, per se e não meramente porque é mal compreendida, antes de me retratar ou reescrever algo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 153)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou (obviamente) muito apaixonado pelas plantas e, acima de tudo, pelas árvores, e sempre fui; e considero os maus-tratos humanos para com elas tão difíceis de se tolerar quanto alguns consideram o maltrato de animais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] mas fico [...] deveras pesaroso com o fracasso de Gollum em (quase) arrepender-se quando interrompido por Sam: isso realmente me parece com o mundo real, no qual os instrumentos de justa retribuição são eles próprios raramente justos ou sagrados; e os bons frequentemente são empecilhos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não é verdade sobre o passado ou o presente dizer que “apenas os ricos e aqueles de férias conseguem viajar”. A maioria dos homens faz algumas viagens. Se elas são longas ou curtas, com uma missão ou simplesmente para ir “lá e de volta outra vez”, não é de primordial importância. Conforme tentei expressar na Canção de Caminhada de Bilbo, até mesmo uma caminhada ao anoitecer pode ter efeitos importantes. Quando Sam não fora além da Ponta do Bosque, ele já havia tido uma “experiência impressionante”. Pois se há algo em uma viagem de qualquer duração, para mim é isto: uma libertação do estado vegetativo de sofredor passivo e indefeso, um exercício de vontade e de mobilidade por menor que seja — e de curiosidade, sem o qual uma mente racional torna-se estultificada.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Na minha história, não lido com o Mal Absoluto. Não creio que haja tal coisa, uma vez que ela é Nula. Não creio, de qualquer modo, que qualquer “ser racional” seja completamente mau. Satã caiu. Em meu mito, Morgoth caiu antes da Criação do mundo físico. Na minha história, Sauron representa a maior aproximação possível daquilo que é completamente mau. Ele seguiu o caminho de todos os tiranos: começando bem, pelo menos no nível que, apesar de desejar ordenar todas as coisas de acordo com sua própria sabedoria, ele no início ainda levava em consideração o bem-estar (econômico) de outros habitantes da Terra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, percebi de súbito que sou um filólogo puro. Gosto de história e fico comovido com ela, mas seus melhores momentos para mim são aqueles em que ela lança luz sobre palavras e nomes! [...] estranhamente, acho que a coisa que realmente mexe comigo é a que você mencionou casualmente: atta, attila.&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Sem essas sílabas, todo o grande drama tanto de história como de lenda perde o sabor para mim — ou perderia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Christopher Tolkien disse em sua palestra: “Para as hostes de Átila convergiram homens de muitos povos germânicos. .... De fato, seu próprio nome parece ser gótico, um diminutivo de atta, a palavra gótica para ‘pai’.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 205)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou de fato um Hobbit (em tudo, exceto no tamanho). Gosto de jardins, de árvores e de terras aráveis não mecanizadas; fumo um cachimbo e gosto de uma boa comida simples (não refrigerada), mas detesto a culinária francesa; gosto de, e ainda ouso vestir nestes dias sem brilho, coletes ornamentais. Gosto muito de cogumelos (tirados de um campo); possuo um senso de humor muito simples (que até mesmo meus críticos apreciativos acham cansativo); durmo tarde e acordo tarde (quando possível). Não viajo muito.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 213)}}{{Citação em Bloco|trecho=Escrevo coisas que podem ser classificadas como estórias de fadas não porque desejo me dirigir a crianças (que, enquanto crianças, não acredito estarem especialmente interessadas nesse tipo de ficção), mas porque desejo escrever esse tipo de história e nenhum outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço isso porque, caso eu não esteja aplicando um título por demais grandiloquente a ele, acredito que meu comentário sobre o mundo seja mais fácil e naturalmente expressado nessa forma.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=A vida está muito acima da medida de todos nós (exceto, talvez, por alguns poucos). Nós todos precisamos de uma literatura que esteja acima de nossa medida — embora talvez não tenhamos energia suficiente para ela o tempo todo. [...] Um bom vocabulário não é adquirido com a leitura de livros escritos de acordo com alguma noção acerca do vocabulário de determinada faixa etária. Ele vem da leitura de livros acima dessa faixa etária.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quanto a plenilune e argent, são palavras belas antes que sejam compreendidas — gostaria de poder ter o prazer de encontrá-las novamente pela primeira vez! — e como alguém pode conhecê-las até encontrá-las? E certamente o primeiro encontro deve ocorrer em um contexto vivo, e não em um dicionário, como flores secas em um hortus siccus!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crianças não são uma classe ou uma espécie, são um grupo heterogêneo de pessoas imaturas, que variam, como acontece com todas as pessoas, em seu alcance e em sua habilidade de estendê-lo quando estimuladas. Tão logo se limite o vocabulário ao que se supõe estar ao alcance delas, isso na verdade simplesmente nega às talentosas a chance de estendê-lo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 234)}}{{Citação em Bloco|trecho=Bem, aí vem o Natal! Aquela coisa extraordinária que “comercialismo” algum pode de fato macular — a não ser que se permita.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 243)}}{{Citação em Bloco|trecho=A nós mesmos devemos apresentar o ideal absoluto sem comprometimento, pois não conhecemos nossos próprios limites de força natural (+ graça) e, se não almejarmos o mais elevado, certamente não atingiremos o máximo que poderíamos alcançar.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=Somos criaturas finitas com limitações absolutas sobre os poderes de nossa estrutura de corpo e alma tanto em ação como em resistência. O fracasso moral só pode ser asseverado, creio, quando o esforço ou resistência de um homem não atinge seus limites, e a culpa diminui conforme se chega mais próximo desse limite.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] nada é sagrado para o Comércio, nem mesmo a Arte.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 254a)}}{{Citação em Bloco|trecho=Visto que estamos lidando com Homens, é inevitável que devemos nos preocupar com a característica mais lamentável de sua natureza: sua rápida saciedade com o bem.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 256)}}{{Citação em Bloco|trecho=Era magnânimo, de guarda contra todos os preconceitos, embora alguns estivessem enraizados demais em sua experiência nativa para serem observados por ele.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] gostaria que pudesse ser proibido que, após a morte de um grande homem, homenzinhos escrevessem sobre ele, homenzinhos esses que não possuem e devem saber que não possuem conhecimento suficiente de sua vida e caráter para lhes dar qualquer chave para a verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=A busca “protestante” em direção ao passado pela “simplicidade” e retidão — a qual, é claro, apesar de conter alguns motivos bons ou pelo menos inteligíveis, é equivocada e de fato vã. Porque o “cristianismo primitivo” é agora e, apesar de toda “pesquisa”, sempre permanecerá amplamente desconhecido; pois “primitivismo” não é garantia de valor e é, e foi, em grande parte um reflexo da ignorância. Graves abusos eram um elemento do comportamento “litúrgico” cristão desde o início tanto quanto o são agora. (As críticas severas de S. Paulo sobre o comportamento eucarístico são suficientes para mostrar isso!) Ainda mais porque a “minha igreja” não foi pretendida por Nosso Senhor para ser estática ou permanecer em perpétua infância, mas para ser um organismo vivo (semelhante a uma planta), que se desenvolve e muda o exterior pela interação de sua vida e história divinas legadas — as circunstâncias especiais do mundo no qual se encontra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 306)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas para mim permaneci John. Ronald era para meus parentes próximos. Meus amigos no colégio, em Oxford e mais tarde chamavam-me de John (ou ocasionalmente John Ronald ou J. R. ao quadrado).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 309)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqueles que acreditam em um Deus, em um Criador pessoal, não acham que o Universo em si é digno de adoração, embora o estudo devotado dele possa ser um dos modos de honrá-Lo. E enquanto estivermos, como criaturas vivas que somos (em parte), dentro dele e formos parte dele, nossas ideias de Deus e as maneiras de expressá-las serão em grande parte derivadas da contemplação do mundo ao nosso redor.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 310)}}{{Citação em Bloco|trecho=Só posso responder: “De sua própria sanidade, homem algum pode seguramente fazer julgamentos. Se a santidade reside em sua obra, ou como uma luz penetrante ilumina-a, então ela não vem dele, mas através dele. E nenhum de vocês a perceberia dessa forma a não ser que ela também estivesse com vocês. Do contrário, nada veriam ou sentiriam, ou (caso algum outro espírito estivesse presente) se encheriam de desdém, náusea, ódio.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=É claro que O S.A. não me pertence. Ele foi criado e agora deve seguir seu caminho designado no mundo, apesar de, naturalmente, eu me interessar muito sobre seu destino, como faria um pai com relação a um filho. Fico aliviado por saber que ele tem bons amigos para defendê-lo da malícia de seus inimigos. (Mas nem todos os tolos estão no outro campo.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] creio ser injusto usar meu nome como um adjetivo qualificador de “melancolia”, especialmente em um contexto que trata das árvores. Em todas as minhas obras, tomo o lado das árvores contra todos seus inimigos. Lothlórien é bela porque lá as árvores eram amadas; nos outros lugares as florestas são representadas como que despertando para a consciência de si mesmas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 339)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: O Dom da Amizade (2003) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|fonte=[[J.R.R. Tolkien &amp;amp; C.S. Lewis: O Dom da Amizade]] (10. Surpreendido por Cambridge e desapontado pela alegria (1954-1963))|trecho=“Tenho o ódio ao apartheid em meus ossos; e mais do que tudo, detesto a segregação ou separação entre língua e literatura. Não me importo qual delas você pense que seja branca.”}}&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
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		<title>Nazgûl</title>
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		<updated>2025-11-07T20:05:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Outros nomes ==&lt;br /&gt;
Espectros-do-Anel, Úlairi, Escravos-do-Anel, Cavaleiro(s) Negro(s) do Ar.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Nazgûl</title>
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		<updated>2025-11-07T19:56:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: Criou página com &amp;#039;[...]  == Outros nomes == Espectros-do-Anel, Úlairi, Escravos-do-Anel&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Outros nomes ==&lt;br /&gt;
Espectros-do-Anel, Úlairi, Escravos-do-Anel&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1155</id>
		<title>Citações Não-ficcionais sobre a Vida</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1155"/>
		<updated>2025-11-07T19:46:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 07/11/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento das melhores citações de J.R.R. Tolkien sobre a vida, retiradas exclusivamente de suas obras não-ficcionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Árvore e Folha (1964) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Feéria contém muitas coisas além de elfos e fadas e além de anões, bruxas, trols, gigantes ou dragões. Ela abriga os mares, o sol, a lua, o céu, a terra e todas as coisas que estão nela: árvores e pássaros, água e pedra, vinho e pão e nós mesmos, homens mortais, quando estamos encantados.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia é uma atividade natural humana. Ela certamente não destrói ou mesmo insulta a Razão; e não torna menos aguçado o apetite pela verdade científica, nem obscurece a percepção dela. Ao contrário. Quanto mais aguçada e clara a razão, melhor fantasia fará.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso. [...] Pode ser posta a serviço de fins maus. [...] Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade? Os homens conceberam não apenas elfos, mas imaginaram deuses e os adoraram, adoraram mesmo aqueles mais deformados pelo próprio mal de seus autores. Mas eles fizeram falsos deuses com outros materiais: suas nações, suas bandeiras, seus dinheiros; até suas ciências e suas teorias sociais e econômicas já exigiram sacrifício humano.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] “ver as coisas como nós somos (ou fomos) destinados a vê-las” — como coisas separadas de nós mesmos. Precisamos, em todo o caso, limpar nossas janelas; de forma que as coisas vistas claramente possam ser libertadas do fosco borrão da banalidade ou da familiaridade — da possessividade.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=Por que dever-se-ia escarnecer de um homem se, achando-se na prisão, ele tenta sair e ir para casa? Ou se, quando ele não pode fazê-lo, pensa e fala de outros temas que não carcereiros e paredes de prisão? O mundo lá fora não se tornou menos real porque o prisioneiro não consegue vê-lo.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] um aviso de que não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual).}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] ela é uma graça repentina e miraculosa: nunca se pode contar que ela se repita. Ela não nega a existência da discatástrofe, da tristeza e do fracasso: a possibilidade dessas coisas é necessária para a alegria da libertação; ela nega (diante de muitas evidências, se você quiser) a derrota final universal e, nesse ponto, é evangelium, dando um vislumbre fugidio da Alegria, a Alegria além das muralhas do mundo, pungente como a tristeza.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[O Regresso de Beorhtnoth]], Filho de Beorhthelm)|trecho=“A vontade será mais severa, o coração mais ousado, o espírito maior, conforme nossa força diminui.”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Cartas de J.R.R. Tolkien (1981) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Dizem que o primeiro passo é o mais difícil. Não o considero difícil. Tenho certeza de que eu poderia escrever infinitos “primeiros capítulos”. Escrevi muitos, na verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 23)}}{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Alemão, “confirmação”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não sou de origem ariana: tal palavra implica indo-iraniana; que eu saiba, nenhum dos meus antepassados falava hindustani, persa, romani ou qualquer dialeto relacionado. Mas se devo deduzir que os senhores estão me perguntando se eu sou de origem judaica, só posso responder que lamento o fato de que aparentemente não possuo antepassados deste povo talentoso. Meu trisavô chegou na Inglaterra no século XVIII vindo da Alemanha: a maior parte da minha ascendência, portanto, é puramente inglesa, e sou um cidadão inglês — o que deveria ser suficiente. Fui acostumado, no entanto, a estimar meu nome alemão com orgulho, e continuei a fazê-lo no decorrer do período da lamentável última guerra, na qual servi no exército inglês. Não posso, entretanto, abster-me de comentar que, se indagações impertinentes e irrelevantes desse tipo se tornarem a regra em matéria de literatura, então não está longe o momento em que um nome alemão não mais será um motivo de orgulho.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 30)}}{{Citação em Bloco|trecho=A qualquer minuto, é o que somos e o que estamos fazendo que conta, e não o que planejamos ser ou fazer.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 40)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quase todos os casamentos, mesmo os felizes, são erros: no sentido de que quase certamente (em um mundo mais perfeito, ou mesmo com um pouco mais de cuidado neste mundo muito imperfeito) ambos os parceiros poderiam ter encontrado companheiros mais adequados. Mas a “verdadeira alma gêmea” é aquela com a qual você realmente está casado. [...] apenas a mais rara das sortes junta o homem e a mulher que, de certo modo, são realmente “destinados” um ao outro e capazes de um enorme e esplêndido amor. A ideia ainda nos fascina, agarra-nos pelo pescoço: um grande número de poemas e histórias foi escrito sobre o tema, provavelmente mais do que o total de tais amores na vida real [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 43)}}{{Citação em Bloco|trecho=No fundo, o comercialismo é um porco.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)|trecho=De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular — que provavelmente faria de mim um soldado melhor aos 49 do que eu fui aos 22 — contra aquele maldito tampinha ignorante chamado Adolf Hitler (pois a coisa estranha sobre inspiração e ímpeto demoníacos é que eles de modo algum aumentam a estatura puramente intelectual: afetam mormente a simples vontade), que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.}}{{Citação em Bloco|trecho=Minhas opiniões políticas tendem cada vez mais para a anarquia (filosoficamente compreendida como significando a abolição do controle, não homens barbados com bombas) — ou para a monarquia “inconstitucional”. Eu prenderia qualquer um que use a palavra Estado (em qualquer outro sentido que não o do reino inanimado da Inglaterra e seus habitantes, uma coisa que não tem poder, direitos, nem uma mente);|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Governo é um substantivo abstrato que significa a arte e o processo de governar, e deveria ser uma ofensa escrevê-lo com um G maiúsculo ou usá-lo para se referir a pessoas. Se as pessoas estivessem acostumadas a se referirem ao “conselho do Rei George, Winston e sua turma”, isso ajudaria a desanuviar certas concepções e a reduzir a assustadora vitória esmagadora da Eles-cracia.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o trabalho mais impróprio a qualquer homem, mesmo os santos (os quais, de qualquer maneira, ao menos relutavam em realizá-lo), é mandar em outros homens. Nem mesmo um homem em um milhão é adequado para tal, e menos ainda aqueles que buscam a oportunidade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas o horror particular do mundo atual é que toda a maldita coisa está num mesmo saco. Não há para onde fugir. [...] Há apenas um único ponto brilhante, e esse é o crescente hábito de homens descontentes de dinamitar fábricas e estações de energia; espero que isso, agora encorajado como “patriotismo”, possa permanecer um hábito! Mas não causará bem algum se não for universal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Nascemos em uma era sombria fora do tempo devido (para nós). Porém, há este consolo: de outro modo não conheceríamos, nem amaríamos tanto, o que amamos. Imagino que o peixe fora d’água é o único peixe a ter uma noção do que é água.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como tudo é estúpido! e a guerra multiplica a estupidez por 3 e sua potência por si mesma: assim, os dias preciosos de uma pessoa são regidos por (3x)&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;, onde x = crassidão humana normal (e isso é ruim o suficiente). Contudo, espero que em dias vindouros a experiência de homens e coisas, ainda que dolorosa, mostre-se proveitosa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 61)}}{{Citação em Bloco|trecho=O absoluto desgaste estúpido da guerra, não apenas material, mas moral e espiritual, é tremendo para aqueles que têm de suportá-lo. E sempre foi (apesar dos poetas) e sempre será (apesar dos propagandistas) — não que, é claro, não tenha sido, seja e será necessário enfrentá-lo em um mundo maligno. Mas tão curta é a memória humana e tão evanescentes são suas gerações que em cerca de apenas 30 anos haverá poucas ou nenhuma pessoa com aquela experiência direta que é a única a tocar de fato o coração. A mão queimada é a que mais ensina a respeito do fogo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o mal trabalha com um vasto poder e sucesso perpétuo — em vão, apenas preparando sempre o terreno para que o bem inesperado brote. Assim o é em geral e assim o é em nossas próprias vidas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seja como for, os humanos são o que são, inevitavelmente, e a única cura (fora a Conversão universal) é não ter guerras — nem planejamento, nem organização, nem regimento.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pois estamos tentando conquistar Sauron com o Anel. E seremos bem-sucedidos (ao que parece). Contudo, a punição, como você sabe, é criar novos Saurons e lentamente transformar Homens e Elfos em Orques. Não que na vida real as coisas sejam tão claras como em uma história, e começamos com muitos Orques no nosso lado.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você está dentro de uma história muito grande! Também acho que você está sofrendo de “escrita” suprimida. [...] Possivelmente o inibiu. Creio que se pudesse começar a escrever e encontrar seu próprio modo, ou mesmo (para começar) imitar o meu, você acharia isso um grande conforto. Sinto entre todas as suas dores (algumas simplesmente físicas) o desejo de expressar seu sentimento sobre o bem, o mal, o belo e o feio de algum modo: de racionalizá-lo e impedi-lo de simplesmente supurar. No meu caso, ele gerou Morgoth e a História dos Gnomos. Muitas das partes antigas dela (e dos idiomas) — descartadas ou absorvidas — foram criadas em cantinas enfarruscadas, em preleções em frios nevoeiros, em barracas cheias de blasfêmia e obscenidade ou à luz de vela em tendas de alarme, algumas até mesmo em abrigos de trincheira debaixo de balas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Um pequeno conhecimento de história deprime a pessoa com a sensação da massa e do peso eternos da iniquidade humana: antiquíssima, lúgubre, sem fim, repetitiva depravação incurável e imutável. Todas as cidades, todas as vilas, todas as habitações dos homens — antros! E ao mesmo tempo sabe-se que sempre há o bem: muito mais oculto, muito menos claramente discernido, raramente aparecendo em reconhecíveis belezas visíveis de palavras, feitos ou rostos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 69)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sim, penso nos orques como uma criação tão real quanto qualquer coisa na ficção “realista”: suas palavras vigorosas descrevem bem a tribo; a diferença é que na vida real eles estão em ambos os lados, é claro.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 71)}}{{Citação em Bloco|trecho=E, quando estiver tudo terminado, terá restado às pessoas comuns alguma liberdade (ou direito), ou elas terão de lutar por ela, ou estarão cansadas demais para resistir? A última parece ser a ideia de alguns do Povo Grande que, na maioria das vezes, viram esta guerra de dentro de grandes automóveis.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Receio ter cometido um grande erro ao fazer minha continuação complicada e longa demais e demasiado lenta na publicação. É uma maldição ter o temperamento épico em uma época superlotada dedicada a pedacinhos ligeiros!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pelo menos não acho provável que você decaia permanentemente para o pior; e devo dizer que você precisa engrossar um pouco a camada exterior, mesmo que apenas como uma proteção para o interior mais sensível; e se você conseguir isso, será de permanente valia em qualquer situação mais tarde na vida neste duro mundo (que não mostra sinais de suavização).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Urukhai é apenas uma figura de linguagem. Não há Uruks genuínos, isto é, pessoas tornadas más pela intenção de seu criador; e não há muitas que estão tão corrompidas a ponto de serem irredimíveis (embora eu tema que se deva admitir que há criaturas humanas que parecem irredimíveis, exceto por um milagre especial [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o homem não pode viver de pedra e de areia mas, de qualquer maneira, não posso viver apenas de pão; e se não houvesse a rocha nua, a areia não trilhada e o mar não explorado, passaria a odiar todas as coisas verdes como uma protuberância fungiforme.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pensamentos sombrios acerca de coisas sobre as quais não é possível realmente se saber algo; o futuro é impenetrável, especialmente para os sábios; pois o que é realmente importante está sempre oculto dos contemporâneos, e as sementes do que virá a ser estão germinando silenciosamente na escuridão de algum canto esquecido enquanto todos estão olhando para Stalin ou Hitler [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 79)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não voltei para casa até meia-noite, e caminhei com C.W. parte do caminho, quando nossa conversa se voltou para as dificuldades de se descobrir que fatores comuns, caso houvesse algum, existiam nas noções associadas com a liberdade, tal como usadas atualmente. Não creio que haja algum, pois a palavra tem sido usada de forma tão abusiva pela propaganda que ela deixou de ter qualquer valor para a razão e se tornou uma mera dose emocional para gerar calor. No máximo, ela parece implicar que aqueles que o oprimem devem falar (nativamente) o mesmo idioma — o que, em último caso, é a tudo que as ideias confusas de raça ou nação se resumem; ou de classe na Inglaterra, por falar nisso.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é angustiante ver a imprensa se rebaixando a um nível tão baixo quanto o de Goebbels no seu auge, gritando que qualquer comandante alemão que se mantém firme em uma situação desesperadora (quando as necessidades militares de seu lado também beneficiam) é um beberrão e um fanático apatetado. Não consigo ver muita distinção entre nosso tom popular e os “idiotas militares” celebrados. Sabíamos que Hitler era um cafajestezinho vulgar e ignorante, além de quaisquer outros defeitos (ou das origens deles); mas parece haver muitos cafajestezinhos v. e i. que não falam alemão e que, dada a mesma oportunidade, apresentariam a maioria das outras características hitlerianas. Houve um artigo no jornal local defendendo seriamente o extermínio sistemático de toda a nação alemã como o único curso apropriado após a vitória militar: porque, com sua licença, eles são cascavéis e não sabem a diferença entre o bem e o mal! (O que dizer do autor?) Os alemães têm tanto direito de declarar os poloneses e judeus vermes subumanos e extermináveis quanto nós temos de selecionar os alemães: em outras palavras, nenhum direito, o que quer que tenham feito. É claro, ainda há uma diferença aqui. O artigo foi respondido e a resposta impressa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, você não é o único que deseja soltar vapor ou rebentar às vezes; e eu poderia soltar vapor se abrisse a válvula, comparada com a qual (como a Rainha disse à Alice) isso seria apenas um borrifo de perfume. Não dá para evitar. Você não pode enfrentar o Inimigo com o Anel dele sem se tornar um Inimigo; mas, infelizmente, a sabedoria de Gandalf parece ter passado com ele há muito tempo para o Verdadeiro Oeste [Valinor].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas estou com a sede de viagens outonal, e de bom grado eu partiria com uma mochila nas minhas costas e sem um destino específico, a não ser por uma série de estalagens sossegadas. Um dos prazeres há muito adiados que devemos prometer a nós mesmos, quando agradar a Deus nos libertar e nos reunir, é simplesmente tal perambulação, juntos, de preferência no interior montanhoso, não muito longe do mar, onde as cicatrizes de guerra, matas derrubadas e campos aplainados não são tão fáceis de se ver.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Se um ragnarök queimasse todos os cortiços, gasômetros, garagens desarrumadas e subúrbios iluminados por lâmpadas a arco voltaico, por mim ele poderia queimar todas as obras de arte — e eu voltaria para as árvores.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 83)}}{{Citação em Bloco|trecho=Encostado na parede quando saíamos da igreja havia um velho mendigo esfarrapado, algo parecido com sandálias amarradas a seus pés com barbante, uma velha lata em um pulso e na sua outra mão um cajado grosseiro. [...] Dessa vez muito surpreendi o Pe. C. ao lhe dizer que eu achava que o velho se parecia muito mais com S. José do que a estátua na igreja — de qualquer maneira, S. José a caminho do Egito. Ele parece ser (e que pensamento feliz nestes dias miseráveis em que a pobreza parece trazer apenas pecado e sofrimento) um mendigo santo!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 89)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas temo que uma Força Aérea é uma coisa fundamentalmente irracional per se. Eu poderia desejar encarecidamente que você nada tivesse a ver com algo tão monstruoso. [...] Mas tais desejos são vãos, e é seu dever, compreendo claramente, fazer nesse serviço o melhor que está ao alcance de sua força e de sua aptidão. Em todo caso, talvez seja apenas um tipo de aversão, como um homem que gosta de bife e rim (ou gostava), mas não quer estar ligado ao negócio de abate. Enquanto a guerra for lutada com tais armas, e se aceite quaisquer benefícios que possam advir (tais como a preservação da própria pele e até mesmo a “vitória”), é simplesmente se esquivar do problema considerar as aeronaves de guerra um horror especial. Faço isso mesmo assim.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 92)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se a lit. nos ensina algo, é isto: que temos em nós um elemento eterno, livre de preocupação e medo, que pode analisar as coisas que na “vida” chamamos de más com serenidade (isto é, não sem apreciar sua qualidade, mas também sem qualquer perturbação do nosso equilíbrio espiritual). Não do mesmo modo, mas de algum modo similar, todos nós sem dúvida havemos de analisar nossa própria história quando a conhecermos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 94)}}{{Citação em Bloco|trecho=Assim como (para comparar com uma coisa pequena) o urbano convertido tira mais proveito do interior do que o simples caipira, mas não pode se tornar um verdadeiro homem da terra, ele ao mesmo tempo é mais e de um certo modo menos (verdadeiramente menos térreo, de qualquer forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=Uma história deve ser contada ou não haverá história e, ainda assim, são as histórias não contadas que são mais comoventes. Acho que você ficou comovido com Celebrimbor porque ele transmite uma sensação de infinitas histórias não contadas: montanhas vistas ao longe, que jamais serão escaladas, árvores distantes (como a de Cisco) das quais jamais se aproximará — ou, caso seja possível, apenas para se tornarem “árvores próximas” (a não ser no Paraíso ou na Paróquia de C).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=A destruição e miséria aterradoras desta guerra aumentam de hora em hora: destruição do que deveria ser (e de fato é) a riqueza comum da Europa e do mundo se a humanidade não fosse tão estúpida, riqueza cuja perda afetará a todos nós, vencedores ou não. Todavia, as pessoas tripudiam ao ouvir a respeito das filas intermináveis, de 40 milhas de comprimento, de refugiados miseráveis, mulheres e crianças afluindo para o Ocidente, morrendo no caminho. Parece que não restam vestígios de piedade ou compaixão, nem imaginação, nesta sombria hora diabólica.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] a Guerra não terminou (e a que terminou, ou parte dela, foi grandemente perdida). Mas é claro que é errado nos deixarmos levar por tal estado de espírito, pois as Guerras são sempre perdidas, e A Guerra sempre continua; e não adianta nada esmorecer!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 101)}}{{Citação em Bloco|trecho=É possível fazer do Anel uma alegoria de nossa própria época caso se queira: uma alegoria do destino inevitável que espera por todas as tentativas de derrotar o poder maligno com poder.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seria inútil fingir que eu não desejo muito sua publicação, visto que uma arte solitária não é arte, nem que eu não sinto prazer com elogios, com tão pouca vaidade quanto um homem caído pode lidar (ele não possui muito mais participação em suas obras do que nos filhos de sua própria carne, mas já é alguma coisa possuir uma função); mesmo assim, o principal é completar a própria obra, na medida em que a conclusão possui algum sentido real.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=É um dos mistérios da dor que ela seja, para o sofredor, uma oportunidade para o bem, um caminho de ascensão, por mais árduo que seja.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 113)}}{{Citação em Bloco|trecho=Desagrada-me a Alegoria — consciente e intencional; todavia, qualquer tentativa de explicar o propósito dos mitos ou dos contos de fadas deve empregar uma linguagem alegórica. (E, é claro, quanto mais “vida” uma história tiver, mais facilmente ela será suscetível a interpretações alegóricas, enquanto que quanto melhor uma alegoria deliberada for feita, mais prontamente ela será aceitável apenas como uma história.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=O Inimigo, em sucessivas formas, sempre se ocupa “naturalmente” da mera Dominação, sendo o Senhor da magia e das máquinas; mas o problema — de que esse mal aterrorizante pode surgir, e surge, de uma raiz aparentemente boa, o desejo de beneficiar o mundo e os demais, rapidamente e de acordo com os próprios planos do benfeitor — é um motivo recorrente.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqui [em Beren e Lúthien] encontramos, entre outras coisas, o primeiro exemplo do motivo (que se tornará dominante nos Hobbits) de que as grandes políticas da história mundial, “as rodas do mundo”, são frequentemente giradas não pelos Senhores e Governantes, ou mesmo pelos deuses, mas pelos aparentemente desconhecidos e fracos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Uma moral do todo [...] é aquela óbvia de que, sem o elevado e o nobre, o simples e vulgar é totalmente vil; e, sem o simples e ordinário, o nobre e heroico não possui significado.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se você tiver, por assim dizer, feito um “voto de pobreza”, renunciado ao controle e contentar-se com as coisas em si mesmas sem referência a si próprio, vigiando, observando e de certa forma conhecendo, então a questão dos bens e males do poder e do controle pode se tornar totalmente sem sentido para você, e os meios do poder, sem valor algum. É uma visão pacifista natural, que sempre vem à mente quando há uma guerra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é claro que humildade e consciência do perigo são necessárias. Um escritor pode ser basicamente “benevolente” no seu entendimento (como espero que eu seja) e ainda assim não ser “benéfico” devido ao erro e à estupidez. Eu afirmaria, se não achasse isso presunçoso em alguém tão mal instruído, ter como um objetivo a elucidação da verdade, e o encorajamento da boa moral neste mundo real, através do antigo artifício de exemplificá-las em personificações pouco conhecidas, que podem tender a “esclarecê-las”. Mas posso estar errado, é claro (em alguns ou em todos os pontos): minhas verdades podem não ser verdadeiras ou podem estar distorcidas: e o espelho que criei pode estar embaçado e quebrado. Porém, preciso estar completamente convencido de que qualquer coisa que “simulei” é realmente danosa, per se e não meramente porque é mal compreendida, antes de me retratar ou reescrever algo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 153)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou (obviamente) muito apaixonado pelas plantas e, acima de tudo, pelas árvores, e sempre fui; e considero os maus-tratos humanos para com elas tão difíceis de se tolerar quanto alguns consideram o maltrato de animais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] mas fico [...] deveras pesaroso com o fracasso de Gollum em (quase) arrepender-se quando interrompido por Sam: isso realmente me parece com o mundo real, no qual os instrumentos de justa retribuição são eles próprios raramente justos ou sagrados; e os bons frequentemente são empecilhos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não é verdade sobre o passado ou o presente dizer que “apenas os ricos e aqueles de férias conseguem viajar”. A maioria dos homens faz algumas viagens. Se elas são longas ou curtas, com uma missão ou simplesmente para ir “lá e de volta outra vez”, não é de primordial importância. Conforme tentei expressar na Canção de Caminhada de Bilbo, até mesmo uma caminhada ao anoitecer pode ter efeitos importantes. Quando Sam não fora além da Ponta do Bosque, ele já havia tido uma “experiência impressionante”. Pois se há algo em uma viagem de qualquer duração, para mim é isto: uma libertação do estado vegetativo de sofredor passivo e indefeso, um exercício de vontade e de mobilidade por menor que seja — e de curiosidade, sem o qual uma mente racional torna-se estultificada.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Na minha história, não lido com o Mal Absoluto. Não creio que haja tal coisa, uma vez que ela é Nula. Não creio, de qualquer modo, que qualquer “ser racional” seja completamente mau. Satã caiu. Em meu mito, Morgoth caiu antes da Criação do mundo físico. Na minha história, Sauron representa a maior aproximação possível daquilo que é completamente mau. Ele seguiu o caminho de todos os tiranos: começando bem, pelo menos no nível que, apesar de desejar ordenar todas as coisas de acordo com sua própria sabedoria, ele no início ainda levava em consideração o bem-estar (econômico) de outros habitantes da Terra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, percebi de súbito que sou um filólogo puro. Gosto de história e fico comovido com ela, mas seus melhores momentos para mim são aqueles em que ela lança luz sobre palavras e nomes! [...] estranhamente, acho que a coisa que realmente mexe comigo é a que você mencionou casualmente: atta, attila.&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Sem essas sílabas, todo o grande drama tanto de história como de lenda perde o sabor para mim — ou perderia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Christopher Tolkien disse em sua palestra: “Para as hostes de Átila convergiram homens de muitos povos germânicos. .... De fato, seu próprio nome parece ser gótico, um diminutivo de atta, a palavra gótica para ‘pai’.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 205)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou de fato um Hobbit (em tudo, exceto no tamanho). Gosto de jardins, de árvores e de terras aráveis não mecanizadas; fumo um cachimbo e gosto de uma boa comida simples (não refrigerada), mas detesto a culinária francesa; gosto de, e ainda ouso vestir nestes dias sem brilho, coletes ornamentais. Gosto muito de cogumelos (tirados de um campo); possuo um senso de humor muito simples (que até mesmo meus críticos apreciativos acham cansativo); durmo tarde e acordo tarde (quando possível). Não viajo muito.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 213)}}{{Citação em Bloco|trecho=Escrevo coisas que podem ser classificadas como estórias de fadas não porque desejo me dirigir a crianças (que, enquanto crianças, não acredito estarem especialmente interessadas nesse tipo de ficção), mas porque desejo escrever esse tipo de história e nenhum outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço isso porque, caso eu não esteja aplicando um título por demais grandiloquente a ele, acredito que meu comentário sobre o mundo seja mais fácil e naturalmente expressado nessa forma.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=A vida está muito acima da medida de todos nós (exceto, talvez, por alguns poucos). Nós todos precisamos de uma literatura que esteja acima de nossa medida — embora talvez não tenhamos energia suficiente para ela o tempo todo. [...] Um bom vocabulário não é adquirido com a leitura de livros escritos de acordo com alguma noção acerca do vocabulário de determinada faixa etária. Ele vem da leitura de livros acima dessa faixa etária.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quanto a plenilune e argent, são palavras belas antes que sejam compreendidas — gostaria de poder ter o prazer de encontrá-las novamente pela primeira vez! — e como alguém pode conhecê-las até encontrá-las? E certamente o primeiro encontro deve ocorrer em um contexto vivo, e não em um dicionário, como flores secas em um hortus siccus!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crianças não são uma classe ou uma espécie, são um grupo heterogêneo de pessoas imaturas, que variam, como acontece com todas as pessoas, em seu alcance e em sua habilidade de estendê-lo quando estimuladas. Tão logo se limite o vocabulário ao que se supõe estar ao alcance delas, isso na verdade simplesmente nega às talentosas a chance de estendê-lo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 234)}}{{Citação em Bloco|trecho=Bem, aí vem o Natal! Aquela coisa extraordinária que “comercialismo” algum pode de fato macular — a não ser que se permita.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 243)}}{{Citação em Bloco|trecho=A nós mesmos devemos apresentar o ideal absoluto sem comprometimento, pois não conhecemos nossos próprios limites de força natural (+ graça) e, se não almejarmos o mais elevado, certamente não atingiremos o máximo que poderíamos alcançar.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=Somos criaturas finitas com limitações absolutas sobre os poderes de nossa estrutura de corpo e alma tanto em ação como em resistência. O fracasso moral só pode ser asseverado, creio, quando o esforço ou resistência de um homem não atinge seus limites, e a culpa diminui conforme se chega mais próximo desse limite.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] nada é sagrado para o Comércio, nem mesmo a Arte.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 254a)}}{{Citação em Bloco|trecho=Visto que estamos lidando com Homens, é inevitável que devemos nos preocupar com a característica mais lamentável de sua natureza: sua rápida saciedade com o bem.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 256)}}{{Citação em Bloco|trecho=Era magnânimo, de guarda contra todos os preconceitos, embora alguns estivessem enraizados demais em sua experiência nativa para serem observados por ele.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] gostaria que pudesse ser proibido que, após a morte de um grande homem, homenzinhos escrevessem sobre ele, homenzinhos esses que não possuem e devem saber que não possuem conhecimento suficiente de sua vida e caráter para lhes dar qualquer chave para a verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=A busca “protestante” em direção ao passado pela “simplicidade” e retidão — a qual, é claro, apesar de conter alguns motivos bons ou pelo menos inteligíveis, é equivocada e de fato vã. Porque o “cristianismo primitivo” é agora e, apesar de toda “pesquisa”, sempre permanecerá amplamente desconhecido; pois “primitivismo” não é garantia de valor e é, e foi, em grande parte um reflexo da ignorância. Graves abusos eram um elemento do comportamento “litúrgico” cristão desde o início tanto quanto o são agora. (As críticas severas de S. Paulo sobre o comportamento eucarístico são suficientes para mostrar isso!) Ainda mais porque a “minha igreja” não foi pretendida por Nosso Senhor para ser estática ou permanecer em perpétua infância, mas para ser um organismo vivo (semelhante a uma planta), que se desenvolve e muda o exterior pela interação de sua vida e história divinas legadas — as circunstâncias especiais do mundo no qual se encontra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 306)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas para mim permaneci John. Ronald era para meus parentes próximos. Meus amigos no colégio, em Oxford e mais tarde chamavam-me de John (ou ocasionalmente John Ronald ou J. R. ao quadrado).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 309)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqueles que acreditam em um Deus, em um Criador pessoal, não acham que o Universo em si é digno de adoração, embora o estudo devotado dele possa ser um dos modos de honrá-Lo. E enquanto estivermos, como criaturas vivas que somos (em parte), dentro dele e formos parte dele, nossas ideias de Deus e as maneiras de expressá-las serão em grande parte derivadas da contemplação do mundo ao nosso redor.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 310)}}{{Citação em Bloco|trecho=Só posso responder: “De sua própria sanidade, homem algum pode seguramente fazer julgamentos. Se a santidade reside em sua obra, ou como uma luz penetrante ilumina-a, então ela não vem dele, mas através dele. E nenhum de vocês a perceberia dessa forma a não ser que ela também estivesse com vocês. Do contrário, nada veriam ou sentiriam, ou (caso algum outro espírito estivesse presente) se encheriam de desdém, náusea, ódio.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=É claro que O S.A. não me pertence. Ele foi criado e agora deve seguir seu caminho designado no mundo, apesar de, naturalmente, eu me interessar muito sobre seu destino, como faria um pai com relação a um filho. Fico aliviado por saber que ele tem bons amigos para defendê-lo da malícia de seus inimigos. (Mas nem todos os tolos estão no outro campo.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] creio ser injusto usar meu nome como um adjetivo qualificador de “melancolia”, especialmente em um contexto que trata das árvores. Em todas as minhas obras, tomo o lado das árvores contra todos seus inimigos. Lothlórien é bela porque lá as árvores eram amadas; nos outros lugares as florestas são representadas como que despertando para a consciência de si mesmas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 339)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: O Dom da Amizade (2003) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|fonte=[[J.R.R. Tolkien &amp;amp; C.S. Lewis: O Dom da Amizade]] (10. Surpreendido por Cambridge e desapontado pela alegria (1954-1963))|trecho=“Tenho o ódio ao apartheid em meus ossos; e mais do que tudo, detesto a segregação ou separação entre língua e literatura. Não me importo qual delas você pense que seja branca.”}}&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=An%C3%A3os&amp;diff=1154</id>
		<title>Anãos</title>
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		<updated>2025-11-06T15:10:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[Arquivo:Lída Holubová - The Treasures of Erebor.jpg|alt=Uma arte retratando um Anão desbravando Erebor.|miniaturadaimagem|&amp;quot;The Treasures of Erebor&amp;quot;, por Lída Holubová]]&lt;br /&gt;
Os &#039;&#039;&#039;Anãos&#039;&#039;&#039;, ou &#039;&#039;&#039;Khazâd&#039;&#039;&#039; em sua própria língua, eram uma das três principais raças pensantes de [[Arda]], considerados os &amp;quot;filhos adotivos&amp;quot; de [[Ilúvatar]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na maior parte, eram uma raça rija e obstinada, secreta, laboriosa, que guardava a lembrança das injúrias (e dos benefícios), apreciadores da pedra, das gemas, mais das coisas que assumem forma sob as mãos do artífice que daqueles que vivem por sua vida própria. &amp;lt;ref name=&amp;quot;:0&amp;quot;&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; (Apêndices; F; I. Os Idiomas e Povos da Terra-média).&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Origem ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Clãs ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Barbas-longas]]&lt;br /&gt;
* [[Barbas-de-fogo]]&lt;br /&gt;
* [[Ancas-largas]]&lt;br /&gt;
* [[Punhos-de-ferro]]&lt;br /&gt;
* [[Barbas-rijas]]&lt;br /&gt;
* [[Mechas-negras]]&lt;br /&gt;
* [[Pés-de-pedra]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inimizade com outros povos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Elfos ===&lt;br /&gt;
...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Homens ===&lt;br /&gt;
Não havia grande apreço entre os [[Rohirrim|Éothéod]] e os Anãos.&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; II. A Casa de Eorl)&amp;lt;/ref&amp;gt; Porém, os Anãos não são maus por natureza, e poucos jamais serviram ao Inimigo de livre vontade. As histórias contados pelos Homens, que vilanizavam os Anãos, não eram verdadeiras, pois os Homens de outrora só cobiçavam sua fortuna e o trabalho de suas mãos, motivo pelo qual houve uma inimizade entre as raças.&amp;lt;ref name=&amp;quot;:0&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia e outros nomes ==&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Dwarf&#039;&#039; (&amp;quot;Anão&amp;quot;) é a tradução moderna de uma palavra desconhecida em [[westron]], a fala comum, e não era usada pelos personagens dentro do universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo [[J.R.R. Tolkien]], que era um linguista, o plural &amp;quot;histórico&amp;quot; de &#039;&#039;Dwarf&#039;&#039; deveria se&#039;&#039;r Dwarrows&#039;&#039; ou &#039;&#039;Dwerrows&#039;&#039;, mas, em sua época, o plural reconhecido como correto pela gramática e dicionários era &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039;. Tolkien, no entanto, optou por se utilizar em seus livros do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039;, que, embora não fosse reconhecido pelo dicionário (em sua época), se assemelha ao plural de algumas outras palavras inglesas que são terminadas em F (&#039;&#039;Elf &amp;gt; Elves&#039;&#039;; &#039;&#039;Half &amp;gt; Halves&#039;&#039;; &#039;&#039;Knife &amp;gt; Knives&#039;&#039;, etc.). Assim, a palavra causava estranheza para os leitores ingleses, mas não soava totalmente alienígena. Atualmente, devido à grande influência das obras de Tolkien na cultura popular, &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; passou a ser reconhecido nos dicionários como uma variante de &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039;&amp;lt;ref group=&amp;quot;Notas&amp;quot;&amp;gt;Para pessoas com nanismo, o plural correto continua sendo &amp;quot;Dwarfs&amp;quot;, embora &amp;quot;people with dwarfism&amp;quot; e &amp;quot;little people&amp;quot; sejam mais usados.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Tolkien, o uso do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; foi feito para [...]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de o uso do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; ter sido proposital, Tolkien mais tarde se arrependeu, dizendo que preferiria ter usado o plural histórico &#039;&#039;Dwarrows&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A popularização das obras de Tolkien fez com que o plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; passasse a ser reconhecido nos dicionários ingleses, embora o plural correto &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039; ainda seja priorizado na gramática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Anãos também eram chamados &#039;&#039;&#039;Naugrim&#039;&#039;&#039;, o Povo Mirrado, e &#039;&#039;&#039;Gonnhirrim&#039;&#039;&#039;, Mestres de Pedra, na língua élfico-cinzenta.&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. [[Christopher Tolkien]] (editor). &#039;&#039;&#039;[[O Silmarillion]]&#039;&#039;&#039; ([[Quenta Silmarillion]]; 10. Dos Sindar)&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradução ===&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarf&#039;&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;&#039;Anão&#039;&#039;&#039; tanto pela [[Martins Fontes]] (WMF) quanto pela [[HarperCollins Brasil]] (HCB). Em Portugal, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarves&#039;&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;&#039;Anões&#039;&#039;&#039; pela WMF e como &#039;&#039;&#039;Anãos&#039;&#039;&#039; pela HCB, que tentou emular o uso pelo autor do plural incorreto Dwarves. Em Portugal, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarrows/Dwerrows&#039;&#039;&#039; foi traduzido como [...] pela WMF e como &#039;&#039;&#039;Ananos&#039;&#039;&#039; pela HCB. Em Portugual, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Notas&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=An%C3%A3os&amp;diff=1153</id>
		<title>Anãos</title>
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		<updated>2025-11-06T14:55:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[Arquivo:Lída Holubová - The Treasures of Erebor.jpg|alt=Uma arte retratando um Anão desbravando Erebor.|miniaturadaimagem|&amp;quot;The Treasures of Erebor&amp;quot;, por Lída Holubová]]&lt;br /&gt;
Os &#039;&#039;&#039;Anãos&#039;&#039;&#039;, ou &#039;&#039;&#039;Khazâd&#039;&#039;&#039; em sua própria língua, eram uma das três principais raças pensantes de [[Arda]], considerados os &amp;quot;filhos adotivos&amp;quot; de [[Ilúvatar]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eles eram na maior parte uma raça rija e obstinada, secreta, laboriosa, que guardava a lembrança das injúrias (e dos benefícios), apreciadores da pedra, das gemas, e das coisas que assumem forma sob as mãos de artífices. &amp;lt;ref name=&amp;quot;:0&amp;quot;&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; (Apêndices; F; I. Os Idiomas e Povos da Terra-média).&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Origem ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Clãs ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Barbas-longas]]&lt;br /&gt;
* [[Barbas-de-fogo]]&lt;br /&gt;
* [[Ancas-largas]]&lt;br /&gt;
* [[Punhos-de-ferro]]&lt;br /&gt;
* [[Barbas-rijas]]&lt;br /&gt;
* [[Mechas-negras]]&lt;br /&gt;
* [[Pés-de-pedra]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inimizade com outros povos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Elfos ===&lt;br /&gt;
...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Homens ===&lt;br /&gt;
Não havia grande apreço entre os [[Rohirrim|Éothéod]] e os Anãos.&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; II. A Casa de Eorl)&amp;lt;/ref&amp;gt; Porém, os Anãos não são maus por natureza, e poucos jamais serviram ao Inimigo de livre vontade. As histórias contados pelos Homens, que vilanizavam os Anãos, não são verdadeiras, pois os Homens de outrora só cobiçavam sua fortuna e o trabalho de suas mãos, motivo pelo qual houve uma inimizade entre as raças.&amp;lt;ref name=&amp;quot;:0&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia e outros nomes ==&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Dwarf&#039;&#039; (&amp;quot;Anão&amp;quot;) é a tradução moderna de uma palavra desconhecida em [[westron]], a fala comum, e não era usada pelos personagens dentro do universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo [[J.R.R. Tolkien]], que era um linguista, o plural &amp;quot;histórico&amp;quot; de &#039;&#039;Dwarf&#039;&#039; deveria se&#039;&#039;r Dwarrows&#039;&#039; ou &#039;&#039;Dwerrows&#039;&#039;, mas, em sua época, o plural reconhecido como correto pela gramática e dicionários era &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039;. Tolkien, no entanto, optou por se utilizar em seus livros do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039;, que, embora não fosse reconhecido pelo dicionário (em sua época), se assemelha ao plural de algumas outras palavras inglesas que são terminadas em F (&#039;&#039;Elf &amp;gt; Elves&#039;&#039;; &#039;&#039;Half &amp;gt; Halves&#039;&#039;; &#039;&#039;Knife &amp;gt; Knives&#039;&#039;, etc.). Assim, a palavra causava estranheza para os leitores ingleses, mas não soava totalmente alienígena. Atualmente, devido à grande influência das obras de Tolkien na cultura popular, &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; passou a ser reconhecido nos dicionários como uma variante de &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039;&amp;lt;ref group=&amp;quot;Notas&amp;quot;&amp;gt;Para pessoas com nanismo, o plural correto continua sendo &amp;quot;Dwarfs&amp;quot;, embora &amp;quot;people with dwarfism&amp;quot; e &amp;quot;little people&amp;quot; sejam mais usados.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Tolkien, o uso do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; foi feito para [...]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de o uso do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; ter sido proposital, Tolkien mais tarde se arrependeu, dizendo que preferiria ter usado o plural histórico &#039;&#039;Dwarrows&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A popularização das obras de Tolkien fez com que o plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; passasse a ser reconhecido nos dicionários ingleses, embora o plural correto &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039; ainda seja priorizado na gramática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Anãos também eram chamados &#039;&#039;&#039;Naugrim&#039;&#039;&#039;, o Povo Mirrado, e &#039;&#039;&#039;Gonnhirrim&#039;&#039;&#039;, Mestres de Pedra, na língua élfico-cinzenta.&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. [[Christopher Tolkien]] (editor). &#039;&#039;&#039;[[O Silmarillion]]&#039;&#039;&#039; ([[Quenta Silmarillion]]; 10. Dos Sindar)&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradução ===&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarf&#039;&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;&#039;Anão&#039;&#039;&#039; tanto pela [[Martins Fontes]] (WMF) quanto pela [[HarperCollins Brasil]] (HCB). Em Portugal, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarves&#039;&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;&#039;Anões&#039;&#039;&#039; pela WMF e como &#039;&#039;&#039;Anãos&#039;&#039;&#039; pela HCB, que tentou emular o uso pelo autor do plural incorreto Dwarves. Em Portugal, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarrows/Dwerrows&#039;&#039;&#039; foi traduzido como [...] pela WMF e como &#039;&#039;&#039;Ananos&#039;&#039;&#039; pela HCB. Em Portugual, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Notas&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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		<title>Anãos</title>
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		<updated>2025-11-06T14:55:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[Arquivo:Lída Holubová - The Treasures of Erebor.jpg|alt=Uma arte retratando um Anão desbravando Erebor.|miniaturadaimagem|&amp;quot;The Treasures of Erebor&amp;quot;, por Lída Holubová]]&lt;br /&gt;
Os &#039;&#039;&#039;Anãos&#039;&#039;&#039;, ou &#039;&#039;&#039;Khazâd&#039;&#039;&#039; em sua própria língua, eram uma das três principais raças pensantes de [[Arda]], considerados os &amp;quot;filhos adotivos&amp;quot; de [[Ilúvatar]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eles eram na maior parte uma raça rija e obstinada, secreta, laboriosa, que guardava a lembrança das injúrias (e dos benefícios), apreciadores da pedra, das gemas, e das coisas que assumem forma sob as mãos de artífices. &amp;lt;ref name=&amp;quot;:0&amp;quot;&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; (Apêndices; F; I. Os Idiomas e Povos da Terra-média).&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Origem ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Clãs ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Barbas-longas]]&lt;br /&gt;
* [[Barbas-de-fogo]]&lt;br /&gt;
* [[Ancas-largas]]&lt;br /&gt;
* [[Punhos-de-ferro]]&lt;br /&gt;
* [[Barbas-rijas]]&lt;br /&gt;
* [[Mechas-negras]]&lt;br /&gt;
* [[Pés-de-pedra]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inimizade com outros povos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Elfos ===&lt;br /&gt;
...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Homens ===&lt;br /&gt;
Não havia grande apreço entre os [[Rohirrim|Éothéod]] e os Anãos.&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; II. A Casa de Eorl)&amp;lt;/ref&amp;gt; Porém, os Anãos não são maus por natureza, e poucos jamais serviram ao Inimigo de livre vontade. As histórias contados pelos Homens, que vilanizavam os Anãos, não são verdadeiras, pois os Homens de outrora só cobiçavam sua fortuna e o trabalho de suas mãos, motivo pelo qual houve uma inimizade entre as raças.&amp;lt;ref name=&amp;quot;:0&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia e outros nomes ==&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Dwarf&#039;&#039; (&amp;quot;Anão&amp;quot;) é a tradução moderna de uma palavra desconhecida em [[westron]], a fala comum, e não era usada pelos personagens dentro do universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo [[J.R.R. Tolkien]], que era um linguista, o plural &amp;quot;histórico&amp;quot; de &#039;&#039;Dwarf&#039;&#039; deveria se&#039;&#039;r Dwarrows&#039;&#039; ou &#039;&#039;Dwerrows&#039;&#039;, mas, em sua época, o plural reconhecido como correto pela gramática e dicionários era &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039;. Tolkien, no entanto, optou por se utilizar em seus livros do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039;, que, embora não fosse reconhecido pelo dicionário (em sua época), se assemelha ao plural de algumas outras palavras inglesas que são terminadas em F (&#039;&#039;Elf &amp;gt; Elves&#039;&#039;; &#039;&#039;Half &amp;gt; Halves&#039;&#039;; &#039;&#039;Knife &amp;gt; Knives&#039;&#039;, etc.). Assim, a palavra causava estranheza para os leitores ingleses, mas não soava totalmente alienígena. Atualmente, devido à grande influência das obras de Tolkien na cultura popular, &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; passou a ser reconhecido nos dicionários como uma variante de &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039;&amp;lt;ref group=&amp;quot;Notas&amp;quot;&amp;gt;Para pessoas com nanismo, o plural correto continua sendo &amp;quot;Dwarfs&amp;quot;, embora &amp;quot;people with dwarfism&amp;quot; e &amp;quot;little people&amp;quot; sejam mais usados.&amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Tolkien, o uso do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; foi feito para [...]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de o uso do plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; ter sido proposital, Tolkien mais tarde se arrependeu, dizendo que preferiria ter usado o plural histórico &#039;&#039;Dwarrows&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A popularização das obras de Tolkien fez com que o plural incorreto &#039;&#039;Dwarves&#039;&#039; passasse a ser reconhecido nos dicionários ingleses, embora o plural correto &#039;&#039;Dwarfs&#039;&#039; ainda seja priorizado na gramática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Anãos também eram chamados &#039;&#039;&#039;Naugrim&#039;&#039;&#039;, o Povo Mirrado, e &#039;&#039;&#039;Gonnhirrim&#039;&#039;&#039;, Mestres de Pedra, na língua élfico-cinzenta.&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. [[Christopher Tolkien]] (editor). &#039;&#039;&#039;[[O Silmarillion]]&#039;&#039;&#039; ([[Quenta Silmarillion]]; 10. Dos Sindar)&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradução ===&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarf&#039;&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;&#039;Anão&#039;&#039;&#039; tanto pela [[Martins Fontes]] (WMF) quanto pela [[HarperCollins Brasil]] (HCB). Em Portugal, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarves&#039;&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;&#039;Anões&#039;&#039;&#039; pela WMF e como &#039;&#039;&#039;Anãos&#039;&#039;&#039; pela HCB, que tentou emular o uso pelo autor do plural incorreto Dwarves. Em Portugal, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, &#039;&#039;&#039;Dwarrows/Dwerrows&#039;&#039;&#039; foi traduzido como [...] pela WMF e como &#039;&#039;&#039;Ananos&#039;&#039;&#039; pela HCB. Em Portugual, [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1151</id>
		<title>Elfos Negros na Terra-média</title>
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		<updated>2025-11-03T13:31:44Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Desambiguação (entre dois)|Elfos de pele negra|os Elfos Escuros|[[Moriquendi]]}}&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] em 2022 (atualizado por último em 03/11/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Este artigo está atualmente sob um processo de revisão, atualização e expansão, de modo que algumas partes poderão estar incompletas.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão quanto à presença ou não de Elfos de pele negra no legendário da [[Terra-média]] não é recente e existe desde o século passado. Todavia, em razão do grande peso que essa discussão tomou desde a divulgação das primeiras imagens da nova série [[O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder]], nas quais havia sido confirmado que teríamos um ator de pele negra interpretando um Elfo - no caso, [[Ismael Cruz Córdova]], que interpretaria o Elfo [[Arondir]], um personagem original criado pela série -, eu resolvi fazer um vídeo analisando a fundo tudo o que [[J.R.R. Tolkien]] de fato já havia falado sobre a aparência dos [[Elfos]] de seu universo, em especial o seu tom de pele, sob o ponto de vista tanto de livros &amp;quot;canônicos&amp;quot; (i.e., O Hobbit e O Senhor dos Anéis) quanto de livros &amp;quot;não-canônicos&amp;quot; (i.e., aqueles livros que não foram finalizados em vida e acabaram sendo publicados postumamente com organização, edição e comentários de outras pessoas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vídeo em questão foi publicado no meu canal, [https://www.youtube.com/@ProjetoTolkien Projeto Tolkien], em 07/03/2022, mas, depois de ver os incontáveis comentários que foram feitos nele, eu me dei conta de que aquele vídeo acabou ficando consideravelmente desfocado, posto que, embora a temática central dele era a cor da pele dos Elfos da Terra-média, eu também adentrei em questões que não tinham qualquer relação com isso, como barba, cabelos,  olhos, etc., e, inclusive, no dilema sobre quais livros do legendário da [[Terra-média]] seriam ou não &amp;quot;canônicos&amp;quot; - discussão essa que influenciava essas outras questões, mas não o tom de pele em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E isso tudo, inevitavelmente, deixou certos pontos que eu fiz sobre o tom de pele dos Elfos da Terra-média ambíguos e confusos, razão pela qual eu resolvi fazer um novo levantamento, muito mais detalhado e aprofundado, para sintetizar melhor essa discussão, centralizando ele &#039;&#039;exclusivamente&#039;&#039; no tom de pele dos Elfos da Terra-média e deixando essas outras discussões a respeito de sua aparência de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse segundo levantamento também foi publicado em formato de vídeo lá no meu canal, em 02/04/2023. E, embora eu acredite que consegui alcançar o meu objetivo com aquele vídeo (i.e., centralizar a discussão na cor da pele dos Elfos de Tolkien e me aprofundar mais no assunto), eu não posso negar que o vídeo ainda não ficou perfeito, posto que alguns pontos novos ainda ficaram um pouco confusos e poderiam ser mais bem detalhados, bem como que o vídeo já está um pouco desatualizado, posto que, desde então, eu encontrei novas informações a respeito desse assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, esse é o momento ideal para eu deixar um ponto muito claro: eu não sou nenhum especialista na vida e obra de J.R.R. Tolkien e não sei a verdade absoluta. Eu vou citar ao longo desse levantamento diversas passagens de sete livros de Tolkien que eu já li e, assim, tenho uma noção boa sobre eles. Porém, isso, primeiramente, não significa que eu já tenha lido todos os livros escritos por J.R.R. Tolkien - até porque nós temos mais de 20 livros que fazem parte do legendário da Terra-média e vários deles foram publicados pela primeira vez no Brasil bem recentemente, de modo que eu ainda não tive a oportunidade de lê-los.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, em segundo lugar, mesmo eu já tendo lido mais da metade dos livros de Tolkien, isso também não significa que eu tenha uma memória de elefante e me lembre de absolutamente toda palavra escrita em cada um deles. Eu sou um ser humano e é perfeitamente possível que haja informações importantíssimas em algum livro que eu até já li, mas não lembro a respeito, tanto informações que sejam favoráveis à existência de Elfos de pele negra, quanto que sejam não favoráveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é justamente por eu não ser nenhum especialista, mas apenas um leitor que se incomoda quando vê pessoas espalhando desinformações sobre a vida e a obra de J.R.R. Tolkien, que esse é o meu terceiro vídeo a respeito desse assunto. E, se eu tivesse de apostar, com certeza haverá um quarto vídeo no futuro, já que ainda faltam alguns livros a lidos por mim, e vários a serem relidos, de modo que eu com certeza ainda tenho muito o que expandir sobre esse assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De qualquer forma, eu, modéstia à parte, nunca vi nenhum levantamento sobre esse assunto que fosse tão detalhado como esse meu, de modo que, embora ele definitivamente não seja perfeito, eu acredito que você terá muitas informações interessantíssimas e importantíssimas para aprender hoje. Se por um acaso você achar que eu acabei deixando algum detalhe importante passar batido, pode ficar à vontade para comentá-lo, desde que, é claro, com educação. Se realmente for um detalhe importante, eu acrescentarei ele numa nova versão revisada e expandida desse levantamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso:&#039;&#039;&#039; Todas as citações deste artigo foram retiradas das edições Kindle (e-book) dos livros publicados pela [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
Antes de adentrarmos no levantamento em si, eu acredito ser de suma importante ressaltar um ponto muito importante: &#039;&#039;&#039;J.R.R. Tolkien, o autor de livros como O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou então que Elfos pretos não existiam.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você leu os meus avisos iniciais, você pode até falar algo como: &amp;quot;como você sabe disso se você mesmo confessou que ainda não leu todos os livros de J.R.R. Tolkien?&amp;quot; E a resposta é simples: primeiramente, eu não li todos os livros de Tolkien, mas já li quase todos, e eu nunca vi nenhuma menção nesse sentido ou sequer próxima desse sentido. Mas, em segundo lugar, e muito mais convincente, ninguém nunca citou uma passagem de Tolkien falando isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É inegável que essa discussão tomou proporções estratosféricas depois do lançamento da série, com incontáveis pessoas defendendo piamente que Elfos de pele negra não existiam no universo da Terra-média. Porém, ninguém nunca citou qualquer passagem de Tolkien dizendo isso. E, convenhamos, se Tolkien em algum momento já tivesse dito com todas as letras que Elfos de pele negra não existiam em seu universo, não há dúvidas de que essa passagem há anos estaria sendo estampada em outdoors com o maior orgulho por essas pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, embora eu ainda não tenha lido absolutamente todos os livros escrito por J.R.R. Tolkien, eu acredito que o simples fato de que ao longo de tantos anos ninguém nunca ter citado qualquer passagem na qual Tolkien diga que Elfos de pele negra não existiam é prova mais do que suficiente de que tal passagem simplesmente inexiste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, repito: J.R.R. Tolkien, o autor de livros como O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou então que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo isso em mente, uma coisa que você pode se perguntar: &amp;quot;beleza, faz sentido, mas se Tolkien nunca falou isso, então por que estamos tendo toda essa discussão?&amp;quot; E, tentando simplificar uma resposta que certamente poderia render um ensaio só seu, eu diria: &amp;quot;por causa da preconcepção popular, muitas vezes fundamentada, ainda que inconscientemente, em argumentos racistas e/ou eurocêntricos.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o [[wikipedia:Amazon_MGM_Studios|Amazon Studios]] divulgou a primeira imagem de [[Arondir]], um Elfo &#039;&#039;original&#039;&#039; criado para a nova série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que seria interpretado por [[Ismael Cruz Córdova]], um ator preto, começaram a chover comentários internet afora alegando que a empresa estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de J.R.R. Tolkien em prol de uma cultura &amp;quot;woke&amp;quot; e &amp;quot;lacradora&amp;quot; ao colocar atores pretos para interpretar personagens que eram brancos nos livros. Comentários iniciais esses que eram sempre baseados em puro racismo e/ou em um total desconhecimento das obras originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por mais que Arondir era um Elfo original criado para a série - ou seja, não é como se tivessem pegado um Elfo branco dos livros e mudado a cor de sua pele na série -, o argumento dessas pessoas era o de que, embora Arondir fosse um Elfo original, o simples fato de que ele era um Elfo exigiria que ele fosse interpretado por um ator branco, já que, &#039;&#039;segundo essas pessoas&#039;&#039;, &amp;quot;todo mundo&amp;quot; sabia que os Elfos da Terra-média seriam brancos e a empresa estaria tentando deturpar a obra original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu disse mais atrás, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, nunca disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou mesmo que Elfos pretos não existiam. Porém, simplesmente dizer para essas pessoas que não há nos livros qualquer menção aos Elfos serem todos brancos não foi o suficiente. Mesmo com pessoas como eu e vários outros leitores dos livros insistentemente dizendo que não havia qualquer fala de Tolkien nesse sentido, seja nos próprios livros, seja em suas cartas, essas pessoas insistiam em forçar essa interpretação claramente deturpada dos livros e das intenções do autor para justificarem que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o mais engraçado é que, quanto mais se provava que esses argumentos eram falso, mais argumentos iam aparecendo. Essas pessoas davam um argumento - a gente rebatia. Elas arrumavam outro argumento - a gente rebatia. Arrumavam outro argumento - a gente rebatia. E assim sucessivamente por vários &amp;quot;argumentos&amp;quot; e, por incrível que pareça, anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sinceramente não sei o que essas pessoas ganhariam com isso, mas muitas delas, seja lá por qual motivo, tomaram como o grande objetivo de sua vida &amp;quot;provarem&amp;quot; a todo custo que não havia pessoas pretas nas lendas da Terra-média. Não tem nada que justifique essa busca incansável por um novo argumento, a não ser essas pessoas realmente terem colocado como um objetivo crucial em suas vidas provar que pessoas pretas não existiam na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou melhor, só para me corrigir, &amp;quot;que não existiam pessoas pretas &#039;&#039;salvo os Haradrim&#039;&#039;&amp;quot;, os vilões de O Senhor dos Anéis, posto que eu vi muitas dessas pessoas falando que o problema não era a série ter atores pretos, já que se fossem personagens Haradrim não teria problema nenhum. Para essas pessoas, o problema está nos Elfos - os &amp;quot;mocinhos&amp;quot; - serem interpretados por atores negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, esse é o motivo deste levantamento ter sido criado. Já que simplesmente dizer para essas pessoas obcecadas pela cor da pele das pessoas que Tolkien nunca falou um A nesse sentido não foi o suficiente, eu decidi tentar refutar, um a um, todos os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu encontrei internet afora que (supostamente) comprovariam que Elfos negros não existiam no legendário da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sei que essas pessoas em especial, que, como eu disse, aparentam ter colocado com um objetivo de suas vidas provar que Elfos pretos não existiam na Terra-média, não serão convencidas por esse vídeo aqui. Eu posso refutar todos os argumentos aqui que elas ainda irão arrumar um novo argumentam - ou então dizer que o próprio Tolkien estava errado, como eu já vi uma pessoa fazer em um vídeo meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intenção desse vídeo é, por outro lado, tentar trazer um pouco de luz pra essa discussão, já que, infelizmente, eu vi muita gente, por assim dizer, &amp;quot;inocente&amp;quot;, sendo levada a acreditar que Elfos de pele negra realmente não existiam na Terra-média e inclusive a criticar Tolkien e chamá-lo de racista por ter dito que não havia Elfos pretos na Terra-média, sendo que na realidade ele nunca fez isso. E, para além dessas críticas infundadas feitas a Tolkien, eu também vi gente, por assim dizer, usando os argumentos &amp;quot;errados&amp;quot; para defender a presença de Elfos negros na série, indiretamente dando força para esses comentários racistas de quem insiste em dizer que Elfos pretos não existem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só para dar um exemplo, o Load, que é um cara incrível e que eu inclusive acompanho nas redes sociais e esporadicamente no YouTube, disse que, ainda que Elfos pretos não existissem, fato é que Elfos como um todo não existem, de modo que qualquer representação seria válida. Outros comentários semelhantes feitos por outras pessoas diziam que, ainda que Elfos pretos não existissem, o mundo de hoje é outro e a representatividade é importante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu concordo com o Load que Elfos como um todo não existem no mundo real? Sem dúvida! Eu concordo com essas pessoas que a representatividade é importanto? Sem dúvida também. A questão maior aqui é que a gente não precisar ir tão longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais que eu concorde com essas falas, a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;Elfos não existem&amp;quot;, assim como a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;representatividade é importante&amp;quot;. A gente deve colocar Elfos de pele negra na série porque Elfos de pele negra existiam sim nos livros. E eu acho que é nesse argumento que a gente deve focar mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comentários como o do Load ou dessas outras pessoas, por mais verdadeiros e importantes que sejam, dão a falsa impressão que os Elfos pretos realmente não existiam na Terra-média - o que, indiretamente, acaba dando mais força para essas pessoas que vem com esse falso argumento de que a série estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, como eu disse, a minha maior intenção com esse artigo não é tentar mudar a opinião de quem colocou como objetivo de vida provar que Elfos pretos não existiam. A minha intenção é trazer um pouco mais de luz para esse assunto, focando principalmente nessas outras pessoas que, quer elas concordem ou discordem com a presença de um Elfo negro na série, foram levadas a acreditar nessa falácia de que eles não existem nos livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que, infelizmente, aqui a gente adentra na tal da &amp;quot;[https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Brandolini Lei de Bradolini]&amp;quot;, que diz que a quantidade de energia necessária para refutar uma idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. Afinal, uma pessoa gasta 5 minutos pra dizer algo como &amp;quot;não havia Elfos negros na Terra-média porque ela representava a Europa Nórdica&amp;quot; e nada mais, enquanto eu gasto literalmente meses fazendo pesquisas, indo atrás de citações e escrevendo textos com dezenas de páginas e gravando vídeos de mais de meia hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, por mais que uma pessoa que traz um argumento raso como esse tem um alcance muito mais que um artigo de 30 páginas ou um vídeo de mais de meia hora, eu não acho que eu deveria simplesmente ficar quieto. Ainda mais quando eu vejo pessoas incríveis e do bem sendo levadas a acreditar em informações falsas por falta de alguém fazendo um contraponto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já dizia Tolkien, &amp;quot;não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual)&amp;quot; (Árvore e Folha; Sobre Estórias de Fadas). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, só pra reforçar, esse artigo não abordará a importância da representatividade no entretenimento porque 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica evidentemente não se importam com isso, de modo que abordar esse assunto seria inútil, 2) eu não tenho propriedade para falar sobre o assunto, e 3) essa discussão não é necessária para comprovar que Elfos negros existiam sim na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e sem maiores delongas, abaixo eu trarei cada um dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu mais encontrei internet afora e, em seguida, a minha explicação do porquê de esse argumento não fazer qualquer sentido. Tudo, é claro, sempre fundamentado com citações diretas de J.R.R. Tolkien. Os tais dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; não estarão em nenhuma ordem específica porque, como eu comentei, as pessoas que defendem a não-existência de Elfos negros estão sempre mudando de argumentação conforme você as vai refutando e, assim, cada pessoa vai usando esses argumentos em &amp;quot;ordens&amp;quot; diferentes umas das outras. Vou abordá-los na ordem que eu achar melhor para construir o raciocínio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rebatendo argumentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Em O Senhor dos Anéis Tolkien deixou claro que os Elfos &#039;eram belos, de pele clara e de olhos cinzentos&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Não é bem assim. De fato há essa menção em [[O Senhor dos Anéis]], mas trata-se de uma frase tirada de contexto, conforme já extensivamente explicado por [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e seu &amp;quot;executor literário&amp;quot;) em [[O Livro dos Contos Perdidos 1]], o 1.º volume da coleção [[A História da Terra-média]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em O Senhor dos Anéis, nós temos o seguinte trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, e Eldar, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal e ali chegaram no começo dos Dias (exceto apenas pelos Sindar). [...] Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, apesar de terem as madeixas escuras, exceto na casa dourada de Finarfin;&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em O Livro dos Contos Perdidos 1, Christopher nos traz a versão completa do rascunho de seu pai para esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em um rascunho do parágrafo final do Apêndice F de O Senhor dos Anéis, ele [Tolkien] escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes (não neste livro) tenho usado “Gnomos” por Noldor e “gnômico” por noldorin. Fiz isso porque [...], para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais. Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora abandonei essa representação por demasiado enganosa. Pois os Noldor pertenciam a uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, que agora se foram. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, e suas madeixas eram escuras, exceto na casa dourada de Finrod […].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No último parágrafo do Apêndice F, conforme publicado, a referência aos “Gnomos” foi removida, e substituída por um trecho explicando o uso da palavra Elves [Elfos] como tradução de Quendi e Eldar. […] Portanto, &#039;&#039;&#039;essas palavras que descrevem características do rosto e dos cabelos foram escritas, na verdade, apenas sobre os Noldor, e não sobre todos os Eldar&#039;&#039;&#039;: de fato os Vanyar tinham cabelos dourados, e foi da mãe vanyarin de Finarfin, Indis, que ele e seus filhos Finrod Felagund e Galadriel herdaram os cabelos dourados que os distinguiam entre os príncipes dos Noldor. Mas sou incapaz de determinar como essa extraordinária corrupção do sentido surgiu.&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; O nome Finrod no trecho ao final do Apêndice F está incorreto: Finarfin era Finrod e Finrod era Inglor até a segunda edição de O Senhor dos Anéis, e, na ocasião, a alteração não foi feita.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como mencionado por Christopher, essa deturpação do sentido, oriunda da omissão de parte do texto de seu pai, foi corrigida na segunda edição de O Senhor dos Anéis, a partir da qual essa frase conta com uma nota de rodapé na qual é ressaltado tratar-se de uma descrição exclusiva para os [[Noldor]] (um dos três clãs élficos)&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;Apesar de terem despertado todos no mesmo local, ao longo das eras os Elfos se dividiram em diversos grupos e etnias (assim como os próprios Homens também se dividiram em vários grupos e etnias após seu primeiro despertar), mas seus três principais clãs eram os Vanyar, os Noldor e os Teleri. Destes, os Teleri foram os que mais se subdividiram em outros grupos e é deles que vêm os Sindar (os Elfos-cinzentos).&amp;lt;/ref&amp;gt;, e não para os Elfos como um todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt; Estas palavras que descrevem caracteres de rosto e cabelos aplicavam-se, de fato, apenas aos Noldor. [N. E.]|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, considerando que a segunda edição de O Senhor dos Anéis foi publicada ainda em 1966, alguém querer se utilizar desse trecho para justificar que todos os Elfos do legendário da Terra-média seriam brancos me parece, no mínimo, ingênuo ou mal-intencionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, se eu tivesse de apostar, eu diria que quem usa esse trecho é só mal-intencionado mesmo, já que é regra dentre esse tipo de pessoa usar argumentos soltos, sem qualquer base em citações diretas, ou, quando por algum milagre embasam suas opiniões com citações diretas, são sempre com trechos retirados totalmente de contexto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, é válido ressaltar aqui que, nas poucas vezes que J.R.R. Tolkien cita um Elfo como tendo pele clara, ele o faz com um Noldo (singular de Noldor), e, nas poucas vezes que outros personagens são descritos como brancos e comparados com os Elfos, eles são sempre comparados especificamente com os Elfos do clã noldorin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Túrin]], filho de [[Húrin]], é comparado nos livros, mais de uma vez, com os Elfos, sendo ele descrito como um Homem branco, sendo que, no entanto, essa comparação é feita especificamente com os Noldor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nos tempos que se seguiram, Túrin cresceu muito nos favores de Orodreth, e quase todos os corações se voltaram para ele em Nargothrond. Pois era jovem e só então alcançara a plenitude da idade viril; e era, em verdade, o filho de Morwen Eledhwen em seu aspecto: &#039;&#039;&#039;de cabelos escuros e pele clara, com olhos cinzentos&#039;&#039;&#039;, e um rosto mais belo do que quaisquer outros entre Homens mortais, nos Dias Antigos. Seu falar e porte eram aqueles do antigo reino de Doriath, e, &#039;&#039;&#039;mesmo em meio aos Elfos, podia ser tomado por um dos das grandes casas dos Noldor&#039;&#039;&#039;; portanto, muitos o chamavam de Adanedhel, o Homem-Elfo.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 21. De Túrin Turambar) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que Túrin tinha (i) cabelos escuros, (ii) pele clara e (iii) olhos cinzentos, que eram exatamente as três características físicas que Tolkien descreveu os Noldor como possuindo no já citado Apêndice F de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro exemplo seria o Elfo [[Maeglin]], filho de [[Aredhel]], que também é descrito como possuindo pele branca, sendo ele estritamente comparado aos Noldor (apesar de ter sangue noldorin por parte de mãe, Maeglin era considerado um Sinda, isto é, um Elfo-cinzento):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Falarei mais sobre Maeglin mais para frente, pois há outras questões a serem abordadas sobre ele.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os (poucos) Elfos que são descritos nos livros como tendo pele clara tinham, no todo ou em parte, sangue noldorin, e todos personagens que são descritos como brancos e que são comparados aos Elfos, são comparados justamente com os Noldor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis (quando contextualizada com a passagem de O Livro dos Contos Perdidos 1) evidencia que não só não há qualquer indicativo de que todos os Elfos fossem brancos, como os vários comparativos de personagens brancos com Elfos noldorin apenas reforça a informação do rascunho original, de que somente os Elfos noldorin tinham essa distinção na aparência em seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;A Terra-média era um mito para a Inglaterra e representa a &#039;Europa Nórdica&#039;; por isso, não havia personagens negros.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Um outro argumento que eu constantemente vejo por aí é o de que a Terra-média representaria a Europa “nórdica” e que, por isso, não teria como haver personagens negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, estudos evidenciam que havia sim pessoas pretas na Europa setentrional, por diferentes razões, mas eu não vou adentrar nessa questão pelo mesmo motivo pelo qual não adentrarei na questão da importância da representatividade: 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica não se importam com isso, posto que possuem uma visão já há muito tempo arraigada sobre a Europa e não serei eu quem fará essas pessoas entenderem um pouco mais de história (até porque eu não tenho propriedade para isso), e 2) essa discussão quanto à presença ou não de pessoas pretas na Europa setentrional não é necessária para comprovar que Elfos pretos podiam sim ter existido na Terra-média. Ou seja, ainda que realmente houvesse zero pessoas pretas na Europa setentrional, como alguns sustentam, isso ainda não mudaria nada para a realidade da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, se você realmente se considera um fã de J.R.R. Tolkien e suas obras, eu sugiro que você pare de se utilizar da palavra “nórdica” para se referenciar ao norte da Europa e/ou os povos dessa região, pois Tolkien deixou claro diversas vezes que possuía total aversão a essa palavra, posto que, segundo ele mesmo, essa palavra, &amp;quot;nórdico(a)&amp;quot;, estava associada a doutrinas racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em breve síntese, Tolkien odiava o termo “nordic” (&amp;quot;nórdico&amp;quot;) e, para ele, nós deveríamos utilizarmo-nos do termo “northern” (“setentrional”) para nos referenciarmos ao norte da Europa e &amp;quot;germanic&amp;quot; (&amp;quot;ermânico&amp;quot;) para nos referenciarmos aos povos que viviam nessas regiões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a especificamente o idioma nórdico, o termo original em inglês é &amp;quot;Norse&amp;quot;, sendo que uma dubiedade pode surgir para nós brasileiros pelo fato de que tanto &amp;quot;nordic&amp;quot; quanto &amp;quot;Norse&amp;quot; são traduzidos por aqui como &amp;quot;nórdico&amp;quot;. E, como não temos uma alternativa para a tradução do idioma &amp;quot;Norse&amp;quot;, eu sugiro, em respeito a J.R.R. Tolkien, que você faça o uso do termo &amp;quot;setentrional&amp;quot; para se referenciar à região em si, &amp;quot;germânico&amp;quot; para os povos, e &amp;quot;nórdico&amp;quot; exclusivamente para o idioma - ou, se preferir, &amp;quot;idioma nórdico&amp;quot; pra deixar bem clara essa distinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns breves exemplos nos quais Tolkien fala sobre essa sua aversão pela palavra “nordic” vêm das Cartas n.º 29 e 45 do livro [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], nas quais ele critica o nazismo por se apropriar, perverter e arruinar a essência “setentrional” em favor de doutrinas raciais não-científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e &#039;&#039;&#039;lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Alemão, &amp;quot;confirmação&amp;quot;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29) - Grifou-se.}}{{Citação em Bloco|trecho=Passei a maior parte da minha vida, desde que eu tinha sua idade, estudando assuntos germânicos (no sentido geral que inclui a Inglaterra e a Escandinávia). [...] Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal. [...] &#039;&#039;&#039;suponho que sei melhor do que a maioria das pessoas qual é a verdade sobre esse absurdo “nórdico”&#039;&#039;&#039;. De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular [...] contra aquele maldito tampinha ignorante chamado &#039;&#039;&#039;Adolf Hitler [...] que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional&#039;&#039;&#039;, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, muito embora seja comum ouvirmos a história de que o plano de J.R.R. Tolkien era o de criar uma mitologia para a [[Inglaterra]], de modo que seu legendário se passaria em uma Europa setentrional, a questão não é tão simples quanto parece e, mais uma vez, quem fala isso está claramente tirando muita coisa de contexto pra tentar dar uma maior ar de credibilidade pras suas visões deturpadas de mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso só era verdade para [[O Livro dos Contos Perdidos]], escrito por Tolkien entre os anos 1917 e 1920, que é a primeira versão do que muito mais tarde viria a ser [[O Silmarillion]] como o conhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, quando Tolkien deu o pontapé inicial ao seu legendário, sua intenção era sim a de criar uma espécie de &amp;quot;mito de criação&amp;quot; da Inglaterra, e isso fica evidente em diversas cartas social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[CITAÇÃO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão disso, em O Livro dos Contos Perdidos (1917-20), a relação das lendas e das terras com a Inglaterra era clara e direta, sendo que a palavra &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; é citada 71 vezes nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, usar desse argumento é, como essas pessoas adoram fazer, tirar todo o contexto por trás dele, já que, ao longo dos anos, conforme seu legendário foi evoluindo, essa relação foi deixada totalmente de lado pelo autor, com o &amp;quot;legendário&amp;quot; perdendo esse seu caráter de ser um &amp;quot;mito de criação&amp;quot; pra Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E um exemplo disso é simples: n&#039;O Livro dos Contos Perdidos, a Inglaterra era literalmente representada por uma ilha chamada Tol Eressëa, a Ilha Solitária. A ideia era a de que Tol Eressëa fosse a Inglaterra num passado longínquo, e que a cidade de Kortirion fosse Warwick, uma cidade da Inglaterra, também num passado longínquo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simplificando, a Inglaterra seria, em origem, um reino élfico, sendo que, mais tarde, depois que os Elfos feneceram, ela passou a ser um reino humano, com apenas alguns poucos ainda relembrando as antigas lendas élficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, isso foi posteriormente abandonado por Tolkien, tanto é que Tol Eressëa e Kortirion continuam existindo nas versões posteriores do legendário - com Kortirion apenas mudando seu nome para apenas Tirion - sendo que, na versão posterior da história, eles dois foram literalmente removidos do planeta durante a Queda de Númenor e passar a literalmente flutuar no espaço, acessíveis somente através da Rota Reta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, pra quem fala que o legendário era para ser um mito de criação para a Terra-média, ou para quem fala que Tolkien abandonou essa ideia, mas o legendário continuou sendo &amp;quot;espiritualmente&amp;quot; um mito de criação para a Terra-média, a tal da &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; virou literalmente uma ilha que tá flutuando no espaço, fora do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isso não é prova o suficiente de que Tolkien abandonou esse conceito de o legendário ser um mito de criação pra Inglatera, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso, fato é que o próprio Tolkien deixou claro ainda em vida, 50 anos depois de escrever O Livro dos Contos Perdidos, que isso não era mais aplicável à sua mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que parte de suas inspirações são derivadas de mitos europeus, mas, em uma carta escrita por J.R.R. Tolkien em 08/02/1967, apenas seis anos antes de falecer, na qual ele traz alguns comentários pontuais sobre uma entrevista feita com Charlotte e Denis Plimmer, &#039;&#039;&#039;ele deixa claro que a Terra-média não representava a Europa nórdica (nem setentrional), seja geograficamente ou &amp;quot;espiritualmente&amp;quot;, e que essa não era a sua intenção.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que &#039;&#039;&#039;mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”&#039;&#039;&#039;. Esta é uma palavra antiga, não inventada por mim, como a consulta a um dicionário como o Shorter Oxford mostrará. Significava as terras habitáveis de nosso mundo, situadas no meio do Oceano circundante. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol. Uma simples leitura das sinopses deveria deixar claro que isso não é verdadeiro para minha história. O Norte era a sede das fortalezas do Diabo. O progresso da história termina no que é muito mais parecido com o restabelecimento de um Sacro Império Romano efetivo com sua sede em Roma do que qualquer coisa que seria planejada por um “nórdico”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294) - Grifou-se.}}E, ainda que a Terra-média representasse a &amp;quot;Europa nórdica&amp;quot; como muitos alegam (o que, ressalto, ela não representava), dizer que isso significaria que não existem personagem negros nem sequer faz sentido lógico, pois há diversos personagens humanos que Tolkien descreve como sendo negros (como alguns dos Haradrim). Até mesmo Tom Bombadil é descrito como tendo uma pele &amp;quot;marrom&amp;quot; (que não é negra, mas definitivamente também não é &amp;quot;branca&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que essa seletividade? Uma mitologia (supostamente) &amp;quot;europeia&amp;quot; não pode ter Elfos negros, mas pode ter Homens negros? Qual é a lógica disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien era filólogo e a etimologia de &#039;Elfo&#039; infere a ideia de &#039;branco&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Muito também se tem falado de que a palavra “Elfo” (no original, &#039;&#039;Elf&#039;&#039;) tem origem nos antigos mitos e folclores germânicos e nórdicos e que ela estava intimamente associada à ideia de branco, sendo que o radical nórdico de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, no caso &#039;&#039;alv&#039;&#039;, seria o mesmo radical de palavras como “alpes” ou “albino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, a etimologia de &#039;&#039;Elf&#039;&#039; não é tão simples assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o [https://www.etymonline.com/word/elf#etymonline_v_5730 Online Etymology Dictionary], é &#039;&#039;sugerido&#039;&#039; que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; tenha origem no &#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico, que também teria dado origem a palavras posteriores como o &#039;&#039;alp&#039;&#039; alemão (de onde vem, por exemplo, alpes e albino), mas é importante lembrar o que significa esse * no início de &#039;&#039;albiz&#039;&#039;: essa palavra nunca foi encontrada em qualquer registro escrito e é uma invenção posterior para tentar justificar a relação entre palavras distintas mas semelhantes. Ou seja, não sabemos de fato se &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente têm um antepassado em comum, pois nunca foi encontrado nenhum registro fático nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, ainda que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente tivessem uma mesma origem etimológica (do que, ressalto, não temos prova), isso não implica dizer que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; em si tenha ligação com a cor branca, posto que &amp;quot;Elf&amp;quot; &#039;&#039;precederia&#039;&#039; ao &#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039;alp&#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039; alemão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse&#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico teria originado o &#039;&#039;ylfe&#039;&#039; (saxão ocidental), &#039;&#039;ælf&#039;&#039; (nortúmbrio) e &#039;&#039;elf&#039;&#039; (merciano, kentico) do inglês antigo que significavam algo como &#039;&#039;sprite&#039;&#039;, &#039;&#039;fairy&#039;&#039;, &#039;&#039;goblin&#039;&#039; e &#039;&#039;incubus&#039;&#039;, sendo que todas essas palavras, nos anos 1550, eram usadas figurativamente para representar uma &amp;quot;pessoa malvada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos uma palavra portuguesa que tenha derivado diretamente de &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;sprite&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, mas ela pode ser traduzida basicamente como “espírito”, já que a própria etimologia de “sprite” sugere que ela tenha vindo do latim “spiritus” que, obviamente, também deu origem à palavra “espírito”. Já &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;goblin&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; significava basicamente “um demônio, um íncubo, uma fada feia e malvada ou um espírito”, e aqui a gente já começa a ver muita repetição nas definições dessas palavras. &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Incubus&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, por sua vez, significava basicamente “um demônio ou ser imaginário que causava pesadelos”. Quanto a &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;fairy&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, ela nada mais é do que “fada”, palavra essa que mais se repete na etimologia de todas as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a gente vê que, ao menos originalmente, antes da difusão na cultura popular, Elfo, Fada, Espírito, Gobelim e Íncubo significavam mais ou menos a mesma coisa, sendo que o termo “fairy” (“fada”) é o que mais se repete na etimologia de todas essas palavras. Aliás, o próprio Tolkien diversas vezes usa Elfo e Fada indiscriminadamente, dizendo que eles eram termos mais ou menos equivalentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o Century Dictionary, Elfo e Fada eram basicamente os mesmos seres, sendo apenas que Elfo era geralmente mais jovem e malvado do que uma Fada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à etimologia de Fada em si, a palavra original era, na verdade, “faerie”, que vem do francês antigo e é traduzida aqui no Brasil como Feéria, sendo que Faerie (&amp;quot;Feéria&amp;quot;) era o nome dado especificamente ao reino em que viviam criaturas sobrenaturais ou lendárias. Em outras palavras, Feéria pode ser traduzido como Terra das Fadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o decorrer do tempo, “Fairy” (não Faerie), traduzida aqui no Brasil como “Fada”, passou a ser utilizado, via de consequência, como o nome dessas criaturas sobrenaturais ou lendárias vindas de Feéria, sendo que Fada é atestado, inclusive, como um adjetivo genérico para representar seres heroicos ou lendários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Tolkien, em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas, cita essa questão da origem da palavra Fada (&amp;quot;Fairy&amp;quot;) como significando, na verdade, o reino de Feéria (&amp;quot;Faerie&amp;quot;):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Fada, como um substantivo mais ou menos equivalente a elfo, é uma palavra relativamente moderna […]. A primeira citação no Oxford Dictionary (a única antes de 1450) é significativa. É tirada do poeta Gower: &#039;&#039;&#039;“as he were a faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele fosse uma fada]. Mas isso Gower não disse. Ele escreveu &#039;&#039;&#039;“as he were of faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele tivesse vindo de Feéria].|fonte=[[Árvore e Folha]] (Sobre Estórias de Fadas) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu ensaio &amp;quot;[[Sobre Estórias de Fadas]]&amp;quot;, presente no livro [[Árvore e Folha]], o próprio Tolkien ressalta que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;precede&#039;&#039;&#039; os antigos mitos e folclores germânicos e setentrionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=O ser diminuto, elfo ou fada, é (suspeito), na Inglaterra, em grande parte, um produto sofisticado do devaneio literário.&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;Estou falando de transformações que ocorreram antes do aumento do interesse pelo folclore de outros países. As palavras inglesas, tais como elf [elfo], receberam por muito tempo a influência do francês (língua da qual derivam as palavras fay [fata, fada] e Faërie, fairy [Feéria, fada]); mas, &#039;&#039;&#039;em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, tanto fada quanto elfo adquiriram muito da atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas&#039;&#039;&#039; [...].|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]]) - Grifou-se.}}Nesse sentido, não há como se ter certeza sobre qual o significado original de palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, sendo que o próprio J.R.R. Tolkien aborda em seu ensaio as confusas possíveis origens deste termo, jamais tentando dar-lhe um significado original (apenas a relacionando à palavra Fada) e jamais fazendo qualquer menção à ideia de branco, atentando-se mais para o que define a estórias de fadas e elfos do que para o que define os elfos em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, ainda que houvesse provas de que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; estava intimamente associado à ideia de branco (o que, ressalto, não há), isso, por si só, não significaria que todos os Elfos do legendário da Terra-média eram brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto porque nós não podemos nos esquecer de que, tecnicamente falando, é equivocado chamar essas criaturas criadas por Tolkien de &amp;quot;Elfos&amp;quot;, posto que elas chamavam-se, na verdade, &amp;quot;Quendi&amp;quot;, que são uma invenção original do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Tolkien reconhecer que, embora isso fosse verdade no início, seu legendário tinha deixado de ter uma relação direta com a Inglaterra e, via de consequência, com a Europa setentrional (como vimos no tópico anterior), ele também deixou claro diversas vezes que “Elfo” foi uma palavra pré-existente que ele optou por se utilizar como &#039;&#039;tradução&#039;&#039; de Quendi, e que &#039;&#039;&#039;essas duas palavras – Quendi e Elfos – não eram equivalentes&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Só para esclarecer para quem porventura não saiba, &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; significa “Os Falantes”, e é a palavra &amp;quot;élfica&amp;quot; para se referenciar aos Elfos. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tolkien fala sobre essa questão de “Elfos” ser uma tradução não muito precisa de “Quendi”, por exemplo, lá nos Apêndices de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;&#039;&#039;Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi&#039;&#039;&#039;, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, &#039;&#039;&#039;e Eldar&#039;&#039;&#039;, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal […]. De fato, essa palavra antiga era a única disponível […]. Mas ela minguou, e a muitos pode agora sugerir fantasias delicadas ou tolas, tão diferentes dos Quendi de outrora […].|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso também fica explícito em várias cartas escritas por Tolkien, nas quais ele diz, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E, de qualquer forma, elfo, gnomo, gobelim e anão &#039;&#039;&#039;são apenas traduções aproximadas&#039;&#039;&#039; dos nomes em Élfico Antigo para seres de raças e funções não exatamente iguais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 25) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=O que você pede é O Silmarillion, que é na prática uma história dos Eldalië (&#039;&#039;&#039;ou Elfos, por uma tradução não muito precisa&#039;&#039;&#039;), de sua ascensão até a Última Aliança e a primeira derrubada temporária de Sauron [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 114) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Por trás de minhas histórias há agora um nexo de idiomas (a maioria apenas estruturalmente esboçada). Mas àquelas criaturas que &#039;&#039;&#039;em inglês chamo enganosamente de Elfos&#039;&#039;&#039; são designados dois idiomas relacionados bastante completos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Tenho dificuldade em encontrar nomes ingleses para criaturas mitológicas com outros nomes, uma vez que as pessoas não “aceitariam” uma série de nomes Élficos [como “Quendi” ou “Eldar” para os Elfos, por exemplo], e prefiro que elas aceitem minhas criaturas lendárias mesmo com as &#039;&#039;&#039;falsas associações da “tradução”&#039;&#039;&#039; do que não as aceitem de modo algum.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 156) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, sendo ainda mais específico sobre isso, há uma carta na qual Tolkien fala expressamente que seus “Elfos” (isto é, seus “Quendi”) não guardavam nenhuma relação com os Elfos da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Elfos” é uma tradução, talvez agora não muito adequada, mas originalmente boa o suficiente, de Quendi. Eles são representados como uma raça similar em aparência (e ainda mais no passado distante) aos Homens e, em dias antigos, da mesma estatura. […] Mas suponho que &#039;&#039;&#039;os Quendi nestas histórias sejam de fato muito pouco relacionados aos Elfos e Fadas da Europa&#039;&#039;&#039;; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu diria que eles representam realmente Homens com faculdades estéticas e criativas aprimoradas em grande medida, maior beleza e vida mais longa, e nobreza […].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dito isto, é importante ressaltar que, além de Tolkien ter deixado claro diversas vezes que suas criaturas não eram &amp;quot;Elfos&amp;quot; propriamente ditos, tendo usado este termo apenas como uma tradução de Quendi e Eldar, o autor também disse explicitamente em várias cartas que se arrependeu de ter se utilizado dessa palavra (“Elfo”) por acreditar que ela estava cheia de vícios que eram demais para se superar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Além disso, agora &#039;&#039;&#039;lamento profundamente ter usado Elfos&#039;&#039;&#039;, embora esta seja uma palavra em ancestralidade e significado original suficientemente adequada. A desastrosa depreciação dessa palavra […] realmente a sobrecarregou com tons lamentáveis, que são muitos para se superar. […] Minha dificuldade é de que, uma vez que tentei apresentar uma espécie de legendário e história de uma “época esquecida”, todos os termos específicos estavam em uma língua estrangeira, e &#039;&#039;&#039;não existem equivalentes precisos em inglês&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos nos esquecer de que Tolkien era um filólogo e tinha um vasto conhecimento do vocabulário e da etimologia de diversas línguas, não ficando preso ao convencionado popularmente na sua época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente por esse motivo, Tolkien deixou claro diversas vezes que se arrependeu muito de ter se utilizado não só da palavra &#039;&#039;Elfo&#039;&#039;, como também de palavras como &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, &#039;&#039;Gobelim&#039;&#039; e até &#039;&#039;Anão&#039;&#039; – todas pelo mesmo motivo de que essas palavras estavam viciadas com outros significados na cultura popular e não guardavam uma relação precisa com as criaturas de seu legendário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só pra explicar pra quem porventura não conheça, Gnomos era como Tolkien chamava os Noldor, um dos Três Clãs dos Elfos, lá nas primeiras versões de seu legendário, vide o já citado O Livro dos Contos Perdidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Gobelins significa exatamente o mesmo que Orques, sendo apenas que Gobelim era uma palavra usada mais pelos Hobbits e Orque, mais pelas outras raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, algumas citações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Às vezes (não neste livro) tenho usado &amp;quot;Gnomos&amp;quot; por Noldor e &amp;quot;gnômico&amp;quot; por noldorin. […] Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora &#039;&#039;&#039;abandonei essa representação por demasiado enganosa&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Nenhum resenhista (que eu tenha visto), embora todos tenham usado cuidadosamente a forma correta dwarfs [anões], comentou a respeito do fato (do qual me tornei consciente apenas através das resenhas) de eu usar no decorrer do livro o plural “incorreto” dwarves [anãos]. [...] Talvez seja permitido ao meu dwarf [anão] — uma vez que ele e o Gnomo3 são apenas traduções em equivalentes aproximados de criaturas com diferentes nomes e funções muito diferentes em seu próprio mundo [...]. O verdadeiro plural “histórico” de dwarf (como teeth [dentes] de tooth [dente]) é dwarrows [ananos], de qualquer modo: sem dúvida uma bela palavra, mas um tanto arcaica demais. No entanto, &#039;&#039;&#039;gostaria que eu tivesse usado a palavra dwarrow [anano]&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 17) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua preferência por gobelins a orques envolve um assunto maior e uma questão de gosto, e talvez um pedantismo histórico de minha parte. &#039;&#039;&#039;Pessoalmente prefiro Orques&#039;&#039;&#039; (uma vez que essas criaturas não são “gobelins”, nem mesmo os gobelins de George MacDonald, aos quais se assemelham de certa forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não dá para nós simplesmente jogarmos as preconcepções populares de nossa época (ou até mesmo da época de Tolkien) em cima das criaturas originalmente criadas pelo autor, pois, embora ele tenha se utilizado de nomes comuns a nós, ele deixou claro diversas vezes que esses nomes modernos foram usados apenas como &#039;&#039;traduções aproximadas&#039;&#039; dos nomes de criaturas bem diferentes e, em muitos casos, inclusive se arrependeu de ter usado esses nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a título de exemplo, a palavra &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, que, como eu comentei, era como Tolkien chamava os Noldor, não tem relação nenhuma com as criaturas folclóricas diminutas que estamos tão acostumados e que adentraram na cultura popular através de Paracelso, um escritor suíço que, no século XVI, usou &amp;quot;gnomo&amp;quot; como um sinônimo de “pigmeu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “gnomo” utilizado por Tolkien vem de uma origem muito mais antiga, mais especificamente o “gnōmē” grego, que significava algo como “pensamento” ou “inteligência”, sendo que o próprio Tolkien comenta sobre essa distinção dizendo que, embora seus Gnomos não tivessem nada a ver com os gnomos da cultura popular, sendo apenas aquele clã dos Quendi que mais se distinguiam por seu conhecimento e sua inteligência, ele acabou abandonando essa palavra ao ver que ela estava causando muita confusão desnecessária (&amp;quot;Gnomos&amp;quot; como significando os &amp;quot;Elfos noldorin&amp;quot; chegou a aparecer primeira edição de [[O Hobbit]]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Seja lá o que Paracelso tenha pensado (se é que ele realmente inventou o nome), para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é um ótimo exemplo do porquê de ser tão difícil tentarmos associar as palavras utilizadas por Tolkien, um filólogo, com a noção que nós temos dessas mesmas palavras na cultura popular (seja atualmente seja da época do próprio autor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não há como supormos que os Elfos da Terra-média eram todos brancos simplesmente com base na etimologia da palavra porque&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# a etimologia de &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; é extremamente complexa, conforme ressaltado pelo próprio J.R.R. Tolkien em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas;&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que os seus Elfos tinham pouco, se não nenhuma, relação com os Elfos da Europa, posto que &amp;quot;Elfos&amp;quot; foi usado apenas como uma tradução aproximada de “Quendi” (já que ele temia que as pessoas tivessem aversão a tantos nomes originais), ressaltando que essas duas palavras não eram equivalentes; e&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien disse que se arrependeu de ter se utilizado da palavra “Elfo” como uma tradução de Quendi, já que a cultura popular sugeria fantasias tolas, muito diferentes de suas criaturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adentrarei aqui nos possíveis significados originais de Elfos, pois entendo ser irrelevante para o objetivo deste artigo. Caso seja de seu interesse, eu adentro nessa questão no meu texto sobre os Elfos terem ou não orelhas pontudas: [[Os Elfos de Tolkien Tinham Orelhas Pontudas?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien chamava os Elfos de &#039;Fair Folk&#039; e &#039;fair&#039; significa &#039;branco&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
[TEXTO SENDO REVISADO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Os Elfos eram, em origem, um só povo e, assim, não poderiam ter mais de uma etnia.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
[TEXTO SENDO REVISADO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien nunca mencionou um Elfo de pele negra; se existissem, ele teria mencionado.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, é importante destacar aqui que Tolkien ser descritivo e Tolkien ser redundante são duas coisas totalmente diferentes. Em outras palavras, de fato J.R.R. Tolkien sempre foi muito descritivo com seus textos, em especial em se tratando na natureza de seu mundo, mas ele nunca foi redundante nessas descrições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato há alguns personagens élficos que Tolkien especifica nos livros como tendo pele clara, mas pense comigo: se todos os Elfos fossem brancos, seria necessário Tolkien ser redundante com relação a isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se supostamente já teria sido estabelecido que todos Elfos eram brancos, seja lá com base em qual argumento, qual seria a utilidade de Tolkien dizer especificamente, por exemplo, que os Noldor tinham pele clara? Ou por que Tolkien diria que Maeglin, um Elfo, era branco? Ou por que Tolkien diria que Túrin, um homem branco, podia ser confundido com um dos Noldor em vez de dizer simplesmente que ele podia ser confundido com um Elfo? Nestes três casos, o uso desses complementos por Tolkien me pareceria algo tão redundante e inútil quanto dizer &amp;quot;subir para cima&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se a gente considerar que nem todos os Elfos eram brancos, bem como que o único clã descrito como sendo branco era o clã dos Noldor, Tolkien dizer que Maeglin, um Elfo sindarin, era branco, e que Túrin, por ser branco (e ter outras características &amp;quot;élficas&amp;quot;), podia ser confundido com um dos Noldor, deixa de ser redundante e passa a ser uma descrição totalmente válida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Repito: Tolkien sempre foi muito descritivo, mas ele nunca foi redundante, e não havia utilidade nenhuma para que ele fosse redundante nessas pouquíssimas descrições de personagens élficos como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessa questão da redundância, também não podemos nos esquecer de que a ausência de prova não é prova de ausência. Até podemos dizer que nas versões posteriores de seu legendário Tolkien de fato nunca mencionou &#039;&#039;especificamente&#039;&#039; um Elfo como tendo pele negra, mas isso por si só não é capaz de implicar que eles não existiam (e quem acha que significa precisa estudar um pouco de hermenêutica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Tolkien sempre deixou claro que ele não estava criando essas histórias, mas apenas traduzindo textos por ele encontrados, que teriam sobrevivido a todas essas eras. Sua mentalidade era a de que ele não estava criando, mas sim &amp;quot;descobrindo&amp;quot; essas histórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a ilha de Númenor, por exemplo, Tolkien diz que é muito difícil precisarmos quais eram exatamente a sua cultura e os animais que viviam lá porque pouquíssimos escritos teriam sobrevivido à sua queda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Visto que todas esses assuntos eram estudados pelos homens de saber em Númenor, e muitas histórias naturais e geografias precisas devem ter sido compostas, aparentemente elas, como quase tudo o mais das artes e ciências de Númenor em seu apogeu, desapareceram na queda.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como foi dito, não é fácil descobrir quais eram os animais, aves e peixes que já habitavam a ilha antes da chegada dos Edain, e quais foram trazidos por eles. O mesmo vale para as plantas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa mesma linha, falando sobre o parentesco de personagens, &#039;&#039;&#039;Tolkien deixa claro que não devemos interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência&#039;&#039;&#039; de um filho ou parente para certo personagem, pois os textos élficos e humanos que teriam sobrevivido ao longo das eras costumavam mencionar apenas os personagens mais importantes, omitindo certos aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deve-se recordar, no entanto, ao considerar os registros e as lendas do passado, que estes (em especial os feitos ou transmitidos pelos Homens) muitas vezes mencionam ou nomeiam apenas pessoas que desempenham um papel registrado nos eventos, ou que eram ancestrais diretos de tais atores principais. Portanto, não se pode concluir, apenas a partir do silêncio, quer na narrativa quer na genealogia, que determinada pessoa não tinha filhos, ou não mais do que os mencionados.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento, 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois pontos (Tolkien nunca ter sido redundante e seu silêncio não poder ser interpretado como sinônimo de ausência), por si só, já deveriam ser suficientes para evidenciar que não é só porque Tolkien não falou sobre um personagem que ele necessariamente não existia. Isto é, não é porque Tolkien nunca descreveu um Elfo como tendo pele negra que nenhum existia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, em segundo lugar, é válido mencionar que na primeira versão de seu legendário, quando O Silmarillion ainda era chamado de O Livro dos Contos Perdidos e havia uma associação direta com a Inglaterra, como eu já comentei, Tolkien chegou sim a descrever um Elfo como tendo pele negra - mais especificamente Maeglin (na época chamado de Meglin), que era filho de Aredhel (uma Elfa 75 % noldorin e 25 % vanyarin) e Eöl (um Elfo sindarin).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, o emblema de Meglin era uma Toupeira negra e ele era grande entre os que trabalhavam em pedreiras e um chefe dos que escavava em busca de minério, e muitos desses pertenciam à sua casa. Menos belo era ele do que muitos desse povo bonito, &#039;&#039;&#039;moreno&#039;&#039;&#039; e de ânimo não muito gentil, de modo que lhe tinham pouco amor [...].|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Com ela veio seu filho, Meglin, e ele foi lá recebido por Turgon como filho de sua irmã e, embora tivesse metade de sangue dos Elfos-escuros, foi tratado como um príncipe da linhagem de Fingolfin. &#039;&#039;&#039;Era moreno&#039;&#039;&#039;, mas formoso, sábio e eloquente e sagaz na conquista dos corações e mentes dos homens.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A História Contada no Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como já mencionei anteriormente, Tolkien estabeleceu que os Noldor eram todos brancos, mas Meglin, embora fosse filho da (75 %) Noldo Aredhel, também era filho do Sinda Eöl. O tom de pele dos Sindar ou de Eöl nunca foi mencionado (nem mesmo nas versões anteriores do conto), mas isso deixa a entender que Meglin teria puxado de seu pai Sinda a sua pele escura, posto que Tolkien nunca estabeleceu uma regra quanto ao tom de pele dos Elfos sindarin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, antes que alguém questione o significado de &amp;quot;moreno&amp;quot;, ressalto desde já que a palavra originalmente utilizada por Tolkien foi &amp;quot;swart&amp;quot;, conforme consta ao final do referido livro, no glossário de termos arcaicos e suas traduções para o português (A Queda de Gondolin, p. 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Now the sign of Meglin was a sable Mole, and he was great among quarrymen and a chief of the delvers after ore; and many of these belonged to his house. Less fair was he than most of this goodly folk, &#039;&#039;&#039;swart&#039;&#039;&#039; and of none too kindly mood, so that he won small love [...].|fonte=The Fall of Gondolin (The Original Tale)}}{{Citação em Bloco|trecho=With her came her son Meglin, and he was there received by Turgon as his sister-son, and though he was half of Dark-elven blood he was treated as a prince of Fingolfin’s line. &#039;&#039;&#039;He was swart&#039;&#039;&#039; but comely, wise and eloquent, and cunning to win men’s hearts and minds.|fonte=The Fall of Gondolin (The Story Told in the Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não sabe, &#039;&#039;swart&#039;&#039; (e suas variantes swarty e swarthy) é uma palavra do inglês antigo, datada dos anos 1570, que, [https://www.etymonline.com/word/swart#etymonline_v_22466 segundo o Online Etymology Dictionary], significa &amp;quot;&#039;black, being of a dark hue&#039; [...] in reference to skin color of persons&amp;quot; (&amp;quot;preto, de uma cor escura&#039; [...] em referência à cor da pele de pessoas&amp;quot;). Suas variantes swarty e swarthy significam, [https://www.etymonline.com/word/swarthy#etymonline_v_22467 também segundo o OED], &amp;quot;&#039;dark-colored, tawny,&#039; especially in reference to skin&amp;quot; (&amp;quot;&#039;de cor escura, brozeado,&#039; especialmente com relação à pele&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de curiosidade, swarthy foi a mesma palavra que Tolkien usou para descrever os Haradrim em O Senhor dos Anéis. Os Haradrim, também chamados de Sulistas (Harad = Sul), foram alguns do Homens aliados a Sauron na Guerra do Anel e todos os leitores concordam que eles eram Homens negros - tanto é que muitas pessoas que discordaram da existência de um Elfo negro na série usaram como justificativa de que não tinham problema com personagens negros em si o fato de que não se importariam se tivessem Homens Sulistas negros (em vez de Elfos negros), já que Tolkien teria descrito os Sulistas como negros nos livros (swarthy, no original).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Em A Queda de Gondolin, &#039;&#039;swart&#039;&#039; foi traduzido como o &#039;&#039;moreno&#039;&#039;. Em O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;swarthy&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;tisnados&#039;&#039;.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;It is close on ten leagues hence to the east-shore of Anduin,&#039; said Mablung, &#039;and we seldom come so far afield. But we have a new errand on this journey: we come to ambush the &#039;&#039;&#039;Men of Harad&#039;&#039;&#039;. Curse them!&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;Aye, curse the &#039;&#039;&#039;Southrons&#039;&#039;&#039;!&#039; said Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, eager to see more, went now and joined the guards. He scrambled a little way up into one of the larger of the bay-trees. For a moment he caught a glimpse of &#039;&#039;&#039;swarthy men&#039;&#039;&#039; in red running down the slope some way off with green-clad warriors leaping after them, hewing them down as they fled.|fonte=The Lord of the Rings (The Two Towers, Book IV, 4, Of Herbs and Stewed Rabbit)}}{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;São cerca de dez léguas daqui até a margem leste do Anduin,&amp;quot; disse Mablung, &amp;quot;e raramente chegamos tão longe. Mas temos uma nova missão nesta jornada: viemos emboscar os &#039;&#039;&#039;Homens de Harad&#039;&#039;&#039;. Malditos sejam!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Sim, malditos sejam os &#039;&#039;&#039;Sulistas&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, disse Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, ávido para ver mais, foi se juntar aos guardas. Engatinhou mais para cima, subindo em um dos loureiros maiores. Por um momento teve um vislumbre de &#039;&#039;&#039;homens tisnados&#039;&#039;&#039;, trajados de vermelho, que corriam encosta abaixo a certa distância dali, com guerreiros de verde que saltavam atrás deles, abatendo-os enquanto fugiam.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão sobre racismo nas obras de Tolkien é muito complexa e não vou adentrar aqui (nota-se que Tolkien diz que Meglin era &amp;quot;moreno, mas formoso&amp;quot;). Aos interessados, há excelentes vídeos no YouTube dissecando a evolução pessoal de Tolkien ao longo das décadas, feitos por pessoas que têm muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu (como, por exemplo, [https://www.youtube.com/watch?v=1j5-SPCyZz0 esse vídeo do Clube Literário Tolkieniano de Brasília]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, em O Livro dos Contos Perdidos, que Tolkien começou a escrever em 1917, quando Tolkien tinha seus 25 anos, ele associava muito a cor negra (no geral, não necessariamente associada com a cor da pele) com a ideia de maldade. O famoso &amp;quot;luz vs. escuridão&amp;quot; sendo transposto como &amp;quot;branco vs. negro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de sua vida, conforme ia amadurecendo como pessoa, Tolkien foi deixando essa perspectiva de lado e &amp;quot;corrigindo&amp;quot; seus antigos escritos, retirando essas associações quando podia e passando a utilizar a cor negra também para coisas &amp;quot;boas&amp;quot; e a cor branca também para coisas &amp;quot;ruins&amp;quot;. A título de exemplo, a bandeira de Gondor era negra e isso nunca é mencionado como significando algo ruim, e Saruman, mesmo sendo &amp;quot;o Branco&amp;quot;, se corrompeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na versão mais recente do conto da Queda de Gondolin (vide a presente no Silmarillion como publicado) essa menção a Maeglin, um Elfo vilão, como tendo pele negra foi alterada pelo autor, passando ele a descrever Maeglin como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre essa alteração no tom de pele de Maeglin, é importante salientar que, como você deve ter percebido, na versão primária do conto, quando Meglin tinha pele negro, Tolkien apenas salientou suas diferenças com os Elfos noldorin, enquanto na versão posterior do conto, quando Maeglin passou a ter pele branca, o autor acrescentou a informação de que ele &amp;quot;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto, por si só, corrobora com o já mencionado no primeiro tópico, de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos. Quando Tolkien diz que Túrin, um Homem branco, se parecia com os Elfos, ele não diz simplesmente &amp;quot;Elfos&amp;quot;, mas especifica ele como parecendo com os Elfos &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;. Quando Tolkien altera a pele de Maeglin, de negra para branca, ele acrescenta a informação de que ele se parecia com seus parentes &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizer que Maeglin se assemelhava &amp;quot;em rosto&amp;quot; com sua parentela dos Noldor (isto é, com os parentes de sua mãe) é o mesmo que dizer que ele &#039;&#039;não&#039;&#039; se assemelhava com sua parentela dos Sindar (isto é, com os parentes de seu pai). E nem se diga aqui que, quando disse &amp;quot;em rosto&amp;quot;, Tolkien estava se referindo aos olhos de Maeglin, pois os Noldor foram descritos especificamente como tendo olhos cinzas, enquanto Maeglin é decrito nessa passagem como tendo olhos escuros (embora &amp;quot;luzentes e agudos&amp;quot; como os olhos dos Noldor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os olhos de Maeglin não tinham a mesma cor dos olhos dos Noldor, o que mais poderia significar dizer que ele, &amp;quot;em rosto&amp;quot;, se assemalhava aos seus parentes noldorin? Ao meu ver, a única opção que sobra é a cor de sua pele, evidenciando que somente os noldor eram notórios por serem brancos e dando a entender que, se Eöl, o pai de Maeglin, não fosse negro, ao menos o seu povo, os Sindar, tinham membros negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, ainda que a cor da pele de Maeglin tenha sido alterada na versão posterior do conto, de modo que, a partir desse momento, passamos a não ter nenhum Elfo descrito por Tolkien como tendo pele negra, fato é que a versão antiga trazer ele como um Elfo negro é prova de que, para Tolkien, Elfos de pele negra eram plausíveis e existiam em seu universo, não sendo isso um problema para as leis estabelecidas pelo autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, com relação ao fato de Tolkien supostamente nunca ter descrito um Elfo como sendo negro, nós temos que considerar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ausência de prova não é prova de ausência, de modo que Tolkien nunca ter descrito um Elfo como tendo pele negra é diferente de ele ter dito que Elfos de pele negra não existiam;&lt;br /&gt;
# Tolkien chegou a descrever alguns poucos Elfos como tendo pele branca e, se todos os Elfos fossem brancos, essas passagens automaticamente se tornariam redundantes (algo que Tolkien nunca foi);&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que todas essas histórias se tratavam de &amp;quot;documentos históricos&amp;quot;, de modo que, se um personagem não aparecia nessas histórias, isso não significava que ele não existia, de modo que a gente não deveria interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência;&lt;br /&gt;
# Tolkien já descreveu sim um Elfo como tendo pele negra em seu legendário, mais especificamente Meglin, no conto original da Queda de Gondolin, evidenciando que isso não era um problema;&lt;br /&gt;
# quando Tolkien alterou a pele de Meglin de negra para branca, ele acrescentou a informação de que ele era semelhante &amp;quot;em rosto&amp;quot; aos seus parentes Noldor, o que só pode significar seu tom de pele já que seus olhos eram negros e os Noldor tinham olhos cinzas, o que ressalta o ponto anterior de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Livros como O Livro dos Contos Perdidos ou A Queda de Gondolin foram publicados postumamente, organizados e editados por outras pessoas, de modo que não tem como sabermos se Tolkien realmente escreveu aquilo.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Pô, mas aí você precisa escolher sua batalha. Se livros publicados postumamente são &amp;quot;questionáveis&amp;quot;, então todos eles são questionáveis. Então O Silmarillion é questionável. E, se a gente não pode colocar um Elfo negro numa série porque um livro que cita a presença de um Elfo negro é &amp;quot;questionável&amp;quot;, então apague O Silmarillion da existência porque ele também é questionável e também não tem como confiarmos no que está escrito nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não quer fazer isso, né? Mas, por que então um livro que não cita uma pessoa negra é &amp;quot;confiável&amp;quot; e pode ser seguido à risca em adaptações, mas um livro que cita sim uma pessoa negra é &amp;quot;questionável&amp;quot; e não deve ser seguido? O que te leva a fazer essa seletividade &#039;&#039;tão específica&#039;&#039;?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você precisa se decidir: ou todos os textos póstumos são questionáveis e, assim, a gente apaga O Silmarillion da face da Terra, ou nenhum é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Da síntese e conclusão ==&lt;br /&gt;
Em síntese,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# apenas os Elfos noldorin foram especificados por J.R.R. Tolkien como tendo pele clara, de modo que essa questão foi deixada em aberto com relação aos outros dois clãs élficos (Vanyar e Teleri);&lt;br /&gt;
# sempre que um personagem branco é comparado aos Elfos, ele é comparado especificamente com os Noldor, o que ressalta a ideia de que apenas os Noldor eram notórios por serem brancos;&lt;br /&gt;
# Tolkien deixou claro que a Terra-média não representa a Europa nórdica nem setentrional, seja geográfica ou espiritualmente;&lt;br /&gt;
# não se sabe ao certo o significado original de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, bem como essa palavra adquiriu a atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas apenas em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, conforme o próprio Tolkien deixou claro em seu ensaio &amp;quot;Sobre Estórias de Fadas&amp;quot;, não sendo possível precisar se realmente seria relacionado à ideia de &amp;quot;branco&amp;quot;, como por alguns sustentado;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que &#039;&#039;Elfos&#039;&#039; não era equivalente a &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; (termo utilizado naquele mundo para se referenciar aos Elfos), tendo &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; sido a palavra inglesa mais próxima que ele conseguiu encontrar;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que se arrependeu de usar Elfo como tradução de Quendi, uma vez que, segundo ele, ela estava viciada por outros significados na cultura popular, que não guardavam relação com o seu universo, já que seus Quendi tinham pouca relação com os Elfos e Fadas da Europa;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que o seu silêncio não pode ser interpretado como sinônimo de inexistência, conforme por ele mesmo dito com relação às árvores genealógicas de seu universo;&lt;br /&gt;
# em O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien chegou a citar um Elfo como tendo pele negra, sendo que, mesmo que essa descrição tenha sido deixada de lado mais tarde, isso prova que Elfos negros não eram um problema para as regras de seu universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fica evidente que o único possível desrespeito com relação ao &amp;quot;cânone&amp;quot; estabelecido por J.R.R. Tolkien seria com relação aos Elfos com sangue 100 % noldorin, que o autor especificou como tendo pele clara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a todos os outros grupos dos Elfos (que eram vários e descendiam dos clãs vanyarin e telerin), ou quanto aos Elfos que não tinham sangue 100 % noldorin, não foi estabelecido nenhuma regra, sendo possível que tivessem diferentes tons de pele, como o próprio Maeglin, que era apenas 37,5 % noldorin e no início tinha pele escura, provavelmente herdada de seu pai sinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1150</id>
		<title>Citações Marcantes do Legendário</title>
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		<updated>2025-07-28T14:08:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 28/07/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento dos momentos mais marcantes (ou apenas interessantes) do legendário. Ou seja, não necessariamente têm alguma mensagem sobre a vida ou algo do gênero, sendo apenas, por assim dizer, citações “legais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Hobbit (1937) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Até os bons planos de magos sábios como Gandalf e de bons amigos como Elrond dão errado às vezes, quando você parte para aventuras perigosas do outro lado da Borda do Ermo; e Gandalf era um mago sábio o suficiente para perceber isso.|fonte=[[O Hobbit]] (4. Sobre Monte e Sob Monte)}}{{Citação em Bloco|trecho=Tentou adivinhar da melhor maneira que podia e rastejou adiante por um bom pedaço, até que de repente sua mão topou com o que parecia ser um minúsculo anel de metal frio caído no chão do túnel. Era uma grande virada em sua carreira, mas ele ainda não sabia disso.|fonte=[[O Hobbit]] (5. Adivinhas no Escuro)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Em Eregion, muito tempo atrás, foram feitos muitos anéis-élficos, anéis mágicos, como você os chama, e é claro que eram de vários tipos: alguns mais potentes e outros menos. Os anéis menores eram apenas ensaios do ofício antes que este estivesse maduro, e para os artífices-élficos eles eram meras miudezas — ainda assim, em minha opinião, arriscados para os mortais. Mas os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, esses eram perigosos.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É uma bela história, apesar de triste, como são todas as histórias da Terra-média, e mesmo assim pode lhes dar ânimo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 11. Um Punhal no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Em uma coisa não mudaste, caro amigo,” comentou Aragorn, “ainda falas por enigmas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O quê? Em enigmas?”, disse Gandalf. “Não! Pois estava falando comigo mesmo em voz alta. Um hábito dos velhos: eles escolhem a pessoa mais sábia presente para falar com ela;”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mithrandir nós o chamávamos à moda dos Elfos,” disse Faramir, “e ele se contentava. ‘Muitos são meus nomes em muitos países’, dizia ele. ‘Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anãos; Olórin eu fui na juventude, no Oeste que está esquecido, no Sul, Incánus, no Norte, Gandalf; ao Leste eu não vou.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV, 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Repentinamente o rei deu uma exclamação para Snawmana, e o cavalo partiu em um salto. [...] Parecia destinado à morte, ou a fúria de batalha de seus pais corria em suas veias como fogo novo, e foi carregado por Snawmana como um deus de outrora, como o próprio Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto, e eis! brilhava como uma imagem do Sol, e a relva se inflamava de verde em torno dos alvos pés de sua montaria. Pois a manhã estava chegando, a manhã e um vento do mar; e a escuridão foi removida, e as hostes de Mordor pranteavam, e o terror se apossou deles, e fugiram, e morreram, e os cascos da ira passaram sobre eles.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 5. A Cavalgada dos Rohirrim)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Vou chegar lá nem que deixe para trás tudo exceto meus ossos”, disse Sam. “E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo lá para cima, nem que quebre minhas costas e meu coração. Então pare de discutir!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Venha, Sr. Frodo!”, exclamou ele. “Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor e ele também. Então levante-se! Vamos lá, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. Só diga a ele aonde ir e ele irá.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com Frodo agarrado às costas, [...] para seu espanto, achou leve o fardo. Ele receara mal ter força para erguer seu patrão sozinho e, além disso, imaginara que compartilharia o terrível peso de arrasto do maldito Anel. Mas não foi assim. Fosse porque Frodo estava tão desgastado por suas longas dores, pela ferida do punhal e pela picada venenosa, e pelo pesar, medo e andança sem lar, ou seja porque lhe fora dado algum dom de força final, Sam ergueu Frodo sem maior dificuldade do que quem carrega uma criança hobbit no cangote [...]. Inspirou fundo e partiu.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sus! senhores e cavaleiros e homens de valor indômito, reis e príncipes, e bela gente de Gondor, e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de Elrond, e Dúnedain do Norte, e Elfo e Anão, e intrépidos do Condado, e todo o povo livre do Oeste, escutai agora a minha balada. Pois vos cantarei de Frodo dos Nove Dedos e do Anel da Perdição.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali terminava a caligrafia de Bilbo, e Frodo escrevera:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A QUEDA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SENHOR DOS ANÉIS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E O&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RETORNO DO REI&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[...] “Ora, o senhor quase o terminou, Sr. Frodo!”, exclamou Sam. “Bem, preciso dizer que se esforçou.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Já terminei, Sam”, disse Frodo. “As últimas páginas são para você.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Então o Rei-bruxo riu-se, e ninguém que o ouviu jamais esqueceu o horror daquele grito. Mas, nesse momento, veio cavalgando Glorfindel em sua montaria branca, e, no meio de seu riso, o Rei-bruxo voltou-se em fuga e passou para as sombras. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Com isso Eärnur cavalgou de volta, mas Glorfindel, observando a escuridão crescente, disse: ‘Não o persigas! Ele não voltará a esta terra. Ainda está muito longe a sua sina e não cairá pela mão de um homem.’ Estas palavras foram lembradas por muitos; mas Eärnur ficou irado, desejando apenas vingar-se pela sua desgraça.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; I. Os Reis Númenóreanos)}}{{Citação em Bloco|trecho=O poder de Moria perdurou através dos Anos Sombrios e o domínio de Sauron, pois, apesar de Eregion estar destruída e estarem fechados os portões de Moria, os salões de Khazad-dûm eram demasiado fundos e fortes e repletos de um povo demasiado numeroso e valente para que Sauron os conquistasse do exterior.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; III. O Povo de Durin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mesmo assim eles habitavam, então, no Reino de Arda, e esse era não mais que um pequeno domínio nos salões de Eä, cuja vida é o Tempo, que flui sempre da primeira nota ao último acorde de Eru.|fonte=[[O Silmarillion]] (Quenta Silmarillion; 8. Do Obscurecer de Valinor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Então Fingolfin contemplou (como lhe parecia) a completa ruína dos Noldor [...]; e, cheio de ira e desespero, montou Rochallor, seu grande corcel, e partiu sozinho, e ninguém pôde impedi-lo. [...] e todos os que contemplavam seu avanço fugiam em assombro, pensando que o próprio Oromë chegara: pois uma grande loucura de fúria estava sobre ele, de modo que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim ele chegou sozinho aos portões de Angband, e soou sua trompa, e golpeou, mais uma vez, as portas brônzeas, e desafiou Morgoth a vir para fora para combate singular. E Morgoth veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Por fim, tão desesperado era o caso de Barahir, que Emeldir do Coração-de-homem, sua esposa (cuja intenção era antes lutar ao lado de seu filho e seu marido do que fugir), reuniu todas as mulheres e crianças que tinham restado e deu armas àquelas que queriam usá-las; e as levou para as montanhas atrás de Dorthonion e por caminhos perigosos, até que chegaram enfim, com perdas e sofrimento, a Brethil.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Vazias e silenciosas estavam todas as terras em volta quando o Rei do Mar marchou sobre a Terra-média. Por sete dias viajou com bandeira e trombeta, e chegou a um monte, e o subiu, e dispôs ali seu pavilhão e seu trono; e se sentou em meio à terra, e as tendas de sua hoste estavam todas arranjadas à sua volta, azuis, douradas e brancas, como um campo de altas flores. Então enviou arautos e mandou que Sauron viesse diante dele e lhe jurasse fidelidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Sauron veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora. Por azar, ou por um acaso feliz, o Anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Um grande fardo fora removido. [...] Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra-média.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; I. O Desastre dos Campos de Lis)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] seus jovens e velhos eram ajudados pelas mulheres mais moças, que naquele povo também eram treinadas em armas e lutavam ferozmente em defesa de seus lares e filhos.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (i) Os Nortistas e os Carroceiros)}}{{Citação em Bloco|trecho=Eorl exigiu que o cavalo renunciasse à sua liberdade até o fim da vida, como compensação por seu pai; e Felaróf submeteu-se, apesar de não permitir que nenhum homem, exceto Eorl, o montasse. Compreendia tudo o que diziam os homens e teve vida longa como eles, assim como seus descendentes, os mearas, “que não levavam senão o Rei da Marca ou seus filhos até o tempo de Scadufax”.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (ii) A Cavalgada de Eorl)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘Tu estás armando alguma das tuas, Mestre Gandalf. Tenho certeza de que tu tens outros propósitos além de me ajudar.’&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“‘Tu tens toda a razão’, concordei eu. ‘Se eu não tivesse outros propósitos, nem te estaria ajudando. Por muito que teus negócios te possam parecer importantes, eles são apenas um pequeno fio na grande teia. Eu me ocupo de muitos fios.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Há uma coisa que preciso fazer um dia destes; preciso visitar esse teu Condado. Não para ver mais Hobbits! Duvido que possa aprender algo sobre eles que eu já não saiba. Mas nenhum Anão da Casa de Durin pode deixar de olhar aquela terra com assombro. Não começou lá a recuperação do Reino sob a Montanha e a queda de Smaug? Sem mencionar o fim de Barad-dûr, apesar de que ambos estavam estranhamente enredados. Estranho, muito estranho”, comentou, e fez uma pausa.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não, imaginei que ele [Bilbo] queria permanecer “solteiro” por alguma razão bem profunda, que ele mesmo não compreendia ou não queria reconhecer, pois ela o alarmava. Queria, mesmo assim, ser livre para partir quando surgisse a oportunidade ou quando ele tivesse reunido coragem.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Quando assuntos de peso estão em debate, Mithrandir, espanta-me um pouco que tu te divirtas com teus brinquedos de fogo e fumaça, enquanto outros debatem a sério.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Gandalf riu e respondeu: “Não te espantarias se tu mesmo usasses esta erva. Descobririas que a fumaça soprada limpa sua mente das sombras interiores. Seja como for, ela confere paciência, para escutar os desacertos sem se enraivecer. Mas não é um dos meus brinquedos. É uma arte do Povo Pequeno lá no Oeste: gente alegre e valorosa, apesar de ter pouca importância, quem sabe, nas tuas altas políticas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; IV. A Caçada ao Anel; (iii) Acerca de Gandalf, de Saruman e do Condado)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 1 (1983) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas isso é através dele, e não por ele; e ele verá, e vós todos também, e mesmo esses seres que devem agora morar em meio ao seu mal e, por causa de Melko, tolerar tormento e pesar, terror e perversidade, que isso redunda, no fim, apenas para minha grande glória, e não faz senão tornar o tema mais digno de ser ouvido, a Vida mais digna de ser vivida, e o Mundo tão mais formidável e maravilhoso que, de todos os feitos de Ilúvatar, este será julgado seu mais poderoso e mais belo.’|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}{{Citação em Bloco|trecho=A neve é de tal beleza que ultrapassa meus mais secretos pensamentos e, se há pouca música nela, a chuva, por outro lado, é realmente bela e tem uma música que enche meu coração, e alegro-me que meus ouvidos a encontraram, ainda que sua tristeza esteja entre as mais tristes de todas as coisas.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 2 (1984) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] há muito tempo se diz entre os Homens que todos os que provassem do coração de um dragão conheceriam todas as línguas de Deuses ou Homens, de aves ou feras, e seus ouvidos captariam os sussurros dos Valar ou de Melko tal como jamais tinham ouvido antes.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 2]] (2. Turambar e o Foalókë)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=De fato, em extrema necessidade ou defesa desesperada, as nissi [mulheres] lutavam valentemente, e havia menos diferença em força e velocidade entre homens-élficos e mulheres-élficas que ainda não tinham dado à luz criança do que se vê entre mortais. Por outro lado, muitos homens-élficos eram grandes curandeiros e hábeis no saber dos corpos viventes, embora tais homens se abstivessem de caçar e só fossem à guerra se houvesse máxima necessidade.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar)}}{{Citação em Bloco|trecho=Outros [Valar] havia, incontáveis para o nosso pensamento, embora conhecidos uns dos outros e enumerados na mente de Ilúvatar, cujo labor se dava alhures e em outras regiões e histórias do Grande Conto, em meio a remotas estrelas e mundos além do alcance do mais longínquo pensamento. Mas desses outros nada sabemos e não temos como saber, embora os Valar de Arda, talvez, recordem a todos eles.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Cinco: Mitos Transformados; II)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Guerra das Joias (1994) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Então falou Mandos em profecia, quando os Deuses sentaram-se em julgamento em Valinor, e o rumor de suas palavras foram sussurradas entre todos os Elfos do Oeste. Quando o mundo for velho e os Poderes enfraquecerem, então Morgoth, vendo que a guarda fraquejou, voltará pela Porta da Noite do Vazio Atemporal; e destruirá o Sol e a lua. Mas Eärendil descerá sobre ele como uma chama branca e flamejante e o derrubará dos ares. Então a Última Batalha ocorrerá nos campos de Valinor. Nesse dia Tulkas lutará com Morgoth, e em sua mão direita estará Eönwë, e em sua esquerda Túrin Turambar, filho de Húrin, voltando do Destino dos Homens no fim do mundo; e a espada negra de Túrin dará a Morgoth sua morte e fim definitivo; e assim os filhos de Húrin e todos os Homens serão vingados.|fonte=[[A Guerra das Joias]] (Os Últimos Capítulos do Quenta Silmarillion; A Segunda Profecia de Mandos) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em sua casa sobre as muralhas Idril se veste com cota de malha e busca Eärendel. [...] Idril lutara, sozinha como estava, feito uma tigresa, apesar de toda a sua formosura e pequenez.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Por outro lado, o ato da procriação [dos Elfos], sendo ato de vontade e desejo partilhado e deveras controlado pelo fëa [“espírito”], realizava-se com a presteza de outros atos conscientes e voluntários de deleite ou de feitura. Era um dos atos de principal deleite, em processo e memória, em uma vida élfica, mas sua importância derivava apenas de sua intensidade, não do tempo ou da duração: não podia ser suportado por grande espaço de tempo sem desastroso “gasto”.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento; 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1149</id>
		<title>Citações Marcantes do Legendário</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1149"/>
		<updated>2025-07-28T14:03:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 28/07/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento dos momentos mais marcantes (ou apenas interessantes) do legendário. Ou seja, não necessariamente têm alguma mensagem sobre a vida ou algo do gênero, sendo apenas, por assim dizer, citações “legais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Hobbit (1937) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Até os bons planos de magos sábios como Gandalf e de bons amigos como Elrond dão errado às vezes, quando você parte para aventuras perigosas do outro lado da Borda do Ermo; e Gandalf era um mago sábio o suficiente para perceber isso.|fonte=[[O Hobbit]] (4. Sobre Monte e Sob Monte)}}{{Citação em Bloco|trecho=Tentou adivinhar da melhor maneira que podia e rastejou adiante por um bom pedaço, até que de repente sua mão topou com o que parecia ser um minúsculo anel de metal frio caído no chão do túnel. Era uma grande virada em sua carreira, mas ele ainda não sabia disso.|fonte=[[O Hobbit]] (5. Adivinhas no Escuro)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Em Eregion, muito tempo atrás, foram feitos muitos anéis-élficos, anéis mágicos, como você os chama, e é claro que eram de vários tipos: alguns mais potentes e outros menos. Os anéis menores eram apenas ensaios do ofício antes que este estivesse maduro, e para os artífices-élficos eles eram meras miudezas — ainda assim, em minha opinião, arriscados para os mortais. Mas os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, esses eram perigosos.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É uma bela história, apesar de triste, como são todas as histórias da Terra-média, e mesmo assim pode lhes dar ânimo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 11. Um Punhal no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Em uma coisa não mudaste, caro amigo,” comentou Aragorn, “ainda falas por enigmas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O quê? Em enigmas?”, disse Gandalf. “Não! Pois estava falando comigo mesmo em voz alta. Um hábito dos velhos: eles escolhem a pessoa mais sábia presente para falar com ela;”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mithrandir nós o chamávamos à moda dos Elfos,” disse Faramir, “e ele se contentava. ‘Muitos são meus nomes em muitos países’, dizia ele. ‘Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anãos; Olórin eu fui na juventude, no Oeste que está esquecido, no Sul, Incánus, no Norte, Gandalf; ao Leste eu não vou.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV, 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Repentinamente o rei deu uma exclamação para Snawmana, e o cavalo partiu em um salto. [...] Parecia destinado à morte, ou a fúria de batalha de seus pais corria em suas veias como fogo novo, e foi carregado por Snawmana como um deus de outrora, como o próprio Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto, e eis! brilhava como uma imagem do Sol, e a relva se inflamava de verde em torno dos alvos pés de sua montaria. Pois a manhã estava chegando, a manhã e um vento do mar; e a escuridão foi removida, e as hostes de Mordor pranteavam, e o terror se apossou deles, e fugiram, e morreram, e os cascos da ira passaram sobre eles.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 5. A Cavalgada dos Rohirrim)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Vou chegar lá nem que deixe para trás tudo exceto meus ossos”, disse Sam. “E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo lá para cima, nem que quebre minhas costas e meu coração. Então pare de discutir!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Venha, Sr. Frodo!”, exclamou ele. “Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor e ele também. Então levante-se! Vamos lá, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. Só diga a ele aonde ir e ele irá.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com Frodo agarrado às costas, [...] para seu espanto, achou leve o fardo. Ele receara mal ter força para erguer seu patrão sozinho e, além disso, imaginara que compartilharia o terrível peso de arrasto do maldito Anel. Mas não foi assim. Fosse porque Frodo estava tão desgastado por suas longas dores, pela ferida do punhal e pela picada venenosa, e pelo pesar, medo e andança sem lar, ou seja porque lhe fora dado algum dom de força final, Sam ergueu Frodo sem maior dificuldade do que quem carrega uma criança hobbit no cangote [...]. Inspirou fundo e partiu.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sus! senhores e cavaleiros e homens de valor indômito, reis e príncipes, e bela gente de Gondor, e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de Elrond, e Dúnedain do Norte, e Elfo e Anão, e intrépidos do Condado, e todo o povo livre do Oeste, escutai agora a minha balada. Pois vos cantarei de Frodo dos Nove Dedos e do Anel da Perdição.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali terminava a caligrafia de Bilbo, e Frodo escrevera:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A QUEDA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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SENHOR DOS ANÉIS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E O&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RETORNO DO REI&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[...] “Ora, o senhor quase o terminou, Sr. Frodo!”, exclamou Sam. “Bem, preciso dizer que se esforçou.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Já terminei, Sam”, disse Frodo. “As últimas páginas são para você.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Então o Rei-bruxo riu-se, e ninguém que o ouviu jamais esqueceu o horror daquele grito. Mas, nesse momento, veio cavalgando Glorfindel em sua montaria branca, e, no meio de seu riso, o Rei-bruxo voltou-se em fuga e passou para as sombras. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Com isso Eärnur cavalgou de volta, mas Glorfindel, observando a escuridão crescente, disse: ‘Não o persigas! Ele não voltará a esta terra. Ainda está muito longe a sua sina e não cairá pela mão de um homem.’ Estas palavras foram lembradas por muitos; mas Eärnur ficou irado, desejando apenas vingar-se pela sua desgraça.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; I. Os Reis Númenóreanos)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mesmo assim eles habitavam, então, no Reino de Arda, e esse era não mais que um pequeno domínio nos salões de Eä, cuja vida é o Tempo, que flui sempre da primeira nota ao último acorde de Eru.|fonte=[[O Silmarillion]] (Quenta Silmarillion; 8. Do Obscurecer de Valinor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Então Fingolfin contemplou (como lhe parecia) a completa ruína dos Noldor [...]; e, cheio de ira e desespero, montou Rochallor, seu grande corcel, e partiu sozinho, e ninguém pôde impedi-lo. [...] e todos os que contemplavam seu avanço fugiam em assombro, pensando que o próprio Oromë chegara: pois uma grande loucura de fúria estava sobre ele, de modo que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim ele chegou sozinho aos portões de Angband, e soou sua trompa, e golpeou, mais uma vez, as portas brônzeas, e desafiou Morgoth a vir para fora para combate singular. E Morgoth veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Por fim, tão desesperado era o caso de Barahir, que Emeldir do Coração-de-homem, sua esposa (cuja intenção era antes lutar ao lado de seu filho e seu marido do que fugir), reuniu todas as mulheres e crianças que tinham restado e deu armas àquelas que queriam usá-las; e as levou para as montanhas atrás de Dorthonion e por caminhos perigosos, até que chegaram enfim, com perdas e sofrimento, a Brethil.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Vazias e silenciosas estavam todas as terras em volta quando o Rei do Mar marchou sobre a Terra-média. Por sete dias viajou com bandeira e trombeta, e chegou a um monte, e o subiu, e dispôs ali seu pavilhão e seu trono; e se sentou em meio à terra, e as tendas de sua hoste estavam todas arranjadas à sua volta, azuis, douradas e brancas, como um campo de altas flores. Então enviou arautos e mandou que Sauron viesse diante dele e lhe jurasse fidelidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Sauron veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora. Por azar, ou por um acaso feliz, o Anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Um grande fardo fora removido. [...] Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra-média.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; I. O Desastre dos Campos de Lis)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] seus jovens e velhos eram ajudados pelas mulheres mais moças, que naquele povo também eram treinadas em armas e lutavam ferozmente em defesa de seus lares e filhos.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (i) Os Nortistas e os Carroceiros)}}{{Citação em Bloco|trecho=Eorl exigiu que o cavalo renunciasse à sua liberdade até o fim da vida, como compensação por seu pai; e Felaróf submeteu-se, apesar de não permitir que nenhum homem, exceto Eorl, o montasse. Compreendia tudo o que diziam os homens e teve vida longa como eles, assim como seus descendentes, os mearas, “que não levavam senão o Rei da Marca ou seus filhos até o tempo de Scadufax”.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (ii) A Cavalgada de Eorl)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘Tu estás armando alguma das tuas, Mestre Gandalf. Tenho certeza de que tu tens outros propósitos além de me ajudar.’&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“‘Tu tens toda a razão’, concordei eu. ‘Se eu não tivesse outros propósitos, nem te estaria ajudando. Por muito que teus negócios te possam parecer importantes, eles são apenas um pequeno fio na grande teia. Eu me ocupo de muitos fios.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Há uma coisa que preciso fazer um dia destes; preciso visitar esse teu Condado. Não para ver mais Hobbits! Duvido que possa aprender algo sobre eles que eu já não saiba. Mas nenhum Anão da Casa de Durin pode deixar de olhar aquela terra com assombro. Não começou lá a recuperação do Reino sob a Montanha e a queda de Smaug? Sem mencionar o fim de Barad-dûr, apesar de que ambos estavam estranhamente enredados. Estranho, muito estranho”, comentou, e fez uma pausa.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não, imaginei que ele [Bilbo] queria permanecer “solteiro” por alguma razão bem profunda, que ele mesmo não compreendia ou não queria reconhecer, pois ela o alarmava. Queria, mesmo assim, ser livre para partir quando surgisse a oportunidade ou quando ele tivesse reunido coragem.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Quando assuntos de peso estão em debate, Mithrandir, espanta-me um pouco que tu te divirtas com teus brinquedos de fogo e fumaça, enquanto outros debatem a sério.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Gandalf riu e respondeu: “Não te espantarias se tu mesmo usasses esta erva. Descobririas que a fumaça soprada limpa sua mente das sombras interiores. Seja como for, ela confere paciência, para escutar os desacertos sem se enraivecer. Mas não é um dos meus brinquedos. É uma arte do Povo Pequeno lá no Oeste: gente alegre e valorosa, apesar de ter pouca importância, quem sabe, nas tuas altas políticas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; IV. A Caçada ao Anel; (iii) Acerca de Gandalf, de Saruman e do Condado)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 1 (1983) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas isso é através dele, e não por ele; e ele verá, e vós todos também, e mesmo esses seres que devem agora morar em meio ao seu mal e, por causa de Melko, tolerar tormento e pesar, terror e perversidade, que isso redunda, no fim, apenas para minha grande glória, e não faz senão tornar o tema mais digno de ser ouvido, a Vida mais digna de ser vivida, e o Mundo tão mais formidável e maravilhoso que, de todos os feitos de Ilúvatar, este será julgado seu mais poderoso e mais belo.’|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}{{Citação em Bloco|trecho=A neve é de tal beleza que ultrapassa meus mais secretos pensamentos e, se há pouca música nela, a chuva, por outro lado, é realmente bela e tem uma música que enche meu coração, e alegro-me que meus ouvidos a encontraram, ainda que sua tristeza esteja entre as mais tristes de todas as coisas.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 2 (1984) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] há muito tempo se diz entre os Homens que todos os que provassem do coração de um dragão conheceriam todas as línguas de Deuses ou Homens, de aves ou feras, e seus ouvidos captariam os sussurros dos Valar ou de Melko tal como jamais tinham ouvido antes.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 2]] (2. Turambar e o Foalókë)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=De fato, em extrema necessidade ou defesa desesperada, as nissi [mulheres] lutavam valentemente, e havia menos diferença em força e velocidade entre homens-élficos e mulheres-élficas que ainda não tinham dado à luz criança do que se vê entre mortais. Por outro lado, muitos homens-élficos eram grandes curandeiros e hábeis no saber dos corpos viventes, embora tais homens se abstivessem de caçar e só fossem à guerra se houvesse máxima necessidade.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar)}}{{Citação em Bloco|trecho=Outros [Valar] havia, incontáveis para o nosso pensamento, embora conhecidos uns dos outros e enumerados na mente de Ilúvatar, cujo labor se dava alhures e em outras regiões e histórias do Grande Conto, em meio a remotas estrelas e mundos além do alcance do mais longínquo pensamento. Mas desses outros nada sabemos e não temos como saber, embora os Valar de Arda, talvez, recordem a todos eles.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Cinco: Mitos Transformados; II)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Guerra das Joias (1994) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Então falou Mandos em profecia, quando os Deuses sentaram-se em julgamento em Valinor, e o rumor de suas palavras foram sussurradas entre todos os Elfos do Oeste. Quando o mundo for velho e os Poderes enfraquecerem, então Morgoth, vendo que a guarda fraquejou, voltará pela Porta da Noite do Vazio Atemporal; e destruirá o Sol e a lua. Mas Eärendil descerá sobre ele como uma chama branca e flamejante e o derrubará dos ares. Então a Última Batalha ocorrerá nos campos de Valinor. Nesse dia Tulkas lutará com Morgoth, e em sua mão direita estará Eönwë, e em sua esquerda Túrin Turambar, filho de Húrin, voltando do Destino dos Homens no fim do mundo; e a espada negra de Túrin dará a Morgoth sua morte e fim definitivo; e assim os filhos de Húrin e todos os Homens serão vingados.|fonte=[[A Guerra das Joias]] (Os Últimos Capítulos do Quenta Silmarillion; A Segunda Profecia de Mandos) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em sua casa sobre as muralhas Idril se veste com cota de malha e busca Eärendel. [...] Idril lutara, sozinha como estava, feito uma tigresa, apesar de toda a sua formosura e pequenez.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Por outro lado, o ato da procriação [dos Elfos], sendo ato de vontade e desejo partilhado e deveras controlado pelo fëa [“espírito”], realizava-se com a presteza de outros atos conscientes e voluntários de deleite ou de feitura. Era um dos atos de principal deleite, em processo e memória, em uma vida élfica, mas sua importância derivava apenas de sua intensidade, não do tempo ou da duração: não podia ser suportado por grande espaço de tempo sem desastroso “gasto”.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento; 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Homens&amp;diff=1148</id>
		<title>Homens</title>
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		<updated>2025-07-15T15:13:43Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Origem ===&lt;br /&gt;
Os Homens despertaram em [[Hildórien]], no extremo leste da [[Terra-média]], ao final da [[Primeira Era]], no ano 1 dos [[Anos do Sol]], próximo de [[Cuiviénen]], onde os próprios [[Elfos]] haviam despertado milênios antes, no primeiro [[löa]] da Primeira Era.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antes de sua jornada a Oeste ===&lt;br /&gt;
Antes de primeiro se aventurarem para o Oeste, os Homens já tinham desenvolvido conhecimentos sobre metais e a arte da forja&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]] (autor). [[Christopher Tolkien]] (editor). &#039;&#039;&#039;[[Contos Inacabados]]&#039;&#039;&#039; (Quarta Parte; I. Os Drúedain)&amp;lt;/ref&amp;gt;, adquiridos, de acordo com suas lendas, dos Anãos&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]] (autor). [[Christopher Tolkien]] (editor). &#039;&#039;&#039;[[Contos Inacabados]]&#039;&#039;&#039; (Quarta Parte; I. Os Drúedain; Notas; 10)&amp;lt;/ref&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=%C3%89owyn&amp;diff=1147</id>
		<title>Éowyn</title>
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		<updated>2025-07-15T15:10:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Infobox Personagens|nome=Éowyn|povo=Rohirrim|imagem=[[File:Matthew Stewart - Eowyn Before the Doors of Meduseld.jpg|250px]]|legendaimagem=&amp;quot;Éowyn diante das Portas de Meduseld&amp;quot;, por Matthew Stewart|pronuncia=ÊU-uín|outrosnomes=Dernhelm, donzela-do-escudo|raça=[[Homens]]|local=[[Gondor]], [[Ithilien]]|idiomas=[[Rohanês]], [[Westron]]|nascimento=[[T.E. 2995]]|notavelpor=Dar o golpe final no [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]]|casa=[[Casa de Eorl]]|filiacao=[[Éomund]] e [[Théodwyn]]|irmaos=[[Éomer]]|conjuge=[[Faramir]]|filhos=[[Elboron]]|genero=Feminino|cabelos=Dourados|olhos=Cinzas|armas=Espada|montaria=[[Windfola]]}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“O que temes, senhora?”, perguntou ele.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Uma gaiola”, disse ela. “Ficar atrás das barras até que o costume e a velhice as aceitem e que toda oportunidade de fazer grandes feitos tiver-se ido além da recordação ou do desejo.”&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;- O Senhor dos Anéis (O Retorno do Rei; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Éowyn&#039;&#039;&#039; era uma mulher da [[Casa de Eorl]], de [[Rohan]], notória por matar o [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]] durante a [[Guerra do Anel]]. Ela era filha de [[Théodwyn]] e [[Éomund]], mas, após o falecimento precoce de seus pais, Éowyn foi criada por seu tio [[Théoden]], então Rei de Rohan.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Guerra do Anel, Éowyn se casou com [[Faramir]], com quem teve um filho chamado [[Elboron]].&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia, outros nomes e tradução ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Índice remissivo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Éowyn ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Dernhelm ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Éowyn</title>
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		<updated>2025-07-15T15:03:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Infobox Personagens|nome=Éowyn|povo=Rohirrim|imagem=[[File:Matthew Stewart - Eowyn Before the Doors of Meduseld.jpg|250px]]|legendaimagem=&amp;quot;Éowyn diante das Portas de Meduseld&amp;quot;, por Matthew Stewart|pronuncia=ÊU-uín|outrosnomes=Dernhelm|raça=[[Homens]]|local=[[Gondor]], [[Ithilien]]|idiomas=[[Rohanês]], [[Westron]]|nascimento=[[T.E. 2995]]|notavelpor=Dar o golpe final no [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]]|casa=[[Casa de Eorl]]|filiacao=[[Éomund]] e [[Théodwyn]]|irmaos=[[Éomer]]|conjuge=[[Faramir]]|filhos=[[Elboron]]|genero=Feminino|cabelos=Dourados|olhos=Cinzas|armas=Espada|montaria=[[Windfola]]}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“O que temes, senhora?”, perguntou ele.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Uma gaiola”, disse ela. “Ficar atrás das barras até que o costume e a velhice as aceitem e que toda oportunidade de fazer grandes feitos tiver-se ido além da recordação ou do desejo.”&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;- O Senhor dos Anéis (O Retorno do Rei; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Éowyn&#039;&#039;&#039; era uma mulher da [[Casa de Eorl]], de [[Rohan]], notória por matar o [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]] durante a [[Guerra do Anel]]. Ela era filha de [[Théodwyn]] e [[Éomund]], mas, após o falecimento precoce de seus pais, Éowyn foi criada por seu tio [[Théoden]], então Rei de Rohan.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Guerra do Anel, Éowyn se casou com [[Faramir]], com quem teve um filho chamado [[Elboron]].&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia, outros nomes e tradução ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Índice remissivo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Éowyn ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Dernhelm ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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		<updated>2025-07-15T15:03:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Infobox Personagens|nome=Éowyn|povo=Rohirrim|imagem=[[File:Matthew Stewart - Eowyn Before the Doors of Meduseld.jpg|250px]]|legendaimagem=&amp;quot;Éowyn diante das Portas de Meduseld&amp;quot;, por Matthew Stewart|pronuncia=ÊU-uín|outrosnomes=Dernhelm|raça=[[Homens]]|local=[[Gondor]], [[Ithilien]]|idiomas=[[Rohanês]], [[Westron]]|nascimento=[[T.E. 2995]]|notavelpor=Dar o golpe final no [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]]|casa=[[Casa de Eorl]]|filiacao=[[Éomund]] e [[Théodwyn]]|irmaos=[[Éomer]]|conjuge=[[Faramir]]|filhos=[[Elboron]]|genero=Feminino|cabelos=Dourados|olhos=Cinzas|armas=Espada|montaria=[[Windfola]]}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“O que temes, senhora?”, perguntou ele.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Uma gaiola”, disse ela. “Ficar atrás das barras até que o costume e a velhice as aceitem e que toda oportunidade de fazer grandes feitos tiver-se ido além da recordação ou do desejo.”&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;- O Senhor dos Anéis (O Retorno do Rei; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Éowyn&#039;&#039;&#039; era uma mulher da [[Casa de Eorl]], de [[Rohan]], notória por matar o [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]] durante a [[Guerra do Anel]]. Ela era filha de [[Théodwyn]] e [[Éomund]], mas, após o falecimento precoce de seus pais, Éowyn foi criada por seu tio [[Théoden]], então Rei de Rohan.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Guerra do Anel, Éowyn se casou com [[Faramir]], com quem teve um filho chamado [[Elboron]].&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia, outros nomes e tradução ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Índice remissivo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Éowyn ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Dernhelm ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Infobox Personagens|nome=Éowyn|povo=Rohirrim|imagem=[[File:Matthew Stewart - Eowyn Before the Doors of Meduseld.jpg|250px]]|legendaimagem=&amp;quot;Éowyn diante das Portas de Meduseld&amp;quot;, por Matthew Stewart|pronuncia=ÊU-uín|outrosnomes=Dernhelm|raça=[[Homens]]|local=[[Gondor]], [[Ithilien]]|idiomas=[[Rohanês]], [[Westron]]|nascimento=[[T.E. 2995]]|notavelpor=Dar o golpe final no [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]]|casa=[[Casa de Eorl]]|filiacao=[[Éomund]] e [[Théodwyn]]|irmaos=[[Éomer]]|conjuge=[[Faramir]]|filhos=[[Elboron]]|genero=Feminino|cabelos=Dourados|olhos=Cinzas|armas=Espada|montaria=[[Windfola]]}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“O que temes, senhora?”, perguntou ele.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Uma gaiola”, disse ela. “Ficar atrás das barras até que o costume e a velhice as aceitem e que toda oportunidade de fazer grandes feitos tiver-se ido além da recordação ou do desejo.”&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;- O Senhor dos Anéis (O Retorno do Rei; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Éowyn&#039;&#039;&#039; era uma mulher da [[Casa de Eorl]], de [[Rohan]], notória por matar o [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]] durante a [[Guerra do Anel]]. Ela era filha de [[Théodwyn]] e [[Éomund]], mas, após o falecimento precoce de seus pais, Éowyn foi criada por seu tio [[Théoden]], então Rei de Rohan.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Guerra do Anel, Éowyn se casou com [[Faramir]], com quem teve um filho chamado [[Elboron]].&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia, outros nomes e tradução ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Índice remissivo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Éowyn ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Dernhelm ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Predefini%C3%A7%C3%A3o:Infobox_Personagens&amp;diff=1143</id>
		<title>Predefinição:Infobox Personagens</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Predefini%C3%A7%C3%A3o:Infobox_Personagens&amp;diff=1143"/>
		<updated>2025-07-15T14:59:03Z</updated>

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&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;==Como usar==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda predefinição (template) pode ser incluída em uma página através do Visual Editor ao clicar em &amp;quot;inserir &amp;gt; predefinição&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para incluir esta predefinição especificamente através do código-fonte, use o código a seguir. Campos não preenchidos não aparecerão no resultado final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Infobox Personagens&lt;br /&gt;
| nome=&lt;br /&gt;
| povo=&lt;br /&gt;
| imagem=[[Arquivo:NOMEDOARQUIVO.JPG|250px]]&lt;br /&gt;
| legendaimagem=&lt;br /&gt;
| pronuncia=&lt;br /&gt;
| outrosnomes=&lt;br /&gt;
| raça=&lt;br /&gt;
| titulos=&lt;br /&gt;
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| morte=&lt;br /&gt;
| notavelpor=&lt;br /&gt;
| familia=&lt;br /&gt;
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| genero=&lt;br /&gt;
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| cabelos=&lt;br /&gt;
| olhos=&lt;br /&gt;
| roupas=&lt;br /&gt;
| armas=&lt;br /&gt;
| montaria=&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates de Infobox]]&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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		<title>Predefinição:Infobox Povos</title>
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| galeria={{{galeria}}}&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
==Como usar==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda predefinição (template) pode ser incluída em uma página através do Visual Editor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para incluir esta predefinição especificamente através do código-fonte, use o código a seguir. Campos não preenchidos não aparecerão na página.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Infobox Povos&lt;br /&gt;
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}}&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates de Infobox]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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		<title>Predefinição:Infobox Povos</title>
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		<updated>2025-07-15T14:54:18Z</updated>

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&amp;lt;tr&amp;gt;&amp;lt;td colspan=&amp;quot;2&amp;quot; class=&amp;quot;seqcream&amp;quot; style=&amp;quot;background: #393939; color: #FFFDD0; font-size: 80%; text-align: center; padding-left: 10px; padding-right: 10px; height: 2px;&amp;quot;&amp;gt;{{{legendaimagem|}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{imagem|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr&amp;gt;&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot; style=&amp;quot;background: #606060; font-size: 80%; color: #FFFDD0;&amp;quot;&amp;gt;Informações Gerais&amp;lt;/th&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{pronuncia|}}}{{{outrosnomes|}}}{{{raca|}}}{{{origem|}}}{{{local|}}}{{{afiliacao|}}}{{{rivalidade|}}}{{{idiomas|}}}{{{membros|}}}=}}{{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top; font-size: 80%; border-top: #393939 1px solid;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td&amp;gt;Pronúncia&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td&amp;gt;{{{pronuncia}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{pronuncia|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top; font-size: 80%; 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&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/includeonly&amp;gt;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
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}}&lt;br /&gt;
==Como usar==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda predefinição (template) pode ser incluída em uma página através do Visual Editor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para incluir esta predefinição especificamente através do código-fonte, use o código a seguir. Campos não preenchidos não aparecerão na página.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Infobox Povos&lt;br /&gt;
| nome=&lt;br /&gt;
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| legendaimagem=&lt;br /&gt;
| pronuncia=&lt;br /&gt;
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}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates de Infobox]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=%C3%89owyn&amp;diff=1140</id>
		<title>Éowyn</title>
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		<updated>2025-07-15T14:42:16Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Infobox Personagens|nome=Éowyn|povo=Rohirrim|imagem=[[File:Matthew Stewart - Eowyn Before the Doors of Meduseld.jpg|250px]]|legendaimagem=&amp;quot;Éowyn diante das Portas de Meduseld&amp;quot;, por Matthew Stewart|pronuncia=ÉU-uín|outrosnomes=Dernhelm|raça=[[Homens]]|local=[[Gondor]], [[Ithilien]]|idiomas=[[Rohanês]], [[Westron]]|nascimento=[[T.E. 2995]]|notavelpor=Dar o golpe final no [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]]|casa=[[Casa de Eorl]]|filiacao=[[Éomund]] e [[Théodwyn]]|irmaos=[[Éomer]]|conjuge=[[Faramir]]|filhos=[[Elboron]]|genero=Feminino|cabelos=Dourados|olhos=Cinzas|armas=Espada|montaria=[[Windfola]]}}&#039;&#039;“O que temes, senhora?”, perguntou ele.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Uma gaiola”, disse ela. “Ficar atrás das barras até que o costume e a velhice as aceitem e que toda oportunidade de fazer grandes feitos tiver-se ido além da recordação ou do desejo.”&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;- O Senhor dos Anéis (O Retorno do Rei; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Éowyn&#039;&#039;&#039; era uma mulher da [[Casa de Eorl]], de [[Rohan]], notória por matar o [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]] durante a [[Guerra do Anel]]. Ela era filha de [[Théodwyn]] e [[Éomund]], mas, após o falecimento precoce de seus pais, Éowyn foi criada por seu tio [[Théoden]], então Rei de Rohan.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Guerra do Anel, Éowyn se casou com [[Faramir]], com quem teve um filho chamado [[Elboron]].&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia, outros nomes e tradução ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Índice remissivo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Éowyn ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Dernhelm ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=%C3%89owyn&amp;diff=1139</id>
		<title>Éowyn</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=%C3%89owyn&amp;diff=1139"/>
		<updated>2025-07-15T14:42:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;“O que temes, senhora?”, perguntou ele.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Uma gaiola”, disse ela. “Ficar atrás das barras até que o costume e a velhice as aceitem e que toda oportunidade de fazer grandes feitos tiver-se ido além da recordação ou do desejo.”&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;- O Senhor dos Anéis (O Retorno do Rei; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Éowyn&#039;&#039;&#039; era uma mulher da [[Casa de Eorl]], de [[Rohan]], notória por matar o [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]] durante a [[Guerra do Anel]]. Ela era filha de [[Théodwyn]] e [[Éomund]], mas, após o falecimento precoce de seus pais, Éowyn foi criada por seu tio [[Théoden]], então Rei de Rohan.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Guerra do Anel, Éowyn se casou com [[Faramir]], com quem teve um filho chamado [[Elboron]].&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia, outros nomes e tradução ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Índice remissivo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Éowyn ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Dernhelm ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
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		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Predefini%C3%A7%C3%A3o:Infobox_Personagens&amp;diff=1138</id>
		<title>Predefinição:Infobox Personagens</title>
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		<updated>2025-07-15T14:41:30Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;includeonly&amp;gt;&amp;lt;table border=&amp;quot;0&amp;quot; cellspacing=&amp;quot;0&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;4&amp;quot; class=&amp;quot;tginfobox&amp;quot; style=&amp;quot;float: right; margin:0 0 .5em .5em; background: #F0F0F0; border-collapse: collapse; border: 1px solid #393939; line-height:1.5;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;tr style=&amp;quot;color: #FFFDD0; background: #393939; font-size: larger;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot; style=&amp;quot;padding-bottom: 0; padding-top: 0;&amp;quot;&amp;gt;{{{nome}}}&amp;lt;/th&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt; &amp;lt;tr&amp;gt;&amp;lt;td colspan=&amp;quot;2&amp;quot; style=&amp;quot;padding: 0; color: #FFFDD0; background: #393939; font-size: 80%; text-align: center;&amp;quot; class=&amp;quot;seqcream&amp;quot;&amp;gt;{{{povo}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt; {{t|1=&amp;lt;tr&amp;gt;&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot; style=&amp;quot;font-weight: normal; padding: 0; color: #FFFDD0; background: #393939;&amp;quot;&amp;gt;{{{imagem}}}&amp;lt;/th&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt; 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&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;==Como usar==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda predefinição (template) pode ser incluída em uma página através do Visual Editor ao clicar em &amp;quot;inserir &amp;gt; predefinição&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para incluir esta predefinição especificamente através do código-fonte, use o código a seguir. Campos não preenchidos não aparecerão no resultado final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Infobox Personagens&lt;br /&gt;
| nome=&lt;br /&gt;
| povo=&lt;br /&gt;
| imagem=[[Arquivo:NOMEDOARQUIVO.JPG|250px]]&lt;br /&gt;
| legendaimagem=&lt;br /&gt;
| pronuncia=&lt;br /&gt;
| outrosnomes=&lt;br /&gt;
| raça=&lt;br /&gt;
| titulos=&lt;br /&gt;
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| afiliacao=&lt;br /&gt;
| local=&lt;br /&gt;
| idiomas=&lt;br /&gt;
| nascimento=&lt;br /&gt;
| reinado=&lt;br /&gt;
| morte=&lt;br /&gt;
| notavelpor=&lt;br /&gt;
| familia=&lt;br /&gt;
| filiacao=&lt;br /&gt;
| irmaos=&lt;br /&gt;
| conjuge=&lt;br /&gt;
| filhos=&lt;br /&gt;
| genero=&lt;br /&gt;
| altura=&lt;br /&gt;
| cabelos=&lt;br /&gt;
| olhos=&lt;br /&gt;
| roupas=&lt;br /&gt;
| armas=&lt;br /&gt;
| montaria=&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates de Infobox]]&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
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		<title>Predefinição:Infobox Personagens</title>
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		<updated>2025-07-15T14:40:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;{{Infobox Personagens&lt;br /&gt;
| nome={{{nome}}}&lt;br /&gt;
| povo={{{povo}}}&lt;br /&gt;
| imagem={{{imagem}}}&lt;br /&gt;
| legendaimagem={{{legendaimagem}}}&lt;br /&gt;
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}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Como usar==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda predefinição (template) pode ser incluída em uma página através do Visual Editor ao clicar em &amp;quot;inserir &amp;gt; predefinição&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para incluir esta predefinição especificamente através do código-fonte, use o código a seguir. Campos não preenchidos não aparecerão no resultado final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Infobox Personagens&lt;br /&gt;
| nome=&lt;br /&gt;
| povo=&lt;br /&gt;
| imagem=[[Arquivo:NOMEDOARQUIVO.JPG|250px]]&lt;br /&gt;
| legendaimagem=&lt;br /&gt;
| pronuncia=&lt;br /&gt;
| outrosnomes=&lt;br /&gt;
| raça=&lt;br /&gt;
| titulos=&lt;br /&gt;
| posicao=&lt;br /&gt;
| afiliacao=&lt;br /&gt;
| local=&lt;br /&gt;
| idiomas=&lt;br /&gt;
| nascimento=&lt;br /&gt;
| reinado=&lt;br /&gt;
| morte=&lt;br /&gt;
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| familia=&lt;br /&gt;
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| conjuge=&lt;br /&gt;
| filhos=&lt;br /&gt;
| genero=&lt;br /&gt;
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| cabelos=&lt;br /&gt;
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| roupas=&lt;br /&gt;
| armas=&lt;br /&gt;
| montaria=&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates de Infobox]]&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=%C3%89owyn&amp;diff=1136</id>
		<title>Éowyn</title>
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		<updated>2025-07-15T14:39:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: Substituição do Infobox.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Infobox Personagens|nome=Éowyn|povo=Rohirrim|imagem=[[File:Matthew Stewart - Eowyn Before the Doors of Meduseld.jpg|250px]]|legendaimagem=&amp;quot;Éowyn diante das Portas de Meduseld&amp;quot;, por Matthew Stewart|pronuncia=ÉU-uín|outrosnomes=Dernhelm|raça=[[Homens]]|local=[[Gondor]], [[Ithilien]]|idiomas=[[Rohanês]], [[Westron]]|nascimento=[[T.E. 2995]]|notavelpor=Dar o golpe final no [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]]|casa=[[Casa de Eorl]]|filiacao=[[Éomund]] e [[Théodwyn]]|irmaos=[[Éomer]]|conjuge=[[Faramir]]|filhos=[[Elboron]]|genero=Feminino|cabelos=Dourados|olhos=Cinzas|armas=Espada|montaria=[[Windfola]]}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“O que temes, senhora?”, perguntou ele.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;“Uma gaiola”, disse ela. “Ficar atrás das barras até que o costume e a velhice as aceitem e que toda oportunidade de fazer grandes feitos tiver-se ido além da recordação ou do desejo.”&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;- O Senhor dos Anéis (O Retorno do Rei; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Éowyn&#039;&#039;&#039; era uma mulher da [[Casa de Eorl]], de [[Rohan]], notória por matar o [[Rei-bruxo]] de [[Angmar]] durante a [[Guerra do Anel]]. Ela era filha de [[Théodwyn]] e [[Éomund]], mas, após o falecimento precoce de seus pais, Éowyn foi criada por seu tio [[Théoden]], então Rei de Rohan.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Guerra do Anel, Éowyn se casou com [[Faramir]], com quem teve um filho chamado [[Elboron]].&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia, outros nomes e tradução ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Índice remissivo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Éowyn ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Dernhelm ===&lt;br /&gt;
O Senhor dos Anéis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Predefini%C3%A7%C3%A3o:Infobox_Personagens&amp;diff=1135</id>
		<title>Predefinição:Infobox Personagens</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Predefini%C3%A7%C3%A3o:Infobox_Personagens&amp;diff=1135"/>
		<updated>2025-07-15T14:34:12Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;{{Infobox Personagens&lt;br /&gt;
| nome={{{nome}}}&lt;br /&gt;
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}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Como usar==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda predefinição (template) pode ser incluída em uma página através do Visual Editor ao clicar em &amp;quot;inserir &amp;gt; predefinição&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para incluir esta predefinição especificamente através do código-fonte, use o código a seguir. Campos não preenchidos não aparecerão no resultado final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Infobox Personagens&lt;br /&gt;
| nome=&lt;br /&gt;
| povo=&lt;br /&gt;
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| legendaimagem=&lt;br /&gt;
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| raça=&lt;br /&gt;
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| nascimento=&lt;br /&gt;
| reinado=&lt;br /&gt;
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}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates de Infobox]]&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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		<title>Predefinição:Infobox Personagens</title>
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&lt;hr /&gt;
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&amp;lt;tr&amp;gt;&amp;lt;td colspan=&amp;quot;2&amp;quot; class=&amp;quot;seqcream&amp;quot; style=&amp;quot;color: #FFFDD0; background: #393939; font-size: 80%; text-align: center; padding-left: 10px; padding-right: 10px; height: 2px;&amp;quot;&amp;gt;{{{legendaimagem|}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{imagem|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr&amp;gt;&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot; style=&amp;quot;font-weight: normal; font-size: 80%; background: #606060; color: #FFFDD0;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Informações Biográficas&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/th&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt; |1{{{pronuncia|}}}{{{outrosnomes|}}}{{{raça|}}}{{{titulos|}}}{{{posicao|}}}{{{afiliacao|}}}{{{local|}}}{{{idiomas|}}}{{{nascimento|}}}{{{reinado|}}}{{{velejouaooeste|}}}{{{morte|}}}{{{notavelpor|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%; padding-right: 0px;&amp;quot;&amp;gt;Pronúncia&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{pronuncia}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{pronuncia|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Outros&amp;amp;nbsp;Nomes&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{outrosnomes}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{outrosnomes|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Raça&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{raça}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{raça|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Títulos&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{titulos}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{titulos|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Posição&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{posicao}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{posicao|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Afiliação&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{afiliacao}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{afiliacao|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Local&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{local}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{local|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Idiomas&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{idiomas}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{idiomas|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Nascimento&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{nascimento}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{nascimento|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Reinado&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{reinado}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{reinado|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Velejou&amp;amp;nbsp;ao&amp;amp;nbsp;Oeste&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{velejouaooeste}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{velejouaooeste|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Morte&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{morte}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{morte|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Notável&amp;amp;nbsp;por&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{notavelpor}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{notavelpor|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr&amp;gt;&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot; 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style=&amp;quot;font-weight: normal; background: #606060; color: #FFFDD0; font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Características Físicas&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/th&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt; |1{{{genero|}}}{{{altura|}}}{{{cabelos|}}}{{{olhos|}}}{{{roupas|}}}{{{armas|}}}{{{montaria|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Gênero&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{genero}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{genero|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Altura&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{altura}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{altura|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Cabelos&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{cabelos}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{cabelos|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Olhos&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{olhos}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{olhos|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Roupas&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{roupas}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{roupas|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Armas&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{armas}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{armas|}}}=}} {{t|1=&amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;Montaria&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;{{{montaria}}}&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt;|1{{{montaria|}}}=}} &amp;lt;tr style=&amp;quot;vertical-align: top;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;Galeria&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;td style=&amp;quot;font-size: 80%;&amp;quot;&amp;gt;&#039;&#039;&#039;[[:Categoria:Imagens de {{{galeria|{{{nome}}}}}}|Imagens de {{{nome}}}]]&#039;&#039;&#039;&amp;lt;/td&amp;gt;&amp;lt;/tr&amp;gt; &amp;lt;/table&amp;gt; &amp;lt;/includeonly&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Infobox Personagens&lt;br /&gt;
| nome={{{nome}}}&lt;br /&gt;
| povo={{{povo}}}&lt;br /&gt;
| imagem={{{imagem}}}&lt;br /&gt;
| legendaimagem={{{legendaimagem}}}&lt;br /&gt;
| pronuncia={{{pronuncia}}}&lt;br /&gt;
| outrosnomes={{{outrosnomes}}}&lt;br /&gt;
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| montaria={{{montaria}}}&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Como usar==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda predefinição (template) pode ser incluída em uma página através do Visual Editor ao clicar em &amp;quot;inserir &amp;gt; predefinição&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para incluir esta predefinição especificamente através do código-fonte, use o código a seguir. Campos não preenchidos não aparecerão no resultado final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Infobox Personagens&lt;br /&gt;
| nome=&lt;br /&gt;
| povo=&lt;br /&gt;
| imagem=[[Arquivo:NOMEDOARQUIVO.JPG|250px]]&lt;br /&gt;
| legendaimagem=&lt;br /&gt;
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| montaria=&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Templates de Infobox]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1133</id>
		<title>Citações Marcantes do Legendário</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1133"/>
		<updated>2025-06-30T22:03:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 30/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento dos momentos mais marcantes (ou apenas interessantes) do legendário. Ou seja, não necessariamente têm alguma mensagem sobre a vida ou algo do gênero, sendo apenas, por assim dizer, citações “legais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Hobbit (1937) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Até os bons planos de magos sábios como Gandalf e de bons amigos como Elrond dão errado às vezes, quando você parte para aventuras perigosas do outro lado da Borda do Ermo; e Gandalf era um mago sábio o suficiente para perceber isso.|fonte=[[O Hobbit]] (4. Sobre Monte e Sob Monte)}}{{Citação em Bloco|trecho=Tentou adivinhar da melhor maneira que podia e rastejou adiante por um bom pedaço, até que de repente sua mão topou com o que parecia ser um minúsculo anel de metal frio caído no chão do túnel. Era uma grande virada em sua carreira, mas ele ainda não sabia disso.|fonte=[[O Hobbit]] (5. Adivinhas no Escuro)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Em Eregion, muito tempo atrás, foram feitos muitos anéis-élficos, anéis mágicos, como você os chama, e é claro que eram de vários tipos: alguns mais potentes e outros menos. Os anéis menores eram apenas ensaios do ofício antes que este estivesse maduro, e para os artífices-élficos eles eram meras miudezas — ainda assim, em minha opinião, arriscados para os mortais. Mas os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, esses eram perigosos.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É uma bela história, apesar de triste, como são todas as histórias da Terra-média, e mesmo assim pode lhes dar ânimo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 11. Um Punhal no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Em uma coisa não mudaste, caro amigo,” comentou Aragorn, “ainda falas por enigmas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O quê? Em enigmas?”, disse Gandalf. “Não! Pois estava falando comigo mesmo em voz alta. Um hábito dos velhos: eles escolhem a pessoa mais sábia presente para falar com ela;”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mithrandir nós o chamávamos à moda dos Elfos,” disse Faramir, “e ele se contentava. ‘Muitos são meus nomes em muitos países’, dizia ele. ‘Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anãos; Olórin eu fui na juventude, no Oeste que está esquecido, no Sul, Incánus, no Norte, Gandalf; ao Leste eu não vou.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV, 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Repentinamente o rei deu uma exclamação para Snawmana, e o cavalo partiu em um salto. [...] Parecia destinado à morte, ou a fúria de batalha de seus pais corria em suas veias como fogo novo, e foi carregado por Snawmana como um deus de outrora, como o próprio Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto, e eis! brilhava como uma imagem do Sol, e a relva se inflamava de verde em torno dos alvos pés de sua montaria. Pois a manhã estava chegando, a manhã e um vento do mar; e a escuridão foi removida, e as hostes de Mordor pranteavam, e o terror se apossou deles, e fugiram, e morreram, e os cascos da ira passaram sobre eles.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 5. A Cavalgada dos Rohirrim)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Vou chegar lá nem que deixe para trás tudo exceto meus ossos”, disse Sam. “E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo lá para cima, nem que quebre minhas costas e meu coração. Então pare de discutir!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Venha, Sr. Frodo!”, exclamou ele. “Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor e ele também. Então levante-se! Vamos lá, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. Só diga a ele aonde ir e ele irá.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com Frodo agarrado às costas, [...] para seu espanto, achou leve o fardo. Ele receara mal ter força para erguer seu patrão sozinho e, além disso, imaginara que compartilharia o terrível peso de arrasto do maldito Anel. Mas não foi assim. Fosse porque Frodo estava tão desgastado por suas longas dores, pela ferida do punhal e pela picada venenosa, e pelo pesar, medo e andança sem lar, ou seja porque lhe fora dado algum dom de força final, Sam ergueu Frodo sem maior dificuldade do que quem carrega uma criança hobbit no cangote [...]. Inspirou fundo e partiu.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sus! senhores e cavaleiros e homens de valor indômito, reis e príncipes, e bela gente de Gondor, e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de Elrond, e Dúnedain do Norte, e Elfo e Anão, e intrépidos do Condado, e todo o povo livre do Oeste, escutai agora a minha balada. Pois vos cantarei de Frodo dos Nove Dedos e do Anel da Perdição.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali terminava a caligrafia de Bilbo, e Frodo escrevera:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A QUEDA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SENHOR DOS ANÉIS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E O&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RETORNO DO REI&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[...] “Ora, o senhor quase o terminou, Sr. Frodo!”, exclamou Sam. “Bem, preciso dizer que se esforçou.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Já terminei, Sam”, disse Frodo. “As últimas páginas são para você.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Então o Rei-bruxo riu-se, e ninguém que o ouviu jamais esqueceu o horror daquele grito. Mas, nesse momento, veio cavalgando Glorfindel em sua montaria branca, e, no meio de seu riso, o Rei-bruxo voltou-se em fuga e passou para as sombras. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Com isso Eärnur cavalgou de volta, mas Glorfindel, observando a escuridão crescente, disse: ‘Não o persigas! Ele não voltará a esta terra. Ainda está muito longe a sua sina e não cairá pela mão de um homem.’ Estas palavras foram lembradas por muitos; mas Eärnur ficou irado, desejando apenas vingar-se pela sua desgraça.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; I. Os Reis Númenóreanos)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mesmo assim eles habitavam, então, no Reino de Arda, e esse era não mais que um pequeno domínio nos salões de Eä, cuja vida é o Tempo, que flui sempre da primeira nota ao último acorde de Eru.|fonte=[[O Silmarillion]] (Quenta Silmarillion; 8. Do Obscurecer de Valinor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Então Fingolfin contemplou (como lhe parecia) a completa ruína dos Noldor [...]; e, cheio de ira e desespero, montou Rochallor, seu grande corcel, e partiu sozinho, e ninguém pôde impedi-lo. [...] e todos os que contemplavam seu avanço fugiam em assombro, pensando que o próprio Oromë chegara: pois uma grande loucura de fúria estava sobre ele, de modo que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim ele chegou sozinho aos portões de Angband, e soou sua trompa, e golpeou, mais uma vez, as portas brônzeas, e desafiou Morgoth a vir para fora para combate singular. E Morgoth veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Por fim, tão desesperado era o caso de Barahir, que Emeldir do Coração-de-homem, sua esposa (cuja intenção era antes lutar ao lado de seu filho e seu marido do que fugir), reuniu todas as mulheres e crianças que tinham restado e deu armas àquelas que queriam usá-las; e as levou para as montanhas atrás de Dorthonion e por caminhos perigosos, até que chegaram enfim, com perdas e sofrimento, a Brethil.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Vazias e silenciosas estavam todas as terras em volta quando o Rei do Mar marchou sobre a Terra-média. Por sete dias viajou com bandeira e trombeta, e chegou a um monte, e o subiu, e dispôs ali seu pavilhão e seu trono; e se sentou em meio à terra, e as tendas de sua hoste estavam todas arranjadas à sua volta, azuis, douradas e brancas, como um campo de altas flores. Então enviou arautos e mandou que Sauron viesse diante dele e lhe jurasse fidelidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Sauron veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora. Por azar, ou por um acaso feliz, o Anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Um grande fardo fora removido. [...] Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra-média.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; I. O Desastre dos Campos de Lis)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] seus jovens e velhos eram ajudados pelas mulheres mais moças, que naquele povo também eram treinadas em armas e lutavam ferozmente em defesa de seus lares e filhos.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (i) Os Nortistas e os Carroceiros)}}{{Citação em Bloco|trecho=Eorl exigiu que o cavalo renunciasse à sua liberdade até o fim da vida, como compensação por seu pai; e Felaróf submeteu-se, apesar de não permitir que nenhum homem, exceto Eorl, o montasse. Compreendia tudo o que diziam os homens e teve vida longa como eles, assim como seus descendentes, os mearas, “que não levavam senão o Rei da Marca ou seus filhos até o tempo de Scadufax”.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (ii) A Cavalgada de Eorl)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘Tu estás armando alguma das tuas, Mestre Gandalf. Tenho certeza de que tu tens outros propósitos além de me ajudar.’&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“‘Tu tens toda a razão’, concordei eu. ‘Se eu não tivesse outros propósitos, nem te estaria ajudando. Por muito que teus negócios te possam parecer importantes, eles são apenas um pequeno fio na grande teia. Eu me ocupo de muitos fios.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não, imaginei que ele [Bilbo] queria permanecer “solteiro” por alguma razão bem profunda, que ele mesmo não compreendia ou não queria reconhecer, pois ela o alarmava. Queria, mesmo assim, ser livre para partir quando surgisse a oportunidade ou quando ele tivesse reunido coragem.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Quando assuntos de peso estão em debate, Mithrandir, espanta-me um pouco que tu te divirtas com teus brinquedos de fogo e fumaça, enquanto outros debatem a sério.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Gandalf riu e respondeu: “Não te espantarias se tu mesmo usasses esta erva. Descobririas que a fumaça soprada limpa sua mente das sombras interiores. Seja como for, ela confere paciência, para escutar os desacertos sem se enraivecer. Mas não é um dos meus brinquedos. É uma arte do Povo Pequeno lá no Oeste: gente alegre e valorosa, apesar de ter pouca importância, quem sabe, nas tuas altas políticas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; IV. A Caçada ao Anel; (iii) Acerca de Gandalf, de Saruman e do Condado)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 1 (1983) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas isso é através dele, e não por ele; e ele verá, e vós todos também, e mesmo esses seres que devem agora morar em meio ao seu mal e, por causa de Melko, tolerar tormento e pesar, terror e perversidade, que isso redunda, no fim, apenas para minha grande glória, e não faz senão tornar o tema mais digno de ser ouvido, a Vida mais digna de ser vivida, e o Mundo tão mais formidável e maravilhoso que, de todos os feitos de Ilúvatar, este será julgado seu mais poderoso e mais belo.’|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}{{Citação em Bloco|trecho=A neve é de tal beleza que ultrapassa meus mais secretos pensamentos e, se há pouca música nela, a chuva, por outro lado, é realmente bela e tem uma música que enche meu coração, e alegro-me que meus ouvidos a encontraram, ainda que sua tristeza esteja entre as mais tristes de todas as coisas.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 2 (1984) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] há muito tempo se diz entre os Homens que todos os que provassem do coração de um dragão conheceriam todas as línguas de Deuses ou Homens, de aves ou feras, e seus ouvidos captariam os sussurros dos Valar ou de Melko tal como jamais tinham ouvido antes.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 2]] (2. Turambar e o Foalókë)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=De fato, em extrema necessidade ou defesa desesperada, as nissi [mulheres] lutavam valentemente, e havia menos diferença em força e velocidade entre homens-élficos e mulheres-élficas que ainda não tinham dado à luz criança do que se vê entre mortais. Por outro lado, muitos homens-élficos eram grandes curandeiros e hábeis no saber dos corpos viventes, embora tais homens se abstivessem de caçar e só fossem à guerra se houvesse máxima necessidade.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar)}}{{Citação em Bloco|trecho=Outros [Valar] havia, incontáveis para o nosso pensamento, embora conhecidos uns dos outros e enumerados na mente de Ilúvatar, cujo labor se dava alhures e em outras regiões e histórias do Grande Conto, em meio a remotas estrelas e mundos além do alcance do mais longínquo pensamento. Mas desses outros nada sabemos e não temos como saber, embora os Valar de Arda, talvez, recordem a todos eles.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Cinco: Mitos Transformados; II)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Guerra das Joias (1994) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Então falou Mandos em profecia, quando os Deuses sentaram-se em julgamento em Valinor, e o rumor de suas palavras foram sussurradas entre todos os Elfos do Oeste. Quando o mundo for velho e os Poderes enfraquecerem, então Morgoth, vendo que a guarda fraquejou, voltará pela Porta da Noite do Vazio Atemporal; e destruirá o Sol e a lua. Mas Eärendil descerá sobre ele como uma chama branca e flamejante e o derrubará dos ares. Então a Última Batalha ocorrerá nos campos de Valinor. Nesse dia Tulkas lutará com Morgoth, e em sua mão direita estará Eönwë, e em sua esquerda Túrin Turambar, filho de Húrin, voltando do Destino dos Homens no fim do mundo; e a espada negra de Túrin dará a Morgoth sua morte e fim definitivo; e assim os filhos de Húrin e todos os Homens serão vingados.|fonte=[[A Guerra das Joias]] (Os Últimos Capítulos do Quenta Silmarillion; A Segunda Profecia de Mandos) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em sua casa sobre as muralhas Idril se veste com cota de malha e busca Eärendel. [...] Idril lutara, sozinha como estava, feito uma tigresa, apesar de toda a sua formosura e pequenez.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Por outro lado, o ato da procriação [dos Elfos], sendo ato de vontade e desejo partilhado e deveras controlado pelo fëa [“espírito”], realizava-se com a presteza de outros atos conscientes e voluntários de deleite ou de feitura. Era um dos atos de principal deleite, em processo e memória, em uma vida élfica, mas sua importância derivava apenas de sua intensidade, não do tempo ou da duração: não podia ser suportado por grande espaço de tempo sem desastroso “gasto”.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento; 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Ordem_de_Leitura&amp;diff=1132</id>
		<title>Ordem de Leitura</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Ordem_de_Leitura&amp;diff=1132"/>
		<updated>2025-06-27T17:12:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Projeto Tolkien]] em 06/03/2024. Atualizado por último em 27/06/2025.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[Arquivo:Livros Tolkien 2024-02.jpg|alt=Uma foto mostrando lado a lado todos os livros de J.R.R. Tolkien já publicados pela HarperCollins até março de 2024. Tem vários tamanhos e cores diferentes, mas mantêm a mesma identidade visual.|miniaturadaimagem|407x407px|Livros de J.R.R. Tolkien publicados pela HarperCollins Brasil até dezembro de 2024.]]&lt;br /&gt;
Uma coisa que as pessoas me perguntam quase todos os dias é: qual a melhor ordem para se ler os livros de [[J.R.R. Tolkien]] pela primeira vez?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, eu acho importante esclarecer primeiramente que a gente vai ter diversos livros de Tolkien que não fazem parte do seu grande legendário da Terra-média, e que, como nenhum desses livros aborda o mesmo mundo e são todos independentes entre si, eles podem ser lidos na ordem que você bem desejar, tendo em vista que a história de um não guarda qualquer relação com a história do outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso será válido para três tipos diferentes de livros: os &#039;&#039;ficcionais&#039;&#039;, como [[Mestre Giles d’Aldeia]], [[Ferreiro do Bosque Maior]], [[Cartas do Papai Noel]], [[Sr. Boaventura]], [[Roverando]], etc.; os &#039;&#039;não-ficcionais&#039;&#039;, como [[Árvore e Folha]], [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], [[A Batalha de Maldon]], etc.; e os que foram apenas &#039;&#039;traduzidos&#039;&#039; por Tolkien (normalmente do inglês antigo pro inglês moderno) e, assim, não são de sua autoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso você tenha curiosidade de conhecer esses outros livros de Tolkien, você pode conferir o nome de todos eles em [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os livros do grande legendário e a importância de se ler na ordem correta ==&lt;br /&gt;
Feita essa breve observação, o presente artigo abordará única e exclusivamente os livros de Tolkien que fazem parte de seu grande legendário, já que esses livros não apenas serão os que o público geral mais terá interesse, como também são os únicos livros de Tolkien que de fato se passam em um mesmo universo e, consequentemente, podemos ter esse tipo de discussão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E todo esse legendário da Terra-média está atualmente espalhado em 21 livros de autoria de J.R.R. Tolkien (contando O Senhor dos Anéis como apenas um), sendo justamente por termos tantos livros que acaba surgindo muita confusão quando alguém quer ingressar nesse universo pela primeira vez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, antes de mais nada, é importante deixar claro também que não existe uma ordem &amp;quot;correta&amp;quot; de leitura desses 21 livros, posto que cada leitor terá uma opinião diferente sobre isso; porém, na minha opinião, a ordem na qual você enfim ler esses livros pode sim vir a influenciar drasticamente no seu aproveitamento e diversão e, a depender da ordem escolhida, até te afastar desse universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, ainda que no fundo não haja uma ordem &amp;quot;correta&amp;quot; de se ler esses livros, eu acredito que há sim uma ordem &amp;quot;incorreta&amp;quot;, e é por esse motivo que eu sempre me sinto extremamente incomodado quando vejo pessoas divulgando internet afora ordens de leitura que claramente vão afugentar diversas pessoas desse universo incrível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Por que não na ordem cronológica da história? ===&lt;br /&gt;
Isso porque, embora a resposta mais óbvia pra essa pergunta possa parecer ser a &amp;quot;ordem cronológica das histórias&amp;quot;, essa não é a ordem ideal para quem nunca leu nada (ou quase nada) desse universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade, se formos discutir isso, o primeiro problema surge no fato do quão complicado é estabelecer qual seria essa tal de &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;, já que, só pra dar um exemplo, nós temos livros como O Silmarillion e Contos Inacabados que abrangem ambos todas as três Eras dos Eruhíni, de modo que, para uma leitura verdadeiramente &amp;quot;cronológica&amp;quot;, você teria de ler o capítulo de um livro, depois o capítulo de outro, depois o capítulo de outro, e por aí vai. E isso, convenhamos, está bem longe de ser agradável para novos leitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o segundo problema surge no fato de temos vários livros que trazem versões diferentes de uma mesma história, como, por exemplo, O Livro dos Contos Perdidos, que traz uma versão diferente da história principal de O Silmarillion. Ou então As Baladas de Leithian, que, dentre outras histórias, traz uma versão diferente da história de Os Filhos de Húrin que temos em O Silmarillion e Contos Inacabados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E aí eu te pergunto: numa leitura na &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;, quais versões você leria primeiro, se ambas abordam, em tese, uma mesma e simultânea história? Ou você escolheria uma das versões como sendo a &amp;quot;mais canônica&amp;quot; e não leria a outra?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é por essas e outras que eu particularmente acho impossível a gente fazer um levantamento do que seria essa tal de ordem cronológica, e pode ter certeza de que qualquer lista de &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot; que você achar internet afora vai ter cada uma um caveat: ou a ordem não será verdadeiramente cronológica, ou você terá de ficar revezando os livros conforme vai lendo cada capítulo, ou alguns livros serão inevitavelmente deixados de lado. Ou então tudo isso ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso tudo, e por mais que de repente você seja o tipo de pessoa que desde o começo já esteja decidida a não ler todos os livros de Tolkien e está disposta a deixar alguns livros de lado – o que não tem nada de errado –, surge aí um terceiro (e muito pior) problema: se você ler Tolkien pela primeira vez na ordem cronológica das histórias (seja lá qual ordem seja essa), é inegável que você começará por livros extremamente densos (ou até incompletos), que podem te assustar bastante e te desmotivar a continuar desbravando esse universo incrível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na maioria das vezes, O Silmarillion é posto como o primeiro livro a ser lido nessas tais de ordens cronológicas e eu particularmente já perdi a conta de quantas pessoas me disseram que começaram lendo Tolkien por O Silmarillion e acabaram abandonando a leitura dele por não terem se adaptado ao estilo de escrita ultradenso desse livro, e consequentemente abandonando os outros livros também, posto que a primeira impressão geralmente é a que fica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claro, é sim possível de uma pessoa comece a ler Tolkien por livros como O Silmarillion – eu mesmo conheço algumas pessoas que começaram essa jornada por ele e adoraram o livro –, mas é uma questão de simples probabilidade: se, de todas as pessoas que começam a ler Tolkien pela tal da ordem cronológica, a maioria abandona a leitura e apenas uma minúscula parcela segue adiante, essa não é, na minha opinião, uma ordem que as pessoas deveriam divulgar internet afora como a ordem &amp;quot;correta&amp;quot; para novos leitores, por mais que tecnicamente seja sim possível alguém ler nessa ordem e gostar dos livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na minha opinião, quem faz isso - quem divulga livros como O Silmarillion como a primeira leitura para novos leitores -, com todo respeito, está fazendo um desserviço para a comunidade tolkienista, pois isso sem dúvida alguma dificulta que muito mais pessoas se apaixonem por esse universo incrível criado por Tolkien. (É claro que não tem problema algum dar esse tipo de dica para quem já leu os livros e já tem um conhecimento prévio dessas obras. Estou me referindo exclusivamente a dar esse tipo de dica para &#039;&#039;novos&#039;&#039; leitores.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Por que na ordem original de publicação? ==&lt;br /&gt;
Será por esses três principais motivos que, para quem nunca leu os livros de J.R.R. Tolkien - ou leu alguns deles, mas há muitos anos, ao ponto de que é quase como se a pessoa fosse lê-los pela primeira vez -, que eu imagino ser 99 % das pessoas que me fazem esse tipo de pergunta, eu recomendo sempre a ordem original de publicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, assim como há três motivos para eu não recomendar qualquer ordem que se proponha a ser &amp;quot;cronológica&amp;quot;, também há três motivos pelos quais eu acho que a ordem original de publicação é infinitamente superior pra novos leitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A evolução natural do estilo de escrita ===&lt;br /&gt;
O primeiro motivo, e que eu acho ser o mais importante de todos eles, é o fato de que, ao ler esses livros na ordem original de publicação, você vai se deparar no início com uma escrita bem mais leve e tranquila e que, com o decorrer de cada livro, vai se intensificando e ficando mais densa naturalmente, já que refletem diretamente como J.R.R. Tolkien foi se desenvolvendo como escritor e como Christopher Tolkien foi se desenvolvendo como editor. (Mais sobre Christopher mais adiante.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu ainda me aprofundarei mais nisso quando eu trouxer minha breve síntese de cada livro, mas, só para dar um breve exemplo, o primeiro livro desse universo a ser publicado foi O Hobbit, que é de longe o que tem a escrita mais leve e mais gostosa de acompanhar. Depois tivemos O Senhor dos Anéis, que tem um começo muito semelhante ao de O Hobbit, mas que, no decorrer ainda do primeiro volume, vai se intensificando aos poucos e ficando bem mais denso. Depois tivemos O Silmarillion, que já é consideravelmente mais denso do que O Senhor dos Anéis. E assim em diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é por esse primeiro motivo que, ao ler os livros na ordem original de publicação, na qual os livros começam com uma escrita mais leve e vão se intensificando naturalmente, a maioria das pessoas se sente mais encorajada a continuar a leitura dos livros e acaba desenvolvendo muito mais facilmente um interesse natural por esse universo e uma sensação de &amp;quot;quero mais&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, se você não lê na ordem original de publicação, você pode acabar começando por livros extremamente densos (ou até incompletos), que podem te assustar bastante e te desmotivar a continuar desbravando esse universo. Por mais que não seja impossível, eu realmente já perdi a conta de quantas pessoas me disseram que começaram lendo Tolkien por O Silmarillion e abandonaram a leitura por não terem se adaptado ao estilo de escrita do livro – algo que simplesmente não ocorre ao ler os livros na ordem original de publicação, já que nela você começa pelo livro que tem literalmente a escrita mais leve de todas, tornando muito mais fácil esse processo de adaptação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Praticamente todo mundo concorda que as histórias de Tolkien são incríveis, e o problema que muitas pessoas que não gostam desses livros veem neles não são as histórias em si, mas sim o estilo de escrito. E é por isso que eu acho fundamental você ler nessa ordem para facilitar justamente esse seu processo de adaptação à escrita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[ARTIGO SENDO REVISADO E EXPANDIDO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através da ordem original de publicação você vai se deparar no início com uma escrita bem mais leve e tranquila e que, com o decorrer de cada livro, vai se intensificando e ficando mais densa naturalmente, já que refletem diretamente como Tolkien se desenvolveu como escritor (e como ele desenvolveu sua mitologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você ler primeiro na ordem cronológica das histórias (seja lá qual ordem você usar, já que muitas pessoas discordam sobre qual seria essa tal de &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;) você vai começar por livros extremamente densos e &amp;quot;incompletos&amp;quot; que podem te assustar bastante e te desmotivar a continuar desbravando estas obras incríveis. Eu particularmente já perdi a conta de quantas pessoas me disseram que começaram lendo Tolkien por O Silmarillion (que supostamente seria o primeiro da ordem cronológica) e abandonaram a leitura por não terem se adaptado ao estilo de escrita do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Óbvio que não é impossível de se começar a ler Tolkien por livros como O Silmarillion ou Contos Inacabados - eu mesmo conheço algumas pessoas que começaram a leitura por O Silmarillion e o adoraram -, mas é uma questão de simples probabilidade: se, de 10 pessoas que começam a ler Tolkien pela &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;, 9 abandonam a leitura e apenas 1 segue adiante, essa não é, na minha opinião, uma ordem que as pessoas deveriam divulgar internet afora como a ordem &amp;quot;correta&amp;quot; para novos leitores, por mais que tecnicamente seja possível alguém ler nessa ordem e gostar dos livros. Aliás, na minha opinião, quem faz isso está fazendo um desserviço para a &amp;quot;comunidade Tolkienista&amp;quot;, pois dificulta que mais pessoas se apaixonem pelo universo criado por J.R.R. Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, na ordem original de publicação, na qual, como eu disse, os livros começam mais leves e vão se intensificando naturalmente, o efeito é exatamente o oposto: a maioria das pessoas sente-se mais encorajada de continuar a leitura dos livros e acabam desenvolvendo muito mais facilmente um interesse natural pelo universo e aquela sensação de “quero mais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso sem mencionar que também tem aquela questão que se aplica para todo tipo de franquia que tem publicações fora da ordem cronológica: o novo livro (ou filme, ou série, etc.) sempre é construído levando em consideração o que o público já sabe do anterior, ainda que o anterior venha cronologicamente depois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto fica evidente quando, por exemplo, o próprio [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e editor de quase todos os livros póstumos de seu pai) diz na introdução de [[Contos Inacabados]] que é importante que o leitor já tenha lido todas as outras obras publicadas anteriormente:&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;Em toda parte, supus que o leitor tivesse um razoável conhecimento das obras publicadas de meu pai (mais especialmente O Senhor dos Anéis), pois agir de outro modo teria ampliado excessivamente o elemento editorial, que com certeza já será considerado bem suficiente.&amp;quot;|fonte=[[Contos Inacabados]] (Introdução)}}[[Arquivo:Contos Inacabados HarperCollins Brasil.jpg|alt=A capa do livro Contos Inacabados, contendo uma arte do próprio Tolkien, retratando o dragão dourado Glaurung e algumas montanhas ao fundo.|esquerda|miniaturadaimagem|303x303px|Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média]]&lt;br /&gt;
Usando o próprio Contos Inacabados como exemplo, eu, por experiência própria, te garanto que é importantíssimo já ter lido pelo menos [[O Hobbit]] e [[O Senhor dos Anéis]] antes, principalmente quando você adentra na parte do livro que aborda a [[Terceira Era]], pois as histórias são constantemente comparadas e referenciadas ao que já foi dito em O Hobbit e O Senhor dos Anéis (por mais que tanto O Hobbit quanto O Senhor dos Anéis tecnicamente venham depois na questão cronológica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa linha, eu recomendo a &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot; apenas pra quem já leu os livros uma vez e quer um &amp;quot;novo desafio&amp;quot; - até porque é muito complicado estabelecer qual seria essa tal de &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;, já que livros como O Silmarillion e Contos Inacabados abrangem todas as três eras dos [[Filhos de Ilúvatar]], de modo que, para uma leitura verdadeiramente cronológica, você teria que ler um capítulo de um livro, um capítulo de outro livro, outro capítulo de outro livro, e por aí vai.&lt;br /&gt;
[[Arquivo:O Livro dos Contos Perdidos 1 HarperCollins Brasil.jpg|alt=A capa de O Livro dos Contos Perdidos 1, com uma arte de John Howe retratando alguns dragões e balrogs se espreitando em direção a Gondolin ao fundo.|miniaturadaimagem|316x316px|O Livro dos Contos Perdidos 1]]&lt;br /&gt;
Isso sem nem adentrar no mérito de que há vários livros que trazem versões conflitantes de uma mesma história, como, por exemplo, [[O Livro dos Contos Perdidos]], que traz uma versão variante da história de O Silmarillion. Em uma leitura na &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;, qual dos dois livros você leria primeiro, se ambos abordam, em tese, a mesma história? Ou você escolheria um deles como sendo &amp;quot;mais canônico&amp;quot; e não leria o outro?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É por isso que eu particularmente acho impossível fazer um levantamento do que seria uma &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot; dos escritos de Tolkien sobre o universo da Terra-média, e pode ter certeza que qualquer &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot; que você encontrar internet afora (existem várias!) terá algum &#039;&#039;caveat&#039;&#039;: ou a ordem não será verdadeiramente cronológica ou alguns livros serão deixados de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, sintetizando isso tudo, eu particularmente acredito que, para quem nunca leu Tolkien, a melhor porta de entrada é, sem sombra de dúvidas, a ordem original de publicação, pois&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# com ela você começará a leitura com O Hobbit, que, por ser o primeiro livro de Tolkien (publicado) sobre este universo e, em suma, uma história infantil, tem uma escrita extremamente leve e aconchegante;&lt;br /&gt;
# o estilo da escrita de J.R.R. Tolkien vai se intensificando e ficando mais densa naturalmente com o decorrer dos livros, de modo que fica mais fácil de você ir se adaptando a essa evolução;&lt;br /&gt;
# todo livro sempre é escrito tendo como base o conhecimento que o público já tem dos livros anteriores, ainda que os livros anteriores venham &amp;quot;cronologicamente depois&amp;quot;, como ressaltado pelo próprio Christopher Tolkien em Contos Inacabados;&lt;br /&gt;
# é praticamente impossível estabelecer qual seria uma ordem cronológica dos livros, já que vários deles abordam vários períodos diferentes da história simultaneamente, bem como trazem várias versões diferentes e conflitantes da mesma história; e&lt;br /&gt;
# começar por livros como O Silmarillion só vai (provavelmente) te assustar e te desmotivar a continuar lendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== E qual é a ordem original de publicação? ==&lt;br /&gt;
Explicadas as razões pelas quais eu recomendo a ordem original de publicação para novos leitores, esta é a sequência que você deve seguir. Os ticks verdes (✅) marcam os livros já publicados aqui no Brasil, enquanto os X&#039;s vermelhos (❌), os ainda não publicados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cada livro seguirá com uma breve explicação, mas você pode clicar no título de cada um para obter maiores informações.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Livros publicados em vida ===&lt;br /&gt;
[[Arquivo:O Hobbit HarperCollins Brasil.jpg|alt=A capa do livro O Hobbit, com uma arte do próprio Tolkien de uma floresta com montanhas ao fundo.|miniaturadaimagem|351x351px|O Hobbit]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Hobbit|O Hobbit: ou Lá e de Volta Outra Vez]]&#039;&#039;&#039; (1937)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um conto de fadas infantil sobre um Hobbit que acabou se envolvendo numa grande aventura com um grupo de anãos, na qual se fazem presentes gobelins, elfos, um dragão, um mago e até um anel mágico.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; (1954-55)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Comumente dividido em três volumes (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei), esta é a continuação direta de O Hobbit. Aqui nós descobrimos que, não só a história do mundo em que Bilbo vive é muito mais complexa do que imaginamos, como também o fato de que ele se envolveu numa trama muito mais sombria do que jamais imaginaria ao encontrar aquele &amp;quot;anel mágico&amp;quot;.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[As Aventuras de Tom Bombadil|As Aventuras de Tom Bombadil e Outros Versos do Livro Vermelho]]&#039;&#039;&#039; (1962) - OPCIONAL&amp;lt;blockquote&amp;gt;Uma coletânea de 16 versos e poemas &amp;quot;hobbitescos&amp;quot; retirados do Livro Vermelho do Marco Ocidental (o mesmo livro no qual Bilbo escreveu a história de O Hobbit e no qual Frodo escreveu a história de O Senhor dos Anéis).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como são apenas poemas, a leitura deste livro pode ser &amp;quot;pulada&amp;quot; sem interferir em nada no seu conhecimento da História. Porém, acho válida a leitura.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[A Última Canção de Bilbo]]&#039;&#039;&#039; (1974) - OPCIONAL&amp;lt;blockquote&amp;gt;Uma poesia escrita por Bilbo, que foi publicada em formato de livro com várias ilustrações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como é apenas um poema, a leitura deste livro pode ser &amp;quot;pulada&amp;quot; sem interferir em nada no seu conhecimento da História. Porém, acho válida a leitura.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Livros publicados postumamente ===&lt;br /&gt;
A partir daqui passamos a conhecer os livros publicados após a morte de J.R.R. Tolkien, que foram em sua maioria editados e organizados por seu filho e &amp;quot;executor literário&amp;quot; [[Christopher Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Silmarillion]]&#039;&#039;&#039; (1977)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Uma coletânea dos contos incompletos que foram escritos por Tolkien ao longo de mais de 50 anos e que abrangem principalmente a Primeira Era da Terra-média (os Dias Antigos do mundo de Bilbo e Frodo, do qual ouvimos falar várias vezes ao longo de O Senhor dos Anéis). Embora haja diversas versões dessas histórias, Christopher juntou aquelas que mais faziam sentido umas com as outras.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Livros de estudos ====&lt;br /&gt;
Embora O Silmarillion seja um livro publicado postumamente, posto que Tolkien não chegou a terminá-lo em vida, Christopher Tolkien o editou e o publicou de uma forma que constituísse uma única história coerente, em consonância com O Hobbit e, principalmente, O Senhor dos Anéis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, esse foi o primeiro livro (de dois) que Christopher &#039;&#039;alterou&#039;&#039; a fim de que parecesse constituir uma única história, com começo, meio e fim, sendo constituído por diferentes versões não exatamente &amp;quot;canônicas&amp;quot; das histórias, bem como contendo, inclusive, material original do próprio Christopher e de [[Guy Gavriel Kay]] (embora tudo, é claro, baseado nos escritos originais de Tolkien, sem nada contradizer).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conforme será explicado pelo próprio Christopher em outros livros, ele se arrependeu de ter alterado (ainda que pouco) os escritos de seu pai em O Silmarillion (bem como de ter criado material original de autoria sua e de Alan) e, a partir daqui, não mais tenta dar sentido aos rascunhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir daqui, os livros editados por Christopher Tolkien contam com constantes comentários dele a respeito das inconsistências nos escritos (não finalizados) de seu pai, motivo pelo qual a leitura passa a ser muito mais maçante e &amp;quot;acadêmica&amp;quot;, voltada para quem realmente quer se aprofundar mais neste universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, não se engane: há MUITA informação interessantíssima sobre o legendário de Tolkien nos livros a seguir, que valem muito a pena serem conhecidos. Por isso que ressalto a importância de se ler os livros na ordem original de publicação, pois assim você vai se acostumando naturalmente com a &amp;quot;intensificação&amp;quot; do estilo de escrita e acaba se sentindo mais à vontade quando finalmente chegar nesses livros mais complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[Contos Inacabados|Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média]]&#039;&#039;&#039; (1980)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Esta é uma outra coletânea de contos incompletos, que abrangem todas as eras da Terra-média e servem de complementação a O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora haja vários contos aqui, o livro não constitui uma história única e os textos não guardam uma relação direta entre si. Ademais, o comentário editorial de Christopher se faz bastante presente, com ele constantemente citando inconsistências entre esses contos e os textos já publicados nos três livros anteriores.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Até aqui tivemos dois livros editados por Christopher Tolkien e publicados postumamente, sendo que um deles (O Silmarillion) ele alterou de forma a parecer uma história única e consistente e o outro deles (Contos Inacabados) ele fez questão de chamar atenção pras divergências e inconsistências de seu pai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, ambos os livros trouxeram as versões mais ou menos &amp;quot;mais tardias&amp;quot; que seu pai escreveu, sendo que, devido às várias versões e contradições entre os escritos de seu pai, Christopher decide fazer uma verdadeira &amp;quot;aula de mestre&amp;quot; e explicar melhor toda a mitologia de seu pai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== A História da Terra-média =====&lt;br /&gt;
Em outras palavras, a partir daqui Christopher resolve nos trazer quase todos os escritos de seu pai sobre o seu legendário da Terra-média, organizados mais ou menos em ordem cronológica de criação, começando pelos primórdios de sua mitologia (que se originou por volta do ano 1915) e terminando nas versões mais tardias das histórias (que se encerraram com sua morte em 1973), que na maioria das vezes seguem um caminho totalmente diferente do inicialmente planejado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso é o que Christopher chamará de A História da Terra-média (uma coleção de 12 livros).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Livro dos Contos Perdidos|O Livro dos Contos Perdidos 1 e 2]] | [[A História da Terra-média]] I e II&#039;&#039;&#039; (1983-84)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Trata da primeira versão do que viria a ser O Silmarillion como o conhecemos, escrita entre 1915-1920. Embora abranja a &amp;quot;mesma história&amp;quot; de O Silmarillion, ela é bem diferente e até mais complexa aqui: temos mais Valar, um destino diferente para os Noldor, um relação direta com a Inglaterra, e por aí vai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, por ser uma história mais ou menos terminada por Tolkien, que apenas não foi publicada porque ele a abandonou posteriormente conforme ia alterando sua mitologia, há quem diga que O Livro dos Contos Perdidos é muito mais agradável de se ler do que O Silmarillion, já que O Silmarillion foi um remendo feito por Christopher de várias histórias inacabadas de seu pai e, querendo ou não, Tolkien sabia &amp;quot;construir&amp;quot; melhor um livro como um todo.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[As Baladas de Beleriand]] | A História da Terra-média III&#039;&#039;&#039; (1985)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um compilado de cinco poemas que Tolkien escreveu nos anos 1920, após a fase dos &amp;quot;Contos Perdidos&amp;quot;. Os dois maiores deles são A Balada dos Filhos de Húrin e A Balada de Leithian (a história de Beren e Lúthien).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Formação da Terra-média]] | A História da Terra-média IV&#039;&#039;&#039; (1986)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Trata do &amp;quot;Esboço da Mitologia&amp;quot; (1926-1930), que é a transição dos &amp;quot;Contos Perdidos&amp;quot; para o que viria a ser O Silmarillion como o conhecemos hoje. Além do Esboço, conhecemos mapas, diagramas, e anais cronológicos de Valinor e Beleriand (dois locais importantes da Terra-média, onde ocorreram as histórias da Primeira Era).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Arquivo:A Estrada Perdida e Outros Escritos HarperCollins Brasil.jpg|alt=A capa do livro A Estrada Perdida e Outros Escritos, com uma arte de John Howe retratando alguns Orques se espreitando em direção à Torre de Elwing.|miniaturadaimagem|334x334px|A Estrada Perdida e Outros Escritos]]&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Estrada Perdida e Outros Escritos]] | A História da Terra-média V&#039;&#039;&#039; (1987)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um conto (incompleto) de Tolkien sobre viagem no tempo, que se passa na Terra-média, oriundo de um desafio recíproco feito entre ele e C.S. Lewis (que também escreveu uma história de ficção científica), &amp;quot;e outros escritos&amp;quot;, oriundos dos anos 1930.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Retorno da Sombra]] | A História da Terra-média VI&#039;&#039;&#039; (1988)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Nos cinco primeiros volumes de A História da Terra-média, vimos uma evolução da escrita de O Silmarillion, de 1915 até os anos 1930. A partir daqui chegamos ao período na vida de Tolkien na qual ele &amp;quot;abandonou&amp;quot; o Quenta Silmarillion para focar em O Senhor dos Anéis, de 1937 em diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, aqui temos uma análise da evolução de O Senhor dos Anéis, que engloba boa parte de A Sociedade do Anel e suas três fases iniciais de composição, que foram cruciais para Tolkien chegar à base do que viria a ser O Senhor dos Anéis como o conhecemos.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Traição de Isengard]] | A História da Terra-média VII&#039;&#039;&#039; (1989)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Dá continuidade à evolução de O Senhor dos Anéis, cobrindo parte de A Sociedade do Anel e de As Duas Torres. Aqui vamos conhecer a invenção de Lothlórien, ideias para o destino de Frodo e Sam em Mordor, a invenção e evolução de Barbárvore e os Ents, etc.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Guerra do Anel]] | A História da Terra-média VIII&#039;&#039;&#039; (1990)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Cobre parte de As Duas Torres e de O Retorno do Rei e mostra como essas histórias foram evoluindo.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[Sauron Derrotado]] | A História da Terra-média IX&#039;&#039;&#039; (1992)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Evolução do final do Senhor dos Anéis e o seu epílogo rejeitado. Aqui também temos The Notion Club Papers (uma outra história de viagem no tempo), a história de Númenor, e anotações sobre Adûnaico (a língua de Númenor).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[O Anel de Morgoth]] | A História da Terra-média X&#039;&#039;&#039; (1993)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Após a publicação de O Senhor dos Anéis (1954-55), Tolkien volta a focar no Quenta Silmarillion. Aqui vamos conhecer escritos detalhados e comentários editoriais sobre O Silmarillion mais tardio, que viria mais ou menos a ser O Silmarillion como publicado. Também conhecemos muitas informações sobre personagens e conceitos que acabaram ficando de fora do Silmarillion publicado.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[A Guerra das Joias]] | A História da Terra-média XI&#039;&#039;&#039; (1994)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Continuação direta de O Anel de Morgoth, com mais comentários e escritos tardios de Tolkien sobre o que viria a ser O Silmarillion como publicado.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[Os Povos da Terra-média]] | A História da Terra-média XII&#039;&#039;&#039; (1996)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Cobre o desenvolvimento do prólogo e dos apêndices de O Senhor dos Anéis e as línguas élficas criadas por Tolkien. Aqui também temos duas histórias abandonadas por Tolkien, sendo uma delas A Nova Sombra, que deveria ser uma sequência de O Senhor dos Anéis.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Os três Grandes Contos =====&lt;br /&gt;
[[Arquivo:Os Filhos de Húrin.jpg|alt=A capa do livro Os Filhos de Húrin, com uma arte de Alan Lee retratando Túrin no topo de um monte, vestindo um elmo com um dragão dourado na parte de cima, e com alguns homens seguindo atrás dele até o topo do monte.|miniaturadaimagem|348x348px|Os Filhos de Húrin]]&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[Os Filhos de Húrin]]&#039;&#039;&#039; (2007)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um compilado de todos os escritos sobre este conto (do qual já vimos em O Silmarillion, Contos Inacabados e As Baladas de Beleriand), sendo que Christopher molda esses textos de forma que constituíssem um único romance. Este é o segundo dos dois livros que Christopher fez isso (o primeiro sendo O Silmarillion).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[Beren e Lúthien]]&#039;&#039;&#039; (2017)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um longo levantamento das diferentes versões deste conto. Diferentemente de &amp;quot;Os Filhos de Húrin&amp;quot;, aqui não há a tentativa de transformar tudo num único romance, sendo as diferentes versões comparadas entre si.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Queda de Gondolin]]&#039;&#039;&#039; (2018)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um longo levantamento das diferentes versões deste conto. Diferentemente de &amp;quot;Os Filhos de Húrin&amp;quot;, aqui não há a tentativa de transformar tudo num único romance, sendo as diferentes versões comparadas entre si.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Livros pós-falecimento de Christopher Tolkien =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Natureza da Terra-média]]&#039;&#039;&#039; (2021)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um longo levantamento de escritos &amp;quot;miscelânicos&amp;quot; de Tolkien a respeito da natureza da Terra-média, abordando o modo de vida das diferentes raças e assuntos teológicos e filosóficos como, por exemplo, o envelhecimento dos Elfos, os animais de Númenor, a relação do bem e do mal, e por aí vai. Embora não haja nenhum material propriamente inédito, muitos dos textos desde livro só tinham sido publicado até então em revistas e, assim, eram ignorados pela maioria dos leitores de Tolkien.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Queda de Númenor|A Queda de Númenor e Outros Contos da Segunda Era da Terra-média]]&#039;&#039;&#039; (2022)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Uma coletânea de todos os escritos de Tolkien sobre a Segunda Era (isto é, tudo já publicado anteriormente) e organizados de forma cronológica segundo o Conto dos Anos (Apêndice B de O Senhor dos Anéis). É basicamente um facilitador dos estudos da Segunda Era, não havendo nenhum material inédito com exceção dos comentários do editor.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Thorin_Escudo-de-carvalho&amp;diff=1131</id>
		<title>Thorin Escudo-de-carvalho</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Thorin_Escudo-de-carvalho&amp;diff=1131"/>
		<updated>2025-06-27T16:46:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Infobox Anãos|nome=Thorin Escudo-de-carvalho|povo=Anão|imagem=[[Arquivo:Rodrigo Machado - Thorin Oakenshield.png|250px]]|legendaimagem=&amp;quot;Thorin Escudo-de-carvalho&amp;quot;, por Rodrigo Machado|pronuncia=θÓ-rin|raça=[[Anãos]]|titulos=Rei sob a Montanha,&amp;lt;br&amp;gt;Rei do Povo de Durin|afiliacao=Thorin e Companhia|local=[[Dunland]], [[Montanhas Azuis]], [[Erebor]]|idiomas=[[Khuzdul]], [[Westron]]|nascimento=[[T.E. 2746]]|morte=[[T.E. 2941]]|notavelpor=[[A Demanda de Erebor]]|casa=[[Casa de Durin]], [[Povo de Durin]], [[Barbas-longas]]|filiacao=[[Thráin II]]|irmaos=[[Frerin]], [[Dís]]|genero=Masculino|cabelos=Barba branca|roupas=Capuz azul-celeste com uma comprida borla prateada,|armas=[[Orcrist]]}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Thorin II&#039;&#039;&#039;, cognominado &#039;&#039;&#039;Escudo-de-carvalho&#039;&#039;&#039;, foi uma [[Anãos|Anão]] do [[Povo de Durin]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thorin liderava os [[Barbas-longas]] das [[Montanhas Azuis]] e mais tarde liderou uma demanda de volta a [[Erebor]], a Montanha Solitária, acompanhado de outros 12 Anãos, um [[Hobbit]] e um [[Magos|mago]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thorin foi assassinado na [[Batalha dos Cinco Exércitos]], ao final de sua demanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
[...]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=R%C3%BAmil_de_Tirion&amp;diff=1130</id>
		<title>Rúmil de Tirion</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=R%C3%BAmil_de_Tirion&amp;diff=1130"/>
		<updated>2025-06-27T16:32:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;Rúmil&#039;&#039;&#039; é um sábio [[Noldor|noldorin]] de [[Tirion]], um dos mestres do saber e o primeiro inventor de caracteres de escrita.&amp;lt;ref name=&amp;quot;:1&amp;quot;&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. [[Christopher Tolkien]] (editor). &#039;&#039;&#039;[[O Silmarillion]]&#039;&#039;&#039; (Índice de Nomes; Rúmil)&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
Quando os Três Clãs dos [[Eldar]] estavam reunidos enfim em [[Valinor]], e [[Melkor]] estava acorrentado, tivemos o [[Zênite do Reino Abençoado]], a plenitude de sua glória e ventura. Naqueles dias os Eldar como um todo alcançaram sua estatura plena de corpo e de mente, mas os Noldor em especial eram os que mais avançavam sempre em engenho e conhecimento.&amp;lt;ref name=&amp;quot;:0&amp;quot;&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. [[Christopher Tolkien]] (editor). &#039;&#039;&#039;[[O Silmarillion]]&#039;&#039;&#039; ([[Quenta Silmarillion]]; 6. [[De Fëanor e de Melkor Desacorrentado]])&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nessa época que os Noldor cogitaram pela primeira vez a feitura de letras, e Rúmil de Tirion, um dos mestres do saber, foi o primeiro a conseguir fazer sinais adequados para registrar as falas e as canções, alguns para serem gravados em metal ou pedra e outros para serem traçados com pincel ou pena.&amp;lt;ref name=&amp;quot;:0&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse seu alfabeto, o primeiro dos Eldar, foi chamado &#039;&#039;[[Tengwar de Rúmil]]&#039;&#039; (&amp;quot;Letras de Rúmil&amp;quot;). Elas não eram usadas na Terra-média e foram mais tarde expandidas e aperfeiçoadas por [[Fëanor]], cujo alfabeto foi chamado &#039;&#039;[[Tengwar de Fëanor]]&#039;&#039; (&amp;quot;Letras de Fëanor&amp;quot;) ou simplesmente Tengwar (&amp;quot;Letras&amp;quot;), pois estas foram trazidas à Terra-média pelos Noldor exilados e assim se tornaram mais amplamente conhecidas entre os Homens e todos os outros povos que compartilhavam a [[Westron|fala comum]].&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; ([[Apêndices]]; E. [[Escrita e Grafia]]; II. Escrita)&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
Rúmil foi o autor de grandes obras eldarin, dentre elas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;[[Ainulindalë]]&#039;&#039;&#039;, a Música dos [[Ainur]]&amp;lt;ref name=&amp;quot;:1&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. [[Christopher Tolkien]] (editor). &#039;&#039;&#039;[[O Silmarillion]]&#039;&#039;&#039; (Índice de Nomes; Ainulindalë)&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;[[Ambarkanta]]&#039;&#039;&#039;, a Forma do Mundo&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. [[Christopher Tolkien]] (editor). [[O Livro dos Contos Perdidos 1|&#039;&#039;&#039;O Livro dos Contos Perdidos 1&#039;&#039;&#039;]] (Prefácio)&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etimologia ==&lt;br /&gt;
A etimologia do nome Rúmil é desconhecida. Todavia, [[Christopher Tolkien]] acreditava que o nome provavelmente tem relação com algumas palavras do LG (Lexo [[Gnômico]])&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;&amp;quot;Gnomos&amp;quot; é como J.R.R. Tolkien chamava os Noldor nas primeiras versões de seu legendário (o termo foi abandonado mais tarde). Rúmil é um dos Gnomos que aparecem em O Livro dos Contos Perdidos, a primeira versão do Silmarillion.&amp;lt;/ref&amp;gt;, como &#039;&#039;rû&#039;&#039; e &#039;&#039;rûm&#039;&#039; (&amp;quot;segredo, mistério&amp;quot;), &#039;&#039;ruim&#039;&#039; (“secreto, misterioso”), &#039;&#039;rui&#039;&#039; (“sussurro”) e &#039;&#039;ruitha&#039;&#039; (“sussurrar”).&amp;lt;ref&amp;gt;[[J.R.R. Tolkien]]. [[Christopher Tolkien]] (editor). [[O Livro dos Contos Perdidos 1|&#039;&#039;&#039;O Livro dos Contos Perdidos 1&#039;&#039;&#039;]] (Apêndice: Nomes em Os Contos Perdidos 1; Rúmil)&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pronúncia ===&lt;br /&gt;
O &amp;quot;R&amp;quot; inicial em Rúmil deve ser vibrado como no espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Outras versões da história ==&lt;br /&gt;
Em O Livro dos Contos Perdidos, Rúmil era o Guardião-das-Portas de [[Kortirion]], na [[Ilha Solitária]], um [[Gnomos|Gnomo]] grisalho, conhecedor de todos os idiomas dos [[Valar]], Elfos, monstros, [[gobelins]], animais, aves e Homens. Embora ainda fosse um erudito Gnomo, ancião dentre os Noldoli, estava longe de ser um dos &amp;quot;mestres-do-saber&amp;quot; noldorin que Tolkien criaria mais tarde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta versão da história, Rúmil foi um escravo de Melko antes da queda de Gondolin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não seja dito explicitamente que Rúmil teria sido o autor da Música dos Ainur, ainda foi Rúmil quem contou essa história para Eriol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Adaptações ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== [[Os Anéis de Poder (série)|Os Anéis de Poder]] (2022-) ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Temporada 2, Episódio 2:&#039;&#039;&#039; Após fugir de [[Lindon]] e buscar refúgio nos [[Portos Cinzentos]], [[Elrond]] questiona [[Círdan]] sobre o que ele deveria fazer com os [[Três Anéis]], já que, mesmo funcionando para levarem beleza de volta a Lindon, eles tinham sido forjados usando os ensinamentos de [[Sauron]], quando então Círdan diz a Elrond que a beleza, mesmo quando produzida pelo mal, não deixa de ser beleza, dando como exemplo Rúmil e [[Daeron]], já que um era um alcoólatra e o outro um insuportável, mas isso não tornava seus versos menos belos. O conceito de que Rúmil era um alcoólatra não existe nos livros e foi inventado pela série.&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Temporada 2, Episódio 7:&#039;&#039;&#039; Durante o saque de [[Eregion]], [[Adar (Os Anéis de Poder)|Adar]] derrota Elrond no combate corpo a corpo e pede que ele não se esqueça dos versos de Rúmil: &amp;quot;nunca faça guerra com raiva&amp;quot;. Esta frase de Rúmil não existe nos livros e foi inventada pela série.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1129</id>
		<title>Elfos Negros na Terra-média</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1129"/>
		<updated>2025-06-27T01:00:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Desambiguação (entre dois)|Elfos de pele negra|os Elfos Escuros|[[Moriquendi]]}}&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] em 2022 (atualizado por último em 26/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Este artigo está atualmente sob um processo de revisão, atualização e expansão e algumas partes poderão estar incompletas.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão quanto à presença ou não de Elfos de pele negra no legendário da [[Terra-média]] não é recente e existe desde o século passado. Todavia, em razão do grande peso que essa discussão tomou desde a divulgação das primeiras imagens da nova série [[O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder]], nas quais havia sido confirmado que teríamos um ator de pele negra interpretando um Elfo - no caso, [[Ismael Cruz Córdova]], que interpretaria o Elfo [[Arondir]] -, eu resolvi fazer um vídeo analisando a fundo tudo o que [[J.R.R. Tolkien]] de fato já havia falado sobre a aparência dos [[Elfos]] de seu universo, em especial o seu tom de pele, sob o ponto de vista tanto de livros &amp;quot;canônicos&amp;quot; (i.e., O Hobbit e O Senhor dos Anéis) quanto de livros &amp;quot;não-canônicos&amp;quot; (i.e., aqueles livros que não foram finalizados em vida e acabaram sendo publicados postumamente com organização, edição e comentários de outras pessoas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vídeo em questão foi publicado no meu canal, [https://www.youtube.com/@ProjetoTolkien Projeto Tolkien], em 07/03/2022 (você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=sJwg-u-GBR0 aqui]), mas, depois de ver os incontáveis comentários que foram feitos nele, eu me dei conta de que aquele vídeo acabou ficando bastante desfocado, posto que, embora a temática central dele era a cor da pele dos Elfos da Terra-média, eu também adentrei em questões que não tinham qualquer relação com isso, como barba, cor e tamanho dos cabelos, cor dos olhos, etc., e, inclusive, no dilema sobre quais livros seriam ou não &amp;quot;canônicos&amp;quot; no legendário da [[Terra-média]] - discussão essa que influencia essas outras questões, mas não o tom de pele em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso tudo, inevitavelmente, deixou certos pontos que eu fiz sobre o tom de pele dos Elfos da Terra-média ambíguos e confusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi por esse motivo que eu resolvi fazer um novo levantamento, muito mais detalhado e aprofundado, para sintetizar melhor essa discussão, centralizando ele &#039;&#039;exclusivamente&#039;&#039; no tom de pele dos Elfos da Terra-média e deixando essas outras discussões a respeito de sua aparência de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 1:&#039;&#039;&#039; Todas as citações mencionadas neste artigo foram retiradas das edições Kindle (e-book) dos livros publicados pela [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 2:&#039;&#039;&#039; Uma versão bem semelhante, mas anterior, desse levantamento foi publicada em formato de vídeo no meu canal em 02/04/2023. O vídeo está um pouco desatualizado, mas, enquanto eu não gravo outro, você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=e8CFWuj_TJo aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
Antes de adentrarmos no levantamento em si, eu acredito ser de suma importante ressaltar um ponto muito importante: &#039;&#039;&#039;J.R.R. Tolkien, o autor de livros como O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou então que Elfos pretos não existiam.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo isso em mente, você pode se perguntar: &amp;quot;ué, mas se Tolkien nunca falou isso, então por que estamos tendo essa discussão?&amp;quot; E, tentando simplificar uma resposta que certamente poderia render um vídeo só eu, eu diria: &amp;quot;por causa da preconcepção popular, muitas vezes fundamentada, ainda que inconscientemente, em argumentos racistas e/ou eurocêntricos.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o [[wikipedia:Amazon_MGM_Studios|Amazon Studios]] divulgou a primeira imagem de [[Arondir]], um Elfo &#039;&#039;original&#039;&#039; criado para a nova série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que seria interpretado por [[Ismael Cruz Córdova]], um ator preto, começaram a chover comentários internet afora alegando que a empresa estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de J.R.R. Tolkien em prol de uma cultura &amp;quot;woke&amp;quot; e &amp;quot;lacradora&amp;quot; ao colocar atores pretos para interpretar personagens que eram brancos nos livros. Comentários iniciais esses que eram sempre baseados em puro racismo e/ou em um total desconhecimento das obras originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por mais que Arondir era um Elfo original criado para a série - ou seja, não é como se tivessem pegado um Elfo branco dos livros e mudado a cor de sua pele na série -, o argumento dessas pessoas era o de que, embora Arondir fosse um Elfo original, o simples fato de que ele era um Elfo exigiria que ele fosse interpretado por um ator branco, já que, &#039;&#039;segundo essas pessoas&#039;&#039;, &amp;quot;todo mundo&amp;quot; sabia que os Elfos da Terra-média seriam brancos e a empresa estaria tentando deturpar a obra original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu disse mais atrás, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, nunca disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou mesmo que Elfos pretos não existiam. Porém, simplesmente dizer para essas pessoas que não há nos livros qualquer menção aos Elfos serem todos brancos não foi o suficiente. Mesmo com pessoas como eu e vários outros leitores dos livros insistentemente dizendo que não havia qualquer fala de Tolkien nesse sentido, seja nos próprios livros, seja em suas cartas, essas pessoas insistiam em forçar essa interpretação claramente deturpada dos livros e das intenções do autor para justificarem que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o mais engraçado é que, quanto mais se provava que esses argumentos eram falso, mais argumentos iam aparecendo. Essas pessoas davam um argumento - a gente rebatia. Elas arrumavam outro argumento - a gente rebatia. Arrumavam outro argumento - a gente rebatia. E assim sucessivamente por vários &amp;quot;argumentos&amp;quot; e, por incrível que pareça, anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sinceramente não sei o que essas pessoas ganhariam com isso, mas muitas delas, seja lá por qual motivo, tomaram como o grande objetivo de sua vida &amp;quot;provarem&amp;quot; a todo custo que não havia pessoas pretas nas lendas da Terra-média. Não tem nada que justifique essa busca incansável por um novo argumento, a não ser essas pessoas realmente terem colocado como um objetivo crucial em suas vidas provar que pessoas pretas não existiam na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou melhor, só para me corrigir, &amp;quot;que não existiam pessoas pretas &#039;&#039;salvo os Haradrim&#039;&#039;&amp;quot;, os vilões de O Senhor dos Anéis, posto que eu vi muitas dessas pessoas falando que o problema não era a série ter atores pretos, já que se fossem personagens Haradrim não teria problema nenhum. Para essas pessoas, o problema está nos Elfos - os &amp;quot;mocinhos&amp;quot; - serem interpretados por atores negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, esse é o motivo deste levantamento ter sido criado. Já que simplesmente dizer para essas pessoas obcecadas pela cor da pele das pessoas que Tolkien nunca falou um A nesse sentido não foi o suficiente, eu decidi tentar refutar, um a um, todos os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu encontrei internet afora que (supostamente) comprovariam que Elfos negros não existiam no legendário da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sei que essas pessoas em especial, que, como eu disse, aparentam ter colocado com um objetivo de suas vidas provar que Elfos pretos não existiam na Terra-média, não serão convencidas por esse vídeo aqui. Eu posso refutar todos os argumentos aqui que elas ainda irão arrumar um novo argumentam - ou então dizer que o próprio Tolkien estava errado, como eu já vi uma pessoa fazer em um vídeo meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intenção desse vídeo é, por outro lado, tentar trazer um pouco de luz pra essa discussão, já que, infelizmente, eu vi muita gente, por assim dizer, &amp;quot;inocente&amp;quot;, sendo levada a acreditar que Elfos de pele negra realmente não existiam na Terra-média e inclusive a criticar Tolkien e chamá-lo de racista por ter dito que não havia Elfos pretos na Terra-média, sendo que na realidade ele nunca fez isso. E, para além dessas críticas infundadas feitas a Tolkien, eu também vi gente, por assim dizer, usando os argumentos &amp;quot;errados&amp;quot; para defender a presença de Elfos negros na série, indiretamente dando força para esses comentários racistas de quem insiste em dizer que Elfos pretos não existem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só para dar um exemplo, o Load, que é um cara incrível e que eu inclusive acompanho nas redes sociais e esporadicamente no YouTube, disse que, ainda que Elfos pretos não existissem, fato é que Elfos como um todo não existem, de modo que qualquer representação seria válida. Outros comentários semelhantes feitos por outras pessoas diziam que, ainda que Elfos pretos não existissem, o mundo de hoje é outro e a representatividade é importante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu concordo com o Load que Elfos como um todo não existem no mundo real? Sem dúvida! Eu concordo com essas pessoas que a representatividade é importanto? Sem dúvida também. A questão maior aqui é que a gente não precisar ir tão longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais que eu concorde com essas falas, a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;Elfos não existem&amp;quot;, assim como a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;representatividade é importante&amp;quot;. A gente deve colocar Elfos de pele negra na série porque Elfos de pele negra existiam sim nos livros. E eu acho que é nesse argumento que a gente deve focar mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comentários como o do Load ou dessas outras pessoas, por mais verdadeiros e importantes que sejam, dão a falsa impressão que os Elfos pretos realmente não existiam na Terra-média - o que, indiretamente, acaba dando mais força para essas pessoas que vem com esse falso argumento de que a série estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, como eu disse, a minha maior intenção com esse artigo não é tentar mudar a opinião de quem colocou como objetivo de vida provar que Elfos pretos não existiam. A minha intenção é trazer um pouco mais de luz para esse assunto, focando principalmente nessas outras pessoas que, quer elas concordem ou discordem com a presença de um Elfo negro na série, foram levadas a acreditar nessa falácia de que eles não existem nos livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que, infelizmente, aqui a gente adentra na tal da &amp;quot;[https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Brandolini Lei de Bradolini]&amp;quot;, que diz que a quantidade de energia necessária para refutar uma idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. Afinal, uma pessoa gasta 5 minutos pra dizer algo como &amp;quot;não havia Elfos negros na Terra-média porque ela representava a Europa Nórdica&amp;quot; e nada mais, enquanto eu gasto literalmente meses fazendo pesquisas, indo atrás de citações e escrevendo textos com dezenas de páginas e gravando vídeos de mais de meia hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, por mais que uma pessoa que traz um argumento raso como esse tem um alcance muito mais que um artigo de 30 páginas ou um vídeo de mais de meia hora, eu não acho que eu deveria simplesmente ficar quieto. Ainda mais quando eu vejo pessoas incríveis e do bem sendo levadas a acreditar em informações falsas por falta de alguém fazendo um contraponto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já dizia Tolkien, &amp;quot;não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual)&amp;quot; (Árvore e Folha; Sobre Estórias de Fadas). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, só pra reforçar, esse artigo não abordará a importância da representatividade no entretenimento porque 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica evidentemente não se importam com isso, de modo que abordar esse assunto seria inútil, 2) eu não tenho propriedade para falar sobre o assunto, e 3) essa discussão não é necessária para comprovar que Elfos negros existiam sim na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e sem maiores delongas, abaixo eu trarei cada um dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu mais encontrei internet afora e, em seguida, a minha explicação do porquê de esse argumento não fazer qualquer sentido. Tudo, é claro, sempre fundamentado com citações diretas de J.R.R. Tolkien. Os tais dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; não estarão em nenhuma ordem específica porque, como eu comentei, as pessoas que defendem a não-existência de Elfos negros estão sempre mudando de argumentação conforme você as vai refutando e, assim, cada pessoa vai usando esses argumentos em &amp;quot;ordens&amp;quot; diferentes umas das outras. Vou abordá-los na ordem que eu achar melhor para construir o raciocínio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rebatendo argumentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Em O Senhor dos Anéis Tolkien deixou claro que os Elfos &#039;eram belos, de pele clara e de olhos cinzentos&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Não é bem assim. De fato há essa menção em [[O Senhor dos Anéis]], mas trata-se de uma frase tirada de contexto, conforme já extensivamente explicado por [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e seu &amp;quot;executor literário&amp;quot;) em [[O Livro dos Contos Perdidos 1]], o 1.º volume da coleção [[A História da Terra-média]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em O Senhor dos Anéis, nós temos o seguinte trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, e Eldar, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal e ali chegaram no começo dos Dias (exceto apenas pelos Sindar). [...] Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, apesar de terem as madeixas escuras, exceto na casa dourada de Finarfin;&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em O Livro dos Contos Perdidos 1, Christopher nos traz a versão completa do rascunho de seu pai para esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em um rascunho do parágrafo final do Apêndice F de O Senhor dos Anéis, ele [Tolkien] escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes (não neste livro) tenho usado “Gnomos” por Noldor e “gnômico” por noldorin. Fiz isso porque [...], para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais. Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora abandonei essa representação por demasiado enganosa. Pois os Noldor pertenciam a uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, que agora se foram. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, e suas madeixas eram escuras, exceto na casa dourada de Finrod […].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No último parágrafo do Apêndice F, conforme publicado, a referência aos “Gnomos” foi removida, e substituída por um trecho explicando o uso da palavra Elves [Elfos] como tradução de Quendi e Eldar. […] Portanto, &#039;&#039;&#039;essas palavras que descrevem características do rosto e dos cabelos foram escritas, na verdade, apenas sobre os Noldor, e não sobre todos os Eldar&#039;&#039;&#039;: de fato os Vanyar tinham cabelos dourados, e foi da mãe vanyarin de Finarfin, Indis, que ele e seus filhos Finrod Felagund e Galadriel herdaram os cabelos dourados que os distinguiam entre os príncipes dos Noldor. Mas sou incapaz de determinar como essa extraordinária corrupção do sentido surgiu.&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; O nome Finrod no trecho ao final do Apêndice F está incorreto: Finarfin era Finrod e Finrod era Inglor até a segunda edição de O Senhor dos Anéis, e, na ocasião, a alteração não foi feita.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como mencionado por Christopher, essa deturpação do sentido, oriunda da omissão de parte do texto de seu pai, foi corrigida na segunda edição de O Senhor dos Anéis, a partir da qual essa frase conta com uma nota de rodapé na qual é ressaltado tratar-se de uma descrição exclusiva para os [[Noldor]] (um dos três clãs élficos)&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;Apesar de terem despertado todos no mesmo local, ao longo das eras os Elfos se dividiram em diversos grupos e etnias (assim como os próprios Homens também se dividiram em vários grupos e etnias após seu primeiro despertar), mas seus três principais clãs eram os Vanyar, os Noldor e os Teleri. Destes, os Teleri foram os que mais se subdividiram em outros grupos e é deles que vêm os Sindar (os Elfos-cinzentos).&amp;lt;/ref&amp;gt;, e não para os Elfos como um todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt; Estas palavras que descrevem caracteres de rosto e cabelos aplicavam-se, de fato, apenas aos Noldor. [N. E.]|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, considerando que a segunda edição de O Senhor dos Anéis foi publicada ainda em 1966, alguém querer se utilizar desse trecho para justificar que todos os Elfos do legendário da Terra-média seriam brancos me parece, no mínimo, ingênuo ou mal-intencionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, se eu tivesse de apostar, eu diria que quem usa esse trecho é só mal-intencionado mesmo, já que é regra dentre esse tipo de pessoa usar argumentos soltos, sem qualquer base em citações diretas, ou, quando por algum milagre embasam suas opiniões com citações diretas, são sempre com trechos retirados totalmente de contexto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, é válido ressaltar aqui que, nas poucas vezes que J.R.R. Tolkien cita um Elfo como tendo pele clara, ele o faz com um Noldo (singular de Noldor), e, nas poucas vezes que outros personagens são descritos como brancos e comparados com os Elfos, eles são sempre comparados especificamente com os Elfos do clã noldorin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Túrin]], filho de [[Húrin]], é comparado nos livros, mais de uma vez, com os Elfos, sendo ele descrito como um Homem branco, sendo que, no entanto, essa comparação é feita especificamente com os Noldor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nos tempos que se seguiram, Túrin cresceu muito nos favores de Orodreth, e quase todos os corações se voltaram para ele em Nargothrond. Pois era jovem e só então alcançara a plenitude da idade viril; e era, em verdade, o filho de Morwen Eledhwen em seu aspecto: &#039;&#039;&#039;de cabelos escuros e pele clara, com olhos cinzentos&#039;&#039;&#039;, e um rosto mais belo do que quaisquer outros entre Homens mortais, nos Dias Antigos. Seu falar e porte eram aqueles do antigo reino de Doriath, e, &#039;&#039;&#039;mesmo em meio aos Elfos, podia ser tomado por um dos das grandes casas dos Noldor&#039;&#039;&#039;; portanto, muitos o chamavam de Adanedhel, o Homem-Elfo.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 21. De Túrin Turambar) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que Túrin tinha (i) cabelos escuros, (ii) pele clara e (iii) olhos cinzentos, que eram exatamente as três características físicas que Tolkien descreveu os Noldor como possuindo no já citado Apêndice F de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro exemplo seria o Elfo [[Maeglin]], filho de [[Aredhel]], que também é descrito como possuindo pele branca, sendo ele estritamente comparado aos Noldor (apesar de ter sangue noldorin por parte de mãe, Maeglin era considerado um Sinda, isto é, um Elfo-cinzento):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Falarei mais sobre Maeglin mais para frente, pois há outras questões a serem abordadas sobre ele.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os (poucos) Elfos que são descritos nos livros como tendo pele clara tinham, no todo ou em parte, sangue noldorin, e todos personagens que são descritos como brancos e que são comparados aos Elfos, são comparados justamente com os Noldor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis (quando contextualizada com a passagem de O Livro dos Contos Perdidos 1) evidencia que não só não há qualquer indicativo de que todos os Elfos fossem brancos, como os vários comparativos de personagens brancos com Elfos noldorin apenas reforça a informação do rascunho original, de que somente os Elfos noldorin tinham essa distinção na aparência em seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;A Terra-média era um mito para a Inglaterra e representa a &#039;Europa Nórdica&#039;; por isso, não havia personagens negros.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Um outro argumento que eu constantemente vejo por aí é o de que a Terra-média representaria a Europa “nórdica” e que, por isso, não teria como haver personagens negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, estudos evidenciam que havia sim pessoas pretas na Europa setentrional, por diferentes razões, mas eu não vou adentrar nessa questão pelo mesmo motivo pelo qual não adentrarei na questão da importância da representatividade: 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica não se importam com isso, posto que possuem uma visão já há muito tempo arraigada sobre a Europa e não serei eu quem fará essas pessoas entenderem um pouco mais de história (até porque eu não tenho propriedade para isso), e 2) essa discussão quanto à presença ou não de pessoas pretas na Europa setentrional não é necessária para comprovar que Elfos pretos podiam sim ter existido na Terra-média. Ou seja, ainda que realmente houvesse zero pessoas pretas na Europa setentrional, como alguns sustentam, isso ainda não mudaria nada para a realidade da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, se você realmente se considera um fã de J.R.R. Tolkien e suas obras, eu sugiro que você pare de se utilizar da palavra “nórdica” para se referenciar ao norte da Europa e/ou os povos dessa região, pois Tolkien deixou claro diversas vezes que possuía total aversão a essa palavra, posto que, segundo ele mesmo, essa palavra, &amp;quot;nórdico(a)&amp;quot;, estava associada a doutrinas racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em breve síntese, Tolkien odiava o termo “nordic” (&amp;quot;nórdico&amp;quot;) e, para ele, nós deveríamos utilizarmo-nos do termo “northern” (“setentrional”) para nos referenciarmos ao norte da Europa e &amp;quot;germanic&amp;quot; (&amp;quot;ermânico&amp;quot;) para nos referenciarmos aos povos que viviam nessas regiões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a especificamente o idioma nórdico, o termo original em inglês é &amp;quot;Norse&amp;quot;, sendo que uma dubiedade pode surgir para nós brasileiros pelo fato de que tanto &amp;quot;nordic&amp;quot; quanto &amp;quot;Norse&amp;quot; são traduzidos por aqui como &amp;quot;nórdico&amp;quot;. E, como não temos uma alternativa para a tradução do idioma &amp;quot;Norse&amp;quot;, eu sugiro, em respeito a J.R.R. Tolkien, que você faça o uso do termo &amp;quot;setentrional&amp;quot; para se referenciar à região em si, &amp;quot;germânico&amp;quot; para os povos, e &amp;quot;nórdico&amp;quot; exclusivamente para o idioma - ou, se preferir, &amp;quot;idioma nórdico&amp;quot; pra deixar bem clara essa distinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns breves exemplos nos quais Tolkien fala sobre essa sua aversão pela palavra “nordic” vêm das Cartas n.º 29 e 45 do livro [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], nas quais ele critica o nazismo por se apropriar, perverter e arruinar a essência “setentrional” em favor de doutrinas raciais não-científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e &#039;&#039;&#039;lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Alemão, &amp;quot;confirmação&amp;quot;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29) - Grifou-se.}}{{Citação em Bloco|trecho=Passei a maior parte da minha vida, desde que eu tinha sua idade, estudando assuntos germânicos (no sentido geral que inclui a Inglaterra e a Escandinávia). [...] Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal. [...] &#039;&#039;&#039;suponho que sei melhor do que a maioria das pessoas qual é a verdade sobre esse absurdo “nórdico”&#039;&#039;&#039;. De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular [...] contra aquele maldito tampinha ignorante chamado &#039;&#039;&#039;Adolf Hitler [...] que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional&#039;&#039;&#039;, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, muito embora seja comum ouvirmos a história de que o plano de J.R.R. Tolkien era o de criar uma mitologia para a [[Inglaterra]], de modo que seu legendário se passaria em uma Europa setentrional, a questão não é tão simples quanto parece e, mais uma vez, quem fala isso está claramente tirando muita coisa de contexto pra tentar dar uma maior ar de credibilidade pras suas visões deturpadas de mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso só era verdade para [[O Livro dos Contos Perdidos]], escrito por Tolkien entre os anos 1917 e 1920, que é a primeira versão do que muito mais tarde viria a ser [[O Silmarillion]] como o conhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, quando Tolkien deu o pontapé inicial ao seu legendário, sua intenção era sim a de criar uma espécie de &amp;quot;mito de criação&amp;quot; da Inglaterra, e isso fica evidente em diversas cartas social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[CITAÇÃO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão disso, em O Livro dos Contos Perdidos (1917-20), a relação das lendas e das terras com a Inglaterra era clara e direta, sendo que a palavra &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; é citada 71 vezes nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, usar desse argumento é, como essas pessoas adoram fazer, tirar todo o contexto por trás dele, já que, ao longo dos anos, conforme seu legendário foi evoluindo, essa relação foi deixada totalmente de lado pelo autor, com o &amp;quot;legendário&amp;quot; perdendo esse seu caráter de ser um &amp;quot;mito de criação&amp;quot; pra Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E um exemplo disso é simples: n&#039;O Livro dos Contos Perdidos, a Inglaterra era literalmente representada por uma ilha chamada Tol Eressëa, a Ilha Solitária. A ideia era a de que Tol Eressëa fosse a Inglaterra num passado longínquo, e que a cidade de Kortirion fosse Warwick, uma cidade da Inglaterra, também num passado longínquo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simplificando, a Inglaterra seria, em origem, um reino élfico, sendo que, mais tarde, depois que os Elfos feneceram, ela passou a ser um reino humano, com apenas alguns poucos ainda relembrando as antigas lendas élficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, isso foi posteriormente abandonado por Tolkien, tanto é que Tol Eressëa e Kortirion continuam existindo nas versões posteriores do legendário - com Kortirion apenas mudando seu nome para apenas Tirion - sendo que, na versão posterior da história, eles dois foram literalmente removidos do planeta durante a Queda de Númenor e passar a literalmente flutuar no espaço, acessíveis somente através da Rota Reta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, pra quem fala que o legendário era para ser um mito de criação para a Terra-média, ou para quem fala que Tolkien abandonou essa ideia, mas o legendário continuou sendo &amp;quot;espiritualmente&amp;quot; um mito de criação para a Terra-média, a tal da &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; virou literalmente uma ilha que tá flutuando no espaço, fora do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isso não é prova o suficiente de que Tolkien abandonou esse conceito de o legendário ser um mito de criação pra Inglatera, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso, fato é que o próprio Tolkien deixou claro ainda em vida, 50 anos depois de escrever O Livro dos Contos Perdidos, que isso não era mais aplicável à sua mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que parte de suas inspirações são derivadas de mitos europeus, mas, em uma carta escrita por J.R.R. Tolkien em 08/02/1967, apenas seis anos antes de falecer, na qual ele traz alguns comentários pontuais sobre uma entrevista feita com Charlotte e Denis Plimmer, &#039;&#039;&#039;ele deixa claro que a Terra-média não representava a Europa nórdica (nem setentrional), seja geograficamente ou &amp;quot;espiritualmente&amp;quot;, e que essa não era a sua intenção.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que &#039;&#039;&#039;mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”&#039;&#039;&#039;. Esta é uma palavra antiga, não inventada por mim, como a consulta a um dicionário como o Shorter Oxford mostrará. Significava as terras habitáveis de nosso mundo, situadas no meio do Oceano circundante. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol. Uma simples leitura das sinopses deveria deixar claro que isso não é verdadeiro para minha história. O Norte era a sede das fortalezas do Diabo. O progresso da história termina no que é muito mais parecido com o restabelecimento de um Sacro Império Romano efetivo com sua sede em Roma do que qualquer coisa que seria planejada por um “nórdico”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294) - Grifou-se.}}E, ainda que a Terra-média representasse a &amp;quot;Europa nórdica&amp;quot; como muitos alegam (o que, ressalto, ela não representava), dizer que isso significaria que não existem personagem negros nem sequer faz sentido lógico, pois há diversos personagens humanos que Tolkien descreve como sendo negros (como alguns dos Haradrim). Até mesmo Tom Bombadil é descrito como tendo uma pele &amp;quot;marrom&amp;quot; (que não é negra, mas definitivamente também não é &amp;quot;branca&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que essa seletividade? Uma mitologia (supostamente) &amp;quot;europeia&amp;quot; não pode ter Elfos negros, mas pode ter Homens negros? Qual é a lógica disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien era filólogo e a etimologia de &#039;Elfo&#039; infere a ideia de &#039;branco&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Muito também se tem falado de que a palavra “Elfo” (no original, &#039;&#039;Elf&#039;&#039;) tem origem nos antigos mitos e folclores germânicos e nórdicos e que ela estava intimamente associada à ideia de branco, sendo que o radical nórdico de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, no caso &#039;&#039;alv&#039;&#039;, seria o mesmo radical de palavras como “alpes” ou “albino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, a etimologia de &#039;&#039;Elf&#039;&#039; não é tão simples assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o [https://www.etymonline.com/word/elf#etymonline_v_5730 Online Etymology Dictionary], é &#039;&#039;sugerido&#039;&#039; que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; tenha origem no &#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico, que também teria dado origem a palavras posteriores como o &#039;&#039;alp&#039;&#039; alemão (de onde vem, por exemplo, alpes e albino), mas é importante lembrar o que significa esse * no início de &#039;&#039;albiz&#039;&#039;: essa palavra nunca foi encontrada em qualquer registro escrito e é uma invenção posterior para tentar justificar a relação entre palavras distintas mas semelhantes. Ou seja, não sabemos de fato se &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente têm um antepassado em comum, pois nunca foi encontrado nenhum registro fático nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, ainda que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente tivessem uma mesma origem etimológica (do que, ressalto, não temos prova), isso não implica dizer que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; em si tenha ligação com a cor branca, posto que &amp;quot;Elf&amp;quot; &#039;&#039;precederia&#039;&#039; ao &#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039;alp&#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039; alemão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse&#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico teria originado o &#039;&#039;ylfe&#039;&#039; (saxão ocidental), &#039;&#039;ælf&#039;&#039; (nortúmbrio) e &#039;&#039;elf&#039;&#039; (merciano, kentico) do inglês antigo que significavam algo como &#039;&#039;sprite&#039;&#039;, &#039;&#039;fairy&#039;&#039;, &#039;&#039;goblin&#039;&#039; e &#039;&#039;incubus&#039;&#039;, sendo que todas essas palavras, nos anos 1550, eram usadas figurativamente para representar uma &amp;quot;pessoa malvada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos uma palavra portuguesa que tenha derivado diretamente de &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;sprite&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, mas ela pode ser traduzida basicamente como “espírito”, já que a própria etimologia de “sprite” sugere que ela tenha vindo do latim “spiritus” que, obviamente, também deu origem à palavra “espírito”. Já &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;goblin&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; significava basicamente “um demônio, um íncubo, uma fada feia e malvada ou um espírito”, e aqui a gente já começa a ver muita repetição nas definições dessas palavras. &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Incubus&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, por sua vez, significava basicamente “um demônio ou ser imaginário que causava pesadelos”. Quanto a &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;fairy&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, ela nada mais é do que “fada”, palavra essa que mais se repete na etimologia de todas as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a gente vê que, ao menos originalmente, antes da difusão na cultura popular, Elfo, Fada, Espírito, Gobelim e Íncubo significavam mais ou menos a mesma coisa, sendo que o termo “fairy” (“fada”) é o que mais se repete na etimologia de todas essas palavras. Aliás, o próprio Tolkien diversas vezes usa Elfo e Fada indiscriminadamente, dizendo que eles eram termos mais ou menos equivalentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o Century Dictionary, Elfo e Fada eram basicamente os mesmos seres, sendo apenas que Elfo era geralmente mais jovem e malvado do que uma Fada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à etimologia de Fada em si, a palavra original era, na verdade, “faerie”, que vem do francês antigo e é traduzida aqui no Brasil como Feéria, sendo que Faerie (&amp;quot;Feéria&amp;quot;) era o nome dado especificamente ao reino em que viviam criaturas sobrenaturais ou lendárias. Em outras palavras, Feéria pode ser traduzido como Terra das Fadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o decorrer do tempo, “Fairy” (não Faerie), traduzida aqui no Brasil como “Fada”, passou a ser utilizado, via de consequência, como o nome dessas criaturas sobrenaturais ou lendárias vindas de Feéria, sendo que Fada é atestado, inclusive, como um adjetivo genérico para representar seres heroicos ou lendários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Tolkien, em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas, cita essa questão da origem da palavra Fada (&amp;quot;Fairy&amp;quot;) como significando, na verdade, o reino de Feéria (&amp;quot;Faerie&amp;quot;):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Fada, como um substantivo mais ou menos equivalente a elfo, é uma palavra relativamente moderna […]. A primeira citação no Oxford Dictionary (a única antes de 1450) é significativa. É tirada do poeta Gower: &#039;&#039;&#039;“as he were a faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele fosse uma fada]. Mas isso Gower não disse. Ele escreveu &#039;&#039;&#039;“as he were of faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele tivesse vindo de Feéria].|fonte=[[Árvore e Folha]] (Sobre Estórias de Fadas) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu ensaio &amp;quot;[[Sobre Estórias de Fadas]]&amp;quot;, presente no livro [[Árvore e Folha]], o próprio Tolkien ressalta que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;precede&#039;&#039;&#039; os antigos mitos e folclores germânicos e setentrionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=O ser diminuto, elfo ou fada, é (suspeito), na Inglaterra, em grande parte, um produto sofisticado do devaneio literário.&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;Estou falando de transformações que ocorreram antes do aumento do interesse pelo folclore de outros países. As palavras inglesas, tais como elf [elfo], receberam por muito tempo a influência do francês (língua da qual derivam as palavras fay [fata, fada] e Faërie, fairy [Feéria, fada]); mas, &#039;&#039;&#039;em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, tanto fada quanto elfo adquiriram muito da atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas&#039;&#039;&#039; [...].|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]]) - Grifou-se.}}Nesse sentido, não há como se ter certeza sobre qual o significado original de palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, sendo que o próprio J.R.R. Tolkien aborda em seu ensaio as confusas possíveis origens deste termo, jamais tentando dar-lhe um significado original (apenas a relacionando à palavra Fada) e jamais fazendo qualquer menção à ideia de branco, atentando-se mais para o que define a estórias de fadas e elfos do que para o que define os elfos em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, ainda que houvesse provas de que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; estava intimamente associado à ideia de branco (o que, ressalto, não há), isso, por si só, não significaria que todos os Elfos do legendário da Terra-média eram brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto porque nós não podemos nos esquecer de que, tecnicamente falando, é equivocado chamar essas criaturas criadas por Tolkien de &amp;quot;Elfos&amp;quot;, posto que elas chamavam-se, na verdade, &amp;quot;Quendi&amp;quot;, que são uma invenção original do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Tolkien reconhecer que, embora isso fosse verdade no início, seu legendário tinha deixado de ter uma relação direta com a Inglaterra e, via de consequência, com a Europa setentrional (como vimos no tópico anterior), ele também deixou claro diversas vezes que “Elfo” foi uma palavra pré-existente que ele optou por se utilizar como &#039;&#039;tradução&#039;&#039; de Quendi, e que &#039;&#039;&#039;essas duas palavras – Quendi e Elfos – não eram equivalentes&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Só para esclarecer para quem porventura não saiba, &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; significa “Os Falantes”, e é a palavra &amp;quot;élfica&amp;quot; para se referenciar aos Elfos. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tolkien fala sobre essa questão de “Elfos” ser uma tradução não muito precisa de “Quendi”, por exemplo, lá nos Apêndices de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;&#039;&#039;Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi&#039;&#039;&#039;, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, &#039;&#039;&#039;e Eldar&#039;&#039;&#039;, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal […]. De fato, essa palavra antiga era a única disponível […]. Mas ela minguou, e a muitos pode agora sugerir fantasias delicadas ou tolas, tão diferentes dos Quendi de outrora […].|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso também fica explícito em várias cartas escritas por Tolkien, nas quais ele diz, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E, de qualquer forma, elfo, gnomo, gobelim e anão &#039;&#039;&#039;são apenas traduções aproximadas&#039;&#039;&#039; dos nomes em Élfico Antigo para seres de raças e funções não exatamente iguais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 25) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=O que você pede é O Silmarillion, que é na prática uma história dos Eldalië (&#039;&#039;&#039;ou Elfos, por uma tradução não muito precisa&#039;&#039;&#039;), de sua ascensão até a Última Aliança e a primeira derrubada temporária de Sauron [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 114) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Por trás de minhas histórias há agora um nexo de idiomas (a maioria apenas estruturalmente esboçada). Mas àquelas criaturas que &#039;&#039;&#039;em inglês chamo enganosamente de Elfos&#039;&#039;&#039; são designados dois idiomas relacionados bastante completos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Tenho dificuldade em encontrar nomes ingleses para criaturas mitológicas com outros nomes, uma vez que as pessoas não “aceitariam” uma série de nomes Élficos [como “Quendi” ou “Eldar” para os Elfos, por exemplo], e prefiro que elas aceitem minhas criaturas lendárias mesmo com as &#039;&#039;&#039;falsas associações da “tradução”&#039;&#039;&#039; do que não as aceitem de modo algum.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 156) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, sendo ainda mais específico sobre isso, há uma carta na qual Tolkien fala expressamente que seus “Elfos” (isto é, seus “Quendi”) não guardavam nenhuma relação com os Elfos da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Elfos” é uma tradução, talvez agora não muito adequada, mas originalmente boa o suficiente, de Quendi. Eles são representados como uma raça similar em aparência (e ainda mais no passado distante) aos Homens e, em dias antigos, da mesma estatura. […] Mas suponho que &#039;&#039;&#039;os Quendi nestas histórias sejam de fato muito pouco relacionados aos Elfos e Fadas da Europa&#039;&#039;&#039;; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu diria que eles representam realmente Homens com faculdades estéticas e criativas aprimoradas em grande medida, maior beleza e vida mais longa, e nobreza […].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dito isto, é importante ressaltar que, além de Tolkien ter deixado claro diversas vezes que suas criaturas não eram &amp;quot;Elfos&amp;quot; propriamente ditos, tendo usado este termo apenas como uma tradução de Quendi e Eldar, o autor também disse explicitamente em várias cartas que se arrependeu de ter se utilizado dessa palavra (“Elfo”) por acreditar que ela estava cheia de vícios que eram demais para se superar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Além disso, agora &#039;&#039;&#039;lamento profundamente ter usado Elfos&#039;&#039;&#039;, embora esta seja uma palavra em ancestralidade e significado original suficientemente adequada. A desastrosa depreciação dessa palavra […] realmente a sobrecarregou com tons lamentáveis, que são muitos para se superar. […] Minha dificuldade é de que, uma vez que tentei apresentar uma espécie de legendário e história de uma “época esquecida”, todos os termos específicos estavam em uma língua estrangeira, e &#039;&#039;&#039;não existem equivalentes precisos em inglês&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos nos esquecer de que Tolkien era um filólogo e tinha um vasto conhecimento do vocabulário e da etimologia de diversas línguas, não ficando preso ao convencionado popularmente na sua época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente por esse motivo, Tolkien deixou claro diversas vezes que se arrependeu muito de ter se utilizado não só da palavra &#039;&#039;Elfo&#039;&#039;, como também de palavras como &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, &#039;&#039;Gobelim&#039;&#039; e até &#039;&#039;Anão&#039;&#039; – todas pelo mesmo motivo de que essas palavras estavam viciadas com outros significados na cultura popular e não guardavam uma relação precisa com as criaturas de seu legendário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só pra explicar pra quem porventura não conheça, Gnomos era como Tolkien chamava os Noldor, um dos Três Clãs dos Elfos, lá nas primeiras versões de seu legendário, vide o já citado O Livro dos Contos Perdidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Gobelins significa exatamente o mesmo que Orques, sendo apenas que Gobelim era uma palavra usada mais pelos Hobbits e Orque, mais pelas outras raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, algumas citações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Às vezes (não neste livro) tenho usado &amp;quot;Gnomos&amp;quot; por Noldor e &amp;quot;gnômico&amp;quot; por noldorin. […] Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora &#039;&#039;&#039;abandonei essa representação por demasiado enganosa&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Nenhum resenhista (que eu tenha visto), embora todos tenham usado cuidadosamente a forma correta dwarfs [anões], comentou a respeito do fato (do qual me tornei consciente apenas através das resenhas) de eu usar no decorrer do livro o plural “incorreto” dwarves [anãos]. [...] Talvez seja permitido ao meu dwarf [anão] — uma vez que ele e o Gnomo3 são apenas traduções em equivalentes aproximados de criaturas com diferentes nomes e funções muito diferentes em seu próprio mundo [...]. O verdadeiro plural “histórico” de dwarf (como teeth [dentes] de tooth [dente]) é dwarrows [ananos], de qualquer modo: sem dúvida uma bela palavra, mas um tanto arcaica demais. No entanto, &#039;&#039;&#039;gostaria que eu tivesse usado a palavra dwarrow [anano]&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 17) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua preferência por gobelins a orques envolve um assunto maior e uma questão de gosto, e talvez um pedantismo histórico de minha parte. &#039;&#039;&#039;Pessoalmente prefiro Orques&#039;&#039;&#039; (uma vez que essas criaturas não são “gobelins”, nem mesmo os gobelins de George MacDonald, aos quais se assemelham de certa forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não dá para nós simplesmente jogarmos as preconcepções populares de nossa época (ou até mesmo da época de Tolkien) em cima das criaturas originalmente criadas pelo autor, pois, embora ele tenha se utilizado de nomes comuns a nós, ele deixou claro diversas vezes que esses nomes modernos foram usados apenas como &#039;&#039;traduções aproximadas&#039;&#039; dos nomes de criaturas bem diferentes e, em muitos casos, inclusive se arrependeu de ter usado esses nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a título de exemplo, a palavra &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, que, como eu comentei, era como Tolkien chamava os Noldor, não tem relação nenhuma com as criaturas folclóricas diminutas que estamos tão acostumados e que adentraram na cultura popular através de Paracelso, um escritor suíço que, no século XVI, usou &amp;quot;gnomo&amp;quot; como um sinônimo de “pigmeu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “gnomo” utilizado por Tolkien vem de uma origem muito mais antiga, mais especificamente o “gnōmē” grego, que significava algo como “pensamento” ou “inteligência”, sendo que o próprio Tolkien comenta sobre essa distinção dizendo que, embora seus Gnomos não tivessem nada a ver com os gnomos da cultura popular, sendo apenas aquele clã dos Quendi que mais se distinguiam por seu conhecimento e sua inteligência, ele acabou abandonando essa palavra ao ver que ela estava causando muita confusão desnecessária (&amp;quot;Gnomos&amp;quot; como significando os &amp;quot;Elfos noldorin&amp;quot; chegou a aparecer primeira edição de [[O Hobbit]]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Seja lá o que Paracelso tenha pensado (se é que ele realmente inventou o nome), para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é um ótimo exemplo do porquê de ser tão difícil tentarmos associar as palavras utilizadas por Tolkien, um filólogo, com a noção que nós temos dessas mesmas palavras na cultura popular (seja atualmente seja da época do próprio autor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não há como supormos que os Elfos da Terra-média eram todos brancos simplesmente com base na etimologia da palavra porque&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# a etimologia de &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; é extremamente complexa, conforme ressaltado pelo próprio J.R.R. Tolkien em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas;&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que os seus Elfos tinham pouco, se não nenhuma, relação com os Elfos da Europa, posto que &amp;quot;Elfos&amp;quot; foi usado apenas como uma tradução aproximada de “Quendi” (já que ele temia que as pessoas tivessem aversão a tantos nomes originais), ressaltando que essas duas palavras não eram equivalentes; e&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien disse que se arrependeu de ter se utilizado da palavra “Elfo” como uma tradução de Quendi, já que a cultura popular sugeria fantasias tolas, muito diferentes de suas criaturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adentrarei aqui nos possíveis significados originais de Elfos, pois entendo ser irrelevante para o objetivo deste artigo. Caso seja de seu interesse, eu adentro nessa questão no meu texto sobre os Elfos terem ou não orelhas pontudas: [[Os Elfos de Tolkien Tinham Orelhas Pontudas?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien chamava os Elfos de &#039;Fair Folk&#039; e &#039;fair&#039; significa &#039;branco&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
[TEXTO SENDO REVISADO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Os Elfos eram, em origem, um só povo e, assim, não poderiam ter mais de uma etnia.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
[TEXTO SENDO REVISADO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien nunca mencionou um Elfo de pele negra; se existissem, ele teria mencionado.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, é importante destacar aqui que Tolkien ser descritivo e Tolkien ser redundante são duas coisas totalmente diferentes. Em outras palavras, de fato J.R.R. Tolkien sempre foi muito descritivo com seus textos, em especial em se tratando na natureza de seu mundo, mas ele nunca foi redundante nessas descrições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato há alguns personagens élficos que Tolkien especifica nos livros como tendo pele clara, mas pense comigo: se todos os Elfos fossem brancos, seria necessário Tolkien ser redundante com relação a isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se supostamente já teria sido estabelecido que todos Elfos eram brancos, seja lá com base em qual argumento, qual seria a utilidade de Tolkien dizer especificamente, por exemplo, que os Noldor tinham pele clara? Ou por que Tolkien diria que Maeglin, um Elfo, era branco? Ou por que Tolkien diria que Túrin, um homem branco, podia ser confundido com um dos Noldor em vez de dizer simplesmente que ele podia ser confundido com um Elfo? Nestes três casos, o uso desses complementos por Tolkien me pareceria algo tão redundante e inútil quanto dizer &amp;quot;subir para cima&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se a gente considerar que nem todos os Elfos eram brancos, bem como que o único clã descrito como sendo branco era o clã dos Noldor, Tolkien dizer que Maeglin, um Elfo sindarin, era branco, e que Túrin, por ser branco (e ter outras características &amp;quot;élficas&amp;quot;), podia ser confundido com um dos Noldor, deixa de ser redundante e passa a ser uma descrição totalmente válida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Repito: Tolkien sempre foi muito descritivo, mas ele nunca foi redundante, e não havia utilidade nenhuma para que ele fosse redundante nessas pouquíssimas descrições de personagens élficos como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessa questão da redundância, também não podemos nos esquecer de que a ausência de prova não é prova de ausência. Até podemos dizer que nas versões posteriores de seu legendário Tolkien de fato nunca mencionou &#039;&#039;especificamente&#039;&#039; um Elfo como tendo pele negra, mas isso por si só não é capaz de implicar que eles não existiam (e quem acha que significa precisa estudar um pouco de hermenêutica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Tolkien sempre deixou claro que ele não estava criando essas histórias, mas apenas traduzindo textos por ele encontrados, que teriam sobrevivido a todas essas eras. Sua mentalidade era a de que ele não estava criando, mas sim &amp;quot;descobrindo&amp;quot; essas histórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a ilha de Númenor, por exemplo, Tolkien diz que é muito difícil precisarmos quais eram exatamente a sua cultura e os animais que viviam lá porque pouquíssimos escritos teriam sobrevivido à sua queda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Visto que todas esses assuntos eram estudados pelos homens de saber em Númenor, e muitas histórias naturais e geografias precisas devem ter sido compostas, aparentemente elas, como quase tudo o mais das artes e ciências de Númenor em seu apogeu, desapareceram na queda.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como foi dito, não é fácil descobrir quais eram os animais, aves e peixes que já habitavam a ilha antes da chegada dos Edain, e quais foram trazidos por eles. O mesmo vale para as plantas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa mesma linha, falando sobre o parentesco de personagens, &#039;&#039;&#039;Tolkien deixa claro que não devemos interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência&#039;&#039;&#039; de um filho ou parente para certo personagem, pois os textos élficos e humanos que teriam sobrevivido ao longo das eras costumavam mencionar apenas os personagens mais importantes, omitindo certos aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deve-se recordar, no entanto, ao considerar os registros e as lendas do passado, que estes (em especial os feitos ou transmitidos pelos Homens) muitas vezes mencionam ou nomeiam apenas pessoas que desempenham um papel registrado nos eventos, ou que eram ancestrais diretos de tais atores principais. Portanto, não se pode concluir, apenas a partir do silêncio, quer na narrativa quer na genealogia, que determinada pessoa não tinha filhos, ou não mais do que os mencionados.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento, 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois pontos (Tolkien nunca ter sido redundante e seu silêncio não poder ser interpretado como sinônimo de ausência), por si só, já deveriam ser suficientes para evidenciar que não é só porque Tolkien não falou sobre um personagem que ele necessariamente não existia. Isto é, não é porque Tolkien nunca descreveu um Elfo como tendo pele negra que nenhum existia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, em segundo lugar, é válido mencionar que na primeira versão de seu legendário, quando O Silmarillion ainda era chamado de O Livro dos Contos Perdidos e havia uma associação direta com a Inglaterra, como eu já comentei, Tolkien chegou sim a descrever um Elfo como tendo pele negra - mais especificamente Maeglin (na época chamado de Meglin), que era filho de Aredhel (uma Elfa 75 % noldorin e 25 % vanyarin) e Eöl (um Elfo sindarin).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, o emblema de Meglin era uma Toupeira negra e ele era grande entre os que trabalhavam em pedreiras e um chefe dos que escavava em busca de minério, e muitos desses pertenciam à sua casa. Menos belo era ele do que muitos desse povo bonito, &#039;&#039;&#039;moreno&#039;&#039;&#039; e de ânimo não muito gentil, de modo que lhe tinham pouco amor [...].|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Com ela veio seu filho, Meglin, e ele foi lá recebido por Turgon como filho de sua irmã e, embora tivesse metade de sangue dos Elfos-escuros, foi tratado como um príncipe da linhagem de Fingolfin. &#039;&#039;&#039;Era moreno&#039;&#039;&#039;, mas formoso, sábio e eloquente e sagaz na conquista dos corações e mentes dos homens.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A História Contada no Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como já mencionei anteriormente, Tolkien estabeleceu que os Noldor eram todos brancos, mas Meglin, embora fosse filho da (75 %) Noldo Aredhel, também era filho do Sinda Eöl. O tom de pele dos Sindar ou de Eöl nunca foi mencionado (nem mesmo nas versões anteriores do conto), mas isso deixa a entender que Meglin teria puxado de seu pai Sinda a sua pele escura, posto que Tolkien nunca estabeleceu uma regra quanto ao tom de pele dos Elfos sindarin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, antes que alguém questione o significado de &amp;quot;moreno&amp;quot;, ressalto desde já que a palavra originalmente utilizada por Tolkien foi &amp;quot;swart&amp;quot;, conforme consta ao final do referido livro, no glossário de termos arcaicos e suas traduções para o português (A Queda de Gondolin, p. 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Now the sign of Meglin was a sable Mole, and he was great among quarrymen and a chief of the delvers after ore; and many of these belonged to his house. Less fair was he than most of this goodly folk, &#039;&#039;&#039;swart&#039;&#039;&#039; and of none too kindly mood, so that he won small love [...].|fonte=The Fall of Gondolin (The Original Tale)}}{{Citação em Bloco|trecho=With her came her son Meglin, and he was there received by Turgon as his sister-son, and though he was half of Dark-elven blood he was treated as a prince of Fingolfin’s line. &#039;&#039;&#039;He was swart&#039;&#039;&#039; but comely, wise and eloquent, and cunning to win men’s hearts and minds.|fonte=The Fall of Gondolin (The Story Told in the Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não sabe, &#039;&#039;swart&#039;&#039; (e suas variantes swarty e swarthy) é uma palavra do inglês antigo, datada dos anos 1570, que, [https://www.etymonline.com/word/swart#etymonline_v_22466 segundo o Online Etymology Dictionary], significa &amp;quot;&#039;black, being of a dark hue&#039; [...] in reference to skin color of persons&amp;quot; (&amp;quot;preto, de uma cor escura&#039; [...] em referência à cor da pele de pessoas&amp;quot;). Suas variantes swarty e swarthy significam, [https://www.etymonline.com/word/swarthy#etymonline_v_22467 também segundo o OED], &amp;quot;&#039;dark-colored, tawny,&#039; especially in reference to skin&amp;quot; (&amp;quot;&#039;de cor escura, brozeado,&#039; especialmente com relação à pele&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de curiosidade, swarthy foi a mesma palavra que Tolkien usou para descrever os Haradrim em O Senhor dos Anéis. Os Haradrim, também chamados de Sulistas (Harad = Sul), foram alguns do Homens aliados a Sauron na Guerra do Anel e todos os leitores concordam que eles eram Homens negros - tanto é que muitas pessoas que discordaram da existência de um Elfo negro na série usaram como justificativa de que não tinham problema com personagens negros em si o fato de que não se importariam se tivessem Homens Sulistas negros (em vez de Elfos negros), já que Tolkien teria descrito os Sulistas como negros nos livros (swarthy, no original).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Em A Queda de Gondolin, &#039;&#039;swart&#039;&#039; foi traduzido como o &#039;&#039;moreno&#039;&#039;. Em O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;swarthy&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;tisnados&#039;&#039;.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;It is close on ten leagues hence to the east-shore of Anduin,&#039; said Mablung, &#039;and we seldom come so far afield. But we have a new errand on this journey: we come to ambush the &#039;&#039;&#039;Men of Harad&#039;&#039;&#039;. Curse them!&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;Aye, curse the &#039;&#039;&#039;Southrons&#039;&#039;&#039;!&#039; said Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, eager to see more, went now and joined the guards. He scrambled a little way up into one of the larger of the bay-trees. For a moment he caught a glimpse of &#039;&#039;&#039;swarthy men&#039;&#039;&#039; in red running down the slope some way off with green-clad warriors leaping after them, hewing them down as they fled.|fonte=The Lord of the Rings (The Two Towers, Book IV, 4, Of Herbs and Stewed Rabbit)}}{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;São cerca de dez léguas daqui até a margem leste do Anduin,&amp;quot; disse Mablung, &amp;quot;e raramente chegamos tão longe. Mas temos uma nova missão nesta jornada: viemos emboscar os &#039;&#039;&#039;Homens de Harad&#039;&#039;&#039;. Malditos sejam!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Sim, malditos sejam os &#039;&#039;&#039;Sulistas&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, disse Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, ávido para ver mais, foi se juntar aos guardas. Engatinhou mais para cima, subindo em um dos loureiros maiores. Por um momento teve um vislumbre de &#039;&#039;&#039;homens tisnados&#039;&#039;&#039;, trajados de vermelho, que corriam encosta abaixo a certa distância dali, com guerreiros de verde que saltavam atrás deles, abatendo-os enquanto fugiam.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão sobre racismo nas obras de Tolkien é muito complexa e não vou adentrar aqui (nota-se que Tolkien diz que Meglin era &amp;quot;moreno, mas formoso&amp;quot;). Aos interessados, há excelentes vídeos no YouTube dissecando a evolução pessoal de Tolkien ao longo das décadas, feitos por pessoas que têm muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu (como, por exemplo, [https://www.youtube.com/watch?v=1j5-SPCyZz0 esse vídeo do Clube Literário Tolkieniano de Brasília]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, em O Livro dos Contos Perdidos, que Tolkien começou a escrever em 1917, quando Tolkien tinha seus 25 anos, ele associava muito a cor negra (no geral, não necessariamente associada com a cor da pele) com a ideia de maldade. O famoso &amp;quot;luz vs. escuridão&amp;quot; sendo transposto como &amp;quot;branco vs. negro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de sua vida, conforme ia amadurecendo como pessoa, Tolkien foi deixando essa perspectiva de lado e &amp;quot;corrigindo&amp;quot; seus antigos escritos, retirando essas associações quando podia e passando a utilizar a cor negra também para coisas &amp;quot;boas&amp;quot; e a cor branca também para coisas &amp;quot;ruins&amp;quot;. A título de exemplo, a bandeira de Gondor era negra e isso nunca é mencionado como significando algo ruim, e Saruman, mesmo sendo &amp;quot;o Branco&amp;quot;, se corrompeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na versão mais recente do conto da Queda de Gondolin (vide a presente no Silmarillion como publicado) essa menção a Maeglin, um Elfo vilão, como tendo pele negra foi alterada pelo autor, passando ele a descrever Maeglin como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre essa alteração no tom de pele de Maeglin, é importante salientar que, como você deve ter percebido, na versão primária do conto, quando Meglin tinha pele negro, Tolkien apenas salientou suas diferenças com os Elfos noldorin, enquanto na versão posterior do conto, quando Maeglin passou a ter pele branca, o autor acrescentou a informação de que ele &amp;quot;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto, por si só, corrobora com o já mencionado no primeiro tópico, de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos. Quando Tolkien diz que Túrin, um Homem branco, se parecia com os Elfos, ele não diz simplesmente &amp;quot;Elfos&amp;quot;, mas especifica ele como parecendo com os Elfos &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;. Quando Tolkien altera a pele de Maeglin, de negra para branca, ele acrescenta a informação de que ele se parecia com seus parentes &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizer que Maeglin se assemelhava &amp;quot;em rosto&amp;quot; com sua parentela dos Noldor (isto é, com os parentes de sua mãe) é o mesmo que dizer que ele &#039;&#039;não&#039;&#039; se assemelhava com sua parentela dos Sindar (isto é, com os parentes de seu pai). E nem se diga aqui que, quando disse &amp;quot;em rosto&amp;quot;, Tolkien estava se referindo aos olhos de Maeglin, pois os Noldor foram descritos especificamente como tendo olhos cinzas, enquanto Maeglin é decrito nessa passagem como tendo olhos escuros (embora &amp;quot;luzentes e agudos&amp;quot; como os olhos dos Noldor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os olhos de Maeglin não tinham a mesma cor dos olhos dos Noldor, o que mais poderia significar dizer que ele, &amp;quot;em rosto&amp;quot;, se assemalhava aos seus parentes noldorin? Ao meu ver, a única opção que sobra é a cor de sua pele, evidenciando que somente os noldor eram notórios por serem brancos e dando a entender que, se Eöl, o pai de Maeglin, não fosse negro, ao menos o seu povo, os Sindar, tinham membros negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, ainda que a cor da pele de Maeglin tenha sido alterada na versão posterior do conto, de modo que, a partir desse momento, passamos a não ter nenhum Elfo descrito por Tolkien como tendo pele negra, fato é que a versão antiga trazer ele como um Elfo negro é prova de que, para Tolkien, Elfos de pele negra eram plausíveis e existiam em seu universo, não sendo isso um problema para as leis estabelecidas pelo autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, com relação ao fato de Tolkien supostamente nunca ter descrito um Elfo como sendo negro, nós temos que considerar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ausência de prova não é prova de ausência, de modo que Tolkien nunca ter descrito um Elfo como tendo pele negra é diferente de ele ter dito que Elfos de pele negra não existiam;&lt;br /&gt;
# Tolkien chegou a descrever alguns poucos Elfos como tendo pele branca e, se todos os Elfos fossem brancos, essas passagens automaticamente se tornariam redundantes (algo que Tolkien nunca foi);&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que todas essas histórias se tratavam de &amp;quot;documentos históricos&amp;quot;, de modo que, se um personagem não aparecia nessas histórias, isso não significava que ele não existia, de modo que a gente não deveria interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência;&lt;br /&gt;
# Tolkien já descreveu sim um Elfo como tendo pele negra em seu legendário, mais especificamente Meglin, no conto original da Queda de Gondolin, evidenciando que isso não era um problema;&lt;br /&gt;
# quando Tolkien alterou a pele de Meglin de negra para branca, ele acrescentou a informação de que ele era semelhante &amp;quot;em rosto&amp;quot; aos seus parentes Noldor, o que só pode significar seu tom de pele já que seus olhos eram negros e os Noldor tinham olhos cinzas, o que ressalta o ponto anterior de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Livros como O Livro dos Contos Perdidos ou A Queda de Gondolin foram publicados postumamente, organizados e editados por outras pessoas, de modo que não tem como sabermos se Tolkien realmente escreveu aquilo.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Pô, mas aí você precisa escolher sua batalha. Se livros publicados postumamente são &amp;quot;questionáveis&amp;quot;, então todos eles são questionáveis. Então O Silmarillion é questionável. E, se a gente não pode colocar um Elfo negro numa série porque um livro que cita a presença de um Elfo negro é &amp;quot;questionável&amp;quot;, então apague O Silmarillion da existência porque ele também é questionável e também não tem como confiarmos no que está escrito nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não quer fazer isso, né? Mas, por que então um livro que não cita uma pessoa negra é &amp;quot;confiável&amp;quot; e pode ser seguido à risca em adaptações, mas um livro que cita sim uma pessoa negra é &amp;quot;questionável&amp;quot; e não deve ser seguido? O que te leva a fazer essa seletividade &#039;&#039;tão específica&#039;&#039;?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você precisa se decidir: ou todos os textos póstumos são questionáveis e, assim, a gente apaga O Silmarillion da face da Terra, ou nenhum é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Da síntese e conclusão ==&lt;br /&gt;
Em síntese,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# apenas os Elfos noldorin foram especificados por J.R.R. Tolkien como tendo pele clara, de modo que essa questão foi deixada em aberto com relação aos outros dois clãs élficos (Vanyar e Teleri);&lt;br /&gt;
# sempre que um personagem branco é comparado aos Elfos, ele é comparado especificamente com os Noldor, o que ressalta a ideia de que apenas os Noldor eram notórios por serem brancos;&lt;br /&gt;
# Tolkien deixou claro que a Terra-média não representa a Europa nórdica nem setentrional, seja geográfica ou espiritualmente;&lt;br /&gt;
# não se sabe ao certo o significado original de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, bem como essa palavra adquiriu a atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas apenas em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, conforme o próprio Tolkien deixou claro em seu ensaio &amp;quot;Sobre Estórias de Fadas&amp;quot;, não sendo possível precisar se realmente seria relacionado à ideia de &amp;quot;branco&amp;quot;, como por alguns sustentado;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que &#039;&#039;Elfos&#039;&#039; não era equivalente a &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; (termo utilizado naquele mundo para se referenciar aos Elfos), tendo &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; sido a palavra inglesa mais próxima que ele conseguiu encontrar;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que se arrependeu de usar Elfo como tradução de Quendi, uma vez que, segundo ele, ela estava viciada por outros significados na cultura popular, que não guardavam relação com o seu universo, já que seus Quendi tinham pouca relação com os Elfos e Fadas da Europa;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que o seu silêncio não pode ser interpretado como sinônimo de inexistência, conforme por ele mesmo dito com relação às árvores genealógicas de seu universo;&lt;br /&gt;
# em O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien chegou a citar um Elfo como tendo pele negra, sendo que, mesmo que essa descrição tenha sido deixada de lado mais tarde, isso prova que Elfos negros não eram um problema para as regras de seu universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fica evidente que o único possível desrespeito com relação ao &amp;quot;cânone&amp;quot; estabelecido por J.R.R. Tolkien seria com relação aos Elfos com sangue 100 % noldorin, que o autor especificou como tendo pele clara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a todos os outros grupos dos Elfos (que eram vários e descendiam dos clãs vanyarin e telerin), ou quanto aos Elfos que não tinham sangue 100 % noldorin, não foi estabelecido nenhuma regra, sendo possível que tivessem diferentes tons de pele, como o próprio Maeglin, que era apenas 37,5 % noldorin e no início tinha pele escura, provavelmente herdada de seu pai sinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1128</id>
		<title>Elfos Negros na Terra-média</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1128"/>
		<updated>2025-06-27T00:52:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Desambiguação (entre dois)|Elfos de pele negra|os Elfos Escuros|[[Moriquendi]]}}&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] em 2022 (atualizado por último em 26/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Este artigo está atualmente sob um processo de revisão, atualização e expansão e algumas partes poderão estar incompletas.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão quanto à presença ou não de Elfos de pele negra no legendário da [[Terra-média]] não é recente e existe desde o século passado. Todavia, em razão do grande peso que essa discussão tomou desde a divulgação das primeiras imagens da nova série [[O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder]], nas quais havia sido confirmado que teríamos um ator de pele negra interpretando um Elfo - no caso, [[Ismael Cruz Córdova]], que interpretaria o Elfo [[Arondir]] -, eu resolvi fazer um vídeo analisando a fundo tudo o que [[J.R.R. Tolkien]] de fato já havia falado sobre a aparência dos [[Elfos]] de seu universo, em especial o seu tom de pele, sob o ponto de vista tanto de livros &amp;quot;canônicos&amp;quot; (i.e., O Hobbit e O Senhor dos Anéis) quanto de livros &amp;quot;não-canônicos&amp;quot; (i.e., aqueles livros que não foram finalizados em vida e acabaram sendo publicados postumamente com organização, edição e comentários de outras pessoas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vídeo em questão foi publicado no meu canal, [https://www.youtube.com/@ProjetoTolkien Projeto Tolkien], em 07/03/2022 (você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=sJwg-u-GBR0 aqui]), mas, depois de ver os incontáveis comentários que foram feitos nele, eu me dei conta de que aquele vídeo acabou ficando bastante desfocado, posto que, embora a temática central dele era a cor da pele dos Elfos da Terra-média, eu também adentrei em questões que não tinham qualquer relação com isso, como barba, cor e tamanho dos cabelos, cor dos olhos, etc., e, inclusive, no dilema sobre quais livros seriam ou não &amp;quot;canônicos&amp;quot; no legendário da [[Terra-média]] - discussão essa que influencia essas outras questões, mas não o tom de pele em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso tudo, inevitavelmente, deixou certos pontos que eu fiz sobre o tom de pele dos Elfos da Terra-média ambíguos e confusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi por esse motivo que eu resolvi fazer um novo levantamento, muito mais detalhado e aprofundado, para sintetizar melhor essa discussão, centralizando ele &#039;&#039;exclusivamente&#039;&#039; no tom de pele dos Elfos da Terra-média e deixando essas outras discussões a respeito de sua aparência de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 1:&#039;&#039;&#039; Todas as citações mencionadas neste artigo foram retiradas das edições Kindle (e-book) dos livros publicados pela [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 2:&#039;&#039;&#039; Uma versão bem semelhante, mas anterior, desse levantamento foi publicada em formato de vídeo no meu canal em 02/04/2023. O vídeo está um pouco desatualizado, mas, enquanto eu não gravo outro, você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=e8CFWuj_TJo aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
Antes de adentrarmos no levantamento em si, eu acredito ser de suma importante ressaltar um ponto muito importante: &#039;&#039;&#039;J.R.R. Tolkien, o autor de livros como O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou então que Elfos pretos não existiam.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo isso em mente, você pode se perguntar: &amp;quot;ué, mas se Tolkien nunca falou isso, então por que estamos tendo essa discussão?&amp;quot; E, tentando simplificar uma resposta que certamente poderia render um vídeo só eu, eu diria: &amp;quot;por causa da preconcepção popular, muitas vezes fundamentada, ainda que inconscientemente, em argumentos racistas e/ou eurocêntricos.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o [[wikipedia:Amazon_MGM_Studios|Amazon Studios]] divulgou a primeira imagem de [[Arondir]], um Elfo &#039;&#039;original&#039;&#039; criado para a nova série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que seria interpretado por [[Ismael Cruz Córdova]], um ator preto, começaram a chover comentários internet afora alegando que a empresa estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de J.R.R. Tolkien em prol de uma cultura &amp;quot;woke&amp;quot; e &amp;quot;lacradora&amp;quot; ao colocar atores pretos para interpretar personagens que eram brancos nos livros. Comentários iniciais esses que eram sempre baseados em puro racismo e/ou em um total desconhecimento das obras originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por mais que Arondir era um Elfo original criado para a série - ou seja, não é como se tivessem pegado um Elfo branco dos livros e mudado a cor de sua pele na série -, o argumento dessas pessoas era o de que, embora Arondir fosse um Elfo original, o simples fato de que ele era um Elfo exigiria que ele fosse interpretado por um ator branco, já que, &#039;&#039;segundo essas pessoas&#039;&#039;, &amp;quot;todo mundo&amp;quot; sabia que os Elfos da Terra-média seriam brancos e a empresa estaria tentando deturpar a obra original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu disse mais atrás, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, nunca disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou mesmo que Elfos pretos não existiam. Porém, simplesmente dizer para essas pessoas que não há nos livros qualquer menção aos Elfos serem todos brancos não foi o suficiente. Mesmo com pessoas como eu e vários outros leitores dos livros insistentemente dizendo que não havia qualquer fala de Tolkien nesse sentido, seja nos próprios livros, seja em suas cartas, essas pessoas insistiam em forçar essa interpretação claramente deturpada dos livros e das intenções do autor para justificarem que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o mais engraçado é que, quanto mais se provava que esses argumentos eram falso, mais argumentos iam aparecendo. Essas pessoas davam um argumento - a gente rebatia. Elas arrumavam outro argumento - a gente rebatia. Arrumavam outro argumento - a gente rebatia. E assim sucessivamente por vários &amp;quot;argumentos&amp;quot; e, por incrível que pareça, anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sinceramente não sei o que essas pessoas ganhariam com isso, mas muitas delas, seja lá por qual motivo, tomaram como o grande objetivo de sua vida &amp;quot;provarem&amp;quot; a todo custo que não havia pessoas pretas nas lendas da Terra-média. Não tem nada que justifique essa busca incansável por um novo argumento, a não ser essas pessoas realmente terem colocado como um objetivo crucial em suas vidas provar que pessoas pretas não existiam na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou melhor, só para me corrigir, &amp;quot;que não existiam pessoas pretas &#039;&#039;salvo os Haradrim&#039;&#039;&amp;quot;, os vilões de O Senhor dos Anéis, posto que eu vi muitas dessas pessoas falando que o problema não era a série ter atores pretos, já que se fossem personagens Haradrim não teria problema nenhum. Para essas pessoas, o problema está nos Elfos - os &amp;quot;mocinhos&amp;quot; - serem interpretados por atores negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, esse é o motivo deste levantamento ter sido criado. Já que simplesmente dizer para essas pessoas obcecadas pela cor da pele das pessoas que Tolkien nunca falou um A nesse sentido não foi o suficiente, eu decidi tentar refutar, um a um, todos os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu encontrei internet afora que (supostamente) comprovariam que Elfos negros não existiam no legendário da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sei que essas pessoas em especial, que, como eu disse, aparentam ter colocado com um objetivo de suas vidas provar que Elfos pretos não existiam na Terra-média, não serão convencidas por esse vídeo aqui. Eu posso refutar todos os argumentos aqui que elas ainda irão arrumar um novo argumentam - ou então dizer que o próprio Tolkien estava errado, como eu já vi uma pessoa fazer em um vídeo meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intenção desse vídeo é, por outro lado, tentar trazer um pouco de luz pra essa discussão, já que, infelizmente, eu vi muita gente, por assim dizer, &amp;quot;inocente&amp;quot;, sendo levada a acreditar que Elfos de pele negra realmente não existiam na Terra-média e inclusive a criticar Tolkien e chamá-lo de racista por ter dito que não havia Elfos pretos na Terra-média, sendo que na realidade ele nunca fez isso. E, para além dessas críticas infundadas feitas a Tolkien, eu também vi gente, por assim dizer, usando os argumentos &amp;quot;errados&amp;quot; para defender a presença de Elfos negros na série, indiretamente dando força para esses comentários racistas de quem insiste em dizer que Elfos pretos não existem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só para dar um exemplo, o Load, que é um cara incrível e que eu inclusive acompanho nas redes sociais e esporadicamente no YouTube, disse que, ainda que Elfos pretos não existissem, fato é que Elfos como um todo não existem, de modo que qualquer representação seria válida. Outros comentários semelhantes feitos por outras pessoas diziam que, ainda que Elfos pretos não existissem, o mundo de hoje é outro e a representatividade é importante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu concordo com o Load que Elfos como um todo não existem no mundo real? Sem dúvida! Eu concordo com essas pessoas que a representatividade é importanto? Sem dúvida também. A questão maior aqui é que a gente não precisar ir tão longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais que eu concorde com essas falas, a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;Elfos não existem&amp;quot;, assim como a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;representatividade é importante&amp;quot;. A gente deve colocar Elfos de pele negra na série porque Elfos de pele negra existiam sim nos livros. E eu acho que é nesse argumento que a gente deve focar mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comentários como o do Load ou dessas outras pessoas, por mais verdadeiros e importantes que sejam, dão a falsa impressão que os Elfos pretos realmente não existiam na Terra-média - o que, indiretamente, acaba dando mais força para essas pessoas que vem com esse falso argumento de que a série estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, como eu disse, a minha maior intenção com esse artigo não é tentar mudar a opinião de quem colocou como objetivo de vida provar que Elfos pretos não existiam. A minha intenção é trazer um pouco mais de luz para esse assunto, focando principalmente nessas outras pessoas que, quer elas concordem ou discordem com a presença de um Elfo negro na série, foram levadas a acreditar nessa falácia de que eles não existem nos livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que, infelizmente, aqui a gente adentra na tal da &amp;quot;[https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Brandolini Lei de Bradolini]&amp;quot;, que diz que a quantidade de energia necessária para refutar uma idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. Afinal, uma pessoa gasta 5 minutos pra dizer algo como &amp;quot;não havia Elfos negros na Terra-média porque ela representava a Europa Nórdica&amp;quot; e nada mais, enquanto eu gasto literalmente meses fazendo pesquisas, indo atrás de citações e escrevendo textos com dezenas de páginas e gravando vídeos de mais de meia hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, por mais que uma pessoa que traz um argumento raso como esse tem um alcance muito mais que um artigo de 30 páginas ou um vídeo de mais de meia hora, eu não acho que eu deveria simplesmente ficar quieto. Ainda mais quando eu vejo pessoas incríveis e do bem sendo levadas a acreditar em informações falsas por falta de alguém fazendo um contraponto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já dizia Tolkien, &amp;quot;não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual)&amp;quot; (Árvore e Folha; Sobre Estórias de Fadas). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, só pra reforçar, esse artigo não abordará a importância da representatividade no entretenimento porque 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica evidentemente não se importam com isso, de modo que abordar esse assunto seria inútil, 2) eu não tenho propriedade para falar sobre o assunto, e 3) essa discussão não é necessária para comprovar que Elfos negros existiam sim na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e sem maiores delongas, abaixo eu trarei cada um dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu mais encontrei internet afora e, em seguida, a minha explicação do porquê de esse argumento não fazer qualquer sentido. Tudo, é claro, sempre fundamentado com citações diretas de J.R.R. Tolkien. Os tais dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; não estarão em nenhuma ordem específica porque, como eu comentei, as pessoas que defendem a não-existência de Elfos negros estão sempre mudando de argumentação conforme você as vai refutando e, assim, cada pessoa vai usando esses argumentos em &amp;quot;ordens&amp;quot; diferentes umas das outras. Vou abordá-los na ordem que eu achar melhor para construir o raciocínio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rebatendo argumentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Em O Senhor dos Anéis Tolkien deixou claro que os Elfos &#039;eram belos, de pele clara e de olhos cinzentos&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Não é bem assim. De fato há essa menção em [[O Senhor dos Anéis]], mas trata-se de uma frase tirada de contexto, conforme já extensivamente explicado por [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e seu &amp;quot;executor literário&amp;quot;) em [[O Livro dos Contos Perdidos 1]], o 1.º volume da coleção [[A História da Terra-média]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em O Senhor dos Anéis, nós temos o seguinte trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, e Eldar, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal e ali chegaram no começo dos Dias (exceto apenas pelos Sindar). [...] Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, apesar de terem as madeixas escuras, exceto na casa dourada de Finarfin;&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em O Livro dos Contos Perdidos 1, Christopher nos traz a versão completa do rascunho de seu pai para esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em um rascunho do parágrafo final do Apêndice F de O Senhor dos Anéis, ele [Tolkien] escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes (não neste livro) tenho usado “Gnomos” por Noldor e “gnômico” por noldorin. Fiz isso porque [...], para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais. Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora abandonei essa representação por demasiado enganosa. Pois os Noldor pertenciam a uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, que agora se foram. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, e suas madeixas eram escuras, exceto na casa dourada de Finrod […].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No último parágrafo do Apêndice F, conforme publicado, a referência aos “Gnomos” foi removida, e substituída por um trecho explicando o uso da palavra Elves [Elfos] como tradução de Quendi e Eldar. […] Portanto, &#039;&#039;&#039;essas palavras que descrevem características do rosto e dos cabelos foram escritas, na verdade, apenas sobre os Noldor, e não sobre todos os Eldar&#039;&#039;&#039;: de fato os Vanyar tinham cabelos dourados, e foi da mãe vanyarin de Finarfin, Indis, que ele e seus filhos Finrod Felagund e Galadriel herdaram os cabelos dourados que os distinguiam entre os príncipes dos Noldor. Mas sou incapaz de determinar como essa extraordinária corrupção do sentido surgiu.&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; O nome Finrod no trecho ao final do Apêndice F está incorreto: Finarfin era Finrod e Finrod era Inglor até a segunda edição de O Senhor dos Anéis, e, na ocasião, a alteração não foi feita.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como mencionado por Christopher, essa deturpação do sentido, oriunda da omissão de parte do texto de seu pai, foi corrigida na segunda edição de O Senhor dos Anéis, a partir da qual essa frase conta com uma nota de rodapé na qual é ressaltado tratar-se de uma descrição exclusiva para os [[Noldor]] (um dos três clãs élficos)&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;Apesar de terem despertado todos no mesmo local, ao longo das eras os Elfos se dividiram em diversos grupos e etnias (assim como os próprios Homens também se dividiram em vários grupos e etnias após seu primeiro despertar), mas seus três principais clãs eram os Vanyar, os Noldor e os Teleri. Destes, os Teleri foram os que mais se subdividiram em outros grupos e é deles que vêm os Sindar (os Elfos-cinzentos).&amp;lt;/ref&amp;gt;, e não para os Elfos como um todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt; Estas palavras que descrevem caracteres de rosto e cabelos aplicavam-se, de fato, apenas aos Noldor. [N. E.]|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, considerando que a segunda edição de O Senhor dos Anéis foi publicada ainda em 1966, alguém querer se utilizar desse trecho para justificar que todos os Elfos do legendário da Terra-média seriam brancos me parece, no mínimo, ingênuo ou mal-intencionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, se eu tivesse de apostar, eu diria que quem usa esse trecho é só mal-intencionado mesmo, já que é regra dentre esse tipo de pessoa usar argumentos soltos, sem qualquer base em citações diretas, ou, quando por algum milagre embasam suas opiniões com citações diretas, são sempre com trechos retirados totalmente de contexto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, é válido ressaltar aqui que, nas poucas vezes que J.R.R. Tolkien cita um Elfo como tendo pele clara, ele o faz com um Noldo (singular de Noldor), e, nas poucas vezes que outros personagens são descritos como brancos e comparados com os Elfos, eles são sempre comparados especificamente com os Elfos do clã noldorin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Túrin]], filho de [[Húrin]], é comparado nos livros, mais de uma vez, com os Elfos, sendo ele descrito como um Homem branco, sendo que, no entanto, essa comparação é feita especificamente com os Noldor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nos tempos que se seguiram, Túrin cresceu muito nos favores de Orodreth, e quase todos os corações se voltaram para ele em Nargothrond. Pois era jovem e só então alcançara a plenitude da idade viril; e era, em verdade, o filho de Morwen Eledhwen em seu aspecto: &#039;&#039;&#039;de cabelos escuros e pele clara, com olhos cinzentos&#039;&#039;&#039;, e um rosto mais belo do que quaisquer outros entre Homens mortais, nos Dias Antigos. Seu falar e porte eram aqueles do antigo reino de Doriath, e, &#039;&#039;&#039;mesmo em meio aos Elfos, podia ser tomado por um dos das grandes casas dos Noldor&#039;&#039;&#039;; portanto, muitos o chamavam de Adanedhel, o Homem-Elfo.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 21. De Túrin Turambar) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que Túrin tinha (i) cabelos escuros, (ii) pele clara e (iii) olhos cinzentos, que eram exatamente as três características físicas que Tolkien descreveu os Noldor como possuindo no já citado Apêndice F de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro exemplo seria o Elfo [[Maeglin]], filho de [[Aredhel]], que também é descrito como possuindo pele branca, sendo ele estritamente comparado aos Noldor (apesar de ter sangue noldorin por parte de mãe, Maeglin era considerado um Sinda, isto é, um Elfo-cinzento):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Falarei mais sobre Maeglin mais para frente, pois há outras questões a serem abordadas sobre ele.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os (poucos) Elfos que são descritos nos livros como tendo pele clara tinham, no todo ou em parte, sangue noldorin, e todos personagens que são descritos como brancos e que são comparados aos Elfos, são comparados justamente com os Noldor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis (quando contextualizada com a passagem de O Livro dos Contos Perdidos 1) evidencia que não só não há qualquer indicativo de que todos os Elfos fossem brancos, como os vários comparativos de personagens brancos com Elfos noldorin apenas reforça a informação do rascunho original, de que somente os Elfos noldorin tinham essa distinção na aparência em seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;A Terra-média era um mito para a Inglaterra e representa a &#039;Europa Nórdica&#039;; por isso, não havia personagens negros.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Um outro argumento que eu constantemente vejo por aí é o de que a Terra-média representaria a Europa “nórdica” e que, por isso, não teria como haver personagens negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, estudos evidenciam que havia sim pessoas pretas na Europa setentrional, por diferentes razões, mas eu não vou adentrar nessa questão pelo mesmo motivo pelo qual não adentrarei na questão da importância da representatividade: 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica não se importam com isso, posto que possuem uma visão já há muito tempo arraigada sobre a Europa e não serei eu quem fará essas pessoas entenderem um pouco mais de história (até porque eu não tenho propriedade para isso), e 2) essa discussão quanto à presença ou não de pessoas pretas na Europa setentrional não é necessária para comprovar que Elfos pretos podiam sim ter existido na Terra-média. Ou seja, ainda que realmente houvesse zero pessoas pretas na Europa setentrional, como alguns sustentam, isso ainda não mudaria nada para a realidade da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, se você realmente se considera um fã de J.R.R. Tolkien e suas obras, eu sugiro que você pare de se utilizar da palavra “nórdica” para se referenciar ao norte da Europa e/ou os povos dessa região, pois Tolkien deixou claro diversas vezes que possuía total aversão a essa palavra, posto que, segundo ele mesmo, essa palavra, &amp;quot;nórdico(a)&amp;quot;, estava associada a doutrinas racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em breve síntese, Tolkien odiava o termo “nordic” (&amp;quot;nórdico&amp;quot;) e, para ele, nós deveríamos utilizarmo-nos do termo “northern” (“setentrional”) para nos referenciarmos ao norte da Europa e &amp;quot;germanic&amp;quot; (&amp;quot;ermânico&amp;quot;) para nos referenciarmos aos povos que viviam nessas regiões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a especificamente o idioma nórdico, o termo original em inglês é &amp;quot;Norse&amp;quot;, sendo que uma dubiedade pode surgir para nós brasileiros pelo fato de que tanto &amp;quot;nordic&amp;quot; quanto &amp;quot;Norse&amp;quot; são traduzidos por aqui como &amp;quot;nórdico&amp;quot;. E, como não temos uma alternativa para a tradução do idioma &amp;quot;Norse&amp;quot;, eu sugiro, em respeito a J.R.R. Tolkien, que você faça o uso do termo &amp;quot;setentrional&amp;quot; para se referenciar à região em si, &amp;quot;germânico&amp;quot; para os povos, e &amp;quot;nórdico&amp;quot; exclusivamente para o idioma - ou, se preferir, &amp;quot;idioma nórdico&amp;quot; pra deixar bem clara essa distinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns breves exemplos nos quais Tolkien fala sobre essa sua aversão pela palavra “nordic” vêm das Cartas n.º 29 e 45 do livro [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], nas quais ele critica o nazismo por se apropriar, perverter e arruinar a essência “setentrional” em favor de doutrinas raciais não-científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e &#039;&#039;&#039;lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Alemão, &amp;quot;confirmação&amp;quot;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29) - Grifou-se.}}{{Citação em Bloco|trecho=Passei a maior parte da minha vida, desde que eu tinha sua idade, estudando assuntos germânicos (no sentido geral que inclui a Inglaterra e a Escandinávia). [...] Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal. [...] &#039;&#039;&#039;suponho que sei melhor do que a maioria das pessoas qual é a verdade sobre esse absurdo “nórdico”&#039;&#039;&#039;. De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular [...] contra aquele maldito tampinha ignorante chamado &#039;&#039;&#039;Adolf Hitler [...] que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional&#039;&#039;&#039;, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, muito embora seja comum ouvirmos a história de que o plano de J.R.R. Tolkien era o de criar uma mitologia para a [[Inglaterra]], de modo que seu legendário se passaria em uma Europa setentrional, a questão não é tão simples quanto parece e, mais uma vez, quem fala isso está claramente tirando muita coisa de contexto pra tentar dar uma maior ar de credibilidade pras suas visões deturpadas de mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso só era verdade para [[O Livro dos Contos Perdidos]], escrito por Tolkien entre os anos 1917 e 1920, que é a primeira versão do que muito mais tarde viria a ser [[O Silmarillion]] como o conhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, quando Tolkien deu o pontapé inicial ao seu legendário, sua intenção era sim a de criar uma espécie de &amp;quot;mito de criação&amp;quot; da Inglaterra, e isso fica evidente em diversas cartas social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[CITAÇÃO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão disso, em O Livro dos Contos Perdidos (1917-20), a relação das lendas e das terras com a Inglaterra era clara e direta, sendo que a palavra &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; é citada 71 vezes nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, usar desse argumento é, como essas pessoas adoram fazer, tirar todo o contexto por trás dele, já que, ao longo dos anos, conforme seu legendário foi evoluindo, essa relação foi deixada totalmente de lado pelo autor, com o &amp;quot;legendário&amp;quot; perdendo esse seu caráter de ser um &amp;quot;mito de criação&amp;quot; pra Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E um exemplo disso é simples: n&#039;O Livro dos Contos Perdidos, a Inglaterra era literalmente representada por uma ilha chamada Tol Eressëa, a Ilha Solitária. A ideia era a de que Tol Eressëa fosse a Inglaterra num passado longínquo, e que a cidade de Kortirion fosse Warwick, uma cidade da Inglaterra, também num passado longínquo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simplificando, a Inglaterra seria, em origem, um reino élfico, sendo que, mais tarde, depois que os Elfos feneceram, ela passou a ser um reino humano, com apenas alguns poucos ainda relembrando as antigas lendas élficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, isso foi posteriormente abandonado por Tolkien, tanto é que Tol Eressëa e Kortirion continuam existindo nas versões posteriores do legendário - com Kortirion apenas mudando seu nome para apenas Tirion - sendo que, na versão posterior da história, eles dois foram literalmente removidos do planeta durante a Queda de Númenor e passar a literalmente flutuar no espaço, acessíveis somente através da Rota Reta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, pra quem fala que o legendário era para ser um mito de criação para a Terra-média, ou para quem fala que Tolkien abandonou essa ideia, mas o legendário continuou sendo &amp;quot;espiritualmente&amp;quot; um mito de criação para a Terra-média, a tal da &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; virou literalmente uma ilha que tá flutuando no espaço, fora do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isso não é prova o suficiente de que Tolkien abandonou esse conceito de o legendário ser um mito de criação pra Inglatera, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso, fato é que o próprio Tolkien deixou claro ainda em vida, 50 anos depois de escrever O Livro dos Contos Perdidos, que isso não era mais aplicável à sua mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que parte de suas inspirações são derivadas de mitos europeus, mas, em uma carta escrita por J.R.R. Tolkien em 08/02/1967, apenas seis anos antes de falecer, na qual ele traz alguns comentários pontuais sobre uma entrevista feita com Charlotte e Denis Plimmer, &#039;&#039;&#039;ele deixa claro que a Terra-média não representava a Europa nórdica (nem setentrional), seja geograficamente ou &amp;quot;espiritualmente&amp;quot;, e que essa não era a sua intenção.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que &#039;&#039;&#039;mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”&#039;&#039;&#039;. Esta é uma palavra antiga, não inventada por mim, como a consulta a um dicionário como o Shorter Oxford mostrará. Significava as terras habitáveis de nosso mundo, situadas no meio do Oceano circundante. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol. Uma simples leitura das sinopses deveria deixar claro que isso não é verdadeiro para minha história. O Norte era a sede das fortalezas do Diabo. O progresso da história termina no que é muito mais parecido com o restabelecimento de um Sacro Império Romano efetivo com sua sede em Roma do que qualquer coisa que seria planejada por um “nórdico”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294) - Grifou-se.}}E, ainda que a Terra-média representasse a &amp;quot;Europa nórdica&amp;quot; como muitos alegam (o que, ressalto, ela não representava), dizer que isso significaria que não existem personagem negros nem sequer faz sentido lógico, pois há diversos personagens humanos que Tolkien descreve como sendo negros (como alguns dos Haradrim). Até mesmo Tom Bombadil é descrito como tendo uma pele &amp;quot;marrom&amp;quot; (que não é negra, mas definitivamente também não é &amp;quot;branca&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que essa seletividade? Uma mitologia (supostamente) &amp;quot;europeia&amp;quot; não pode ter Elfos negros, mas pode ter Homens negros? Qual é a lógica disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien era filólogo e a etimologia de &#039;Elfo&#039; infere a ideia de &#039;branco&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Muito também se tem falado de que a palavra “Elfo” (no original, &#039;&#039;Elf&#039;&#039;) tem origem nos antigos mitos e folclores germânicos e nórdicos e que ela estava intimamente associada à ideia de branco, sendo que o radical nórdico de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, no caso &#039;&#039;alv&#039;&#039;, seria o mesmo radical de palavras como “alpes” ou “albino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, a etimologia de &#039;&#039;Elf&#039;&#039; não é tão simples assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o [https://www.etymonline.com/word/elf#etymonline_v_5730 Online Etymology Dictionary], é &#039;&#039;sugerido&#039;&#039; que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; tenha origem no &#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico, que também teria dado origem a palavras posteriores como o &#039;&#039;alp&#039;&#039; alemão (de onde vem, por exemplo, alpes e albino), mas é importante lembrar o que significa esse * no início de &#039;&#039;albiz&#039;&#039;: essa palavra nunca foi encontrada em qualquer registro escrito e é uma invenção posterior para tentar justificar a relação entre palavras distintas mas semelhantes. Ou seja, não sabemos de fato se &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente têm um antepassado em comum, pois nunca foi encontrado nenhum registro fático nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, ainda que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente tivessem uma mesma origem etimológica (do que, ressalto, não temos prova), isso não implica dizer que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; em si tenha ligação com a cor branca, posto que &amp;quot;Elf&amp;quot; &#039;&#039;precederia&#039;&#039; ao &#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039;alp&#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039; alemão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse&#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico teria originado o &#039;&#039;ylfe&#039;&#039; (saxão ocidental), &#039;&#039;ælf&#039;&#039; (nortúmbrio) e &#039;&#039;elf&#039;&#039; (merciano, kentico) do inglês antigo que significavam algo como &#039;&#039;sprite&#039;&#039;, &#039;&#039;fairy&#039;&#039;, &#039;&#039;goblin&#039;&#039; e &#039;&#039;incubus&#039;&#039;, sendo que todas essas palavras, nos anos 1550, eram usadas figurativamente para representar uma &amp;quot;pessoa malvada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos uma palavra portuguesa que tenha derivado diretamente de &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;sprite&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, mas ela pode ser traduzida basicamente como “espírito”, já que a própria etimologia de “sprite” sugere que ela tenha vindo do latim “spiritus” que, obviamente, também deu origem à palavra “espírito”. Já &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;goblin&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; significava basicamente “um demônio, um íncubo, uma fada feia e malvada ou um espírito”, e aqui a gente já começa a ver muita repetição nas definições dessas palavras. &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Incubus&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, por sua vez, significava basicamente “um demônio ou ser imaginário que causava pesadelos”. Quanto a &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;fairy&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, ela nada mais é do que “fada”, palavra essa que mais se repete na etimologia de todas as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a gente vê que, ao menos originalmente, antes da difusão na cultura popular, Elfo, Fada, Espírito, Gobelim e Íncubo significavam mais ou menos a mesma coisa, sendo que o termo “fairy” (“fada”) é o que mais se repete na etimologia de todas essas palavras. Aliás, o próprio Tolkien diversas vezes usa Elfo e Fada indiscriminadamente, dizendo que eles eram termos mais ou menos equivalentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o Century Dictionary, Elfo e Fada eram basicamente os mesmos seres, sendo apenas que Elfo era geralmente mais jovem e malvado do que uma Fada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à etimologia de Fada em si, a palavra original era, na verdade, “faerie”, que vem do francês antigo e é traduzida aqui no Brasil como Feéria, sendo que Faerie (&amp;quot;Feéria&amp;quot;) era o nome dado especificamente ao reino em que viviam criaturas sobrenaturais ou lendárias. Em outras palavras, Feéria pode ser traduzido como Terra das Fadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o decorrer do tempo, “Fairy” (não Faerie), traduzida aqui no Brasil como “Fada”, passou a ser utilizado, via de consequência, como o nome dessas criaturas sobrenaturais ou lendárias vindas de Feéria, sendo que Fada é atestado, inclusive, como um adjetivo genérico para representar seres heroicos ou lendários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Tolkien, em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas, cita essa questão da origem da palavra Fada (&amp;quot;Fairy&amp;quot;) como significando, na verdade, o reino de Feéria (&amp;quot;Faerie&amp;quot;):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Fada, como um substantivo mais ou menos equivalente a elfo, é uma palavra relativamente moderna […]. A primeira citação no Oxford Dictionary (a única antes de 1450) é significativa. É tirada do poeta Gower: &#039;&#039;&#039;“as he were a faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele fosse uma fada]. Mas isso Gower não disse. Ele escreveu &#039;&#039;&#039;“as he were of faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele tivesse vindo de Feéria].|fonte=[[Árvore e Folha]] (Sobre Estórias de Fadas) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu ensaio &amp;quot;[[Sobre Estórias de Fadas]]&amp;quot;, presente no livro [[Árvore e Folha]], o próprio Tolkien ressalta que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;precede&#039;&#039;&#039; os antigos mitos e folclores germânicos e setentrionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=O ser diminuto, elfo ou fada, é (suspeito), na Inglaterra, em grande parte, um produto sofisticado do devaneio literário.&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;Estou falando de transformações que ocorreram antes do aumento do interesse pelo folclore de outros países. As palavras inglesas, tais como elf [elfo], receberam por muito tempo a influência do francês (língua da qual derivam as palavras fay [fata, fada] e Faërie, fairy [Feéria, fada]); mas, &#039;&#039;&#039;em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, tanto fada quanto elfo adquiriram muito da atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas&#039;&#039;&#039; [...].|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]]) - Grifou-se.}}Nesse sentido, não há como se ter certeza sobre qual o significado original de palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, sendo que o próprio J.R.R. Tolkien aborda em seu ensaio as confusas possíveis origens deste termo, jamais tentando dar-lhe um significado original (apenas a relacionando à palavra Fada) e jamais fazendo qualquer menção à ideia de branco, atentando-se mais para o que define a estórias de fadas e elfos do que para o que define os elfos em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, ainda que houvesse provas de que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; estava intimamente associado à ideia de branco (o que, ressalto, não há), isso, por si só, não significaria que todos os Elfos do legendário da Terra-média eram brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto porque nós não podemos nos esquecer de que, tecnicamente falando, é equivocado chamar essas criaturas criadas por Tolkien de &amp;quot;Elfos&amp;quot;, posto que elas chamavam-se, na verdade, &amp;quot;Quendi&amp;quot;, que são uma invenção original do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Tolkien reconhecer que, embora isso fosse verdade no início, seu legendário tinha deixado de ter uma relação direta com a Inglaterra e, via de consequência, com a Europa setentrional (como vimos no tópico anterior), ele também deixou claro diversas vezes que “Elfo” foi uma palavra pré-existente que ele optou por se utilizar como &#039;&#039;tradução&#039;&#039; de Quendi, e que &#039;&#039;&#039;essas duas palavras – Quendi e Elfos – não eram equivalentes&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Só para esclarecer para quem porventura não saiba, &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; significa “Os Falantes”, e é a palavra &amp;quot;élfica&amp;quot; para se referenciar aos Elfos. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tolkien fala sobre essa questão de “Elfos” ser uma tradução não muito precisa de “Quendi”, por exemplo, lá nos Apêndices de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;&#039;&#039;Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi&#039;&#039;&#039;, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, &#039;&#039;&#039;e Eldar&#039;&#039;&#039;, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal […]. De fato, essa palavra antiga era a única disponível […]. Mas ela minguou, e a muitos pode agora sugerir fantasias delicadas ou tolas, tão diferentes dos Quendi de outrora […].|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso também fica explícito em várias cartas escritas por Tolkien, nas quais ele diz, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E, de qualquer forma, elfo, gnomo, gobelim e anão &#039;&#039;&#039;são apenas traduções aproximadas&#039;&#039;&#039; dos nomes em Élfico Antigo para seres de raças e funções não exatamente iguais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 25) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=O que você pede é O Silmarillion, que é na prática uma história dos Eldalië (&#039;&#039;&#039;ou Elfos, por uma tradução não muito precisa&#039;&#039;&#039;), de sua ascensão até a Última Aliança e a primeira derrubada temporária de Sauron [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 114) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Por trás de minhas histórias há agora um nexo de idiomas (a maioria apenas estruturalmente esboçada). Mas àquelas criaturas que &#039;&#039;&#039;em inglês chamo enganosamente de Elfos&#039;&#039;&#039; são designados dois idiomas relacionados bastante completos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Tenho dificuldade em encontrar nomes ingleses para criaturas mitológicas com outros nomes, uma vez que as pessoas não “aceitariam” uma série de nomes Élficos [como “Quendi” ou “Eldar” para os Elfos, por exemplo], e prefiro que elas aceitem minhas criaturas lendárias mesmo com as &#039;&#039;&#039;falsas associações da “tradução”&#039;&#039;&#039; do que não as aceitem de modo algum.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 156) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, sendo ainda mais específico sobre isso, há uma carta na qual Tolkien fala expressamente que seus “Elfos” (isto é, seus “Quendi”) não guardavam nenhuma relação com os Elfos da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Elfos” é uma tradução, talvez agora não muito adequada, mas originalmente boa o suficiente, de Quendi. Eles são representados como uma raça similar em aparência (e ainda mais no passado distante) aos Homens e, em dias antigos, da mesma estatura. […] Mas suponho que &#039;&#039;&#039;os Quendi nestas histórias sejam de fato muito pouco relacionados aos Elfos e Fadas da Europa&#039;&#039;&#039;; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu diria que eles representam realmente Homens com faculdades estéticas e criativas aprimoradas em grande medida, maior beleza e vida mais longa, e nobreza […].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dito isto, é importante ressaltar que, além de Tolkien ter deixado claro diversas vezes que suas criaturas não eram &amp;quot;Elfos&amp;quot; propriamente ditos, tendo usado este termo apenas como uma tradução de Quendi e Eldar, o autor também disse explicitamente em várias cartas que se arrependeu de ter se utilizado dessa palavra (“Elfo”) por acreditar que ela estava cheia de vícios que eram demais para se superar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Além disso, agora &#039;&#039;&#039;lamento profundamente ter usado Elfos&#039;&#039;&#039;, embora esta seja uma palavra em ancestralidade e significado original suficientemente adequada. A desastrosa depreciação dessa palavra […] realmente a sobrecarregou com tons lamentáveis, que são muitos para se superar. […] Minha dificuldade é de que, uma vez que tentei apresentar uma espécie de legendário e história de uma “época esquecida”, todos os termos específicos estavam em uma língua estrangeira, e &#039;&#039;&#039;não existem equivalentes precisos em inglês&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos nos esquecer de que Tolkien era um filólogo e tinha um vasto conhecimento do vocabulário e da etimologia de diversas línguas, não ficando preso ao convencionado popularmente na sua época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente por esse motivo, Tolkien deixou claro diversas vezes que se arrependeu muito de ter se utilizado não só da palavra &#039;&#039;Elfo&#039;&#039;, como também de palavras como &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, &#039;&#039;Gobelim&#039;&#039; e até &#039;&#039;Anão&#039;&#039; – todas pelo mesmo motivo de que essas palavras estavam viciadas com outros significados na cultura popular e não guardavam uma relação precisa com as criaturas de seu legendário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só pra explicar pra quem porventura não conheça, Gnomos era como Tolkien chamava os Noldor, um dos Três Clãs dos Elfos, lá nas primeiras versões de seu legendário, vide o já citado O Livro dos Contos Perdidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Gobelins significa exatamente o mesmo que Orques, sendo apenas que Gobelim era uma palavra usada mais pelos Hobbits e Orque, mais pelas outras raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, algumas citações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Às vezes (não neste livro) tenho usado &amp;quot;Gnomos&amp;quot; por Noldor e &amp;quot;gnômico&amp;quot; por noldorin. […] Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora &#039;&#039;&#039;abandonei essa representação por demasiado enganosa&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Nenhum resenhista (que eu tenha visto), embora todos tenham usado cuidadosamente a forma correta dwarfs [anões], comentou a respeito do fato (do qual me tornei consciente apenas através das resenhas) de eu usar no decorrer do livro o plural “incorreto” dwarves [anãos]. [...] Talvez seja permitido ao meu dwarf [anão] — uma vez que ele e o Gnomo3 são apenas traduções em equivalentes aproximados de criaturas com diferentes nomes e funções muito diferentes em seu próprio mundo [...]. O verdadeiro plural “histórico” de dwarf (como teeth [dentes] de tooth [dente]) é dwarrows [ananos], de qualquer modo: sem dúvida uma bela palavra, mas um tanto arcaica demais. No entanto, &#039;&#039;&#039;gostaria que eu tivesse usado a palavra dwarrow [anano]&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 17) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua preferência por gobelins a orques envolve um assunto maior e uma questão de gosto, e talvez um pedantismo histórico de minha parte. &#039;&#039;&#039;Pessoalmente prefiro Orques&#039;&#039;&#039; (uma vez que essas criaturas não são “gobelins”, nem mesmo os gobelins de George MacDonald, aos quais se assemelham de certa forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não dá para nós simplesmente jogarmos as preconcepções populares de nossa época (ou até mesmo da época de Tolkien) em cima das criaturas originalmente criadas pelo autor, pois, embora ele tenha se utilizado de nomes comuns a nós, ele deixou claro diversas vezes que esses nomes modernos foram usados apenas como &#039;&#039;traduções aproximadas&#039;&#039; dos nomes de criaturas bem diferentes e, em muitos casos, inclusive se arrependeu de ter usado esses nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a título de exemplo, a palavra &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, que, como eu comentei, era como Tolkien chamava os Noldor, não tem relação nenhuma com as criaturas folclóricas diminutas que estamos tão acostumados e que adentraram na cultura popular através de Paracelso, um escritor suíço que, no século XVI, usou &amp;quot;gnomo&amp;quot; como um sinônimo de “pigmeu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “gnomo” utilizado por Tolkien vem de uma origem muito mais antiga, mais especificamente o “gnōmē” grego, que significava algo como “pensamento” ou “inteligência”, sendo que o próprio Tolkien comenta sobre essa distinção dizendo que, embora seus Gnomos não tivessem nada a ver com os gnomos da cultura popular, sendo apenas aquele clã dos Quendi que mais se distinguiam por seu conhecimento e sua inteligência, ele acabou abandonando essa palavra ao ver que ela estava causando muita confusão desnecessária (&amp;quot;Gnomos&amp;quot; como significando os &amp;quot;Elfos noldorin&amp;quot; chegou a aparecer primeira edição de [[O Hobbit]]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Seja lá o que Paracelso tenha pensado (se é que ele realmente inventou o nome), para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é um ótimo exemplo do porquê de ser tão difícil tentarmos associar as palavras utilizadas por Tolkien, um filólogo, com a noção que nós temos dessas mesmas palavras na cultura popular (seja atualmente seja da época do próprio autor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não há como supormos que os Elfos da Terra-média eram todos brancos simplesmente com base na etimologia da palavra porque&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# a etimologia de &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; é extremamente complexa, conforme ressaltado pelo próprio J.R.R. Tolkien em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas;&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que os seus Elfos tinham pouco, se não nenhuma, relação com os Elfos da Europa, posto que &amp;quot;Elfos&amp;quot; foi usado apenas como uma tradução aproximada de “Quendi” (já que ele temia que as pessoas tivessem aversão a tantos nomes originais), ressaltando que essas duas palavras não eram equivalentes; e&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien disse que se arrependeu de ter se utilizado da palavra “Elfo” como uma tradução de Quendi, já que a cultura popular sugeria fantasias tolas, muito diferentes de suas criaturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adentrarei aqui nos possíveis significados originais de Elfos, pois entendo ser irrelevante para o objetivo deste artigo. Caso seja de seu interesse, eu adentro nessa questão no meu texto sobre os Elfos terem ou não orelhas pontudas: [[Os Elfos de Tolkien Tinham Orelhas Pontudas?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien chamava os Elfos de &#039;Fair Folk&#039; e &#039;fair&#039; significa &#039;branco&#039;.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
[TEXTO SENDO REVISADO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Os Elfos eram, em origem, um só povo e, assim, não poderiam ter mais de uma etnia.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
[TEXTO SENDO REVISADO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Tolkien nunca mencionou um Elfo de pele negra; se existissem, ele teria mencionado.&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, é importante destacar aqui que Tolkien ser descritivo e Tolkien ser redundante são duas coisas totalmente diferentes. Em outras palavras, de fato J.R.R. Tolkien sempre foi muito descritivo com seus textos, em especial em se tratando na natureza de seu mundo, mas ele nunca foi redundante nessas descrições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato há alguns personagens élficos que Tolkien especifica nos livros como tendo pele clara, mas pense comigo: se todos os Elfos fossem brancos, seria necessário Tolkien ser redundante com relação a isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se supostamente já teria sido estabelecido que todos Elfos eram brancos, seja lá com base em qual argumento, qual seria a utilidade de Tolkien dizer especificamente, por exemplo, que os Noldor tinham pele clara? Ou por que Tolkien diria que Maeglin, um Elfo, era branco? Ou por que Tolkien diria que Túrin, um homem branco, podia ser confundido com um dos Noldor em vez de dizer simplesmente que ele podia ser confundido com um Elfo? Nestes três casos, o uso desses complementos por Tolkien me pareceria algo tão redundante e inútil quanto dizer &amp;quot;subir para cima&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se a gente considerar que nem todos os Elfos eram brancos, bem como que o único clã descrito como sendo branco era o clã dos Noldor, Tolkien dizer que Maeglin, um Elfo sindarin, era branco, e que Túrin, por ser branco (e ter outras características &amp;quot;élficas&amp;quot;), podia ser confundido com um dos Noldor, deixa de ser redundante e passa a ser uma descrição totalmente válida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Repito: Tolkien sempre foi muito descritivo, mas ele nunca foi redundante, e não havia utilidade nenhuma para que ele fosse redundante nessas pouquíssimas descrições de personagens élficos como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessa questão da redundância, também não podemos nos esquecer de que a ausência de prova não é prova de ausência. Até podemos dizer que nas versões posteriores de seu legendário Tolkien de fato nunca mencionou &#039;&#039;especificamente&#039;&#039; um Elfo como tendo pele negra, mas isso por si só não é capaz de implicar que eles não existiam (e quem acha que significa precisa estudar um pouco de hermenêutica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Tolkien sempre deixou claro que ele não estava criando essas histórias, mas apenas traduzindo textos por ele encontrados, que teriam sobrevivido a todas essas eras. Sua mentalidade era a de que ele não estava criando, mas sim &amp;quot;descobrindo&amp;quot; essas histórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a ilha de Númenor, por exemplo, Tolkien diz que é muito difícil precisarmos quais eram exatamente a sua cultura e os animais que viviam lá porque pouquíssimos escritos teriam sobrevivido à sua queda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Visto que todas esses assuntos eram estudados pelos homens de saber em Númenor, e muitas histórias naturais e geografias precisas devem ter sido compostas, aparentemente elas, como quase tudo o mais das artes e ciências de Númenor em seu apogeu, desapareceram na queda.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como foi dito, não é fácil descobrir quais eram os animais, aves e peixes que já habitavam a ilha antes da chegada dos Edain, e quais foram trazidos por eles. O mesmo vale para as plantas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa mesma linha, falando sobre o parentesco de personagens, &#039;&#039;&#039;Tolkien deixa claro que não devemos interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência&#039;&#039;&#039; de um filho ou parente para certo personagem, pois os textos élficos e humanos que teriam sobrevivido ao longo das eras costumavam mencionar apenas os personagens mais importantes, omitindo certos aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deve-se recordar, no entanto, ao considerar os registros e as lendas do passado, que estes (em especial os feitos ou transmitidos pelos Homens) muitas vezes mencionam ou nomeiam apenas pessoas que desempenham um papel registrado nos eventos, ou que eram ancestrais diretos de tais atores principais. Portanto, não se pode concluir, apenas a partir do silêncio, quer na narrativa quer na genealogia, que determinada pessoa não tinha filhos, ou não mais do que os mencionados.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento, 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois pontos (Tolkien nunca ter sido redundante e seu silêncio não poder ser interpretado como sinônimo de ausência), por si só, já deveriam ser suficientes para evidenciar que não é só porque Tolkien não falou sobre um personagem que ele necessariamente não existia. Isto é, não é porque Tolkien nunca descreveu um Elfo como tendo pele negra que nenhum existia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, em segundo lugar, é válido mencionar que na primeira versão de seu legendário, quando O Silmarillion ainda era chamado de O Livro dos Contos Perdidos e havia uma associação direta com a Inglaterra, como eu já comentei, Tolkien chegou sim a descrever um Elfo como tendo pele negra - mais especificamente Maeglin (na época chamado de Meglin), que era filho de Aredhel (uma Elfa 75 % noldorin e 25 % vanyarin) e Eöl (um Elfo sindarin).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, o emblema de Meglin era uma Toupeira negra e ele era grande entre os que trabalhavam em pedreiras e um chefe dos que escavava em busca de minério, e muitos desses pertenciam à sua casa. Menos belo era ele do que muitos desse povo bonito, &#039;&#039;&#039;moreno&#039;&#039;&#039; e de ânimo não muito gentil, de modo que lhe tinham pouco amor [...].|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Com ela veio seu filho, Meglin, e ele foi lá recebido por Turgon como filho de sua irmã e, embora tivesse metade de sangue dos Elfos-escuros, foi tratado como um príncipe da linhagem de Fingolfin. &#039;&#039;&#039;Era moreno&#039;&#039;&#039;, mas formoso, sábio e eloquente e sagaz na conquista dos corações e mentes dos homens.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A História Contada no Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como já mencionei anteriormente, Tolkien estabeleceu que os Noldor eram todos brancos, mas Meglin, embora fosse filho da (75 %) Noldo Aredhel, também era filho do Sinda Eöl. O tom de pele dos Sindar ou de Eöl nunca foi mencionado (nem mesmo nas versões anteriores do conto), mas isso deixa a entender que Meglin teria puxado de seu pai Sinda a sua pele escura, posto que Tolkien nunca estabeleceu uma regra quanto ao tom de pele dos Elfos sindarin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, antes que alguém questione o significado de &amp;quot;moreno&amp;quot;, ressalto desde já que a palavra originalmente utilizada por Tolkien foi &amp;quot;swart&amp;quot;, conforme consta ao final do referido livro, no glossário de termos arcaicos e suas traduções para o português (A Queda de Gondolin, p. 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Now the sign of Meglin was a sable Mole, and he was great among quarrymen and a chief of the delvers after ore; and many of these belonged to his house. Less fair was he than most of this goodly folk, &#039;&#039;&#039;swart&#039;&#039;&#039; and of none too kindly mood, so that he won small love [...].|fonte=The Fall of Gondolin (The Original Tale)}}{{Citação em Bloco|trecho=With her came her son Meglin, and he was there received by Turgon as his sister-son, and though he was half of Dark-elven blood he was treated as a prince of Fingolfin’s line. &#039;&#039;&#039;He was swart&#039;&#039;&#039; but comely, wise and eloquent, and cunning to win men’s hearts and minds.|fonte=The Fall of Gondolin (The Story Told in the Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não sabe, &#039;&#039;swart&#039;&#039; (e suas variantes swarty e swarthy) é uma palavra do inglês antigo, datada dos anos 1570, que, [https://www.etymonline.com/word/swart#etymonline_v_22466 segundo o Online Etymology Dictionary], significa &amp;quot;&#039;black, being of a dark hue&#039; [...] in reference to skin color of persons&amp;quot; (&amp;quot;preto, de uma cor escura&#039; [...] em referência à cor da pele de pessoas&amp;quot;). Suas variantes swarty e swarthy significam, [https://www.etymonline.com/word/swarthy#etymonline_v_22467 também segundo o OED], &amp;quot;&#039;dark-colored, tawny,&#039; especially in reference to skin&amp;quot; (&amp;quot;&#039;de cor escura, brozeado,&#039; especialmente com relação à pele&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de curiosidade, swarthy foi a mesma palavra que Tolkien usou para descrever os Haradrim em O Senhor dos Anéis. Os Haradrim, também chamados de Sulistas (Harad = Sul), foram alguns do Homens aliados a Sauron na Guerra do Anel e todos os leitores concordam que eles eram Homens negros - tanto é que muitas pessoas que discordaram da existência de um Elfo negro na série usaram como justificativa de que não tinham problema com personagens negros em si o fato de que não se importariam se tivessem Homens Sulistas negros (em vez de Elfos negros), já que Tolkien teria descrito os Sulistas como negros nos livros (swarthy, no original).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Em A Queda de Gondolin, &#039;&#039;swart&#039;&#039; foi traduzido como o &#039;&#039;moreno&#039;&#039;. Em O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;swarthy&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;tisnados&#039;&#039;.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;It is close on ten leagues hence to the east-shore of Anduin,&#039; said Mablung, &#039;and we seldom come so far afield. But we have a new errand on this journey: we come to ambush the &#039;&#039;&#039;Men of Harad&#039;&#039;&#039;. Curse them!&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;Aye, curse the &#039;&#039;&#039;Southrons&#039;&#039;&#039;!&#039; said Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, eager to see more, went now and joined the guards. He scrambled a little way up into one of the larger of the bay-trees. For a moment he caught a glimpse of &#039;&#039;&#039;swarthy men&#039;&#039;&#039; in red running down the slope some way off with green-clad warriors leaping after them, hewing them down as they fled.|fonte=The Lord of the Rings (The Two Towers, Book IV, 4, Of Herbs and Stewed Rabbit)}}{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;São cerca de dez léguas daqui até a margem leste do Anduin,&amp;quot; disse Mablung, &amp;quot;e raramente chegamos tão longe. Mas temos uma nova missão nesta jornada: viemos emboscar os &#039;&#039;&#039;Homens de Harad&#039;&#039;&#039;. Malditos sejam!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Sim, malditos sejam os &#039;&#039;&#039;Sulistas&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, disse Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, ávido para ver mais, foi se juntar aos guardas. Engatinhou mais para cima, subindo em um dos loureiros maiores. Por um momento teve um vislumbre de &#039;&#039;&#039;homens tisnados&#039;&#039;&#039;, trajados de vermelho, que corriam encosta abaixo a certa distância dali, com guerreiros de verde que saltavam atrás deles, abatendo-os enquanto fugiam.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão sobre racismo nas obras de Tolkien é muito complexa e não vou adentrar aqui (nota-se que Tolkien diz que Meglin era &amp;quot;moreno, mas formoso&amp;quot;). Aos interessados, há excelentes vídeos no YouTube dissecando a evolução pessoal de Tolkien ao longo das décadas, feitos por pessoas que têm muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu (como, por exemplo, [https://www.youtube.com/watch?v=1j5-SPCyZz0 esse vídeo do Clube Literário Tolkieniano de Brasília]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, em O Livro dos Contos Perdidos, que Tolkien começou a escrever em 1917, quando Tolkien tinha seus 25 anos, ele associava muito a cor negra (no geral, não necessariamente associada com a cor da pele) com a ideia de maldade. O famoso &amp;quot;luz vs. escuridão&amp;quot; sendo transposto como &amp;quot;branco vs. negro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de sua vida, conforme ia amadurecendo como pessoa, Tolkien foi deixando essa perspectiva de lado e &amp;quot;corrigindo&amp;quot; seus antigos escritos, retirando essas associações quando podia e passando a utilizar a cor negra também para coisas &amp;quot;boas&amp;quot; e a cor branca também para coisas &amp;quot;ruins&amp;quot;. A título de exemplo, a bandeira de Gondor era negra e isso nunca é mencionado como significando algo ruim, e Saruman, mesmo sendo &amp;quot;o Branco&amp;quot;, se corrompeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na versão mais recente do conto da Queda de Gondolin (vide a presente no Silmarillion como publicado) essa menção a Maeglin, um Elfo vilão, como tendo pele negra foi alterada pelo autor, passando ele a descrever Maeglin como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre essa alteração no tom de pele de Maeglin, é importante salientar que, como você deve ter percebido, na versão primária do conto, quando Meglin tinha pele negro, Tolkien apenas salientou suas diferenças com os Elfos noldorin, enquanto na versão posterior do conto, quando Maeglin passou a ter pele branca, o autor acrescentou a informação de que ele &amp;quot;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto, por si só, corrobora com o já mencionado no primeiro tópico, de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos. Quando Tolkien diz que Túrin, um Homem branco, se parecia com os Elfos, ele não diz simplesmente &amp;quot;Elfos&amp;quot;, mas especifica ele como parecendo com os Elfos &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;. Quando Tolkien altera a pele de Maeglin, de negra para branca, ele acrescenta a informação de que ele se parecia com seus parentes &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizer que Maeglin se assemelhava &amp;quot;em rosto&amp;quot; com sua parentela dos Noldor (isto é, com os parentes de sua mãe) é o mesmo que dizer que ele &#039;&#039;não&#039;&#039; se assemelhava com sua parentela dos Sindar (isto é, com os parentes de seu pai). E nem se diga aqui que, quando disse &amp;quot;em rosto&amp;quot;, Tolkien estava se referindo aos olhos de Maeglin, pois os Noldor foram descritos especificamente como tendo olhos cinzas, enquanto Maeglin é decrito nessa passagem como tendo olhos escuros (embora &amp;quot;luzentes e agudos&amp;quot; como os olhos dos Noldor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os olhos de Maeglin não tinham a mesma cor dos olhos dos Noldor, o que mais poderia significar dizer que ele, &amp;quot;em rosto&amp;quot;, se assemalhava aos seus parentes noldorin? Ao meu ver, a única opção que sobra é a cor de sua pele, evidenciando que somente os noldor eram notórios por serem brancos e dando a entender que, se Eöl, o pai de Maeglin, não fosse negro, ao menos o seu povo, os Sindar, tinham membros negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, ainda que a cor da pele de Maeglin tenha sido alterada na versão posterior do conto, de modo que, a partir desse momento, passamos a não ter nenhum Elfo descrito por Tolkien como tendo pele negra, fato é que a versão antiga trazer ele como um Elfo negro é prova de que, para Tolkien, Elfos de pele negra eram plausíveis e existiam em seu universo, não sendo isso um problema para as leis estabelecidas pelo autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, com relação ao fato de Tolkien supostamente nunca ter descrito um Elfo como sendo negro, nós temos que considerar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ausência de prova não é prova de ausência, de modo que Tolkien nunca ter descrito um Elfo como tendo pele negra é diferente de ele ter dito que Elfos de pele negra não existiam;&lt;br /&gt;
# Tolkien chegou a descrever alguns poucos Elfos como tendo pele branca e, se todos os Elfos fossem brancos, essas passagens automaticamente se tornariam redundantes (algo que Tolkien nunca foi);&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que todas essas histórias se tratavam de &amp;quot;documentos históricos&amp;quot;, de modo que, se um personagem não aparecia nessas histórias, isso não significava que ele não existia, de modo que a gente não deveria interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência;&lt;br /&gt;
# Tolkien já descreveu sim um Elfo como tendo pele negra em seu legendário, mais especificamente Meglin, no conto original da Queda de Gondolin, evidenciando que isso não era um problema;&lt;br /&gt;
# quando Tolkien alterou a pele de Meglin de negra para branca, ele acrescentou a informação de que ele era semelhante &amp;quot;em rosto&amp;quot; aos seus parentes Noldor, o que só pode significar seu tom de pele já que seus olhos eram negros e os Noldor tinham olhos cinzas, o que ressalta o ponto anterior de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Da síntese e conclusão ==&lt;br /&gt;
Em síntese,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# apenas os Elfos noldorin foram especificados por J.R.R. Tolkien como tendo pele clara, de modo que essa questão foi deixada em aberto com relação aos outros dois clãs élficos (Vanyar e Teleri);&lt;br /&gt;
# sempre que um personagem branco é comparado aos Elfos, ele é comparado especificamente com os Noldor, o que ressalta a ideia de que apenas os Noldor eram notórios por serem brancos;&lt;br /&gt;
# Tolkien deixou claro que a Terra-média não representa a Europa nórdica nem setentrional, seja geográfica ou espiritualmente;&lt;br /&gt;
# não se sabe ao certo o significado original de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, bem como essa palavra adquiriu a atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas apenas em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, conforme o próprio Tolkien deixou claro em seu ensaio &amp;quot;Sobre Estórias de Fadas&amp;quot;, não sendo possível precisar se realmente seria relacionado à ideia de &amp;quot;branco&amp;quot;, como por alguns sustentado;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que &#039;&#039;Elfos&#039;&#039; não era equivalente a &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; (termo utilizado naquele mundo para se referenciar aos Elfos), tendo &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; sido a palavra inglesa mais próxima que ele conseguiu encontrar;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que se arrependeu de usar Elfo como tradução de Quendi, uma vez que, segundo ele, ela estava viciada por outros significados na cultura popular, que não guardavam relação com o seu universo, já que seus Quendi tinham pouca relação com os Elfos e Fadas da Europa;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que o seu silêncio não pode ser interpretado como sinônimo de inexistência, conforme por ele mesmo dito com relação às árvores genealógicas de seu universo;&lt;br /&gt;
# em O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien chegou a citar um Elfo como tendo pele negra, sendo que, mesmo que essa descrição tenha sido deixada de lado mais tarde, isso prova que Elfos negros não eram um problema para as regras de seu universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fica evidente que o único possível desrespeito com relação ao &amp;quot;cânone&amp;quot; estabelecido por J.R.R. Tolkien seria com relação aos Elfos com sangue 100 % noldorin, que o autor especificou como tendo pele clara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a todos os outros grupos dos Elfos (que eram vários e descendiam dos clãs vanyarin e telerin), ou quanto aos Elfos que não tinham sangue 100 % noldorin, não foi estabelecido nenhuma regra, sendo possível que tivessem diferentes tons de pele, como o próprio Maeglin, que era apenas 37,5 % noldorin e no início tinha pele escura, provavelmente herdada de seu pai sinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1127</id>
		<title>Elfos Negros na Terra-média</title>
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		<updated>2025-06-27T00:28:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Desambiguação (entre dois)|Elfos de pele negra|os Elfos Escuros|[[Moriquendi]]}}&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] em 2022 (atualizado por último em 26/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão quanto à presença ou não de Elfos de pele negra no legendário da [[Terra-média]] não é recente e existe desde o século passado. Todavia, em razão do grande peso que essa discussão tomou desde a divulgação das primeiras imagens da nova série [[O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder]], nas quais havia sido confirmado que teríamos um ator de pele negra interpretando um Elfo - no caso, [[Ismael Cruz Córdova]], que interpretaria o Elfo [[Arondir]] -, eu resolvi fazer um vídeo analisando a fundo tudo o que [[J.R.R. Tolkien]] de fato já havia falado sobre a aparência dos [[Elfos]] de seu universo, em especial o seu tom de pele, sob o ponto de vista tanto de livros &amp;quot;canônicos&amp;quot; (i.e., O Hobbit e O Senhor dos Anéis) quanto de livros &amp;quot;não-canônicos&amp;quot; (i.e., aqueles livros que não foram finalizados em vida e acabaram sendo publicados postumamente com organização, edição e comentários de outras pessoas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vídeo em questão foi publicado no meu canal, [https://www.youtube.com/@ProjetoTolkien Projeto Tolkien], em 07/03/2022 (você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=sJwg-u-GBR0 aqui]), mas, depois de ver os incontáveis comentários que foram feitos nele, eu me dei conta de que aquele vídeo acabou ficando bastante desfocado, posto que, embora a temática central dele era a cor da pele dos Elfos da Terra-média, eu também adentrei em questões que não tinham qualquer relação com isso, como barba, cor e tamanho dos cabelos, cor dos olhos, etc., e, inclusive, no dilema sobre quais livros seriam ou não &amp;quot;canônicos&amp;quot; no legendário da [[Terra-média]] - discussão essa que influencia essas outras questões, mas não o tom de pele em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso tudo, inevitavelmente, deixou certos pontos que eu fiz sobre o tom de pele dos Elfos da Terra-média ambíguos e confusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi por esse motivo que eu resolvi fazer um novo levantamento, muito mais detalhado e aprofundado, para sintetizar melhor essa discussão, centralizando ele &#039;&#039;exclusivamente&#039;&#039; no tom de pele dos Elfos da Terra-média e deixando essas outras discussões a respeito de sua aparência de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 1:&#039;&#039;&#039; Todas as citações mencionadas neste artigo foram retiradas das edições Kindle (e-book) dos livros publicados pela [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 2:&#039;&#039;&#039; Uma versão bem semelhante, mas anterior, desse levantamento foi publicada em formato de vídeo no meu canal em 02/04/2023. O vídeo está um pouco desatualizado, mas, enquanto eu não gravo outro, você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=e8CFWuj_TJo aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
Antes de adentrarmos no levantamento em si, eu acredito ser de suma importante ressaltar um ponto muito importante: &#039;&#039;&#039;J.R.R. Tolkien, o autor de livros como O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou então que Elfos pretos não existiam.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo isso em mente, você pode se perguntar: &amp;quot;ué, mas se Tolkien nunca falou isso, então por que estamos tendo essa discussão?&amp;quot; E, tentando simplificar uma resposta que certamente poderia render um vídeo só eu, eu diria: &amp;quot;por causa da preconcepção popular, muitas vezes fundamentada, ainda que inconscientemente, em argumentos racistas e/ou eurocêntricos.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o [[wikipedia:Amazon_MGM_Studios|Amazon Studios]] divulgou a primeira imagem de [[Arondir]], um Elfo &#039;&#039;original&#039;&#039; criado para a nova série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que seria interpretado por [[Ismael Cruz Córdova]], um ator preto, começaram a chover comentários internet afora alegando que a empresa estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de J.R.R. Tolkien em prol de uma cultura &amp;quot;woke&amp;quot; e &amp;quot;lacradora&amp;quot; ao colocar atores pretos para interpretar personagens que eram brancos nos livros. Comentários iniciais esses que eram sempre baseados em puro racismo e/ou em um total desconhecimento das obras originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por mais que Arondir era um Elfo original criado para a série - ou seja, não é como se tivessem pegado um Elfo branco dos livros e mudado a cor de sua pele na série -, o argumento dessas pessoas era o de que, embora Arondir fosse um Elfo original, o simples fato de que ele era um Elfo exigiria que ele fosse interpretado por um ator branco, já que, &#039;&#039;segundo essas pessoas&#039;&#039;, &amp;quot;todo mundo&amp;quot; sabia que os Elfos da Terra-média seriam brancos e a empresa estaria tentando deturpar a obra original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu disse mais atrás, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, nunca disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou mesmo que Elfos pretos não existiam. Porém, simplesmente dizer para essas pessoas que não há nos livros qualquer menção aos Elfos serem todos brancos não foi o suficiente. Mesmo com pessoas como eu e vários outros leitores dos livros insistentemente dizendo que não havia qualquer fala de Tolkien nesse sentido, seja nos próprios livros, seja em suas cartas, essas pessoas insistiam em forçar essa interpretação claramente deturpada dos livros e das intenções do autor para justificarem que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o mais engraçado é que, quanto mais se provava que esses argumentos eram falso, mais argumentos iam aparecendo. Essas pessoas davam um argumento - a gente rebatia. Elas arrumavam outro argumento - a gente rebatia. Arrumavam outro argumento - a gente rebatia. E assim sucessivamente por vários &amp;quot;argumentos&amp;quot; e, por incrível que pareça, anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sinceramente não sei o que essas pessoas ganhariam com isso, mas muitas delas, seja lá por qual motivo, tomaram como o grande objetivo de sua vida &amp;quot;provarem&amp;quot; a todo custo que não havia pessoas pretas nas lendas da Terra-média. Não tem nada que justifique essa busca incansável por um novo argumento, a não ser essas pessoas realmente terem colocado como um objetivo crucial em suas vidas provar que pessoas pretas não existiam na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou melhor, só para me corrigir, &amp;quot;que não existiam pessoas pretas &#039;&#039;salvo os Haradrim&#039;&#039;&amp;quot;, os vilões de O Senhor dos Anéis, posto que eu vi muitas dessas pessoas falando que o problema não era a série ter atores pretos, já que se fossem personagens Haradrim não teria problema nenhum. Para essas pessoas, o problema está nos Elfos - os &amp;quot;mocinhos&amp;quot; - serem interpretados por atores negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, esse é o motivo deste levantamento ter sido criado. Já que simplesmente dizer para essas pessoas obcecadas pela cor da pele das pessoas que Tolkien nunca falou um A nesse sentido não foi o suficiente, eu decidi tentar refutar, um a um, todos os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu encontrei internet afora que (supostamente) comprovariam que Elfos negros não existiam no legendário da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sei que essas pessoas em especial, que, como eu disse, aparentam ter colocado com um objetivo de suas vidas provar que Elfos pretos não existiam na Terra-média, não serão convencidas por esse vídeo aqui. Eu posso refutar todos os argumentos aqui que elas ainda irão arrumar um novo argumentam - ou então dizer que o próprio Tolkien estava errado, como eu já vi uma pessoa fazer em um vídeo meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intenção desse vídeo é, por outro lado, tentar trazer um pouco de luz pra essa discussão, já que, infelizmente, eu vi muita gente, por assim dizer, &amp;quot;inocente&amp;quot;, sendo levada a acreditar que Elfos de pele negra realmente não existiam na Terra-média e inclusive a criticar Tolkien e chamá-lo de racista por ter dito que não havia Elfos pretos na Terra-média, sendo que na realidade ele nunca fez isso. E, para além dessas críticas infundadas feitas a Tolkien, eu também vi gente, por assim dizer, usando os argumentos &amp;quot;errados&amp;quot; para defender a presença de Elfos negros na série, indiretamente dando força para esses comentários racistas de quem insiste em dizer que Elfos pretos não existem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só para dar um exemplo, o Load, que é um cara incrível e que eu inclusive acompanho nas redes sociais e esporadicamente no YouTube, disse que, ainda que Elfos pretos não existissem, fato é que Elfos como um todo não existem, de modo que qualquer representação seria válida. Outros comentários semelhantes feitos por outras pessoas diziam que, ainda que Elfos pretos não existissem, o mundo de hoje é outro e a representatividade é importante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu concordo com o Load que Elfos como um todo não existem no mundo real? Sem dúvida! Eu concordo com essas pessoas que a representatividade é importanto? Sem dúvida também. A questão maior aqui é que a gente não precisar ir tão longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais que eu concorde com essas falas, a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;Elfos não existem&amp;quot;, assim como a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;representatividade é importante&amp;quot;. A gente deve colocar Elfos de pele negra na série porque Elfos de pele negra existiam sim nos livros. E eu acho que é nesse argumento que a gente deve focar mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comentários como o do Load ou dessas outras pessoas, por mais verdadeiros e importantes que sejam, dão a falsa impressão que os Elfos pretos realmente não existiam na Terra-média - o que, indiretamente, acaba dando mais força para essas pessoas que vem com esse falso argumento de que a série estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, como eu disse, a minha maior intenção com esse artigo não é tentar mudar a opinião de quem colocou como objetivo de vida provar que Elfos pretos não existiam. A minha intenção é trazer um pouco mais de luz para esse assunto, focando principalmente nessas outras pessoas que, quer elas concordem ou discordem com a presença de um Elfo negro na série, foram levadas a acreditar nessa falácia de que eles não existem nos livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que, infelizmente, aqui a gente adentra na tal da &amp;quot;[https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Brandolini Lei de Bradolini]&amp;quot;, que diz que a quantidade de energia necessária para refutar uma idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. Afinal, uma pessoa gasta 5 minutos pra dizer algo como &amp;quot;não havia Elfos negros na Terra-média porque ela representava a Europa Nórdica&amp;quot; e nada mais, enquanto eu gasto literalmente meses fazendo pesquisas, indo atrás de citações e escrevendo textos com dezenas de páginas e gravando vídeos de mais de meia hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, por mais que uma pessoa que traz um argumento raso como esse tem um alcance muito mais que um artigo de 30 páginas ou um vídeo de mais de meia hora, eu não acho que eu deveria simplesmente ficar quieto. Ainda mais quando eu vejo pessoas incríveis e do bem sendo levadas a acreditar em informações falsas por falta de alguém fazendo um contraponto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já dizia Tolkien, &amp;quot;não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual)&amp;quot; (Árvore e Folha; Sobre Estórias de Fadas). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, só pra reforçar, esse artigo não abordará a importância da representatividade no entretenimento porque 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica evidentemente não se importam com isso, de modo que abordar esse assunto seria inútil, 2) eu não tenho propriedade para falar sobre o assunto, e 3) essa discussão não é necessária para comprovar que Elfos negros existiam sim na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e sem maiores delongas, abaixo eu trarei cada um dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu mais encontrei internet afora e, em seguida, a minha explicação do porquê de esse argumento não fazer qualquer sentido. Tudo, é claro, sempre fundamentado com citações diretas de J.R.R. Tolkien. Os tais dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; não estarão em nenhuma ordem específica porque, como eu comentei, as pessoas que defendem a não-existência de Elfos negros estão sempre mudando de argumentação conforme você as vai refutando e, assim, cada pessoa vai usando esses argumentos em &amp;quot;ordens&amp;quot; diferentes umas das outras. Vou abordá-los na ordem que eu achar melhor para construir o raciocínio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rebatendo argumentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Em O Senhor dos Anéis Tolkien deixou claro que os Elfos de seu universo ‘eram belos, de pele clara e de olhos cinzentos’.” ===&lt;br /&gt;
Não é bem assim. De fato há essa menção em [[O Senhor dos Anéis]], mas trata-se de uma frase tirada de contexto, conforme já extensivamente explicado por [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e seu &amp;quot;executor literário&amp;quot;) em [[O Livro dos Contos Perdidos 1]], o 1.º volume da coleção [[A História da Terra-média]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em O Senhor dos Anéis, nós temos o seguinte trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, e Eldar, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal e ali chegaram no começo dos Dias (exceto apenas pelos Sindar). [...] Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, apesar de terem as madeixas escuras, exceto na casa dourada de Finarfin;&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em O Livro dos Contos Perdidos 1, Christopher nos traz a versão completa do rascunho de seu pai para esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em um rascunho do parágrafo final do Apêndice F de O Senhor dos Anéis, ele [Tolkien] escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes (não neste livro) tenho usado “Gnomos” por Noldor e “gnômico” por noldorin. Fiz isso porque [...], para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais. Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora abandonei essa representação por demasiado enganosa. Pois os Noldor pertenciam a uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, que agora se foram. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, e suas madeixas eram escuras, exceto na casa dourada de Finrod […].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No último parágrafo do Apêndice F, conforme publicado, a referência aos “Gnomos” foi removida, e substituída por um trecho explicando o uso da palavra Elves [Elfos] como tradução de Quendi e Eldar. […] Portanto, &#039;&#039;&#039;essas palavras que descrevem características do rosto e dos cabelos foram escritas, na verdade, apenas sobre os Noldor, e não sobre todos os Eldar&#039;&#039;&#039;: de fato os Vanyar tinham cabelos dourados, e foi da mãe vanyarin de Finarfin, Indis, que ele e seus filhos Finrod Felagund e Galadriel herdaram os cabelos dourados que os distinguiam entre os príncipes dos Noldor. Mas sou incapaz de determinar como essa extraordinária corrupção do sentido surgiu.&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; O nome Finrod no trecho ao final do Apêndice F está incorreto: Finarfin era Finrod e Finrod era Inglor até a segunda edição de O Senhor dos Anéis, e, na ocasião, a alteração não foi feita.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como mencionado por Christopher, essa deturpação do sentido, oriunda da omissão de parte do texto de seu pai, foi corrigida na segunda edição de O Senhor dos Anéis, a partir da qual essa frase conta com uma nota de rodapé na qual é ressaltado tratar-se de uma descrição exclusiva para os [[Noldor]] (um dos três clãs élficos)&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;Apesar de terem despertado todos no mesmo local, ao longo das eras os Elfos se dividiram em diversos grupos e etnias (assim como os próprios Homens também se dividiram em vários grupos e etnias após seu primeiro despertar), mas seus três principais clãs eram os Vanyar, os Noldor e os Teleri. Destes, os Teleri foram os que mais se subdividiram em outros grupos e é deles que vêm os Sindar (os Elfos-cinzentos).&amp;lt;/ref&amp;gt;, e não para os Elfos como um todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt; Estas palavras que descrevem caracteres de rosto e cabelos aplicavam-se, de fato, apenas aos Noldor. [N. E.]|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, considerando que a segunda edição de O Senhor dos Anéis foi publicada ainda em 1966, alguém querer se utilizar desse trecho para justificar que todos os Elfos do legendário da Terra-média seriam brancos me parece, no mínimo, ingênuo ou mal-intencionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, se eu tivesse de apostar, eu diria que quem usa esse trecho é só mal-intencionado mesmo, já que é regra dentre esse tipo de pessoa usar argumentos soltos, sem qualquer base em citações diretas, ou, quando por algum milagre embasam suas opiniões com citações diretas, são sempre com trechos retirados totalmente de contexto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, é válido ressaltar aqui que, nas poucas vezes que J.R.R. Tolkien cita um Elfo como tendo pele clara, ele o faz com um Noldo (singular de Noldor), e, nas poucas vezes que outros personagens são descritos como brancos e comparados com os Elfos, eles são sempre comparados especificamente com os Elfos do clã noldorin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Túrin]], filho de [[Húrin]], é comparado nos livros, mais de uma vez, com os Elfos, sendo ele descrito como um Homem branco, sendo que, no entanto, essa comparação é feita especificamente com os Noldor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nos tempos que se seguiram, Túrin cresceu muito nos favores de Orodreth, e quase todos os corações se voltaram para ele em Nargothrond. Pois era jovem e só então alcançara a plenitude da idade viril; e era, em verdade, o filho de Morwen Eledhwen em seu aspecto: &#039;&#039;&#039;de cabelos escuros e pele clara, com olhos cinzentos&#039;&#039;&#039;, e um rosto mais belo do que quaisquer outros entre Homens mortais, nos Dias Antigos. Seu falar e porte eram aqueles do antigo reino de Doriath, e, &#039;&#039;&#039;mesmo em meio aos Elfos, podia ser tomado por um dos das grandes casas dos Noldor&#039;&#039;&#039;; portanto, muitos o chamavam de Adanedhel, o Homem-Elfo.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 21. De Túrin Turambar) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que Túrin tinha (i) cabelos escuros, (ii) pele clara e (iii) olhos cinzentos, que eram exatamente as três características físicas que Tolkien descreveu os Noldor como possuindo no já citado Apêndice F de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro exemplo seria o Elfo [[Maeglin]], filho de [[Aredhel]], que também é descrito como possuindo pele branca, sendo ele estritamente comparado aos Noldor (apesar de ter sangue noldorin por parte de mãe, Maeglin era considerado um Sinda, isto é, um Elfo-cinzento):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Falarei mais sobre Maeglin mais para frente, pois há outras questões a serem abordadas sobre ele.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os (poucos) Elfos que são descritos nos livros como tendo pele clara tinham, no todo ou em parte, sangue noldorin, e todos personagens que são descritos como brancos e que são comparados aos Elfos, são comparados justamente com os Noldor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis (quando contextualizada com a passagem de O Livro dos Contos Perdidos 1) evidencia que não só não há qualquer indicativo de que todos os Elfos fossem brancos, como os vários comparativos de personagens brancos com Elfos noldorin apenas reforça a informação do rascunho original, de que somente os Elfos noldorin tinham essa distinção na aparência em seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A Terra-média representa a Europa nórdica e, por isso, não havia personagens negros.” ===&lt;br /&gt;
Um outro argumento que eu constantemente vejo por aí é o de que a Terra-média representaria a Europa “nórdica” e que, por isso, não teria como haver personagens negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, estudos evidenciam que havia sim pessoas pretas na Europa setentrional, por diferentes razões, mas eu não vou adentrar nessa questão pelo mesmo motivo pelo qual não adentrarei na questão da importância da representatividade: 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica não se importam com isso, posto que possuem uma visão já há muito tempo arraigada sobre a Europa e não serei eu quem fará essas pessoas entenderem um pouco mais de história (até porque eu não tenho propriedade para isso), e 2) essa discussão quanto à presença ou não de pessoas pretas na Europa setentrional não é necessária para comprovar que Elfos pretos podiam sim ter existido na Terra-média. Ou seja, ainda que realmente houvesse zero pessoas pretas na Europa setentrional, como alguns sustentam, isso ainda não mudaria nada para a realidade da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, se você realmente se considera um fã de J.R.R. Tolkien e suas obras, eu sugiro que você pare de se utilizar da palavra “nórdica” para se referenciar ao norte da Europa e/ou os povos dessa região, pois Tolkien deixou claro diversas vezes que possuía total aversão a essa palavra, posto que, segundo ele mesmo, essa palavra, &amp;quot;nórdico(a)&amp;quot;, estava associada a doutrinas racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em breve síntese, Tolkien odiava o termo “nordic” (&amp;quot;nórdico&amp;quot;) e, para ele, nós deveríamos utilizarmo-nos do termo “northern” (“setentrional”) para nos referenciarmos ao norte da Europa e &amp;quot;germanic&amp;quot; (&amp;quot;ermânico&amp;quot;) para nos referenciarmos aos povos que viviam nessas regiões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a especificamente o idioma nórdico, o termo original em inglês é &amp;quot;Norse&amp;quot;, sendo que uma dubiedade pode surgir para nós brasileiros pelo fato de que tanto &amp;quot;nordic&amp;quot; quanto &amp;quot;Norse&amp;quot; são traduzidos por aqui como &amp;quot;nórdico&amp;quot;. E, como não temos uma alternativa para a tradução do idioma &amp;quot;Norse&amp;quot;, eu sugiro, em respeito a J.R.R. Tolkien, que você faça o uso do termo &amp;quot;setentrional&amp;quot; para se referenciar à região em si, &amp;quot;germânico&amp;quot; para os povos, e &amp;quot;nórdico&amp;quot; exclusivamente para o idioma - ou, se preferir, &amp;quot;idioma nórdico&amp;quot; pra deixar bem clara essa distinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns breves exemplos nos quais Tolkien fala sobre essa sua aversão pela palavra “nordic” vêm das Cartas n.º 29 e 45 do livro [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], nas quais ele critica o nazismo por se apropriar, perverter e arruinar a essência “setentrional” em favor de doutrinas raciais não-científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e &#039;&#039;&#039;lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Alemão, &amp;quot;confirmação&amp;quot;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29) - Grifou-se.}}{{Citação em Bloco|trecho=Passei a maior parte da minha vida, desde que eu tinha sua idade, estudando assuntos germânicos (no sentido geral que inclui a Inglaterra e a Escandinávia). [...] Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal. [...] &#039;&#039;&#039;suponho que sei melhor do que a maioria das pessoas qual é a verdade sobre esse absurdo “nórdico”&#039;&#039;&#039;. De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular [...] contra aquele maldito tampinha ignorante chamado &#039;&#039;&#039;Adolf Hitler [...] que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional&#039;&#039;&#039;, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, muito embora seja comum ouvirmos a história de que o plano de J.R.R. Tolkien era o de criar uma mitologia para a [[Inglaterra]], de modo que seu legendário se passaria em uma Europa setentrional, a questão não é tão simples quanto parece e, mais uma vez, quem fala isso está claramente tirando muita coisa de contexto pra tentar dar uma maior ar de credibilidade pras suas visões deturpadas de mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso só era verdade para [[O Livro dos Contos Perdidos]], escrito por Tolkien entre os anos 1917 e 1920, que é a primeira versão do que muito mais tarde viria a ser [[O Silmarillion]] como o conhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, quando Tolkien deu o pontapé inicial ao seu legendário, sua intenção era sim a de criar uma espécie de &amp;quot;mito de criação&amp;quot; da Inglaterra, e isso fica evidente em diversas cartas social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[CITAÇÃO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão disso, em O Livro dos Contos Perdidos (1917-20), a relação das lendas e das terras com a Inglaterra era clara e direta, sendo que a palavra &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; é citada 71 vezes nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, usar desse argumento é, como essas pessoas adoram fazer, tirar todo o contexto por trás dele, já que, ao longo dos anos, conforme seu legendário foi evoluindo, essa relação foi deixada totalmente de lado pelo autor, com o &amp;quot;legendário&amp;quot; perdendo esse seu caráter de ser um &amp;quot;mito de criação&amp;quot; pra Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E um exemplo disso é simples: n&#039;O Livro dos Contos Perdidos, a Inglaterra era literalmente representada por uma ilha chamada Tol Eressëa, a Ilha Solitária. A ideia era a de que Tol Eressëa fosse a Inglaterra num passado longínquo, e que a cidade de Kortirion fosse Warwick, uma cidade da Inglaterra, também num passado longínquo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simplificando, a Inglaterra seria, em origem, um reino élfico, sendo que, mais tarde, depois que os Elfos feneceram, ela passou a ser um reino humano, com apenas alguns poucos ainda relembrando as antigas lendas élficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, isso foi posteriormente abandonado por Tolkien, tanto é que Tol Eressëa e Kortirion continuam existindo nas versões posteriores do legendário - com Kortirion apenas mudando seu nome para apenas Tirion - sendo que, na versão posterior da história, eles dois foram literalmente removidos do planeta durante a Queda de Númenor e passar a literalmente flutuar no espaço, acessíveis somente através da Rota Reta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, pra quem fala que o legendário era para ser um mito de criação para a Terra-média, ou para quem fala que Tolkien abandonou essa ideia, mas o legendário continuou sendo &amp;quot;espiritualmente&amp;quot; um mito de criação para a Terra-média, a tal da &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; virou literalmente uma ilha que tá flutuando no espaço, fora do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isso não é prova o suficiente de que Tolkien abandonou esse conceito de o legendário ser um mito de criação pra Inglatera, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso, fato é que o próprio Tolkien deixou claro ainda em vida, 50 anos depois de escrever O Livro dos Contos Perdidos, que isso não era mais aplicável à sua mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que parte de suas inspirações são derivadas de mitos europeus, mas, em uma carta escrita por J.R.R. Tolkien em 08/02/1967, apenas seis anos antes de falecer, na qual ele traz alguns comentários pontuais sobre uma entrevista feita com Charlotte e Denis Plimmer, &#039;&#039;&#039;ele deixa claro que a Terra-média não representava a Europa nórdica (nem setentrional), seja geograficamente ou &amp;quot;espiritualmente&amp;quot;, e que essa não era a sua intenção.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que &#039;&#039;&#039;mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”&#039;&#039;&#039;. Esta é uma palavra antiga, não inventada por mim, como a consulta a um dicionário como o Shorter Oxford mostrará. Significava as terras habitáveis de nosso mundo, situadas no meio do Oceano circundante. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol. Uma simples leitura das sinopses deveria deixar claro que isso não é verdadeiro para minha história. O Norte era a sede das fortalezas do Diabo. O progresso da história termina no que é muito mais parecido com o restabelecimento de um Sacro Império Romano efetivo com sua sede em Roma do que qualquer coisa que seria planejada por um “nórdico”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294) - Grifou-se.}}E, ainda que a Terra-média representasse a &amp;quot;Europa nórdica&amp;quot; como muitos alegam (o que, ressalto, ela não representava), dizer que isso significaria que não existem personagem negros nem sequer faz sentido lógico, pois há diversos personagens humanos que Tolkien descreve como sendo negros (como alguns dos Haradrim). Até mesmo Tom Bombadil é descrito como tendo uma pele &amp;quot;marrom&amp;quot; (que não é negra, mas definitivamente também não é &amp;quot;branca&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que essa seletividade? Uma mitologia (supostamente) &amp;quot;europeia&amp;quot; não pode ter Elfos negros, mas pode ter Homens negros? Qual é a lógica disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A etimologia de ‘Elfo’ infere a ideia de ‘branco’.” ===&lt;br /&gt;
Muito também se tem falado de que a palavra “Elfo” (no original, &#039;&#039;Elf&#039;&#039;) tem origem nos antigos mitos e folclores germânicos e nórdicos e que ela estava intimamente associada à ideia de branco, sendo que o radical nórdico de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, no caso &#039;&#039;alv&#039;&#039;, seria o mesmo radical de palavras como “alpes” ou “albino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, a etimologia de &#039;&#039;Elf&#039;&#039; não é tão simples assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o [https://www.etymonline.com/word/elf#etymonline_v_5730 Online Etymology Dictionary], é &#039;&#039;sugerido&#039;&#039; que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; tenha origem no &#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico, que também teria dado origem a palavras posteriores como o &#039;&#039;alp&#039;&#039; alemão (de onde vem, por exemplo, alpes e albino), mas é importante lembrar o que significa esse * no início de &#039;&#039;albiz&#039;&#039;: essa palavra nunca foi encontrada em qualquer registro escrito e é uma invenção posterior para tentar justificar a relação entre palavras distintas mas semelhantes. Ou seja, não sabemos de fato se &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente têm um antepassado em comum, pois nunca foi encontrado nenhum registro fático nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, ainda que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente tivessem uma mesma origem etimológica (do que, ressalto, não temos prova), isso não implica dizer que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; em si tenha ligação com a cor branca, posto que &amp;quot;Elf&amp;quot; &#039;&#039;precederia&#039;&#039; ao &#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039;alp&#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039; alemão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse&#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico teria originado o &#039;&#039;ylfe&#039;&#039; (saxão ocidental), &#039;&#039;ælf&#039;&#039; (nortúmbrio) e &#039;&#039;elf&#039;&#039; (merciano, kentico) do inglês antigo que significavam algo como &#039;&#039;sprite&#039;&#039;, &#039;&#039;fairy&#039;&#039;, &#039;&#039;goblin&#039;&#039; e &#039;&#039;incubus&#039;&#039;, sendo que todas essas palavras, nos anos 1550, eram usadas figurativamente para representar uma &amp;quot;pessoa malvada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos uma palavra portuguesa que tenha derivado diretamente de &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;sprite&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, mas ela pode ser traduzida basicamente como “espírito”, já que a própria etimologia de “sprite” sugere que ela tenha vindo do latim “spiritus” que, obviamente, também deu origem à palavra “espírito”. Já &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;goblin&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; significava basicamente “um demônio, um íncubo, uma fada feia e malvada ou um espírito”, e aqui a gente já começa a ver muita repetição nas definições dessas palavras. &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Incubus&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, por sua vez, significava basicamente “um demônio ou ser imaginário que causava pesadelos”. Quanto a &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;fairy&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, ela nada mais é do que “fada”, palavra essa que mais se repete na etimologia de todas as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a gente vê que, ao menos originalmente, antes da difusão na cultura popular, Elfo, Fada, Espírito, Gobelim e Íncubo significavam mais ou menos a mesma coisa, sendo que o termo “fairy” (“fada”) é o que mais se repete na etimologia de todas essas palavras. Aliás, o próprio Tolkien diversas vezes usa Elfo e Fada indiscriminadamente, dizendo que eles eram termos mais ou menos equivalentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o Century Dictionary, Elfo e Fada eram basicamente os mesmos seres, sendo apenas que Elfo era geralmente mais jovem e malvado do que uma Fada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à etimologia de Fada em si, a palavra original era, na verdade, “faerie”, que vem do francês antigo e é traduzida aqui no Brasil como Feéria, sendo que Faerie (&amp;quot;Feéria&amp;quot;) era o nome dado especificamente ao reino em que viviam criaturas sobrenaturais ou lendárias. Em outras palavras, Feéria pode ser traduzido como Terra das Fadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o decorrer do tempo, “Fairy” (não Faerie), traduzida aqui no Brasil como “Fada”, passou a ser utilizado, via de consequência, como o nome dessas criaturas sobrenaturais ou lendárias vindas de Feéria, sendo que Fada é atestado, inclusive, como um adjetivo genérico para representar seres heroicos ou lendários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Tolkien, em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas, cita essa questão da origem da palavra Fada (&amp;quot;Fairy&amp;quot;) como significando, na verdade, o reino de Feéria (&amp;quot;Faerie&amp;quot;):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Fada, como um substantivo mais ou menos equivalente a elfo, é uma palavra relativamente moderna […]. A primeira citação no Oxford Dictionary (a única antes de 1450) é significativa. É tirada do poeta Gower: &#039;&#039;&#039;“as he were a faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele fosse uma fada]. Mas isso Gower não disse. Ele escreveu &#039;&#039;&#039;“as he were of faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele tivesse vindo de Feéria].|fonte=[[Árvore e Folha]] (Sobre Estórias de Fadas) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu ensaio &amp;quot;[[Sobre Estórias de Fadas]]&amp;quot;, presente no livro [[Árvore e Folha]], o próprio Tolkien ressalta que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;precede&#039;&#039;&#039; os antigos mitos e folclores germânicos e setentrionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=O ser diminuto, elfo ou fada, é (suspeito), na Inglaterra, em grande parte, um produto sofisticado do devaneio literário.&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;Estou falando de transformações que ocorreram antes do aumento do interesse pelo folclore de outros países. As palavras inglesas, tais como elf [elfo], receberam por muito tempo a influência do francês (língua da qual derivam as palavras fay [fata, fada] e Faërie, fairy [Feéria, fada]); mas, &#039;&#039;&#039;em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, tanto fada quanto elfo adquiriram muito da atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas&#039;&#039;&#039; [...].|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]]) - Grifou-se.}}Nesse sentido, não há como se ter certeza sobre qual o significado original de palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, sendo que o próprio J.R.R. Tolkien aborda em seu ensaio as confusas possíveis origens deste termo, jamais tentando dar-lhe um significado original (apenas a relacionando à palavra Fada) e jamais fazendo qualquer menção à ideia de branco, atentando-se mais para o que define a estórias de fadas e elfos do que para o que define os elfos em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, ainda que houvesse provas de que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; estava intimamente associado à ideia de branco (o que, ressalto, não há), isso, por si só, não significaria que todos os Elfos do legendário da Terra-média eram brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto porque nós não podemos nos esquecer de que, tecnicamente falando, é equivocado chamar essas criaturas criadas por Tolkien de &amp;quot;Elfos&amp;quot;, posto que elas chamavam-se, na verdade, &amp;quot;Quendi&amp;quot;, que são uma invenção original do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Tolkien reconhecer que, embora isso fosse verdade no início, seu legendário tinha deixado de ter uma relação direta com a Inglaterra e, via de consequência, com a Europa setentrional (como vimos no tópico anterior), ele também deixou claro diversas vezes que “Elfo” foi uma palavra pré-existente que ele optou por se utilizar como &#039;&#039;tradução&#039;&#039; de Quendi, e que &#039;&#039;&#039;essas duas palavras – Quendi e Elfos – não eram equivalentes&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Só para esclarecer para quem porventura não saiba, &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; significa “Os Falantes”, e é a palavra &amp;quot;élfica&amp;quot; para se referenciar aos Elfos. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tolkien fala sobre essa questão de “Elfos” ser uma tradução não muito precisa de “Quendi”, por exemplo, lá nos Apêndices de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;&#039;&#039;Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi&#039;&#039;&#039;, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, &#039;&#039;&#039;e Eldar&#039;&#039;&#039;, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal […]. De fato, essa palavra antiga era a única disponível […]. Mas ela minguou, e a muitos pode agora sugerir fantasias delicadas ou tolas, tão diferentes dos Quendi de outrora […].|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso também fica explícito em várias cartas escritas por Tolkien, nas quais ele diz, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E, de qualquer forma, elfo, gnomo, gobelim e anão &#039;&#039;&#039;são apenas traduções aproximadas&#039;&#039;&#039; dos nomes em Élfico Antigo para seres de raças e funções não exatamente iguais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 25) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=O que você pede é O Silmarillion, que é na prática uma história dos Eldalië (&#039;&#039;&#039;ou Elfos, por uma tradução não muito precisa&#039;&#039;&#039;), de sua ascensão até a Última Aliança e a primeira derrubada temporária de Sauron [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 114) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Por trás de minhas histórias há agora um nexo de idiomas (a maioria apenas estruturalmente esboçada). Mas àquelas criaturas que &#039;&#039;&#039;em inglês chamo enganosamente de Elfos&#039;&#039;&#039; são designados dois idiomas relacionados bastante completos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Tenho dificuldade em encontrar nomes ingleses para criaturas mitológicas com outros nomes, uma vez que as pessoas não “aceitariam” uma série de nomes Élficos [como “Quendi” ou “Eldar” para os Elfos, por exemplo], e prefiro que elas aceitem minhas criaturas lendárias mesmo com as &#039;&#039;&#039;falsas associações da “tradução”&#039;&#039;&#039; do que não as aceitem de modo algum.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 156) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, sendo ainda mais específico sobre isso, há uma carta na qual Tolkien fala expressamente que seus “Elfos” (isto é, seus “Quendi”) não guardavam nenhuma relação com os Elfos da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Elfos” é uma tradução, talvez agora não muito adequada, mas originalmente boa o suficiente, de Quendi. Eles são representados como uma raça similar em aparência (e ainda mais no passado distante) aos Homens e, em dias antigos, da mesma estatura. […] Mas suponho que &#039;&#039;&#039;os Quendi nestas histórias sejam de fato muito pouco relacionados aos Elfos e Fadas da Europa&#039;&#039;&#039;; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu diria que eles representam realmente Homens com faculdades estéticas e criativas aprimoradas em grande medida, maior beleza e vida mais longa, e nobreza […].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dito isto, é importante ressaltar que, além de Tolkien ter deixado claro diversas vezes que suas criaturas não eram &amp;quot;Elfos&amp;quot; propriamente ditos, tendo usado este termo apenas como uma tradução de Quendi e Eldar, o autor também disse explicitamente em várias cartas que se arrependeu de ter se utilizado dessa palavra (“Elfo”) por acreditar que ela estava cheia de vícios que eram demais para se superar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Além disso, agora &#039;&#039;&#039;lamento profundamente ter usado Elfos&#039;&#039;&#039;, embora esta seja uma palavra em ancestralidade e significado original suficientemente adequada. A desastrosa depreciação dessa palavra […] realmente a sobrecarregou com tons lamentáveis, que são muitos para se superar. […] Minha dificuldade é de que, uma vez que tentei apresentar uma espécie de legendário e história de uma “época esquecida”, todos os termos específicos estavam em uma língua estrangeira, e &#039;&#039;&#039;não existem equivalentes precisos em inglês&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos nos esquecer de que Tolkien era um filólogo e tinha um vasto conhecimento do vocabulário e da etimologia de diversas línguas, não ficando preso ao convencionado popularmente na sua época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente por esse motivo, Tolkien deixou claro diversas vezes que se arrependeu muito de ter se utilizado não só da palavra &#039;&#039;Elfo&#039;&#039;, como também de palavras como &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, &#039;&#039;Gobelim&#039;&#039; e até &#039;&#039;Anão&#039;&#039; – todas pelo mesmo motivo de que essas palavras estavam viciadas com outros significados na cultura popular e não guardavam uma relação precisa com as criaturas de seu legendário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só pra explicar pra quem porventura não conheça, Gnomos era como Tolkien chamava os Noldor, um dos Três Clãs dos Elfos, lá nas primeiras versões de seu legendário, vide o já citado O Livro dos Contos Perdidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Gobelins significa exatamente o mesmo que Orques, sendo apenas que Gobelim era uma palavra usada mais pelos Hobbits e Orque, mais pelas outras raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, algumas citações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Às vezes (não neste livro) tenho usado &amp;quot;Gnomos&amp;quot; por Noldor e &amp;quot;gnômico&amp;quot; por noldorin. […] Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora &#039;&#039;&#039;abandonei essa representação por demasiado enganosa&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Nenhum resenhista (que eu tenha visto), embora todos tenham usado cuidadosamente a forma correta dwarfs [anões], comentou a respeito do fato (do qual me tornei consciente apenas através das resenhas) de eu usar no decorrer do livro o plural “incorreto” dwarves [anãos]. [...] Talvez seja permitido ao meu dwarf [anão] — uma vez que ele e o Gnomo3 são apenas traduções em equivalentes aproximados de criaturas com diferentes nomes e funções muito diferentes em seu próprio mundo [...]. O verdadeiro plural “histórico” de dwarf (como teeth [dentes] de tooth [dente]) é dwarrows [ananos], de qualquer modo: sem dúvida uma bela palavra, mas um tanto arcaica demais. No entanto, &#039;&#039;&#039;gostaria que eu tivesse usado a palavra dwarrow [anano]&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 17) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua preferência por gobelins a orques envolve um assunto maior e uma questão de gosto, e talvez um pedantismo histórico de minha parte. &#039;&#039;&#039;Pessoalmente prefiro Orques&#039;&#039;&#039; (uma vez que essas criaturas não são “gobelins”, nem mesmo os gobelins de George MacDonald, aos quais se assemelham de certa forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não dá para nós simplesmente jogarmos as preconcepções populares de nossa época (ou até mesmo da época de Tolkien) em cima das criaturas originalmente criadas pelo autor, pois, embora ele tenha se utilizado de nomes comuns a nós, ele deixou claro diversas vezes que esses nomes modernos foram usados apenas como &#039;&#039;traduções aproximadas&#039;&#039; dos nomes de criaturas bem diferentes e, em muitos casos, inclusive se arrependeu de ter usado esses nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a título de exemplo, a palavra &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, que, como eu comentei, era como Tolkien chamava os Noldor, não tem relação nenhuma com as criaturas folclóricas diminutas que estamos tão acostumados e que adentraram na cultura popular através de Paracelso, um escritor suíço que, no século XVI, usou &amp;quot;gnomo&amp;quot; como um sinônimo de “pigmeu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “gnomo” utilizado por Tolkien vem de uma origem muito mais antiga, mais especificamente o “gnōmē” grego, que significava algo como “pensamento” ou “inteligência”, sendo que o próprio Tolkien comenta sobre essa distinção dizendo que, embora seus Gnomos não tivessem nada a ver com os gnomos da cultura popular, sendo apenas aquele clã dos Quendi que mais se distinguiam por seu conhecimento e sua inteligência, ele acabou abandonando essa palavra ao ver que ela estava causando muita confusão desnecessária (&amp;quot;Gnomos&amp;quot; como significando os &amp;quot;Elfos noldorin&amp;quot; chegou a aparecer primeira edição de [[O Hobbit]]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Seja lá o que Paracelso tenha pensado (se é que ele realmente inventou o nome), para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é um ótimo exemplo do porquê de ser tão difícil tentarmos associar as palavras utilizadas por Tolkien, um filólogo, com a noção que nós temos dessas mesmas palavras na cultura popular (seja atualmente seja da época do próprio autor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não há como supormos que os Elfos da Terra-média eram todos brancos simplesmente com base na etimologia da palavra porque&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# a etimologia de &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; é extremamente complexa, conforme ressaltado pelo próprio J.R.R. Tolkien em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas;&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que os seus Elfos tinham pouco, se não nenhuma, relação com os Elfos da Europa, posto que &amp;quot;Elfos&amp;quot; foi usado apenas como uma tradução aproximada de “Quendi” (já que ele temia que as pessoas tivessem aversão a tantos nomes originais), ressaltando que essas duas palavras não eram equivalentes; e&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien disse que se arrependeu de ter se utilizado da palavra “Elfo” como uma tradução de Quendi, já que a cultura popular sugeria fantasias tolas, muito diferentes de suas criaturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adentrarei aqui nos possíveis significados originais de Elfos, pois entendo ser irrelevante para o objetivo deste artigo. Caso seja de seu interesse, eu adentro nessa questão no meu texto sobre os Elfos terem ou não orelhas pontudas: [[Os Elfos de Tolkien Tinham Orelhas Pontudas?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Os Elfos eram, em origem, um só povo, de modo que eles teriam uma única etnia.” ===&lt;br /&gt;
[TEXTO SENDO REVISADO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Tolkien nunca mencionou um Elfo de pele negra; se existissem, ele teria mencionado algum.” ===&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, é importante destacar aqui que Tolkien ser descritivo e Tolkien ser redundante são duas coisas totalmente diferentes. Em outras palavras, de fato J.R.R. Tolkien sempre foi muito descritivo com seus textos, em especial em se tratando na natureza de seu mundo, mas ele nunca foi redundante nessas descrições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato há alguns personagens élficos que Tolkien especifica nos livros como tendo pele clara, mas pense comigo: se todos os Elfos fossem brancos, seria necessário Tolkien ser redundante com relação a isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se supostamente já teria sido estabelecido que todos Elfos eram brancos, seja lá com base em qual argumento, qual seria a utilidade de Tolkien dizer especificamente, por exemplo, que os Noldor tinham pele clara? Ou por que Tolkien diria que Maeglin, um Elfo, era branco? Ou por que Tolkien diria que Túrin, um homem branco, podia ser confundido com um dos Noldor em vez de dizer simplesmente que ele podia ser confundido com um Elfo? Nestes três casos, o uso desses complementos por Tolkien me pareceria algo tão redundante e inútil quanto dizer &amp;quot;subir para cima&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se a gente considerar que nem todos os Elfos eram brancos, bem como que o único clã descrito como sendo branco era o clã dos Noldor, Tolkien dizer que Maeglin, um Elfo sindarin, era branco, e que Túrin, por ser branco (e ter outras características &amp;quot;élficas&amp;quot;), podia ser confundido com um dos Noldor, deixa de ser redundante e passa a ser uma descrição totalmente válida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Repito: Tolkien sempre foi muito descritivo, mas ele nunca foi redundante, e não havia utilidade nenhuma para que ele fosse redundante nessas pouquíssimas descrições de personagens élficos como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessa questão da redundância, também não podemos nos esquecer de que a ausência de prova não é prova de ausência. Até podemos dizer que nas versões posteriores de seu legendário Tolkien de fato nunca mencionou &#039;&#039;especificamente&#039;&#039; um Elfo como tendo pele negra, mas isso por si só não é capaz de implicar que eles não existiam (e quem acha que significa precisa estudar um pouco de hermenêutica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Tolkien sempre deixou claro que ele não estava criando essas histórias, mas apenas traduzindo textos por ele encontrados, que teriam sobrevivido a todas essas eras. Sua mentalidade era a de que ele não estava criando, mas sim &amp;quot;descobrindo&amp;quot; essas histórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a ilha de Númenor, por exemplo, Tolkien diz que é muito difícil precisarmos quais eram exatamente a sua cultura e os animais que viviam lá porque pouquíssimos escritos teriam sobrevivido à sua queda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Visto que todas esses assuntos eram estudados pelos homens de saber em Númenor, e muitas histórias naturais e geografias precisas devem ter sido compostas, aparentemente elas, como quase tudo o mais das artes e ciências de Númenor em seu apogeu, desapareceram na queda.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como foi dito, não é fácil descobrir quais eram os animais, aves e peixes que já habitavam a ilha antes da chegada dos Edain, e quais foram trazidos por eles. O mesmo vale para as plantas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa mesma linha, falando sobre o parentesco de personagens, &#039;&#039;&#039;Tolkien deixa claro que não devemos interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência&#039;&#039;&#039; de um filho ou parente para certo personagem, pois os textos élficos e humanos que teriam sobrevivido ao longo das eras costumavam mencionar apenas os personagens mais importantes, omitindo certos aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deve-se recordar, no entanto, ao considerar os registros e as lendas do passado, que estes (em especial os feitos ou transmitidos pelos Homens) muitas vezes mencionam ou nomeiam apenas pessoas que desempenham um papel registrado nos eventos, ou que eram ancestrais diretos de tais atores principais. Portanto, não se pode concluir, apenas a partir do silêncio, quer na narrativa quer na genealogia, que determinada pessoa não tinha filhos, ou não mais do que os mencionados.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento, 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois pontos (Tolkien nunca ter sido redundante e seu silêncio não poder ser interpretado como sinônimo de ausência), por si só, já deveriam ser suficientes para evidenciar que não é só porque Tolkien não falou sobre um personagem que ele necessariamente não existia. Isto é, não é porque Tolkien nunca descreveu um Elfo como tendo pele negra que nenhum existia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, em segundo lugar, é válido mencionar que na primeira versão de seu legendário, quando O Silmarillion ainda era chamado de O Livro dos Contos Perdidos e havia uma associação direta com a Inglaterra, como eu já comentei, Tolkien chegou sim a descrever um Elfo como tendo pele negra - mais especificamente Maeglin (na época chamado de Meglin), que era filho de Aredhel (uma Elfa 75 % noldorin e 25 % vanyarin) e Eöl (um Elfo sindarin).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, o emblema de Meglin era uma Toupeira negra e ele era grande entre os que trabalhavam em pedreiras e um chefe dos que escavava em busca de minério, e muitos desses pertenciam à sua casa. Menos belo era ele do que muitos desse povo bonito, &#039;&#039;&#039;moreno&#039;&#039;&#039; e de ânimo não muito gentil, de modo que lhe tinham pouco amor [...].|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Com ela veio seu filho, Meglin, e ele foi lá recebido por Turgon como filho de sua irmã e, embora tivesse metade de sangue dos Elfos-escuros, foi tratado como um príncipe da linhagem de Fingolfin. &#039;&#039;&#039;Era moreno&#039;&#039;&#039;, mas formoso, sábio e eloquente e sagaz na conquista dos corações e mentes dos homens.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A História Contada no Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como já mencionei anteriormente, Tolkien estabeleceu que os Noldor eram todos brancos, mas Meglin, embora fosse filho da (75 %) Noldo Aredhel, também era filho do Sinda Eöl. O tom de pele dos Sindar ou de Eöl nunca foi mencionado (nem mesmo nas versões anteriores do conto), mas isso deixa a entender que Meglin teria puxado de seu pai Sinda a sua pele escura, posto que Tolkien nunca estabeleceu uma regra quanto ao tom de pele dos Elfos sindarin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, antes que alguém questione o significado de &amp;quot;moreno&amp;quot;, ressalto desde já que a palavra originalmente utilizada por Tolkien foi &amp;quot;swart&amp;quot;, conforme consta ao final do referido livro, no glossário de termos arcaicos e suas traduções para o português (A Queda de Gondolin, p. 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Now the sign of Meglin was a sable Mole, and he was great among quarrymen and a chief of the delvers after ore; and many of these belonged to his house. Less fair was he than most of this goodly folk, &#039;&#039;&#039;swart&#039;&#039;&#039; and of none too kindly mood, so that he won small love [...].|fonte=The Fall of Gondolin (The Original Tale)}}{{Citação em Bloco|trecho=With her came her son Meglin, and he was there received by Turgon as his sister-son, and though he was half of Dark-elven blood he was treated as a prince of Fingolfin’s line. &#039;&#039;&#039;He was swart&#039;&#039;&#039; but comely, wise and eloquent, and cunning to win men’s hearts and minds.|fonte=The Fall of Gondolin (The Story Told in the Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não sabe, &#039;&#039;swart&#039;&#039; (e suas variantes swarty e swarthy) é uma palavra do inglês antigo, datada dos anos 1570, que, [https://www.etymonline.com/word/swart#etymonline_v_22466 segundo o Online Etymology Dictionary], significa &amp;quot;&#039;black, being of a dark hue&#039; [...] in reference to skin color of persons&amp;quot; (&amp;quot;preto, de uma cor escura&#039; [...] em referência à cor da pele de pessoas&amp;quot;). Suas variantes swarty e swarthy significam, [https://www.etymonline.com/word/swarthy#etymonline_v_22467 também segundo o OED], &amp;quot;&#039;dark-colored, tawny,&#039; especially in reference to skin&amp;quot; (&amp;quot;&#039;de cor escura, brozeado,&#039; especialmente com relação à pele&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de curiosidade, swarthy foi a mesma palavra que Tolkien usou para descrever os Haradrim em O Senhor dos Anéis. Os Haradrim, também chamados de Sulistas (Harad = Sul), foram alguns do Homens aliados a Sauron na Guerra do Anel e todos os leitores concordam que eles eram Homens negros - tanto é que muitas pessoas que discordaram da existência de um Elfo negro na série usaram como justificativa de que não tinham problema com personagens negros em si o fato de que não se importariam se tivessem Homens Sulistas negros (em vez de Elfos negros), já que Tolkien teria descrito os Sulistas como negros nos livros (swarthy, no original).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Em A Queda de Gondolin, &#039;&#039;swart&#039;&#039; foi traduzido como o &#039;&#039;moreno&#039;&#039;. Em O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;swarthy&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;tisnados&#039;&#039;.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;It is close on ten leagues hence to the east-shore of Anduin,&#039; said Mablung, &#039;and we seldom come so far afield. But we have a new errand on this journey: we come to ambush the &#039;&#039;&#039;Men of Harad&#039;&#039;&#039;. Curse them!&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;Aye, curse the &#039;&#039;&#039;Southrons&#039;&#039;&#039;!&#039; said Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, eager to see more, went now and joined the guards. He scrambled a little way up into one of the larger of the bay-trees. For a moment he caught a glimpse of &#039;&#039;&#039;swarthy men&#039;&#039;&#039; in red running down the slope some way off with green-clad warriors leaping after them, hewing them down as they fled.|fonte=The Lord of the Rings (The Two Towers, Book IV, 4, Of Herbs and Stewed Rabbit)}}{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;São cerca de dez léguas daqui até a margem leste do Anduin,&amp;quot; disse Mablung, &amp;quot;e raramente chegamos tão longe. Mas temos uma nova missão nesta jornada: viemos emboscar os &#039;&#039;&#039;Homens de Harad&#039;&#039;&#039;. Malditos sejam!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Sim, malditos sejam os &#039;&#039;&#039;Sulistas&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, disse Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, ávido para ver mais, foi se juntar aos guardas. Engatinhou mais para cima, subindo em um dos loureiros maiores. Por um momento teve um vislumbre de &#039;&#039;&#039;homens tisnados&#039;&#039;&#039;, trajados de vermelho, que corriam encosta abaixo a certa distância dali, com guerreiros de verde que saltavam atrás deles, abatendo-os enquanto fugiam.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão sobre racismo nas obras de Tolkien é muito complexa e não vou adentrar aqui (nota-se que Tolkien diz que Meglin era &amp;quot;moreno, mas formoso&amp;quot;). Aos interessados, há excelentes vídeos no YouTube dissecando a evolução pessoal de Tolkien ao longo das décadas, feitos por pessoas que têm muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu (como, por exemplo, [https://www.youtube.com/watch?v=1j5-SPCyZz0 esse vídeo do Clube Literário Tolkieniano de Brasília]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, em O Livro dos Contos Perdidos, que Tolkien começou a escrever em 1917, quando Tolkien tinha seus 25 anos, ele associava muito a cor negra (no geral, não necessariamente associada com a cor da pele) com a ideia de maldade. O famoso &amp;quot;luz vs. escuridão&amp;quot; sendo transposto como &amp;quot;branco vs. negro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de sua vida, conforme ia amadurecendo como pessoa, Tolkien foi deixando essa perspectiva de lado e &amp;quot;corrigindo&amp;quot; seus antigos escritos, retirando essas associações quando podia e passando a utilizar a cor negra também para coisas &amp;quot;boas&amp;quot; e a cor branca também para coisas &amp;quot;ruins&amp;quot;. A título de exemplo, a bandeira de Gondor era negra e isso nunca é mencionado como significando algo ruim, e Saruman, mesmo sendo &amp;quot;o Branco&amp;quot;, se corrompeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na versão mais recente do conto da Queda de Gondolin (vide a presente no Silmarillion como publicado) essa menção a Maeglin, um Elfo vilão, como tendo pele negra foi alterada pelo autor, passando ele a descrever Maeglin como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre essa alteração no tom de pele de Maeglin, é importante salientar que, como você deve ter percebido, na versão primária do conto, quando Meglin tinha pele negro, Tolkien apenas salientou suas diferenças com os Elfos noldorin, enquanto na versão posterior do conto, quando Maeglin passou a ter pele branca, o autor acrescentou a informação de que ele &amp;quot;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto, por si só, corrobora com o já mencionado no primeiro tópico, de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos. Quando Tolkien diz que Túrin, um Homem branco, se parecia com os Elfos, ele não diz simplesmente &amp;quot;Elfos&amp;quot;, mas especifica ele como parecendo com os Elfos &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;. Quando Tolkien altera a pele de Maeglin, de negra para branca, ele acrescenta a informação de que ele se parecia com seus parentes &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizer que Maeglin se assemelhava &amp;quot;em rosto&amp;quot; com sua parentela dos Noldor (isto é, com os parentes de sua mãe) é o mesmo que dizer que ele &#039;&#039;não&#039;&#039; se assemelhava com sua parentela dos Sindar (isto é, com os parentes de seu pai). E nem se diga aqui que, quando disse &amp;quot;em rosto&amp;quot;, Tolkien estava se referindo aos olhos de Maeglin, pois os Noldor foram descritos especificamente como tendo olhos cinzas, enquanto Maeglin é decrito nessa passagem como tendo olhos escuros (embora &amp;quot;luzentes e agudos&amp;quot; como os olhos dos Noldor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os olhos de Maeglin não tinham a mesma cor dos olhos dos Noldor, o que mais poderia significar dizer que ele, &amp;quot;em rosto&amp;quot;, se assemalhava aos seus parentes noldorin? Ao meu ver, a única opção que sobra é a cor de sua pele, evidenciando que somente os noldor eram notórios por serem brancos e dando a entender que, se Eöl, o pai de Maeglin, não fosse negro, ao menos o seu povo, os Sindar, tinham membros negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, ainda que a cor da pele de Maeglin tenha sido alterada na versão posterior do conto, de modo que, a partir desse momento, passamos a não ter nenhum Elfo descrito por Tolkien como tendo pele negra, fato é que a versão antiga trazer ele como um Elfo negro é prova de que, para Tolkien, Elfos de pele negra eram plausíveis e existiam em seu universo, não sendo isso um problema para as leis estabelecidas pelo autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, com relação ao fato de Tolkien supostamente nunca ter descrito um Elfo como sendo negro, nós temos que considerar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ausência de prova não é prova de ausência, de modo que Tolkien nunca ter descrito um Elfo como tendo pele negra é diferente de ele ter dito que Elfos de pele negra não existiam;&lt;br /&gt;
# Tolkien chegou a descrever alguns poucos Elfos como tendo pele branca e, se todos os Elfos fossem brancos, essas passagens automaticamente se tornariam redundantes (algo que Tolkien nunca foi);&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que todas essas histórias se tratavam de &amp;quot;documentos históricos&amp;quot;, de modo que, se um personagem não aparecia nessas histórias, isso não significava que ele não existia, de modo que a gente não deveria interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência;&lt;br /&gt;
# Tolkien já descreveu sim um Elfo como tendo pele negra em seu legendário, mais especificamente Meglin, no conto original da Queda de Gondolin, evidenciando que isso não era um problema;&lt;br /&gt;
# quando Tolkien alterou a pele de Meglin de negra para branca, ele acrescentou a informação de que ele era semelhante &amp;quot;em rosto&amp;quot; aos seus parentes Noldor, o que só pode significar seu tom de pele já que seus olhos eram negros e os Noldor tinham olhos cinzas, o que ressalta o ponto anterior de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Da síntese e conclusão ==&lt;br /&gt;
Em síntese,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# apenas os Elfos noldorin foram especificados por J.R.R. Tolkien como tendo pele clara, de modo que essa questão foi deixada em aberto com relação aos outros dois clãs élficos (Vanyar e Teleri);&lt;br /&gt;
# sempre que um personagem branco é comparado aos Elfos, ele é comparado especificamente com os Noldor, o que ressalta a ideia de que apenas os Noldor eram notórios por serem brancos;&lt;br /&gt;
# Tolkien deixou claro que a Terra-média não representa a Europa nórdica nem setentrional, seja geográfica ou espiritualmente;&lt;br /&gt;
# não se sabe ao certo o significado original de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, bem como essa palavra adquiriu a atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas apenas em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, conforme o próprio Tolkien deixou claro em seu ensaio &amp;quot;Sobre Estórias de Fadas&amp;quot;, não sendo possível precisar se realmente seria relacionado à ideia de &amp;quot;branco&amp;quot;, como por alguns sustentado;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que &#039;&#039;Elfos&#039;&#039; não era equivalente a &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; (termo utilizado naquele mundo para se referenciar aos Elfos), tendo &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; sido a palavra inglesa mais próxima que ele conseguiu encontrar;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que se arrependeu de usar Elfo como tradução de Quendi, uma vez que, segundo ele, ela estava viciada por outros significados na cultura popular, que não guardavam relação com o seu universo, já que seus Quendi tinham pouca relação com os Elfos e Fadas da Europa;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que o seu silêncio não pode ser interpretado como sinônimo de inexistência, conforme por ele mesmo dito com relação às árvores genealógicas de seu universo;&lt;br /&gt;
# em O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien chegou a citar um Elfo como tendo pele negra, sendo que, mesmo que essa descrição tenha sido deixada de lado mais tarde, isso prova que Elfos negros não eram um problema para as regras de seu universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fica evidente que o único possível desrespeito com relação ao &amp;quot;cânone&amp;quot; estabelecido por J.R.R. Tolkien seria com relação aos Elfos com sangue 100 % noldorin, que o autor especificou como tendo pele clara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a todos os outros grupos dos Elfos (que eram vários e descendiam dos clãs vanyarin e telerin), ou quanto aos Elfos que não tinham sangue 100 % noldorin, não foi estabelecido nenhuma regra, sendo possível que tivessem diferentes tons de pele, como o próprio Maeglin, que era apenas 37,5 % noldorin e no início tinha pele escura, provavelmente herdada de seu pai sinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1126</id>
		<title>Elfos Negros na Terra-média</title>
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		<updated>2025-06-27T00:27:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Desambiguação (entre dois)|Elfos de pele negra|os Elfos Escuros|[[Moriquendi]]}}&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] em 2022 (atualizado por último em 26/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão quanto à presença ou não de Elfos de pele negra no legendário da [[Terra-média]] não é recente e existe desde o século passado. Todavia, em razão do grande peso que essa discussão tomou desde a divulgação das primeiras imagens da nova série [[O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder]], nas quais havia sido confirmado que teríamos um ator de pele negra interpretando um Elfo - no caso, [[Ismael Cruz Córdova]], que interpretaria o Elfo [[Arondir]] -, eu resolvi fazer um vídeo analisando a fundo tudo o que [[J.R.R. Tolkien]] de fato já havia falado sobre a aparência dos [[Elfos]] de seu universo, em especial o seu tom de pele, sob o ponto de vista tanto de livros &amp;quot;canônicos&amp;quot; (i.e., O Hobbit e O Senhor dos Anéis) quanto de livros &amp;quot;não-canônicos&amp;quot; (i.e., aqueles livros que não foram finalizados em vida e acabaram sendo publicados postumamente com organização, edição e comentários de outras pessoas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vídeo em questão foi publicado no meu canal, [https://www.youtube.com/@ProjetoTolkien Projeto Tolkien], em 07/03/2022 (você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=sJwg-u-GBR0 aqui]), mas, depois de ver os incontáveis comentários que foram feitos nele, eu me dei conta de que aquele vídeo acabou ficando bastante desfocado, posto que, embora a temática central dele era a cor da pele dos Elfos da Terra-média, eu também adentrei em questões que não tinham qualquer relação com isso, como barba, cor e tamanho dos cabelos, cor dos olhos, etc., e, inclusive, no dilema sobre quais livros seriam ou não &amp;quot;canônicos&amp;quot; no legendário da [[Terra-média]] - discussão essa que influencia essas outras questões, mas não o tom de pele em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso tudo, inevitavelmente, deixou certos pontos que eu fiz sobre o tom de pele dos Elfos da Terra-média ambíguos e confusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi por esse motivo que eu resolvi fazer um novo levantamento, muito mais detalhado e aprofundado, para sintetizar melhor essa discussão, centralizando ele &#039;&#039;exclusivamente&#039;&#039; no tom de pele dos Elfos da Terra-média e deixando essas outras discussões a respeito de sua aparência de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 1:&#039;&#039;&#039; Todas as citações mencionadas neste artigo foram retiradas das edições Kindle (e-book) dos livros publicados pela [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 2:&#039;&#039;&#039; Uma versão bem semelhante, mas anterior, desse levantamento foi publicada em formato de vídeo no meu canal em 02/04/2023. O vídeo está um pouco desatualizado, mas, enquanto eu não gravo outro, você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=e8CFWuj_TJo aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
Antes de adentrarmos no levantamento em si, eu acredito ser de suma importante ressaltar um ponto muito importante: &#039;&#039;&#039;J.R.R. Tolkien, o autor de livros como O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou então que Elfos pretos não existiam.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo isso em mente, você pode se perguntar: &amp;quot;ué, mas se Tolkien nunca falou isso, então por que estamos tendo essa discussão?&amp;quot; E, tentando simplificar uma resposta que certamente poderia render um vídeo só eu, eu diria: &amp;quot;por causa da preconcepção popular, muitas vezes fundamentada, ainda que inconscientemente, em argumentos racistas e/ou eurocêntricos.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o [[wikipedia:Amazon_MGM_Studios|Amazon Studios]] divulgou a primeira imagem de [[Arondir]], um Elfo &#039;&#039;original&#039;&#039; criado para a nova série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que seria interpretado por [[Ismael Cruz Córdova]], um ator preto, começaram a chover comentários internet afora alegando que a empresa estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de J.R.R. Tolkien em prol de uma cultura &amp;quot;woke&amp;quot; e &amp;quot;lacradora&amp;quot; ao colocar atores pretos para interpretar personagens que eram brancos nos livros. Comentários iniciais esses que eram sempre baseados em puro racismo e/ou em um total desconhecimento das obras originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por mais que Arondir era um Elfo original criado para a série - ou seja, não é como se tivessem pegado um Elfo branco dos livros e mudado a cor de sua pele na série -, o argumento dessas pessoas era o de que, embora Arondir fosse um Elfo original, o simples fato de que ele era um Elfo exigiria que ele fosse interpretado por um ator branco, já que, &#039;&#039;segundo essas pessoas&#039;&#039;, &amp;quot;todo mundo&amp;quot; sabia que os Elfos da Terra-média seriam brancos e a empresa estaria tentando deturpar a obra original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu disse mais atrás, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, nunca disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou mesmo que Elfos pretos não existiam. Porém, simplesmente dizer para essas pessoas que não há nos livros qualquer menção aos Elfos serem todos brancos não foi o suficiente. Mesmo com pessoas como eu e vários outros leitores dos livros insistentemente dizendo que não havia qualquer fala de Tolkien nesse sentido, seja nos próprios livros, seja em suas cartas, essas pessoas insistiam em forçar essa interpretação claramente deturpada dos livros e das intenções do autor para justificarem que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o mais engraçado é que, quanto mais se provava que esses argumentos eram falso, mais argumentos iam aparecendo. Essas pessoas davam um argumento - a gente rebatia. Elas arrumavam outro argumento - a gente rebatia. Arrumavam outro argumento - a gente rebatia. E assim sucessivamente por vários &amp;quot;argumentos&amp;quot; e, por incrível que pareça, anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sinceramente não sei o que essas pessoas ganhariam com isso, mas muitas delas, seja lá por qual motivo, tomaram como o grande objetivo de sua vida &amp;quot;provarem&amp;quot; a todo custo que não havia pessoas pretas nas lendas da Terra-média. Não tem nada que justifique essa busca incansável por um novo argumento, a não ser essas pessoas realmente terem colocado como um objetivo crucial em suas vidas provar que pessoas pretas não existiam na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou melhor, só para me corrigir, &amp;quot;que não existiam pessoas pretas &#039;&#039;salvo os Haradrim&#039;&#039;&amp;quot;, os vilões de O Senhor dos Anéis, posto que eu vi muitas dessas pessoas falando que o problema não era a série ter atores pretos, já que se fossem personagens Haradrim não teria problema nenhum. Para essas pessoas, o problema está nos Elfos - os &amp;quot;mocinhos&amp;quot; - serem interpretados por atores negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, esse é o motivo deste levantamento ter sido criado. Já que simplesmente dizer para essas pessoas obcecadas pela cor da pele das pessoas que Tolkien nunca falou um A nesse sentido não foi o suficiente, eu decidi tentar refutar, um a um, todos os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu encontrei internet afora que (supostamente) comprovariam que Elfos negros não existiam no legendário da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sei que essas pessoas em especial, que, como eu disse, aparentam ter colocado com um objetivo de suas vidas provar que Elfos pretos não existiam na Terra-média, não serão convencidas por esse vídeo aqui. Eu posso refutar todos os argumentos aqui que elas ainda irão arrumar um novo argumentam - ou então dizer que o próprio Tolkien estava errado, como eu já vi uma pessoa fazer em um vídeo meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intenção desse vídeo é, por outro lado, tentar trazer um pouco de luz pra essa discussão, já que, infelizmente, eu vi muita gente, por assim dizer, &amp;quot;inocente&amp;quot;, sendo levada a acreditar que Elfos de pele negra realmente não existiam na Terra-média e inclusive a criticar Tolkien e chamá-lo de racista por ter dito que não havia Elfos pretos na Terra-média, sendo que na realidade ele nunca fez isso. E, para além dessas críticas infundadas feitas a Tolkien, eu também vi gente, por assim dizer, usando os argumentos &amp;quot;errados&amp;quot; para defender a presença de Elfos negros na série, indiretamente dando força para esses comentários racistas de quem insiste em dizer que Elfos pretos não existem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só para dar um exemplo, o Load, que é um cara incrível e que eu inclusive acompanho nas redes sociais e esporadicamente no YouTube, disse que, ainda que Elfos pretos não existissem, fato é que Elfos como um todo não existem, de modo que qualquer representação seria válida. Outros comentários semelhantes feitos por outras pessoas diziam que, ainda que Elfos pretos não existissem, o mundo de hoje é outro e a representatividade é importante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu concordo com o Load que Elfos como um todo não existem no mundo real? Sem dúvida! Eu concordo com essas pessoas que a representatividade é importanto? Sem dúvida também. A questão maior aqui é que a gente não precisar ir tão longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais que eu concorde com essas falas, a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;Elfos não existem&amp;quot;, assim como a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;representatividade é importante&amp;quot;. A gente deve colocar Elfos de pele negra na série porque Elfos de pele negra existiam sim nos livros. E eu acho que é nesse argumento que a gente deve focar mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comentários como o do Load ou dessas outras pessoas, por mais verdadeiros e importantes que sejam, dão a falsa impressão que os Elfos pretos realmente não existiam na Terra-média - o que, indiretamente, acaba dando mais força para essas pessoas que vem com esse falso argumento de que a série estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, como eu disse, a minha maior intenção com esse artigo não é tentar mudar a opinião de quem colocou como objetivo de vida provar que Elfos pretos não existiam. A minha intenção é trazer um pouco mais de luz para esse assunto, focando principalmente nessas outras pessoas que, quer elas concordem ou discordem com a presença de um Elfo negro na série, foram levadas a acreditar nessa falácia de que eles não existem nos livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que, infelizmente, aqui a gente adentra na tal da &amp;quot;[https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Brandolini Lei de Bradolini]&amp;quot;, que diz que a quantidade de energia necessária para refutar uma idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. Afinal, uma pessoa gasta 5 minutos pra dizer algo como &amp;quot;não havia Elfos negros na Terra-média porque ela representava a Europa Nórdica&amp;quot; e nada mais, enquanto eu gasto literalmente meses fazendo pesquisas, indo atrás de citações e escrevendo textos com dezenas de páginas e gravando vídeos de mais de meia hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, por mais que uma pessoa que traz um argumento raso como esse tem um alcance muito mais que um artigo de 30 páginas ou um vídeo de mais de meia hora, eu não acho que eu deveria simplesmente ficar quieto. Ainda mais quando eu vejo pessoas incríveis e do bem sendo levadas a acreditar em informações falsas por falta de alguém fazendo um contraponto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já dizia Tolkien, &amp;quot;não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual)&amp;quot; (Árvore e Folha; Sobre Estórias de Fadas). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, só pra reforçar, esse artigo não abordará a importância da representatividade no entretenimento porque 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica evidentemente não se importam com isso, de modo que abordar esse assunto seria inútil, 2) eu não tenho propriedade para falar sobre o assunto, e 3) essa discussão não é necessária para comprovar que Elfos negros existiam sim na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e sem maiores delongas, abaixo eu trarei cada um dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu mais encontrei internet afora e, em seguida, a minha explicação do porquê de esse argumento não fazer qualquer sentido. Tudo, é claro, sempre fundamentado com citações diretas de J.R.R. Tolkien. Os tais dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; não estarão em nenhuma ordem específica porque, como eu comentei, as pessoas que defendem a não-existência de Elfos negros estão sempre mudando de argumentação conforme você as vai refutando e, assim, cada pessoa vai usando esses argumentos em &amp;quot;ordens&amp;quot; diferentes umas das outras. Vou abordá-los na ordem que eu achar melhor para construir o raciocínio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rebatendo argumentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Em O Senhor dos Anéis Tolkien deixou claro que os Elfos de seu universo ‘eram belos, de pele clara e de olhos cinzentos’.” ===&lt;br /&gt;
Não é bem assim. De fato há essa menção em [[O Senhor dos Anéis]], mas trata-se de uma frase tirada de contexto, conforme já extensivamente explicado por [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e seu &amp;quot;executor literário&amp;quot;) em [[O Livro dos Contos Perdidos 1]], o 1.º volume da coleção [[A História da Terra-média]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em O Senhor dos Anéis, nós temos o seguinte trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, e Eldar, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal e ali chegaram no começo dos Dias (exceto apenas pelos Sindar). [...] Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, apesar de terem as madeixas escuras, exceto na casa dourada de Finarfin;&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em O Livro dos Contos Perdidos 1, Christopher nos traz a versão completa do rascunho de seu pai para esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em um rascunho do parágrafo final do Apêndice F de O Senhor dos Anéis, ele [Tolkien] escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes (não neste livro) tenho usado “Gnomos” por Noldor e “gnômico” por noldorin. Fiz isso porque [...], para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais. Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora abandonei essa representação por demasiado enganosa. Pois os Noldor pertenciam a uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, que agora se foram. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, e suas madeixas eram escuras, exceto na casa dourada de Finrod […].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No último parágrafo do Apêndice F, conforme publicado, a referência aos “Gnomos” foi removida, e substituída por um trecho explicando o uso da palavra Elves [Elfos] como tradução de Quendi e Eldar. […] Portanto, &#039;&#039;&#039;essas palavras que descrevem características do rosto e dos cabelos foram escritas, na verdade, apenas sobre os Noldor, e não sobre todos os Eldar&#039;&#039;&#039;: de fato os Vanyar tinham cabelos dourados, e foi da mãe vanyarin de Finarfin, Indis, que ele e seus filhos Finrod Felagund e Galadriel herdaram os cabelos dourados que os distinguiam entre os príncipes dos Noldor. Mas sou incapaz de determinar como essa extraordinária corrupção do sentido surgiu.&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; O nome Finrod no trecho ao final do Apêndice F está incorreto: Finarfin era Finrod e Finrod era Inglor até a segunda edição de O Senhor dos Anéis, e, na ocasião, a alteração não foi feita.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como mencionado por Christopher, essa deturpação do sentido, oriunda da omissão de parte do texto de seu pai, foi corrigida na segunda edição de O Senhor dos Anéis, a partir da qual essa frase conta com uma nota de rodapé na qual é ressaltado tratar-se de uma descrição exclusiva para os [[Noldor]] (um dos três clãs élficos)&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;Apesar de terem despertado todos no mesmo local, ao longo das eras os Elfos se dividiram em diversos grupos e etnias (assim como os próprios Homens também se dividiram em vários grupos e etnias após seu primeiro despertar), mas seus três principais clãs eram os Vanyar, os Noldor e os Teleri. Destes, os Teleri foram os que mais se subdividiram em outros grupos e é deles que vêm os Sindar (os Elfos-cinzentos).&amp;lt;/ref&amp;gt;, e não para os Elfos como um todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt; Estas palavras que descrevem caracteres de rosto e cabelos aplicavam-se, de fato, apenas aos Noldor. [N. E.]|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, considerando que a segunda edição de O Senhor dos Anéis foi publicada ainda em 1966, alguém querer se utilizar desse trecho para justificar que todos os Elfos do legendário da Terra-média seriam brancos me parece, no mínimo, ingênuo ou mal-intencionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, se eu tivesse de apostar, eu diria que quem usa esse trecho é só mal-intencionado mesmo, já que é regra dentre esse tipo de pessoa usar argumentos soltos, sem qualquer base em citações diretas, ou, quando por algum milagre embasam suas opiniões com citações diretas, são sempre com trechos retirados totalmente de contexto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, é válido ressaltar aqui que, nas poucas vezes que J.R.R. Tolkien cita um Elfo como tendo pele clara, ele o faz com um Noldo (singular de Noldor), e, nas poucas vezes que outros personagens são descritos como brancos e comparados com os Elfos, eles são sempre comparados especificamente com os Elfos do clã noldorin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Túrin]], filho de [[Húrin]], é comparado nos livros, mais de uma vez, com os Elfos, sendo ele descrito como um Homem branco, sendo que, no entanto, essa comparação é feita especificamente com os Noldor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nos tempos que se seguiram, Túrin cresceu muito nos favores de Orodreth, e quase todos os corações se voltaram para ele em Nargothrond. Pois era jovem e só então alcançara a plenitude da idade viril; e era, em verdade, o filho de Morwen Eledhwen em seu aspecto: &#039;&#039;&#039;de cabelos escuros e pele clara, com olhos cinzentos&#039;&#039;&#039;, e um rosto mais belo do que quaisquer outros entre Homens mortais, nos Dias Antigos. Seu falar e porte eram aqueles do antigo reino de Doriath, e, &#039;&#039;&#039;mesmo em meio aos Elfos, podia ser tomado por um dos das grandes casas dos Noldor&#039;&#039;&#039;; portanto, muitos o chamavam de Adanedhel, o Homem-Elfo.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 21. De Túrin Turambar) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que Túrin tinha (i) cabelos escuros, (ii) pele clara e (iii) olhos cinzentos, que eram exatamente as três características físicas que Tolkien descreveu os Noldor como possuindo no já citado Apêndice F de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro exemplo seria o Elfo [[Maeglin]], filho de [[Aredhel]], que também é descrito como possuindo pele branca, sendo ele estritamente comparado aos Noldor (apesar de ter sangue noldorin por parte de mãe, Maeglin era considerado um Sinda, isto é, um Elfo-cinzento):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Falarei mais sobre Maeglin mais para frente, pois há outras questões a serem abordadas sobre ele.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os (poucos) Elfos que são descritos nos livros como tendo pele clara tinham, no todo ou em parte, sangue noldorin, e todos personagens que são descritos como brancos e que são comparados aos Elfos, são comparados justamente com os Noldor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis (quando contextualizada com a passagem de O Livro dos Contos Perdidos 1) evidencia que não só não há qualquer indicativo de que todos os Elfos fossem brancos, como os vários comparativos de personagens brancos com Elfos noldorin apenas reforça a informação do rascunho original, de que somente os Elfos noldorin tinham essa distinção na aparência em seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A Terra-média representa a Europa nórdica e, por isso, não havia personagens negros.” ===&lt;br /&gt;
Um outro argumento que eu constantemente vejo por aí é o de que a Terra-média representaria a Europa “nórdica” e que, por isso, não teria como haver personagens negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, estudos evidenciam que havia sim pessoas pretas na Europa setentrional, por diferentes razões, mas eu não vou adentrar nessa questão pelo mesmo motivo pelo qual não adentrarei na questão da importância da representatividade: 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica não se importam com isso, posto que possuem uma visão já há muito tempo arraigada sobre a Europa e não serei eu quem fará essas pessoas entenderem um pouco mais de história (até porque eu não tenho propriedade para isso), e 2) essa discussão quanto à presença ou não de pessoas pretas na Europa setentrional não é necessária para comprovar que Elfos pretos podiam sim ter existido na Terra-média. Ou seja, ainda que realmente houvesse zero pessoas pretas na Europa setentrional, como alguns sustentam, isso ainda não mudaria nada para a realidade da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, se você realmente se considera um fã de J.R.R. Tolkien e suas obras, eu sugiro que você pare de se utilizar da palavra “nórdica” para se referenciar ao norte da Europa e/ou os povos dessa região, pois Tolkien deixou claro diversas vezes que possuía total aversão a essa palavra, posto que, segundo ele mesmo, essa palavra, &amp;quot;nórdico(a)&amp;quot;, estava associada a doutrinas racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em breve síntese, Tolkien odiava o termo “nordic” (&amp;quot;nórdico&amp;quot;) e, para ele, nós deveríamos utilizarmo-nos do termo “northern” (“setentrional”) para nos referenciarmos ao norte da Europa e &amp;quot;germanic&amp;quot; (&amp;quot;ermânico&amp;quot;) para nos referenciarmos aos povos que viviam nessas regiões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a especificamente o idioma nórdico, o termo original em inglês é &amp;quot;Norse&amp;quot;, sendo que uma dubiedade pode surgir para nós brasileiros pelo fato de que tanto &amp;quot;nordic&amp;quot; quanto &amp;quot;Norse&amp;quot; são traduzidos por aqui como &amp;quot;nórdico&amp;quot;. E, como não temos uma alternativa para a tradução do idioma &amp;quot;Norse&amp;quot;, eu sugiro, em respeito a J.R.R. Tolkien, que você faça o uso do termo &amp;quot;setentrional&amp;quot; para se referenciar à região em si, &amp;quot;germânico&amp;quot; para os povos, e &amp;quot;nórdico&amp;quot; exclusivamente para o idioma - ou, se preferir, &amp;quot;idioma nórdico&amp;quot; pra deixar bem clara essa distinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns breves exemplos nos quais Tolkien fala sobre essa sua aversão pela palavra “nordic” vêm das Cartas n.º 29 e 45 do livro [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], nas quais ele critica o nazismo por se apropriar, perverter e arruinar a essência “setentrional” em favor de doutrinas raciais não-científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e &#039;&#039;&#039;lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Alemão, &amp;quot;confirmação&amp;quot;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29) - Grifou-se.}}{{Citação em Bloco|trecho=Passei a maior parte da minha vida, desde que eu tinha sua idade, estudando assuntos germânicos (no sentido geral que inclui a Inglaterra e a Escandinávia). [...] Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal. [...] &#039;&#039;&#039;suponho que sei melhor do que a maioria das pessoas qual é a verdade sobre esse absurdo “nórdico”&#039;&#039;&#039;. De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular [...] contra aquele maldito tampinha ignorante chamado &#039;&#039;&#039;Adolf Hitler [...] que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional&#039;&#039;&#039;, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, muito embora seja comum ouvirmos a história de que o plano de J.R.R. Tolkien era o de criar uma mitologia para a [[Inglaterra]], de modo que seu legendário se passaria em uma Europa setentrional, a questão não é tão simples quanto parece e, mais uma vez, quem fala isso está claramente tirando muita coisa de contexto pra tentar dar uma maior ar de credibilidade pras suas visões deturpadas de mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso só era verdade para [[O Livro dos Contos Perdidos]], escrito por Tolkien entre os anos 1917 e 1920, que é a primeira versão do que muito mais tarde viria a ser [[O Silmarillion]] como o conhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, quando Tolkien deu o pontapé inicial ao seu legendário, sua intenção era sim a de criar uma espécie de &amp;quot;mito de criação&amp;quot; da Inglaterra, e isso fica evidente em diversas cartas social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[CITAÇÃO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão disso, em O Livro dos Contos Perdidos (1917-20), a relação das lendas e das terras com a Inglaterra era clara e direta, sendo que a palavra &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; é citada 71 vezes nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, usar desse argumento é, como essas pessoas adoram fazer, tirar todo o contexto por trás dele, já que, ao longo dos anos, conforme seu legendário foi evoluindo, essa relação foi deixada totalmente de lado pelo autor, com o &amp;quot;legendário&amp;quot; perdendo esse seu caráter de ser um &amp;quot;mito de criação&amp;quot; pra Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E um exemplo disso é simples: n&#039;O Livro dos Contos Perdidos, a Inglaterra era literalmente representada por uma ilha chamada Tol Eressëa, a Ilha Solitária. A ideia era a de que Tol Eressëa fosse a Inglaterra num passado longínquo, e que a cidade de Kortirion fosse Warwick, uma cidade da Inglaterra, também num passado longínquo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simplificando, a Inglaterra seria, em origem, um reino élfico, sendo que, mais tarde, depois que os Elfos feneceram, ela passou a ser um reino humano, com apenas alguns poucos ainda relembrando as antigas lendas élficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, isso foi posteriormente abandonado por Tolkien, tanto é que Tol Eressëa e Kortirion continuam existindo nas versões posteriores do legendário - com Kortirion apenas mudando seu nome para apenas Tirion - sendo que, na versão posterior da história, eles dois foram literalmente removidos do planeta durante a Queda de Númenor e passar a literalmente flutuar no espaço, acessíveis somente através da Rota Reta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, pra quem fala que o legendário era para ser um mito de criação para a Terra-média, ou para quem fala que Tolkien abandonou essa ideia, mas o legendário continuou sendo &amp;quot;espiritualmente&amp;quot; um mito de criação para a Terra-média, a tal da &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; virou literalmente uma ilha que tá flutuando no espaço, fora do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isso não é prova o suficiente de que Tolkien abandonou esse conceito de o legendário ser um mito de criação pra Inglatera, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso, fato é que o próprio Tolkien deixou claro ainda em vida, 50 anos depois de escrever O Livro dos Contos Perdidos, que isso não era mais aplicável à sua mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que parte de suas inspirações são derivadas de mitos europeus, mas, em uma carta escrita por J.R.R. Tolkien em 08/02/1967, apenas seis anos antes de falecer, na qual ele traz alguns comentários pontuais sobre uma entrevista feita com Charlotte e Denis Plimmer, &#039;&#039;&#039;ele deixa claro que a Terra-média não representava a Europa nórdica (nem setentrional), seja geograficamente ou &amp;quot;espiritualmente&amp;quot;, e que essa não era a sua intenção.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que &#039;&#039;&#039;mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”&#039;&#039;&#039;. Esta é uma palavra antiga, não inventada por mim, como a consulta a um dicionário como o Shorter Oxford mostrará. Significava as terras habitáveis de nosso mundo, situadas no meio do Oceano circundante. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol. Uma simples leitura das sinopses deveria deixar claro que isso não é verdadeiro para minha história. O Norte era a sede das fortalezas do Diabo. O progresso da história termina no que é muito mais parecido com o restabelecimento de um Sacro Império Romano efetivo com sua sede em Roma do que qualquer coisa que seria planejada por um “nórdico”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294) - Grifou-se.}}E, ainda que a Terra-média representasse a &amp;quot;Europa nórdica&amp;quot; como muitos alegam (o que, ressalto, ela não representava), dizer que isso significaria que não existem personagem negros nem sequer faz sentido lógico, pois há diversos personagens humanos que Tolkien descreve como sendo negros (como alguns dos Haradrim). Até mesmo Tom Bombadil é descrito como tendo uma pele &amp;quot;marrom&amp;quot; (que não é negra, mas definitivamente também não é &amp;quot;branca&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que essa seletividade? Uma mitologia (supostamente) &amp;quot;europeia&amp;quot; não pode ter Elfos negros, mas pode ter Homens negros? Qual é a lógica disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A etimologia de ‘Elfo’ infere a ideia de ‘branco’.” ===&lt;br /&gt;
Muito também se tem falado de que a palavra “Elfo” (no original, &#039;&#039;Elf&#039;&#039;) tem origem nos antigos mitos e folclores germânicos e nórdicos e que ela estava intimamente associada à ideia de branco, sendo que o radical nórdico de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, no caso &#039;&#039;alv&#039;&#039;, seria o mesmo radical de palavras como “alpes” ou “albino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, a etimologia de &#039;&#039;Elf&#039;&#039; não é tão simples assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o [https://www.etymonline.com/word/elf#etymonline_v_5730 Online Etymology Dictionary], é &#039;&#039;sugerido&#039;&#039; que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; tenha origem no &#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico, que também teria dado origem a palavras posteriores como o &#039;&#039;alp&#039;&#039; alemão (de onde vem, por exemplo, alpes e albino), mas é importante lembrar o que significa esse * no início de &#039;&#039;albiz&#039;&#039;: essa palavra nunca foi encontrada em qualquer registro escrito e é uma invenção posterior para tentar justificar a relação entre palavras distintas mas semelhantes. Ou seja, não sabemos de fato se &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente têm um antepassado em comum, pois nunca foi encontrado nenhum registro fático nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, ainda que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente tivessem uma mesma origem etimológica (do que, ressalto, não temos prova), isso não implica dizer que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; em si tenha ligação com a cor branca, posto que &amp;quot;Elf&amp;quot; &#039;&#039;precederia&#039;&#039; ao &#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039;alp&#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039; alemão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse&#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico teria originado o &#039;&#039;ylfe&#039;&#039; (saxão ocidental), &#039;&#039;ælf&#039;&#039; (nortúmbrio) e &#039;&#039;elf&#039;&#039; (merciano, kentico) do inglês antigo que significavam algo como &#039;&#039;sprite&#039;&#039;, &#039;&#039;fairy&#039;&#039;, &#039;&#039;goblin&#039;&#039; e &#039;&#039;incubus&#039;&#039;, sendo que todas essas palavras, nos anos 1550, eram usadas figurativamente para representar uma &amp;quot;pessoa malvada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos uma palavra portuguesa que tenha derivado diretamente de &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;sprite&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, mas ela pode ser traduzida basicamente como “espírito”, já que a própria etimologia de “sprite” sugere que ela tenha vindo do latim “spiritus” que, obviamente, também deu origem à palavra “espírito”. Já &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;goblin&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; significava basicamente “um demônio, um íncubo, uma fada feia e malvada ou um espírito”, e aqui a gente já começa a ver muita repetição nas definições dessas palavras. &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Incubus&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, por sua vez, significava basicamente “um demônio ou ser imaginário que causava pesadelos”. Quanto a &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;fairy&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, ela nada mais é do que “fada”, palavra essa que mais se repete na etimologia de todas as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a gente vê que, ao menos originalmente, antes da difusão na cultura popular, Elfo, Fada, Espírito, Gobelim e Íncubo significavam mais ou menos a mesma coisa, sendo que o termo “fairy” (“fada”) é o que mais se repete na etimologia de todas essas palavras. Aliás, o próprio Tolkien diversas vezes usa Elfo e Fada indiscriminadamente, dizendo que eles eram termos mais ou menos equivalentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o Century Dictionary, Elfo e Fada eram basicamente os mesmos seres, sendo apenas que Elfo era geralmente mais jovem e malvado do que uma Fada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à etimologia de Fada em si, a palavra original era, na verdade, “faerie”, que vem do francês antigo e é traduzida aqui no Brasil como Feéria, sendo que Faerie (&amp;quot;Feéria&amp;quot;) era o nome dado especificamente ao reino em que viviam criaturas sobrenaturais ou lendárias. Em outras palavras, Feéria pode ser traduzido como Terra das Fadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o decorrer do tempo, “Fairy” (não Faerie), traduzida aqui no Brasil como “Fada”, passou a ser utilizado, via de consequência, como o nome dessas criaturas sobrenaturais ou lendárias vindas de Feéria, sendo que Fada é atestado, inclusive, como um adjetivo genérico para representar seres heroicos ou lendários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Tolkien, em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas, cita essa questão da origem da palavra Fada (&amp;quot;Fairy&amp;quot;) como significando, na verdade, o reino de Feéria (&amp;quot;Faerie&amp;quot;):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Fada, como um substantivo mais ou menos equivalente a elfo, é uma palavra relativamente moderna […]. A primeira citação no Oxford Dictionary (a única antes de 1450) é significativa. É tirada do poeta Gower: &#039;&#039;&#039;“as he were a faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele fosse uma fada]. Mas isso Gower não disse. Ele escreveu &#039;&#039;&#039;“as he were of faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele tivesse vindo de Feéria].|fonte=[[Árvore e Folha]] (Sobre Estórias de Fadas) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu ensaio &amp;quot;[[Sobre Estórias de Fadas]]&amp;quot;, presente no livro [[Árvore e Folha]], o próprio Tolkien ressalta que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;precede&#039;&#039;&#039; os antigos mitos e folclores germânicos e setentrionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=O ser diminuto, elfo ou fada, é (suspeito), na Inglaterra, em grande parte, um produto sofisticado do devaneio literário.&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;Estou falando de transformações que ocorreram antes do aumento do interesse pelo folclore de outros países. As palavras inglesas, tais como elf [elfo], receberam por muito tempo a influência do francês (língua da qual derivam as palavras fay [fata, fada] e Faërie, fairy [Feéria, fada]); mas, &#039;&#039;&#039;em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, tanto fada quanto elfo adquiriram muito da atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas&#039;&#039;&#039; [...].|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]]) - Grifou-se.}}Nesse sentido, não há como se ter certeza sobre qual o significado original de palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, sendo que o próprio J.R.R. Tolkien aborda em seu ensaio as confusas possíveis origens deste termo, jamais tentando dar-lhe um significado original (apenas a relacionando à palavra Fada) e jamais fazendo qualquer menção à ideia de branco, atentando-se mais para o que define a estórias de fadas e elfos do que para o que define os elfos em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, ainda que houvesse provas de que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; estava intimamente associado à ideia de branco (o que, ressalto, não há), isso, por si só, não significaria que todos os Elfos do legendário da Terra-média eram brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto porque nós não podemos nos esquecer de que, tecnicamente falando, é equivocado chamar essas criaturas criadas por Tolkien de &amp;quot;Elfos&amp;quot;, posto que elas chamavam-se, na verdade, &amp;quot;Quendi&amp;quot;, que são uma invenção original do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Tolkien reconhecer que, embora isso fosse verdade no início, seu legendário tinha deixado de ter uma relação direta com a Inglaterra e, via de consequência, com a Europa setentrional (como vimos no tópico anterior), ele também deixou claro diversas vezes que “Elfo” foi uma palavra pré-existente que ele optou por se utilizar como &#039;&#039;tradução&#039;&#039; de Quendi, e que &#039;&#039;&#039;essas duas palavras – Quendi e Elfos – não eram equivalentes&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Só para esclarecer para quem porventura não saiba, &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; significa “Os Falantes”, e é a palavra &amp;quot;élfica&amp;quot; para se referenciar aos Elfos. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tolkien fala sobre essa questão de “Elfos” ser uma tradução não muito precisa de “Quendi”, por exemplo, lá nos Apêndices de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;&#039;&#039;Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi&#039;&#039;&#039;, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, &#039;&#039;&#039;e Eldar&#039;&#039;&#039;, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal […]. De fato, essa palavra antiga era a única disponível […]. Mas ela minguou, e a muitos pode agora sugerir fantasias delicadas ou tolas, tão diferentes dos Quendi de outrora […].|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso também fica explícito em várias cartas escritas por Tolkien, nas quais ele diz, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E, de qualquer forma, elfo, gnomo, gobelim e anão &#039;&#039;&#039;são apenas traduções aproximadas&#039;&#039;&#039; dos nomes em Élfico Antigo para seres de raças e funções não exatamente iguais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 25) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=O que você pede é O Silmarillion, que é na prática uma história dos Eldalië (&#039;&#039;&#039;ou Elfos, por uma tradução não muito precisa&#039;&#039;&#039;), de sua ascensão até a Última Aliança e a primeira derrubada temporária de Sauron [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 114) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Por trás de minhas histórias há agora um nexo de idiomas (a maioria apenas estruturalmente esboçada). Mas àquelas criaturas que &#039;&#039;&#039;em inglês chamo enganosamente de Elfos&#039;&#039;&#039; são designados dois idiomas relacionados bastante completos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Tenho dificuldade em encontrar nomes ingleses para criaturas mitológicas com outros nomes, uma vez que as pessoas não “aceitariam” uma série de nomes Élficos [como “Quendi” ou “Eldar” para os Elfos, por exemplo], e prefiro que elas aceitem minhas criaturas lendárias mesmo com as &#039;&#039;&#039;falsas associações da “tradução”&#039;&#039;&#039; do que não as aceitem de modo algum.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 156) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, sendo ainda mais específico sobre isso, há uma carta na qual Tolkien fala expressamente que seus “Elfos” (isto é, seus “Quendi”) não guardavam nenhuma relação com os Elfos da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Elfos” é uma tradução, talvez agora não muito adequada, mas originalmente boa o suficiente, de Quendi. Eles são representados como uma raça similar em aparência (e ainda mais no passado distante) aos Homens e, em dias antigos, da mesma estatura. […] Mas suponho que &#039;&#039;&#039;os Quendi nestas histórias sejam de fato muito pouco relacionados aos Elfos e Fadas da Europa&#039;&#039;&#039;; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu diria que eles representam realmente Homens com faculdades estéticas e criativas aprimoradas em grande medida, maior beleza e vida mais longa, e nobreza […].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dito isto, é importante ressaltar que, além de Tolkien ter deixado claro diversas vezes que suas criaturas não eram &amp;quot;Elfos&amp;quot; propriamente ditos, tendo usado este termo apenas como uma tradução de Quendi e Eldar, o autor também disse explicitamente em várias cartas que se arrependeu de ter se utilizado dessa palavra (“Elfo”) por acreditar que ela estava cheia de vícios que eram demais para se superar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Além disso, agora &#039;&#039;&#039;lamento profundamente ter usado Elfos&#039;&#039;&#039;, embora esta seja uma palavra em ancestralidade e significado original suficientemente adequada. A desastrosa depreciação dessa palavra […] realmente a sobrecarregou com tons lamentáveis, que são muitos para se superar. […] Minha dificuldade é de que, uma vez que tentei apresentar uma espécie de legendário e história de uma “época esquecida”, todos os termos específicos estavam em uma língua estrangeira, e &#039;&#039;&#039;não existem equivalentes precisos em inglês&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos nos esquecer de que Tolkien era um filólogo e tinha um vasto conhecimento do vocabulário e da etimologia de diversas línguas, não ficando preso ao convencionado popularmente na sua época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente por esse motivo, Tolkien deixou claro diversas vezes que se arrependeu muito de ter se utilizado não só da palavra &#039;&#039;Elfo&#039;&#039;, como também de palavras como &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, &#039;&#039;Gobelim&#039;&#039; e até &#039;&#039;Anão&#039;&#039; – todas pelo mesmo motivo de que essas palavras estavam viciadas com outros significados na cultura popular e não guardavam uma relação precisa com as criaturas de seu legendário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só pra explicar pra quem porventura não conheça, Gnomos era como Tolkien chamava os Noldor, um dos Três Clãs dos Elfos, lá nas primeiras versões de seu legendário, vide o já citado O Livro dos Contos Perdidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Gobelins significa exatamente o mesmo que Orques, sendo apenas que Gobelim era uma palavra usada mais pelos Hobbits e Orque, mais pelas outras raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, algumas citações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Às vezes (não neste livro) tenho usado &amp;quot;Gnomos&amp;quot; por Noldor e &amp;quot;gnômico&amp;quot; por noldorin. […] Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora &#039;&#039;&#039;abandonei essa representação por demasiado enganosa&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Nenhum resenhista (que eu tenha visto), embora todos tenham usado cuidadosamente a forma correta dwarfs [anões], comentou a respeito do fato (do qual me tornei consciente apenas através das resenhas) de eu usar no decorrer do livro o plural “incorreto” dwarves [anãos]. [...] Talvez seja permitido ao meu dwarf [anão] — uma vez que ele e o Gnomo3 são apenas traduções em equivalentes aproximados de criaturas com diferentes nomes e funções muito diferentes em seu próprio mundo [...]. O verdadeiro plural “histórico” de dwarf (como teeth [dentes] de tooth [dente]) é dwarrows [ananos], de qualquer modo: sem dúvida uma bela palavra, mas um tanto arcaica demais. No entanto, &#039;&#039;&#039;gostaria que eu tivesse usado a palavra dwarrow [anano]&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 17) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua preferência por gobelins a orques envolve um assunto maior e uma questão de gosto, e talvez um pedantismo histórico de minha parte. &#039;&#039;&#039;Pessoalmente prefiro Orques&#039;&#039;&#039; (uma vez que essas criaturas não são “gobelins”, nem mesmo os gobelins de George MacDonald, aos quais se assemelham de certa forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não dá para nós simplesmente jogarmos as preconcepções populares de nossa época (ou até mesmo da época de Tolkien) em cima das criaturas originalmente criadas pelo autor, pois, embora ele tenha se utilizado de nomes comuns a nós, ele deixou claro diversas vezes que esses nomes modernos foram usados apenas como &#039;&#039;traduções aproximadas&#039;&#039; dos nomes de criaturas bem diferentes e, em muitos casos, inclusive se arrependeu de ter usado esses nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a título de exemplo, a palavra &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, que, como eu comentei, era como Tolkien chamava os Noldor, não tem relação nenhuma com as criaturas folclóricas diminutas que estamos tão acostumados e que adentraram na cultura popular através de Paracelso, um escritor suíço que, no século XVI, usou &amp;quot;gnomo&amp;quot; como um sinônimo de “pigmeu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “gnomo” utilizado por Tolkien vem de uma origem muito mais antiga, mais especificamente o “gnōmē” grego, que significava algo como “pensamento” ou “inteligência”, sendo que o próprio Tolkien comenta sobre essa distinção dizendo que, embora seus Gnomos não tivessem nada a ver com os gnomos da cultura popular, sendo apenas aquele clã dos Quendi que mais se distinguiam por seu conhecimento e sua inteligência, ele acabou abandonando essa palavra ao ver que ela estava causando muita confusão desnecessária (&amp;quot;Gnomos&amp;quot; como significando os &amp;quot;Elfos noldorin&amp;quot; chegou a aparecer primeira edição de [[O Hobbit]]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Seja lá o que Paracelso tenha pensado (se é que ele realmente inventou o nome), para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é um ótimo exemplo do porquê de ser tão difícil tentarmos associar as palavras utilizadas por Tolkien, um filólogo, com a noção que nós temos dessas mesmas palavras na cultura popular (seja atualmente seja da época do próprio autor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não há como supormos que os Elfos da Terra-média eram todos brancos simplesmente com base na etimologia da palavra porque&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# a etimologia de &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; é extremamente complexa, conforme ressaltado pelo próprio J.R.R. Tolkien em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas;&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que os seus Elfos tinham pouco, se não nenhuma, relação com os Elfos da Europa, posto que &amp;quot;Elfos&amp;quot; foi usado apenas como uma tradução aproximada de “Quendi” (já que ele temia que as pessoas tivessem aversão a tantos nomes originais), ressaltando que essas duas palavras não eram equivalentes; e&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien disse que se arrependeu de ter se utilizado da palavra “Elfo” como uma tradução de Quendi, já que a cultura popular sugeria fantasias tolas, muito diferentes de suas criaturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adentrarei aqui nos possíveis significados originais de Elfos, pois entendo ser irrelevante para o objetivo deste artigo. Caso seja de seu interesse, eu adentro nessa questão no meu texto sobre os Elfos terem ou não orelhas pontudas: [[Os Elfos de Tolkien Tinham Orelhas Pontudas?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Tolkien nunca mencionou um Elfo de pele negra; se existissem, ele teria mencionado algum.” ===&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, é importante destacar aqui que Tolkien ser descritivo e Tolkien ser redundante são duas coisas totalmente diferentes. Em outras palavras, de fato J.R.R. Tolkien sempre foi muito descritivo com seus textos, em especial em se tratando na natureza de seu mundo, mas ele nunca foi redundante nessas descrições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato há alguns personagens élficos que Tolkien especifica nos livros como tendo pele clara, mas pense comigo: se todos os Elfos fossem brancos, seria necessário Tolkien ser redundante com relação a isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se supostamente já teria sido estabelecido que todos Elfos eram brancos, seja lá com base em qual argumento, qual seria a utilidade de Tolkien dizer especificamente, por exemplo, que os Noldor tinham pele clara? Ou por que Tolkien diria que Maeglin, um Elfo, era branco? Ou por que Tolkien diria que Túrin, um homem branco, podia ser confundido com um dos Noldor em vez de dizer simplesmente que ele podia ser confundido com um Elfo? Nestes três casos, o uso desses complementos por Tolkien me pareceria algo tão redundante e inútil quanto dizer &amp;quot;subir para cima&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se a gente considerar que nem todos os Elfos eram brancos, bem como que o único clã descrito como sendo branco era o clã dos Noldor, Tolkien dizer que Maeglin, um Elfo sindarin, era branco, e que Túrin, por ser branco (e ter outras características &amp;quot;élficas&amp;quot;), podia ser confundido com um dos Noldor, deixa de ser redundante e passa a ser uma descrição totalmente válida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Repito: Tolkien sempre foi muito descritivo, mas ele nunca foi redundante, e não havia utilidade nenhuma para que ele fosse redundante nessas pouquíssimas descrições de personagens élficos como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessa questão da redundância, também não podemos nos esquecer de que a ausência de prova não é prova de ausência. Até podemos dizer que nas versões posteriores de seu legendário Tolkien de fato nunca mencionou &#039;&#039;especificamente&#039;&#039; um Elfo como tendo pele negra, mas isso por si só não é capaz de implicar que eles não existiam (e quem acha que significa precisa estudar um pouco de hermenêutica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Tolkien sempre deixou claro que ele não estava criando essas histórias, mas apenas traduzindo textos por ele encontrados, que teriam sobrevivido a todas essas eras. Sua mentalidade era a de que ele não estava criando, mas sim &amp;quot;descobrindo&amp;quot; essas histórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a ilha de Númenor, por exemplo, Tolkien diz que é muito difícil precisarmos quais eram exatamente a sua cultura e os animais que viviam lá porque pouquíssimos escritos teriam sobrevivido à sua queda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Visto que todas esses assuntos eram estudados pelos homens de saber em Númenor, e muitas histórias naturais e geografias precisas devem ter sido compostas, aparentemente elas, como quase tudo o mais das artes e ciências de Númenor em seu apogeu, desapareceram na queda.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como foi dito, não é fácil descobrir quais eram os animais, aves e peixes que já habitavam a ilha antes da chegada dos Edain, e quais foram trazidos por eles. O mesmo vale para as plantas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa mesma linha, falando sobre o parentesco de personagens, &#039;&#039;&#039;Tolkien deixa claro que não devemos interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência&#039;&#039;&#039; de um filho ou parente para certo personagem, pois os textos élficos e humanos que teriam sobrevivido ao longo das eras costumavam mencionar apenas os personagens mais importantes, omitindo certos aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deve-se recordar, no entanto, ao considerar os registros e as lendas do passado, que estes (em especial os feitos ou transmitidos pelos Homens) muitas vezes mencionam ou nomeiam apenas pessoas que desempenham um papel registrado nos eventos, ou que eram ancestrais diretos de tais atores principais. Portanto, não se pode concluir, apenas a partir do silêncio, quer na narrativa quer na genealogia, que determinada pessoa não tinha filhos, ou não mais do que os mencionados.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento, 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois pontos (Tolkien nunca ter sido redundante e seu silêncio não poder ser interpretado como sinônimo de ausência), por si só, já deveriam ser suficientes para evidenciar que não é só porque Tolkien não falou sobre um personagem que ele necessariamente não existia. Isto é, não é porque Tolkien nunca descreveu um Elfo como tendo pele negra que nenhum existia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, em segundo lugar, é válido mencionar que na primeira versão de seu legendário, quando O Silmarillion ainda era chamado de O Livro dos Contos Perdidos e havia uma associação direta com a Inglaterra, como eu já comentei, Tolkien chegou sim a descrever um Elfo como tendo pele negra - mais especificamente Maeglin (na época chamado de Meglin), que era filho de Aredhel (uma Elfa 75 % noldorin e 25 % vanyarin) e Eöl (um Elfo sindarin).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, o emblema de Meglin era uma Toupeira negra e ele era grande entre os que trabalhavam em pedreiras e um chefe dos que escavava em busca de minério, e muitos desses pertenciam à sua casa. Menos belo era ele do que muitos desse povo bonito, &#039;&#039;&#039;moreno&#039;&#039;&#039; e de ânimo não muito gentil, de modo que lhe tinham pouco amor [...].|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Com ela veio seu filho, Meglin, e ele foi lá recebido por Turgon como filho de sua irmã e, embora tivesse metade de sangue dos Elfos-escuros, foi tratado como um príncipe da linhagem de Fingolfin. &#039;&#039;&#039;Era moreno&#039;&#039;&#039;, mas formoso, sábio e eloquente e sagaz na conquista dos corações e mentes dos homens.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A História Contada no Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como já mencionei anteriormente, Tolkien estabeleceu que os Noldor eram todos brancos, mas Meglin, embora fosse filho da (75 %) Noldo Aredhel, também era filho do Sinda Eöl. O tom de pele dos Sindar ou de Eöl nunca foi mencionado (nem mesmo nas versões anteriores do conto), mas isso deixa a entender que Meglin teria puxado de seu pai Sinda a sua pele escura, posto que Tolkien nunca estabeleceu uma regra quanto ao tom de pele dos Elfos sindarin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, antes que alguém questione o significado de &amp;quot;moreno&amp;quot;, ressalto desde já que a palavra originalmente utilizada por Tolkien foi &amp;quot;swart&amp;quot;, conforme consta ao final do referido livro, no glossário de termos arcaicos e suas traduções para o português (A Queda de Gondolin, p. 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Now the sign of Meglin was a sable Mole, and he was great among quarrymen and a chief of the delvers after ore; and many of these belonged to his house. Less fair was he than most of this goodly folk, &#039;&#039;&#039;swart&#039;&#039;&#039; and of none too kindly mood, so that he won small love [...].|fonte=The Fall of Gondolin (The Original Tale)}}{{Citação em Bloco|trecho=With her came her son Meglin, and he was there received by Turgon as his sister-son, and though he was half of Dark-elven blood he was treated as a prince of Fingolfin’s line. &#039;&#039;&#039;He was swart&#039;&#039;&#039; but comely, wise and eloquent, and cunning to win men’s hearts and minds.|fonte=The Fall of Gondolin (The Story Told in the Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não sabe, &#039;&#039;swart&#039;&#039; (e suas variantes swarty e swarthy) é uma palavra do inglês antigo, datada dos anos 1570, que, [https://www.etymonline.com/word/swart#etymonline_v_22466 segundo o Online Etymology Dictionary], significa &amp;quot;&#039;black, being of a dark hue&#039; [...] in reference to skin color of persons&amp;quot; (&amp;quot;preto, de uma cor escura&#039; [...] em referência à cor da pele de pessoas&amp;quot;). Suas variantes swarty e swarthy significam, [https://www.etymonline.com/word/swarthy#etymonline_v_22467 também segundo o OED], &amp;quot;&#039;dark-colored, tawny,&#039; especially in reference to skin&amp;quot; (&amp;quot;&#039;de cor escura, brozeado,&#039; especialmente com relação à pele&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de curiosidade, swarthy foi a mesma palavra que Tolkien usou para descrever os Haradrim em O Senhor dos Anéis. Os Haradrim, também chamados de Sulistas (Harad = Sul), foram alguns do Homens aliados a Sauron na Guerra do Anel e todos os leitores concordam que eles eram Homens negros - tanto é que muitas pessoas que discordaram da existência de um Elfo negro na série usaram como justificativa de que não tinham problema com personagens negros em si o fato de que não se importariam se tivessem Homens Sulistas negros (em vez de Elfos negros), já que Tolkien teria descrito os Sulistas como negros nos livros (swarthy, no original).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Em A Queda de Gondolin, &#039;&#039;swart&#039;&#039; foi traduzido como o &#039;&#039;moreno&#039;&#039;. Em O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;swarthy&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;tisnados&#039;&#039;.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;It is close on ten leagues hence to the east-shore of Anduin,&#039; said Mablung, &#039;and we seldom come so far afield. But we have a new errand on this journey: we come to ambush the &#039;&#039;&#039;Men of Harad&#039;&#039;&#039;. Curse them!&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;Aye, curse the &#039;&#039;&#039;Southrons&#039;&#039;&#039;!&#039; said Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, eager to see more, went now and joined the guards. He scrambled a little way up into one of the larger of the bay-trees. For a moment he caught a glimpse of &#039;&#039;&#039;swarthy men&#039;&#039;&#039; in red running down the slope some way off with green-clad warriors leaping after them, hewing them down as they fled.|fonte=The Lord of the Rings (The Two Towers, Book IV, 4, Of Herbs and Stewed Rabbit)}}{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;São cerca de dez léguas daqui até a margem leste do Anduin,&amp;quot; disse Mablung, &amp;quot;e raramente chegamos tão longe. Mas temos uma nova missão nesta jornada: viemos emboscar os &#039;&#039;&#039;Homens de Harad&#039;&#039;&#039;. Malditos sejam!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Sim, malditos sejam os &#039;&#039;&#039;Sulistas&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, disse Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, ávido para ver mais, foi se juntar aos guardas. Engatinhou mais para cima, subindo em um dos loureiros maiores. Por um momento teve um vislumbre de &#039;&#039;&#039;homens tisnados&#039;&#039;&#039;, trajados de vermelho, que corriam encosta abaixo a certa distância dali, com guerreiros de verde que saltavam atrás deles, abatendo-os enquanto fugiam.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão sobre racismo nas obras de Tolkien é muito complexa e não vou adentrar aqui (nota-se que Tolkien diz que Meglin era &amp;quot;moreno, mas formoso&amp;quot;). Aos interessados, há excelentes vídeos no YouTube dissecando a evolução pessoal de Tolkien ao longo das décadas, feitos por pessoas que têm muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu (como, por exemplo, [https://www.youtube.com/watch?v=1j5-SPCyZz0 esse vídeo do Clube Literário Tolkieniano de Brasília]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, em O Livro dos Contos Perdidos, que Tolkien começou a escrever em 1917, quando Tolkien tinha seus 25 anos, ele associava muito a cor negra (no geral, não necessariamente associada com a cor da pele) com a ideia de maldade. O famoso &amp;quot;luz vs. escuridão&amp;quot; sendo transposto como &amp;quot;branco vs. negro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de sua vida, conforme ia amadurecendo como pessoa, Tolkien foi deixando essa perspectiva de lado e &amp;quot;corrigindo&amp;quot; seus antigos escritos, retirando essas associações quando podia e passando a utilizar a cor negra também para coisas &amp;quot;boas&amp;quot; e a cor branca também para coisas &amp;quot;ruins&amp;quot;. A título de exemplo, a bandeira de Gondor era negra e isso nunca é mencionado como significando algo ruim, e Saruman, mesmo sendo &amp;quot;o Branco&amp;quot;, se corrompeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na versão mais recente do conto da Queda de Gondolin (vide a presente no Silmarillion como publicado) essa menção a Maeglin, um Elfo vilão, como tendo pele negra foi alterada pelo autor, passando ele a descrever Maeglin como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre essa alteração no tom de pele de Maeglin, é importante salientar que, como você deve ter percebido, na versão primária do conto, quando Meglin tinha pele negro, Tolkien apenas salientou suas diferenças com os Elfos noldorin, enquanto na versão posterior do conto, quando Maeglin passou a ter pele branca, o autor acrescentou a informação de que ele &amp;quot;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto, por si só, corrobora com o já mencionado no primeiro tópico, de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos. Quando Tolkien diz que Túrin, um Homem branco, se parecia com os Elfos, ele não diz simplesmente &amp;quot;Elfos&amp;quot;, mas especifica ele como parecendo com os Elfos &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;. Quando Tolkien altera a pele de Maeglin, de negra para branca, ele acrescenta a informação de que ele se parecia com seus parentes &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizer que Maeglin se assemelhava &amp;quot;em rosto&amp;quot; com sua parentela dos Noldor (isto é, com os parentes de sua mãe) é o mesmo que dizer que ele &#039;&#039;não&#039;&#039; se assemelhava com sua parentela dos Sindar (isto é, com os parentes de seu pai). E nem se diga aqui que, quando disse &amp;quot;em rosto&amp;quot;, Tolkien estava se referindo aos olhos de Maeglin, pois os Noldor foram descritos especificamente como tendo olhos cinzas, enquanto Maeglin é decrito nessa passagem como tendo olhos escuros (embora &amp;quot;luzentes e agudos&amp;quot; como os olhos dos Noldor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os olhos de Maeglin não tinham a mesma cor dos olhos dos Noldor, o que mais poderia significar dizer que ele, &amp;quot;em rosto&amp;quot;, se assemalhava aos seus parentes noldorin? Ao meu ver, a única opção que sobra é a cor de sua pele, evidenciando que somente os noldor eram notórios por serem brancos e dando a entender que, se Eöl, o pai de Maeglin, não fosse negro, ao menos o seu povo, os Sindar, tinham membros negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, ainda que a cor da pele de Maeglin tenha sido alterada na versão posterior do conto, de modo que, a partir desse momento, passamos a não ter nenhum Elfo descrito por Tolkien como tendo pele negra, fato é que a versão antiga trazer ele como um Elfo negro é prova de que, para Tolkien, Elfos de pele negra eram plausíveis e existiam em seu universo, não sendo isso um problema para as leis estabelecidas pelo autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, com relação ao fato de Tolkien supostamente nunca ter descrito um Elfo como sendo negro, nós temos que considerar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ausência de prova não é prova de ausência, de modo que Tolkien nunca ter descrito um Elfo como tendo pele negra é diferente de ele ter dito que Elfos de pele negra não existiam;&lt;br /&gt;
# Tolkien chegou a descrever alguns poucos Elfos como tendo pele branca e, se todos os Elfos fossem brancos, essas passagens automaticamente se tornariam redundantes (algo que Tolkien nunca foi);&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que todas essas histórias se tratavam de &amp;quot;documentos históricos&amp;quot;, de modo que, se um personagem não aparecia nessas histórias, isso não significava que ele não existia, de modo que a gente não deveria interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência;&lt;br /&gt;
# Tolkien já descreveu sim um Elfo como tendo pele negra em seu legendário, mais especificamente Meglin, no conto original da Queda de Gondolin, evidenciando que isso não era um problema;&lt;br /&gt;
# quando Tolkien alterou a pele de Meglin de negra para branca, ele acrescentou a informação de que ele era semelhante &amp;quot;em rosto&amp;quot; aos seus parentes Noldor, o que só pode significar seu tom de pele já que seus olhos eram negros e os Noldor tinham olhos cinzas, o que ressalta o ponto anterior de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Da síntese e conclusão ==&lt;br /&gt;
Em síntese,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# apenas os Elfos noldorin foram especificados por J.R.R. Tolkien como tendo pele clara, de modo que essa questão foi deixada em aberto com relação aos outros dois clãs élficos (Vanyar e Teleri);&lt;br /&gt;
# sempre que um personagem branco é comparado aos Elfos, ele é comparado especificamente com os Noldor, o que ressalta a ideia de que apenas os Noldor eram notórios por serem brancos;&lt;br /&gt;
# Tolkien deixou claro que a Terra-média não representa a Europa nórdica nem setentrional, seja geográfica ou espiritualmente;&lt;br /&gt;
# não se sabe ao certo o significado original de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, bem como essa palavra adquiriu a atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas apenas em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, conforme o próprio Tolkien deixou claro em seu ensaio &amp;quot;Sobre Estórias de Fadas&amp;quot;, não sendo possível precisar se realmente seria relacionado à ideia de &amp;quot;branco&amp;quot;, como por alguns sustentado;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que &#039;&#039;Elfos&#039;&#039; não era equivalente a &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; (termo utilizado naquele mundo para se referenciar aos Elfos), tendo &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; sido a palavra inglesa mais próxima que ele conseguiu encontrar;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que se arrependeu de usar Elfo como tradução de Quendi, uma vez que, segundo ele, ela estava viciada por outros significados na cultura popular, que não guardavam relação com o seu universo, já que seus Quendi tinham pouca relação com os Elfos e Fadas da Europa;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que o seu silêncio não pode ser interpretado como sinônimo de inexistência, conforme por ele mesmo dito com relação às árvores genealógicas de seu universo;&lt;br /&gt;
# em O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien chegou a citar um Elfo como tendo pele negra, sendo que, mesmo que essa descrição tenha sido deixada de lado mais tarde, isso prova que Elfos negros não eram um problema para as regras de seu universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fica evidente que o único possível desrespeito com relação ao &amp;quot;cânone&amp;quot; estabelecido por J.R.R. Tolkien seria com relação aos Elfos com sangue 100 % noldorin, que o autor especificou como tendo pele clara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a todos os outros grupos dos Elfos (que eram vários e descendiam dos clãs vanyarin e telerin), ou quanto aos Elfos que não tinham sangue 100 % noldorin, não foi estabelecido nenhuma regra, sendo possível que tivessem diferentes tons de pele, como o próprio Maeglin, que era apenas 37,5 % noldorin e no início tinha pele escura, provavelmente herdada de seu pai sinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1125</id>
		<title>Elfos Negros na Terra-média</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1125"/>
		<updated>2025-06-27T00:24:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Desambiguação (entre dois)|Elfos de pele negra|os Elfos Escuros|[[Moriquendi]]}}&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] em 2022 (atualizado por último em 14/03/2024).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão quanto à presença ou não de Elfos de pele negra no legendário da [[Terra-média]] não é recente e existe desde o século passado. Todavia, em razão do grande peso que essa discussão tomou desde a divulgação das primeiras imagens da nova série [[O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder]], nas quais havia sido confirmado que teríamos um ator de pele negra interpretando um Elfo - no caso, [[Ismael Cruz Córdova]], que interpretaria o Elfo [[Arondir]] -, eu resolvi fazer um vídeo analisando a fundo tudo o que [[J.R.R. Tolkien]] de fato já havia falado sobre a aparência dos [[Elfos]] de seu universo, em especial o seu tom de pele, sob o ponto de vista tanto de livros &amp;quot;canônicos&amp;quot; (i.e., O Hobbit e O Senhor dos Anéis) quanto de livros &amp;quot;não-canônicos&amp;quot; (i.e., aqueles livros que não foram finalizados em vida e acabaram sendo publicados postumamente com organização, edição e comentários de outras pessoas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vídeo em questão foi publicado no meu canal, [https://www.youtube.com/@ProjetoTolkien Projeto Tolkien], em 07/03/2022 (você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=sJwg-u-GBR0 aqui]), mas, depois de ver os incontáveis comentários que foram feitos nele, eu me dei conta de que aquele vídeo acabou ficando bastante desfocado, posto que, embora a temática central dele era a cor da pele dos Elfos da Terra-média, eu também adentrei em questões que não tinham qualquer relação com isso, como barba, cor e tamanho dos cabelos, cor dos olhos, etc., e, inclusive, no dilema sobre quais livros seriam ou não &amp;quot;canônicos&amp;quot; no legendário da [[Terra-média]] - discussão essa que influencia essas outras questões, mas não o tom de pele em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso tudo, inevitavelmente, deixou certos pontos que eu fiz sobre o tom de pele dos Elfos da Terra-média ambíguos e confusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi por esse motivo que eu resolvi fazer um novo levantamento, muito mais detalhado e aprofundado, para sintetizar melhor essa discussão, centralizando ele &#039;&#039;exclusivamente&#039;&#039; no tom de pele dos Elfos da Terra-média e deixando essas outras discussões a respeito de sua aparência de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 1:&#039;&#039;&#039; Todas as citações mencionadas neste artigo foram retiradas das edições Kindle (e-book) dos livros publicados pela [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 2:&#039;&#039;&#039; Uma versão bem semelhante, mas anterior, desse levantamento foi publicada em formato de vídeo no meu canal em 02/04/2023. O vídeo está um pouco desatualizado, mas, enquanto eu não gravo outro, você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=e8CFWuj_TJo aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
Antes de adentrarmos no levantamento em si, eu acredito ser de suma importante ressaltar um ponto muito importante: &#039;&#039;&#039;J.R.R. Tolkien, o autor de livros como O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou então que Elfos pretos não existiam.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo isso em mente, você pode se perguntar: &amp;quot;ué, mas se Tolkien nunca falou isso, então por que estamos tendo essa discussão?&amp;quot; E, tentando simplificar uma resposta que certamente poderia render um vídeo só eu, eu diria: &amp;quot;por causa da preconcepção popular, muitas vezes fundamentada, ainda que inconscientemente, em argumentos racistas e/ou eurocêntricos.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o [[wikipedia:Amazon_MGM_Studios|Amazon Studios]] divulgou a primeira imagem de [[Arondir]], um Elfo &#039;&#039;original&#039;&#039; criado para a nova série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que seria interpretado por [[Ismael Cruz Córdova]], um ator preto, começaram a chover comentários internet afora alegando que a empresa estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de J.R.R. Tolkien em prol de uma cultura &amp;quot;woke&amp;quot; e &amp;quot;lacradora&amp;quot; ao colocar atores pretos para interpretar personagens que eram brancos nos livros. Comentários iniciais esses que eram sempre baseados em puro racismo e/ou em um total desconhecimento das obras originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por mais que Arondir era um Elfo original criado para a série - ou seja, não é como se tivessem pegado um Elfo branco dos livros e mudado a cor de sua pele na série -, o argumento dessas pessoas era o de que, embora Arondir fosse um Elfo original, o simples fato de que ele era um Elfo exigiria que ele fosse interpretado por um ator branco, já que, &#039;&#039;segundo essas pessoas&#039;&#039;, &amp;quot;todo mundo&amp;quot; sabia que os Elfos da Terra-média seriam brancos e a empresa estaria tentando deturpar a obra original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu disse mais atrás, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, nunca disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou mesmo que Elfos pretos não existiam. Porém, simplesmente dizer para essas pessoas que não há nos livros qualquer menção aos Elfos serem todos brancos não foi o suficiente. Mesmo com pessoas como eu e vários outros leitores dos livros insistentemente dizendo que não havia qualquer fala de Tolkien nesse sentido, seja nos próprios livros, seja em suas cartas, essas pessoas insistiam em forçar essa interpretação claramente deturpada dos livros e das intenções do autor para justificarem que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o mais engraçado é que, quanto mais se provava que esses argumentos eram falso, mais argumentos iam aparecendo. Essas pessoas davam um argumento - a gente rebatia. Elas arrumavam outro argumento - a gente rebatia. Arrumavam outro argumento - a gente rebatia. E assim sucessivamente por vários &amp;quot;argumentos&amp;quot; e, por incrível que pareça, anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sinceramente não sei o que essas pessoas ganhariam com isso, mas muitas delas, seja lá por qual motivo, tomaram como o grande objetivo de sua vida &amp;quot;provarem&amp;quot; a todo custo que não havia pessoas pretas nas lendas da Terra-média. Não tem nada que justifique essa busca incansável por um novo argumento, a não ser essas pessoas realmente terem colocado como um objetivo crucial em suas vidas provar que pessoas pretas não existiam na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou melhor, só para me corrigir, &amp;quot;que não existiam pessoas pretas &#039;&#039;salvo os Haradrim&#039;&#039;&amp;quot;, os vilões de O Senhor dos Anéis, posto que eu vi muitas dessas pessoas falando que o problema não era a série ter atores pretos, já que se fossem personagens Haradrim não teria problema nenhum. Para essas pessoas, o problema está nos Elfos - os &amp;quot;mocinhos&amp;quot; - serem interpretados por atores negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, esse é o motivo deste levantamento ter sido criado. Já que simplesmente dizer para essas pessoas obcecadas pela cor da pele das pessoas que Tolkien nunca falou um A nesse sentido não foi o suficiente, eu decidi tentar refutar, um a um, todos os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu encontrei internet afora que (supostamente) comprovariam que Elfos negros não existiam no legendário da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sei que essas pessoas em especial, que, como eu disse, aparentam ter colocado com um objetivo de suas vidas provar que Elfos pretos não existiam na Terra-média, não serão convencidas por esse vídeo aqui. Eu posso refutar todos os argumentos aqui que elas ainda irão arrumar um novo argumentam - ou então dizer que o próprio Tolkien estava errado, como eu já vi uma pessoa fazer em um vídeo meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intenção desse vídeo é, por outro lado, tentar trazer um pouco de luz pra essa discussão, já que, infelizmente, eu vi muita gente, por assim dizer, &amp;quot;inocente&amp;quot;, sendo levada a acreditar que Elfos de pele negra realmente não existiam na Terra-média e inclusive a criticar Tolkien e chamá-lo de racista por ter dito que não havia Elfos pretos na Terra-média, sendo que na realidade ele nunca fez isso. E, para além dessas críticas infundadas feitas a Tolkien, eu também vi gente, por assim dizer, usando os argumentos &amp;quot;errados&amp;quot; para defender a presença de Elfos negros na série, indiretamente dando força para esses comentários racistas de quem insiste em dizer que Elfos pretos não existem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só para dar um exemplo, o Load, que é um cara incrível e que eu inclusive acompanho nas redes sociais e esporadicamente no YouTube, disse que, ainda que Elfos pretos não existissem, fato é que Elfos como um todo não existem, de modo que qualquer representação seria válida. Outros comentários semelhantes feitos por outras pessoas diziam que, ainda que Elfos pretos não existissem, o mundo de hoje é outro e a representatividade é importante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu concordo com o Load que Elfos como um todo não existem no mundo real? Sem dúvida! Eu concordo com essas pessoas que a representatividade é importanto? Sem dúvida também. A questão maior aqui é que a gente não precisar ir tão longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais que eu concorde com essas falas, a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;Elfos não existem&amp;quot;, assim como a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;representatividade é importante&amp;quot;. A gente deve colocar Elfos de pele negra na série porque Elfos de pele negra existiam sim nos livros. E eu acho que é nesse argumento que a gente deve focar mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comentários como o do Load ou dessas outras pessoas, por mais verdadeiros e importantes que sejam, dão a falsa impressão que os Elfos pretos realmente não existiam na Terra-média - o que, indiretamente, acaba dando mais força para essas pessoas que vem com esse falso argumento de que a série estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, como eu disse, a minha maior intenção com esse artigo não é tentar mudar a opinião de quem colocou como objetivo de vida provar que Elfos pretos não existiam. A minha intenção é trazer um pouco mais de luz para esse assunto, focando principalmente nessas outras pessoas que, quer elas concordem ou discordem com a presença de um Elfo negro na série, foram levadas a acreditar nessa falácia de que eles não existem nos livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que, infelizmente, aqui a gente adentra na tal da &amp;quot;[https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Brandolini Lei de Bradolini]&amp;quot;, que diz que a quantidade de energia necessária para refutar uma idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. Afinal, uma pessoa gasta 5 minutos pra dizer algo como &amp;quot;não havia Elfos negros na Terra-média porque ela representava a Europa Nórdica&amp;quot; e nada mais, enquanto eu gasto literalmente meses fazendo pesquisas, indo atrás de citações e escrevendo textos com dezenas de páginas e gravando vídeos de mais de meia hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, por mais que uma pessoa que traz um argumento raso como esse tem um alcance muito mais que um artigo de 30 páginas ou um vídeo de mais de meia hora, eu não acho que eu deveria simplesmente ficar quieto. Ainda mais quando eu vejo pessoas incríveis e do bem sendo levadas a acreditar em informações falsas por falta de alguém fazendo um contraponto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já dizia Tolkien, &amp;quot;não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual)&amp;quot; (Árvore e Folha; Sobre Estórias de Fadas). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, só pra reforçar, esse artigo não abordará a importância da representatividade no entretenimento porque 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica evidentemente não se importam com isso, de modo que abordar esse assunto seria inútil, 2) eu não tenho propriedade para falar sobre o assunto, e 3) essa discussão não é necessária para comprovar que Elfos negros existiam sim na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, e sem maiores delongas, abaixo eu trarei cada um dos &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu mais encontrei internet afora e, em seguida, a minha explicação do porquê de esse argumento não fazer qualquer sentido. Tudo, é claro, sempre fundamentado com citações diretas de J.R.R. Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rebatendo argumentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Em O Senhor dos Anéis Tolkien deixou claro que os Elfos de seu universo ‘eram belos, de pele clara e de olhos cinzentos’.” ===&lt;br /&gt;
Não é bem assim. De fato há essa menção em [[O Senhor dos Anéis]], mas trata-se de uma frase tirada de contexto, conforme já extensivamente explicado por [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e seu &amp;quot;executor literário&amp;quot;) em [[O Livro dos Contos Perdidos 1]], o 1.º volume da coleção [[A História da Terra-média]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em O Senhor dos Anéis, nós temos o seguinte trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, e Eldar, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal e ali chegaram no começo dos Dias (exceto apenas pelos Sindar). [...] Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, apesar de terem as madeixas escuras, exceto na casa dourada de Finarfin;&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em O Livro dos Contos Perdidos 1, Christopher nos traz a versão completa do rascunho de seu pai para esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em um rascunho do parágrafo final do Apêndice F de O Senhor dos Anéis, ele [Tolkien] escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes (não neste livro) tenho usado “Gnomos” por Noldor e “gnômico” por noldorin. Fiz isso porque [...], para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais. Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora abandonei essa representação por demasiado enganosa. Pois os Noldor pertenciam a uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, que agora se foram. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, e suas madeixas eram escuras, exceto na casa dourada de Finrod […].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No último parágrafo do Apêndice F, conforme publicado, a referência aos “Gnomos” foi removida, e substituída por um trecho explicando o uso da palavra Elves [Elfos] como tradução de Quendi e Eldar. […] Portanto, &#039;&#039;&#039;essas palavras que descrevem características do rosto e dos cabelos foram escritas, na verdade, apenas sobre os Noldor, e não sobre todos os Eldar&#039;&#039;&#039;: de fato os Vanyar tinham cabelos dourados, e foi da mãe vanyarin de Finarfin, Indis, que ele e seus filhos Finrod Felagund e Galadriel herdaram os cabelos dourados que os distinguiam entre os príncipes dos Noldor. Mas sou incapaz de determinar como essa extraordinária corrupção do sentido surgiu.&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; O nome Finrod no trecho ao final do Apêndice F está incorreto: Finarfin era Finrod e Finrod era Inglor até a segunda edição de O Senhor dos Anéis, e, na ocasião, a alteração não foi feita.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como mencionado por Christopher, essa deturpação do sentido, oriunda da omissão de parte do texto de seu pai, foi corrigida na segunda edição de O Senhor dos Anéis, a partir da qual essa frase conta com uma nota de rodapé na qual é ressaltado tratar-se de uma descrição exclusiva para os [[Noldor]] (um dos três clãs élficos)&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;Apesar de terem despertado todos no mesmo local, ao longo das eras os Elfos se dividiram em diversos grupos e etnias (assim como os próprios Homens também se dividiram em vários grupos e etnias após seu primeiro despertar), mas seus três principais clãs eram os Vanyar, os Noldor e os Teleri. Destes, os Teleri foram os que mais se subdividiram em outros grupos e é deles que vêm os Sindar (os Elfos-cinzentos).&amp;lt;/ref&amp;gt;, e não para os Elfos como um todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt; Estas palavras que descrevem caracteres de rosto e cabelos aplicavam-se, de fato, apenas aos Noldor. [N. E.]|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, considerando que a segunda edição de O Senhor dos Anéis foi publicada ainda em 1966, alguém querer se utilizar desse trecho para justificar que todos os Elfos do legendário da Terra-média seriam brancos me parece, no mínimo, ingênuo ou mal-intencionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, se eu tivesse de apostar, eu diria que quem usa esse trecho é só mal-intencionado mesmo, já que é regra dentre esse tipo de pessoa usar argumentos soltos, sem qualquer base em citações diretas, ou, quando por algum milagre embasam suas opiniões com citações diretas, são sempre com trechos retirados totalmente de contexto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, é válido ressaltar aqui que, nas poucas vezes que J.R.R. Tolkien cita um Elfo como tendo pele clara, ele o faz com um Noldo (singular de Noldor), e, nas poucas vezes que outros personagens são descritos como brancos e comparados com os Elfos, eles são sempre comparados especificamente com os Elfos do clã noldorin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Túrin]], filho de [[Húrin]], é comparado nos livros, mais de uma vez, com os Elfos, sendo ele descrito como um Homem branco, sendo que, no entanto, essa comparação é feita especificamente com os Noldor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nos tempos que se seguiram, Túrin cresceu muito nos favores de Orodreth, e quase todos os corações se voltaram para ele em Nargothrond. Pois era jovem e só então alcançara a plenitude da idade viril; e era, em verdade, o filho de Morwen Eledhwen em seu aspecto: &#039;&#039;&#039;de cabelos escuros e pele clara, com olhos cinzentos&#039;&#039;&#039;, e um rosto mais belo do que quaisquer outros entre Homens mortais, nos Dias Antigos. Seu falar e porte eram aqueles do antigo reino de Doriath, e, &#039;&#039;&#039;mesmo em meio aos Elfos, podia ser tomado por um dos das grandes casas dos Noldor&#039;&#039;&#039;; portanto, muitos o chamavam de Adanedhel, o Homem-Elfo.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 21. De Túrin Turambar) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que Túrin tinha (i) cabelos escuros, (ii) pele clara e (iii) olhos cinzentos, que eram exatamente as três características físicas que Tolkien descreveu os Noldor como possuindo no já citado Apêndice F de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro exemplo seria o Elfo [[Maeglin]], filho de [[Aredhel]], que também é descrito como possuindo pele branca, sendo ele estritamente comparado aos Noldor (apesar de ter sangue noldorin por parte de mãe, Maeglin era considerado um Sinda, isto é, um Elfo-cinzento):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Falarei mais sobre Maeglin mais para frente, pois há outras questões a serem abordadas sobre ele.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os (poucos) Elfos que são descritos nos livros como tendo pele clara tinham, no todo ou em parte, sangue noldorin, e todos personagens que são descritos como brancos e que são comparados aos Elfos, são comparados justamente com os Noldor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis (quando contextualizada com a passagem de O Livro dos Contos Perdidos 1) evidencia que não só não há qualquer indicativo de que todos os Elfos fossem brancos, como os vários comparativos de personagens brancos com Elfos noldorin apenas reforça a informação do rascunho original, de que somente os Elfos noldorin tinham essa distinção na aparência em seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A Terra-média representa a Europa nórdica e, por isso, não havia personagens negros.” ===&lt;br /&gt;
Um outro argumento que eu constantemente vejo por aí é o de que a Terra-média representaria a Europa “nórdica” e que, por isso, não teria como haver personagens negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, estudos evidenciam que havia sim pessoas pretas na Europa setentrional, por diferentes razões, mas eu não vou adentrar nessa questão pelo mesmo motivo pelo qual não adentrarei na questão da importância da representatividade: 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica não se importam com isso, posto que possuem uma visão já há muito tempo arraigada sobre a Europa e não serei eu quem fará essas pessoas entenderem um pouco mais de história (até porque eu não tenho propriedade para isso), e 2) essa discussão quanto à presença ou não de pessoas pretas na Europa setentrional não é necessária para comprovar que Elfos pretos podiam sim ter existido na Terra-média. Ou seja, ainda que realmente houvesse zero pessoas pretas na Europa setentrional, como alguns sustentam, isso ainda não mudaria nada para a realidade da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, se você realmente se considera um fã de J.R.R. Tolkien e suas obras, eu sugiro que você pare de se utilizar da palavra “nórdica” para se referenciar ao norte da Europa e/ou os povos dessa região, pois Tolkien deixou claro diversas vezes que possuía total aversão a essa palavra, posto que, segundo ele mesmo, essa palavra, &amp;quot;nórdico(a)&amp;quot;, estava associada a doutrinas racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em breve síntese, Tolkien odiava o termo “nordic” (&amp;quot;nórdico&amp;quot;) e, para ele, nós deveríamos utilizarmo-nos do termo “northern” (“setentrional”) para nos referenciarmos ao norte da Europa e &amp;quot;germanic&amp;quot; (&amp;quot;ermânico&amp;quot;) para nos referenciarmos aos povos que viviam nessas regiões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a especificamente o idioma nórdico, o termo original em inglês é &amp;quot;Norse&amp;quot;, sendo que uma dubiedade pode surgir para nós brasileiros pelo fato de que tanto &amp;quot;nordic&amp;quot; quanto &amp;quot;Norse&amp;quot; são traduzidos por aqui como &amp;quot;nórdico&amp;quot;. E, como não temos uma alternativa para a tradução do idioma &amp;quot;Norse&amp;quot;, eu sugiro, em respeito a J.R.R. Tolkien, que você faça o uso do termo &amp;quot;setentrional&amp;quot; para se referenciar à região em si, &amp;quot;germânico&amp;quot; para os povos, e &amp;quot;nórdico&amp;quot; exclusivamente para o idioma - ou, se preferir, &amp;quot;idioma nórdico&amp;quot; pra deixar bem clara essa distinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns breves exemplos nos quais Tolkien fala sobre essa sua aversão pela palavra “nordic” vêm das Cartas n.º 29 e 45 do livro [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], nas quais ele critica o nazismo por se apropriar, perverter e arruinar a essência “setentrional” em favor de doutrinas raciais não-científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e &#039;&#039;&#039;lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Alemão, &amp;quot;confirmação&amp;quot;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29) - Grifou-se.}}{{Citação em Bloco|trecho=Passei a maior parte da minha vida, desde que eu tinha sua idade, estudando assuntos germânicos (no sentido geral que inclui a Inglaterra e a Escandinávia). [...] Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal. [...] &#039;&#039;&#039;suponho que sei melhor do que a maioria das pessoas qual é a verdade sobre esse absurdo “nórdico”&#039;&#039;&#039;. De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular [...] contra aquele maldito tampinha ignorante chamado &#039;&#039;&#039;Adolf Hitler [...] que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional&#039;&#039;&#039;, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, muito embora seja comum ouvirmos a história de que o plano de J.R.R. Tolkien era o de criar uma mitologia para a [[Inglaterra]], de modo que seu legendário se passaria em uma Europa setentrional, a questão não é tão simples quanto parece e, mais uma vez, quem fala isso está claramente tirando muita coisa de contexto pra tentar dar uma maior ar de credibilidade pras suas visões deturpadas de mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso só era verdade para [[O Livro dos Contos Perdidos]], escrito por Tolkien entre os anos 1917 e 1920, que é a primeira versão do que muito mais tarde viria a ser [[O Silmarillion]] como o conhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, quando Tolkien deu o pontapé inicial ao seu legendário, sua intenção era sim a de criar uma espécie de &amp;quot;mito de criação&amp;quot; da Inglaterra, e isso fica evidente em diversas cartas social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[CITAÇÃO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão disso, em O Livro dos Contos Perdidos (1917-20), a relação das lendas e das terras com a Inglaterra era clara e direta, sendo que a palavra &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; é citada 71 vezes nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, usar desse argumento é, como essas pessoas adoram fazer, tirar todo o contexto por trás dele, já que, ao longo dos anos, conforme seu legendário foi evoluindo, essa relação foi deixada totalmente de lado pelo autor, com o &amp;quot;legendário&amp;quot; perdendo esse seu caráter de ser um &amp;quot;mito de criação&amp;quot; pra Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E um exemplo disso é simples: n&#039;O Livro dos Contos Perdidos, a Inglaterra era literalmente representada por uma ilha chamada Tol Eressëa, a Ilha Solitária. A ideia era a de que Tol Eressëa fosse a Inglaterra num passado longínquo, e que a cidade de Kortirion fosse Warwick, uma cidade da Inglaterra, também num passado longínquo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simplificando, a Inglaterra seria, em origem, um reino élfico, sendo que, mais tarde, depois que os Elfos feneceram, ela passou a ser um reino humano, com apenas alguns poucos ainda relembrando as antigas lendas élficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, isso foi posteriormente abandonado por Tolkien, tanto é que Tol Eressëa e Kortirion continuam existindo nas versões posteriores do legendário - com Kortirion apenas mudando seu nome para apenas Tirion - sendo que, na versão posterior da história, eles dois foram literalmente removidos do planeta durante a Queda de Númenor e passar a literalmente flutuar no espaço, acessíveis somente através da Rota Reta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, pra quem fala que o legendário era para ser um mito de criação para a Terra-média, ou para quem fala que Tolkien abandonou essa ideia, mas o legendário continuou sendo &amp;quot;espiritualmente&amp;quot; um mito de criação para a Terra-média, a tal da &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; virou literalmente uma ilha que tá flutuando no espaço, fora do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isso não é prova o suficiente de que Tolkien abandonou esse conceito de o legendário ser um mito de criação pra Inglatera, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso, fato é que o próprio Tolkien deixou claro ainda em vida, 50 anos depois de escrever O Livro dos Contos Perdidos, que isso não era mais aplicável à sua mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que parte de suas inspirações são derivadas de mitos europeus, mas, em uma carta escrita por J.R.R. Tolkien em 08/02/1967, apenas seis anos antes de falecer, na qual ele traz alguns comentários pontuais sobre uma entrevista feita com Charlotte e Denis Plimmer, &#039;&#039;&#039;ele deixa claro que a Terra-média não representava a Europa nórdica (nem setentrional), seja geograficamente ou &amp;quot;espiritualmente&amp;quot;, e que essa não era a sua intenção.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que &#039;&#039;&#039;mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”&#039;&#039;&#039;. Esta é uma palavra antiga, não inventada por mim, como a consulta a um dicionário como o Shorter Oxford mostrará. Significava as terras habitáveis de nosso mundo, situadas no meio do Oceano circundante. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol. Uma simples leitura das sinopses deveria deixar claro que isso não é verdadeiro para minha história. O Norte era a sede das fortalezas do Diabo. O progresso da história termina no que é muito mais parecido com o restabelecimento de um Sacro Império Romano efetivo com sua sede em Roma do que qualquer coisa que seria planejada por um “nórdico”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294) - Grifou-se.}}E, ainda que a Terra-média representasse a &amp;quot;Europa nórdica&amp;quot; como muitos alegam (o que, ressalto, ela não representava), dizer que isso significaria que não existem personagem negros nem sequer faz sentido lógico, pois há diversos personagens humanos que Tolkien descreve como sendo negros (como alguns dos Haradrim). Até mesmo Tom Bombadil é descrito como tendo uma pele &amp;quot;marrom&amp;quot; (que não é negra, mas definitivamente também não é &amp;quot;branca&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que essa seletividade? Uma mitologia (supostamente) &amp;quot;europeia&amp;quot; não pode ter Elfos negros, mas pode ter Homens negros? Qual é a lógica disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A etimologia de ‘Elfo’ infere a ideia de ‘branco’.” ===&lt;br /&gt;
Muito também se tem falado de que a palavra “Elfo” (no original, &#039;&#039;Elf&#039;&#039;) tem origem nos antigos mitos e folclores germânicos e nórdicos e que ela estava intimamente associada à ideia de branco, sendo que o radical nórdico de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, no caso &#039;&#039;alv&#039;&#039;, seria o mesmo radical de palavras como “alpes” ou “albino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, a etimologia de &#039;&#039;Elf&#039;&#039; não é tão simples assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o [https://www.etymonline.com/word/elf#etymonline_v_5730 Online Etymology Dictionary], é &#039;&#039;sugerido&#039;&#039; que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; tenha origem no &#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico, que também teria dado origem a palavras posteriores como o &#039;&#039;alp&#039;&#039; alemão (de onde vem, por exemplo, alpes e albino), mas é importante lembrar o que significa esse * no início de &#039;&#039;albiz&#039;&#039;: essa palavra nunca foi encontrada em qualquer registro escrito e é uma invenção posterior para tentar justificar a relação entre palavras distintas mas semelhantes. Ou seja, não sabemos de fato se &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente têm um antepassado em comum, pois nunca foi encontrado nenhum registro fático nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, ainda que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente tivessem uma mesma origem etimológica (do que, ressalto, não temos prova), isso não implica dizer que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; em si tenha ligação com a cor branca, posto que &amp;quot;Elf&amp;quot; &#039;&#039;precederia&#039;&#039; ao &#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039;alp&#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039; alemão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse&#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico teria originado o &#039;&#039;ylfe&#039;&#039; (saxão ocidental), &#039;&#039;ælf&#039;&#039; (nortúmbrio) e &#039;&#039;elf&#039;&#039; (merciano, kentico) do inglês antigo que significavam algo como &#039;&#039;sprite&#039;&#039;, &#039;&#039;fairy&#039;&#039;, &#039;&#039;goblin&#039;&#039; e &#039;&#039;incubus&#039;&#039;, sendo que todas essas palavras, nos anos 1550, eram usadas figurativamente para representar uma &amp;quot;pessoa malvada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos uma palavra portuguesa que tenha derivado diretamente de &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;sprite&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, mas ela pode ser traduzida basicamente como “espírito”, já que a própria etimologia de “sprite” sugere que ela tenha vindo do latim “spiritus” que, obviamente, também deu origem à palavra “espírito”. Já &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;goblin&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; significava basicamente “um demônio, um íncubo, uma fada feia e malvada ou um espírito”, e aqui a gente já começa a ver muita repetição nas definições dessas palavras. &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Incubus&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, por sua vez, significava basicamente “um demônio ou ser imaginário que causava pesadelos”. Quanto a &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;fairy&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, ela nada mais é do que “fada”, palavra essa que mais se repete na etimologia de todas as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a gente vê que, ao menos originalmente, antes da difusão na cultura popular, Elfo, Fada, Espírito, Gobelim e Íncubo significavam mais ou menos a mesma coisa, sendo que o termo “fairy” (“fada”) é o que mais se repete na etimologia de todas essas palavras. Aliás, o próprio Tolkien diversas vezes usa Elfo e Fada indiscriminadamente, dizendo que eles eram termos mais ou menos equivalentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o Century Dictionary, Elfo e Fada eram basicamente os mesmos seres, sendo apenas que Elfo era geralmente mais jovem e malvado do que uma Fada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à etimologia de Fada em si, a palavra original era, na verdade, “faerie”, que vem do francês antigo e é traduzida aqui no Brasil como Feéria, sendo que Faerie (&amp;quot;Feéria&amp;quot;) era o nome dado especificamente ao reino em que viviam criaturas sobrenaturais ou lendárias. Em outras palavras, Feéria pode ser traduzido como Terra das Fadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o decorrer do tempo, “Fairy” (não Faerie), traduzida aqui no Brasil como “Fada”, passou a ser utilizado, via de consequência, como o nome dessas criaturas sobrenaturais ou lendárias vindas de Feéria, sendo que Fada é atestado, inclusive, como um adjetivo genérico para representar seres heroicos ou lendários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Tolkien, em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas, cita essa questão da origem da palavra Fada (&amp;quot;Fairy&amp;quot;) como significando, na verdade, o reino de Feéria (&amp;quot;Faerie&amp;quot;):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Fada, como um substantivo mais ou menos equivalente a elfo, é uma palavra relativamente moderna […]. A primeira citação no Oxford Dictionary (a única antes de 1450) é significativa. É tirada do poeta Gower: &#039;&#039;&#039;“as he were a faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele fosse uma fada]. Mas isso Gower não disse. Ele escreveu &#039;&#039;&#039;“as he were of faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele tivesse vindo de Feéria].|fonte=[[Árvore e Folha]] (Sobre Estórias de Fadas) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu ensaio &amp;quot;[[Sobre Estórias de Fadas]]&amp;quot;, presente no livro [[Árvore e Folha]], o próprio Tolkien ressalta que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;precede&#039;&#039;&#039; os antigos mitos e folclores germânicos e setentrionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=O ser diminuto, elfo ou fada, é (suspeito), na Inglaterra, em grande parte, um produto sofisticado do devaneio literário.&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;Estou falando de transformações que ocorreram antes do aumento do interesse pelo folclore de outros países. As palavras inglesas, tais como elf [elfo], receberam por muito tempo a influência do francês (língua da qual derivam as palavras fay [fata, fada] e Faërie, fairy [Feéria, fada]); mas, &#039;&#039;&#039;em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, tanto fada quanto elfo adquiriram muito da atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas&#039;&#039;&#039; [...].|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]]) - Grifou-se.}}Nesse sentido, não há como se ter certeza sobre qual o significado original de palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, sendo que o próprio J.R.R. Tolkien aborda em seu ensaio as confusas possíveis origens deste termo, jamais tentando dar-lhe um significado original (apenas a relacionando à palavra Fada) e jamais fazendo qualquer menção à ideia de branco, atentando-se mais para o que define a estórias de fadas e elfos do que para o que define os elfos em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, ainda que houvesse provas de que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; estava intimamente associado à ideia de branco (o que, ressalto, não há), isso, por si só, não significaria que todos os Elfos do legendário da Terra-média eram brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto porque nós não podemos nos esquecer de que, tecnicamente falando, é equivocado chamar essas criaturas criadas por Tolkien de &amp;quot;Elfos&amp;quot;, posto que elas chamavam-se, na verdade, &amp;quot;Quendi&amp;quot;, que são uma invenção original do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Tolkien reconhecer que, embora isso fosse verdade no início, seu legendário tinha deixado de ter uma relação direta com a Inglaterra e, via de consequência, com a Europa setentrional (como vimos no tópico anterior), ele também deixou claro diversas vezes que “Elfo” foi uma palavra pré-existente que ele optou por se utilizar como &#039;&#039;tradução&#039;&#039; de Quendi, e que &#039;&#039;&#039;essas duas palavras – Quendi e Elfos – não eram equivalentes&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Só para esclarecer para quem porventura não saiba, &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; significa “Os Falantes”, e é a palavra &amp;quot;élfica&amp;quot; para se referenciar aos Elfos. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tolkien fala sobre essa questão de “Elfos” ser uma tradução não muito precisa de “Quendi”, por exemplo, lá nos Apêndices de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;&#039;&#039;Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi&#039;&#039;&#039;, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, &#039;&#039;&#039;e Eldar&#039;&#039;&#039;, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal […]. De fato, essa palavra antiga era a única disponível […]. Mas ela minguou, e a muitos pode agora sugerir fantasias delicadas ou tolas, tão diferentes dos Quendi de outrora […].|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso também fica explícito em várias cartas escritas por Tolkien, nas quais ele diz, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E, de qualquer forma, elfo, gnomo, gobelim e anão &#039;&#039;&#039;são apenas traduções aproximadas&#039;&#039;&#039; dos nomes em Élfico Antigo para seres de raças e funções não exatamente iguais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 25) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=O que você pede é O Silmarillion, que é na prática uma história dos Eldalië (&#039;&#039;&#039;ou Elfos, por uma tradução não muito precisa&#039;&#039;&#039;), de sua ascensão até a Última Aliança e a primeira derrubada temporária de Sauron [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 114) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Por trás de minhas histórias há agora um nexo de idiomas (a maioria apenas estruturalmente esboçada). Mas àquelas criaturas que &#039;&#039;&#039;em inglês chamo enganosamente de Elfos&#039;&#039;&#039; são designados dois idiomas relacionados bastante completos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Tenho dificuldade em encontrar nomes ingleses para criaturas mitológicas com outros nomes, uma vez que as pessoas não “aceitariam” uma série de nomes Élficos [como “Quendi” ou “Eldar” para os Elfos, por exemplo], e prefiro que elas aceitem minhas criaturas lendárias mesmo com as &#039;&#039;&#039;falsas associações da “tradução”&#039;&#039;&#039; do que não as aceitem de modo algum.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 156) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, sendo ainda mais específico sobre isso, há uma carta na qual Tolkien fala expressamente que seus “Elfos” (isto é, seus “Quendi”) não guardavam nenhuma relação com os Elfos da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Elfos” é uma tradução, talvez agora não muito adequada, mas originalmente boa o suficiente, de Quendi. Eles são representados como uma raça similar em aparência (e ainda mais no passado distante) aos Homens e, em dias antigos, da mesma estatura. […] Mas suponho que &#039;&#039;&#039;os Quendi nestas histórias sejam de fato muito pouco relacionados aos Elfos e Fadas da Europa&#039;&#039;&#039;; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu diria que eles representam realmente Homens com faculdades estéticas e criativas aprimoradas em grande medida, maior beleza e vida mais longa, e nobreza […].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dito isto, é importante ressaltar que, além de Tolkien ter deixado claro diversas vezes que suas criaturas não eram &amp;quot;Elfos&amp;quot; propriamente ditos, tendo usado este termo apenas como uma tradução de Quendi e Eldar, o autor também disse explicitamente em várias cartas que se arrependeu de ter se utilizado dessa palavra (“Elfo”) por acreditar que ela estava cheia de vícios que eram demais para se superar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Além disso, agora &#039;&#039;&#039;lamento profundamente ter usado Elfos&#039;&#039;&#039;, embora esta seja uma palavra em ancestralidade e significado original suficientemente adequada. A desastrosa depreciação dessa palavra […] realmente a sobrecarregou com tons lamentáveis, que são muitos para se superar. […] Minha dificuldade é de que, uma vez que tentei apresentar uma espécie de legendário e história de uma “época esquecida”, todos os termos específicos estavam em uma língua estrangeira, e &#039;&#039;&#039;não existem equivalentes precisos em inglês&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos nos esquecer de que Tolkien era um filólogo e tinha um vasto conhecimento do vocabulário e da etimologia de diversas línguas, não ficando preso ao convencionado popularmente na sua época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente por esse motivo, Tolkien deixou claro diversas vezes que se arrependeu muito de ter se utilizado não só da palavra &#039;&#039;Elfo&#039;&#039;, como também de palavras como &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, &#039;&#039;Gobelim&#039;&#039; e até &#039;&#039;Anão&#039;&#039; – todas pelo mesmo motivo de que essas palavras estavam viciadas com outros significados na cultura popular e não guardavam uma relação precisa com as criaturas de seu legendário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só pra explicar pra quem porventura não conheça, Gnomos era como Tolkien chamava os Noldor, um dos Três Clãs dos Elfos, lá nas primeiras versões de seu legendário, vide o já citado O Livro dos Contos Perdidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Gobelins significa exatamente o mesmo que Orques, sendo apenas que Gobelim era uma palavra usada mais pelos Hobbits e Orque, mais pelas outras raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, algumas citações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Às vezes (não neste livro) tenho usado &amp;quot;Gnomos&amp;quot; por Noldor e &amp;quot;gnômico&amp;quot; por noldorin. […] Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora &#039;&#039;&#039;abandonei essa representação por demasiado enganosa&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Nenhum resenhista (que eu tenha visto), embora todos tenham usado cuidadosamente a forma correta dwarfs [anões], comentou a respeito do fato (do qual me tornei consciente apenas através das resenhas) de eu usar no decorrer do livro o plural “incorreto” dwarves [anãos]. [...] Talvez seja permitido ao meu dwarf [anão] — uma vez que ele e o Gnomo3 são apenas traduções em equivalentes aproximados de criaturas com diferentes nomes e funções muito diferentes em seu próprio mundo [...]. O verdadeiro plural “histórico” de dwarf (como teeth [dentes] de tooth [dente]) é dwarrows [ananos], de qualquer modo: sem dúvida uma bela palavra, mas um tanto arcaica demais. No entanto, &#039;&#039;&#039;gostaria que eu tivesse usado a palavra dwarrow [anano]&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 17) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua preferência por gobelins a orques envolve um assunto maior e uma questão de gosto, e talvez um pedantismo histórico de minha parte. &#039;&#039;&#039;Pessoalmente prefiro Orques&#039;&#039;&#039; (uma vez que essas criaturas não são “gobelins”, nem mesmo os gobelins de George MacDonald, aos quais se assemelham de certa forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não dá para nós simplesmente jogarmos as preconcepções populares de nossa época (ou até mesmo da época de Tolkien) em cima das criaturas originalmente criadas pelo autor, pois, embora ele tenha se utilizado de nomes comuns a nós, ele deixou claro diversas vezes que esses nomes modernos foram usados apenas como &#039;&#039;traduções aproximadas&#039;&#039; dos nomes de criaturas bem diferentes e, em muitos casos, inclusive se arrependeu de ter usado esses nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a título de exemplo, a palavra &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, que, como eu comentei, era como Tolkien chamava os Noldor, não tem relação nenhuma com as criaturas folclóricas diminutas que estamos tão acostumados e que adentraram na cultura popular através de Paracelso, um escritor suíço que, no século XVI, usou &amp;quot;gnomo&amp;quot; como um sinônimo de “pigmeu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “gnomo” utilizado por Tolkien vem de uma origem muito mais antiga, mais especificamente o “gnōmē” grego, que significava algo como “pensamento” ou “inteligência”, sendo que o próprio Tolkien comenta sobre essa distinção dizendo que, embora seus Gnomos não tivessem nada a ver com os gnomos da cultura popular, sendo apenas aquele clã dos Quendi que mais se distinguiam por seu conhecimento e sua inteligência, ele acabou abandonando essa palavra ao ver que ela estava causando muita confusão desnecessária (&amp;quot;Gnomos&amp;quot; como significando os &amp;quot;Elfos noldorin&amp;quot; chegou a aparecer primeira edição de [[O Hobbit]]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Seja lá o que Paracelso tenha pensado (se é que ele realmente inventou o nome), para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é um ótimo exemplo do porquê de ser tão difícil tentarmos associar as palavras utilizadas por Tolkien, um filólogo, com a noção que nós temos dessas mesmas palavras na cultura popular (seja atualmente seja da época do próprio autor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não há como supormos que os Elfos da Terra-média eram todos brancos simplesmente com base na etimologia da palavra porque&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# a etimologia de &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; é extremamente complexa, conforme ressaltado pelo próprio J.R.R. Tolkien em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas;&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que os seus Elfos tinham pouco, se não nenhuma, relação com os Elfos da Europa, posto que &amp;quot;Elfos&amp;quot; foi usado apenas como uma tradução aproximada de “Quendi” (já que ele temia que as pessoas tivessem aversão a tantos nomes originais), ressaltando que essas duas palavras não eram equivalentes; e&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien disse que se arrependeu de ter se utilizado da palavra “Elfo” como uma tradução de Quendi, já que a cultura popular sugeria fantasias tolas, muito diferentes de suas criaturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adentrarei aqui nos possíveis significados originais de Elfos, pois entendo ser irrelevante para o objetivo deste artigo. Caso seja de seu interesse, eu adentro nessa questão no meu texto sobre os Elfos terem ou não orelhas pontudas: [[Os Elfos de Tolkien Tinham Orelhas Pontudas?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Tolkien nunca mencionou um Elfo de pele negra; se existissem, ele teria mencionado algum.” ===&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, é importante destacar aqui que Tolkien ser descritivo e Tolkien ser redundante são duas coisas totalmente diferentes. Em outras palavras, de fato J.R.R. Tolkien sempre foi muito descritivo com seus textos, em especial em se tratando na natureza de seu mundo, mas ele nunca foi redundante nessas descrições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato há alguns personagens élficos que Tolkien especifica nos livros como tendo pele clara, mas pense comigo: se todos os Elfos fossem brancos, seria necessário Tolkien ser redundante com relação a isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se supostamente já teria sido estabelecido que todos Elfos eram brancos, seja lá com base em qual argumento, qual seria a utilidade de Tolkien dizer especificamente, por exemplo, que os Noldor tinham pele clara? Ou por que Tolkien diria que Maeglin, um Elfo, era branco? Ou por que Tolkien diria que Túrin, um homem branco, podia ser confundido com um dos Noldor em vez de dizer simplesmente que ele podia ser confundido com um Elfo? Nestes três casos, o uso desses complementos por Tolkien me pareceria algo tão redundante e inútil quanto dizer &amp;quot;subir para cima&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se a gente considerar que nem todos os Elfos eram brancos, bem como que o único clã descrito como sendo branco era o clã dos Noldor, Tolkien dizer que Maeglin, um Elfo sindarin, era branco, e que Túrin, por ser branco (e ter outras características &amp;quot;élficas&amp;quot;), podia ser confundido com um dos Noldor, deixa de ser redundante e passa a ser uma descrição totalmente válida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Repito: Tolkien sempre foi muito descritivo, mas ele nunca foi redundante, e não havia utilidade nenhuma para que ele fosse redundante nessas pouquíssimas descrições de personagens élficos como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessa questão da redundância, também não podemos nos esquecer de que a ausência de prova não é prova de ausência. Até podemos dizer que nas versões posteriores de seu legendário Tolkien de fato nunca mencionou &#039;&#039;especificamente&#039;&#039; um Elfo como tendo pele negra, mas isso por si só não é capaz de implicar que eles não existiam (e quem acha que significa precisa estudar um pouco de hermenêutica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Tolkien sempre deixou claro que ele não estava criando essas histórias, mas apenas traduzindo textos por ele encontrados, que teriam sobrevivido a todas essas eras. Sua mentalidade era a de que ele não estava criando, mas sim &amp;quot;descobrindo&amp;quot; essas histórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a ilha de Númenor, por exemplo, Tolkien diz que é muito difícil precisarmos quais eram exatamente a sua cultura e os animais que viviam lá porque pouquíssimos escritos teriam sobrevivido à sua queda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Visto que todas esses assuntos eram estudados pelos homens de saber em Númenor, e muitas histórias naturais e geografias precisas devem ter sido compostas, aparentemente elas, como quase tudo o mais das artes e ciências de Númenor em seu apogeu, desapareceram na queda.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como foi dito, não é fácil descobrir quais eram os animais, aves e peixes que já habitavam a ilha antes da chegada dos Edain, e quais foram trazidos por eles. O mesmo vale para as plantas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa mesma linha, falando sobre o parentesco de personagens, &#039;&#039;&#039;Tolkien deixa claro que não devemos interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência&#039;&#039;&#039; de um filho ou parente para certo personagem, pois os textos élficos e humanos que teriam sobrevivido ao longo das eras costumavam mencionar apenas os personagens mais importantes, omitindo certos aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deve-se recordar, no entanto, ao considerar os registros e as lendas do passado, que estes (em especial os feitos ou transmitidos pelos Homens) muitas vezes mencionam ou nomeiam apenas pessoas que desempenham um papel registrado nos eventos, ou que eram ancestrais diretos de tais atores principais. Portanto, não se pode concluir, apenas a partir do silêncio, quer na narrativa quer na genealogia, que determinada pessoa não tinha filhos, ou não mais do que os mencionados.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento, 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois pontos (Tolkien nunca ter sido redundante e seu silêncio não poder ser interpretado como sinônimo de ausência), por si só, já deveriam ser suficientes para evidenciar que não é só porque Tolkien não falou sobre um personagem que ele necessariamente não existia. Isto é, não é porque Tolkien nunca descreveu um Elfo como tendo pele negra que nenhum existia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, em segundo lugar, é válido mencionar que na primeira versão de seu legendário, quando O Silmarillion ainda era chamado de O Livro dos Contos Perdidos e havia uma associação direta com a Inglaterra, como eu já comentei, Tolkien chegou sim a descrever um Elfo como tendo pele negra - mais especificamente Maeglin (na época chamado de Meglin), que era filho de Aredhel (uma Elfa 75 % noldorin e 25 % vanyarin) e Eöl (um Elfo sindarin).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, o emblema de Meglin era uma Toupeira negra e ele era grande entre os que trabalhavam em pedreiras e um chefe dos que escavava em busca de minério, e muitos desses pertenciam à sua casa. Menos belo era ele do que muitos desse povo bonito, &#039;&#039;&#039;moreno&#039;&#039;&#039; e de ânimo não muito gentil, de modo que lhe tinham pouco amor [...].|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Com ela veio seu filho, Meglin, e ele foi lá recebido por Turgon como filho de sua irmã e, embora tivesse metade de sangue dos Elfos-escuros, foi tratado como um príncipe da linhagem de Fingolfin. &#039;&#039;&#039;Era moreno&#039;&#039;&#039;, mas formoso, sábio e eloquente e sagaz na conquista dos corações e mentes dos homens.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A História Contada no Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como já mencionei anteriormente, Tolkien estabeleceu que os Noldor eram todos brancos, mas Meglin, embora fosse filho da (75 %) Noldo Aredhel, também era filho do Sinda Eöl. O tom de pele dos Sindar ou de Eöl nunca foi mencionado (nem mesmo nas versões anteriores do conto), mas isso deixa a entender que Meglin teria puxado de seu pai Sinda a sua pele escura, posto que Tolkien nunca estabeleceu uma regra quanto ao tom de pele dos Elfos sindarin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, antes que alguém questione o significado de &amp;quot;moreno&amp;quot;, ressalto desde já que a palavra originalmente utilizada por Tolkien foi &amp;quot;swart&amp;quot;, conforme consta ao final do referido livro, no glossário de termos arcaicos e suas traduções para o português (A Queda de Gondolin, p. 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Now the sign of Meglin was a sable Mole, and he was great among quarrymen and a chief of the delvers after ore; and many of these belonged to his house. Less fair was he than most of this goodly folk, &#039;&#039;&#039;swart&#039;&#039;&#039; and of none too kindly mood, so that he won small love [...].|fonte=The Fall of Gondolin (The Original Tale)}}{{Citação em Bloco|trecho=With her came her son Meglin, and he was there received by Turgon as his sister-son, and though he was half of Dark-elven blood he was treated as a prince of Fingolfin’s line. &#039;&#039;&#039;He was swart&#039;&#039;&#039; but comely, wise and eloquent, and cunning to win men’s hearts and minds.|fonte=The Fall of Gondolin (The Story Told in the Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não sabe, &#039;&#039;swart&#039;&#039; (e suas variantes swarty e swarthy) é uma palavra do inglês antigo, datada dos anos 1570, que, [https://www.etymonline.com/word/swart#etymonline_v_22466 segundo o Online Etymology Dictionary], significa &amp;quot;&#039;black, being of a dark hue&#039; [...] in reference to skin color of persons&amp;quot; (&amp;quot;preto, de uma cor escura&#039; [...] em referência à cor da pele de pessoas&amp;quot;). Suas variantes swarty e swarthy significam, [https://www.etymonline.com/word/swarthy#etymonline_v_22467 também segundo o OED], &amp;quot;&#039;dark-colored, tawny,&#039; especially in reference to skin&amp;quot; (&amp;quot;&#039;de cor escura, brozeado,&#039; especialmente com relação à pele&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de curiosidade, swarthy foi a mesma palavra que Tolkien usou para descrever os Haradrim em O Senhor dos Anéis. Os Haradrim, também chamados de Sulistas (Harad = Sul), foram alguns do Homens aliados a Sauron na Guerra do Anel e todos os leitores concordam que eles eram Homens negros - tanto é que muitas pessoas que discordaram da existência de um Elfo negro na série usaram como justificativa de que não tinham problema com personagens negros em si o fato de que não se importariam se tivessem Homens Sulistas negros (em vez de Elfos negros), já que Tolkien teria descrito os Sulistas como negros nos livros (swarthy, no original).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Em A Queda de Gondolin, &#039;&#039;swart&#039;&#039; foi traduzido como o &#039;&#039;moreno&#039;&#039;. Em O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;swarthy&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;tisnados&#039;&#039;.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;It is close on ten leagues hence to the east-shore of Anduin,&#039; said Mablung, &#039;and we seldom come so far afield. But we have a new errand on this journey: we come to ambush the &#039;&#039;&#039;Men of Harad&#039;&#039;&#039;. Curse them!&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;Aye, curse the &#039;&#039;&#039;Southrons&#039;&#039;&#039;!&#039; said Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, eager to see more, went now and joined the guards. He scrambled a little way up into one of the larger of the bay-trees. For a moment he caught a glimpse of &#039;&#039;&#039;swarthy men&#039;&#039;&#039; in red running down the slope some way off with green-clad warriors leaping after them, hewing them down as they fled.|fonte=The Lord of the Rings (The Two Towers, Book IV, 4, Of Herbs and Stewed Rabbit)}}{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;São cerca de dez léguas daqui até a margem leste do Anduin,&amp;quot; disse Mablung, &amp;quot;e raramente chegamos tão longe. Mas temos uma nova missão nesta jornada: viemos emboscar os &#039;&#039;&#039;Homens de Harad&#039;&#039;&#039;. Malditos sejam!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Sim, malditos sejam os &#039;&#039;&#039;Sulistas&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, disse Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, ávido para ver mais, foi se juntar aos guardas. Engatinhou mais para cima, subindo em um dos loureiros maiores. Por um momento teve um vislumbre de &#039;&#039;&#039;homens tisnados&#039;&#039;&#039;, trajados de vermelho, que corriam encosta abaixo a certa distância dali, com guerreiros de verde que saltavam atrás deles, abatendo-os enquanto fugiam.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão sobre racismo nas obras de Tolkien é muito complexa e não vou adentrar aqui (nota-se que Tolkien diz que Meglin era &amp;quot;moreno, mas formoso&amp;quot;). Aos interessados, há excelentes vídeos no YouTube dissecando a evolução pessoal de Tolkien ao longo das décadas, feitos por pessoas que têm muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu (como, por exemplo, [https://www.youtube.com/watch?v=1j5-SPCyZz0 esse vídeo do Clube Literário Tolkieniano de Brasília]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, em O Livro dos Contos Perdidos, que Tolkien começou a escrever em 1917, quando Tolkien tinha seus 25 anos, ele associava muito a cor negra (no geral, não necessariamente associada com a cor da pele) com a ideia de maldade. O famoso &amp;quot;luz vs. escuridão&amp;quot; sendo transposto como &amp;quot;branco vs. negro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de sua vida, conforme ia amadurecendo como pessoa, Tolkien foi deixando essa perspectiva de lado e &amp;quot;corrigindo&amp;quot; seus antigos escritos, retirando essas associações quando podia e passando a utilizar a cor negra também para coisas &amp;quot;boas&amp;quot; e a cor branca também para coisas &amp;quot;ruins&amp;quot;. A título de exemplo, a bandeira de Gondor era negra e isso nunca é mencionado como significando algo ruim, e Saruman, mesmo sendo &amp;quot;o Branco&amp;quot;, se corrompeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na versão mais recente do conto da Queda de Gondolin (vide a presente no Silmarillion como publicado) essa menção a Maeglin, um Elfo vilão, como tendo pele negra foi alterada pelo autor, passando ele a descrever Maeglin como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre essa alteração no tom de pele de Maeglin, é importante salientar que, como você deve ter percebido, na versão primária do conto, quando Meglin tinha pele negro, Tolkien apenas salientou suas diferenças com os Elfos noldorin, enquanto na versão posterior do conto, quando Maeglin passou a ter pele branca, o autor acrescentou a informação de que ele &amp;quot;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto, por si só, corrobora com o já mencionado no primeiro tópico, de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos. Quando Tolkien diz que Túrin, um Homem branco, se parecia com os Elfos, ele não diz simplesmente &amp;quot;Elfos&amp;quot;, mas especifica ele como parecendo com os Elfos &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;. Quando Tolkien altera a pele de Maeglin, de negra para branca, ele acrescenta a informação de que ele se parecia com seus parentes &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizer que Maeglin se assemelhava &amp;quot;em rosto&amp;quot; com sua parentela dos Noldor (isto é, com os parentes de sua mãe) é o mesmo que dizer que ele &#039;&#039;não&#039;&#039; se assemelhava com sua parentela dos Sindar (isto é, com os parentes de seu pai). E nem se diga aqui que, quando disse &amp;quot;em rosto&amp;quot;, Tolkien estava se referindo aos olhos de Maeglin, pois os Noldor foram descritos especificamente como tendo olhos cinzas, enquanto Maeglin é decrito nessa passagem como tendo olhos escuros (embora &amp;quot;luzentes e agudos&amp;quot; como os olhos dos Noldor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os olhos de Maeglin não tinham a mesma cor dos olhos dos Noldor, o que mais poderia significar dizer que ele, &amp;quot;em rosto&amp;quot;, se assemalhava aos seus parentes noldorin? Ao meu ver, a única opção que sobra é a cor de sua pele, evidenciando que somente os noldor eram notórios por serem brancos e dando a entender que, se Eöl, o pai de Maeglin, não fosse negro, ao menos o seu povo, os Sindar, tinham membros negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, ainda que a cor da pele de Maeglin tenha sido alterada na versão posterior do conto, de modo que, a partir desse momento, passamos a não ter nenhum Elfo descrito por Tolkien como tendo pele negra, fato é que a versão antiga trazer ele como um Elfo negro é prova de que, para Tolkien, Elfos de pele negra eram plausíveis e existiam em seu universo, não sendo isso um problema para as leis estabelecidas pelo autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, com relação ao fato de Tolkien supostamente nunca ter descrito um Elfo como sendo negro, nós temos que considerar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ausência de prova não é prova de ausência, de modo que Tolkien nunca ter descrito um Elfo como tendo pele negra é diferente de ele ter dito que Elfos de pele negra não existiam;&lt;br /&gt;
# Tolkien chegou a descrever alguns poucos Elfos como tendo pele branca e, se todos os Elfos fossem brancos, essas passagens automaticamente se tornariam redundantes (algo que Tolkien nunca foi);&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que todas essas histórias se tratavam de &amp;quot;documentos históricos&amp;quot;, de modo que, se um personagem não aparecia nessas histórias, isso não significava que ele não existia, de modo que a gente não deveria interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência;&lt;br /&gt;
# Tolkien já descreveu sim um Elfo como tendo pele negra em seu legendário, mais especificamente Meglin, no conto original da Queda de Gondolin, evidenciando que isso não era um problema;&lt;br /&gt;
# quando Tolkien alterou a pele de Meglin de negra para branca, ele acrescentou a informação de que ele era semelhante &amp;quot;em rosto&amp;quot; aos seus parentes Noldor, o que só pode significar seu tom de pele já que seus olhos eram negros e os Noldor tinham olhos cinzas, o que ressalta o ponto anterior de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Da síntese e conclusão ==&lt;br /&gt;
Em síntese,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# apenas os Elfos noldorin foram especificados por J.R.R. Tolkien como tendo pele clara, de modo que essa questão foi deixada em aberto com relação aos outros dois clãs élficos (Vanyar e Teleri);&lt;br /&gt;
# sempre que um personagem branco é comparado aos Elfos, ele é comparado especificamente com os Noldor, o que ressalta a ideia de que apenas os Noldor eram notórios por serem brancos;&lt;br /&gt;
# Tolkien deixou claro que a Terra-média não representa a Europa nórdica nem setentrional, seja geográfica ou espiritualmente;&lt;br /&gt;
# não se sabe ao certo o significado original de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, bem como essa palavra adquiriu a atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas apenas em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, conforme o próprio Tolkien deixou claro em seu ensaio &amp;quot;Sobre Estórias de Fadas&amp;quot;, não sendo possível precisar se realmente seria relacionado à ideia de &amp;quot;branco&amp;quot;, como por alguns sustentado;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que &#039;&#039;Elfos&#039;&#039; não era equivalente a &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; (termo utilizado naquele mundo para se referenciar aos Elfos), tendo &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; sido a palavra inglesa mais próxima que ele conseguiu encontrar;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que se arrependeu de usar Elfo como tradução de Quendi, uma vez que, segundo ele, ela estava viciada por outros significados na cultura popular, que não guardavam relação com o seu universo, já que seus Quendi tinham pouca relação com os Elfos e Fadas da Europa;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que o seu silêncio não pode ser interpretado como sinônimo de inexistência, conforme por ele mesmo dito com relação às árvores genealógicas de seu universo;&lt;br /&gt;
# em O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien chegou a citar um Elfo como tendo pele negra, sendo que, mesmo que essa descrição tenha sido deixada de lado mais tarde, isso prova que Elfos negros não eram um problema para as regras de seu universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fica evidente que o único possível desrespeito com relação ao &amp;quot;cânone&amp;quot; estabelecido por J.R.R. Tolkien seria com relação aos Elfos com sangue 100 % noldorin, que o autor especificou como tendo pele clara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a todos os outros grupos dos Elfos (que eram vários e descendiam dos clãs vanyarin e telerin), ou quanto aos Elfos que não tinham sangue 100 % noldorin, não foi estabelecido nenhuma regra, sendo possível que tivessem diferentes tons de pele, como o próprio Maeglin, que era apenas 37,5 % noldorin e no início tinha pele escura, provavelmente herdada de seu pai sinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1124</id>
		<title>Elfos Negros na Terra-média</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1124"/>
		<updated>2025-06-27T00:21:30Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Desambiguação (entre dois)|Elfos de pele negra|os Elfos Escuros|[[Moriquendi]]}}&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] em 2022 (atualizado por último em 14/03/2024).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão quanto à presença ou não de Elfos de pele negra no legendário da [[Terra-média]] não é recente e existe desde o século passado. Todavia, em razão do grande peso que essa discussão tomou desde a divulgação das primeiras imagens da nova série [[O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder]], nas quais havia sido confirmado que teríamos um ator de pele negra interpretando um Elfo - no caso, [[Ismael Cruz Córdova]], que interpretaria o Elfo [[Arondir]] -, eu resolvi fazer um vídeo analisando a fundo tudo o que [[J.R.R. Tolkien]] de fato já havia falado sobre a aparência dos [[Elfos]] de seu universo, em especial o seu tom de pele, sob o ponto de vista tanto de livros &amp;quot;canônicos&amp;quot; (i.e., O Hobbit e O Senhor dos Anéis) quanto de livros &amp;quot;não-canônicos&amp;quot; (i.e., aqueles livros que não foram finalizados em vida e acabaram sendo publicados postumamente com organização, edição e comentários de outras pessoas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vídeo em questão foi publicado no meu canal, [https://www.youtube.com/@ProjetoTolkien Projeto Tolkien], em 07/03/2022 (você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=sJwg-u-GBR0 aqui]), mas, depois de ver os incontáveis comentários que foram feitos nele, eu me dei conta de que aquele vídeo acabou ficando bastante desfocado, posto que, embora a temática central dele era a cor da pele dos Elfos da Terra-média, eu também adentrei em questões que não tinham qualquer relação com isso, como barba, cor e tamanho dos cabelos, cor dos olhos, etc., e, inclusive, no dilema sobre quais livros seriam ou não &amp;quot;canônicos&amp;quot; no legendário da [[Terra-média]] - discussão essa que influencia essas outras questões, mas não o tom de pele em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso tudo, inevitavelmente, deixou certos pontos que eu fiz sobre o tom de pele dos Elfos da Terra-média ambíguos e confusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi por esse motivo que eu resolvi fazer um novo levantamento, muito mais detalhado e aprofundado, para sintetizar melhor essa discussão, centralizando ele &#039;&#039;exclusivamente&#039;&#039; no tom de pele dos Elfos da Terra-média e deixando essas outras discussões a respeito de sua aparência de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 1:&#039;&#039;&#039; Todas as citações mencionadas neste artigo foram retiradas das edições Kindle (e-book) dos livros publicados pela [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Aviso 2:&#039;&#039;&#039; Uma versão bem semelhante, mas anterior, desse levantamento foi publicada em formato de vídeo no meu canal em 02/04/2023. O vídeo está um pouco desatualizado, mas, enquanto eu não gravo outro, você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=e8CFWuj_TJo aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
Antes de adentrarmos no levantamento em si, eu acredito ser de suma importante ressaltar um ponto muito importante: &#039;&#039;&#039;J.R.R. Tolkien, o autor de livros como O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou então que Elfos pretos não existiam.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo isso em mente, você pode se perguntar: &amp;quot;ué, mas se Tolkien nunca falou isso, então por que estamos tendo essa discussão?&amp;quot; E, tentando simplificar uma resposta que certamente poderia render um vídeo só eu, eu diria: &amp;quot;por causa da preconcepção popular, muitas vezes fundamentada, ainda que inconscientemente, em argumentos racistas e/ou eurocêntricos.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o [[wikipedia:Amazon_MGM_Studios|Amazon Studios]] divulgou a primeira imagem de [[Arondir]], um Elfo &#039;&#039;original&#039;&#039; criado para a nova série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que seria interpretado por [[Ismael Cruz Córdova]], um ator preto, começaram a chover comentários internet afora alegando que a empresa estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de J.R.R. Tolkien em prol de uma cultura &amp;quot;woke&amp;quot; e &amp;quot;lacradora&amp;quot; ao colocar atores pretos para interpretar personagens que eram brancos nos livros. Comentários iniciais esses que eram sempre baseados em puro racismo e/ou em um total desconhecimento das obras originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por mais que Arondir era um Elfo original criado para a série - ou seja, não é como se tivessem pegado um Elfo branco dos livros e mudado a cor de sua pele na série -, o argumento dessas pessoas era o de que, embora Arondir fosse um Elfo original, o simples fato de que ele era um Elfo exigiria que ele fosse interpretado por um ator branco, já que, &#039;&#039;segundo essas pessoas&#039;&#039;, &amp;quot;todo mundo&amp;quot; sabia que os Elfos da Terra-média seriam brancos e a empresa estaria tentando deturpar a obra original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu disse mais atrás, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, nunca disse que os Elfos de seu universo eram todos brancos ou mesmo que Elfos pretos não existiam. Porém, simplesmente dizer para essas pessoas que não há nos livros qualquer menção aos Elfos serem todos brancos não foi o suficiente. Mesmo com pessoas como eu e vários outros leitores dos livros insistentemente dizendo que não havia qualquer fala de Tolkien nesse sentido, seja nos próprios livros, seja em suas cartas, essas pessoas insistiam em forçar essa interpretação claramente deturpada dos livros e das intenções do autor para justificarem que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o mais engraçado é que, quanto mais se provava que esses argumentos eram falso, mais argumentos iam aparecendo. Essas pessoas davam um argumento - a gente rebatia. Elas arrumavam outro argumento - a gente rebatia. Arrumavam outro argumento - a gente rebatia. E assim sucessivamente por vários &amp;quot;argumentos&amp;quot; e, por incrível que pareça, anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sinceramente não sei o que essas pessoas ganhariam com isso, mas muitas delas, seja lá por qual motivo, tomaram como o grande objetivo de sua vida &amp;quot;provarem&amp;quot; a todo custo que não havia pessoas pretas nas lendas da Terra-média. Não tem nada que justifique essa busca incansável por um novo argumento, a não ser essas pessoas realmente terem colocado como um objetivo crucial em suas vidas provar que pessoas pretas não existiam na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou melhor, só para me corrigir, &amp;quot;que não existiam pessoas pretas &#039;&#039;salvo os Haradrim&#039;&#039;&amp;quot;, os vilões de O Senhor dos Anéis, posto que eu vi muitas dessas pessoas falando que o problema não era a série ter atores pretos, já que se fossem personagens Haradrim não teria problema nenhum. Para essas pessoas, o problema está nos Elfos - os &amp;quot;mocinhos&amp;quot; - serem interpretados por atores negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, esse é o motivo deste levantamento ter sido criado. Já que simplesmente dizer para essas pessoas obcecadas pela cor da pele das pessoas que Tolkien nunca falou um A nesse sentido não foi o suficiente, eu decidi tentar refutar, um a um, todos os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu encontrei internet afora que (supostamente) comprovariam que Elfos negros não existiam no legendário da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sei que essas pessoas em especial, que, como eu disse, aparentam ter colocado com um objetivo de suas vidas provar que Elfos pretos não existiam na Terra-média, não serão convencidas por esse vídeo aqui. Eu posso refutar todos os argumentos aqui que elas ainda irão arrumar um novo argumentam - ou então dizer que o próprio Tolkien estava errado, como eu já vi uma pessoa fazer em um vídeo meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intenção desse vídeo é, por outro lado, tentar trazer um pouco de luz pra essa discussão, já que, infelizmente, eu vi muita gente, por assim dizer, &amp;quot;inocente&amp;quot;, sendo levada a acreditar que Elfos de pele negra realmente não existiam na Terra-média e inclusive a criticar Tolkien e chamá-lo de racista por ter dito que não havia Elfos pretos na Terra-média, sendo que na realidade ele nunca fez isso. E, para além dessas críticas infundadas feitas a Tolkien, eu também vi gente, por assim dizer, usando os argumentos &amp;quot;errados&amp;quot; para defender a presença de Elfos negros na série, indiretamente dando força para esses comentários racistas de quem insiste em dizer que Elfos pretos não existem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só para dar um exemplo, o Load, que é um cara incrível e que eu inclusive acompanho nas redes sociais e esporadicamente no YouTube, disse que, ainda que Elfos pretos não existissem, fato é que Elfos como um todo não existem, de modo que qualquer representação seria válida. Outros comentários semelhantes feitos por outras pessoas diziam que, ainda que Elfos pretos não existissem, o mundo de hoje é outro e a representatividade é importante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu concordo com o Load que Elfos como um todo não existem no mundo real? Sem dúvida! Eu concordo com essas pessoas que a representatividade é importanto? Sem dúvida também. A questão maior aqui é que a gente não precisar ir tão longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais que eu concorde com essas falas, a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;Elfos não existem&amp;quot;, assim como a gente não deveria poder colocar Elfos de pele negra na série porque &amp;quot;representatividade é importante&amp;quot;. A gente deve colocar Elfos de pele negra na série porque Elfos de pele negra existiam sim nos livros. E eu acho que é nesse argumento que a gente deve focar mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comentários como o do Load ou dessas outras pessoas, por mais verdadeiros e importantes que sejam, dão a falsa impressão que os Elfos pretos realmente não existiam na Terra-média - o que, indiretamente, acaba dando mais força para essas pessoas que vem com esse falso argumento de que a série estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, como eu disse, a minha maior intenção com esse artigo não é tentar mudar a opinião de quem colocou como objetivo de vida provar que Elfos pretos não existiam. A minha intenção é trazer um pouco mais de luz para esse assunto, focando principalmente nessas outras pessoas que, quer elas concordem ou discordem com a presença de um Elfo negro na série, foram levadas a acreditar nessa falácia de que eles não existem nos livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que, infelizmente, aqui a gente adentra na tal da &amp;quot;[https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Brandolini Lei de Bradolini]&amp;quot;, que diz que a quantidade de energia necessária para refutar uma idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. Afinal, uma pessoa gasta 5 minutos pra dizer algo como &amp;quot;não havia Elfos negros na Terra-média porque ela representava a Europa Nórdica&amp;quot; e nada mais, enquanto eu gasto literalmente meses fazendo pesquisas, indo atrás de citações e escrevendo textos com dezenas de páginas e gravando vídeos de mais de meia hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, por mais que uma pessoa que traz um argumento raso como esse tem um alcance muito mais que um artigo de 30 páginas ou um vídeo de mais de meia hora, eu não acho que eu deveria simplesmente ficar quieto. Ainda mais quando eu vejo pessoas incríveis e do bem sendo levadas a acreditar em informações falsas por falta de alguém fazendo um contraponto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já dizia Tolkien, &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas a título de esclarecimento, esse artigo não abordará a importância da representatividade no entretenimento porque 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica evidentemente não se importam com isso, de modo que abordar esse assunto seria inútil, 2) eu não tenho propriedade para falar sobre o assunto, e 3) essa discussão não é necessária para comprovar que Elfos negros existiam sim na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, sem maiores delongas, abaixo os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu mais encontrei e, em seguida, a minha explicação do porquê de esse argumento não fazer qualquer sentido. Tudo, é claro, fundamentado nos próprios livros de Tolkien, sempre com citações diretas do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rebatendo argumentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Em O Senhor dos Anéis Tolkien deixou claro que os Elfos de seu universo ‘eram belos, de pele clara e de olhos cinzentos’.” ===&lt;br /&gt;
Não é bem assim. De fato há essa menção em [[O Senhor dos Anéis]], mas trata-se de uma frase tirada de contexto, conforme já extensivamente explicado por [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e seu &amp;quot;executor literário&amp;quot;) em [[O Livro dos Contos Perdidos 1]], o 1.º volume da coleção [[A História da Terra-média]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em O Senhor dos Anéis, nós temos o seguinte trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, e Eldar, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal e ali chegaram no começo dos Dias (exceto apenas pelos Sindar). [...] Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, apesar de terem as madeixas escuras, exceto na casa dourada de Finarfin;&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em O Livro dos Contos Perdidos 1, Christopher nos traz a versão completa do rascunho de seu pai para esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em um rascunho do parágrafo final do Apêndice F de O Senhor dos Anéis, ele [Tolkien] escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes (não neste livro) tenho usado “Gnomos” por Noldor e “gnômico” por noldorin. Fiz isso porque [...], para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais. Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora abandonei essa representação por demasiado enganosa. Pois os Noldor pertenciam a uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, que agora se foram. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, e suas madeixas eram escuras, exceto na casa dourada de Finrod […].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No último parágrafo do Apêndice F, conforme publicado, a referência aos “Gnomos” foi removida, e substituída por um trecho explicando o uso da palavra Elves [Elfos] como tradução de Quendi e Eldar. […] Portanto, &#039;&#039;&#039;essas palavras que descrevem características do rosto e dos cabelos foram escritas, na verdade, apenas sobre os Noldor, e não sobre todos os Eldar&#039;&#039;&#039;: de fato os Vanyar tinham cabelos dourados, e foi da mãe vanyarin de Finarfin, Indis, que ele e seus filhos Finrod Felagund e Galadriel herdaram os cabelos dourados que os distinguiam entre os príncipes dos Noldor. Mas sou incapaz de determinar como essa extraordinária corrupção do sentido surgiu.&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; O nome Finrod no trecho ao final do Apêndice F está incorreto: Finarfin era Finrod e Finrod era Inglor até a segunda edição de O Senhor dos Anéis, e, na ocasião, a alteração não foi feita.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como mencionado por Christopher, essa deturpação do sentido, oriunda da omissão de parte do texto de seu pai, foi corrigida na segunda edição de O Senhor dos Anéis, a partir da qual essa frase conta com uma nota de rodapé na qual é ressaltado tratar-se de uma descrição exclusiva para os [[Noldor]] (um dos três clãs élficos)&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;Apesar de terem despertado todos no mesmo local, ao longo das eras os Elfos se dividiram em diversos grupos e etnias (assim como os próprios Homens também se dividiram em vários grupos e etnias após seu primeiro despertar), mas seus três principais clãs eram os Vanyar, os Noldor e os Teleri. Destes, os Teleri foram os que mais se subdividiram em outros grupos e é deles que vêm os Sindar (os Elfos-cinzentos).&amp;lt;/ref&amp;gt;, e não para os Elfos como um todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt; Estas palavras que descrevem caracteres de rosto e cabelos aplicavam-se, de fato, apenas aos Noldor. [N. E.]|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, considerando que a segunda edição de O Senhor dos Anéis foi publicada ainda em 1966, alguém querer se utilizar desse trecho para justificar que todos os Elfos do legendário da Terra-média seriam brancos me parece, no mínimo, ingênuo ou mal-intencionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, se eu tivesse de apostar, eu diria que quem usa esse trecho é só mal-intencionado mesmo, já que é regra dentre esse tipo de pessoa usar argumentos soltos, sem qualquer base em citações diretas, ou, quando por algum milagre embasam suas opiniões com citações diretas, são sempre com trechos retirados totalmente de contexto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, é válido ressaltar aqui que, nas poucas vezes que J.R.R. Tolkien cita um Elfo como tendo pele clara, ele o faz com um Noldo (singular de Noldor), e, nas poucas vezes que outros personagens são descritos como brancos e comparados com os Elfos, eles são sempre comparados especificamente com os Elfos do clã noldorin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Túrin]], filho de [[Húrin]], é comparado nos livros, mais de uma vez, com os Elfos, sendo ele descrito como um Homem branco, sendo que, no entanto, essa comparação é feita especificamente com os Noldor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nos tempos que se seguiram, Túrin cresceu muito nos favores de Orodreth, e quase todos os corações se voltaram para ele em Nargothrond. Pois era jovem e só então alcançara a plenitude da idade viril; e era, em verdade, o filho de Morwen Eledhwen em seu aspecto: &#039;&#039;&#039;de cabelos escuros e pele clara, com olhos cinzentos&#039;&#039;&#039;, e um rosto mais belo do que quaisquer outros entre Homens mortais, nos Dias Antigos. Seu falar e porte eram aqueles do antigo reino de Doriath, e, &#039;&#039;&#039;mesmo em meio aos Elfos, podia ser tomado por um dos das grandes casas dos Noldor&#039;&#039;&#039;; portanto, muitos o chamavam de Adanedhel, o Homem-Elfo.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 21. De Túrin Turambar) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que Túrin tinha (i) cabelos escuros, (ii) pele clara e (iii) olhos cinzentos, que eram exatamente as três características físicas que Tolkien descreveu os Noldor como possuindo no já citado Apêndice F de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro exemplo seria o Elfo [[Maeglin]], filho de [[Aredhel]], que também é descrito como possuindo pele branca, sendo ele estritamente comparado aos Noldor (apesar de ter sangue noldorin por parte de mãe, Maeglin era considerado um Sinda, isto é, um Elfo-cinzento):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Falarei mais sobre Maeglin mais para frente, pois há outras questões a serem abordadas sobre ele.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os (poucos) Elfos que são descritos nos livros como tendo pele clara tinham, no todo ou em parte, sangue noldorin, e todos personagens que são descritos como brancos e que são comparados aos Elfos, são comparados justamente com os Noldor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis (quando contextualizada com a passagem de O Livro dos Contos Perdidos 1) evidencia que não só não há qualquer indicativo de que todos os Elfos fossem brancos, como os vários comparativos de personagens brancos com Elfos noldorin apenas reforça a informação do rascunho original, de que somente os Elfos noldorin tinham essa distinção na aparência em seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A Terra-média representa a Europa nórdica e, por isso, não havia personagens negros.” ===&lt;br /&gt;
Um outro argumento que eu constantemente vejo por aí é o de que a Terra-média representaria a Europa “nórdica” e que, por isso, não teria como haver personagens negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, estudos evidenciam que havia sim pessoas pretas na Europa setentrional, por diferentes razões, mas eu não vou adentrar nessa questão pelo mesmo motivo pelo qual não adentrarei na questão da importância da representatividade: 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica não se importam com isso, posto que possuem uma visão já há muito tempo arraigada sobre a Europa e não serei eu quem fará essas pessoas entenderem um pouco mais de história (até porque eu não tenho propriedade para isso), e 2) essa discussão quanto à presença ou não de pessoas pretas na Europa setentrional não é necessária para comprovar que Elfos pretos podiam sim ter existido na Terra-média. Ou seja, ainda que realmente houvesse zero pessoas pretas na Europa setentrional, como alguns sustentam, isso ainda não mudaria nada para a realidade da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, se você realmente se considera um fã de J.R.R. Tolkien e suas obras, eu sugiro que você pare de se utilizar da palavra “nórdica” para se referenciar ao norte da Europa e/ou os povos dessa região, pois Tolkien deixou claro diversas vezes que possuía total aversão a essa palavra, posto que, segundo ele mesmo, essa palavra, &amp;quot;nórdico(a)&amp;quot;, estava associada a doutrinas racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em breve síntese, Tolkien odiava o termo “nordic” (&amp;quot;nórdico&amp;quot;) e, para ele, nós deveríamos utilizarmo-nos do termo “northern” (“setentrional”) para nos referenciarmos ao norte da Europa e &amp;quot;germanic&amp;quot; (&amp;quot;ermânico&amp;quot;) para nos referenciarmos aos povos que viviam nessas regiões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a especificamente o idioma nórdico, o termo original em inglês é &amp;quot;Norse&amp;quot;, sendo que uma dubiedade pode surgir para nós brasileiros pelo fato de que tanto &amp;quot;nordic&amp;quot; quanto &amp;quot;Norse&amp;quot; são traduzidos por aqui como &amp;quot;nórdico&amp;quot;. E, como não temos uma alternativa para a tradução do idioma &amp;quot;Norse&amp;quot;, eu sugiro, em respeito a J.R.R. Tolkien, que você faça o uso do termo &amp;quot;setentrional&amp;quot; para se referenciar à região em si, &amp;quot;germânico&amp;quot; para os povos, e &amp;quot;nórdico&amp;quot; exclusivamente para o idioma - ou, se preferir, &amp;quot;idioma nórdico&amp;quot; pra deixar bem clara essa distinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns breves exemplos nos quais Tolkien fala sobre essa sua aversão pela palavra “nordic” vêm das Cartas n.º 29 e 45 do livro [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], nas quais ele critica o nazismo por se apropriar, perverter e arruinar a essência “setentrional” em favor de doutrinas raciais não-científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e &#039;&#039;&#039;lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Alemão, &amp;quot;confirmação&amp;quot;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29) - Grifou-se.}}{{Citação em Bloco|trecho=Passei a maior parte da minha vida, desde que eu tinha sua idade, estudando assuntos germânicos (no sentido geral que inclui a Inglaterra e a Escandinávia). [...] Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal. [...] &#039;&#039;&#039;suponho que sei melhor do que a maioria das pessoas qual é a verdade sobre esse absurdo “nórdico”&#039;&#039;&#039;. De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular [...] contra aquele maldito tampinha ignorante chamado &#039;&#039;&#039;Adolf Hitler [...] que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional&#039;&#039;&#039;, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, muito embora seja comum ouvirmos a história de que o plano de J.R.R. Tolkien era o de criar uma mitologia para a [[Inglaterra]], de modo que seu legendário se passaria em uma Europa setentrional, a questão não é tão simples quanto parece e, mais uma vez, quem fala isso está claramente tirando muita coisa de contexto pra tentar dar uma maior ar de credibilidade pras suas visões deturpadas de mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso só era verdade para [[O Livro dos Contos Perdidos]], escrito por Tolkien entre os anos 1917 e 1920, que é a primeira versão do que muito mais tarde viria a ser [[O Silmarillion]] como o conhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, quando Tolkien deu o pontapé inicial ao seu legendário, sua intenção era sim a de criar uma espécie de &amp;quot;mito de criação&amp;quot; da Inglaterra, e isso fica evidente em diversas cartas social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[CITAÇÃO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão disso, em O Livro dos Contos Perdidos (1917-20), a relação das lendas e das terras com a Inglaterra era clara e direta, sendo que a palavra &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; é citada 71 vezes nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, usar desse argumento é, como essas pessoas adoram fazer, tirar todo o contexto por trás dele, já que, ao longo dos anos, conforme seu legendário foi evoluindo, essa relação foi deixada totalmente de lado pelo autor, com o &amp;quot;legendário&amp;quot; perdendo esse seu caráter de ser um &amp;quot;mito de criação&amp;quot; pra Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E um exemplo disso é simples: n&#039;O Livro dos Contos Perdidos, a Inglaterra era literalmente representada por uma ilha chamada Tol Eressëa, a Ilha Solitária. A ideia era a de que Tol Eressëa fosse a Inglaterra num passado longínquo, e que a cidade de Kortirion fosse Warwick, uma cidade da Inglaterra, também num passado longínquo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simplificando, a Inglaterra seria, em origem, um reino élfico, sendo que, mais tarde, depois que os Elfos feneceram, ela passou a ser um reino humano, com apenas alguns poucos ainda relembrando as antigas lendas élficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, isso foi posteriormente abandonado por Tolkien, tanto é que Tol Eressëa e Kortirion continuam existindo nas versões posteriores do legendário - com Kortirion apenas mudando seu nome para apenas Tirion - sendo que, na versão posterior da história, eles dois foram literalmente removidos do planeta durante a Queda de Númenor e passar a literalmente flutuar no espaço, acessíveis somente através da Rota Reta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, pra quem fala que o legendário era para ser um mito de criação para a Terra-média, ou para quem fala que Tolkien abandonou essa ideia, mas o legendário continuou sendo &amp;quot;espiritualmente&amp;quot; um mito de criação para a Terra-média, a tal da &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; virou literalmente uma ilha que tá flutuando no espaço, fora do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isso não é prova o suficiente de que Tolkien abandonou esse conceito de o legendário ser um mito de criação pra Inglatera, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso, fato é que o próprio Tolkien deixou claro ainda em vida, 50 anos depois de escrever O Livro dos Contos Perdidos, que isso não era mais aplicável à sua mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que parte de suas inspirações são derivadas de mitos europeus, mas, em uma carta escrita por J.R.R. Tolkien em 08/02/1967, apenas seis anos antes de falecer, na qual ele traz alguns comentários pontuais sobre uma entrevista feita com Charlotte e Denis Plimmer, &#039;&#039;&#039;ele deixa claro que a Terra-média não representava a Europa nórdica (nem setentrional), seja geograficamente ou &amp;quot;espiritualmente&amp;quot;, e que essa não era a sua intenção.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que &#039;&#039;&#039;mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”&#039;&#039;&#039;. Esta é uma palavra antiga, não inventada por mim, como a consulta a um dicionário como o Shorter Oxford mostrará. Significava as terras habitáveis de nosso mundo, situadas no meio do Oceano circundante. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol. Uma simples leitura das sinopses deveria deixar claro que isso não é verdadeiro para minha história. O Norte era a sede das fortalezas do Diabo. O progresso da história termina no que é muito mais parecido com o restabelecimento de um Sacro Império Romano efetivo com sua sede em Roma do que qualquer coisa que seria planejada por um “nórdico”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294) - Grifou-se.}}E, ainda que a Terra-média representasse a &amp;quot;Europa nórdica&amp;quot; como muitos alegam (o que, ressalto, ela não representava), dizer que isso significaria que não existem personagem negros nem sequer faz sentido lógico, pois há diversos personagens humanos que Tolkien descreve como sendo negros (como alguns dos Haradrim). Até mesmo Tom Bombadil é descrito como tendo uma pele &amp;quot;marrom&amp;quot; (que não é negra, mas definitivamente também não é &amp;quot;branca&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que essa seletividade? Uma mitologia (supostamente) &amp;quot;europeia&amp;quot; não pode ter Elfos negros, mas pode ter Homens negros? Qual é a lógica disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A etimologia de ‘Elfo’ infere a ideia de ‘branco’.” ===&lt;br /&gt;
Muito também se tem falado de que a palavra “Elfo” (no original, &#039;&#039;Elf&#039;&#039;) tem origem nos antigos mitos e folclores germânicos e nórdicos e que ela estava intimamente associada à ideia de branco, sendo que o radical nórdico de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, no caso &#039;&#039;alv&#039;&#039;, seria o mesmo radical de palavras como “alpes” ou “albino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, a etimologia de &#039;&#039;Elf&#039;&#039; não é tão simples assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o [https://www.etymonline.com/word/elf#etymonline_v_5730 Online Etymology Dictionary], é &#039;&#039;sugerido&#039;&#039; que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; tenha origem no &#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico, que também teria dado origem a palavras posteriores como o &#039;&#039;alp&#039;&#039; alemão (de onde vem, por exemplo, alpes e albino), mas é importante lembrar o que significa esse * no início de &#039;&#039;albiz&#039;&#039;: essa palavra nunca foi encontrada em qualquer registro escrito e é uma invenção posterior para tentar justificar a relação entre palavras distintas mas semelhantes. Ou seja, não sabemos de fato se &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente têm um antepassado em comum, pois nunca foi encontrado nenhum registro fático nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, ainda que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente tivessem uma mesma origem etimológica (do que, ressalto, não temos prova), isso não implica dizer que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; em si tenha ligação com a cor branca, posto que &amp;quot;Elf&amp;quot; &#039;&#039;precederia&#039;&#039; ao &#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039;alp&#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039; alemão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse&#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico teria originado o &#039;&#039;ylfe&#039;&#039; (saxão ocidental), &#039;&#039;ælf&#039;&#039; (nortúmbrio) e &#039;&#039;elf&#039;&#039; (merciano, kentico) do inglês antigo que significavam algo como &#039;&#039;sprite&#039;&#039;, &#039;&#039;fairy&#039;&#039;, &#039;&#039;goblin&#039;&#039; e &#039;&#039;incubus&#039;&#039;, sendo que todas essas palavras, nos anos 1550, eram usadas figurativamente para representar uma &amp;quot;pessoa malvada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos uma palavra portuguesa que tenha derivado diretamente de &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;sprite&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, mas ela pode ser traduzida basicamente como “espírito”, já que a própria etimologia de “sprite” sugere que ela tenha vindo do latim “spiritus” que, obviamente, também deu origem à palavra “espírito”. Já &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;goblin&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; significava basicamente “um demônio, um íncubo, uma fada feia e malvada ou um espírito”, e aqui a gente já começa a ver muita repetição nas definições dessas palavras. &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Incubus&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, por sua vez, significava basicamente “um demônio ou ser imaginário que causava pesadelos”. Quanto a &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;fairy&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, ela nada mais é do que “fada”, palavra essa que mais se repete na etimologia de todas as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a gente vê que, ao menos originalmente, antes da difusão na cultura popular, Elfo, Fada, Espírito, Gobelim e Íncubo significavam mais ou menos a mesma coisa, sendo que o termo “fairy” (“fada”) é o que mais se repete na etimologia de todas essas palavras. Aliás, o próprio Tolkien diversas vezes usa Elfo e Fada indiscriminadamente, dizendo que eles eram termos mais ou menos equivalentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o Century Dictionary, Elfo e Fada eram basicamente os mesmos seres, sendo apenas que Elfo era geralmente mais jovem e malvado do que uma Fada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à etimologia de Fada em si, a palavra original era, na verdade, “faerie”, que vem do francês antigo e é traduzida aqui no Brasil como Feéria, sendo que Faerie (&amp;quot;Feéria&amp;quot;) era o nome dado especificamente ao reino em que viviam criaturas sobrenaturais ou lendárias. Em outras palavras, Feéria pode ser traduzido como Terra das Fadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o decorrer do tempo, “Fairy” (não Faerie), traduzida aqui no Brasil como “Fada”, passou a ser utilizado, via de consequência, como o nome dessas criaturas sobrenaturais ou lendárias vindas de Feéria, sendo que Fada é atestado, inclusive, como um adjetivo genérico para representar seres heroicos ou lendários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Tolkien, em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas, cita essa questão da origem da palavra Fada (&amp;quot;Fairy&amp;quot;) como significando, na verdade, o reino de Feéria (&amp;quot;Faerie&amp;quot;):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Fada, como um substantivo mais ou menos equivalente a elfo, é uma palavra relativamente moderna […]. A primeira citação no Oxford Dictionary (a única antes de 1450) é significativa. É tirada do poeta Gower: &#039;&#039;&#039;“as he were a faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele fosse uma fada]. Mas isso Gower não disse. Ele escreveu &#039;&#039;&#039;“as he were of faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele tivesse vindo de Feéria].|fonte=[[Árvore e Folha]] (Sobre Estórias de Fadas) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu ensaio &amp;quot;[[Sobre Estórias de Fadas]]&amp;quot;, presente no livro [[Árvore e Folha]], o próprio Tolkien ressalta que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;precede&#039;&#039;&#039; os antigos mitos e folclores germânicos e setentrionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=O ser diminuto, elfo ou fada, é (suspeito), na Inglaterra, em grande parte, um produto sofisticado do devaneio literário.&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;Estou falando de transformações que ocorreram antes do aumento do interesse pelo folclore de outros países. As palavras inglesas, tais como elf [elfo], receberam por muito tempo a influência do francês (língua da qual derivam as palavras fay [fata, fada] e Faërie, fairy [Feéria, fada]); mas, &#039;&#039;&#039;em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, tanto fada quanto elfo adquiriram muito da atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas&#039;&#039;&#039; [...].|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]]) - Grifou-se.}}Nesse sentido, não há como se ter certeza sobre qual o significado original de palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, sendo que o próprio J.R.R. Tolkien aborda em seu ensaio as confusas possíveis origens deste termo, jamais tentando dar-lhe um significado original (apenas a relacionando à palavra Fada) e jamais fazendo qualquer menção à ideia de branco, atentando-se mais para o que define a estórias de fadas e elfos do que para o que define os elfos em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, ainda que houvesse provas de que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; estava intimamente associado à ideia de branco (o que, ressalto, não há), isso, por si só, não significaria que todos os Elfos do legendário da Terra-média eram brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto porque nós não podemos nos esquecer de que, tecnicamente falando, é equivocado chamar essas criaturas criadas por Tolkien de &amp;quot;Elfos&amp;quot;, posto que elas chamavam-se, na verdade, &amp;quot;Quendi&amp;quot;, que são uma invenção original do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Tolkien reconhecer que, embora isso fosse verdade no início, seu legendário tinha deixado de ter uma relação direta com a Inglaterra e, via de consequência, com a Europa setentrional (como vimos no tópico anterior), ele também deixou claro diversas vezes que “Elfo” foi uma palavra pré-existente que ele optou por se utilizar como &#039;&#039;tradução&#039;&#039; de Quendi, e que &#039;&#039;&#039;essas duas palavras – Quendi e Elfos – não eram equivalentes&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Só para esclarecer para quem porventura não saiba, &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; significa “Os Falantes”, e é a palavra &amp;quot;élfica&amp;quot; para se referenciar aos Elfos. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tolkien fala sobre essa questão de “Elfos” ser uma tradução não muito precisa de “Quendi”, por exemplo, lá nos Apêndices de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;&#039;&#039;Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi&#039;&#039;&#039;, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, &#039;&#039;&#039;e Eldar&#039;&#039;&#039;, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal […]. De fato, essa palavra antiga era a única disponível […]. Mas ela minguou, e a muitos pode agora sugerir fantasias delicadas ou tolas, tão diferentes dos Quendi de outrora […].|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso também fica explícito em várias cartas escritas por Tolkien, nas quais ele diz, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E, de qualquer forma, elfo, gnomo, gobelim e anão &#039;&#039;&#039;são apenas traduções aproximadas&#039;&#039;&#039; dos nomes em Élfico Antigo para seres de raças e funções não exatamente iguais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 25) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=O que você pede é O Silmarillion, que é na prática uma história dos Eldalië (&#039;&#039;&#039;ou Elfos, por uma tradução não muito precisa&#039;&#039;&#039;), de sua ascensão até a Última Aliança e a primeira derrubada temporária de Sauron [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 114) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Por trás de minhas histórias há agora um nexo de idiomas (a maioria apenas estruturalmente esboçada). Mas àquelas criaturas que &#039;&#039;&#039;em inglês chamo enganosamente de Elfos&#039;&#039;&#039; são designados dois idiomas relacionados bastante completos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Tenho dificuldade em encontrar nomes ingleses para criaturas mitológicas com outros nomes, uma vez que as pessoas não “aceitariam” uma série de nomes Élficos [como “Quendi” ou “Eldar” para os Elfos, por exemplo], e prefiro que elas aceitem minhas criaturas lendárias mesmo com as &#039;&#039;&#039;falsas associações da “tradução”&#039;&#039;&#039; do que não as aceitem de modo algum.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 156) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, sendo ainda mais específico sobre isso, há uma carta na qual Tolkien fala expressamente que seus “Elfos” (isto é, seus “Quendi”) não guardavam nenhuma relação com os Elfos da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Elfos” é uma tradução, talvez agora não muito adequada, mas originalmente boa o suficiente, de Quendi. Eles são representados como uma raça similar em aparência (e ainda mais no passado distante) aos Homens e, em dias antigos, da mesma estatura. […] Mas suponho que &#039;&#039;&#039;os Quendi nestas histórias sejam de fato muito pouco relacionados aos Elfos e Fadas da Europa&#039;&#039;&#039;; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu diria que eles representam realmente Homens com faculdades estéticas e criativas aprimoradas em grande medida, maior beleza e vida mais longa, e nobreza […].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dito isto, é importante ressaltar que, além de Tolkien ter deixado claro diversas vezes que suas criaturas não eram &amp;quot;Elfos&amp;quot; propriamente ditos, tendo usado este termo apenas como uma tradução de Quendi e Eldar, o autor também disse explicitamente em várias cartas que se arrependeu de ter se utilizado dessa palavra (“Elfo”) por acreditar que ela estava cheia de vícios que eram demais para se superar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Além disso, agora &#039;&#039;&#039;lamento profundamente ter usado Elfos&#039;&#039;&#039;, embora esta seja uma palavra em ancestralidade e significado original suficientemente adequada. A desastrosa depreciação dessa palavra […] realmente a sobrecarregou com tons lamentáveis, que são muitos para se superar. […] Minha dificuldade é de que, uma vez que tentei apresentar uma espécie de legendário e história de uma “época esquecida”, todos os termos específicos estavam em uma língua estrangeira, e &#039;&#039;&#039;não existem equivalentes precisos em inglês&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos nos esquecer de que Tolkien era um filólogo e tinha um vasto conhecimento do vocabulário e da etimologia de diversas línguas, não ficando preso ao convencionado popularmente na sua época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente por esse motivo, Tolkien deixou claro diversas vezes que se arrependeu muito de ter se utilizado não só da palavra &#039;&#039;Elfo&#039;&#039;, como também de palavras como &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, &#039;&#039;Gobelim&#039;&#039; e até &#039;&#039;Anão&#039;&#039; – todas pelo mesmo motivo de que essas palavras estavam viciadas com outros significados na cultura popular e não guardavam uma relação precisa com as criaturas de seu legendário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só pra explicar pra quem porventura não conheça, Gnomos era como Tolkien chamava os Noldor, um dos Três Clãs dos Elfos, lá nas primeiras versões de seu legendário, vide o já citado O Livro dos Contos Perdidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Gobelins significa exatamente o mesmo que Orques, sendo apenas que Gobelim era uma palavra usada mais pelos Hobbits e Orque, mais pelas outras raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, algumas citações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Às vezes (não neste livro) tenho usado &amp;quot;Gnomos&amp;quot; por Noldor e &amp;quot;gnômico&amp;quot; por noldorin. […] Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora &#039;&#039;&#039;abandonei essa representação por demasiado enganosa&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Nenhum resenhista (que eu tenha visto), embora todos tenham usado cuidadosamente a forma correta dwarfs [anões], comentou a respeito do fato (do qual me tornei consciente apenas através das resenhas) de eu usar no decorrer do livro o plural “incorreto” dwarves [anãos]. [...] Talvez seja permitido ao meu dwarf [anão] — uma vez que ele e o Gnomo3 são apenas traduções em equivalentes aproximados de criaturas com diferentes nomes e funções muito diferentes em seu próprio mundo [...]. O verdadeiro plural “histórico” de dwarf (como teeth [dentes] de tooth [dente]) é dwarrows [ananos], de qualquer modo: sem dúvida uma bela palavra, mas um tanto arcaica demais. No entanto, &#039;&#039;&#039;gostaria que eu tivesse usado a palavra dwarrow [anano]&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 17) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua preferência por gobelins a orques envolve um assunto maior e uma questão de gosto, e talvez um pedantismo histórico de minha parte. &#039;&#039;&#039;Pessoalmente prefiro Orques&#039;&#039;&#039; (uma vez que essas criaturas não são “gobelins”, nem mesmo os gobelins de George MacDonald, aos quais se assemelham de certa forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não dá para nós simplesmente jogarmos as preconcepções populares de nossa época (ou até mesmo da época de Tolkien) em cima das criaturas originalmente criadas pelo autor, pois, embora ele tenha se utilizado de nomes comuns a nós, ele deixou claro diversas vezes que esses nomes modernos foram usados apenas como &#039;&#039;traduções aproximadas&#039;&#039; dos nomes de criaturas bem diferentes e, em muitos casos, inclusive se arrependeu de ter usado esses nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a título de exemplo, a palavra &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, que, como eu comentei, era como Tolkien chamava os Noldor, não tem relação nenhuma com as criaturas folclóricas diminutas que estamos tão acostumados e que adentraram na cultura popular através de Paracelso, um escritor suíço que, no século XVI, usou &amp;quot;gnomo&amp;quot; como um sinônimo de “pigmeu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “gnomo” utilizado por Tolkien vem de uma origem muito mais antiga, mais especificamente o “gnōmē” grego, que significava algo como “pensamento” ou “inteligência”, sendo que o próprio Tolkien comenta sobre essa distinção dizendo que, embora seus Gnomos não tivessem nada a ver com os gnomos da cultura popular, sendo apenas aquele clã dos Quendi que mais se distinguiam por seu conhecimento e sua inteligência, ele acabou abandonando essa palavra ao ver que ela estava causando muita confusão desnecessária (&amp;quot;Gnomos&amp;quot; como significando os &amp;quot;Elfos noldorin&amp;quot; chegou a aparecer primeira edição de [[O Hobbit]]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Seja lá o que Paracelso tenha pensado (se é que ele realmente inventou o nome), para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é um ótimo exemplo do porquê de ser tão difícil tentarmos associar as palavras utilizadas por Tolkien, um filólogo, com a noção que nós temos dessas mesmas palavras na cultura popular (seja atualmente seja da época do próprio autor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não há como supormos que os Elfos da Terra-média eram todos brancos simplesmente com base na etimologia da palavra porque&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# a etimologia de &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; é extremamente complexa, conforme ressaltado pelo próprio J.R.R. Tolkien em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas;&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que os seus Elfos tinham pouco, se não nenhuma, relação com os Elfos da Europa, posto que &amp;quot;Elfos&amp;quot; foi usado apenas como uma tradução aproximada de “Quendi” (já que ele temia que as pessoas tivessem aversão a tantos nomes originais), ressaltando que essas duas palavras não eram equivalentes; e&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien disse que se arrependeu de ter se utilizado da palavra “Elfo” como uma tradução de Quendi, já que a cultura popular sugeria fantasias tolas, muito diferentes de suas criaturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adentrarei aqui nos possíveis significados originais de Elfos, pois entendo ser irrelevante para o objetivo deste artigo. Caso seja de seu interesse, eu adentro nessa questão no meu texto sobre os Elfos terem ou não orelhas pontudas: [[Os Elfos de Tolkien Tinham Orelhas Pontudas?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Tolkien nunca mencionou um Elfo de pele negra; se existissem, ele teria mencionado algum.” ===&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, é importante destacar aqui que Tolkien ser descritivo e Tolkien ser redundante são duas coisas totalmente diferentes. Em outras palavras, de fato J.R.R. Tolkien sempre foi muito descritivo com seus textos, em especial em se tratando na natureza de seu mundo, mas ele nunca foi redundante nessas descrições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato há alguns personagens élficos que Tolkien especifica nos livros como tendo pele clara, mas pense comigo: se todos os Elfos fossem brancos, seria necessário Tolkien ser redundante com relação a isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se supostamente já teria sido estabelecido que todos Elfos eram brancos, seja lá com base em qual argumento, qual seria a utilidade de Tolkien dizer especificamente, por exemplo, que os Noldor tinham pele clara? Ou por que Tolkien diria que Maeglin, um Elfo, era branco? Ou por que Tolkien diria que Túrin, um homem branco, podia ser confundido com um dos Noldor em vez de dizer simplesmente que ele podia ser confundido com um Elfo? Nestes três casos, o uso desses complementos por Tolkien me pareceria algo tão redundante e inútil quanto dizer &amp;quot;subir para cima&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se a gente considerar que nem todos os Elfos eram brancos, bem como que o único clã descrito como sendo branco era o clã dos Noldor, Tolkien dizer que Maeglin, um Elfo sindarin, era branco, e que Túrin, por ser branco (e ter outras características &amp;quot;élficas&amp;quot;), podia ser confundido com um dos Noldor, deixa de ser redundante e passa a ser uma descrição totalmente válida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Repito: Tolkien sempre foi muito descritivo, mas ele nunca foi redundante, e não havia utilidade nenhuma para que ele fosse redundante nessas pouquíssimas descrições de personagens élficos como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessa questão da redundância, também não podemos nos esquecer de que a ausência de prova não é prova de ausência. Até podemos dizer que nas versões posteriores de seu legendário Tolkien de fato nunca mencionou &#039;&#039;especificamente&#039;&#039; um Elfo como tendo pele negra, mas isso por si só não é capaz de implicar que eles não existiam (e quem acha que significa precisa estudar um pouco de hermenêutica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Tolkien sempre deixou claro que ele não estava criando essas histórias, mas apenas traduzindo textos por ele encontrados, que teriam sobrevivido a todas essas eras. Sua mentalidade era a de que ele não estava criando, mas sim &amp;quot;descobrindo&amp;quot; essas histórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a ilha de Númenor, por exemplo, Tolkien diz que é muito difícil precisarmos quais eram exatamente a sua cultura e os animais que viviam lá porque pouquíssimos escritos teriam sobrevivido à sua queda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Visto que todas esses assuntos eram estudados pelos homens de saber em Númenor, e muitas histórias naturais e geografias precisas devem ter sido compostas, aparentemente elas, como quase tudo o mais das artes e ciências de Númenor em seu apogeu, desapareceram na queda.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como foi dito, não é fácil descobrir quais eram os animais, aves e peixes que já habitavam a ilha antes da chegada dos Edain, e quais foram trazidos por eles. O mesmo vale para as plantas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa mesma linha, falando sobre o parentesco de personagens, &#039;&#039;&#039;Tolkien deixa claro que não devemos interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência&#039;&#039;&#039; de um filho ou parente para certo personagem, pois os textos élficos e humanos que teriam sobrevivido ao longo das eras costumavam mencionar apenas os personagens mais importantes, omitindo certos aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deve-se recordar, no entanto, ao considerar os registros e as lendas do passado, que estes (em especial os feitos ou transmitidos pelos Homens) muitas vezes mencionam ou nomeiam apenas pessoas que desempenham um papel registrado nos eventos, ou que eram ancestrais diretos de tais atores principais. Portanto, não se pode concluir, apenas a partir do silêncio, quer na narrativa quer na genealogia, que determinada pessoa não tinha filhos, ou não mais do que os mencionados.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento, 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois pontos (Tolkien nunca ter sido redundante e seu silêncio não poder ser interpretado como sinônimo de ausência), por si só, já deveriam ser suficientes para evidenciar que não é só porque Tolkien não falou sobre um personagem que ele necessariamente não existia. Isto é, não é porque Tolkien nunca descreveu um Elfo como tendo pele negra que nenhum existia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, em segundo lugar, é válido mencionar que na primeira versão de seu legendário, quando O Silmarillion ainda era chamado de O Livro dos Contos Perdidos e havia uma associação direta com a Inglaterra, como eu já comentei, Tolkien chegou sim a descrever um Elfo como tendo pele negra - mais especificamente Maeglin (na época chamado de Meglin), que era filho de Aredhel (uma Elfa 75 % noldorin e 25 % vanyarin) e Eöl (um Elfo sindarin).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, o emblema de Meglin era uma Toupeira negra e ele era grande entre os que trabalhavam em pedreiras e um chefe dos que escavava em busca de minério, e muitos desses pertenciam à sua casa. Menos belo era ele do que muitos desse povo bonito, &#039;&#039;&#039;moreno&#039;&#039;&#039; e de ânimo não muito gentil, de modo que lhe tinham pouco amor [...].|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Com ela veio seu filho, Meglin, e ele foi lá recebido por Turgon como filho de sua irmã e, embora tivesse metade de sangue dos Elfos-escuros, foi tratado como um príncipe da linhagem de Fingolfin. &#039;&#039;&#039;Era moreno&#039;&#039;&#039;, mas formoso, sábio e eloquente e sagaz na conquista dos corações e mentes dos homens.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A História Contada no Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como já mencionei anteriormente, Tolkien estabeleceu que os Noldor eram todos brancos, mas Meglin, embora fosse filho da (75 %) Noldo Aredhel, também era filho do Sinda Eöl. O tom de pele dos Sindar ou de Eöl nunca foi mencionado (nem mesmo nas versões anteriores do conto), mas isso deixa a entender que Meglin teria puxado de seu pai Sinda a sua pele escura, posto que Tolkien nunca estabeleceu uma regra quanto ao tom de pele dos Elfos sindarin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, antes que alguém questione o significado de &amp;quot;moreno&amp;quot;, ressalto desde já que a palavra originalmente utilizada por Tolkien foi &amp;quot;swart&amp;quot;, conforme consta ao final do referido livro, no glossário de termos arcaicos e suas traduções para o português (A Queda de Gondolin, p. 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Now the sign of Meglin was a sable Mole, and he was great among quarrymen and a chief of the delvers after ore; and many of these belonged to his house. Less fair was he than most of this goodly folk, &#039;&#039;&#039;swart&#039;&#039;&#039; and of none too kindly mood, so that he won small love [...].|fonte=The Fall of Gondolin (The Original Tale)}}{{Citação em Bloco|trecho=With her came her son Meglin, and he was there received by Turgon as his sister-son, and though he was half of Dark-elven blood he was treated as a prince of Fingolfin’s line. &#039;&#039;&#039;He was swart&#039;&#039;&#039; but comely, wise and eloquent, and cunning to win men’s hearts and minds.|fonte=The Fall of Gondolin (The Story Told in the Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não sabe, &#039;&#039;swart&#039;&#039; (e suas variantes swarty e swarthy) é uma palavra do inglês antigo, datada dos anos 1570, que, [https://www.etymonline.com/word/swart#etymonline_v_22466 segundo o Online Etymology Dictionary], significa &amp;quot;&#039;black, being of a dark hue&#039; [...] in reference to skin color of persons&amp;quot; (&amp;quot;preto, de uma cor escura&#039; [...] em referência à cor da pele de pessoas&amp;quot;). Suas variantes swarty e swarthy significam, [https://www.etymonline.com/word/swarthy#etymonline_v_22467 também segundo o OED], &amp;quot;&#039;dark-colored, tawny,&#039; especially in reference to skin&amp;quot; (&amp;quot;&#039;de cor escura, brozeado,&#039; especialmente com relação à pele&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de curiosidade, swarthy foi a mesma palavra que Tolkien usou para descrever os Haradrim em O Senhor dos Anéis. Os Haradrim, também chamados de Sulistas (Harad = Sul), foram alguns do Homens aliados a Sauron na Guerra do Anel e todos os leitores concordam que eles eram Homens negros - tanto é que muitas pessoas que discordaram da existência de um Elfo negro na série usaram como justificativa de que não tinham problema com personagens negros em si o fato de que não se importariam se tivessem Homens Sulistas negros (em vez de Elfos negros), já que Tolkien teria descrito os Sulistas como negros nos livros (swarthy, no original).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Em A Queda de Gondolin, &#039;&#039;swart&#039;&#039; foi traduzido como o &#039;&#039;moreno&#039;&#039;. Em O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;swarthy&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;tisnados&#039;&#039;.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;It is close on ten leagues hence to the east-shore of Anduin,&#039; said Mablung, &#039;and we seldom come so far afield. But we have a new errand on this journey: we come to ambush the &#039;&#039;&#039;Men of Harad&#039;&#039;&#039;. Curse them!&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;Aye, curse the &#039;&#039;&#039;Southrons&#039;&#039;&#039;!&#039; said Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, eager to see more, went now and joined the guards. He scrambled a little way up into one of the larger of the bay-trees. For a moment he caught a glimpse of &#039;&#039;&#039;swarthy men&#039;&#039;&#039; in red running down the slope some way off with green-clad warriors leaping after them, hewing them down as they fled.|fonte=The Lord of the Rings (The Two Towers, Book IV, 4, Of Herbs and Stewed Rabbit)}}{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;São cerca de dez léguas daqui até a margem leste do Anduin,&amp;quot; disse Mablung, &amp;quot;e raramente chegamos tão longe. Mas temos uma nova missão nesta jornada: viemos emboscar os &#039;&#039;&#039;Homens de Harad&#039;&#039;&#039;. Malditos sejam!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Sim, malditos sejam os &#039;&#039;&#039;Sulistas&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, disse Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, ávido para ver mais, foi se juntar aos guardas. Engatinhou mais para cima, subindo em um dos loureiros maiores. Por um momento teve um vislumbre de &#039;&#039;&#039;homens tisnados&#039;&#039;&#039;, trajados de vermelho, que corriam encosta abaixo a certa distância dali, com guerreiros de verde que saltavam atrás deles, abatendo-os enquanto fugiam.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão sobre racismo nas obras de Tolkien é muito complexa e não vou adentrar aqui (nota-se que Tolkien diz que Meglin era &amp;quot;moreno, mas formoso&amp;quot;). Aos interessados, há excelentes vídeos no YouTube dissecando a evolução pessoal de Tolkien ao longo das décadas, feitos por pessoas que têm muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu (como, por exemplo, [https://www.youtube.com/watch?v=1j5-SPCyZz0 esse vídeo do Clube Literário Tolkieniano de Brasília]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, em O Livro dos Contos Perdidos, que Tolkien começou a escrever em 1917, quando Tolkien tinha seus 25 anos, ele associava muito a cor negra (no geral, não necessariamente associada com a cor da pele) com a ideia de maldade. O famoso &amp;quot;luz vs. escuridão&amp;quot; sendo transposto como &amp;quot;branco vs. negro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de sua vida, conforme ia amadurecendo como pessoa, Tolkien foi deixando essa perspectiva de lado e &amp;quot;corrigindo&amp;quot; seus antigos escritos, retirando essas associações quando podia e passando a utilizar a cor negra também para coisas &amp;quot;boas&amp;quot; e a cor branca também para coisas &amp;quot;ruins&amp;quot;. A título de exemplo, a bandeira de Gondor era negra e isso nunca é mencionado como significando algo ruim, e Saruman, mesmo sendo &amp;quot;o Branco&amp;quot;, se corrompeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na versão mais recente do conto da Queda de Gondolin (vide a presente no Silmarillion como publicado) essa menção a Maeglin, um Elfo vilão, como tendo pele negra foi alterada pelo autor, passando ele a descrever Maeglin como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre essa alteração no tom de pele de Maeglin, é importante salientar que, como você deve ter percebido, na versão primária do conto, quando Meglin tinha pele negro, Tolkien apenas salientou suas diferenças com os Elfos noldorin, enquanto na versão posterior do conto, quando Maeglin passou a ter pele branca, o autor acrescentou a informação de que ele &amp;quot;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto, por si só, corrobora com o já mencionado no primeiro tópico, de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos. Quando Tolkien diz que Túrin, um Homem branco, se parecia com os Elfos, ele não diz simplesmente &amp;quot;Elfos&amp;quot;, mas especifica ele como parecendo com os Elfos &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;. Quando Tolkien altera a pele de Maeglin, de negra para branca, ele acrescenta a informação de que ele se parecia com seus parentes &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizer que Maeglin se assemelhava &amp;quot;em rosto&amp;quot; com sua parentela dos Noldor (isto é, com os parentes de sua mãe) é o mesmo que dizer que ele &#039;&#039;não&#039;&#039; se assemelhava com sua parentela dos Sindar (isto é, com os parentes de seu pai). E nem se diga aqui que, quando disse &amp;quot;em rosto&amp;quot;, Tolkien estava se referindo aos olhos de Maeglin, pois os Noldor foram descritos especificamente como tendo olhos cinzas, enquanto Maeglin é decrito nessa passagem como tendo olhos escuros (embora &amp;quot;luzentes e agudos&amp;quot; como os olhos dos Noldor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os olhos de Maeglin não tinham a mesma cor dos olhos dos Noldor, o que mais poderia significar dizer que ele, &amp;quot;em rosto&amp;quot;, se assemalhava aos seus parentes noldorin? Ao meu ver, a única opção que sobra é a cor de sua pele, evidenciando que somente os noldor eram notórios por serem brancos e dando a entender que, se Eöl, o pai de Maeglin, não fosse negro, ao menos o seu povo, os Sindar, tinham membros negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, ainda que a cor da pele de Maeglin tenha sido alterada na versão posterior do conto, de modo que, a partir desse momento, passamos a não ter nenhum Elfo descrito por Tolkien como tendo pele negra, fato é que a versão antiga trazer ele como um Elfo negro é prova de que, para Tolkien, Elfos de pele negra eram plausíveis e existiam em seu universo, não sendo isso um problema para as leis estabelecidas pelo autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, com relação ao fato de Tolkien supostamente nunca ter descrito um Elfo como sendo negro, nós temos que considerar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ausência de prova não é prova de ausência, de modo que Tolkien nunca ter descrito um Elfo como tendo pele negra é diferente de ele ter dito que Elfos de pele negra não existiam;&lt;br /&gt;
# Tolkien chegou a descrever alguns poucos Elfos como tendo pele branca e, se todos os Elfos fossem brancos, essas passagens automaticamente se tornariam redundantes (algo que Tolkien nunca foi);&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que todas essas histórias se tratavam de &amp;quot;documentos históricos&amp;quot;, de modo que, se um personagem não aparecia nessas histórias, isso não significava que ele não existia, de modo que a gente não deveria interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência;&lt;br /&gt;
# Tolkien já descreveu sim um Elfo como tendo pele negra em seu legendário, mais especificamente Meglin, no conto original da Queda de Gondolin, evidenciando que isso não era um problema;&lt;br /&gt;
# quando Tolkien alterou a pele de Meglin de negra para branca, ele acrescentou a informação de que ele era semelhante &amp;quot;em rosto&amp;quot; aos seus parentes Noldor, o que só pode significar seu tom de pele já que seus olhos eram negros e os Noldor tinham olhos cinzas, o que ressalta o ponto anterior de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Da síntese e conclusão ==&lt;br /&gt;
Em síntese,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# apenas os Elfos noldorin foram especificados por J.R.R. Tolkien como tendo pele clara, de modo que essa questão foi deixada em aberto com relação aos outros dois clãs élficos (Vanyar e Teleri);&lt;br /&gt;
# sempre que um personagem branco é comparado aos Elfos, ele é comparado especificamente com os Noldor, o que ressalta a ideia de que apenas os Noldor eram notórios por serem brancos;&lt;br /&gt;
# Tolkien deixou claro que a Terra-média não representa a Europa nórdica nem setentrional, seja geográfica ou espiritualmente;&lt;br /&gt;
# não se sabe ao certo o significado original de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, bem como essa palavra adquiriu a atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas apenas em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, conforme o próprio Tolkien deixou claro em seu ensaio &amp;quot;Sobre Estórias de Fadas&amp;quot;, não sendo possível precisar se realmente seria relacionado à ideia de &amp;quot;branco&amp;quot;, como por alguns sustentado;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que &#039;&#039;Elfos&#039;&#039; não era equivalente a &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; (termo utilizado naquele mundo para se referenciar aos Elfos), tendo &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; sido a palavra inglesa mais próxima que ele conseguiu encontrar;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que se arrependeu de usar Elfo como tradução de Quendi, uma vez que, segundo ele, ela estava viciada por outros significados na cultura popular, que não guardavam relação com o seu universo, já que seus Quendi tinham pouca relação com os Elfos e Fadas da Europa;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que o seu silêncio não pode ser interpretado como sinônimo de inexistência, conforme por ele mesmo dito com relação às árvores genealógicas de seu universo;&lt;br /&gt;
# em O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien chegou a citar um Elfo como tendo pele negra, sendo que, mesmo que essa descrição tenha sido deixada de lado mais tarde, isso prova que Elfos negros não eram um problema para as regras de seu universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fica evidente que o único possível desrespeito com relação ao &amp;quot;cânone&amp;quot; estabelecido por J.R.R. Tolkien seria com relação aos Elfos com sangue 100 % noldorin, que o autor especificou como tendo pele clara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a todos os outros grupos dos Elfos (que eram vários e descendiam dos clãs vanyarin e telerin), ou quanto aos Elfos que não tinham sangue 100 % noldorin, não foi estabelecido nenhuma regra, sendo possível que tivessem diferentes tons de pele, como o próprio Maeglin, que era apenas 37,5 % noldorin e no início tinha pele escura, provavelmente herdada de seu pai sinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1123</id>
		<title>Citações Marcantes do Legendário</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1123"/>
		<updated>2025-06-12T00:22:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 11/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento dos momentos mais marcantes (ou apenas interessantes) do legendário. Ou seja, não necessariamente têm alguma mensagem sobre a vida ou algo do gênero, sendo apenas, por assim dizer, citações “legais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Hobbit (1937) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Até os bons planos de magos sábios como Gandalf e de bons amigos como Elrond dão errado às vezes, quando você parte para aventuras perigosas do outro lado da Borda do Ermo; e Gandalf era um mago sábio o suficiente para perceber isso.|fonte=[[O Hobbit]] (4. Sobre Monte e Sob Monte)}}{{Citação em Bloco|trecho=Tentou adivinhar da melhor maneira que podia e rastejou adiante por um bom pedaço, até que de repente sua mão topou com o que parecia ser um minúsculo anel de metal frio caído no chão do túnel. Era uma grande virada em sua carreira, mas ele ainda não sabia disso.|fonte=[[O Hobbit]] (5. Adivinhas no Escuro)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Em Eregion, muito tempo atrás, foram feitos muitos anéis-élficos, anéis mágicos, como você os chama, e é claro que eram de vários tipos: alguns mais potentes e outros menos. Os anéis menores eram apenas ensaios do ofício antes que este estivesse maduro, e para os artífices-élficos eles eram meras miudezas — ainda assim, em minha opinião, arriscados para os mortais. Mas os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, esses eram perigosos.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É uma bela história, apesar de triste, como são todas as histórias da Terra-média, e mesmo assim pode lhes dar ânimo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 11. Um Punhal no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Em uma coisa não mudaste, caro amigo,” comentou Aragorn, “ainda falas por enigmas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O quê? Em enigmas?”, disse Gandalf. “Não! Pois estava falando comigo mesmo em voz alta. Um hábito dos velhos: eles escolhem a pessoa mais sábia presente para falar com ela;”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mithrandir nós o chamávamos à moda dos Elfos,” disse Faramir, “e ele se contentava. ‘Muitos são meus nomes em muitos países’, dizia ele. ‘Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anãos; Olórin eu fui na juventude, no Oeste que está esquecido, no Sul, Incánus, no Norte, Gandalf; ao Leste eu não vou.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV, 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Repentinamente o rei deu uma exclamação para Snawmana, e o cavalo partiu em um salto. [...] Parecia destinado à morte, ou a fúria de batalha de seus pais corria em suas veias como fogo novo, e foi carregado por Snawmana como um deus de outrora, como o próprio Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto, e eis! brilhava como uma imagem do Sol, e a relva se inflamava de verde em torno dos alvos pés de sua montaria. Pois a manhã estava chegando, a manhã e um vento do mar; e a escuridão foi removida, e as hostes de Mordor pranteavam, e o terror se apossou deles, e fugiram, e morreram, e os cascos da ira passaram sobre eles.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 5. A Cavalgada dos Rohirrim)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Vou chegar lá nem que deixe para trás tudo exceto meus ossos”, disse Sam. “E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo lá para cima, nem que quebre minhas costas e meu coração. Então pare de discutir!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Venha, Sr. Frodo!”, exclamou ele. “Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor e ele também. Então levante-se! Vamos lá, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. Só diga a ele aonde ir e ele irá.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com Frodo agarrado às costas, [...] para seu espanto, achou leve o fardo. Ele receara mal ter força para erguer seu patrão sozinho e, além disso, imaginara que compartilharia o terrível peso de arrasto do maldito Anel. Mas não foi assim. Fosse porque Frodo estava tão desgastado por suas longas dores, pela ferida do punhal e pela picada venenosa, e pelo pesar, medo e andança sem lar, ou seja porque lhe fora dado algum dom de força final, Sam ergueu Frodo sem maior dificuldade do que quem carrega uma criança hobbit no cangote [...]. Inspirou fundo e partiu.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sus! senhores e cavaleiros e homens de valor indômito, reis e príncipes, e bela gente de Gondor, e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de Elrond, e Dúnedain do Norte, e Elfo e Anão, e intrépidos do Condado, e todo o povo livre do Oeste, escutai agora a minha balada. Pois vos cantarei de Frodo dos Nove Dedos e do Anel da Perdição.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali terminava a caligrafia de Bilbo, e Frodo escrevera:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A QUEDA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SENHOR DOS ANÉIS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E O&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RETORNO DO REI&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[...] “Ora, o senhor quase o terminou, Sr. Frodo!”, exclamou Sam. “Bem, preciso dizer que se esforçou.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Já terminei, Sam”, disse Frodo. “As últimas páginas são para você.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Então o Rei-bruxo riu-se, e ninguém que o ouviu jamais esqueceu o horror daquele grito. Mas, nesse momento, veio cavalgando Glorfindel em sua montaria branca, e, no meio de seu riso, o Rei-bruxo voltou-se em fuga e passou para as sombras. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Com isso Eärnur cavalgou de volta, mas Glorfindel, observando a escuridão crescente, disse: ‘Não o persigas! Ele não voltará a esta terra. Ainda está muito longe a sua sina e não cairá pela mão de um homem.’ Estas palavras foram lembradas por muitos; mas Eärnur ficou irado, desejando apenas vingar-se pela sua desgraça.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; I. Os Reis Númenóreanos)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mesmo assim eles habitavam, então, no Reino de Arda, e esse era não mais que um pequeno domínio nos salões de Eä, cuja vida é o Tempo, que flui sempre da primeira nota ao último acorde de Eru.|fonte=[[O Silmarillion]] (Quenta Silmarillion; 8. Do Obscurecer de Valinor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Então Fingolfin contemplou (como lhe parecia) a completa ruína dos Noldor [...]; e, cheio de ira e desespero, montou Rochallor, seu grande corcel, e partiu sozinho, e ninguém pôde impedi-lo. [...] e todos os que contemplavam seu avanço fugiam em assombro, pensando que o próprio Oromë chegara: pois uma grande loucura de fúria estava sobre ele, de modo que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim ele chegou sozinho aos portões de Angband, e soou sua trompa, e golpeou, mais uma vez, as portas brônzeas, e desafiou Morgoth a vir para fora para combate singular. E Morgoth veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Por fim, tão desesperado era o caso de Barahir, que Emeldir do Coração-de-homem, sua esposa (cuja intenção era antes lutar ao lado de seu filho e seu marido do que fugir), reuniu todas as mulheres e crianças que tinham restado e deu armas àquelas que queriam usá-las; e as levou para as montanhas atrás de Dorthonion e por caminhos perigosos, até que chegaram enfim, com perdas e sofrimento, a Brethil.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Vazias e silenciosas estavam todas as terras em volta quando o Rei do Mar marchou sobre a Terra-média. Por sete dias viajou com bandeira e trombeta, e chegou a um monte, e o subiu, e dispôs ali seu pavilhão e seu trono; e se sentou em meio à terra, e as tendas de sua hoste estavam todas arranjadas à sua volta, azuis, douradas e brancas, como um campo de altas flores. Então enviou arautos e mandou que Sauron viesse diante dele e lhe jurasse fidelidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Sauron veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora. Por azar, ou por um acaso feliz, o Anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Um grande fardo fora removido. [...] Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra-média.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; I. O Desastre dos Campos de Lis)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] seus jovens e velhos eram ajudados pelas mulheres mais moças, que naquele povo também eram treinadas em armas e lutavam ferozmente em defesa de seus lares e filhos.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (i) Os Nortistas e os Carroceiros)}}{{Citação em Bloco|trecho=Eorl exigiu que o cavalo renunciasse à sua liberdade até o fim da vida, como compensação por seu pai; e Felaróf submeteu-se, apesar de não permitir que nenhum homem, exceto Eorl, o montasse. Compreendia tudo o que diziam os homens e teve vida longa como eles, assim como seus descendentes, os mearas, “que não levavam senão o Rei da Marca ou seus filhos até o tempo de Scadufax”.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (ii) A Cavalgada de Eorl)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘Tu estás armando alguma das tuas, Mestre Gandalf. Tenho certeza de que tu tens outros propósitos além de me ajudar.’&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“‘Tu tens toda a razão’, concordei eu. ‘Se eu não tivesse outros propósitos, nem te estaria ajudando. Por muito que teus negócios te possam parecer importantes, eles são apenas um pequeno fio na grande teia. Eu me ocupo de muitos fios.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não, imaginei que ele [Bilbo] queria permanecer “solteiro” por alguma razão bem profunda, que ele mesmo não compreendia ou não queria reconhecer, pois ela o alarmava. Queria, mesmo assim, ser livre para partir quando surgisse a oportunidade ou quando ele tivesse reunido coragem.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Quando assuntos de peso estão em debate, Mithrandir, espanta-me um pouco que tu te divirtas com teus brinquedos de fogo e fumaça, enquanto outros debatem a sério.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Gandalf riu e respondeu: “Não te espantarias se tu mesmo usasses esta erva. Descobririas que a fumaça soprada limpa sua mente das sombras interiores. Seja como for, ela confere paciência, para escutar os desacertos sem se enraivecer. Mas não é um dos meus brinquedos. É uma arte do Povo Pequeno lá no Oeste: gente alegre e valorosa, apesar de ter pouca importância, quem sabe, nas tuas altas políticas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; IV. A Caçada ao Anel; (iii) Acerca de Gandalf, de Saruman e do Condado)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 1 (1983) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas isso é através dele, e não por ele; e ele verá, e vós todos também, e mesmo esses seres que devem agora morar em meio ao seu mal e, por causa de Melko, tolerar tormento e pesar, terror e perversidade, que isso redunda, no fim, apenas para minha grande glória, e não faz senão tornar o tema mais digno de ser ouvido, a Vida mais digna de ser vivida, e o Mundo tão mais formidável e maravilhoso que, de todos os feitos de Ilúvatar, este será julgado seu mais poderoso e mais belo.’|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 2 (1984) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] há muito tempo se diz entre os Homens que todos os que provassem do coração de um dragão conheceriam todas as línguas de Deuses ou Homens, de aves ou feras, e seus ouvidos captariam os sussurros dos Valar ou de Melko tal como jamais tinham ouvido antes.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 2]] (2. Turambar e o Foalókë)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=De fato, em extrema necessidade ou defesa desesperada, as nissi [mulheres] lutavam valentemente, e havia menos diferença em força e velocidade entre homens-élficos e mulheres-élficas que ainda não tinham dado à luz criança do que se vê entre mortais. Por outro lado, muitos homens-élficos eram grandes curandeiros e hábeis no saber dos corpos viventes, embora tais homens se abstivessem de caçar e só fossem à guerra se houvesse máxima necessidade.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar)}}{{Citação em Bloco|trecho=Outros [Valar] havia, incontáveis para o nosso pensamento, embora conhecidos uns dos outros e enumerados na mente de Ilúvatar, cujo labor se dava alhures e em outras regiões e histórias do Grande Conto, em meio a remotas estrelas e mundos além do alcance do mais longínquo pensamento. Mas desses outros nada sabemos e não temos como saber, embora os Valar de Arda, talvez, recordem a todos eles.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Cinco: Mitos Transformados; II)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Guerra das Joias (1994) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Então falou Mandos em profecia, quando os Deuses sentaram-se em julgamento em Valinor, e o rumor de suas palavras foram sussurradas entre todos os Elfos do Oeste. Quando o mundo for velho e os Poderes enfraquecerem, então Morgoth, vendo que a guarda fraquejou, voltará pela Porta da Noite do Vazio Atemporal; e destruirá o Sol e a lua. Mas Eärendil descerá sobre ele como uma chama branca e flamejante e o derrubará dos ares. Então a Última Batalha ocorrerá nos campos de Valinor. Nesse dia Tulkas lutará com Morgoth, e em sua mão direita estará Eönwë, e em sua esquerda Túrin Turambar, filho de Húrin, voltando do Destino dos Homens no fim do mundo; e a espada negra de Túrin dará a Morgoth sua morte e fim definitivo; e assim os filhos de Húrin e todos os Homens serão vingados.|fonte=[[A Guerra das Joias]] (Os Últimos Capítulos do Quenta Silmarillion; A Segunda Profecia de Mandos) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em sua casa sobre as muralhas Idril se veste com cota de malha e busca Eärendel. [...] Idril lutara, sozinha como estava, feito uma tigresa, apesar de toda a sua formosura e pequenez.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Por outro lado, o ato da procriação [dos Elfos], sendo ato de vontade e desejo partilhado e deveras controlado pelo fëa [“espírito”], realizava-se com a presteza de outros atos conscientes e voluntários de deleite ou de feitura. Era um dos atos de principal deleite, em processo e memória, em uma vida élfica, mas sua importância derivava apenas de sua intensidade, não do tempo ou da duração: não podia ser suportado por grande espaço de tempo sem desastroso “gasto”.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento; 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1122</id>
		<title>Citações Marcantes do Legendário</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1122"/>
		<updated>2025-06-12T00:16:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 11/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento dos momentos mais marcantes (ou apenas interessantes) do legendário. Ou seja, não necessariamente têm alguma mensagem sobre a vida ou algo do gênero, sendo apenas, por assim dizer, citações “legais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Hobbit (1937) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Até os bons planos de magos sábios como Gandalf e de bons amigos como Elrond dão errado às vezes, quando você parte para aventuras perigosas do outro lado da Borda do Ermo; e Gandalf era um mago sábio o suficiente para perceber isso.|fonte=[[O Hobbit]] (4. Sobre Monte e Sob Monte)}}{{Citação em Bloco|trecho=Tentou adivinhar da melhor maneira que podia e rastejou adiante por um bom pedaço, até que de repente sua mão topou com o que parecia ser um minúsculo anel de metal frio caído no chão do túnel. Era uma grande virada em sua carreira, mas ele ainda não sabia disso.|fonte=[[O Hobbit]] (5. Adivinhas no Escuro)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Em Eregion, muito tempo atrás, foram feitos muitos anéis-élficos, anéis mágicos, como você os chama, e é claro que eram de vários tipos: alguns mais potentes e outros menos. Os anéis menores eram apenas ensaios do ofício antes que este estivesse maduro, e para os artífices-élficos eles eram meras miudezas — ainda assim, em minha opinião, arriscados para os mortais. Mas os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, esses eram perigosos.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É uma bela história, apesar de triste, como são todas as histórias da Terra-média, e mesmo assim pode lhes dar ânimo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 11. Um Punhal no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Em uma coisa não mudaste, caro amigo,” comentou Aragorn, “ainda falas por enigmas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O quê? Em enigmas?”, disse Gandalf. “Não! Pois estava falando comigo mesmo em voz alta. Um hábito dos velhos: eles escolhem a pessoa mais sábia presente para falar com ela;”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mithrandir nós o chamávamos à moda dos Elfos,” disse Faramir, “e ele se contentava. ‘Muitos são meus nomes em muitos países’, dizia ele. ‘Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anãos; Olórin eu fui na juventude, no Oeste que está esquecido, no Sul, Incánus, no Norte, Gandalf; ao Leste eu não vou.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV, 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Repentinamente o rei deu uma exclamação para Snawmana, e o cavalo partiu em um salto. [...] Parecia destinado à morte, ou a fúria de batalha de seus pais corria em suas veias como fogo novo, e foi carregado por Snawmana como um deus de outrora, como o próprio Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto, e eis! brilhava como uma imagem do Sol, e a relva se inflamava de verde em torno dos alvos pés de sua montaria. Pois a manhã estava chegando, a manhã e um vento do mar; e a escuridão foi removida, e as hostes de Mordor pranteavam, e o terror se apossou deles, e fugiram, e morreram, e os cascos da ira passaram sobre eles.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 5. A Cavalgada dos Rohirrim)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Vou chegar lá nem que deixe para trás tudo exceto meus ossos”, disse Sam. “E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo lá para cima, nem que quebre minhas costas e meu coração. Então pare de discutir!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Venha, Sr. Frodo!”, exclamou ele. “Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor e ele também. Então levante-se! Vamos lá, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. Só diga a ele aonde ir e ele irá.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com Frodo agarrado às costas, [...] para seu espanto, achou leve o fardo. Ele receara mal ter força para erguer seu patrão sozinho e, além disso, imaginara que compartilharia o terrível peso de arrasto do maldito Anel. Mas não foi assim. Fosse porque Frodo estava tão desgastado por suas longas dores, pela ferida do punhal e pela picada venenosa, e pelo pesar, medo e andança sem lar, ou seja porque lhe fora dado algum dom de força final, Sam ergueu Frodo sem maior dificuldade do que quem carrega uma criança hobbit no cangote [...]. Inspirou fundo e partiu.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sus! senhores e cavaleiros e homens de valor indômito, reis e príncipes, e bela gente de Gondor, e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de Elrond, e Dúnedain do Norte, e Elfo e Anão, e intrépidos do Condado, e todo o povo livre do Oeste, escutai agora a minha balada. Pois vos cantarei de Frodo dos Nove Dedos e do Anel da Perdição.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali terminava a caligrafia de Bilbo, e Frodo escrevera:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A QUEDA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SENHOR DOS ANÉIS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E O&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RETORNO DO REI&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[...] “Ora, o senhor quase o terminou, Sr. Frodo!”, exclamou Sam. “Bem, preciso dizer que se esforçou.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Já terminei, Sam”, disse Frodo. “As últimas páginas são para você.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Então o Rei-bruxo riu-se, e ninguém que o ouviu jamais esqueceu o horror daquele grito. Mas, nesse momento, veio cavalgando Glorfindel em sua montaria branca, e, no meio de seu riso, o Rei-bruxo voltou-se em fuga e passou para as sombras. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Com isso Eärnur cavalgou de volta, mas Glorfindel, observando a escuridão crescente, disse: ‘Não o persigas! Ele não voltará a esta terra. Ainda está muito longe a sua sina e não cairá pela mão de um homem.’ Estas palavras foram lembradas por muitos; mas Eärnur ficou irado, desejando apenas vingar-se pela sua desgraça.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; I. Os Reis Númenóreanos)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mesmo assim eles habitavam, então, no Reino de Arda, e esse era não mais que um pequeno domínio nos salões de Eä, cuja vida é o Tempo, que flui sempre da primeira nota ao último acorde de Eru.|fonte=[[O Silmarillion]] (Quenta Silmarillion; 8. Do Obscurecer de Valinor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Então Fingolfin contemplou (como lhe parecia) a completa ruína dos Noldor [...]; e, cheio de ira e desespero, montou Rochallor, seu grande corcel, e partiu sozinho, e ninguém pôde impedi-lo. [...] e todos os que contemplavam seu avanço fugiam em assombro, pensando que o próprio Oromë chegara: pois uma grande loucura de fúria estava sobre ele, de modo que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim ele chegou sozinho aos portões de Angband, e soou sua trompa, e golpeou, mais uma vez, as portas brônzeas, e desafiou Morgoth a vir para fora para combate singular. E Morgoth veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Por fim, tão desesperado era o caso de Barahir, que Emeldir do Coração-de-homem, sua esposa (cuja intenção era antes lutar ao lado de seu filho e seu marido do que fugir), reuniu todas as mulheres e crianças que tinham restado e deu armas àquelas que queriam usá-las; e as levou para as montanhas atrás de Dorthonion e por caminhos perigosos, até que chegaram enfim, com perdas e sofrimento, a Brethil.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Vazias e silenciosas estavam todas as terras em volta quando o Rei do Mar marchou sobre a Terra-média. Por sete dias viajou com bandeira e trombeta, e chegou a um monte, e o subiu, e dispôs ali seu pavilhão e seu trono; e se sentou em meio à terra, e as tendas de sua hoste estavam todas arranjadas à sua volta, azuis, douradas e brancas, como um campo de altas flores. Então enviou arautos e mandou que Sauron viesse diante dele e lhe jurasse fidelidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Sauron veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora. Por azar, ou por um acaso feliz, o Anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Um grande fardo fora removido. [...] Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra-média.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; I. O Desastre dos Campos de Lis)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] seus jovens e velhos eram ajudados pelas mulheres mais moças, que naquele povo também eram treinadas em armas e lutavam ferozmente em defesa de seus lares e filhos.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (i) Os Nortistas e os Carroceiros)}}{{Citação em Bloco|trecho=Eorl exigiu que o cavalo renunciasse à sua liberdade até o fim da vida, como compensação por seu pai; e Felaróf submeteu-se, apesar de não permitir que nenhum homem, exceto Eorl, o montasse. Compreendia tudo o que diziam os homens e teve vida longa como eles, assim como seus descendentes, os mearas, “que não levavam senão o Rei da Marca ou seus filhos até o tempo de Scadufax”.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (ii) A Cavalgada de Eorl)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘Tu estás armando alguma das tuas, Mestre Gandalf. Tenho certeza de que tu tens outros propósitos além de me ajudar.’&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“‘Tu tens toda a razão’, concordei eu. ‘Se eu não tivesse outros propósitos, nem te estaria ajudando. Por muito que teus negócios te possam parecer importantes, eles são apenas um pequeno fio na grande teia. Eu me ocupo de muitos fios.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não, imaginei que ele [Bilbo] queria permanecer “solteiro” por alguma razão bem profunda, que ele mesmo não compreendia ou não queria reconhecer, pois ela o alarmava. Queria, mesmo assim, ser livre para partir quando surgisse a oportunidade ou quando ele tivesse reunido coragem.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Quando assuntos de peso estão em debate, Mithrandir, espanta-me um pouco que tu te divirtas com teus brinquedos de fogo e fumaça, enquanto outros debatem a sério.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Gandalf riu e respondeu: “Não te espantarias se tu mesmo usasses esta erva. Descobririas que a fumaça soprada limpa sua mente das sombras interiores. Seja como for, ela confere paciência, para escutar os desacertos sem se enraivecer. Mas não é um dos meus brinquedos. É uma arte do Povo Pequeno lá no Oeste: gente alegre e valorosa, apesar de ter pouca importância, quem sabe, nas tuas altas políticas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; IV. A Caçada ao Anel; (iii) Acerca de Gandalf, de Saruman e do Condado)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 1 (1983) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas isso é através dele, e não por ele; e ele verá, e vós todos também, e mesmo esses seres que devem agora morar em meio ao seu mal e, por causa de Melko, tolerar tormento e pesar, terror e perversidade, que isso redunda, no fim, apenas para minha grande glória, e não faz senão tornar o tema mais digno de ser ouvido, a Vida mais digna de ser vivida, e o Mundo tão mais formidável e maravilhoso que, de todos os feitos de Ilúvatar, este será julgado seu mais poderoso e mais belo.’|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 2 (1984) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] há muito tempo se diz entre os Homens que todos os que provassem do coração de um dragão conheceriam todas as línguas de Deuses ou Homens, de aves ou feras, e seus ouvidos captariam os sussurros dos Valar ou de Melko tal como jamais tinham ouvido antes.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 2]] (2. Turambar e o Foalókë)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=De fato em momentos de perigo ou de defesa desesperada, as nissi [mulheres] lutavam valentemente, e havia menos diferença entre a força e velocidade entre homens-élficos e mulheres-élficas que não tinham concebido uma criança do que é visto entre os mortais. Por outro lado muitos homens-élficos eram grandes curadores e habilidosos no estudo de corpos vivos, mas tais homens se abstinham de caçar, e não saiam em guerra até que estritamente necessário.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar) - Tradução não oficial}}{{Citação em Bloco|trecho=Outros [Valar] haviam, incontáveis ao nosso pensamento, embora conhecidos cada um e numerados na mente de Ilúvatar, cujos labores dão-se alhures e em outras regiões e histórias do Grande Conto, dentre estrelas remotas e mundos além do alcance do mais distante pensamento. Mas destes outros nada sabemos e não podemos saber, mas os Valar de Arda, talvez, lembram-se de todos.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Cinco: Mitos Transformados; II) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Guerra das Joias (1994) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Então falou Mandos em profecia, quando os Deuses sentaram-se em julgamento em Valinor, e o rumor de suas palavras foram sussurradas entre todos os Elfos do Oeste. Quando o mundo for velho e os Poderes enfraquecerem, então Morgoth, vendo que a guarda fraquejou, voltará pela Porta da Noite do Vazio Atemporal; e destruirá o Sol e a lua. Mas Eärendil descerá sobre ele como uma chama branca e flamejante e o derrubará dos ares. Então a Última Batalha ocorrerá nos campos de Valinor. Nesse dia Tulkas lutará com Morgoth, e em sua mão direita estará Eönwë, e em sua esquerda Túrin Turambar, filho de Húrin, voltando do Destino dos Homens no fim do mundo; e a espada negra de Túrin dará a Morgoth sua morte e fim definitivo; e assim os filhos de Húrin e todos os Homens serão vingados.|fonte=[[A Guerra das Joias]] (Os Últimos Capítulos do Quenta Silmarillion; A Segunda Profecia de Mandos) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em sua casa sobre as muralhas Idril se veste com cota de malha e busca Eärendel. [...] Idril lutara, sozinha como estava, feito uma tigresa, apesar de toda a sua formosura e pequenez.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Por outro lado, o ato da procriação [dos Elfos], sendo ato de vontade e desejo partilhado e deveras controlado pelo fëa [“espírito”], realizava-se com a presteza de outros atos conscientes e voluntários de deleite ou de feitura. Era um dos atos de principal deleite, em processo e memória, em uma vida élfica, mas sua importância derivava apenas de sua intensidade, não do tempo ou da duração: não podia ser suportado por grande espaço de tempo sem desastroso “gasto”.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento; 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1121</id>
		<title>Citações Ficcionais sobre a Vida</title>
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		<updated>2025-06-03T01:34:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 02/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento das melhores citações de J.R.R. Tolkien sobre a vida, retiradas exclusivamente de suas obras ficcionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Hobbit (1937) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, é uma coisa estranha, mas coisas que são boas de aproveitar e dias que são bons de passar a gente acaba descrevendo rápido e não é grande coisa ouvir sobre eles; enquanto coisas que são desconfortáveis, palpitantes, ou mesmo sanguinolentas podem acabar virando uma boa história e, de qualquer jeito, precisam de um tempão para ser contadas.  |fonte=[[O Hobbit]] (3. Um Pouco de Descanso)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não há nada como olhar, se você quer achar alguma coisa [...]. Você certamente acaba achando alguma coisa, se olhar, mas nem sempre é a “alguma coisa” que você estava procurando.|fonte=[[O Hobbit]] (4. Sobre Monte e Sob Monte)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Voltar?”, pensou. “Não adianta nada! Andar de lado? Impossível! Ir em frente? Única coisa a fazer! Vamos lá!”|fonte=[[O Hobbit]] (5. Adivinhas no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua fúria ultrapassa qualquer descrição — o tipo de fúria que só é vista quando gente rica que tem mais do que consegue usar de repente perde algo que possuía há muito tempo, mas que nunca tinha usado ou desejado antes.|fonte=[[O Hobbit]] (12. Informação Interna)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Enquanto há vida há esperança!”|fonte=[[O Hobbit]] (13. Fora de Casa)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Se mais de nós dessem valor à comida, à alegria e às canções acima do ouro entesourado, este seria um mundo mais feliz.”|fonte=[[O Hobbit]] (18. A Viagem de Volta)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Gostaria que não tivesse que acontecer no meu tempo”, afirmou Frodo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Eu também,” assentiu Gandalf, “e gostariam todos os que vivem para ver tais tempos. Mas isso não cabe a eles decidir. Tudo o que temos que decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“[...] pois também então havia pesar e treva crescente, mas também grande proeza e grandes feitos que não foram totalmente em vão.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Que pena que Bilbo não apunhalou essa vil criatura quando teve a chance!”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Pena? Foi a Pena que deteve sua mão. A Pena e a Compaixão: de não golpear sem necessidade. E ele foi bem recompensado, Frodo. Tenha a certeza de que ele teve tão poucos danos devidos ao mal, e escapou por fim, porque começou sua posse do Anel desse modo. Com Pena.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Não consigo compreender você. Quer dizer que você e os Elfos o deixaram continuar vivo depois de todos esses feitos horríveis? Seja como for, agora ele é tão mau quanto um Orque e apenas um inimigo. Ele merece a morte.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Merece! Imagino que merece. Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem a vida. Você pode dá-la a eles? Então não seja ávido demais por conferir a morte em julgamento. Pois nem mesmo os muito sábios conseguem ver todos os fins.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Muitas vezes ele costumava dizer que só havia uma Estrada; que era como um grande rio: suas nascentes estavam em cada soleira, e cada trilha era seu afluente. ‘É um negócio perigoso, Frodo, sair pela sua porta’, ele costumava dizer. ‘Você dá um passo na Estrada e, se não cuidar dos seus pés, não há como saber para onde você poderá ser arrastado.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 3. Três não é Demais)}}{{Citação em Bloco|trecho=“O amplo mundo está em todo vosso redor: podeis vos encerrar em uma cerca, mas com cerca jamais podereis repeli-lo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 3. Três não é Demais)}}{{Citação em Bloco|trecho=“E dizem também”, respondeu Frodo: “Não vás buscar conselho aos Elfos, pois dirão que não e sim.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Dizem deveras?”, riu-se Gildor. “Os Elfos raramente dão conselhos descuidados, pois um conselho é uma dádiva perigosa, mesmo dos sábios aos sábios, e todos os caminhos poderão resultar mal.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 3. Três não é Demais)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mas onde hei de encontrar coragem?”, perguntou Frodo. “É do que principalmente preciso.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“A coragem se encontra em lugares inesperados”, comentou Gildor. “Tenhas boa esperança!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 3. Três não é Demais)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 8. Neblina nas Colinas-dos-túmulos)|trecho=Há uma semente de coragem oculta (amiúde no fundo, é bem verdade) no coração do mais gordo e tímido hobbit, esperando por algum perigo final e desesperado que a faça crescer.}}{{Citação em Bloco|trecho=Roupas são pouca perda para quem não se afoga.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 8. Neblina nas Colinas-dos-túmulos)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não rebrilha tudo que é ouro,  &lt;br /&gt;
Nem perdidos estão os que vagam;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 10. Passolargo)}}{{Citação em Bloco|trecho=Nada há que possais fazer exceto resistir, com esperança ou sem ela. Mas não estais a sós.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 2. O Conselho de Elrond)}}{{Citação em Bloco|trecho=E essa é outra razão pela qual o Anel deve ser destruído: enquanto estiver no mundo, será um perigo até mesmo para os Sábios. Pois nada é mau no começo. O próprio Sauron não o era.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 2. O Conselho de Elrond)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 2. O Conselho de Elrond)|trecho=“Esta demanda pode ser tentada pelos fracos com a mesma esperança dos fortes. Porém assim costuma ser o curso dos feitos que movem as rodas do mundo: as mãos pequenas os fazem porque precisam, enquanto os olhos dos grandes estão alhures.”}}{{Citação em Bloco|trecho=Sentado junto ao fogo eu penso&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
em gente que passei,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
e gente que verá um mundo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que nunca eu verei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas lá, sentado a pensar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
na era que está morta,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
escuto passos que retornam&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
e vozes junto à porta.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 3. O Anel Vai para o Sul)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Infiel é aquele que diz adeus quando a estrada escurece”, disse Gimli.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Pode ser,” respondeu Elrond, “mas que não jure que caminhará no escuro aquele que não viu o anoitecer.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Porém a palavra jurada pode fortalecer o coração trêmulo”, retrucou Gimli.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Ou parti-lo”, disse Elrond.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 3. O Anel Vai para o Sul)}}{{Citação em Bloco|trecho=“O mundo está deveras repleto de perigos e há nele muitos lugares escuros; mas ainda existe muita coisa que é bela, e, por muito que em todas as terras o amor já esteja mesclado ao pesar, talvez ele se torne maior.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 6. Lothlórien)}}{{Citação em Bloco|trecho=E o Anão, ouvindo os nomes ditos em sua própria língua antiga, ergueu os olhos e encontrou os dela; e lhe pareceu que olhava de súbito para dentro do coração de um inimigo e via ali amor e compreensão.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 7. O Espelho de Galadriel)}}{{Citação em Bloco|trecho=“‘É o serviço que nunca começa que leva mais tempo para acabar’, como costumava dizer meu velho feitor.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 7. O Espelho de Galadriel)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 8. Adeus a Lórien)|trecho=“Mas não desprezes o saber que foi transmitido de anos distantes; pois com frequência pode ocorrer que anciãs guardem na memória o conhecimento de coisas outrora necessárias ao saber dos sábios.”}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro II; 8. Adeus a Lórien)|trecho=“Não predigo, pois agora toda predição é vã: de um lado está a treva, e do outro apenas a esperança.”}}{{Citação em Bloco|trecho=“Porém não rejeitai toda a esperança. O amanhã é desconhecido. Muitas vezes encontra-se conselho ao nascer do Sol.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 2. Os Cavaleiros de Rohan)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 2. Os Cavaleiros de Rohan)|trecho=“O bem e o mal não mudaram desde antanho; nem são uma coisa entre os Elfos e os Anãos e outra entre os Homens. É papel do homem distingui-los, tanto na Floresta Dourada quanto em sua própria casa.”}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 4. Barbárvore)|trecho=“[...] bem provável que estejamos indo à nossa ruína: a última marcha dos Ents. Mas se ficássemos em casa e nada fizéssemos, a ruína nos encontraria de qualquer modo, mais cedo ou mais tarde. [...] Agora, pelo menos, a última marcha dos Ents pode valer uma canção. Sim,” suspirou ele, “podemos ajudar os outros povos antes de nos irmos. [...] Mas aí está, meus amigos, as canções, como as árvores, só dão fruto em seu próprio tempo e ao seu próprio modo: e às vezes murcham antes do tempo.”}}{{Citação em Bloco|trecho=“Perigoso!”, exclamou Gandalf. “Também eu o sou, muito perigoso: mais perigoso que qualquer coisa que jamais encontrarás, a não ser que sejas trazido vivo diante do assento do Senhor Sombrio. E Aragorn é perigoso, e Legolas é perigoso. Estás cercado de perigos, Gimli, filho de Glóin; pois tu mesmo és perigoso, à tua própria maneira. Certamente a floresta de Fangorn é perigosa — não menos àqueles que são ligeiros demais com os machados; e o próprio Fangorn, ele também é perigoso; porém, não obstante, é sábio e bondoso.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“O coração fiel pode ter língua rebelde.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Dize também”, disse Gandalf, “que aos olhos embotados a verdade pode ter face distorcida.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 6. O Rei do Paço Dourado)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 6. O Rei do Paço Dourado)|trecho=“Foi duro largá-lo; mas o que mais eu podia fazer?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Nada mais”, respondeu Aragorn. “Quem não consegue jogar fora um tesouro quando precisa está agrilhoado. Fizeste bem.”}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 11. A Palantír)|trecho=“Você sabia que estava se comportando de modo errado e tolo; e você mesmo se disse isso, apesar de não escutar. [...] Mas, se eu tivesse falado antes, isso não diminuiria seu desejo nem o tornaria mais fácil de resistir. Ao contrário! Não, a mão queimada ensina melhor. Depois disso o conselho sobre o fogo alcança o coração.”}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 1. A Doma de Sméagol)|trecho=“Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem a vida. Você pode dá-la a eles? Então não seja ávido demais por conferir a morte em nome da justiça. Pois nem mesmo os sábios conseguem ver todos os fins.”}}{{Citação em Bloco|trecho=Foi a primeira visão que Sam teve de uma batalha de Homens contra Homens e não gostou muito dela. Ficou contente por não poder ver o rosto morto. Perguntou-se qual era o nome do homem e de onde vinha; e se de fato tinha o coração mau, ou quais mentiras e ameaças o haviam trazido na longa marcha desde sua casa; e se de fato não teria preferido ficar lá, em paz.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 5. A Janela para o Oeste)|trecho=“Ele pode ser boa gente,” pensou, “ou pode não ser. Uma bela fala pode esconder um coração desonesto.”}}{{Citação em Bloco|trecho=“O louvor dos louváveis está acima de toda recompensa.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Os hobbits fizeram profundas mesuras [a Faramir]. “Mui bondoso anfitrião,” disse Frodo, “foi-me dito por Elrond Meio-Elfo que eu encontraria amizade pelo caminho, secreta e inesperada. Certamente não esperava amizade como a que demonstraste. Encontrá-la transforma o mal em grande bem.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 7. Jornada para a Encruzilhada)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Eu me pergunto em que espécie de história nós caímos.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Eu me pergunto”, repetiu Frodo. “Mas não sei. E é esse o jeito das histórias de verdade. Pegue qualquer uma de que você goste. Você pode saber ou adivinhar que tipo de história é, de final feliz ou de final triste, mas as pessoas que estão nela não sabem. E você não quer que elas saibam.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 8. As Escadarias de Cirith Ungol)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Porém os feitos não serão menos valorosos por lhes faltar louvor.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)}}{{Citação em Bloco|trecho=E ela respondeu: “Todas as tuas palavras só querem dizer: és uma mulher e teu papel é na casa. Mas, quando os homens tiverem morrido na batalha e na honra, tens permissão de ser queimada na casa, pois os homens não terão mais necessidade dela. Mas eu sou da Casa de Eorl, não uma serviçal. Sei cavalgar e empunhar a lâmina e não temo nem a dor nem a morte.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O que temes, senhora?”, perguntou ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Uma gaiola”, disse ela. “Ficar atrás das barras até que o costume e a velhice as aceitem e que toda oportunidade de fazer grandes feitos tiver-se ido além da recordação ou do desejo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 2. A Passagem da Companhia Cinzenta)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sua tristeza ele não esquecerá; mas ela não lhe obscurecerá o coração, e sim lhe ensinará sabedoria.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 8. As Casas de Cura)}}{{Citação em Bloco|trecho=É melhor apreciar primeiro o que somos feitos para apreciar, acho: precisamos começar em algum lugar e ter raízes, e o solo do Condado é fundo. Ainda assim, há coisas mais fundas e mais altas; e nem um feitor poderia cuidar do jardim no que ele chama de paz se não fosse por elas, quer ele saiba a respeito ou não.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 8. As Casas de Cura)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Conte-me,” disse ele, “há alguma esperança? Para Frodo, quero dizer; ou pelo menos principalmente para Frodo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gandalf pôs a mão na cabeça de Pippin. “Nunca houve muita esperança”, respondeu ele. “Só uma esperança de tolo, como me disseram.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 4. O Cerco de Gondor)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sempre é assim com as coisas que os Homens começam: há uma geada na primavera, ou uma seca no verão, e eles descumprem a promessa.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Mas raramente falha a sua semente”, disse Legolas. “E essa jazerá no pó e na podridão para brotar de novo em tempos e lugares inesperados.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 9. O Último Debate)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Há outros males que poderão vir; [...] Porém não é nosso papel dominar todas as marés do mundo, e sim fazer o que está em nós para socorro dos anos em que fomos postos, extirpando o mal nos campos que conhecemos, para que os que viverem depois tenham terra limpa para cultivar. O clima que enfrentarão não nos cabe imaginar.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 9. O Último Debate)}}{{Citação em Bloco|trecho=Naquela hora de provação foi o amor por seu patrão que mais o ajudou a se manter firme; mas também, bem no fundo dele, ainda vivia inconquistado seu simples bom senso de hobbit: sabia no âmago do coração que não era suficientemente grande para suportar um tal fardo, mesmo que tais visões não fossem apenas um mero logro para enganá-lo. Um pequeno jardim de jardineiro livre era tudo de que precisava e a que tinha direito, não um jardim inchado até se tornar reino; suas próprias mãos para usar, não as mãos de outros para comandar.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 1. A Torre de Cirith Ungol)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali, espiando por entre os farrapos de nuvens acima de um pico escuro no alto das montanhas, Sam viu uma estrela branca piscando por alguns instantes. Sua beleza lhe atingiu o coração, olhando para cima desde a terra abandonada, e a esperança retornou a ele. Pois como um raio, nítido e frio, perpassou-lhe o pensamento de que no fim a Sombra era somente uma coisa pequena e passageira: havia luz e elevada beleza para sempre além do seu alcance.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 2. A Terra da Sombra)}}{{Citação em Bloco|trecho=A mão de Sam hesitou. Sua mente fervilhava com a ira e a lembrança do mal. Seria justo abater aquela criatura traiçoeira, assassina, justo e muitas vezes merecido; e parecia também ser a única coisa segura a fazer. Mas no fundo do coração havia algo que o refreava: não podia golpear aquele ser que jazia no pó, desamparado, arruinado, completamente desgraçado.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=E toda a hoste riu e chorou, e, no meio de seu regozijo e suas lágrimas, a nítida voz do menestrel se ergueu como prata e ouro, e todos os homens se calaram. E ele lhes cantou, ora na língua-élfica, ora na fala do Oeste, até que transbordassem seus corações feridos com doces palavras, e sua alegria foi como espadas, e em pensamento saíram para regiões onde a dor e o deleite fluem juntos e as lágrimas são o próprio vinho da bem-aventurança.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=“O mundo está suficientemente cheio de feridas e infortúnios sem que as guerras os multipliquem.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 5. O Regente e o Rei)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É inútil enfrentar vingança com vingança: isso não sara nada.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 8. O Expurgo do Condado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mas você será curado. Você foi feito para ser sólido e inteiro, e será.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Tentei salvar o Condado, e ele foi salvo, mas não para mim. Muitas vezes tem de ser assim, Sam, quando as coisas estão em perigo: alguém precisa desistir delas, perdê-las, para que outros possam mantê-las.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Não direi: não chorem; pois nem todas as lágrimas são más.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Árvore e Folha (1964) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas o que importa? [...] As coisas poderiam ter sido diferentes, mas não poderiam ter sido melhores. Mesmo assim, temo que terei de ir em frente.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Folha de Cisco]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E diz-se entre os Eldar que na água vive ainda o eco da Música dos Ainur, mais do que em qualquer outra substância que há nesta Terra; e muitos dos Filhos de Ilúvatar escutam ainda insaciados as vozes do Mar e, contudo, não sabem o que ouvem.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Ainulindalë]])}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] aqueles que desejam defender autoridade contra rebelião não devem eles próprios se rebelar.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 6. De Fëanor e de Melkor Desacorrentado)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas aquele que semeia mentiras no fim não há de ficar sem colheita e logo poderá descansar do trabalho, de fato, enquanto outros colhem e semeiam em seu lugar.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 7. Das Silmarils e da Inquietação dos Noldor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas Olwë replicou: “Não renunciamos a amizade alguma. Mas pode ser papel de amigo repreender a insensatez de um companheiro.”|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 9. Da Fuga dos Noldor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas, sobre a ventura e a vida contente, há pouco a ser dito até que acabem; assim como belas e maravilhosas obras, enquanto ainda subsistem para que olhos as vejam, são seu próprio registro e apenas quando estão em perigo ou são destruídas para sempre passam às canções.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 10. Dos Sindar)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] pois para aquele que é impiedoso os atos de piedade são sempre estranhos e além do entendimento.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 24. Da Viagem de Eärendil e da Guerra da Ira)}}{{Citação em Bloco|trecho=Essas acusações eram, em sua maior parte, falsas; contudo aqueles eram dias amargos, e ódio gera ódio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}{{Citação em Bloco|trecho=“Muitos são os estranhos acasos do mundo,” disse Mithrandir, “e a ajuda amiúde há de vir das mãos dos fracos quando os Sábios falham.”|fonte=[[O Silmarillion]] (Dos Anéis de Poder e da Terceira Era)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Pelas trevas pode-se chegar à luz”, disse Gelmir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Porém andar-se-á ao sol enquanto for possível”, disse Tuor.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; I. De Tuor e sua Chegada a Gondolin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pelas trevas chegarás à luz.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; I. De Tuor e sua Chegada a Gondolin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Um homem que foge do seu medo pode descobrir que somente tomou um atalho para topar com ele.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; A Infância de Túrin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“O sofrimento serve para afiar uma mente firme.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; A Infância de Túrin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mas a ascensão é dolorosa e, quanto mais alto se sobe, mais baixo se cai.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; A Infância de Túrin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“A vida dos Homens é breve e há nela muitas eventualidades, mesmo em tempos de paz.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; A Infância de Túrin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Uma mão honesta e um coração fiel podem errar o golpe; e o dano pode ser mais difícil de suportar que a obra de um inimigo.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; A Infância de Túrin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Falsas esperanças são mais perigosas que temores.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; A Partida de Túrin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Desperdicei meu tempo”, continuou ele, “apesar de as horas terem sido agradáveis. Mas tais coisas sempre têm vida curta; e alegria da feitura é seu único fim verdadeiro, acredito.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; A Partida de Túrin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É o que a maioria dos homens ensina e poucos aprendem. Que os dias invisíveis sejam como forem. O dia de hoje é mais do que bastante.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; A Partida de Túrin)}}{{Citação em Bloco|trecho=“O silêncio, se és incapaz de dizer palavras belas, serviria melhor a todos os nossos propósitos.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Primeira Parte: A Primeira Era; II. Narn i Hîn Húrin; Sobre Mîm, o Anão)}}{{Citação em Bloco|trecho=“‘Que um Rei primeiro governe bem sua própria casa antes de corrigir os demais’, é o que se diz. Isso vale para todos os homens.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Segunda Parte: A Segunda Era; II. Aldarion e Erendis; A Esposa do Marinheiro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Os homens de Númenor […] transformaram sua brincadeira em assuntos importantes, e assuntos importantes em brincadeira. […] E as mulheres são para eles apenas chamas na lareira — para outros cuidarem até que eles se cansem de brincar […]. Todas as coisas foram feitas para servi-los: […] as mulheres para a necessidade de seu corpo ou, se forem belas, para adornar sua mesa e seu lar; […] São corteses e bondosos com todos, joviais como cotovias pela manhã (se brilhar o sol), pois nunca se encolerizam se puderem evitá-lo. […] Mostram ira somente quando se dão conta, de repente, de que existem outras vontades no mundo além da sua. Então são implacáveis como o vento do mar se qualquer coisa ousar se opor a eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim é, Ancalimë, e não podemos alterar isso. Pois os homens formaram Númenor: os homens, esses heróis de outrora dos quais eles cantam — de suas mulheres ouvimos falar menos, exceto que choravam quando seus homens eram mortos. Númenor devia ser um repouso após a guerra. Mas, quando se cansam do repouso e dos jogos da paz, logo voltam ao seu grande jogo, assassinato e guerra. Assim é; e fomos postas aqui entre eles. Mas não temos de consentir. Se também nós amamos Númenor, vamos desfrutá-la antes que eles a arruínem. Também nós somos filhas dos grandes, e temos nossas próprias vontades e coragem. Portanto não te curves, Ancalimë. Uma vez que estejas curvada um pouco, eles te curvarão mais até que tu estejas inclinada até o chão. Deita tuas raízes na rocha, e enfrenta o vento, por muito que ele leve todas as tuas folhas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Segunda Parte: A Segunda Era; II. Aldarion e Erendis; O Desenrolar Posterior da Narrativa)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘E controla teu orgulho e tua ganância, ou vais tombar ao fim de qualquer caminho que tomares, por muito que tenhas as mãos cheias de ouro.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sofreram muito naquela ocasião: um dos piores apertos em que estiveram, morrendo de frio e passando fome na terrível escassez que se seguiu. Mas essa foi a hora de ver sua coragem e compaixão de uns pelos outros. Foi por sua compaixão, tanto quanto por sua dura coragem sem queixas, que sobreviveram.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de “A Demanda de Erebor”)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda não se fora, mas estava sendo sepultada: a lembrança do sublime e do perigoso. Mas não se pode ensinar essa espécie de coisa rapidamente a todo um povo. Não havia tempo. E de qualquer modo é preciso começar em algum ponto, com alguma pessoa determinada.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de “A Demanda de Erebor”)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Um pequeno descuido; mas que demonstrou ser fatal. É o que costuma acontecer com pequenos descuidos.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de “A Demanda de Erebor”)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Estrada Perdida e Outros Escritos (1987) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Queria que a vida não fosse tão curta”, pensou. “Idiomas demandam muito tempo, assim como todas as coisas que queremos saber.”|fonte=[[A Estrada Perdida e Outros Escritos]] (Parte Um: A Queda de Númenor e a Estrada Perdida; 3. A Estrada Perdida; i. Os Capítulos Iniciais; Capítulo I: Um Avanço. O Jovem Alboin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nem deveis esquecer que [...] Justiça não é Cura. A Cura vem apenas por meio de sofrimento e paciência e não faz exigência nenhuma, nem mesmo Justiça. A Justiça opera apenas dentro das fronteiras das coisas como elas são [...] e, portanto, embora a Justiça seja boa em si mesma e não deseje nenhum mal a mais, pode acabar não mais do que perpetuando o mal que existiu e não o impede de produzir seu fruto de tristeza.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Três: O Quenta Silmarillion Tardio; II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar)}}{{Citação em Bloco|trecho=“O que é esperança?”, disse ela. “Uma expectativa do bem, a qual, embora incerta, tem algum fundamento no que é conhecido? Então não temos nenhuma.” / “Essa é uma das coisas que os Homens chamam de ‘esperança’”, disse Finrod. “Amdir é como a chamamos, ‘olhar para o alto’. Mas existe outra coisa, que é fundada mais solidamente. Estel é como a chamamos, isto é, ‘confiança’. Ela não é derrotada pelos caminhos do mundo, pois não vem da experiência, mas de nossa natureza e primeiro ser.”|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Quatro: Athrabeth Finrod ah Andreth)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mas diz-se que muitas vezes ele desejaria ter escapado de lá, cansando-se das aglomerações do povo e pensando na floresta vazia e agreste ou ouvindo ao longe a música marinha de Ulmo, se seu coração não estivesse cheio de amor por uma mulher dos Gondothlim, e ela era filha do rei.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pois coração desapiedado não conta com o poder que tem a piedade, da qual fúria severa pode ser forjada, e um aceso relâmpago diante do qual tombam montanhas.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A Conclusão do Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deveriam Manwë e os Valar enfrentar segredos com subterfúgio, traição com falsidade, mentiras com mais mentiras? Se Melkor lhes usurpasse os direitos, deveriam negar os dele? Pode o ódio sobrepujar o ódio? Não, Manwë era mais sábio;|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Dois: Corpo, Mente e Espírito; Ósanwe-kenta)}}{{Citação em Bloco|trecho=Assim, o impiedoso sempre há de contar com a piedade, e os mentirosos hão de fazer uso da verdade; pois se a piedade e a verdade forem negadas ao cruel e ao mentiroso, elas deixarão de ser respeitadas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Dois: Corpo, Mente e Espírito; Ósanwe-kenta)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1120</id>
		<title>Citações Marcantes do Legendário</title>
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		<updated>2025-06-03T01:08:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 02/06/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento dos momentos mais marcantes (ou apenas interessantes) do legendário. Ou seja, não necessariamente têm alguma mensagem sobre a vida ou algo do gênero, sendo apenas, por assim dizer, citações “legais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Hobbit (1937) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Até os bons planos de magos sábios como Gandalf e de bons amigos como Elrond dão errado às vezes, quando você parte para aventuras perigosas do outro lado da Borda do Ermo; e Gandalf era um mago sábio o suficiente para perceber isso.|fonte=[[O Hobbit]] (4. Sobre Monte e Sob Monte)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Em Eregion, muito tempo atrás, foram feitos muitos anéis-élficos, anéis mágicos, como você os chama, e é claro que eram de vários tipos: alguns mais potentes e outros menos. Os anéis menores eram apenas ensaios do ofício antes que este estivesse maduro, e para os artífices-élficos eles eram meras miudezas — ainda assim, em minha opinião, arriscados para os mortais. Mas os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, esses eram perigosos.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É uma bela história, apesar de triste, como são todas as histórias da Terra-média, e mesmo assim pode lhes dar ânimo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 11. Um Punhal no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Em uma coisa não mudaste, caro amigo,” comentou Aragorn, “ainda falas por enigmas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O quê? Em enigmas?”, disse Gandalf. “Não! Pois estava falando comigo mesmo em voz alta. Um hábito dos velhos: eles escolhem a pessoa mais sábia presente para falar com ela;”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mithrandir nós o chamávamos à moda dos Elfos,” disse Faramir, “e ele se contentava. ‘Muitos são meus nomes em muitos países’, dizia ele. ‘Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anãos; Olórin eu fui na juventude, no Oeste que está esquecido, no Sul, Incánus, no Norte, Gandalf; ao Leste eu não vou.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV, 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Repentinamente o rei deu uma exclamação para Snawmana, e o cavalo partiu em um salto. [...] Parecia destinado à morte, ou a fúria de batalha de seus pais corria em suas veias como fogo novo, e foi carregado por Snawmana como um deus de outrora, como o próprio Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto, e eis! brilhava como uma imagem do Sol, e a relva se inflamava de verde em torno dos alvos pés de sua montaria. Pois a manhã estava chegando, a manhã e um vento do mar; e a escuridão foi removida, e as hostes de Mordor pranteavam, e o terror se apossou deles, e fugiram, e morreram, e os cascos da ira passaram sobre eles.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 5. A Cavalgada dos Rohirrim)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Vou chegar lá nem que deixe para trás tudo exceto meus ossos”, disse Sam. “E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo lá para cima, nem que quebre minhas costas e meu coração. Então pare de discutir!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Venha, Sr. Frodo!”, exclamou ele. “Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor e ele também. Então levante-se! Vamos lá, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. Só diga a ele aonde ir e ele irá.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com Frodo agarrado às costas, [...] para seu espanto, achou leve o fardo. Ele receara mal ter força para erguer seu patrão sozinho e, além disso, imaginara que compartilharia o terrível peso de arrasto do maldito Anel. Mas não foi assim. Fosse porque Frodo estava tão desgastado por suas longas dores, pela ferida do punhal e pela picada venenosa, e pelo pesar, medo e andança sem lar, ou seja porque lhe fora dado algum dom de força final, Sam ergueu Frodo sem maior dificuldade do que quem carrega uma criança hobbit no cangote [...]. Inspirou fundo e partiu.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sus! senhores e cavaleiros e homens de valor indômito, reis e príncipes, e bela gente de Gondor, e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de Elrond, e Dúnedain do Norte, e Elfo e Anão, e intrépidos do Condado, e todo o povo livre do Oeste, escutai agora a minha balada. Pois vos cantarei de Frodo dos Nove Dedos e do Anel da Perdição.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali terminava a caligrafia de Bilbo, e Frodo escrevera:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A QUEDA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SENHOR DOS ANÉIS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E O&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RETORNO DO REI&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[...] “Ora, o senhor quase o terminou, Sr. Frodo!”, exclamou Sam. “Bem, preciso dizer que se esforçou.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Já terminei, Sam”, disse Frodo. “As últimas páginas são para você.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Então o Rei-bruxo riu-se, e ninguém que o ouviu jamais esqueceu o horror daquele grito. Mas, nesse momento, veio cavalgando Glorfindel em sua montaria branca, e, no meio de seu riso, o Rei-bruxo voltou-se em fuga e passou para as sombras. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Com isso Eärnur cavalgou de volta, mas Glorfindel, observando a escuridão crescente, disse: ‘Não o persigas! Ele não voltará a esta terra. Ainda está muito longe a sua sina e não cairá pela mão de um homem.’ Estas palavras foram lembradas por muitos; mas Eärnur ficou irado, desejando apenas vingar-se pela sua desgraça.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; I. Os Reis Númenóreanos)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mesmo assim eles habitavam, então, no Reino de Arda, e esse era não mais que um pequeno domínio nos salões de Eä, cuja vida é o Tempo, que flui sempre da primeira nota ao último acorde de Eru.|fonte=[[O Silmarillion]] (Quenta Silmarillion; 8. Do Obscurecer de Valinor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Então Fingolfin contemplou (como lhe parecia) a completa ruína dos Noldor [...]; e, cheio de ira e desespero, montou Rochallor, seu grande corcel, e partiu sozinho, e ninguém pôde impedi-lo. [...] e todos os que contemplavam seu avanço fugiam em assombro, pensando que o próprio Oromë chegara: pois uma grande loucura de fúria estava sobre ele, de modo que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim ele chegou sozinho aos portões de Angband, e soou sua trompa, e golpeou, mais uma vez, as portas brônzeas, e desafiou Morgoth a vir para fora para combate singular. E Morgoth veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Por fim, tão desesperado era o caso de Barahir, que Emeldir do Coração-de-homem, sua esposa (cuja intenção era antes lutar ao lado de seu filho e seu marido do que fugir), reuniu todas as mulheres e crianças que tinham restado e deu armas àquelas que queriam usá-las; e as levou para as montanhas atrás de Dorthonion e por caminhos perigosos, até que chegaram enfim, com perdas e sofrimento, a Brethil.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Vazias e silenciosas estavam todas as terras em volta quando o Rei do Mar marchou sobre a Terra-média. Por sete dias viajou com bandeira e trombeta, e chegou a um monte, e o subiu, e dispôs ali seu pavilhão e seu trono; e se sentou em meio à terra, e as tendas de sua hoste estavam todas arranjadas à sua volta, azuis, douradas e brancas, como um campo de altas flores. Então enviou arautos e mandou que Sauron viesse diante dele e lhe jurasse fidelidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Sauron veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora. Por azar, ou por um acaso feliz, o Anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Um grande fardo fora removido. [...] Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra-média.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; I. O Desastre dos Campos de Lis)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] seus jovens e velhos eram ajudados pelas mulheres mais moças, que naquele povo também eram treinadas em armas e lutavam ferozmente em defesa de seus lares e filhos.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (i) Os Nortistas e os Carroceiros)}}{{Citação em Bloco|trecho=Eorl exigiu que o cavalo renunciasse à sua liberdade até o fim da vida, como compensação por seu pai; e Felaróf submeteu-se, apesar de não permitir que nenhum homem, exceto Eorl, o montasse. Compreendia tudo o que diziam os homens e teve vida longa como eles, assim como seus descendentes, os mearas, “que não levavam senão o Rei da Marca ou seus filhos até o tempo de Scadufax”.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (ii) A Cavalgada de Eorl)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘Tu estás armando alguma das tuas, Mestre Gandalf. Tenho certeza de que tu tens outros propósitos além de me ajudar.’&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“‘Tu tens toda a razão’, concordei eu. ‘Se eu não tivesse outros propósitos, nem te estaria ajudando. Por muito que teus negócios te possam parecer importantes, eles são apenas um pequeno fio na grande teia. Eu me ocupo de muitos fios.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não, imaginei que ele [Bilbo] queria permanecer “solteiro” por alguma razão bem profunda, que ele mesmo não compreendia ou não queria reconhecer, pois ela o alarmava. Queria, mesmo assim, ser livre para partir quando surgisse a oportunidade ou quando ele tivesse reunido coragem.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Quando assuntos de peso estão em debate, Mithrandir, espanta-me um pouco que tu te divirtas com teus brinquedos de fogo e fumaça, enquanto outros debatem a sério.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Gandalf riu e respondeu: “Não te espantarias se tu mesmo usasses esta erva. Descobririas que a fumaça soprada limpa sua mente das sombras interiores. Seja como for, ela confere paciência, para escutar os desacertos sem se enraivecer. Mas não é um dos meus brinquedos. É uma arte do Povo Pequeno lá no Oeste: gente alegre e valorosa, apesar de ter pouca importância, quem sabe, nas tuas altas políticas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; IV. A Caçada ao Anel; (iii) Acerca de Gandalf, de Saruman e do Condado)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 1 (1983) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas isso é através dele, e não por ele; e ele verá, e vós todos também, e mesmo esses seres que devem agora morar em meio ao seu mal e, por causa de Melko, tolerar tormento e pesar, terror e perversidade, que isso redunda, no fim, apenas para minha grande glória, e não faz senão tornar o tema mais digno de ser ouvido, a Vida mais digna de ser vivida, e o Mundo tão mais formidável e maravilhoso que, de todos os feitos de Ilúvatar, este será julgado seu mais poderoso e mais belo.’|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 2 (1984) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] há muito tempo se diz entre os Homens que todos os que provassem do coração de um dragão conheceriam todas as línguas de Deuses ou Homens, de aves ou feras, e seus ouvidos captariam os sussurros dos Valar ou de Melko tal como jamais tinham ouvido antes.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 2]] (2. Turambar e o Foalókë)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=De fato em momentos de perigo ou de defesa desesperada, as nissi [mulheres] lutavam valentemente, e havia menos diferença entre a força e velocidade entre homens-élficos e mulheres-élficas que não tinham concebido uma criança do que é visto entre os mortais. Por outro lado muitos homens-élficos eram grandes curadores e habilidosos no estudo de corpos vivos, mas tais homens se abstinham de caçar, e não saiam em guerra até que estritamente necessário.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar) - Tradução não oficial}}{{Citação em Bloco|trecho=Outros [Valar] haviam, incontáveis ao nosso pensamento, embora conhecidos cada um e numerados na mente de Ilúvatar, cujos labores dão-se alhures e em outras regiões e histórias do Grande Conto, dentre estrelas remotas e mundos além do alcance do mais distante pensamento. Mas destes outros nada sabemos e não podemos saber, mas os Valar de Arda, talvez, lembram-se de todos.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Cinco: Mitos Transformados; II) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Guerra das Joias (1994) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Então falou Mandos em profecia, quando os Deuses sentaram-se em julgamento em Valinor, e o rumor de suas palavras foram sussurradas entre todos os Elfos do Oeste. Quando o mundo for velho e os Poderes enfraquecerem, então Morgoth, vendo que a guarda fraquejou, voltará pela Porta da Noite do Vazio Atemporal; e destruirá o Sol e a lua. Mas Eärendil descerá sobre ele como uma chama branca e flamejante e o derrubará dos ares. Então a Última Batalha ocorrerá nos campos de Valinor. Nesse dia Tulkas lutará com Morgoth, e em sua mão direita estará Eönwë, e em sua esquerda Túrin Turambar, filho de Húrin, voltando do Destino dos Homens no fim do mundo; e a espada negra de Túrin dará a Morgoth sua morte e fim definitivo; e assim os filhos de Húrin e todos os Homens serão vingados.|fonte=[[A Guerra das Joias]] (Os Últimos Capítulos do Quenta Silmarillion; A Segunda Profecia de Mandos) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em sua casa sobre as muralhas Idril se veste com cota de malha e busca Eärendel. [...] Idril lutara, sozinha como estava, feito uma tigresa, apesar de toda a sua formosura e pequenez.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Por outro lado, o ato da procriação [dos Elfos], sendo ato de vontade e desejo partilhado e deveras controlado pelo fëa [“espírito”], realizava-se com a presteza de outros atos conscientes e voluntários de deleite ou de feitura. Era um dos atos de principal deleite, em processo e memória, em uma vida élfica, mas sua importância derivava apenas de sua intensidade, não do tempo ou da duração: não podia ser suportado por grande espaço de tempo sem desastroso “gasto”.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento; 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1119</id>
		<title>Citações Não-ficcionais sobre a Vida</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1119"/>
		<updated>2025-04-03T01:12:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 02/04/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento das melhores citações de J.R.R. Tolkien sobre a vida, retiradas exclusivamente de suas obras não-ficcionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Árvore e Folha (1964) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Feéria contém muitas coisas além de elfos e fadas e além de anões, bruxas, trols, gigantes ou dragões. Ela abriga os mares, o sol, a lua, o céu, a terra e todas as coisas que estão nela: árvores e pássaros, água e pedra, vinho e pão e nós mesmos, homens mortais, quando estamos encantados.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia é uma atividade natural humana. Ela certamente não destrói ou mesmo insulta a Razão; e não torna menos aguçado o apetite pela verdade científica, nem obscurece a percepção dela. Ao contrário. Quanto mais aguçada e clara a razão, melhor fantasia fará.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso. [...] Pode ser posta a serviço de fins maus. [...] Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade? Os homens conceberam não apenas elfos, mas imaginaram deuses e os adoraram, adoraram mesmo aqueles mais deformados pelo próprio mal de seus autores. Mas eles fizeram falsos deuses com outros materiais: suas nações, suas bandeiras, seus dinheiros; até suas ciências e suas teorias sociais e econômicas já exigiram sacrifício humano.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] “ver as coisas como nós somos (ou fomos) destinados a vê-las” — como coisas separadas de nós mesmos. Precisamos, em todo o caso, limpar nossas janelas; de forma que as coisas vistas claramente possam ser libertadas do fosco borrão da banalidade ou da familiaridade — da possessividade.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=Por que dever-se-ia escarnecer de um homem se, achando-se na prisão, ele tenta sair e ir para casa? Ou se, quando ele não pode fazê-lo, pensa e fala de outros temas que não carcereiros e paredes de prisão? O mundo lá fora não se tornou menos real porque o prisioneiro não consegue vê-lo.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] um aviso de que não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual).}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] ela é uma graça repentina e miraculosa: nunca se pode contar que ela se repita. Ela não nega a existência da discatástrofe, da tristeza e do fracasso: a possibilidade dessas coisas é necessária para a alegria da libertação; ela nega (diante de muitas evidências, se você quiser) a derrota final universal e, nesse ponto, é evangelium, dando um vislumbre fugidio da Alegria, a Alegria além das muralhas do mundo, pungente como a tristeza.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[O Regresso de Beorhtnoth]], Filho de Beorhthelm)|trecho=“A vontade será mais severa, o coração mais ousado, o espírito maior, conforme nossa força diminui.”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Cartas de J.R.R. Tolkien (1981) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Dizem que o primeiro passo é o mais difícil. Não o considero difícil. Tenho certeza de que eu poderia escrever infinitos “primeiros capítulos”. Escrevi muitos, na verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 23)}}{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Alemão, “confirmação”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não sou de origem ariana: tal palavra implica indo-iraniana; que eu saiba, nenhum dos meus antepassados falava hindustani, persa, romani ou qualquer dialeto relacionado. Mas se devo deduzir que os senhores estão me perguntando se eu sou de origem judaica, só posso responder que lamento o fato de que aparentemente não possuo antepassados deste povo talentoso. Meu trisavô chegou na Inglaterra no século XVIII vindo da Alemanha: a maior parte da minha ascendência, portanto, é puramente inglesa, e sou um cidadão inglês — o que deveria ser suficiente. Fui acostumado, no entanto, a estimar meu nome alemão com orgulho, e continuei a fazê-lo no decorrer do período da lamentável última guerra, na qual servi no exército inglês. Não posso, entretanto, abster-me de comentar que, se indagações impertinentes e irrelevantes desse tipo se tornarem a regra em matéria de literatura, então não está longe o momento em que um nome alemão não mais será um motivo de orgulho.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 30)}}{{Citação em Bloco|trecho=A qualquer minuto, é o que somos e o que estamos fazendo que conta, e não o que planejamos ser ou fazer.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 40)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quase todos os casamentos, mesmo os felizes, são erros: no sentido de que quase certamente (em um mundo mais perfeito, ou mesmo com um pouco mais de cuidado neste mundo muito imperfeito) ambos os parceiros poderiam ter encontrado companheiros mais adequados. Mas a “verdadeira alma gêmea” é aquela com a qual você realmente está casado. [...] apenas a mais rara das sortes junta o homem e a mulher que, de certo modo, são realmente “destinados” um ao outro e capazes de um enorme e esplêndido amor. A ideia ainda nos fascina, agarra-nos pelo pescoço: um grande número de poemas e histórias foi escrito sobre o tema, provavelmente mais do que o total de tais amores na vida real [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 43)}}{{Citação em Bloco|trecho=No fundo, o comercialismo é um porco.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)|trecho=De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular — que provavelmente faria de mim um soldado melhor aos 49 do que eu fui aos 22 — contra aquele maldito tampinha ignorante chamado Adolf Hitler (pois a coisa estranha sobre inspiração e ímpeto demoníacos é que eles de modo algum aumentam a estatura puramente intelectual: afetam mormente a simples vontade), que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.}}{{Citação em Bloco|trecho=Minhas opiniões políticas tendem cada vez mais para a anarquia (filosoficamente compreendida como significando a abolição do controle, não homens barbados com bombas) — ou para a monarquia “inconstitucional”. Eu prenderia qualquer um que use a palavra Estado (em qualquer outro sentido que não o do reino inanimado da Inglaterra e seus habitantes, uma coisa que não tem poder, direitos, nem uma mente);|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Governo é um substantivo abstrato que significa a arte e o processo de governar, e deveria ser uma ofensa escrevê-lo com um G maiúsculo ou usá-lo para se referir a pessoas. Se as pessoas estivessem acostumadas a se referirem ao “conselho do Rei George, Winston e sua turma”, isso ajudaria a desanuviar certas concepções e a reduzir a assustadora vitória esmagadora da Eles-cracia.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o trabalho mais impróprio a qualquer homem, mesmo os santos (os quais, de qualquer maneira, ao menos relutavam em realizá-lo), é mandar em outros homens. Nem mesmo um homem em um milhão é adequado para tal, e menos ainda aqueles que buscam a oportunidade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas o horror particular do mundo atual é que toda a maldita coisa está num mesmo saco. Não há para onde fugir. [...] Há apenas um único ponto brilhante, e esse é o crescente hábito de homens descontentes de dinamitar fábricas e estações de energia; espero que isso, agora encorajado como “patriotismo”, possa permanecer um hábito! Mas não causará bem algum se não for universal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Nascemos em uma era sombria fora do tempo devido (para nós). Porém, há este consolo: de outro modo não conheceríamos, nem amaríamos tanto, o que amamos. Imagino que o peixe fora d’água é o único peixe a ter uma noção do que é água.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como tudo é estúpido! e a guerra multiplica a estupidez por 3 e sua potência por si mesma: assim, os dias preciosos de uma pessoa são regidos por (3x)&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;, onde x = crassidão humana normal (e isso é ruim o suficiente). Contudo, espero que em dias vindouros a experiência de homens e coisas, ainda que dolorosa, mostre-se proveitosa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 61)}}{{Citação em Bloco|trecho=O absoluto desgaste estúpido da guerra, não apenas material, mas moral e espiritual, é tremendo para aqueles que têm de suportá-lo. E sempre foi (apesar dos poetas) e sempre será (apesar dos propagandistas) — não que, é claro, não tenha sido, seja e será necessário enfrentá-lo em um mundo maligno. Mas tão curta é a memória humana e tão evanescentes são suas gerações que em cerca de apenas 30 anos haverá poucas ou nenhuma pessoa com aquela experiência direta que é a única a tocar de fato o coração. A mão queimada é a que mais ensina a respeito do fogo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o mal trabalha com um vasto poder e sucesso perpétuo — em vão, apenas preparando sempre o terreno para que o bem inesperado brote. Assim o é em geral e assim o é em nossas próprias vidas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seja como for, os humanos são o que são, inevitavelmente, e a única cura (fora a Conversão universal) é não ter guerras — nem planejamento, nem organização, nem regimento.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pois estamos tentando conquistar Sauron com o Anel. E seremos bem-sucedidos (ao que parece). Contudo, a punição, como você sabe, é criar novos Saurons e lentamente transformar Homens e Elfos em Orques. Não que na vida real as coisas sejam tão claras como em uma história, e começamos com muitos Orques no nosso lado.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você está dentro de uma história muito grande! Também acho que você está sofrendo de “escrita” suprimida. [...] Possivelmente o inibiu. Creio que se pudesse começar a escrever e encontrar seu próprio modo, ou mesmo (para começar) imitar o meu, você acharia isso um grande conforto. Sinto entre todas as suas dores (algumas simplesmente físicas) o desejo de expressar seu sentimento sobre o bem, o mal, o belo e o feio de algum modo: de racionalizá-lo e impedi-lo de simplesmente supurar. No meu caso, ele gerou Morgoth e a História dos Gnomos. Muitas das partes antigas dela (e dos idiomas) — descartadas ou absorvidas — foram criadas em cantinas enfarruscadas, em preleções em frios nevoeiros, em barracas cheias de blasfêmia e obscenidade ou à luz de vela em tendas de alarme, algumas até mesmo em abrigos de trincheira debaixo de balas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Um pequeno conhecimento de história deprime a pessoa com a sensação da massa e do peso eternos da iniquidade humana: antiquíssima, lúgubre, sem fim, repetitiva depravação incurável e imutável. Todas as cidades, todas as vilas, todas as habitações dos homens — antros! E ao mesmo tempo sabe-se que sempre há o bem: muito mais oculto, muito menos claramente discernido, raramente aparecendo em reconhecíveis belezas visíveis de palavras, feitos ou rostos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 69)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sim, penso nos orques como uma criação tão real quanto qualquer coisa na ficção “realista”: suas palavras vigorosas descrevem bem a tribo; a diferença é que na vida real eles estão em ambos os lados, é claro.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 71)}}{{Citação em Bloco|trecho=E, quando estiver tudo terminado, terá restado às pessoas comuns alguma liberdade (ou direito), ou elas terão de lutar por ela, ou estarão cansadas demais para resistir? A última parece ser a ideia de alguns do Povo Grande que, na maioria das vezes, viram esta guerra de dentro de grandes automóveis.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Receio ter cometido um grande erro ao fazer minha continuação complicada e longa demais e demasiado lenta na publicação. É uma maldição ter o temperamento épico em uma época superlotada dedicada a pedacinhos ligeiros!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pelo menos não acho provável que você decaia permanentemente para o pior; e devo dizer que você precisa engrossar um pouco a camada exterior, mesmo que apenas como uma proteção para o interior mais sensível; e se você conseguir isso, será de permanente valia em qualquer situação mais tarde na vida neste duro mundo (que não mostra sinais de suavização).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Urukhai é apenas uma figura de linguagem. Não há Uruks genuínos, isto é, pessoas tornadas más pela intenção de seu criador; e não há muitas que estão tão corrompidas a ponto de serem irredimíveis (embora eu tema que se deva admitir que há criaturas humanas que parecem irredimíveis, exceto por um milagre especial [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o homem não pode viver de pedra e de areia mas, de qualquer maneira, não posso viver apenas de pão; e se não houvesse a rocha nua, a areia não trilhada e o mar não explorado, passaria a odiar todas as coisas verdes como uma protuberância fungiforme.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pensamentos sombrios acerca de coisas sobre as quais não é possível realmente se saber algo; o futuro é impenetrável, especialmente para os sábios; pois o que é realmente importante está sempre oculto dos contemporâneos, e as sementes do que virá a ser estão germinando silenciosamente na escuridão de algum canto esquecido enquanto todos estão olhando para Stalin ou Hitler [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 79)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não voltei para casa até meia-noite, e caminhei com C.W. parte do caminho, quando nossa conversa se voltou para as dificuldades de se descobrir que fatores comuns, caso houvesse algum, existiam nas noções associadas com a liberdade, tal como usadas atualmente. Não creio que haja algum, pois a palavra tem sido usada de forma tão abusiva pela propaganda que ela deixou de ter qualquer valor para a razão e se tornou uma mera dose emocional para gerar calor. No máximo, ela parece implicar que aqueles que o oprimem devem falar (nativamente) o mesmo idioma — o que, em último caso, é a tudo que as ideias confusas de raça ou nação se resumem; ou de classe na Inglaterra, por falar nisso.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é angustiante ver a imprensa se rebaixando a um nível tão baixo quanto o de Goebbels no seu auge, gritando que qualquer comandante alemão que se mantém firme em uma situação desesperadora (quando as necessidades militares de seu lado também beneficiam) é um beberrão e um fanático apatetado. Não consigo ver muita distinção entre nosso tom popular e os “idiotas militares” celebrados. Sabíamos que Hitler era um cafajestezinho vulgar e ignorante, além de quaisquer outros defeitos (ou das origens deles); mas parece haver muitos cafajestezinhos v. e i. que não falam alemão e que, dada a mesma oportunidade, apresentariam a maioria das outras características hitlerianas. Houve um artigo no jornal local defendendo seriamente o extermínio sistemático de toda a nação alemã como o único curso apropriado após a vitória militar: porque, com sua licença, eles são cascavéis e não sabem a diferença entre o bem e o mal! (O que dizer do autor?) Os alemães têm tanto direito de declarar os poloneses e judeus vermes subumanos e extermináveis quanto nós temos de selecionar os alemães: em outras palavras, nenhum direito, o que quer que tenham feito. É claro, ainda há uma diferença aqui. O artigo foi respondido e a resposta impressa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, você não é o único que deseja soltar vapor ou rebentar às vezes; e eu poderia soltar vapor se abrisse a válvula, comparada com a qual (como a Rainha disse à Alice) isso seria apenas um borrifo de perfume. Não dá para evitar. Você não pode enfrentar o Inimigo com o Anel dele sem se tornar um Inimigo; mas, infelizmente, a sabedoria de Gandalf parece ter passado com ele há muito tempo para o Verdadeiro Oeste [Valinor].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas estou com a sede de viagens outonal, e de bom grado eu partiria com uma mochila nas minhas costas e sem um destino específico, a não ser por uma série de estalagens sossegadas. Um dos prazeres há muito adiados que devemos prometer a nós mesmos, quando agradar a Deus nos libertar e nos reunir, é simplesmente tal perambulação, juntos, de preferência no interior montanhoso, não muito longe do mar, onde as cicatrizes de guerra, matas derrubadas e campos aplainados não são tão fáceis de se ver.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Se um ragnarök queimasse todos os cortiços, gasômetros, garagens desarrumadas e subúrbios iluminados por lâmpadas a arco voltaico, por mim ele poderia queimar todas as obras de arte — e eu voltaria para as árvores.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 83)}}{{Citação em Bloco|trecho=Encostado na parede quando saíamos da igreja havia um velho mendigo esfarrapado, algo parecido com sandálias amarradas a seus pés com barbante, uma velha lata em um pulso e na sua outra mão um cajado grosseiro. [...] Dessa vez muito surpreendi o Pe. C. ao lhe dizer que eu achava que o velho se parecia muito mais com S. José do que a estátua na igreja — de qualquer maneira, S. José a caminho do Egito. Ele parece ser (e que pensamento feliz nestes dias miseráveis em que a pobreza parece trazer apenas pecado e sofrimento) um mendigo santo!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 89)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas temo que uma Força Aérea é uma coisa fundamentalmente irracional per se. Eu poderia desejar encarecidamente que você nada tivesse a ver com algo tão monstruoso. [...] Mas tais desejos são vãos, e é seu dever, compreendo claramente, fazer nesse serviço o melhor que está ao alcance de sua força e de sua aptidão. Em todo caso, talvez seja apenas um tipo de aversão, como um homem que gosta de bife e rim (ou gostava), mas não quer estar ligado ao negócio de abate. Enquanto a guerra for lutada com tais armas, e se aceite quaisquer benefícios que possam advir (tais como a preservação da própria pele e até mesmo a “vitória”), é simplesmente se esquivar do problema considerar as aeronaves de guerra um horror especial. Faço isso mesmo assim.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 92)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se a lit. nos ensina algo, é isto: que temos em nós um elemento eterno, livre de preocupação e medo, que pode analisar as coisas que na “vida” chamamos de más com serenidade (isto é, não sem apreciar sua qualidade, mas também sem qualquer perturbação do nosso equilíbrio espiritual). Não do mesmo modo, mas de algum modo similar, todos nós sem dúvida havemos de analisar nossa própria história quando a conhecermos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 94)}}{{Citação em Bloco|trecho=Assim como (para comparar com uma coisa pequena) o urbano convertido tira mais proveito do interior do que o simples caipira, mas não pode se tornar um verdadeiro homem da terra, ele ao mesmo tempo é mais e de um certo modo menos (verdadeiramente menos térreo, de qualquer forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=Uma história deve ser contada ou não haverá história e, ainda assim, são as histórias não contadas que são mais comoventes. Acho que você ficou comovido com Celebrimbor porque ele transmite uma sensação de infinitas histórias não contadas: montanhas vistas ao longe, que jamais serão escaladas, árvores distantes (como a de Cisco) das quais jamais se aproximará — ou, caso seja possível, apenas para se tornarem “árvores próximas” (a não ser no Paraíso ou na Paróquia de C).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=A destruição e miséria aterradoras desta guerra aumentam de hora em hora: destruição do que deveria ser (e de fato é) a riqueza comum da Europa e do mundo se a humanidade não fosse tão estúpida, riqueza cuja perda afetará a todos nós, vencedores ou não. Todavia, as pessoas tripudiam ao ouvir a respeito das filas intermináveis, de 40 milhas de comprimento, de refugiados miseráveis, mulheres e crianças afluindo para o Ocidente, morrendo no caminho. Parece que não restam vestígios de piedade ou compaixão, nem imaginação, nesta sombria hora diabólica.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] a Guerra não terminou (e a que terminou, ou parte dela, foi grandemente perdida). Mas é claro que é errado nos deixarmos levar por tal estado de espírito, pois as Guerras são sempre perdidas, e A Guerra sempre continua; e não adianta nada esmorecer!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 101)}}{{Citação em Bloco|trecho=É possível fazer do Anel uma alegoria de nossa própria época caso se queira: uma alegoria do destino inevitável que espera por todas as tentativas de derrotar o poder maligno com poder.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seria inútil fingir que eu não desejo muito sua publicação, visto que uma arte solitária não é arte, nem que eu não sinto prazer com elogios, com tão pouca vaidade quanto um homem caído pode lidar (ele não possui muito mais participação em suas obras do que nos filhos de sua própria carne, mas já é alguma coisa possuir uma função); mesmo assim, o principal é completar a própria obra, na medida em que a conclusão possui algum sentido real.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=É um dos mistérios da dor que ela seja, para o sofredor, uma oportunidade para o bem, um caminho de ascensão, por mais árduo que seja.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 113)}}{{Citação em Bloco|trecho=Desagrada-me a Alegoria — consciente e intencional; todavia, qualquer tentativa de explicar o propósito dos mitos ou dos contos de fadas deve empregar uma linguagem alegórica. (E, é claro, quanto mais “vida” uma história tiver, mais facilmente ela será suscetível a interpretações alegóricas, enquanto que quanto melhor uma alegoria deliberada for feita, mais prontamente ela será aceitável apenas como uma história.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=O Inimigo, em sucessivas formas, sempre se ocupa “naturalmente” da mera Dominação, sendo o Senhor da magia e das máquinas; mas o problema — de que esse mal aterrorizante pode surgir, e surge, de uma raiz aparentemente boa, o desejo de beneficiar o mundo e os demais, rapidamente e de acordo com os próprios planos do benfeitor — é um motivo recorrente.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqui [em Beren e Lúthien] encontramos, entre outras coisas, o primeiro exemplo do motivo (que se tornará dominante nos Hobbits) de que as grandes políticas da história mundial, “as rodas do mundo”, são frequentemente giradas não pelos Senhores e Governantes, ou mesmo pelos deuses, mas pelos aparentemente desconhecidos e fracos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se você tiver, por assim dizer, feito um “voto de pobreza”, renunciado ao controle e contentar-se com as coisas em si mesmas sem referência a si próprio, vigiando, observando e de certa forma conhecendo, então a questão dos bens e males do poder e do controle pode se tornar totalmente sem sentido para você, e os meios do poder, sem valor algum. É uma visão pacifista natural, que sempre vem à mente quando há uma guerra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é claro que humildade e consciência do perigo são necessárias. Um escritor pode ser basicamente “benevolente” no seu entendimento (como espero que eu seja) e ainda assim não ser “benéfico” devido ao erro e à estupidez. Eu afirmaria, se não achasse isso presunçoso em alguém tão mal instruído, ter como um objetivo a elucidação da verdade, e o encorajamento da boa moral neste mundo real, através do antigo artifício de exemplificá-las em personificações pouco conhecidas, que podem tender a “esclarecê-las”. Mas posso estar errado, é claro (em alguns ou em todos os pontos): minhas verdades podem não ser verdadeiras ou podem estar distorcidas: e o espelho que criei pode estar embaçado e quebrado. Porém, preciso estar completamente convencido de que qualquer coisa que “simulei” é realmente danosa, per se e não meramente porque é mal compreendida, antes de me retratar ou reescrever algo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 153)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou (obviamente) muito apaixonado pelas plantas e, acima de tudo, pelas árvores, e sempre fui; e considero os maus-tratos humanos para com elas tão difíceis de se tolerar quanto alguns consideram o maltrato de animais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] mas fico [...] deveras pesaroso com o fracasso de Gollum em (quase) arrepender-se quando interrompido por Sam: isso realmente me parece com o mundo real, no qual os instrumentos de justa retribuição são eles próprios raramente justos ou sagrados; e os bons frequentemente são empecilhos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não é verdade sobre o passado ou o presente dizer que “apenas os ricos e aqueles de férias conseguem viajar”. A maioria dos homens faz algumas viagens. Se elas são longas ou curtas, com uma missão ou simplesmente para ir “lá e de volta outra vez”, não é de primordial importância. Conforme tentei expressar na Canção de Caminhada de Bilbo, até mesmo uma caminhada ao anoitecer pode ter efeitos importantes. Quando Sam não fora além da Ponta do Bosque, ele já havia tido uma “experiência impressionante”. Pois se há algo em uma viagem de qualquer duração, para mim é isto: uma libertação do estado vegetativo de sofredor passivo e indefeso, um exercício de vontade e de mobilidade por menor que seja — e de curiosidade, sem o qual uma mente racional torna-se estultificada.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Na minha história, não lido com o Mal Absoluto. Não creio que haja tal coisa, uma vez que ela é Nula. Não creio, de qualquer modo, que qualquer “ser racional” seja completamente mau. Satã caiu. Em meu mito, Morgoth caiu antes da Criação do mundo físico. Na minha história, Sauron representa a maior aproximação possível daquilo que é completamente mau. Ele seguiu o caminho de todos os tiranos: começando bem, pelo menos no nível que, apesar de desejar ordenar todas as coisas de acordo com sua própria sabedoria, ele no início ainda levava em consideração o bem-estar (econômico) de outros habitantes da Terra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, percebi de súbito que sou um filólogo puro. Gosto de história e fico comovido com ela, mas seus melhores momentos para mim são aqueles em que ela lança luz sobre palavras e nomes! [...] estranhamente, acho que a coisa que realmente mexe comigo é a que você mencionou casualmente: atta, attila.&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Sem essas sílabas, todo o grande drama tanto de história como de lenda perde o sabor para mim — ou perderia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Christopher Tolkien disse em sua palestra: “Para as hostes de Átila convergiram homens de muitos povos germânicos. .... De fato, seu próprio nome parece ser gótico, um diminutivo de atta, a palavra gótica para ‘pai’.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 205)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou de fato um Hobbit (em tudo, exceto no tamanho). Gosto de jardins, de árvores e de terras aráveis não mecanizadas; fumo um cachimbo e gosto de uma boa comida simples (não refrigerada), mas detesto a culinária francesa; gosto de, e ainda ouso vestir nestes dias sem brilho, coletes ornamentais. Gosto muito de cogumelos (tirados de um campo); possuo um senso de humor muito simples (que até mesmo meus críticos apreciativos acham cansativo); durmo tarde e acordo tarde (quando possível). Não viajo muito.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 213)}}{{Citação em Bloco|trecho=Escrevo coisas que podem ser classificadas como estórias de fadas não porque desejo me dirigir a crianças (que, enquanto crianças, não acredito estarem especialmente interessadas nesse tipo de ficção), mas porque desejo escrever esse tipo de história e nenhum outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço isso porque, caso eu não esteja aplicando um título por demais grandiloquente a ele, acredito que meu comentário sobre o mundo seja mais fácil e naturalmente expressado nessa forma.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=A vida está muito acima da medida de todos nós (exceto, talvez, por alguns poucos). Nós todos precisamos de uma literatura que esteja acima de nossa medida — embora talvez não tenhamos energia suficiente para ela o tempo todo. [...] Um bom vocabulário não é adquirido com a leitura de livros escritos de acordo com alguma noção acerca do vocabulário de determinada faixa etária. Ele vem da leitura de livros acima dessa faixa etária.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quanto a plenilune e argent, são palavras belas antes que sejam compreendidas — gostaria de poder ter o prazer de encontrá-las novamente pela primeira vez! — e como alguém pode conhecê-las até encontrá-las? E certamente o primeiro encontro deve ocorrer em um contexto vivo, e não em um dicionário, como flores secas em um hortus siccus!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crianças não são uma classe ou uma espécie, são um grupo heterogêneo de pessoas imaturas, que variam, como acontece com todas as pessoas, em seu alcance e em sua habilidade de estendê-lo quando estimuladas. Tão logo se limite o vocabulário ao que se supõe estar ao alcance delas, isso na verdade simplesmente nega às talentosas a chance de estendê-lo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 234)}}{{Citação em Bloco|trecho=Bem, aí vem o Natal! Aquela coisa extraordinária que “comercialismo” algum pode de fato macular — a não ser que se permita.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 243)}}{{Citação em Bloco|trecho=A nós mesmos devemos apresentar o ideal absoluto sem comprometimento, pois não conhecemos nossos próprios limites de força natural (+ graça) e, se não almejarmos o mais elevado, certamente não atingiremos o máximo que poderíamos alcançar.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=Somos criaturas finitas com limitações absolutas sobre os poderes de nossa estrutura de corpo e alma tanto em ação como em resistência. O fracasso moral só pode ser asseverado, creio, quando o esforço ou resistência de um homem não atinge seus limites, e a culpa diminui conforme se chega mais próximo desse limite.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] nada é sagrado para o Comércio, nem mesmo a Arte.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 254a)}}{{Citação em Bloco|trecho=Visto que estamos lidando com Homens, é inevitável que devemos nos preocupar com a característica mais lamentável de sua natureza: sua rápida saciedade com o bem.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 256)}}{{Citação em Bloco|trecho=Era magnânimo, de guarda contra todos os preconceitos, embora alguns estivessem enraizados demais em sua experiência nativa para serem observados por ele.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] gostaria que pudesse ser proibido que, após a morte de um grande homem, homenzinhos escrevessem sobre ele, homenzinhos esses que não possuem e devem saber que não possuem conhecimento suficiente de sua vida e caráter para lhes dar qualquer chave para a verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=A busca “protestante” em direção ao passado pela “simplicidade” e retidão — a qual, é claro, apesar de conter alguns motivos bons ou pelo menos inteligíveis, é equivocada e de fato vã. Porque o “cristianismo primitivo” é agora e, apesar de toda “pesquisa”, sempre permanecerá amplamente desconhecido; pois “primitivismo” não é garantia de valor e é, e foi, em grande parte um reflexo da ignorância. Graves abusos eram um elemento do comportamento “litúrgico” cristão desde o início tanto quanto o são agora. (As críticas severas de S. Paulo sobre o comportamento eucarístico são suficientes para mostrar isso!) Ainda mais porque a “minha igreja” não foi pretendida por Nosso Senhor para ser estática ou permanecer em perpétua infância, mas para ser um organismo vivo (semelhante a uma planta), que se desenvolve e muda o exterior pela interação de sua vida e história divinas legadas — as circunstâncias especiais do mundo no qual se encontra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 306)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas para mim permaneci John. Ronald era para meus parentes próximos. Meus amigos no colégio, em Oxford e mais tarde chamavam-me de John (ou ocasionalmente John Ronald ou J. R. ao quadrado).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 309)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqueles que acreditam em um Deus, em um Criador pessoal, não acham que o Universo em si é digno de adoração, embora o estudo devotado dele possa ser um dos modos de honrá-Lo. E enquanto estivermos, como criaturas vivas que somos (em parte), dentro dele e formos parte dele, nossas ideias de Deus e as maneiras de expressá-las serão em grande parte derivadas da contemplação do mundo ao nosso redor.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 310)}}{{Citação em Bloco|trecho=Só posso responder: “De sua própria sanidade, homem algum pode seguramente fazer julgamentos. Se a santidade reside em sua obra, ou como uma luz penetrante ilumina-a, então ela não vem dele, mas através dele. E nenhum de vocês a perceberia dessa forma a não ser que ela também estivesse com vocês. Do contrário, nada veriam ou sentiriam, ou (caso algum outro espírito estivesse presente) se encheriam de desdém, náusea, ódio.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=É claro que O S.A. não me pertence. Ele foi criado e agora deve seguir seu caminho designado no mundo, apesar de, naturalmente, eu me interessar muito sobre seu destino, como faria um pai com relação a um filho. Fico aliviado por saber que ele tem bons amigos para defendê-lo da malícia de seus inimigos. (Mas nem todos os tolos estão no outro campo.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] creio ser injusto usar meu nome como um adjetivo qualificador de “melancolia”, especialmente em um contexto que trata das árvores. Em todas as minhas obras, tomo o lado das árvores contra todos seus inimigos. Lothlórien é bela porque lá as árvores eram amadas; nos outros lugares as florestas são representadas como que despertando para a consciência de si mesmas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 339)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: O Dom da Amizade (2003) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|fonte=[[J.R.R. Tolkien &amp;amp; C.S. Lewis: O Dom da Amizade]] (10. Surpreendido por Cambridge e desapontado pela alegria (1954-1963))|trecho=“Tenho o ódio ao apartheid em meus ossos; e mais do que tudo, detesto a segregação ou separação entre língua e literatura. Não me importo qual delas você pense que seja branca.”}}&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1118</id>
		<title>Citações Não-ficcionais sobre a Vida</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1118"/>
		<updated>2025-03-30T20:44:21Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 30/03/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento das melhores citações de J.R.R. Tolkien sobre a vida, retiradas exclusivamente de suas obras não-ficcionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Árvore e Folha (1964) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Feéria contém muitas coisas além de elfos e fadas e além de anões, bruxas, trols, gigantes ou dragões. Ela abriga os mares, o sol, a lua, o céu, a terra e todas as coisas que estão nela: árvores e pássaros, água e pedra, vinho e pão e nós mesmos, homens mortais, quando estamos encantados.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia é uma atividade natural humana. Ela certamente não destrói ou mesmo insulta a Razão; e não torna menos aguçado o apetite pela verdade científica, nem obscurece a percepção dela. Ao contrário. Quanto mais aguçada e clara a razão, melhor fantasia fará.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso. [...] Pode ser posta a serviço de fins maus. [...] Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade? Os homens conceberam não apenas elfos, mas imaginaram deuses e os adoraram, adoraram mesmo aqueles mais deformados pelo próprio mal de seus autores. Mas eles fizeram falsos deuses com outros materiais: suas nações, suas bandeiras, seus dinheiros; até suas ciências e suas teorias sociais e econômicas já exigiram sacrifício humano.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] “ver as coisas como nós somos (ou fomos) destinados a vê-las” — como coisas separadas de nós mesmos. Precisamos, em todo o caso, limpar nossas janelas; de forma que as coisas vistas claramente possam ser libertadas do fosco borrão da banalidade ou da familiaridade — da possessividade.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=Por que dever-se-ia escarnecer de um homem se, achando-se na prisão, ele tenta sair e ir para casa? Ou se, quando ele não pode fazê-lo, pensa e fala de outros temas que não carcereiros e paredes de prisão? O mundo lá fora não se tornou menos real porque o prisioneiro não consegue vê-lo.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] um aviso de que não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual).}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] ela é uma graça repentina e miraculosa: nunca se pode contar que ela se repita. Ela não nega a existência da discatástrofe, da tristeza e do fracasso: a possibilidade dessas coisas é necessária para a alegria da libertação; ela nega (diante de muitas evidências, se você quiser) a derrota final universal e, nesse ponto, é evangelium, dando um vislumbre fugidio da Alegria, a Alegria além das muralhas do mundo, pungente como a tristeza.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[O Regresso de Beorhtnoth]], Filho de Beorhthelm)|trecho=“A vontade será mais severa, o coração mais ousado, o espírito maior, conforme nossa força diminui.”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Cartas de J.R.R. Tolkien (1981) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Dizem que o primeiro passo é o mais difícil. Não o considero difícil. Tenho certeza de que eu poderia escrever infinitos “primeiros capítulos”. Escrevi muitos, na verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 23)}}{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Alemão, “confirmação”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não sou de origem ariana: tal palavra implica indo-iraniana; que eu saiba, nenhum dos meus antepassados falava hindustani, persa, romani ou qualquer dialeto relacionado. Mas se devo deduzir que os senhores estão me perguntando se eu sou de origem judaica, só posso responder que lamento o fato de que aparentemente não possuo antepassados deste povo talentoso. Meu trisavô chegou na Inglaterra no século XVIII vindo da Alemanha: a maior parte da minha ascendência, portanto, é puramente inglesa, e sou um cidadão inglês — o que deveria ser suficiente. Fui acostumado, no entanto, a estimar meu nome alemão com orgulho, e continuei a fazê-lo no decorrer do período da lamentável última guerra, na qual servi no exército inglês. Não posso, entretanto, abster-me de comentar que, se indagações impertinentes e irrelevantes desse tipo se tornarem a regra em matéria de literatura, então não está longe o momento em que um nome alemão não mais será um motivo de orgulho.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 30)}}{{Citação em Bloco|trecho=A qualquer minuto, é o que somos e o que estamos fazendo que conta, e não o que planejamos ser ou fazer.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 40)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quase todos os casamentos, mesmo os felizes, são erros: no sentido de que quase certamente (em um mundo mais perfeito, ou mesmo com um pouco mais de cuidado neste mundo muito imperfeito) ambos os parceiros poderiam ter encontrado companheiros mais adequados. Mas a “verdadeira alma gêmea” é aquela com a qual você realmente está casado. [...] apenas a mais rara das sortes junta o homem e a mulher que, de certo modo, são realmente “destinados” um ao outro e capazes de um enorme e esplêndido amor. A ideia ainda nos fascina, agarra-nos pelo pescoço: um grande número de poemas e histórias foi escrito sobre o tema, provavelmente mais do que o total de tais amores na vida real [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 43)}}{{Citação em Bloco|trecho=No fundo, o comercialismo é um porco.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)|trecho=De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular — que provavelmente faria de mim um soldado melhor aos 49 do que eu fui aos 22 — contra aquele maldito tampinha ignorante chamado Adolf Hitler (pois a coisa estranha sobre inspiração e ímpeto demoníacos é que eles de modo algum aumentam a estatura puramente intelectual: afetam mormente a simples vontade), que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.}}{{Citação em Bloco|trecho=Minhas opiniões políticas tendem cada vez mais para a anarquia (filosoficamente compreendida como significando a abolição do controle, não homens barbados com bombas) — ou para a monarquia “inconstitucional”. Eu prenderia qualquer um que use a palavra Estado (em qualquer outro sentido que não o do reino inanimado da Inglaterra e seus habitantes, uma coisa que não tem poder, direitos, nem uma mente);|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Governo é um substantivo abstrato que significa a arte e o processo de governar, e deveria ser uma ofensa escrevê-lo com um G maiúsculo ou usá-lo para se referir a pessoas. Se as pessoas estivessem acostumadas a se referirem ao “conselho do Rei George, Winston e sua turma”, isso ajudaria a desanuviar certas concepções e a reduzir a assustadora vitória esmagadora da Eles-cracia.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o trabalho mais impróprio a qualquer homem, mesmo os santos (os quais, de qualquer maneira, ao menos relutavam em realizá-lo), é mandar em outros homens. Nem mesmo um homem em um milhão é adequado para tal, e menos ainda aqueles que buscam a oportunidade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas o horror particular do mundo atual é que toda a maldita coisa está num mesmo saco. Não há para onde fugir. [...] Há apenas um único ponto brilhante, e esse é o crescente hábito de homens descontentes de dinamitar fábricas e estações de energia; espero que isso, agora encorajado como “patriotismo”, possa permanecer um hábito! Mas não causará bem algum se não for universal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Nascemos em uma era sombria fora do tempo devido (para nós). Porém, há este consolo: de outro modo não conheceríamos, nem amaríamos tanto, o que amamos. Imagino que o peixe fora d’água é o único peixe a ter uma noção do que é água.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como tudo é estúpido! e a guerra multiplica a estupidez por 3 e sua potência por si mesma: assim, os dias preciosos de uma pessoa são regidos por (3x)&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;, onde x = crassidão humana normal (e isso é ruim o suficiente). Contudo, espero que em dias vindouros a experiência de homens e coisas, ainda que dolorosa, mostre-se proveitosa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 61)}}{{Citação em Bloco|trecho=O absoluto desgaste estúpido da guerra, não apenas material, mas moral e espiritual, é tremendo para aqueles que têm de suportá-lo. E sempre foi (apesar dos poetas) e sempre será (apesar dos propagandistas) — não que, é claro, não tenha sido, seja e será necessário enfrentá-lo em um mundo maligno. Mas tão curta é a memória humana e tão evanescentes são suas gerações que em cerca de apenas 30 anos haverá poucas ou nenhuma pessoa com aquela experiência direta que é a única a tocar de fato o coração. A mão queimada é a que mais ensina a respeito do fogo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o mal trabalha com um vasto poder e sucesso perpétuo — em vão, apenas preparando sempre o terreno para que o bem inesperado brote. Assim o é em geral e assim o é em nossas próprias vidas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seja como for, os humanos são o que são, inevitavelmente, e a única cura (fora a Conversão universal) é não ter guerras — nem planejamento, nem organização, nem regimento.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pois estamos tentando conquistar Sauron com o Anel. E seremos bem-sucedidos (ao que parece). Contudo, a punição, como você sabe, é criar novos Saurons e lentamente transformar Homens e Elfos em Orques. Não que na vida real as coisas sejam tão claras como em uma história, e começamos com muitos Orques no nosso lado.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você está dentro de uma história muito grande! Também acho que você está sofrendo de “escrita” suprimida. [...] Possivelmente o inibiu. Creio que se pudesse começar a escrever e encontrar seu próprio modo, ou mesmo (para começar) imitar o meu, você acharia isso um grande conforto. Sinto entre todas as suas dores (algumas simplesmente físicas) o desejo de expressar seu sentimento sobre o bem, o mal, o belo e o feio de algum modo: de racionalizá-lo e impedi-lo de simplesmente supurar. No meu caso, ele gerou Morgoth e a História dos Gnomos. Muitas das partes antigas dela (e dos idiomas) — descartadas ou absorvidas — foram criadas em cantinas enfarruscadas, em preleções em frios nevoeiros, em barracas cheias de blasfêmia e obscenidade ou à luz de vela em tendas de alarme, algumas até mesmo em abrigos de trincheira debaixo de balas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Um pequeno conhecimento de história deprime a pessoa com a sensação da massa e do peso eternos da iniquidade humana: antiquíssima, lúgubre, sem fim, repetitiva depravação incurável e imutável. Todas as cidades, todas as vilas, todas as habitações dos homens — antros! E ao mesmo tempo sabe-se que sempre há o bem: muito mais oculto, muito menos claramente discernido, raramente aparecendo em reconhecíveis belezas visíveis de palavras, feitos ou rostos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 69)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sim, penso nos orques como uma criação tão real quanto qualquer coisa na ficção “realista”: suas palavras vigorosas descrevem bem a tribo; a diferença é que na vida real eles estão em ambos os lados, é claro.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 71)}}{{Citação em Bloco|trecho=E, quando estiver tudo terminado, terá restado às pessoas comuns alguma liberdade (ou direito), ou elas terão de lutar por ela, ou estarão cansadas demais para resistir? A última parece ser a ideia de alguns do Povo Grande que, na maioria das vezes, viram esta guerra de dentro de grandes automóveis.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Receio ter cometido um grande erro ao fazer minha continuação complicada e longa demais e demasiado lenta na publicação. É uma maldição ter o temperamento épico em uma época superlotada dedicada a pedacinhos ligeiros!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pelo menos não acho provável que você decaia permanentemente para o pior; e devo dizer que você precisa engrossar um pouco a camada exterior, mesmo que apenas como uma proteção para o interior mais sensível; e se você conseguir isso, será de permanente valia em qualquer situação mais tarde na vida neste duro mundo (que não mostra sinais de suavização).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Urukhai é apenas uma figura de linguagem. Não há Uruks genuínos, isto é, pessoas tornadas más pela intenção de seu criador; e não há muitas que estão tão corrompidas a ponto de serem irredimíveis (embora eu tema que se deva admitir que há criaturas humanas que parecem irredimíveis, exceto por um milagre especial [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o homem não pode viver de pedra e de areia mas, de qualquer maneira, não posso viver apenas de pão; e se não houvesse a rocha nua, a areia não trilhada e o mar não explorado, passaria a odiar todas as coisas verdes como uma protuberância fungiforme.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pensamentos sombrios acerca de coisas sobre as quais não é possível realmente se saber algo; o futuro é impenetrável, especialmente para os sábios; pois o que é realmente importante está sempre oculto dos contemporâneos, e as sementes do que virá a ser estão germinando silenciosamente na escuridão de algum canto esquecido enquanto todos estão olhando para Stalin ou Hitler [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 79)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não voltei para casa até meia-noite, e caminhei com C.W. parte do caminho, quando nossa conversa se voltou para as dificuldades de se descobrir que fatores comuns, caso houvesse algum, existiam nas noções associadas com a liberdade, tal como usadas atualmente. Não creio que haja algum, pois a palavra tem sido usada de forma tão abusiva pela propaganda que ela deixou de ter qualquer valor para a razão e se tornou uma mera dose emocional para gerar calor. No máximo, ela parece implicar que aqueles que o oprimem devem falar (nativamente) o mesmo idioma — o que, em último caso, é a tudo que as ideias confusas de raça ou nação se resumem; ou de classe na Inglaterra, por falar nisso.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é angustiante ver a imprensa se rebaixando a um nível tão baixo quanto o de Goebbels no seu auge, gritando que qualquer comandante alemão que se mantém firme em uma situação desesperadora (quando as necessidades militares de seu lado também beneficiam) é um beberrão e um fanático apatetado. Não consigo ver muita distinção entre nosso tom popular e os “idiotas militares” celebrados. Sabíamos que Hitler era um cafajestezinho vulgar e ignorante, além de quaisquer outros defeitos (ou das origens deles); mas parece haver muitos cafajestezinhos v. e i. que não falam alemão e que, dada a mesma oportunidade, apresentariam a maioria das outras características hitlerianas. Houve um artigo no jornal local defendendo seriamente o extermínio sistemático de toda a nação alemã como o único curso apropriado após a vitória militar: porque, com sua licença, eles são cascavéis e não sabem a diferença entre o bem e o mal! (O que dizer do autor?) Os alemães têm tanto direito de declarar os poloneses e judeus vermes subumanos e extermináveis quanto nós temos de selecionar os alemães: em outras palavras, nenhum direito, o que quer que tenham feito. É claro, ainda há uma diferença aqui. O artigo foi respondido e a resposta impressa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, você não é o único que deseja soltar vapor ou rebentar às vezes; e eu poderia soltar vapor se abrisse a válvula, comparada com a qual (como a Rainha disse à Alice) isso seria apenas um borrifo de perfume. Não dá para evitar. Você não pode enfrentar o Inimigo com o Anel dele sem se tornar um Inimigo; mas, infelizmente, a sabedoria de Gandalf parece ter passado com ele há muito tempo para o Verdadeiro Oeste [Valinor].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas estou com a sede de viagens outonal, e de bom grado eu partiria com uma mochila nas minhas costas e sem um destino específico, a não ser por uma série de estalagens sossegadas. Um dos prazeres há muito adiados que devemos prometer a nós mesmos, quando agradar a Deus nos libertar e nos reunir, é simplesmente tal perambulação, juntos, de preferência no interior montanhoso, não muito longe do mar, onde as cicatrizes de guerra, matas derrubadas e campos aplainados não são tão fáceis de se ver.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Se um ragnarök queimasse todos os cortiços, gasômetros, garagens desarrumadas e subúrbios iluminados por lâmpadas a arco voltaico, por mim ele poderia queimar todas as obras de arte — e eu voltaria para as árvores.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 83)}}{{Citação em Bloco|trecho=Encostado na parede quando saíamos da igreja havia um velho mendigo esfarrapado, algo parecido com sandálias amarradas a seus pés com barbante, uma velha lata em um pulso e na sua outra mão um cajado grosseiro. [...] Dessa vez muito surpreendi o Pe. C. ao lhe dizer que eu achava que o velho se parecia muito mais com S. José do que a estátua na igreja — de qualquer maneira, S. José a caminho do Egito. Ele parece ser (e que pensamento feliz nestes dias miseráveis em que a pobreza parece trazer apenas pecado e sofrimento) um mendigo santo!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 89)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas temo que uma Força Aérea é uma coisa fundamentalmente irracional per se. Eu poderia desejar encarecidamente que você nada tivesse a ver com algo tão monstruoso. [...] Mas tais desejos são vãos, e é seu dever, compreendo claramente, fazer nesse serviço o melhor que está ao alcance de sua força e de sua aptidão. Em todo caso, talvez seja apenas um tipo de aversão, como um homem que gosta de bife e rim (ou gostava), mas não quer estar ligado ao negócio de abate. Enquanto a guerra for lutada com tais armas, e se aceite quaisquer benefícios que possam advir (tais como a preservação da própria pele e até mesmo a “vitória”), é simplesmente se esquivar do problema considerar as aeronaves de guerra um horror especial. Faço isso mesmo assim.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 92)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se a lit. nos ensina algo, é isto: que temos em nós um elemento eterno, livre de preocupação e medo, que pode analisar as coisas que na “vida” chamamos de más com serenidade (isto é, não sem apreciar sua qualidade, mas também sem qualquer perturbação do nosso equilíbrio espiritual). Não do mesmo modo, mas de algum modo similar, todos nós sem dúvida havemos de analisar nossa própria história quando a conhecermos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 94)}}{{Citação em Bloco|trecho=Assim como (para comparar com uma coisa pequena) o urbano convertido tira mais proveito do interior do que o simples caipira, mas não pode se tornar um verdadeiro homem da terra, ele ao mesmo tempo é mais e de um certo modo menos (verdadeiramente menos térreo, de qualquer forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=Uma história deve ser contada ou não haverá história e, ainda assim, são as histórias não contadas que são mais comoventes. Acho que você ficou comovido com Celebrimbor porque ele transmite uma sensação de infinitas histórias não contadas: montanhas vistas ao longe, que jamais serão escaladas, árvores distantes (como a de Cisco) das quais jamais se aproximará — ou, caso seja possível, apenas para se tornarem “árvores próximas” (a não ser no Paraíso ou na Paróquia de C).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=A destruição e miséria aterradoras desta guerra aumentam de hora em hora: destruição do que deveria ser (e de fato é) a riqueza comum da Europa e do mundo se a humanidade não fosse tão estúpida, riqueza cuja perda afetará a todos nós, vencedores ou não. Todavia, as pessoas tripudiam ao ouvir a respeito das filas intermináveis, de 40 milhas de comprimento, de refugiados miseráveis, mulheres e crianças afluindo para o Ocidente, morrendo no caminho. Parece que não restam vestígios de piedade ou compaixão, nem imaginação, nesta sombria hora diabólica.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] a Guerra não terminou (e a que terminou, ou parte dela, foi grandemente perdida). Mas é claro que é errado nos deixarmos levar por tal estado de espírito, pois as Guerras são sempre perdidas, e A Guerra sempre continua; e não adianta nada esmorecer!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 101)}}{{Citação em Bloco|trecho=É possível fazer do Anel uma alegoria de nossa própria época caso se queira: uma alegoria do destino inevitável que espera por todas as tentativas de derrotar o poder maligno com poder.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seria inútil fingir que eu não desejo muito sua publicação, visto que uma arte solitária não é arte, nem que eu não sinto prazer com elogios, com tão pouca vaidade quanto um homem caído pode lidar (ele não possui muito mais participação em suas obras do que nos filhos de sua própria carne, mas já é alguma coisa possuir uma função); mesmo assim, o principal é completar a própria obra, na medida em que a conclusão possui algum sentido real.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=É um dos mistérios da dor que ela seja, para o sofredor, uma oportunidade para o bem, um caminho de ascensão, por mais árduo que seja.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 113)}}{{Citação em Bloco|trecho=Desagrada-me a Alegoria — consciente e intencional; todavia, qualquer tentativa de explicar o propósito dos mitos ou dos contos de fadas deve empregar uma linguagem alegórica. (E, é claro, quanto mais “vida” uma história tiver, mais facilmente ela será suscetível a interpretações alegóricas, enquanto que quanto melhor uma alegoria deliberada for feita, mais prontamente ela será aceitável apenas como uma história.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqui [em Beren e Lúthien] encontramos, entre outras coisas, o primeiro exemplo do motivo (que se tornará dominante nos Hobbits) de que as grandes políticas da história mundial, “as rodas do mundo”, são frequentemente giradas não pelos Senhores e Governantes, ou mesmo pelos deuses, mas pelos aparentemente desconhecidos e fracos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se você tiver, por assim dizer, feito um “voto de pobreza”, renunciado ao controle e contentar-se com as coisas em si mesmas sem referência a si próprio, vigiando, observando e de certa forma conhecendo, então a questão dos bens e males do poder e do controle pode se tornar totalmente sem sentido para você, e os meios do poder, sem valor algum. É uma visão pacifista natural, que sempre vem à mente quando há uma guerra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é claro que humildade e consciência do perigo são necessárias. Um escritor pode ser basicamente “benevolente” no seu entendimento (como espero que eu seja) e ainda assim não ser “benéfico” devido ao erro e à estupidez. Eu afirmaria, se não achasse isso presunçoso em alguém tão mal instruído, ter como um objetivo a elucidação da verdade, e o encorajamento da boa moral neste mundo real, através do antigo artifício de exemplificá-las em personificações pouco conhecidas, que podem tender a “esclarecê-las”. Mas posso estar errado, é claro (em alguns ou em todos os pontos): minhas verdades podem não ser verdadeiras ou podem estar distorcidas: e o espelho que criei pode estar embaçado e quebrado. Porém, preciso estar completamente convencido de que qualquer coisa que “simulei” é realmente danosa, per se e não meramente porque é mal compreendida, antes de me retratar ou reescrever algo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 153)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou (obviamente) muito apaixonado pelas plantas e, acima de tudo, pelas árvores, e sempre fui; e considero os maus-tratos humanos para com elas tão difíceis de se tolerar quanto alguns consideram o maltrato de animais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] mas fico [...] deveras pesaroso com o fracasso de Gollum em (quase) arrepender-se quando interrompido por Sam: isso realmente me parece com o mundo real, no qual os instrumentos de justa retribuição são eles próprios raramente justos ou sagrados; e os bons frequentemente são empecilhos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não é verdade sobre o passado ou o presente dizer que “apenas os ricos e aqueles de férias conseguem viajar”. A maioria dos homens faz algumas viagens. Se elas são longas ou curtas, com uma missão ou simplesmente para ir “lá e de volta outra vez”, não é de primordial importância. Conforme tentei expressar na Canção de Caminhada de Bilbo, até mesmo uma caminhada ao anoitecer pode ter efeitos importantes. Quando Sam não fora além da Ponta do Bosque, ele já havia tido uma “experiência impressionante”. Pois se há algo em uma viagem de qualquer duração, para mim é isto: uma libertação do estado vegetativo de sofredor passivo e indefeso, um exercício de vontade e de mobilidade por menor que seja — e de curiosidade, sem o qual uma mente racional torna-se estultificada.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Na minha história, não lido com o Mal Absoluto. Não creio que haja tal coisa, uma vez que ela é Nula. Não creio, de qualquer modo, que qualquer “ser racional” seja completamente mau. Satã caiu. Em meu mito, Morgoth caiu antes da Criação do mundo físico. Na minha história, Sauron representa a maior aproximação possível daquilo que é completamente mau. Ele seguiu o caminho de todos os tiranos: começando bem, pelo menos no nível que, apesar de desejar ordenar todas as coisas de acordo com sua própria sabedoria, ele no início ainda levava em consideração o bem-estar (econômico) de outros habitantes da Terra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, percebi de súbito que sou um filólogo puro. Gosto de história e fico comovido com ela, mas seus melhores momentos para mim são aqueles em que ela lança luz sobre palavras e nomes! [...] estranhamente, acho que a coisa que realmente mexe comigo é a que você mencionou casualmente: atta, attila.&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Sem essas sílabas, todo o grande drama tanto de história como de lenda perde o sabor para mim — ou perderia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Christopher Tolkien disse em sua palestra: “Para as hostes de Átila convergiram homens de muitos povos germânicos. .... De fato, seu próprio nome parece ser gótico, um diminutivo de atta, a palavra gótica para ‘pai’.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 205)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou de fato um Hobbit (em tudo, exceto no tamanho). Gosto de jardins, de árvores e de terras aráveis não mecanizadas; fumo um cachimbo e gosto de uma boa comida simples (não refrigerada), mas detesto a culinária francesa; gosto de, e ainda ouso vestir nestes dias sem brilho, coletes ornamentais. Gosto muito de cogumelos (tirados de um campo); possuo um senso de humor muito simples (que até mesmo meus críticos apreciativos acham cansativo); durmo tarde e acordo tarde (quando possível). Não viajo muito.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 213)}}{{Citação em Bloco|trecho=Escrevo coisas que podem ser classificadas como estórias de fadas não porque desejo me dirigir a crianças (que, enquanto crianças, não acredito estarem especialmente interessadas nesse tipo de ficção), mas porque desejo escrever esse tipo de história e nenhum outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço isso porque, caso eu não esteja aplicando um título por demais grandiloquente a ele, acredito que meu comentário sobre o mundo seja mais fácil e naturalmente expressado nessa forma.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=A vida está muito acima da medida de todos nós (exceto, talvez, por alguns poucos). Nós todos precisamos de uma literatura que esteja acima de nossa medida — embora talvez não tenhamos energia suficiente para ela o tempo todo. [...] Um bom vocabulário não é adquirido com a leitura de livros escritos de acordo com alguma noção acerca do vocabulário de determinada faixa etária. Ele vem da leitura de livros acima dessa faixa etária.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quanto a plenilune e argent, são palavras belas antes que sejam compreendidas — gostaria de poder ter o prazer de encontrá-las novamente pela primeira vez! — e como alguém pode conhecê-las até encontrá-las? E certamente o primeiro encontro deve ocorrer em um contexto vivo, e não em um dicionário, como flores secas em um hortus siccus!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crianças não são uma classe ou uma espécie, são um grupo heterogêneo de pessoas imaturas, que variam, como acontece com todas as pessoas, em seu alcance e em sua habilidade de estendê-lo quando estimuladas. Tão logo se limite o vocabulário ao que se supõe estar ao alcance delas, isso na verdade simplesmente nega às talentosas a chance de estendê-lo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 234)}}{{Citação em Bloco|trecho=Bem, aí vem o Natal! Aquela coisa extraordinária que “comercialismo” algum pode de fato macular — a não ser que se permita.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 243)}}{{Citação em Bloco|trecho=A nós mesmos devemos apresentar o ideal absoluto sem comprometimento, pois não conhecemos nossos próprios limites de força natural (+ graça) e, se não almejarmos o mais elevado, certamente não atingiremos o máximo que poderíamos alcançar.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=Somos criaturas finitas com limitações absolutas sobre os poderes de nossa estrutura de corpo e alma tanto em ação como em resistência. O fracasso moral só pode ser asseverado, creio, quando o esforço ou resistência de um homem não atinge seus limites, e a culpa diminui conforme se chega mais próximo desse limite.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] nada é sagrado para o Comércio, nem mesmo a Arte.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 254a)}}{{Citação em Bloco|trecho=Visto que estamos lidando com Homens, é inevitável que devemos nos preocupar com a característica mais lamentável de sua natureza: sua rápida saciedade com o bem.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 256)}}{{Citação em Bloco|trecho=Era magnânimo, de guarda contra todos os preconceitos, embora alguns estivessem enraizados demais em sua experiência nativa para serem observados por ele.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] gostaria que pudesse ser proibido que, após a morte de um grande homem, homenzinhos escrevessem sobre ele, homenzinhos esses que não possuem e devem saber que não possuem conhecimento suficiente de sua vida e caráter para lhes dar qualquer chave para a verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=A busca “protestante” em direção ao passado pela “simplicidade” e retidão — a qual, é claro, apesar de conter alguns motivos bons ou pelo menos inteligíveis, é equivocada e de fato vã. Porque o “cristianismo primitivo” é agora e, apesar de toda “pesquisa”, sempre permanecerá amplamente desconhecido; pois “primitivismo” não é garantia de valor e é, e foi, em grande parte um reflexo da ignorância. Graves abusos eram um elemento do comportamento “litúrgico” cristão desde o início tanto quanto o são agora. (As críticas severas de S. Paulo sobre o comportamento eucarístico são suficientes para mostrar isso!) Ainda mais porque a “minha igreja” não foi pretendida por Nosso Senhor para ser estática ou permanecer em perpétua infância, mas para ser um organismo vivo (semelhante a uma planta), que se desenvolve e muda o exterior pela interação de sua vida e história divinas legadas — as circunstâncias especiais do mundo no qual se encontra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 306)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas para mim permaneci John. Ronald era para meus parentes próximos. Meus amigos no colégio, em Oxford e mais tarde chamavam-me de John (ou ocasionalmente John Ronald ou J. R. ao quadrado).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 309)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqueles que acreditam em um Deus, em um Criador pessoal, não acham que o Universo em si é digno de adoração, embora o estudo devotado dele possa ser um dos modos de honrá-Lo. E enquanto estivermos, como criaturas vivas que somos (em parte), dentro dele e formos parte dele, nossas ideias de Deus e as maneiras de expressá-las serão em grande parte derivadas da contemplação do mundo ao nosso redor.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 310)}}{{Citação em Bloco|trecho=Só posso responder: “De sua própria sanidade, homem algum pode seguramente fazer julgamentos. Se a santidade reside em sua obra, ou como uma luz penetrante ilumina-a, então ela não vem dele, mas através dele. E nenhum de vocês a perceberia dessa forma a não ser que ela também estivesse com vocês. Do contrário, nada veriam ou sentiriam, ou (caso algum outro espírito estivesse presente) se encheriam de desdém, náusea, ódio.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=É claro que O S.A. não me pertence. Ele foi criado e agora deve seguir seu caminho designado no mundo, apesar de, naturalmente, eu me interessar muito sobre seu destino, como faria um pai com relação a um filho. Fico aliviado por saber que ele tem bons amigos para defendê-lo da malícia de seus inimigos. (Mas nem todos os tolos estão no outro campo.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] creio ser injusto usar meu nome como um adjetivo qualificador de “melancolia”, especialmente em um contexto que trata das árvores. Em todas as minhas obras, tomo o lado das árvores contra todos seus inimigos. Lothlórien é bela porque lá as árvores eram amadas; nos outros lugares as florestas são representadas como que despertando para a consciência de si mesmas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 339)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: O Dom da Amizade (2003) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|fonte=[[J.R.R. Tolkien &amp;amp; C.S. Lewis: O Dom da Amizade]] (10. Surpreendido por Cambridge e desapontado pela alegria (1954-1963))|trecho=“Tenho o ódio ao apartheid em meus ossos; e mais do que tudo, detesto a segregação ou separação entre língua e literatura. Não me importo qual delas você pense que seja branca.”}}&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1117</id>
		<title>Citações Não-ficcionais sobre a Vida</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1117"/>
		<updated>2025-03-30T20:35:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 30/03/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento das melhores citações de J.R.R. Tolkien sobre a vida, retiradas exclusivamente de suas obras não-ficcionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Árvore e Folha (1964) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Feéria contém muitas coisas além de elfos e fadas e além de anões, bruxas, trols, gigantes ou dragões. Ela abriga os mares, o sol, a lua, o céu, a terra e todas as coisas que estão nela: árvores e pássaros, água e pedra, vinho e pão e nós mesmos, homens mortais, quando estamos encantados.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia é uma atividade natural humana. Ela certamente não destrói ou mesmo insulta a Razão; e não torna menos aguçado o apetite pela verdade científica, nem obscurece a percepção dela. Ao contrário. Quanto mais aguçada e clara a razão, melhor fantasia fará.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso. [...] Pode ser posta a serviço de fins maus. [...] Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade? Os homens conceberam não apenas elfos, mas imaginaram deuses e os adoraram, adoraram mesmo aqueles mais deformados pelo próprio mal de seus autores. Mas eles fizeram falsos deuses com outros materiais: suas nações, suas bandeiras, seus dinheiros; até suas ciências e suas teorias sociais e econômicas já exigiram sacrifício humano.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] “ver as coisas como nós somos (ou fomos) destinados a vê-las” — como coisas separadas de nós mesmos. Precisamos, em todo o caso, limpar nossas janelas; de forma que as coisas vistas claramente possam ser libertadas do fosco borrão da banalidade ou da familiaridade — da possessividade.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=Por que dever-se-ia escarnecer de um homem se, achando-se na prisão, ele tenta sair e ir para casa? Ou se, quando ele não pode fazê-lo, pensa e fala de outros temas que não carcereiros e paredes de prisão? O mundo lá fora não se tornou menos real porque o prisioneiro não consegue vê-lo.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] um aviso de que não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual).}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] ela é uma graça repentina e miraculosa: nunca se pode contar que ela se repita. Ela não nega a existência da discatástrofe, da tristeza e do fracasso: a possibilidade dessas coisas é necessária para a alegria da libertação; ela nega (diante de muitas evidências, se você quiser) a derrota final universal e, nesse ponto, é evangelium, dando um vislumbre fugidio da Alegria, a Alegria além das muralhas do mundo, pungente como a tristeza.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[O Regresso de Beorhtnoth]], Filho de Beorhthelm)|trecho=“A vontade será mais severa, o coração mais ousado, o espírito maior, conforme nossa força diminui.”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Cartas de J.R.R. Tolkien (1981) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Dizem que o primeiro passo é o mais difícil. Não o considero difícil. Tenho certeza de que eu poderia escrever infinitos “primeiros capítulos”. Escrevi muitos, na verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 23)}}{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Alemão, “confirmação”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não sou de origem ariana: tal palavra implica indo-iraniana; que eu saiba, nenhum dos meus antepassados falava hindustani, persa, romani ou qualquer dialeto relacionado. Mas se devo deduzir que os senhores estão me perguntando se eu sou de origem judaica, só posso responder que lamento o fato de que aparentemente não possuo antepassados deste povo talentoso. Meu trisavô chegou na Inglaterra no século XVIII vindo da Alemanha: a maior parte da minha ascendência, portanto, é puramente inglesa, e sou um cidadão inglês — o que deveria ser suficiente. Fui acostumado, no entanto, a estimar meu nome alemão com orgulho, e continuei a fazê-lo no decorrer do período da lamentável última guerra, na qual servi no exército inglês. Não posso, entretanto, abster-me de comentar que, se indagações impertinentes e irrelevantes desse tipo se tornarem a regra em matéria de literatura, então não está longe o momento em que um nome alemão não mais será um motivo de orgulho.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 30)}}{{Citação em Bloco|trecho=A qualquer minuto, é o que somos e o que estamos fazendo que conta, e não o que planejamos ser ou fazer.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 40)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quase todos os casamentos, mesmo os felizes, são erros: no sentido de que quase certamente (em um mundo mais perfeito, ou mesmo com um pouco mais de cuidado neste mundo muito imperfeito) ambos os parceiros poderiam ter encontrado companheiros mais adequados. Mas a “verdadeira alma gêmea” é aquela com a qual você realmente está casado. [...] apenas a mais rara das sortes junta o homem e a mulher que, de certo modo, são realmente “destinados” um ao outro e capazes de um enorme e esplêndido amor. A ideia ainda nos fascina, agarra-nos pelo pescoço: um grande número de poemas e histórias foi escrito sobre o tema, provavelmente mais do que o total de tais amores na vida real [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 43)}}{{Citação em Bloco|trecho=No fundo, o comercialismo é um porco.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)|trecho=De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular — que provavelmente faria de mim um soldado melhor aos 49 do que eu fui aos 22 — contra aquele maldito tampinha ignorante chamado Adolf Hitler (pois a coisa estranha sobre inspiração e ímpeto demoníacos é que eles de modo algum aumentam a estatura puramente intelectual: afetam mormente a simples vontade), que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.}}{{Citação em Bloco|trecho=Minhas opiniões políticas tendem cada vez mais para a anarquia (filosoficamente compreendida como significando a abolição do controle, não homens barbados com bombas) — ou para a monarquia “inconstitucional”. Eu prenderia qualquer um que use a palavra Estado (em qualquer outro sentido que não o do reino inanimado da Inglaterra e seus habitantes, uma coisa que não tem poder, direitos, nem uma mente);|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Governo é um substantivo abstrato que significa a arte e o processo de governar, e deveria ser uma ofensa escrevê-lo com um G maiúsculo ou usá-lo para se referir a pessoas. Se as pessoas estivessem acostumadas a se referirem ao “conselho do Rei George, Winston e sua turma”, isso ajudaria a desanuviar certas concepções e a reduzir a assustadora vitória esmagadora da Eles-cracia.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o trabalho mais impróprio a qualquer homem, mesmo os santos (os quais, de qualquer maneira, ao menos relutavam em realizá-lo), é mandar em outros homens. Nem mesmo um homem em um milhão é adequado para tal, e menos ainda aqueles que buscam a oportunidade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas o horror particular do mundo atual é que toda a maldita coisa está num mesmo saco. Não há para onde fugir. [...] Há apenas um único ponto brilhante, e esse é o crescente hábito de homens descontentes de dinamitar fábricas e estações de energia; espero que isso, agora encorajado como “patriotismo”, possa permanecer um hábito! Mas não causará bem algum se não for universal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Nascemos em uma era sombria fora do tempo devido (para nós). Porém, há este consolo: de outro modo não conheceríamos, nem amaríamos tanto, o que amamos. Imagino que o peixe fora d’água é o único peixe a ter uma noção do que é água.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como tudo é estúpido! e a guerra multiplica a estupidez por 3 e sua potência por si mesma: assim, os dias preciosos de uma pessoa são regidos por (3x)&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;, onde x = crassidão humana normal (e isso é ruim o suficiente). Contudo, espero que em dias vindouros a experiência de homens e coisas, ainda que dolorosa, mostre-se proveitosa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 61)}}{{Citação em Bloco|trecho=O absoluto desgaste estúpido da guerra, não apenas material, mas moral e espiritual, é tremendo para aqueles que têm de suportá-lo. E sempre foi (apesar dos poetas) e sempre será (apesar dos propagandistas) — não que, é claro, não tenha sido, seja e será necessário enfrentá-lo em um mundo maligno. Mas tão curta é a memória humana e tão evanescentes são suas gerações que em cerca de apenas 30 anos haverá poucas ou nenhuma pessoa com aquela experiência direta que é a única a tocar de fato o coração. A mão queimada é a que mais ensina a respeito do fogo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o mal trabalha com um vasto poder e sucesso perpétuo — em vão, apenas preparando sempre o terreno para que o bem inesperado brote. Assim o é em geral e assim o é em nossas próprias vidas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seja como for, os humanos são o que são, inevitavelmente, e a única cura (fora a Conversão universal) é não ter guerras — nem planejamento, nem organização, nem regimento.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pois estamos tentando conquistar Sauron com o Anel. E seremos bem-sucedidos (ao que parece). Contudo, a punição, como você sabe, é criar novos Saurons e lentamente transformar Homens e Elfos em Orques. Não que na vida real as coisas sejam tão claras como em uma história, e começamos com muitos Orques no nosso lado.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você está dentro de uma história muito grande! Também acho que você está sofrendo de “escrita” suprimida. [...] Possivelmente o inibiu. Creio que se pudesse começar a escrever e encontrar seu próprio modo, ou mesmo (para começar) imitar o meu, você acharia isso um grande conforto. Sinto entre todas as suas dores (algumas simplesmente físicas) o desejo de expressar seu sentimento sobre o bem, o mal, o belo e o feio de algum modo: de racionalizá-lo e impedi-lo de simplesmente supurar. No meu caso, ele gerou Morgoth e a História dos Gnomos. Muitas das partes antigas dela (e dos idiomas) — descartadas ou absorvidas — foram criadas em cantinas enfarruscadas, em preleções em frios nevoeiros, em barracas cheias de blasfêmia e obscenidade ou à luz de vela em tendas de alarme, algumas até mesmo em abrigos de trincheira debaixo de balas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Um pequeno conhecimento de história deprime a pessoa com a sensação da massa e do peso eternos da iniquidade humana: antiquíssima, lúgubre, sem fim, repetitiva depravação incurável e imutável. Todas as cidades, todas as vilas, todas as habitações dos homens — antros! E ao mesmo tempo sabe-se que sempre há o bem: muito mais oculto, muito menos claramente discernido, raramente aparecendo em reconhecíveis belezas visíveis de palavras, feitos ou rostos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 69)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sim, penso nos orques como uma criação tão real quanto qualquer coisa na ficção “realista”: suas palavras vigorosas descrevem bem a tribo; a diferença é que na vida real eles estão em ambos os lados, é claro.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 71)}}{{Citação em Bloco|trecho=E, quando estiver tudo terminado, terá restado às pessoas comuns alguma liberdade (ou direito), ou elas terão de lutar por ela, ou estarão cansadas demais para resistir? A última parece ser a ideia de alguns do Povo Grande que, na maioria das vezes, viram esta guerra de dentro de grandes automóveis.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Receio ter cometido um grande erro ao fazer minha continuação complicada e longa demais e demasiado lenta na publicação. É uma maldição ter o temperamento épico em uma época superlotada dedicada a pedacinhos ligeiros!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pelo menos não acho provável que você decaia permanentemente para o pior; e devo dizer que você precisa engrossar um pouco a camada exterior, mesmo que apenas como uma proteção para o interior mais sensível; e se você conseguir isso, será de permanente valia em qualquer situação mais tarde na vida neste duro mundo (que não mostra sinais de suavização).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Urukhai é apenas uma figura de linguagem. Não há Uruks genuínos, isto é, pessoas tornadas más pela intenção de seu criador; e não há muitas que estão tão corrompidas a ponto de serem irredimíveis (embora eu tema que se deva admitir que há criaturas humanas que parecem irredimíveis, exceto por um milagre especial [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o homem não pode viver de pedra e de areia mas, de qualquer maneira, não posso viver apenas de pão; e se não houvesse a rocha nua, a areia não trilhada e o mar não explorado, passaria a odiar todas as coisas verdes como uma protuberância fungiforme.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pensamentos sombrios acerca de coisas sobre as quais não é possível realmente se saber algo; o futuro é impenetrável, especialmente para os sábios; pois o que é realmente importante está sempre oculto dos contemporâneos, e as sementes do que virá a ser estão germinando silenciosamente na escuridão de algum canto esquecido enquanto todos estão olhando para Stalin ou Hitler [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 79)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não voltei para casa até meia-noite, e caminhei com C.W. parte do caminho, quando nossa conversa se voltou para as dificuldades de se descobrir que fatores comuns, caso houvesse algum, existiam nas noções associadas com a liberdade, tal como usadas atualmente. Não creio que haja algum, pois a palavra tem sido usada de forma tão abusiva pela propaganda que ela deixou de ter qualquer valor para a razão e se tornou uma mera dose emocional para gerar calor. No máximo, ela parece implicar que aqueles que o oprimem devem falar (nativamente) o mesmo idioma — o que, em último caso, é a tudo que as ideias confusas de raça ou nação se resumem; ou de classe na Inglaterra, por falar nisso.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é angustiante ver a imprensa se rebaixando a um nível tão baixo quanto o de Goebbels no seu auge, gritando que qualquer comandante alemão que se mantém firme em uma situação desesperadora (quando as necessidades militares de seu lado também beneficiam) é um beberrão e um fanático apatetado. Não consigo ver muita distinção entre nosso tom popular e os “idiotas militares” celebrados. Sabíamos que Hitler era um cafajestezinho vulgar e ignorante, além de quaisquer outros defeitos (ou das origens deles); mas parece haver muitos cafajestezinhos v. e i. que não falam alemão e que, dada a mesma oportunidade, apresentariam a maioria das outras características hitlerianas. Houve um artigo no jornal local defendendo seriamente o extermínio sistemático de toda a nação alemã como o único curso apropriado após a vitória militar: porque, com sua licença, eles são cascavéis e não sabem a diferença entre o bem e o mal! (O que dizer do autor?) Os alemães têm tanto direito de declarar os poloneses e judeus vermes subumanos e extermináveis quanto nós temos de selecionar os alemães: em outras palavras, nenhum direito, o que quer que tenham feito. É claro, ainda há uma diferença aqui. O artigo foi respondido e a resposta impressa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, você não é o único que deseja soltar vapor ou rebentar às vezes; e eu poderia soltar vapor se abrisse a válvula, comparada com a qual (como a Rainha disse à Alice) isso seria apenas um borrifo de perfume. Não dá para evitar. Você não pode enfrentar o Inimigo com o Anel dele sem se tornar um Inimigo; mas, infelizmente, a sabedoria de Gandalf parece ter passado com ele há muito tempo para o Verdadeiro Oeste [Valinor].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas estou com a sede de viagens outonal, e de bom grado eu partiria com uma mochila nas minhas costas e sem um destino específico, a não ser por uma série de estalagens sossegadas. Um dos prazeres há muito adiados que devemos prometer a nós mesmos, quando agradar a Deus nos libertar e nos reunir, é simplesmente tal perambulação, juntos, de preferência no interior montanhoso, não muito longe do mar, onde as cicatrizes de guerra, matas derrubadas e campos aplainados não são tão fáceis de se ver.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Se um ragnarök queimasse todos os cortiços, gasômetros, garagens desarrumadas e subúrbios iluminados por lâmpadas a arco voltaico, por mim ele poderia queimar todas as obras de arte — e eu voltaria para as árvores.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 83)}}{{Citação em Bloco|trecho=Encostado na parede quando saíamos da igreja havia um velho mendigo esfarrapado, algo parecido com sandálias amarradas a seus pés com barbante, uma velha lata em um pulso e na sua outra mão um cajado grosseiro. [...] Dessa vez muito surpreendi o Pe. C. ao lhe dizer que eu achava que o velho se parecia muito mais com S. José do que a estátua na igreja — de qualquer maneira, S. José a caminho do Egito. Ele parece ser (e que pensamento feliz nestes dias miseráveis em que a pobreza parece trazer apenas pecado e sofrimento) um mendigo santo!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 89)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas temo que uma Força Aérea é uma coisa fundamentalmente irracional per se. Eu poderia desejar encarecidamente que você nada tivesse a ver com algo tão monstruoso. [...] Mas tais desejos são vãos, e é seu dever, compreendo claramente, fazer nesse serviço o melhor que está ao alcance de sua força e de sua aptidão. Em todo caso, talvez seja apenas um tipo de aversão, como um homem que gosta de bife e rim (ou gostava), mas não quer estar ligado ao negócio de abate. Enquanto a guerra for lutada com tais armas, e se aceite quaisquer benefícios que possam advir (tais como a preservação da própria pele e até mesmo a “vitória”), é simplesmente se esquivar do problema considerar as aeronaves de guerra um horror especial. Faço isso mesmo assim.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 92)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se a lit. nos ensina algo, é isto: que temos em nós um elemento eterno, livre de preocupação e medo, que pode analisar as coisas que na “vida” chamamos de más com serenidade (isto é, não sem apreciar sua qualidade, mas também sem qualquer perturbação do nosso equilíbrio espiritual). Não do mesmo modo, mas de algum modo similar, todos nós sem dúvida havemos de analisar nossa própria história quando a conhecermos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 94)}}{{Citação em Bloco|trecho=Assim como (para comparar com uma coisa pequena) o urbano convertido tira mais proveito do interior do que o simples caipira, mas não pode se tornar um verdadeiro homem da terra, ele ao mesmo tempo é mais e de um certo modo menos (verdadeiramente menos térreo, de qualquer forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=Uma história deve ser contada ou não haverá história e, ainda assim, são as histórias não contadas que são mais comoventes. Acho que você ficou comovido com Celebrimbor porque ele transmite uma sensação de infinitas histórias não contadas: montanhas vistas ao longe, que jamais serão escaladas, árvores distantes (como a de Cisco) das quais jamais se aproximará — ou, caso seja possível, apenas para se tornarem “árvores próximas” (a não ser no Paraíso ou na Paróquia de C).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=A destruição e miséria aterradoras desta guerra aumentam de hora em hora: destruição do que deveria ser (e de fato é) a riqueza comum da Europa e do mundo se a humanidade não fosse tão estúpida, riqueza cuja perda afetará a todos nós, vencedores ou não. Todavia, as pessoas tripudiam ao ouvir a respeito das filas intermináveis, de 40 milhas de comprimento, de refugiados miseráveis, mulheres e crianças afluindo para o Ocidente, morrendo no caminho. Parece que não restam vestígios de piedade ou compaixão, nem imaginação, nesta sombria hora diabólica.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] a Guerra não terminou (e a que terminou, ou parte dela, foi grandemente perdida). Mas é claro que é errado nos deixarmos levar por tal estado de espírito, pois as Guerras são sempre perdidas, e A Guerra sempre continua; e não adianta nada esmorecer!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 101)}}{{Citação em Bloco|trecho=É possível fazer do Anel uma alegoria de nossa própria época caso se queira: uma alegoria do destino inevitável que espera por todas as tentativas de derrotar o poder maligno com poder.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=É um dos mistérios da dor que ela seja, para o sofredor, uma oportunidade para o bem, um caminho de ascensão, por mais árduo que seja.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 113)}}{{Citação em Bloco|trecho=Desagrada-me a Alegoria — consciente e intencional; todavia, qualquer tentativa de explicar o propósito dos mitos ou dos contos de fadas deve empregar uma linguagem alegórica. (E, é claro, quanto mais “vida” uma história tiver, mais facilmente ela será suscetível a interpretações alegóricas, enquanto que quanto melhor uma alegoria deliberada for feita, mais prontamente ela será aceitável apenas como uma história.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqui [em Beren e Lúthien] encontramos, entre outras coisas, o primeiro exemplo do motivo (que se tornará dominante nos Hobbits) de que as grandes políticas da história mundial, “as rodas do mundo”, são frequentemente giradas não pelos Senhores e Governantes, ou mesmo pelos deuses, mas pelos aparentemente desconhecidos e fracos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se você tiver, por assim dizer, feito um “voto de pobreza”, renunciado ao controle e contentar-se com as coisas em si mesmas sem referência a si próprio, vigiando, observando e de certa forma conhecendo, então a questão dos bens e males do poder e do controle pode se tornar totalmente sem sentido para você, e os meios do poder, sem valor algum. É uma visão pacifista natural, que sempre vem à mente quando há uma guerra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é claro que humildade e consciência do perigo são necessárias. Um escritor pode ser basicamente “benevolente” no seu entendimento (como espero que eu seja) e ainda assim não ser “benéfico” devido ao erro e à estupidez. Eu afirmaria, se não achasse isso presunçoso em alguém tão mal instruído, ter como um objetivo a elucidação da verdade, e o encorajamento da boa moral neste mundo real, através do antigo artifício de exemplificá-las em personificações pouco conhecidas, que podem tender a “esclarecê-las”. Mas posso estar errado, é claro (em alguns ou em todos os pontos): minhas verdades podem não ser verdadeiras ou podem estar distorcidas: e o espelho que criei pode estar embaçado e quebrado. Porém, preciso estar completamente convencido de que qualquer coisa que “simulei” é realmente danosa, per se e não meramente porque é mal compreendida, antes de me retratar ou reescrever algo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 153)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou (obviamente) muito apaixonado pelas plantas e, acima de tudo, pelas árvores, e sempre fui; e considero os maus-tratos humanos para com elas tão difíceis de se tolerar quanto alguns consideram o maltrato de animais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] mas fico [...] deveras pesaroso com o fracasso de Gollum em (quase) arrepender-se quando interrompido por Sam: isso realmente me parece com o mundo real, no qual os instrumentos de justa retribuição são eles próprios raramente justos ou sagrados; e os bons frequentemente são empecilhos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não é verdade sobre o passado ou o presente dizer que “apenas os ricos e aqueles de férias conseguem viajar”. A maioria dos homens faz algumas viagens. Se elas são longas ou curtas, com uma missão ou simplesmente para ir “lá e de volta outra vez”, não é de primordial importância. Conforme tentei expressar na Canção de Caminhada de Bilbo, até mesmo uma caminhada ao anoitecer pode ter efeitos importantes. Quando Sam não fora além da Ponta do Bosque, ele já havia tido uma “experiência impressionante”. Pois se há algo em uma viagem de qualquer duração, para mim é isto: uma libertação do estado vegetativo de sofredor passivo e indefeso, um exercício de vontade e de mobilidade por menor que seja — e de curiosidade, sem o qual uma mente racional torna-se estultificada.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Na minha história, não lido com o Mal Absoluto. Não creio que haja tal coisa, uma vez que ela é Nula. Não creio, de qualquer modo, que qualquer “ser racional” seja completamente mau. Satã caiu. Em meu mito, Morgoth caiu antes da Criação do mundo físico. Na minha história, Sauron representa a maior aproximação possível daquilo que é completamente mau. Ele seguiu o caminho de todos os tiranos: começando bem, pelo menos no nível que, apesar de desejar ordenar todas as coisas de acordo com sua própria sabedoria, ele no início ainda levava em consideração o bem-estar (econômico) de outros habitantes da Terra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, percebi de súbito que sou um filólogo puro. Gosto de história e fico comovido com ela, mas seus melhores momentos para mim são aqueles em que ela lança luz sobre palavras e nomes! [...] estranhamente, acho que a coisa que realmente mexe comigo é a que você mencionou casualmente: atta, attila.&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Sem essas sílabas, todo o grande drama tanto de história como de lenda perde o sabor para mim — ou perderia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Christopher Tolkien disse em sua palestra: “Para as hostes de Átila convergiram homens de muitos povos germânicos. .... De fato, seu próprio nome parece ser gótico, um diminutivo de atta, a palavra gótica para ‘pai’.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 205)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou de fato um Hobbit (em tudo, exceto no tamanho). Gosto de jardins, de árvores e de terras aráveis não mecanizadas; fumo um cachimbo e gosto de uma boa comida simples (não refrigerada), mas detesto a culinária francesa; gosto de, e ainda ouso vestir nestes dias sem brilho, coletes ornamentais. Gosto muito de cogumelos (tirados de um campo); possuo um senso de humor muito simples (que até mesmo meus críticos apreciativos acham cansativo); durmo tarde e acordo tarde (quando possível). Não viajo muito.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 213)}}{{Citação em Bloco|trecho=Escrevo coisas que podem ser classificadas como estórias de fadas não porque desejo me dirigir a crianças (que, enquanto crianças, não acredito estarem especialmente interessadas nesse tipo de ficção), mas porque desejo escrever esse tipo de história e nenhum outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço isso porque, caso eu não esteja aplicando um título por demais grandiloquente a ele, acredito que meu comentário sobre o mundo seja mais fácil e naturalmente expressado nessa forma.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=A vida está muito acima da medida de todos nós (exceto, talvez, por alguns poucos). Nós todos precisamos de uma literatura que esteja acima de nossa medida — embora talvez não tenhamos energia suficiente para ela o tempo todo. [...] Um bom vocabulário não é adquirido com a leitura de livros escritos de acordo com alguma noção acerca do vocabulário de determinada faixa etária. Ele vem da leitura de livros acima dessa faixa etária.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quanto a plenilune e argent, são palavras belas antes que sejam compreendidas — gostaria de poder ter o prazer de encontrá-las novamente pela primeira vez! — e como alguém pode conhecê-las até encontrá-las? E certamente o primeiro encontro deve ocorrer em um contexto vivo, e não em um dicionário, como flores secas em um hortus siccus!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crianças não são uma classe ou uma espécie, são um grupo heterogêneo de pessoas imaturas, que variam, como acontece com todas as pessoas, em seu alcance e em sua habilidade de estendê-lo quando estimuladas. Tão logo se limite o vocabulário ao que se supõe estar ao alcance delas, isso na verdade simplesmente nega às talentosas a chance de estendê-lo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 234)}}{{Citação em Bloco|trecho=Bem, aí vem o Natal! Aquela coisa extraordinária que “comercialismo” algum pode de fato macular — a não ser que se permita.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 243)}}{{Citação em Bloco|trecho=A nós mesmos devemos apresentar o ideal absoluto sem comprometimento, pois não conhecemos nossos próprios limites de força natural (+ graça) e, se não almejarmos o mais elevado, certamente não atingiremos o máximo que poderíamos alcançar.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=Somos criaturas finitas com limitações absolutas sobre os poderes de nossa estrutura de corpo e alma tanto em ação como em resistência. O fracasso moral só pode ser asseverado, creio, quando o esforço ou resistência de um homem não atinge seus limites, e a culpa diminui conforme se chega mais próximo desse limite.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] nada é sagrado para o Comércio, nem mesmo a Arte.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 254a)}}{{Citação em Bloco|trecho=Visto que estamos lidando com Homens, é inevitável que devemos nos preocupar com a característica mais lamentável de sua natureza: sua rápida saciedade com o bem.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 256)}}{{Citação em Bloco|trecho=Era magnânimo, de guarda contra todos os preconceitos, embora alguns estivessem enraizados demais em sua experiência nativa para serem observados por ele.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] gostaria que pudesse ser proibido que, após a morte de um grande homem, homenzinhos escrevessem sobre ele, homenzinhos esses que não possuem e devem saber que não possuem conhecimento suficiente de sua vida e caráter para lhes dar qualquer chave para a verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=A busca “protestante” em direção ao passado pela “simplicidade” e retidão — a qual, é claro, apesar de conter alguns motivos bons ou pelo menos inteligíveis, é equivocada e de fato vã. Porque o “cristianismo primitivo” é agora e, apesar de toda “pesquisa”, sempre permanecerá amplamente desconhecido; pois “primitivismo” não é garantia de valor e é, e foi, em grande parte um reflexo da ignorância. Graves abusos eram um elemento do comportamento “litúrgico” cristão desde o início tanto quanto o são agora. (As críticas severas de S. Paulo sobre o comportamento eucarístico são suficientes para mostrar isso!) Ainda mais porque a “minha igreja” não foi pretendida por Nosso Senhor para ser estática ou permanecer em perpétua infância, mas para ser um organismo vivo (semelhante a uma planta), que se desenvolve e muda o exterior pela interação de sua vida e história divinas legadas — as circunstâncias especiais do mundo no qual se encontra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 306)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas para mim permaneci John. Ronald era para meus parentes próximos. Meus amigos no colégio, em Oxford e mais tarde chamavam-me de John (ou ocasionalmente John Ronald ou J. R. ao quadrado).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 309)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqueles que acreditam em um Deus, em um Criador pessoal, não acham que o Universo em si é digno de adoração, embora o estudo devotado dele possa ser um dos modos de honrá-Lo. E enquanto estivermos, como criaturas vivas que somos (em parte), dentro dele e formos parte dele, nossas ideias de Deus e as maneiras de expressá-las serão em grande parte derivadas da contemplação do mundo ao nosso redor.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 310)}}{{Citação em Bloco|trecho=Só posso responder: “De sua própria sanidade, homem algum pode seguramente fazer julgamentos. Se a santidade reside em sua obra, ou como uma luz penetrante ilumina-a, então ela não vem dele, mas através dele. E nenhum de vocês a perceberia dessa forma a não ser que ela também estivesse com vocês. Do contrário, nada veriam ou sentiriam, ou (caso algum outro espírito estivesse presente) se encheriam de desdém, náusea, ódio.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=É claro que O S.A. não me pertence. Ele foi criado e agora deve seguir seu caminho designado no mundo, apesar de, naturalmente, eu me interessar muito sobre seu destino, como faria um pai com relação a um filho. Fico aliviado por saber que ele tem bons amigos para defendê-lo da malícia de seus inimigos. (Mas nem todos os tolos estão no outro campo.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] creio ser injusto usar meu nome como um adjetivo qualificador de “melancolia”, especialmente em um contexto que trata das árvores. Em todas as minhas obras, tomo o lado das árvores contra todos seus inimigos. Lothlórien é bela porque lá as árvores eram amadas; nos outros lugares as florestas são representadas como que despertando para a consciência de si mesmas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 339)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: O Dom da Amizade (2003) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|fonte=[[J.R.R. Tolkien &amp;amp; C.S. Lewis: O Dom da Amizade]] (10. Surpreendido por Cambridge e desapontado pela alegria (1954-1963))|trecho=“Tenho o ódio ao apartheid em meus ossos; e mais do que tudo, detesto a segregação ou separação entre língua e literatura. Não me importo qual delas você pense que seja branca.”}}&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1116</id>
		<title>Citações Não-ficcionais sobre a Vida</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_N%C3%A3o-ficcionais_sobre_a_Vida&amp;diff=1116"/>
		<updated>2025-03-30T20:33:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 30/03/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento das melhores citações de J.R.R. Tolkien sobre a vida, retiradas exclusivamente de suas obras não-ficcionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Árvore e Folha (1964) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Feéria contém muitas coisas além de elfos e fadas e além de anões, bruxas, trols, gigantes ou dragões. Ela abriga os mares, o sol, a lua, o céu, a terra e todas as coisas que estão nela: árvores e pássaros, água e pedra, vinho e pão e nós mesmos, homens mortais, quando estamos encantados.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia é uma atividade natural humana. Ela certamente não destrói ou mesmo insulta a Razão; e não torna menos aguçado o apetite pela verdade científica, nem obscurece a percepção dela. Ao contrário. Quanto mais aguçada e clara a razão, melhor fantasia fará.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|trecho=A Fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso. [...] Pode ser posta a serviço de fins maus. [...] Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade? Os homens conceberam não apenas elfos, mas imaginaram deuses e os adoraram, adoraram mesmo aqueles mais deformados pelo próprio mal de seus autores. Mas eles fizeram falsos deuses com outros materiais: suas nações, suas bandeiras, seus dinheiros; até suas ciências e suas teorias sociais e econômicas já exigiram sacrifício humano.|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] “ver as coisas como nós somos (ou fomos) destinados a vê-las” — como coisas separadas de nós mesmos. Precisamos, em todo o caso, limpar nossas janelas; de forma que as coisas vistas claramente possam ser libertadas do fosco borrão da banalidade ou da familiaridade — da possessividade.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=Por que dever-se-ia escarnecer de um homem se, achando-se na prisão, ele tenta sair e ir para casa? Ou se, quando ele não pode fazê-lo, pensa e fala de outros temas que não carcereiros e paredes de prisão? O mundo lá fora não se tornou menos real porque o prisioneiro não consegue vê-lo.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] um aviso de que não é possível preservar, por muito tempo, um oásis de sanidade num deserto de desrazão com meras cercas, sem verdadeira ação ofensiva (prática e intelectual).}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]])|trecho=[...] ela é uma graça repentina e miraculosa: nunca se pode contar que ela se repita. Ela não nega a existência da discatástrofe, da tristeza e do fracasso: a possibilidade dessas coisas é necessária para a alegria da libertação; ela nega (diante de muitas evidências, se você quiser) a derrota final universal e, nesse ponto, é evangelium, dando um vislumbre fugidio da Alegria, a Alegria além das muralhas do mundo, pungente como a tristeza.}}{{Citação em Bloco|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[O Regresso de Beorhtnoth]], Filho de Beorhthelm)|trecho=“A vontade será mais severa, o coração mais ousado, o espírito maior, conforme nossa força diminui.”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Cartas de J.R.R. Tolkien (1981) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Dizem que o primeiro passo é o mais difícil. Não o considero difícil. Tenho certeza de que eu poderia escrever infinitos “primeiros capítulos”. Escrevi muitos, na verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 23)}}{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Alemão, “confirmação”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não sou de origem ariana: tal palavra implica indo-iraniana; que eu saiba, nenhum dos meus antepassados falava hindustani, persa, romani ou qualquer dialeto relacionado. Mas se devo deduzir que os senhores estão me perguntando se eu sou de origem judaica, só posso responder que lamento o fato de que aparentemente não possuo antepassados deste povo talentoso. Meu trisavô chegou na Inglaterra no século XVIII vindo da Alemanha: a maior parte da minha ascendência, portanto, é puramente inglesa, e sou um cidadão inglês — o que deveria ser suficiente. Fui acostumado, no entanto, a estimar meu nome alemão com orgulho, e continuei a fazê-lo no decorrer do período da lamentável última guerra, na qual servi no exército inglês. Não posso, entretanto, abster-me de comentar que, se indagações impertinentes e irrelevantes desse tipo se tornarem a regra em matéria de literatura, então não está longe o momento em que um nome alemão não mais será um motivo de orgulho.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 30)}}{{Citação em Bloco|trecho=A qualquer minuto, é o que somos e o que estamos fazendo que conta, e não o que planejamos ser ou fazer.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 40)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quase todos os casamentos, mesmo os felizes, são erros: no sentido de que quase certamente (em um mundo mais perfeito, ou mesmo com um pouco mais de cuidado neste mundo muito imperfeito) ambos os parceiros poderiam ter encontrado companheiros mais adequados. Mas a “verdadeira alma gêmea” é aquela com a qual você realmente está casado. [...] apenas a mais rara das sortes junta o homem e a mulher que, de certo modo, são realmente “destinados” um ao outro e capazes de um enorme e esplêndido amor. A ideia ainda nos fascina, agarra-nos pelo pescoço: um grande número de poemas e histórias foi escrito sobre o tema, provavelmente mais do que o total de tais amores na vida real [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 43)}}{{Citação em Bloco|trecho=No fundo, o comercialismo é um porco.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)}}{{Citação em Bloco|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45)|trecho=De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular — que provavelmente faria de mim um soldado melhor aos 49 do que eu fui aos 22 — contra aquele maldito tampinha ignorante chamado Adolf Hitler (pois a coisa estranha sobre inspiração e ímpeto demoníacos é que eles de modo algum aumentam a estatura puramente intelectual: afetam mormente a simples vontade), que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.}}{{Citação em Bloco|trecho=Minhas opiniões políticas tendem cada vez mais para a anarquia (filosoficamente compreendida como significando a abolição do controle, não homens barbados com bombas) — ou para a monarquia “inconstitucional”. Eu prenderia qualquer um que use a palavra Estado (em qualquer outro sentido que não o do reino inanimado da Inglaterra e seus habitantes, uma coisa que não tem poder, direitos, nem uma mente);|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Governo é um substantivo abstrato que significa a arte e o processo de governar, e deveria ser uma ofensa escrevê-lo com um G maiúsculo ou usá-lo para se referir a pessoas. Se as pessoas estivessem acostumadas a se referirem ao “conselho do Rei George, Winston e sua turma”, isso ajudaria a desanuviar certas concepções e a reduzir a assustadora vitória esmagadora da Eles-cracia.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o trabalho mais impróprio a qualquer homem, mesmo os santos (os quais, de qualquer maneira, ao menos relutavam em realizá-lo), é mandar em outros homens. Nem mesmo um homem em um milhão é adequado para tal, e menos ainda aqueles que buscam a oportunidade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas o horror particular do mundo atual é que toda a maldita coisa está num mesmo saco. Não há para onde fugir. [...] Há apenas um único ponto brilhante, e esse é o crescente hábito de homens descontentes de dinamitar fábricas e estações de energia; espero que isso, agora encorajado como “patriotismo”, possa permanecer um hábito! Mas não causará bem algum se não for universal.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Nascemos em uma era sombria fora do tempo devido (para nós). Porém, há este consolo: de outro modo não conheceríamos, nem amaríamos tanto, o que amamos. Imagino que o peixe fora d’água é o único peixe a ter uma noção do que é água.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 52)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como tudo é estúpido! e a guerra multiplica a estupidez por 3 e sua potência por si mesma: assim, os dias preciosos de uma pessoa são regidos por (3x)&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;, onde x = crassidão humana normal (e isso é ruim o suficiente). Contudo, espero que em dias vindouros a experiência de homens e coisas, ainda que dolorosa, mostre-se proveitosa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 61)}}{{Citação em Bloco|trecho=O absoluto desgaste estúpido da guerra, não apenas material, mas moral e espiritual, é tremendo para aqueles que têm de suportá-lo. E sempre foi (apesar dos poetas) e sempre será (apesar dos propagandistas) — não que, é claro, não tenha sido, seja e será necessário enfrentá-lo em um mundo maligno. Mas tão curta é a memória humana e tão evanescentes são suas gerações que em cerca de apenas 30 anos haverá poucas ou nenhuma pessoa com aquela experiência direta que é a única a tocar de fato o coração. A mão queimada é a que mais ensina a respeito do fogo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o mal trabalha com um vasto poder e sucesso perpétuo — em vão, apenas preparando sempre o terreno para que o bem inesperado brote. Assim o é em geral e assim o é em nossas próprias vidas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 64)}}{{Citação em Bloco|trecho=Seja como for, os humanos são o que são, inevitavelmente, e a única cura (fora a Conversão universal) é não ter guerras — nem planejamento, nem organização, nem regimento.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pois estamos tentando conquistar Sauron com o Anel. E seremos bem-sucedidos (ao que parece). Contudo, a punição, como você sabe, é criar novos Saurons e lentamente transformar Homens e Elfos em Orques. Não que na vida real as coisas sejam tão claras como em uma história, e começamos com muitos Orques no nosso lado.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Você está dentro de uma história muito grande! Também acho que você está sofrendo de “escrita” suprimida. [...] Possivelmente o inibiu. Creio que se pudesse começar a escrever e encontrar seu próprio modo, ou mesmo (para começar) imitar o meu, você acharia isso um grande conforto. Sinto entre todas as suas dores (algumas simplesmente físicas) o desejo de expressar seu sentimento sobre o bem, o mal, o belo e o feio de algum modo: de racionalizá-lo e impedi-lo de simplesmente supurar. No meu caso, ele gerou Morgoth e a História dos Gnomos. Muitas das partes antigas dela (e dos idiomas) — descartadas ou absorvidas — foram criadas em cantinas enfarruscadas, em preleções em frios nevoeiros, em barracas cheias de blasfêmia e obscenidade ou à luz de vela em tendas de alarme, algumas até mesmo em abrigos de trincheira debaixo de balas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 66)}}{{Citação em Bloco|trecho=Um pequeno conhecimento de história deprime a pessoa com a sensação da massa e do peso eternos da iniquidade humana: antiquíssima, lúgubre, sem fim, repetitiva depravação incurável e imutável. Todas as cidades, todas as vilas, todas as habitações dos homens — antros! E ao mesmo tempo sabe-se que sempre há o bem: muito mais oculto, muito menos claramente discernido, raramente aparecendo em reconhecíveis belezas visíveis de palavras, feitos ou rostos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 69)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sim, penso nos orques como uma criação tão real quanto qualquer coisa na ficção “realista”: suas palavras vigorosas descrevem bem a tribo; a diferença é que na vida real eles estão em ambos os lados, é claro.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 71)}}{{Citação em Bloco|trecho=E, quando estiver tudo terminado, terá restado às pessoas comuns alguma liberdade (ou direito), ou elas terão de lutar por ela, ou estarão cansadas demais para resistir? A última parece ser a ideia de alguns do Povo Grande que, na maioria das vezes, viram esta guerra de dentro de grandes automóveis.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Receio ter cometido um grande erro ao fazer minha continuação complicada e longa demais e demasiado lenta na publicação. É uma maldição ter o temperamento épico em uma época superlotada dedicada a pedacinhos ligeiros!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 77)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pelo menos não acho provável que você decaia permanentemente para o pior; e devo dizer que você precisa engrossar um pouco a camada exterior, mesmo que apenas como uma proteção para o interior mais sensível; e se você conseguir isso, será de permanente valia em qualquer situação mais tarde na vida neste duro mundo (que não mostra sinais de suavização).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Urukhai é apenas uma figura de linguagem. Não há Uruks genuínos, isto é, pessoas tornadas más pela intenção de seu criador; e não há muitas que estão tão corrompidas a ponto de serem irredimíveis (embora eu tema que se deva admitir que há criaturas humanas que parecem irredimíveis, exceto por um milagre especial [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] o homem não pode viver de pedra e de areia mas, de qualquer maneira, não posso viver apenas de pão; e se não houvesse a rocha nua, a areia não trilhada e o mar não explorado, passaria a odiar todas as coisas verdes como uma protuberância fungiforme.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 78)}}{{Citação em Bloco|trecho=Pensamentos sombrios acerca de coisas sobre as quais não é possível realmente se saber algo; o futuro é impenetrável, especialmente para os sábios; pois o que é realmente importante está sempre oculto dos contemporâneos, e as sementes do que virá a ser estão germinando silenciosamente na escuridão de algum canto esquecido enquanto todos estão olhando para Stalin ou Hitler [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 79)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não voltei para casa até meia-noite, e caminhei com C.W. parte do caminho, quando nossa conversa se voltou para as dificuldades de se descobrir que fatores comuns, caso houvesse algum, existiam nas noções associadas com a liberdade, tal como usadas atualmente. Não creio que haja algum, pois a palavra tem sido usada de forma tão abusiva pela propaganda que ela deixou de ter qualquer valor para a razão e se tornou uma mera dose emocional para gerar calor. No máximo, ela parece implicar que aqueles que o oprimem devem falar (nativamente) o mesmo idioma — o que, em último caso, é a tudo que as ideias confusas de raça ou nação se resumem; ou de classe na Inglaterra, por falar nisso.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é angustiante ver a imprensa se rebaixando a um nível tão baixo quanto o de Goebbels no seu auge, gritando que qualquer comandante alemão que se mantém firme em uma situação desesperadora (quando as necessidades militares de seu lado também beneficiam) é um beberrão e um fanático apatetado. Não consigo ver muita distinção entre nosso tom popular e os “idiotas militares” celebrados. Sabíamos que Hitler era um cafajestezinho vulgar e ignorante, além de quaisquer outros defeitos (ou das origens deles); mas parece haver muitos cafajestezinhos v. e i. que não falam alemão e que, dada a mesma oportunidade, apresentariam a maioria das outras características hitlerianas. Houve um artigo no jornal local defendendo seriamente o extermínio sistemático de toda a nação alemã como o único curso apropriado após a vitória militar: porque, com sua licença, eles são cascavéis e não sabem a diferença entre o bem e o mal! (O que dizer do autor?) Os alemães têm tanto direito de declarar os poloneses e judeus vermes subumanos e extermináveis quanto nós temos de selecionar os alemães: em outras palavras, nenhum direito, o que quer que tenham feito. É claro, ainda há uma diferença aqui. O artigo foi respondido e a resposta impressa.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, você não é o único que deseja soltar vapor ou rebentar às vezes; e eu poderia soltar vapor se abrisse a válvula, comparada com a qual (como a Rainha disse à Alice) isso seria apenas um borrifo de perfume. Não dá para evitar. Você não pode enfrentar o Inimigo com o Anel dele sem se tornar um Inimigo; mas, infelizmente, a sabedoria de Gandalf parece ter passado com ele há muito tempo para o Verdadeiro Oeste [Valinor].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas estou com a sede de viagens outonal, e de bom grado eu partiria com uma mochila nas minhas costas e sem um destino específico, a não ser por uma série de estalagens sossegadas. Um dos prazeres há muito adiados que devemos prometer a nós mesmos, quando agradar a Deus nos libertar e nos reunir, é simplesmente tal perambulação, juntos, de preferência no interior montanhoso, não muito longe do mar, onde as cicatrizes de guerra, matas derrubadas e campos aplainados não são tão fáceis de se ver.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 81)}}{{Citação em Bloco|trecho=Encostado na parede quando saíamos da igreja havia um velho mendigo esfarrapado, algo parecido com sandálias amarradas a seus pés com barbante, uma velha lata em um pulso e na sua outra mão um cajado grosseiro. [...] Dessa vez muito surpreendi o Pe. C. ao lhe dizer que eu achava que o velho se parecia muito mais com S. José do que a estátua na igreja — de qualquer maneira, S. José a caminho do Egito. Ele parece ser (e que pensamento feliz nestes dias miseráveis em que a pobreza parece trazer apenas pecado e sofrimento) um mendigo santo!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 89)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas temo que uma Força Aérea é uma coisa fundamentalmente irracional per se. Eu poderia desejar encarecidamente que você nada tivesse a ver com algo tão monstruoso. [...] Mas tais desejos são vãos, e é seu dever, compreendo claramente, fazer nesse serviço o melhor que está ao alcance de sua força e de sua aptidão. Em todo caso, talvez seja apenas um tipo de aversão, como um homem que gosta de bife e rim (ou gostava), mas não quer estar ligado ao negócio de abate. Enquanto a guerra for lutada com tais armas, e se aceite quaisquer benefícios que possam advir (tais como a preservação da própria pele e até mesmo a “vitória”), é simplesmente se esquivar do problema considerar as aeronaves de guerra um horror especial. Faço isso mesmo assim.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 92)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se a lit. nos ensina algo, é isto: que temos em nós um elemento eterno, livre de preocupação e medo, que pode analisar as coisas que na “vida” chamamos de más com serenidade (isto é, não sem apreciar sua qualidade, mas também sem qualquer perturbação do nosso equilíbrio espiritual). Não do mesmo modo, mas de algum modo similar, todos nós sem dúvida havemos de analisar nossa própria história quando a conhecermos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 94)}}{{Citação em Bloco|trecho=Assim como (para comparar com uma coisa pequena) o urbano convertido tira mais proveito do interior do que o simples caipira, mas não pode se tornar um verdadeiro homem da terra, ele ao mesmo tempo é mais e de um certo modo menos (verdadeiramente menos térreo, de qualquer forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=Uma história deve ser contada ou não haverá história e, ainda assim, são as histórias não contadas que são mais comoventes. Acho que você ficou comovido com Celebrimbor porque ele transmite uma sensação de infinitas histórias não contadas: montanhas vistas ao longe, que jamais serão escaladas, árvores distantes (como a de Cisco) das quais jamais se aproximará — ou, caso seja possível, apenas para se tornarem “árvores próximas” (a não ser no Paraíso ou na Paróquia de C).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=A destruição e miséria aterradoras desta guerra aumentam de hora em hora: destruição do que deveria ser (e de fato é) a riqueza comum da Europa e do mundo se a humanidade não fosse tão estúpida, riqueza cuja perda afetará a todos nós, vencedores ou não. Todavia, as pessoas tripudiam ao ouvir a respeito das filas intermináveis, de 40 milhas de comprimento, de refugiados miseráveis, mulheres e crianças afluindo para o Ocidente, morrendo no caminho. Parece que não restam vestígios de piedade ou compaixão, nem imaginação, nesta sombria hora diabólica.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 96)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] a Guerra não terminou (e a que terminou, ou parte dela, foi grandemente perdida). Mas é claro que é errado nos deixarmos levar por tal estado de espírito, pois as Guerras são sempre perdidas, e A Guerra sempre continua; e não adianta nada esmorecer!|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 101)}}{{Citação em Bloco|trecho=É possível fazer do Anel uma alegoria de nossa própria época caso se queira: uma alegoria do destino inevitável que espera por todas as tentativas de derrotar o poder maligno com poder.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 109)}}{{Citação em Bloco|trecho=É um dos mistérios da dor que ela seja, para o sofredor, uma oportunidade para o bem, um caminho de ascensão, por mais árduo que seja.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 113)}}{{Citação em Bloco|trecho=Desagrada-me a Alegoria — consciente e intencional; todavia, qualquer tentativa de explicar o propósito dos mitos ou dos contos de fadas deve empregar uma linguagem alegórica. (E, é claro, quanto mais “vida” uma história tiver, mais facilmente ela será suscetível a interpretações alegóricas, enquanto que quanto melhor uma alegoria deliberada for feita, mais prontamente ela será aceitável apenas como uma história.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqui [em Beren e Lúthien] encontramos, entre outras coisas, o primeiro exemplo do motivo (que se tornará dominante nos Hobbits) de que as grandes políticas da história mundial, “as rodas do mundo”, são frequentemente giradas não pelos Senhores e Governantes, ou mesmo pelos deuses, mas pelos aparentemente desconhecidos e fracos [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas se você tiver, por assim dizer, feito um “voto de pobreza”, renunciado ao controle e contentar-se com as coisas em si mesmas sem referência a si próprio, vigiando, observando e de certa forma conhecendo, então a questão dos bens e males do poder e do controle pode se tornar totalmente sem sentido para você, e os meios do poder, sem valor algum. É uma visão pacifista natural, que sempre vem à mente quando há uma guerra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas é claro que humildade e consciência do perigo são necessárias. Um escritor pode ser basicamente “benevolente” no seu entendimento (como espero que eu seja) e ainda assim não ser “benéfico” devido ao erro e à estupidez. Eu afirmaria, se não achasse isso presunçoso em alguém tão mal instruído, ter como um objetivo a elucidação da verdade, e o encorajamento da boa moral neste mundo real, através do antigo artifício de exemplificá-las em personificações pouco conhecidas, que podem tender a “esclarecê-las”. Mas posso estar errado, é claro (em alguns ou em todos os pontos): minhas verdades podem não ser verdadeiras ou podem estar distorcidas: e o espelho que criei pode estar embaçado e quebrado. Porém, preciso estar completamente convencido de que qualquer coisa que “simulei” é realmente danosa, per se e não meramente porque é mal compreendida, antes de me retratar ou reescrever algo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 153)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou (obviamente) muito apaixonado pelas plantas e, acima de tudo, pelas árvores, e sempre fui; e considero os maus-tratos humanos para com elas tão difíceis de se tolerar quanto alguns consideram o maltrato de animais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] mas fico [...] deveras pesaroso com o fracasso de Gollum em (quase) arrepender-se quando interrompido por Sam: isso realmente me parece com o mundo real, no qual os instrumentos de justa retribuição são eles próprios raramente justos ou sagrados; e os bons frequentemente são empecilhos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 165)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não é verdade sobre o passado ou o presente dizer que “apenas os ricos e aqueles de férias conseguem viajar”. A maioria dos homens faz algumas viagens. Se elas são longas ou curtas, com uma missão ou simplesmente para ir “lá e de volta outra vez”, não é de primordial importância. Conforme tentei expressar na Canção de Caminhada de Bilbo, até mesmo uma caminhada ao anoitecer pode ter efeitos importantes. Quando Sam não fora além da Ponta do Bosque, ele já havia tido uma “experiência impressionante”. Pois se há algo em uma viagem de qualquer duração, para mim é isto: uma libertação do estado vegetativo de sofredor passivo e indefeso, um exercício de vontade e de mobilidade por menor que seja — e de curiosidade, sem o qual uma mente racional torna-se estultificada.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Na minha história, não lido com o Mal Absoluto. Não creio que haja tal coisa, uma vez que ela é Nula. Não creio, de qualquer modo, que qualquer “ser racional” seja completamente mau. Satã caiu. Em meu mito, Morgoth caiu antes da Criação do mundo físico. Na minha história, Sauron representa a maior aproximação possível daquilo que é completamente mau. Ele seguiu o caminho de todos os tiranos: começando bem, pelo menos no nível que, apesar de desejar ordenar todas as coisas de acordo com sua própria sabedoria, ele no início ainda levava em consideração o bem-estar (econômico) de outros habitantes da Terra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 183)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ainda assim, percebi de súbito que sou um filólogo puro. Gosto de história e fico comovido com ela, mas seus melhores momentos para mim são aqueles em que ela lança luz sobre palavras e nomes! [...] estranhamente, acho que a coisa que realmente mexe comigo é a que você mencionou casualmente: atta, attila.&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Sem essas sílabas, todo o grande drama tanto de história como de lenda perde o sabor para mim — ou perderia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;Christopher Tolkien disse em sua palestra: “Para as hostes de Átila convergiram homens de muitos povos germânicos. .... De fato, seu próprio nome parece ser gótico, um diminutivo de atta, a palavra gótica para ‘pai’.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 205)}}{{Citação em Bloco|trecho=Sou de fato um Hobbit (em tudo, exceto no tamanho). Gosto de jardins, de árvores e de terras aráveis não mecanizadas; fumo um cachimbo e gosto de uma boa comida simples (não refrigerada), mas detesto a culinária francesa; gosto de, e ainda ouso vestir nestes dias sem brilho, coletes ornamentais. Gosto muito de cogumelos (tirados de um campo); possuo um senso de humor muito simples (que até mesmo meus críticos apreciativos acham cansativo); durmo tarde e acordo tarde (quando possível). Não viajo muito.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 213)}}{{Citação em Bloco|trecho=Escrevo coisas que podem ser classificadas como estórias de fadas não porque desejo me dirigir a crianças (que, enquanto crianças, não acredito estarem especialmente interessadas nesse tipo de ficção), mas porque desejo escrever esse tipo de história e nenhum outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço isso porque, caso eu não esteja aplicando um título por demais grandiloquente a ele, acredito que meu comentário sobre o mundo seja mais fácil e naturalmente expressado nessa forma.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=A vida está muito acima da medida de todos nós (exceto, talvez, por alguns poucos). Nós todos precisamos de uma literatura que esteja acima de nossa medida — embora talvez não tenhamos energia suficiente para ela o tempo todo. [...] Um bom vocabulário não é adquirido com a leitura de livros escritos de acordo com alguma noção acerca do vocabulário de determinada faixa etária. Ele vem da leitura de livros acima dessa faixa etária.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 215)}}{{Citação em Bloco|trecho=Quanto a plenilune e argent, são palavras belas antes que sejam compreendidas — gostaria de poder ter o prazer de encontrá-las novamente pela primeira vez! — e como alguém pode conhecê-las até encontrá-las? E certamente o primeiro encontro deve ocorrer em um contexto vivo, e não em um dicionário, como flores secas em um hortus siccus!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crianças não são uma classe ou uma espécie, são um grupo heterogêneo de pessoas imaturas, que variam, como acontece com todas as pessoas, em seu alcance e em sua habilidade de estendê-lo quando estimuladas. Tão logo se limite o vocabulário ao que se supõe estar ao alcance delas, isso na verdade simplesmente nega às talentosas a chance de estendê-lo.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 234)}}{{Citação em Bloco|trecho=Bem, aí vem o Natal! Aquela coisa extraordinária que “comercialismo” algum pode de fato macular — a não ser que se permita.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 243)}}{{Citação em Bloco|trecho=A nós mesmos devemos apresentar o ideal absoluto sem comprometimento, pois não conhecemos nossos próprios limites de força natural (+ graça) e, se não almejarmos o mais elevado, certamente não atingiremos o máximo que poderíamos alcançar.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=Somos criaturas finitas com limitações absolutas sobre os poderes de nossa estrutura de corpo e alma tanto em ação como em resistência. O fracasso moral só pode ser asseverado, creio, quando o esforço ou resistência de um homem não atinge seus limites, e a culpa diminui conforme se chega mais próximo desse limite.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 246)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] nada é sagrado para o Comércio, nem mesmo a Arte.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 254a)}}{{Citação em Bloco|trecho=Visto que estamos lidando com Homens, é inevitável que devemos nos preocupar com a característica mais lamentável de sua natureza: sua rápida saciedade com o bem.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 256)}}{{Citação em Bloco|trecho=Era magnânimo, de guarda contra todos os preconceitos, embora alguns estivessem enraizados demais em sua experiência nativa para serem observados por ele.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] gostaria que pudesse ser proibido que, após a morte de um grande homem, homenzinhos escrevessem sobre ele, homenzinhos esses que não possuem e devem saber que não possuem conhecimento suficiente de sua vida e caráter para lhes dar qualquer chave para a verdade.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 261)}}{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294)}}{{Citação em Bloco|trecho=A busca “protestante” em direção ao passado pela “simplicidade” e retidão — a qual, é claro, apesar de conter alguns motivos bons ou pelo menos inteligíveis, é equivocada e de fato vã. Porque o “cristianismo primitivo” é agora e, apesar de toda “pesquisa”, sempre permanecerá amplamente desconhecido; pois “primitivismo” não é garantia de valor e é, e foi, em grande parte um reflexo da ignorância. Graves abusos eram um elemento do comportamento “litúrgico” cristão desde o início tanto quanto o são agora. (As críticas severas de S. Paulo sobre o comportamento eucarístico são suficientes para mostrar isso!) Ainda mais porque a “minha igreja” não foi pretendida por Nosso Senhor para ser estática ou permanecer em perpétua infância, mas para ser um organismo vivo (semelhante a uma planta), que se desenvolve e muda o exterior pela interação de sua vida e história divinas legadas — as circunstâncias especiais do mundo no qual se encontra.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 306)}}{{Citação em Bloco|trecho=Mas para mim permaneci John. Ronald era para meus parentes próximos. Meus amigos no colégio, em Oxford e mais tarde chamavam-me de John (ou ocasionalmente John Ronald ou J. R. ao quadrado).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 309)}}{{Citação em Bloco|trecho=Aqueles que acreditam em um Deus, em um Criador pessoal, não acham que o Universo em si é digno de adoração, embora o estudo devotado dele possa ser um dos modos de honrá-Lo. E enquanto estivermos, como criaturas vivas que somos (em parte), dentro dele e formos parte dele, nossas ideias de Deus e as maneiras de expressá-las serão em grande parte derivadas da contemplação do mundo ao nosso redor.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 310)}}{{Citação em Bloco|trecho=Só posso responder: “De sua própria sanidade, homem algum pode seguramente fazer julgamentos. Se a santidade reside em sua obra, ou como uma luz penetrante ilumina-a, então ela não vem dele, mas através dele. E nenhum de vocês a perceberia dessa forma a não ser que ela também estivesse com vocês. Do contrário, nada veriam ou sentiriam, ou (caso algum outro espírito estivesse presente) se encheriam de desdém, náusea, ódio.”|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=É claro que O S.A. não me pertence. Ele foi criado e agora deve seguir seu caminho designado no mundo, apesar de, naturalmente, eu me interessar muito sobre seu destino, como faria um pai com relação a um filho. Fico aliviado por saber que ele tem bons amigos para defendê-lo da malícia de seus inimigos. (Mas nem todos os tolos estão no outro campo.)|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 328)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] creio ser injusto usar meu nome como um adjetivo qualificador de “melancolia”, especialmente em um contexto que trata das árvores. Em todas as minhas obras, tomo o lado das árvores contra todos seus inimigos. Lothlórien é bela porque lá as árvores eram amadas; nos outros lugares as florestas são representadas como que despertando para a consciência de si mesmas.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 339)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: O Dom da Amizade (2003) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|fonte=[[J.R.R. Tolkien &amp;amp; C.S. Lewis: O Dom da Amizade]] (10. Surpreendido por Cambridge e desapontado pela alegria (1954-1963))|trecho=“Tenho o ódio ao apartheid em meus ossos; e mais do que tudo, detesto a segregação ou separação entre língua e literatura. Não me importo qual delas você pense que seja branca.”}}&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Ordem_de_Leitura&amp;diff=1115</id>
		<title>Ordem de Leitura</title>
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		<updated>2025-03-05T23:44:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Projeto Tolkien]] em 06/03/2024&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[Arquivo:Livros Tolkien 2024-02.jpg|alt=Uma foto mostrando lado a lado todos os livros de J.R.R. Tolkien já publicados pela HarperCollins até março de 2024. Tem vários tamanhos e cores diferentes, mas mantêm a mesma identidade visual.|miniaturadaimagem|407x407px|Livros de J.R.R. Tolkien publicados pela HarperCollins Brasil até dezembro de 2024.]]&lt;br /&gt;
Uma coisa que as pessoas me perguntam quase todos os dias é: qual a melhor ordem para se ler os livros de [[J.R.R. Tolkien]] pela primeira vez?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso é importante esclarecer primeiramente que há diversos livros do autor que não fazem parte de seu grande legendário da [[Terra-média]], bem como livros que foram apenas &#039;&#039;traduzidos&#039;&#039; por ele (do inglês antigo/médio para o inglês moderno) e, assim, não são de sua autoria. (Caso você tenha interesse, você pode conferir o nome de todos os livros nessa postagem aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien|Publicações]].)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a esses outros livros que não fazem parte do legendário da Terra-média, sejam aqueles de autoria de J.R.R. Tolkien ou aqueles que não são de sua autoria, eles podem ser lidos na ordem que você bem desejar, posto que a história de cada um não guarda qualquer relação com a história do outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, quanto aos livros que de fato fazem parte do legendário da Terra-média, acho importante esclarecer aqui que, embora não haja uma ordem &amp;quot;correta&amp;quot; de leitura (posto que cada pessoa tem uma opinião diferente sobre isso), a ordem que você ler os livros pode sim influenciar drasticamente no seu aproveitamento e diversão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esse motivo eu sempre me sinto extremamente incomodado quando vejo pessoas divulgando internet afora ordens de leitura que claramente vão afugentar muitas pessoas deste universo incrível, pois, ainda que no fundo não haja uma ordem &amp;quot;correta&amp;quot; de se ler os livros, eu acredito que há sim uma ordem &amp;quot;errada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso porque, embora a resposta mais óbvia para a pergunta possa parecer &amp;quot;ordem cronológica das histórias&amp;quot;, esta &#039;&#039;não&#039;&#039; é a ordem ideal para quem nunca leu nada de J.R.R. Tolkien. Para quem nunca leu os livros do autor, que eu imagino ser 99 % das pessoas que fazem esse tipo de pergunta sobre ordem de leitura, eu recomendo sempre a &#039;&#039;&#039;ordem original de publicação&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Por que na ordem original de publicação? ==&lt;br /&gt;
Através da ordem original de publicação você vai se deparar no início com uma escrita bem mais leve e tranquila e que, com o decorrer de cada livro, vai se intensificando e ficando mais densa naturalmente, já que refletem diretamente como Tolkien se desenvolveu como escritor (e como ele desenvolveu sua mitologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você ler primeiro na ordem cronológica das histórias (seja lá qual ordem você usar, já que muitas pessoas discordam sobre qual seria essa tal de &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;) você vai começar por livros extremamente densos e &amp;quot;incompletos&amp;quot; que podem te assustar bastante e te desmotivar a continuar desbravando estas obras incríveis. Eu particularmente já perdi a conta de quantas pessoas me disseram que começaram lendo Tolkien por O Silmarillion (que supostamente seria o primeiro da ordem cronológica) e abandonaram a leitura por não terem se adaptado ao estilo de escrita do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Óbvio que não é impossível de se começar a ler Tolkien por livros como O Silmarillion ou Contos Inacabados - eu mesmo conheço algumas pessoas que começaram a leitura por O Silmarillion e o adoraram -, mas é uma questão de simples probabilidade: se, de 10 pessoas que começam a ler Tolkien pela &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;, 9 abandonam a leitura e apenas 1 segue adiante, essa não é, na minha opinião, uma ordem que as pessoas deveriam divulgar internet afora como a ordem &amp;quot;correta&amp;quot; para novos leitores, por mais que tecnicamente seja possível alguém ler nessa ordem e gostar dos livros. Aliás, na minha opinião, quem faz isso está fazendo um desserviço para a &amp;quot;comunidade Tolkienista&amp;quot;, pois dificulta que mais pessoas se apaixonem pelo universo criado por J.R.R. Tolkien.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, na ordem original de publicação, na qual, como eu disse, os livros começam mais leves e vão se intensificando naturalmente, o efeito é exatamente o oposto: a maioria das pessoas sente-se mais encorajada de continuar a leitura dos livros e acabam desenvolvendo muito mais facilmente um interesse natural pelo universo e aquela sensação de “quero mais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso sem mencionar que também tem aquela questão que se aplica para todo tipo de franquia que tem publicações fora da ordem cronológica: o novo livro (ou filme, ou série, etc.) sempre é construído levando em consideração o que o público já sabe do anterior, ainda que o anterior venha cronologicamente depois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto fica evidente quando, por exemplo, o próprio [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e editor de quase todos os livros póstumos de seu pai) diz na introdução de [[Contos Inacabados]] que é importante que o leitor já tenha lido todas as outras obras publicadas anteriormente:&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;Em toda parte, supus que o leitor tivesse um razoável conhecimento das obras publicadas de meu pai (mais especialmente O Senhor dos Anéis), pois agir de outro modo teria ampliado excessivamente o elemento editorial, que com certeza já será considerado bem suficiente.&amp;quot;|fonte=[[Contos Inacabados]] (Introdução)}}[[Arquivo:Contos Inacabados HarperCollins Brasil.jpg|alt=A capa do livro Contos Inacabados, contendo uma arte do próprio Tolkien, retratando o dragão dourado Glaurung e algumas montanhas ao fundo.|esquerda|miniaturadaimagem|303x303px|Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média]]&lt;br /&gt;
Usando o próprio Contos Inacabados como exemplo, eu, por experiência própria, te garanto que é importantíssimo já ter lido pelo menos [[O Hobbit]] e [[O Senhor dos Anéis]] antes, principalmente quando você adentra na parte do livro que aborda a [[Terceira Era]], pois as histórias são constantemente comparadas e referenciadas ao que já foi dito em O Hobbit e O Senhor dos Anéis (por mais que tanto O Hobbit quanto O Senhor dos Anéis tecnicamente venham depois na questão cronológica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa linha, eu recomendo a &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot; apenas pra quem já leu os livros uma vez e quer um &amp;quot;novo desafio&amp;quot; - até porque é muito complicado estabelecer qual seria essa tal de &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;, já que livros como O Silmarillion e Contos Inacabados abrangem todas as três eras dos [[Filhos de Ilúvatar]], de modo que, para uma leitura verdadeiramente cronológica, você teria que ler um capítulo de um livro, um capítulo de outro livro, outro capítulo de outro livro, e por aí vai.&lt;br /&gt;
[[Arquivo:O Livro dos Contos Perdidos 1 HarperCollins Brasil.jpg|alt=A capa de O Livro dos Contos Perdidos 1, com uma arte de John Howe retratando alguns dragões e balrogs se espreitando em direção a Gondolin ao fundo.|miniaturadaimagem|316x316px|O Livro dos Contos Perdidos 1]]&lt;br /&gt;
Isso sem nem adentrar no mérito de que há vários livros que trazem versões conflitantes de uma mesma história, como, por exemplo, [[O Livro dos Contos Perdidos]], que traz uma versão variante da história de O Silmarillion. Em uma leitura na &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot;, qual dos dois livros você leria primeiro, se ambos abordam, em tese, a mesma história? Ou você escolheria um deles como sendo &amp;quot;mais canônico&amp;quot; e não leria o outro?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É por isso que eu particularmente acho impossível fazer um levantamento do que seria uma &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot; dos escritos de Tolkien sobre o universo da Terra-média, e pode ter certeza que qualquer &amp;quot;ordem cronológica&amp;quot; que você encontrar internet afora (existem várias!) terá algum &#039;&#039;caveat&#039;&#039;: ou a ordem não será verdadeiramente cronológica ou alguns livros serão deixados de lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, sintetizando isso tudo, eu particularmente acredito que, para quem nunca leu Tolkien, a melhor porta de entrada é, sem sombra de dúvidas, a ordem original de publicação, pois&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# com ela você começará a leitura com O Hobbit, que, por ser o primeiro livro de Tolkien (publicado) sobre este universo e, em suma, uma história infantil, tem uma escrita extremamente leve e aconchegante;&lt;br /&gt;
# o estilo da escrita de J.R.R. Tolkien vai se intensificando e ficando mais densa naturalmente com o decorrer dos livros, de modo que fica mais fácil de você ir se adaptando a essa evolução;&lt;br /&gt;
# todo livro sempre é escrito tendo como base o conhecimento que o público já tem dos livros anteriores, ainda que os livros anteriores venham &amp;quot;cronologicamente depois&amp;quot;, como ressaltado pelo próprio Christopher Tolkien em Contos Inacabados;&lt;br /&gt;
# é praticamente impossível estabelecer qual seria uma ordem cronológica dos livros, já que vários deles abordam vários períodos diferentes da história simultaneamente, bem como trazem várias versões diferentes e conflitantes da mesma história; e&lt;br /&gt;
# começar por livros como O Silmarillion só vai (provavelmente) te assustar e te desmotivar a continuar lendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== E qual é a ordem original de publicação? ==&lt;br /&gt;
Explicadas as razões pelas quais eu recomendo a ordem original de publicação para novos leitores, esta é a sequência que você deve seguir. Os ticks verdes (✅) marcam os livros já publicados aqui no Brasil, enquanto os X&#039;s vermelhos (❌), os ainda não publicados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cada livro seguirá com uma breve explicação, mas você pode clicar no título de cada um para obter maiores informações.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Livros publicados em vida ===&lt;br /&gt;
[[Arquivo:O Hobbit HarperCollins Brasil.jpg|alt=A capa do livro O Hobbit, com uma arte do próprio Tolkien de uma floresta com montanhas ao fundo.|miniaturadaimagem|351x351px|O Hobbit]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Hobbit|O Hobbit: ou Lá e de Volta Outra Vez]]&#039;&#039;&#039; (1937)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um conto de fadas infantil sobre um Hobbit que acabou se envolvendo numa grande aventura com um grupo de anãos, na qual se fazem presentes gobelins, elfos, um dragão, um mago e até um anel mágico.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Senhor dos Anéis]]&#039;&#039;&#039; (1954-55)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Comumente dividido em três volumes (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei), esta é a continuação direta de O Hobbit. Aqui nós descobrimos que, não só a história do mundo em que Bilbo vive é muito mais complexa do que imaginamos, como também o fato de que ele se envolveu numa trama muito mais sombria do que jamais imaginaria ao encontrar aquele &amp;quot;anel mágico&amp;quot;.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[As Aventuras de Tom Bombadil|As Aventuras de Tom Bombadil e Outros Versos do Livro Vermelho]]&#039;&#039;&#039; (1962) - OPCIONAL&amp;lt;blockquote&amp;gt;Uma coletânea de 16 versos e poemas &amp;quot;hobbitescos&amp;quot; retirados do Livro Vermelho do Marco Ocidental (o mesmo livro no qual Bilbo escreveu a história de O Hobbit e no qual Frodo escreveu a história de O Senhor dos Anéis).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como são apenas poemas, a leitura deste livro pode ser &amp;quot;pulada&amp;quot; sem interferir em nada no seu conhecimento da História. Porém, acho válida a leitura.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[A Última Canção de Bilbo]]&#039;&#039;&#039; (1974) - OPCIONAL&amp;lt;blockquote&amp;gt;Uma poesia escrita por Bilbo, que foi publicada em formato de livro com várias ilustrações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como é apenas um poema, a leitura deste livro pode ser &amp;quot;pulada&amp;quot; sem interferir em nada no seu conhecimento da História. Porém, acho válida a leitura.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Livros publicados postumamente ===&lt;br /&gt;
A partir daqui passamos a conhecer os livros publicados após a morte de J.R.R. Tolkien, que foram em sua maioria editados e organizados por seu filho e &amp;quot;executor literário&amp;quot; [[Christopher Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Silmarillion]]&#039;&#039;&#039; (1977)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Uma coletânea dos contos incompletos que foram escritos por Tolkien ao longo de mais de 50 anos e que abrangem principalmente a Primeira Era da Terra-média (os Dias Antigos do mundo de Bilbo e Frodo, do qual ouvimos falar várias vezes ao longo de O Senhor dos Anéis). Embora haja diversas versões dessas histórias, Christopher juntou aquelas que mais faziam sentido umas com as outras.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Livros de estudos ====&lt;br /&gt;
Embora O Silmarillion seja um livro publicado postumamente, posto que Tolkien não chegou a terminá-lo em vida, Christopher Tolkien o editou e o publicou de uma forma que constituísse uma única história coerente, em consonância com O Hobbit e, principalmente, O Senhor dos Anéis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, esse foi o primeiro livro (de dois) que Christopher &#039;&#039;alterou&#039;&#039; a fim de que parecesse constituir uma única história, com começo, meio e fim, sendo constituído por diferentes versões não exatamente &amp;quot;canônicas&amp;quot; das histórias, bem como contendo, inclusive, material original do próprio Christopher e de [[Guy Gavriel Kay]] (embora tudo, é claro, baseado nos escritos originais de Tolkien, sem nada contradizer).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conforme será explicado pelo próprio Christopher em outros livros, ele se arrependeu de ter alterado (ainda que pouco) os escritos de seu pai em O Silmarillion (bem como de ter criado material original de autoria sua e de Alan) e, a partir daqui, não mais tenta dar sentido aos rascunhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir daqui, os livros editados por Christopher Tolkien contam com constantes comentários dele a respeito das inconsistências nos escritos (não finalizados) de seu pai, motivo pelo qual a leitura passa a ser muito mais maçante e &amp;quot;acadêmica&amp;quot;, voltada para quem realmente quer se aprofundar mais neste universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, não se engane: há MUITA informação interessantíssima sobre o legendário de Tolkien nos livros a seguir, que valem muito a pena serem conhecidos. Por isso que ressalto a importância de se ler os livros na ordem original de publicação, pois assim você vai se acostumando naturalmente com a &amp;quot;intensificação&amp;quot; do estilo de escrita e acaba se sentindo mais à vontade quando finalmente chegar nesses livros mais complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[Contos Inacabados|Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média]]&#039;&#039;&#039; (1980)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Esta é uma outra coletânea de contos incompletos, que abrangem todas as eras da Terra-média e servem de complementação a O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora haja vários contos aqui, o livro não constitui uma história única e os textos não guardam uma relação direta entre si. Ademais, o comentário editorial de Christopher se faz bastante presente, com ele constantemente citando inconsistências entre esses contos e os textos já publicados nos três livros anteriores.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Até aqui tivemos dois livros editados por Christopher Tolkien e publicados postumamente, sendo que um deles (O Silmarillion) ele alterou de forma a parecer uma história única e consistente e o outro deles (Contos Inacabados) ele fez questão de chamar atenção pras divergências e inconsistências de seu pai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, ambos os livros trouxeram as versões mais ou menos &amp;quot;mais tardias&amp;quot; que seu pai escreveu, sendo que, devido às várias versões e contradições entre os escritos de seu pai, Christopher decide fazer uma verdadeira &amp;quot;aula de mestre&amp;quot; e explicar melhor toda a mitologia de seu pai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== A História da Terra-média =====&lt;br /&gt;
Em outras palavras, a partir daqui Christopher resolve nos trazer quase todos os escritos de seu pai sobre o seu legendário da Terra-média, organizados mais ou menos em ordem cronológica de criação, começando pelos primórdios de sua mitologia (que se originou por volta do ano 1915) e terminando nas versões mais tardias das histórias (que se encerraram com sua morte em 1973), que na maioria das vezes seguem um caminho totalmente diferente do inicialmente planejado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso é o que Christopher chamará de A História da Terra-média (uma coleção de 12 livros).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Livro dos Contos Perdidos|O Livro dos Contos Perdidos 1 e 2]] | [[A História da Terra-média]] I e II&#039;&#039;&#039; (1983-84)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Trata da primeira versão do que viria a ser O Silmarillion como o conhecemos, escrita entre 1915-1920. Embora abranja a &amp;quot;mesma história&amp;quot; de O Silmarillion, ela é bem diferente e até mais complexa aqui: temos mais Valar, um destino diferente para os Noldor, um relação direta com a Inglaterra, e por aí vai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, por ser uma história mais ou menos terminada por Tolkien, que apenas não foi publicada porque ele a abandonou posteriormente conforme ia alterando sua mitologia, há quem diga que O Livro dos Contos Perdidos é muito mais agradável de se ler do que O Silmarillion, já que O Silmarillion foi um remendo feito por Christopher de várias histórias inacabadas de seu pai e, querendo ou não, Tolkien sabia &amp;quot;construir&amp;quot; melhor um livro como um todo.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[As Baladas de Beleriand]] | A História da Terra-média III&#039;&#039;&#039; (1985)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um compilado de cinco poemas que Tolkien escreveu nos anos 1920, após a fase dos &amp;quot;Contos Perdidos&amp;quot;. Os dois maiores deles são A Balada dos Filhos de Húrin e A Balada de Leithian (a história de Beren e Lúthien).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Formação da Terra-média]] | A História da Terra-média IV&#039;&#039;&#039; (1986)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Trata do &amp;quot;Esboço da Mitologia&amp;quot; (1926-1930), que é a transição dos &amp;quot;Contos Perdidos&amp;quot; para o que viria a ser O Silmarillion como o conhecemos hoje. Além do Esboço, conhecemos mapas, diagramas, e anais cronológicos de Valinor e Beleriand (dois locais importantes da Terra-média, onde ocorreram as histórias da Primeira Era).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Arquivo:A Estrada Perdida e Outros Escritos HarperCollins Brasil.jpg|alt=A capa do livro A Estrada Perdida e Outros Escritos, com uma arte de John Howe retratando alguns Orques se espreitando em direção à Torre de Elwing.|miniaturadaimagem|334x334px|A Estrada Perdida e Outros Escritos]]&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Estrada Perdida e Outros Escritos]] | A História da Terra-média V&#039;&#039;&#039; (1987)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um conto (incompleto) de Tolkien sobre viagem no tempo, que se passa na Terra-média, oriundo de um desafio recíproco feito entre ele e C.S. Lewis (que também escreveu uma história de ficção científica), &amp;quot;e outros escritos&amp;quot;, oriundos dos anos 1930.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[O Retorno da Sombra]] | A História da Terra-média VI&#039;&#039;&#039; (1988)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Nos cinco primeiros volumes de A História da Terra-média, vimos uma evolução da escrita de O Silmarillion, de 1915 até os anos 1930. A partir daqui chegamos ao período na vida de Tolkien na qual ele &amp;quot;abandonou&amp;quot; o Quenta Silmarillion para focar em O Senhor dos Anéis, de 1937 em diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, aqui temos uma análise da evolução de O Senhor dos Anéis, que engloba boa parte de A Sociedade do Anel e suas três fases iniciais de composição, que foram cruciais para Tolkien chegar à base do que viria a ser O Senhor dos Anéis como o conhecemos.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Traição de Isengard]] | A História da Terra-média VII&#039;&#039;&#039; (1989)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Dá continuidade à evolução de O Senhor dos Anéis, cobrindo parte de A Sociedade do Anel e de As Duas Torres. Aqui vamos conhecer a invenção de Lothlórien, ideias para o destino de Frodo e Sam em Mordor, a invenção e evolução de Barbárvore e os Ents, etc.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Guerra do Anel]] | A História da Terra-média VIII&#039;&#039;&#039; (1990)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Cobre parte de As Duas Torres e de O Retorno do Rei e mostra como essas histórias foram evoluindo.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[Sauron Derrotado]] | A História da Terra-média IX&#039;&#039;&#039; (1992)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Evolução do final do Senhor dos Anéis e o seu epílogo rejeitado. Aqui também temos The Notion Club Papers (uma outra história de viagem no tempo), a história de Númenor, e anotações sobre Adûnaico (a língua de Númenor).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[O Anel de Morgoth]] | A História da Terra-média X&#039;&#039;&#039; (1993)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Após a publicação de O Senhor dos Anéis (1954-55), Tolkien volta a focar no Quenta Silmarillion. Aqui vamos conhecer escritos detalhados e comentários editoriais sobre O Silmarillion mais tardio, que viria mais ou menos a ser O Silmarillion como publicado. Também conhecemos muitas informações sobre personagens e conceitos que acabaram ficando de fora do Silmarillion publicado.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[A Guerra das Joias]] | A História da Terra-média XI&#039;&#039;&#039; (1994)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Continuação direta de O Anel de Morgoth, com mais comentários e escritos tardios de Tolkien sobre o que viria a ser O Silmarillion como publicado.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;❌ - &#039;&#039;&#039;[[Os Povos da Terra-média]] | A História da Terra-média XII&#039;&#039;&#039; (1996)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Cobre o desenvolvimento do prólogo e dos apêndices de O Senhor dos Anéis e as línguas élficas criadas por Tolkien. Aqui também temos duas histórias abandonadas por Tolkien, sendo uma delas A Nova Sombra, que deveria ser uma sequência de O Senhor dos Anéis.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Os três Grandes Contos =====&lt;br /&gt;
[[Arquivo:Os Filhos de Húrin.jpg|alt=A capa do livro Os Filhos de Húrin, com uma arte de Alan Lee retratando Túrin no topo de um monte, vestindo um elmo com um dragão dourado na parte de cima, e com alguns homens seguindo atrás dele até o topo do monte.|miniaturadaimagem|348x348px|Os Filhos de Húrin]]&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[Os Filhos de Húrin]]&#039;&#039;&#039; (2007)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um compilado de todos os escritos sobre este conto (do qual já vimos em O Silmarillion, Contos Inacabados e As Baladas de Beleriand), sendo que Christopher molda esses textos de forma que constituíssem um único romance. Este é o segundo dos dois livros que Christopher fez isso (o primeiro sendo O Silmarillion).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[Beren e Lúthien]]&#039;&#039;&#039; (2017)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um longo levantamento das diferentes versões deste conto. Diferentemente de &amp;quot;Os Filhos de Húrin&amp;quot;, aqui não há a tentativa de transformar tudo num único romance, sendo as diferentes versões comparadas entre si.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Queda de Gondolin]]&#039;&#039;&#039; (2018)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um longo levantamento das diferentes versões deste conto. Diferentemente de &amp;quot;Os Filhos de Húrin&amp;quot;, aqui não há a tentativa de transformar tudo num único romance, sendo as diferentes versões comparadas entre si.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Livros pós-falecimento de Christopher Tolkien =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Natureza da Terra-média]]&#039;&#039;&#039; (2021)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Um longo levantamento de escritos &amp;quot;miscelânicos&amp;quot; de Tolkien a respeito da natureza da Terra-média, abordando o modo de vida das diferentes raças e assuntos teológicos e filosóficos como, por exemplo, o envelhecimento dos Elfos, os animais de Númenor, a relação do bem e do mal, e por aí vai. Embora não haja nenhum material propriamente inédito, muitos dos textos desde livro só tinham sido publicado até então em revistas e, assim, eram ignorados pela maioria dos leitores de Tolkien.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;✅ - &#039;&#039;&#039;[[A Queda de Númenor|A Queda de Númenor e Outros Contos da Segunda Era da Terra-média]]&#039;&#039;&#039; (2022)&amp;lt;blockquote&amp;gt;Uma coletânea de todos os escritos de Tolkien sobre a Segunda Era (isto é, tudo já publicado anteriormente) e organizados de forma cronológica segundo o Conto dos Anos (Apêndice B de O Senhor dos Anéis). É basicamente um facilitador dos estudos da Segunda Era, não havendo nenhum material inédito com exceção dos comentários do editor.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1114</id>
		<title>Citações Marcantes do Legendário</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Cita%C3%A7%C3%B5es_Marcantes_do_Legend%C3%A1rio&amp;diff=1114"/>
		<updated>2025-03-02T21:21:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* &#039;&#039;&#039;Levantamento feito com a curadoria de [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] (atualizado por último em 02/03/2025).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um levantamento dos momentos mais marcantes (ou apenas interessantes) do legendário. Ou seja, não necessariamente têm alguma mensagem sobre a vida ou algo do gênero, sendo apenas, por assim dizer, citações “legais”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja de seu interesse, temos no total quatro compilados de citações aqui no Compendium:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Citações Ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Não-ficcionais sobre a Vida]]&lt;br /&gt;
* [[Citações sobre as Próprias Obras]]&lt;br /&gt;
* [[Citações Marcantes do Legendário]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvo menção em sentido contrário, todos os trechos abaixo citados foram retirados das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trechos encontram-se em ordem cronológica de publicação. Confira uma lista de todos os livros aqui: [[Publicações de J.R.R. Tolkien]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Senhor dos Anéis (1954-55) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Em Eregion, muito tempo atrás, foram feitos muitos anéis-élficos, anéis mágicos, como você os chama, e é claro que eram de vários tipos: alguns mais potentes e outros menos. Os anéis menores eram apenas ensaios do ofício antes que este estivesse maduro, e para os artífices-élficos eles eram meras miudezas — ainda assim, em minha opinião, arriscados para os mortais. Mas os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, esses eram perigosos.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 2. A Sombra do Passado)}}{{Citação em Bloco|trecho=“É uma bela história, apesar de triste, como são todas as histórias da Terra-média, e mesmo assim pode lhes dar ânimo.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[A Sociedade do Anel]]; Livro I; 11. Um Punhal no Escuro)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Em uma coisa não mudaste, caro amigo,” comentou Aragorn, “ainda falas por enigmas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O quê? Em enigmas?”, disse Gandalf. “Não! Pois estava falando comigo mesmo em voz alta. Um hábito dos velhos: eles escolhem a pessoa mais sábia presente para falar com ela;”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro III; 5. O Cavaleiro Branco)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Mithrandir nós o chamávamos à moda dos Elfos,” disse Faramir, “e ele se contentava. ‘Muitos são meus nomes em muitos países’, dizia ele. ‘Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anãos; Olórin eu fui na juventude, no Oeste que está esquecido, no Sul, Incánus, no Norte, Gandalf; ao Leste eu não vou.’”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV, 5. A Janela para o Oeste)}}{{Citação em Bloco|trecho=Repentinamente o rei deu uma exclamação para Snawmana, e o cavalo partiu em um salto. [...] Parecia destinado à morte, ou a fúria de batalha de seus pais corria em suas veias como fogo novo, e foi carregado por Snawmana como um deus de outrora, como o próprio Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto, e eis! brilhava como uma imagem do Sol, e a relva se inflamava de verde em torno dos alvos pés de sua montaria. Pois a manhã estava chegando, a manhã e um vento do mar; e a escuridão foi removida, e as hostes de Mordor pranteavam, e o terror se apossou deles, e fugiram, e morreram, e os cascos da ira passaram sobre eles.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro V; 5. A Cavalgada dos Rohirrim)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Vou chegar lá nem que deixe para trás tudo exceto meus ossos”, disse Sam. “E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo lá para cima, nem que quebre minhas costas e meu coração. Então pare de discutir!”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Venha, Sr. Frodo!”, exclamou ele. “Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor e ele também. Então levante-se! Vamos lá, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. Só diga a ele aonde ir e ele irá.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com Frodo agarrado às costas, [...] para seu espanto, achou leve o fardo. Ele receara mal ter força para erguer seu patrão sozinho e, além disso, imaginara que compartilharia o terrível peso de arrasto do maldito Anel. Mas não foi assim. Fosse porque Frodo estava tão desgastado por suas longas dores, pela ferida do punhal e pela picada venenosa, e pelo pesar, medo e andança sem lar, ou seja porque lhe fora dado algum dom de força final, Sam ergueu Frodo sem maior dificuldade do que quem carrega uma criança hobbit no cangote [...]. Inspirou fundo e partiu.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 3. O Monte da Perdição)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Sus! senhores e cavaleiros e homens de valor indômito, reis e príncipes, e bela gente de Gondor, e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de Elrond, e Dúnedain do Norte, e Elfo e Anão, e intrépidos do Condado, e todo o povo livre do Oeste, escutai agora a minha balada. Pois vos cantarei de Frodo dos Nove Dedos e do Anel da Perdição.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 4. Os Campos de Cormallen)}}{{Citação em Bloco|trecho=Ali terminava a caligrafia de Bilbo, e Frodo escrevera:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A QUEDA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SENHOR DOS ANÉIS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E O&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RETORNO DO REI&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[...] “Ora, o senhor quase o terminou, Sr. Frodo!”, exclamou Sam. “Bem, preciso dizer que se esforçou.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Já terminei, Sam”, disse Frodo. “As últimas páginas são para você.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[O Retorno do Rei]]; Livro VI; 9. Os Portos Cinzentos)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Então o Rei-bruxo riu-se, e ninguém que o ouviu jamais esqueceu o horror daquele grito. Mas, nesse momento, veio cavalgando Glorfindel em sua montaria branca, e, no meio de seu riso, o Rei-bruxo voltou-se em fuga e passou para as sombras. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Com isso Eärnur cavalgou de volta, mas Glorfindel, observando a escuridão crescente, disse: ‘Não o persigas! Ele não voltará a esta terra. Ainda está muito longe a sua sina e não cairá pela mão de um homem.’ Estas palavras foram lembradas por muitos; mas Eärnur ficou irado, desejando apenas vingar-se pela sua desgraça.”|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndices; A. Anais dos Reis e Governantes; I. Os Reis Númenóreanos)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Silmarillion (1977) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] mesmo assim eles habitavam, então, no Reino de Arda, e esse era não mais que um pequeno domínio nos salões de Eä, cuja vida é o Tempo, que flui sempre da primeira nota ao último acorde de Eru.|fonte=[[O Silmarillion]] (Quenta Silmarillion; 8. Do Obscurecer de Valinor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Então Fingolfin contemplou (como lhe parecia) a completa ruína dos Noldor [...]; e, cheio de ira e desespero, montou Rochallor, seu grande corcel, e partiu sozinho, e ninguém pôde impedi-lo. [...] e todos os que contemplavam seu avanço fugiam em assombro, pensando que o próprio Oromë chegara: pois uma grande loucura de fúria estava sobre ele, de modo que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim ele chegou sozinho aos portões de Angband, e soou sua trompa, e golpeou, mais uma vez, as portas brônzeas, e desafiou Morgoth a vir para fora para combate singular. E Morgoth veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Por fim, tão desesperado era o caso de Barahir, que Emeldir do Coração-de-homem, sua esposa (cuja intenção era antes lutar ao lado de seu filho e seu marido do que fugir), reuniu todas as mulheres e crianças que tinham restado e deu armas àquelas que queriam usá-las; e as levou para as montanhas atrás de Dorthonion e por caminhos perigosos, até que chegaram enfim, com perdas e sofrimento, a Brethil.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 18. Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin)}}{{Citação em Bloco|trecho=Vazias e silenciosas estavam todas as terras em volta quando o Rei do Mar marchou sobre a Terra-média. Por sete dias viajou com bandeira e trombeta, e chegou a um monte, e o subiu, e dispôs ali seu pavilhão e seu trono; e se sentou em meio à terra, e as tendas de sua hoste estavam todas arranjadas à sua volta, azuis, douradas e brancas, como um campo de altas flores. Então enviou arautos e mandou que Sauron viesse diante dele e lhe jurasse fidelidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Sauron veio.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Akallabêth]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contos Inacabados (1980) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora. Por azar, ou por um acaso feliz, o Anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Um grande fardo fora removido. [...] Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra-média.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; I. O Desastre dos Campos de Lis)}}{{Citação em Bloco|trecho=[...] seus jovens e velhos eram ajudados pelas mulheres mais moças, que naquele povo também eram treinadas em armas e lutavam ferozmente em defesa de seus lares e filhos.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (i) Os Nortistas e os Carroceiros)}}{{Citação em Bloco|trecho=Eorl exigiu que o cavalo renunciasse à sua liberdade até o fim da vida, como compensação por seu pai; e Felaróf submeteu-se, apesar de não permitir que nenhum homem, exceto Eorl, o montasse. Compreendia tudo o que diziam os homens e teve vida longa como eles, assim como seus descendentes, os mearas, “que não levavam senão o Rei da Marca ou seus filhos até o tempo de Scadufax”.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; II. Cirion e Eorl e a Amizade entre Gondor e Rohan; (ii) A Cavalgada de Eorl)}}{{Citação em Bloco|trecho=‘Tu estás armando alguma das tuas, Mestre Gandalf. Tenho certeza de que tu tens outros propósitos além de me ajudar.’&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“‘Tu tens toda a razão’, concordei eu. ‘Se eu não tivesse outros propósitos, nem te estaria ajudando. Por muito que teus negócios te possam parecer importantes, eles são apenas um pequeno fio na grande teia. Eu me ocupo de muitos fios.’|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Não, imaginei que ele [Bilbo] queria permanecer “solteiro” por alguma razão bem profunda, que ele mesmo não compreendia ou não queria reconhecer, pois ela o alarmava. Queria, mesmo assim, ser livre para partir quando surgisse a oportunidade ou quando ele tivesse reunido coragem.|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; III. A Demanda de Erebor; Apêndice: Nota Sobre os Textos de &amp;quot;A Demanda de Erebor&amp;quot;)}}{{Citação em Bloco|trecho=“Quando assuntos de peso estão em debate, Mithrandir, espanta-me um pouco que tu te divirtas com teus brinquedos de fogo e fumaça, enquanto outros debatem a sério.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Gandalf riu e respondeu: “Não te espantarias se tu mesmo usasses esta erva. Descobririas que a fumaça soprada limpa sua mente das sombras interiores. Seja como for, ela confere paciência, para escutar os desacertos sem se enraivecer. Mas não é um dos meus brinquedos. É uma arte do Povo Pequeno lá no Oeste: gente alegre e valorosa, apesar de ter pouca importância, quem sabe, nas tuas altas políticas.”|fonte=[[Contos Inacabados]] (Terceira Parte: A Terceira Era; IV. A Caçada ao Anel; (iii) Acerca de Gandalf, de Saruman e do Condado)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 1 (1983) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Mas isso é através dele, e não por ele; e ele verá, e vós todos também, e mesmo esses seres que devem agora morar em meio ao seu mal e, por causa de Melko, tolerar tormento e pesar, terror e perversidade, que isso redunda, no fim, apenas para minha grande glória, e não faz senão tornar o tema mais digno de ser ouvido, a Vida mais digna de ser vivida, e o Mundo tão mais formidável e maravilhoso que, de todos os feitos de Ilúvatar, este será julgado seu mais poderoso e mais belo.’|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (2. A Música dos Ainur)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Livro dos Contos Perdidos 2 (1984) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[...] há muito tempo se diz entre os Homens que todos os que provassem do coração de um dragão conheceriam todas as línguas de Deuses ou Homens, de aves ou feras, e seus ouvidos captariam os sussurros dos Valar ou de Melko tal como jamais tinham ouvido antes.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 2]] (2. Turambar e o Foalókë)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Anel de Morgoth (1993) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=De fato em momentos de perigo ou de defesa desesperada, as nissi [mulheres] lutavam valentemente, e havia menos diferença entre a força e velocidade entre homens-élficos e mulheres-élficas que não tinham concebido uma criança do que é visto entre os mortais. Por outro lado muitos homens-élficos eram grandes curadores e habilidosos no estudo de corpos vivos, mas tais homens se abstinham de caçar, e não saiam em guerra até que estritamente necessário.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (II. A Segunda Fase; Leis e Costumes entre os Eldar) - Tradução não oficial}}{{Citação em Bloco|trecho=Outros [Valar] haviam, incontáveis ao nosso pensamento, embora conhecidos cada um e numerados na mente de Ilúvatar, cujos labores dão-se alhures e em outras regiões e histórias do Grande Conto, dentre estrelas remotas e mundos além do alcance do mais distante pensamento. Mas destes outros nada sabemos e não podemos saber, mas os Valar de Arda, talvez, lembram-se de todos.|fonte=[[O Anel de Morgoth]] (Parte Cinco: Mitos Transformados; II) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Guerra das Joias (1994) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Então falou Mandos em profecia, quando os Deuses sentaram-se em julgamento em Valinor, e o rumor de suas palavras foram sussurradas entre todos os Elfos do Oeste. Quando o mundo for velho e os Poderes enfraquecerem, então Morgoth, vendo que a guarda fraquejou, voltará pela Porta da Noite do Vazio Atemporal; e destruirá o Sol e a lua. Mas Eärendil descerá sobre ele como uma chama branca e flamejante e o derrubará dos ares. Então a Última Batalha ocorrerá nos campos de Valinor. Nesse dia Tulkas lutará com Morgoth, e em sua mão direita estará Eönwë, e em sua esquerda Túrin Turambar, filho de Húrin, voltando do Destino dos Homens no fim do mundo; e a espada negra de Túrin dará a Morgoth sua morte e fim definitivo; e assim os filhos de Húrin e todos os Homens serão vingados.|fonte=[[A Guerra das Joias]] (Os Últimos Capítulos do Quenta Silmarillion; A Segunda Profecia de Mandos) - Tradução não oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Queda de Gondolin (2018) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em sua casa sobre as muralhas Idril se veste com cota de malha e busca Eärendel. [...] Idril lutara, sozinha como estava, feito uma tigresa, apesar de toda a sua formosura e pequenez.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Natureza da Terra-média (2021) ==&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Por outro lado, o ato da procriação [dos Elfos], sendo ato de vontade e desejo partilhado e deveras controlado pelo fëa [“espírito”], realizava-se com a presteza de outros atos conscientes e voluntários de deleite ou de feitura. Era um dos atos de principal deleite, em processo e memória, em uma vida élfica, mas sua importância derivava apenas de sua intensidade, não do tempo ou da duração: não podia ser suportado por grande espaço de tempo sem desastroso “gasto”.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento; 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Citações]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1113</id>
		<title>Elfos Negros na Terra-média</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Elfos_Negros_na_Terra-m%C3%A9dia&amp;diff=1113"/>
		<updated>2025-02-27T20:07:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Desambiguação (entre dois)|Elfos de pele negra|os Elfos Escuros|[[Moriquendi]]}}&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Escrito por [[Usuário:Projetotolkien|Projeto Tolkien]] em 2022 (atualizado por último em 14/03/2024).&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão quanto a presença ou não de Elfos de pele negra no legendário da [[Terra-média]] não é recente e existe desde o século passado. Todavia, em razão do grande peso que essa discussão tomou desde a divulgação das primeiras imagens da nova série [[O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder]], nas quais havia sido confirmado que teríamos um ator de pele negra interpretando um Elfo, eu resolvi fazer um vídeo analisando a fundo o que [[J.R.R. Tolkien]] de fato já havia falado sobre a aparência dos [[Elfos]] de seu universo, em especial o seu tom de pele, sob o ponto de vista tanto de livros &amp;quot;canônicos&amp;quot; quanto de livros &amp;quot;não-canônicos&amp;quot; (&#039;&#039;i.e.&#039;&#039;, aqueles livros que não foram finalizados em vida e acabaram sendo publicados postumamente com edições e comentários de outras pessoas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vídeo em questão foi publicado no meu canal, [https://www.youtube.com/@ProjetoTolkien Projeto Tolkien], em 07/03/2022 (você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=sJwg-u-GBR0 aqui]), mas, depois de ver os incontáveis comentários que foram feitos nele, eu me dei conta de que o meu vídeo acabou ficando um pouco desfocado, posto que nele eu adentrei em questões que não tinham qualquer relação com o tom de pele dos Elfos (como barba, cabelos, olhos, etc.), bem como adentrei no dilema sobre o que é e o que não é &amp;quot;canônico&amp;quot; no legendário da [[Terra-média]], que influencia essas outras questões, mas não o tom de pele em si, o que acabou deixando certos pontos sobre o tom de pele dos Elfos inevitavelmente ambíguos e confusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esse motivo, eu resolvi fazer um novo levantamento, mais detalhado, para sintetizar melhor essa discussão, centralizando ele &#039;&#039;exclusivamente&#039;&#039; no tom de pele dos Elfos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aviso 1: Todas as citações mencionadas foram retiradas das edições da [[HarperCollins Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aviso 2: Uma versão bem semelhante, mas anterior, desse levantamento foi publicada em formato de vídeo no meu canal em 02/04/2023 (você pode assisti-lo clicando [https://www.youtube.com/watch?v=e8CFWuj_TJo aqui]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
Antes de adentrarmos no levantamento em si acredito ser importante ressaltar um ponto muito importante: &#039;&#039;&#039;o autor J.R.R. Tolkien &#039;&#039;nunca&#039;&#039; disse que todos os Elfos de seu universo eram brancos ou que Elfos pretos não existiam.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo isso em mente, você pode se perguntar: &amp;quot;se Tolkien nunca falou isso, então por que estamos tendo essa discussão?&amp;quot; E, tentando simplificar uma resposta que certamente poderia se estender muito, eu diria: &amp;quot;por causa da preconcepção popular, muitas vezes fundamentada, ainda que inconscientemente, em argumentos racistas e/ou eurocêntricos.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o [[wikipedia:Amazon_MGM_Studios|Amazon Studios]] divulgou a primeira imagem de [[Arondir]], um Elfo original da nova série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que seria interpretado por [[Ismael Cruz Córdova]], um ator preto, começaram a chover comentários internet afora alegando que a empresa estaria &amp;quot;deturpando&amp;quot; as obras de J.R.R. Tolkien em prol de uma cultura &amp;quot;woke&amp;quot; e &amp;quot;lacradora&amp;quot; ao colocar atores pretos para interpretar personagens que eram brancos nos livros. Comentários esses que eram sempre baseados em puro racismo e/ou em um total desconhecimento das obras originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, dizer para essas pessoas algo como &amp;quot;não há qualquer menção nos livros de Tolkien de que os Elfos eram todos brancos&amp;quot; não foi o suficiente. Mesmo eu e outros leitores dos livros dizendo que não havia qualquer menção de Tolkien neste sentido, essas pessoas insistiam em forçar uma interpretação deturpada dos livros (ou das intenções do autor) para justificarem que Elfos pretos não existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sinceramente não sei o que essas pessoas estariam ganhando com isso, mas é como se, seja lá por qual motivo, essas pessoas tivessem tomado como o grande objetivo de sua vida insistirem a todo custo que não havia pessoas pretas nas lendas da Terra-média. Quer dizer, não existiam pessoas pretas salvo pelos Haradrim, os vilões, porque eu vi muitas dessas pessoas falando que o problema não era a série ter atores pretos, já que se fossem personagens Haradrim não teria problema nenhum.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, esse é o motivo deste levantamento ter sido criado. Já que simplesmente dizer para essas pessoas obcecadas pela cor da pele das pessoas que Tolkien nunca falou nada neste sentido não foi o suficiente, eu decidi tentar refutar, um a um, todos os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu encontrei internet afora que (supostamente) comprovariam que Elfos negros não existiam no legendário da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas a título de esclarecimento, esse artigo não abordará a importância da representatividade no entretenimento porque 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica evidentemente não se importam com isso, de modo que abordar esse assunto seria inútil, 2) eu não tenho propriedade para falar sobre o assunto, e 3) essa discussão não é necessária para comprovar que Elfos negros existiam sim na Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, sem maiores delongas, abaixo os &amp;quot;argumentos&amp;quot; que eu mais encontrei e, em seguida, a minha explicação do porquê de esse argumento não fazer qualquer sentido. Tudo, é claro, fundamentado nos próprios livros de Tolkien, sempre com citações diretas do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rebatendo argumentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Em O Senhor dos Anéis Tolkien deixou claro que os Elfos de seu universo ‘eram belos, de pele clara e de olhos cinzentos’.” ===&lt;br /&gt;
Não é bem assim. De fato há essa menção em [[O Senhor dos Anéis]], mas trata-se de uma frase tirada de contexto, conforme já extensivamente explicado por [[Christopher Tolkien]] (filho de J.R.R. Tolkien e seu &amp;quot;executor literário&amp;quot;) em [[O Livro dos Contos Perdidos 1]], o 1.º volume da coleção [[A História da Terra-média]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em O Senhor dos Anéis, nós temos o seguinte trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, e Eldar, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal e ali chegaram no começo dos Dias (exceto apenas pelos Sindar). [...] Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, apesar de terem as madeixas escuras, exceto na casa dourada de Finarfin;&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt;|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em O Livro dos Contos Perdidos 1, Christopher nos traz a versão completa do rascunho de seu pai para esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Em um rascunho do parágrafo final do Apêndice F de O Senhor dos Anéis, ele [Tolkien] escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes (não neste livro) tenho usado “Gnomos” por Noldor e “gnômico” por noldorin. Fiz isso porque [...], para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais. Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora abandonei essa representação por demasiado enganosa. Pois os Noldor pertenciam a uma raça elevada e bela, os Filhos mais velhos do mundo, que agora se foram. Eram altos, de pele clara e olhos cinzentos, e suas madeixas eram escuras, exceto na casa dourada de Finrod […].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No último parágrafo do Apêndice F, conforme publicado, a referência aos “Gnomos” foi removida, e substituída por um trecho explicando o uso da palavra Elves [Elfos] como tradução de Quendi e Eldar. […] Portanto, &#039;&#039;&#039;essas palavras que descrevem características do rosto e dos cabelos foram escritas, na verdade, apenas sobre os Noldor, e não sobre todos os Eldar&#039;&#039;&#039;: de fato os Vanyar tinham cabelos dourados, e foi da mãe vanyarin de Finarfin, Indis, que ele e seus filhos Finrod Felagund e Galadriel herdaram os cabelos dourados que os distinguiam entre os príncipes dos Noldor. Mas sou incapaz de determinar como essa extraordinária corrupção do sentido surgiu.&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; O nome Finrod no trecho ao final do Apêndice F está incorreto: Finarfin era Finrod e Finrod era Inglor até a segunda edição de O Senhor dos Anéis, e, na ocasião, a alteração não foi feita.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como mencionado por Christopher, essa deturpação do sentido, oriunda da omissão de parte do texto de seu pai, foi corrigida na segunda edição de O Senhor dos Anéis, a partir da qual essa frase conta com uma nota de rodapé na qual é ressaltado tratar-se de uma descrição exclusiva para os [[Noldor]] (um dos três clãs élficos)&amp;lt;ref group=&amp;quot;Nota&amp;quot;&amp;gt;Apesar de terem despertado todos no mesmo local, ao longo das eras os Elfos se dividiram em diversos grupos e etnias (assim como os próprios Homens também se dividiram em vários grupos e etnias após seu primeiro despertar), mas seus três principais clãs eram os Vanyar, os Noldor e os Teleri. Destes, os Teleri foram os que mais se subdividiram em outros grupos e é deles que vêm os Sindar (os Elfos-cinzentos).&amp;lt;/ref&amp;gt;, e não para os Elfos como um todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&amp;lt;sup&amp;gt;11&amp;lt;/sup&amp;gt; Estas palavras que descrevem caracteres de rosto e cabelos aplicavam-se, de fato, apenas aos Noldor. [N. E.]|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, considerando que a segunda edição de O Senhor dos Anéis foi publicada ainda em 1966, alguém querer se utilizar desse trecho para justificar que todos os Elfos do legendário da Terra-média seriam brancos me parece, no mínimo, ingênuo ou mal-intencionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, se eu tivesse de apostar, eu diria que quem usa esse trecho é só mal-intencionado mesmo, já que é regra dentre esse tipo de pessoa usar argumentos soltos, sem qualquer base em citações diretas, ou, quando por algum milagre embasam suas opiniões com citações diretas, são sempre com trechos retirados totalmente de contexto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, é válido ressaltar aqui que, nas poucas vezes que J.R.R. Tolkien cita um Elfo como tendo pele clara, ele o faz com um Noldo (singular de Noldor), e, nas poucas vezes que outros personagens são descritos como brancos e comparados com os Elfos, eles são sempre comparados especificamente com os Elfos do clã noldorin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Túrin]], filho de [[Húrin]], é comparado nos livros, mais de uma vez, com os Elfos, sendo ele descrito como um Homem branco, sendo que, no entanto, essa comparação é feita especificamente com os Noldor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Nos tempos que se seguiram, Túrin cresceu muito nos favores de Orodreth, e quase todos os corações se voltaram para ele em Nargothrond. Pois era jovem e só então alcançara a plenitude da idade viril; e era, em verdade, o filho de Morwen Eledhwen em seu aspecto: &#039;&#039;&#039;de cabelos escuros e pele clara, com olhos cinzentos&#039;&#039;&#039;, e um rosto mais belo do que quaisquer outros entre Homens mortais, nos Dias Antigos. Seu falar e porte eram aqueles do antigo reino de Doriath, e, &#039;&#039;&#039;mesmo em meio aos Elfos, podia ser tomado por um dos das grandes casas dos Noldor&#039;&#039;&#039;; portanto, muitos o chamavam de Adanedhel, o Homem-Elfo.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 21. De Túrin Turambar) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que Túrin tinha (i) cabelos escuros, (ii) pele clara e (iii) olhos cinzentos, que eram exatamente as três características físicas que Tolkien descreveu os Noldor como possuindo no já citado Apêndice F de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro exemplo seria o Elfo [[Maeglin]], filho de [[Aredhel]], que também é descrito como possuindo pele branca, sendo ele estritamente comparado aos Noldor (apesar de ter sangue noldorin por parte de mãe, Maeglin era considerado um Sinda, isto é, um Elfo-cinzento):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Falarei mais sobre Maeglin mais para frente, pois há outras questões a serem abordadas sobre ele.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os (poucos) Elfos que são descritos nos livros como tendo pele clara tinham, no todo ou em parte, sangue noldorin, e todos personagens que são descritos como brancos e que são comparados aos Elfos, são comparados justamente com os Noldor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, esta passagem do Apêndice F de O Senhor dos Anéis (quando contextualizada com a passagem de O Livro dos Contos Perdidos 1) evidencia que não só não há qualquer indicativo de que todos os Elfos fossem brancos, como os vários comparativos de personagens brancos com Elfos noldorin apenas reforça a informação do rascunho original, de que somente os Elfos noldorin tinham essa distinção na aparência em seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A Terra-média representa a Europa nórdica e, por isso, não havia personagens negros.” ===&lt;br /&gt;
Um outro argumento que eu constantemente vejo por aí é o de que a Terra-média representaria a Europa “nórdica” e que, por isso, não teria como haver personagens negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, estudos evidenciam que havia sim pessoas pretas na Europa setentrional, por diferentes razões, mas eu não vou adentrar nessa questão pelo mesmo motivo pelo qual não adentrarei na questão da importância da representatividade: 1) as pessoas que reclamam da presença de um personagem negro em uma adaptação cinematográfica não se importam com isso, posto que possuem uma visão já há muito tempo arraigada sobre a Europa e não serei eu quem fará essas pessoas entenderem um pouco mais de história (até porque eu não tenho propriedade para isso), e 2) essa discussão quanto à presença ou não de pessoas pretas na Europa setentrional não é necessária para comprovar que Elfos pretos podiam sim ter existido na Terra-média. Ou seja, ainda que realmente houvesse zero pessoas pretas na Europa setentrional, como alguns sustentam, isso ainda não mudaria nada para a realidade da Terra-média.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, se você realmente se considera um fã de J.R.R. Tolkien e suas obras, eu sugiro que você pare de se utilizar da palavra “nórdica” para se referenciar ao norte da Europa e/ou os povos dessa região, pois Tolkien deixou claro diversas vezes que possuía total aversão a essa palavra, posto que, segundo ele mesmo, essa palavra, &amp;quot;nórdico(a)&amp;quot;, estava associada a doutrinas racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em breve síntese, Tolkien odiava o termo “nordic” (&amp;quot;nórdico&amp;quot;) e, para ele, nós deveríamos utilizarmo-nos do termo “northern” (“setentrional”) para nos referenciarmos ao norte da Europa e &amp;quot;germanic&amp;quot; (&amp;quot;ermânico&amp;quot;) para nos referenciarmos aos povos que viviam nessas regiões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a especificamente o idioma nórdico, o termo original em inglês é &amp;quot;Norse&amp;quot;, sendo que uma dubiedade pode surgir para nós brasileiros pelo fato de que tanto &amp;quot;nordic&amp;quot; quanto &amp;quot;Norse&amp;quot; são traduzidos por aqui como &amp;quot;nórdico&amp;quot;. E, como não temos uma alternativa para a tradução do idioma &amp;quot;Norse&amp;quot;, eu sugiro, em respeito a J.R.R. Tolkien, que você faça o uso do termo &amp;quot;setentrional&amp;quot; para se referenciar à região em si, &amp;quot;germânico&amp;quot; para os povos, e &amp;quot;nórdico&amp;quot; exclusivamente para o idioma - ou, se preferir, &amp;quot;idioma nórdico&amp;quot; pra deixar bem clara essa distinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns breves exemplos nos quais Tolkien fala sobre essa sua aversão pela palavra “nordic” vêm das Cartas n.º 29 e 45 do livro [[As Cartas de J.R.R. Tolkien]], nas quais ele critica o nazismo por se apropriar, perverter e arruinar a essência “setentrional” em favor de doutrinas raciais não-científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[A Allen &amp;amp; Unwin negociara a publicação de uma tradução alemã de O Hobbit com a Rütten &amp;amp; Loening de Potsdam. Essa firma escreveu a Tolkien perguntando se ele era de origem “arisch” (ariana).]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo dizer que a carta em anexo da Rütten e Loening é um tanto rígida. Sofro essa impertinência por possuir um nome alemão ou as leis lunáticas deles exigem um certificado de origem “arisch” de todas as pessoas de todos os países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, eu estaria inclinado a recusar o fornecimento de qualquer Bestätigung&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; (embora por acaso eu possa fazê-lo) e deixar que uma tradução alemã fosse suspensa. Seja como for, devo opor-me fortemente à aparição impressa de qualquer declaração semelhante. Não considero a (provável) ausência total de sangue judeu como necessariamente meritória; tenho muitos amigos judeus, e &#039;&#039;&#039;lamentaria asseverar a noção de que aprovo a totalmente perniciosa e não científica doutrina racial&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Alemão, &amp;quot;confirmação&amp;quot;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 29) - Grifou-se.}}{{Citação em Bloco|trecho=Passei a maior parte da minha vida, desde que eu tinha sua idade, estudando assuntos germânicos (no sentido geral que inclui a Inglaterra e a Escandinávia). [...] Você tem de compreender o bem nas coisas para detectar o verdadeiro mal. [...] &#039;&#039;&#039;suponho que sei melhor do que a maioria das pessoas qual é a verdade sobre esse absurdo “nórdico”&#039;&#039;&#039;. De qualquer modo, tenho nesta Guerra um ardente ressentimento particular [...] contra aquele maldito tampinha ignorante chamado &#039;&#039;&#039;Adolf Hitler [...] que está arruinando, pervertendo, fazendo mau uso e tornando para sempre amaldiçoado aquele nobre espírito setentrional&#039;&#039;&#039;, uma contribuição suprema para a Europa, que eu sempre amei e tentei apresentar sob sua verdadeira luz.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 45) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, muito embora seja comum ouvirmos a história de que o plano de J.R.R. Tolkien era o de criar uma mitologia para a [[Inglaterra]], de modo que seu legendário se passaria em uma Europa setentrional, a questão não é tão simples quanto parece e, mais uma vez, quem fala isso está claramente tirando muita coisa de contexto pra tentar dar uma maior ar de credibilidade pras suas visões deturpadas de mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso só era verdade para [[O Livro dos Contos Perdidos]], escrito por Tolkien entre os anos 1917 e 1920, que é a primeira versão do que muito mais tarde viria a ser [[O Silmarillion]] como o conhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, quando Tolkien deu o pontapé inicial ao seu legendário, sua intenção era sim a de criar uma espécie de &amp;quot;mito de criação&amp;quot; da Inglaterra, e isso fica evidente em diversas cartas social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[CITAÇÃO]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão disso, em O Livro dos Contos Perdidos (1917-20), a relação das lendas e das terras com a Inglaterra era clara e direta, sendo que a palavra &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; é citada 71 vezes nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, usar desse argumento é, como essas pessoas adoram fazer, tirar todo o contexto por trás dele, já que, ao longo dos anos, conforme seu legendário foi evoluindo, essa relação foi deixada totalmente de lado pelo autor, com o &amp;quot;legendário&amp;quot; perdendo esse seu caráter de ser um &amp;quot;mito de criação&amp;quot; pra Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E um exemplo disso é simples: n&#039;O Livro dos Contos Perdidos, a Inglaterra era literalmente representada por uma ilha chamada Tol Eressëa, a Ilha Solitária. A ideia era a de que Tol Eressëa fosse a Inglaterra num passado longínquo, e que a cidade de Kortirion fosse Warwick, uma cidade da Inglaterra, também num passado longínquo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simplificando, a Inglaterra seria, em origem, um reino élfico, sendo que, mais tarde, depois que os Elfos feneceram, ela passou a ser um reino humano, com apenas alguns poucos ainda relembrando as antigas lendas élficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como eu disse, isso foi posteriormente abandonado por Tolkien, tanto é que Tol Eressëa e Kortirion continuam existindo nas versões posteriores do legendário - com Kortirion apenas mudando seu nome para apenas Tirion - sendo que, na versão posterior da história, eles dois foram literalmente removidos do planeta durante a Queda de Númenor e passar a literalmente flutuar no espaço, acessíveis somente através da Rota Reta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, pra quem fala que o legendário era para ser um mito de criação para a Terra-média, ou para quem fala que Tolkien abandonou essa ideia, mas o legendário continuou sendo &amp;quot;espiritualmente&amp;quot; um mito de criação para a Terra-média, a tal da &amp;quot;Inglaterra&amp;quot; virou literalmente uma ilha que tá flutuando no espaço, fora do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isso não é prova o suficiente de que Tolkien abandonou esse conceito de o legendário ser um mito de criação pra Inglatera, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, para além disso, fato é que o próprio Tolkien deixou claro ainda em vida, 50 anos depois de escrever O Livro dos Contos Perdidos, que isso não era mais aplicável à sua mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que parte de suas inspirações são derivadas de mitos europeus, mas, em uma carta escrita por J.R.R. Tolkien em 08/02/1967, apenas seis anos antes de falecer, na qual ele traz alguns comentários pontuais sobre uma entrevista feita com Charlotte e Denis Plimmer, &#039;&#039;&#039;ele deixa claro que a Terra-média não representava a Europa nórdica (nem setentrional), seja geograficamente ou &amp;quot;espiritualmente&amp;quot;, e que essa não era a sua intenção.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=[O texto abaixo é de trechos do comentário de Tolkien, enviado a Charlotte e Denis Plimmer, sobre o rascunho da entrevista destes com ele. As passagens em itálico são citações do rascunho deles.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra-média .... corresponde espiritualmente à Europa Nórdica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nórdica não, por favor! Uma palavra pela qual pessoalmente tenho aversão; está associada, apesar de ser de origem francesa, com teorias racistas. Geograficamente, setentrional em geral é melhor. Mas uma análise mostrará que &#039;&#039;&#039;mesmo essa palavra é inaplicável (geográfica ou espiritualmente) à “Terra-média”&#039;&#039;&#039;. Esta é uma palavra antiga, não inventada por mim, como a consulta a um dicionário como o Shorter Oxford mostrará. Significava as terras habitáveis de nosso mundo, situadas no meio do Oceano circundante. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Auden declarou que para mim “o Norte é uma direção sagrada”. Isso não é verdade. O noroeste da Europa, onde tenho vivido (e a maioria de meus ancestrais viveu), tem minha afeição, como deve ter o lar de um homem. Amo sua atmosfera e sei mais de suas histórias e idiomas do que sei de outras partes; mas não é “sagrado”, nem exaure minhas afeições. Por exemplo, tenho um amor em particular pela língua latina e, entre seus descendentes, pelo espanhol. Uma simples leitura das sinopses deveria deixar claro que isso não é verdadeiro para minha história. O Norte era a sede das fortalezas do Diabo. O progresso da história termina no que é muito mais parecido com o restabelecimento de um Sacro Império Romano efetivo com sua sede em Roma do que qualquer coisa que seria planejada por um “nórdico”.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 294) - Grifou-se.}}E, ainda que a Terra-média representasse a &amp;quot;Europa nórdica&amp;quot; como muitos alegam (o que, ressalto, ela não representava), dizer que isso significaria que não existem personagem negros nem sequer faz sentido lógico, pois há diversos personagens humanos que Tolkien descreve como sendo negros (como alguns dos Haradrim). Até mesmo Tom Bombadil é descrito como tendo uma pele &amp;quot;marrom&amp;quot; (que não é negra, mas definitivamente também não é &amp;quot;branca&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que essa seletividade? Uma mitologia (supostamente) &amp;quot;europeia&amp;quot; não pode ter Elfos negros, mas pode ter Homens negros? Qual é a lógica disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “A etimologia de ‘Elfo’ infere a ideia de ‘branco’.” ===&lt;br /&gt;
Muito também se tem falado de que a palavra “Elfo” (no original, &#039;&#039;Elf&#039;&#039;) tem origem nos antigos mitos e folclores germânicos e nórdicos e que ela estava intimamente associada à ideia de branco, sendo que o radical nórdico de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, no caso &#039;&#039;alv&#039;&#039;, seria o mesmo radical de palavras como “alpes” ou “albino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, a etimologia de &#039;&#039;Elf&#039;&#039; não é tão simples assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o [https://www.etymonline.com/word/elf#etymonline_v_5730 Online Etymology Dictionary], é &#039;&#039;sugerido&#039;&#039; que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; tenha origem no &#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico, que também teria dado origem a palavras posteriores como o &#039;&#039;alp&#039;&#039; alemão (de onde vem, por exemplo, alpes e albino), mas é importante lembrar o que significa esse * no início de &#039;&#039;albiz&#039;&#039;: essa palavra nunca foi encontrada em qualquer registro escrito e é uma invenção posterior para tentar justificar a relação entre palavras distintas mas semelhantes. Ou seja, não sabemos de fato se &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente têm um antepassado em comum, pois nunca foi encontrado nenhum registro fático nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, ainda que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; e alpes/albino realmente tivessem uma mesma origem etimológica (do que, ressalto, não temos prova), isso não implica dizer que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; em si tenha ligação com a cor branca, posto que &amp;quot;Elf&amp;quot; &#039;&#039;precederia&#039;&#039; ao &#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039;alp&#039;&#039;&amp;quot;&#039;&#039; alemão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse&#039;&#039;*albiz&#039;&#039; proto-germânico teria originado o &#039;&#039;ylfe&#039;&#039; (saxão ocidental), &#039;&#039;ælf&#039;&#039; (nortúmbrio) e &#039;&#039;elf&#039;&#039; (merciano, kentico) do inglês antigo que significavam algo como &#039;&#039;sprite&#039;&#039;, &#039;&#039;fairy&#039;&#039;, &#039;&#039;goblin&#039;&#039; e &#039;&#039;incubus&#039;&#039;, sendo que todas essas palavras, nos anos 1550, eram usadas figurativamente para representar uma &amp;quot;pessoa malvada&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos uma palavra portuguesa que tenha derivado diretamente de &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;sprite&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, mas ela pode ser traduzida basicamente como “espírito”, já que a própria etimologia de “sprite” sugere que ela tenha vindo do latim “spiritus” que, obviamente, também deu origem à palavra “espírito”. Já &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;goblin&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; significava basicamente “um demônio, um íncubo, uma fada feia e malvada ou um espírito”, e aqui a gente já começa a ver muita repetição nas definições dessas palavras. &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;Incubus&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, por sua vez, significava basicamente “um demônio ou ser imaginário que causava pesadelos”. Quanto a &#039;&#039;&#039;&#039;&#039;fairy&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;, ela nada mais é do que “fada”, palavra essa que mais se repete na etimologia de todas as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a gente vê que, ao menos originalmente, antes da difusão na cultura popular, Elfo, Fada, Espírito, Gobelim e Íncubo significavam mais ou menos a mesma coisa, sendo que o termo “fairy” (“fada”) é o que mais se repete na etimologia de todas essas palavras. Aliás, o próprio Tolkien diversas vezes usa Elfo e Fada indiscriminadamente, dizendo que eles eram termos mais ou menos equivalentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o Century Dictionary, Elfo e Fada eram basicamente os mesmos seres, sendo apenas que Elfo era geralmente mais jovem e malvado do que uma Fada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à etimologia de Fada em si, a palavra original era, na verdade, “faerie”, que vem do francês antigo e é traduzida aqui no Brasil como Feéria, sendo que Faerie (&amp;quot;Feéria&amp;quot;) era o nome dado especificamente ao reino em que viviam criaturas sobrenaturais ou lendárias. Em outras palavras, Feéria pode ser traduzido como Terra das Fadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o decorrer do tempo, “Fairy” (não Faerie), traduzida aqui no Brasil como “Fada”, passou a ser utilizado, via de consequência, como o nome dessas criaturas sobrenaturais ou lendárias vindas de Feéria, sendo que Fada é atestado, inclusive, como um adjetivo genérico para representar seres heroicos ou lendários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Tolkien, em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas, cita essa questão da origem da palavra Fada (&amp;quot;Fairy&amp;quot;) como significando, na verdade, o reino de Feéria (&amp;quot;Faerie&amp;quot;):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Fada, como um substantivo mais ou menos equivalente a elfo, é uma palavra relativamente moderna […]. A primeira citação no Oxford Dictionary (a única antes de 1450) é significativa. É tirada do poeta Gower: &#039;&#039;&#039;“as he were a faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele fosse uma fada]. Mas isso Gower não disse. Ele escreveu &#039;&#039;&#039;“as he were of faierie”&#039;&#039;&#039; [como se ele tivesse vindo de Feéria].|fonte=[[Árvore e Folha]] (Sobre Estórias de Fadas) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu ensaio &amp;quot;[[Sobre Estórias de Fadas]]&amp;quot;, presente no livro [[Árvore e Folha]], o próprio Tolkien ressalta que a palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;precede&#039;&#039;&#039; os antigos mitos e folclores germânicos e setentrionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=O ser diminuto, elfo ou fada, é (suspeito), na Inglaterra, em grande parte, um produto sofisticado do devaneio literário.&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;Estou falando de transformações que ocorreram antes do aumento do interesse pelo folclore de outros países. As palavras inglesas, tais como elf [elfo], receberam por muito tempo a influência do francês (língua da qual derivam as palavras fay [fata, fada] e Faërie, fairy [Feéria, fada]); mas, &#039;&#039;&#039;em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, tanto fada quanto elfo adquiriram muito da atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas&#039;&#039;&#039; [...].|fonte=[[Árvore e Folha]] ([[Sobre Estórias de Fadas]]) - Grifou-se.}}Nesse sentido, não há como se ter certeza sobre qual o significado original de palavra &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, sendo que o próprio J.R.R. Tolkien aborda em seu ensaio as confusas possíveis origens deste termo, jamais tentando dar-lhe um significado original (apenas a relacionando à palavra Fada) e jamais fazendo qualquer menção à ideia de branco, atentando-se mais para o que define a estórias de fadas e elfos do que para o que define os elfos em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, ainda que houvesse provas de que &#039;&#039;Elf&#039;&#039; estava intimamente associado à ideia de branco (o que, ressalto, não há), isso, por si só, não significaria que todos os Elfos do legendário da Terra-média eram brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto porque nós não podemos nos esquecer de que, tecnicamente falando, é equivocado chamar essas criaturas criadas por Tolkien de &amp;quot;Elfos&amp;quot;, posto que elas chamavam-se, na verdade, &amp;quot;Quendi&amp;quot;, que são uma invenção original do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Tolkien reconhecer que, embora isso fosse verdade no início, seu legendário tinha deixado de ter uma relação direta com a Inglaterra e, via de consequência, com a Europa setentrional (como vimos no tópico anterior), ele também deixou claro diversas vezes que “Elfo” foi uma palavra pré-existente que ele optou por se utilizar como &#039;&#039;tradução&#039;&#039; de Quendi, e que &#039;&#039;&#039;essas duas palavras – Quendi e Elfos – não eram equivalentes&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Só para esclarecer para quem porventura não saiba, &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; significa “Os Falantes”, e é a palavra &amp;quot;élfica&amp;quot; para se referenciar aos Elfos. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tolkien fala sobre essa questão de “Elfos” ser uma tradução não muito precisa de “Quendi”, por exemplo, lá nos Apêndices de O Senhor dos Anéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;&#039;&#039;Elfos foi usado para traduzir tanto Quendi&#039;&#039;&#039;, “os falantes”, o nome alto-élfico de toda a sua espécie, &#039;&#039;&#039;e Eldar&#039;&#039;&#039;, o nome dos Três Clãs que buscaram o Reino Imortal […]. De fato, essa palavra antiga era a única disponível […]. Mas ela minguou, e a muitos pode agora sugerir fantasias delicadas ou tolas, tão diferentes dos Quendi de outrora […].|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] (Apêndice F; II. Da Tradução) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso também fica explícito em várias cartas escritas por Tolkien, nas quais ele diz, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=E, de qualquer forma, elfo, gnomo, gobelim e anão &#039;&#039;&#039;são apenas traduções aproximadas&#039;&#039;&#039; dos nomes em Élfico Antigo para seres de raças e funções não exatamente iguais.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 25) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=O que você pede é O Silmarillion, que é na prática uma história dos Eldalië (&#039;&#039;&#039;ou Elfos, por uma tradução não muito precisa&#039;&#039;&#039;), de sua ascensão até a Última Aliança e a primeira derrubada temporária de Sauron [...].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 114) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Por trás de minhas histórias há agora um nexo de idiomas (a maioria apenas estruturalmente esboçada). Mas àquelas criaturas que &#039;&#039;&#039;em inglês chamo enganosamente de Elfos&#039;&#039;&#039; são designados dois idiomas relacionados bastante completos.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 131) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Tenho dificuldade em encontrar nomes ingleses para criaturas mitológicas com outros nomes, uma vez que as pessoas não “aceitariam” uma série de nomes Élficos [como “Quendi” ou “Eldar” para os Elfos, por exemplo], e prefiro que elas aceitem minhas criaturas lendárias mesmo com as &#039;&#039;&#039;falsas associações da “tradução”&#039;&#039;&#039; do que não as aceitem de modo algum.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 156) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, sendo ainda mais específico sobre isso, há uma carta na qual Tolkien fala expressamente que seus “Elfos” (isto é, seus “Quendi”) não guardavam nenhuma relação com os Elfos da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=“Elfos” é uma tradução, talvez agora não muito adequada, mas originalmente boa o suficiente, de Quendi. Eles são representados como uma raça similar em aparência (e ainda mais no passado distante) aos Homens e, em dias antigos, da mesma estatura. […] Mas suponho que &#039;&#039;&#039;os Quendi nestas histórias sejam de fato muito pouco relacionados aos Elfos e Fadas da Europa&#039;&#039;&#039;; e se eu fosse pressionado a racionalizar, eu diria que eles representam realmente Homens com faculdades estéticas e criativas aprimoradas em grande medida, maior beleza e vida mais longa, e nobreza […].|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 144) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dito isto, é importante ressaltar que, além de Tolkien ter deixado claro diversas vezes que suas criaturas não eram &amp;quot;Elfos&amp;quot; propriamente ditos, tendo usado este termo apenas como uma tradução de Quendi e Eldar, o autor também disse explicitamente em várias cartas que se arrependeu de ter se utilizado dessa palavra (“Elfo”) por acreditar que ela estava cheia de vícios que eram demais para se superar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Além disso, agora &#039;&#039;&#039;lamento profundamente ter usado Elfos&#039;&#039;&#039;, embora esta seja uma palavra em ancestralidade e significado original suficientemente adequada. A desastrosa depreciação dessa palavra […] realmente a sobrecarregou com tons lamentáveis, que são muitos para se superar. […] Minha dificuldade é de que, uma vez que tentei apresentar uma espécie de legendário e história de uma “época esquecida”, todos os termos específicos estavam em uma língua estrangeira, e &#039;&#039;&#039;não existem equivalentes precisos em inglês&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos nos esquecer de que Tolkien era um filólogo e tinha um vasto conhecimento do vocabulário e da etimologia de diversas línguas, não ficando preso ao convencionado popularmente na sua época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente por esse motivo, Tolkien deixou claro diversas vezes que se arrependeu muito de ter se utilizado não só da palavra &#039;&#039;Elfo&#039;&#039;, como também de palavras como &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, &#039;&#039;Gobelim&#039;&#039; e até &#039;&#039;Anão&#039;&#039; – todas pelo mesmo motivo de que essas palavras estavam viciadas com outros significados na cultura popular e não guardavam uma relação precisa com as criaturas de seu legendário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só pra explicar pra quem porventura não conheça, Gnomos era como Tolkien chamava os Noldor, um dos Três Clãs dos Elfos, lá nas primeiras versões de seu legendário, vide o já citado O Livro dos Contos Perdidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Gobelins significa exatamente o mesmo que Orques, sendo apenas que Gobelim era uma palavra usada mais pelos Hobbits e Orque, mais pelas outras raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre isso, algumas citações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Às vezes (não neste livro) tenho usado &amp;quot;Gnomos&amp;quot; por Noldor e &amp;quot;gnômico&amp;quot; por noldorin. […] Porém, não se assemelhavam de nenhum modo aos Gnomos da teoria erudita, nem da imaginação popular; e agora &#039;&#039;&#039;abandonei essa representação por demasiado enganosa&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]]) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Nenhum resenhista (que eu tenha visto), embora todos tenham usado cuidadosamente a forma correta dwarfs [anões], comentou a respeito do fato (do qual me tornei consciente apenas através das resenhas) de eu usar no decorrer do livro o plural “incorreto” dwarves [anãos]. [...] Talvez seja permitido ao meu dwarf [anão] — uma vez que ele e o Gnomo3 são apenas traduções em equivalentes aproximados de criaturas com diferentes nomes e funções muito diferentes em seu próprio mundo [...]. O verdadeiro plural “histórico” de dwarf (como teeth [dentes] de tooth [dente]) é dwarrows [ananos], de qualquer modo: sem dúvida uma bela palavra, mas um tanto arcaica demais. No entanto, &#039;&#039;&#039;gostaria que eu tivesse usado a palavra dwarrow [anano]&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 17) - Grifou-se}}{{Citação em Bloco|trecho=Sua preferência por gobelins a orques envolve um assunto maior e uma questão de gosto, e talvez um pedantismo histórico de minha parte. &#039;&#039;&#039;Pessoalmente prefiro Orques&#039;&#039;&#039; (uma vez que essas criaturas não são “gobelins”, nem mesmo os gobelins de George MacDonald, aos quais se assemelham de certa forma).|fonte=[[As Cartas de J.R.R. Tolkien]] (Carta n.º 151) - Grifou-se}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não dá para nós simplesmente jogarmos as preconcepções populares de nossa época (ou até mesmo da época de Tolkien) em cima das criaturas originalmente criadas pelo autor, pois, embora ele tenha se utilizado de nomes comuns a nós, ele deixou claro diversas vezes que esses nomes modernos foram usados apenas como &#039;&#039;traduções aproximadas&#039;&#039; dos nomes de criaturas bem diferentes e, em muitos casos, inclusive se arrependeu de ter usado esses nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a título de exemplo, a palavra &#039;&#039;Gnomo&#039;&#039;, que, como eu comentei, era como Tolkien chamava os Noldor, não tem relação nenhuma com as criaturas folclóricas diminutas que estamos tão acostumados e que adentraram na cultura popular através de Paracelso, um escritor suíço que, no século XVI, usou &amp;quot;gnomo&amp;quot; como um sinônimo de “pigmeu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “gnomo” utilizado por Tolkien vem de uma origem muito mais antiga, mais especificamente o “gnōmē” grego, que significava algo como “pensamento” ou “inteligência”, sendo que o próprio Tolkien comenta sobre essa distinção dizendo que, embora seus Gnomos não tivessem nada a ver com os gnomos da cultura popular, sendo apenas aquele clã dos Quendi que mais se distinguiam por seu conhecimento e sua inteligência, ele acabou abandonando essa palavra ao ver que ela estava causando muita confusão desnecessária (&amp;quot;Gnomos&amp;quot; como significando os &amp;quot;Elfos noldorin&amp;quot; chegou a aparecer primeira edição de [[O Hobbit]]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Seja lá o que Paracelso tenha pensado (se é que ele realmente inventou o nome), para alguns, “Gnomo” ainda sugerirá conhecimento. Ora, o nome alto-élfico desse povo, Noldor, significa Aqueles que Sabem; pois dentre os três clãs dos Eldar, desde seu começo, os Noldor sempre se distinguiram, tanto por seu conhecimento das coisas que são e foram neste mundo, quanto por seu desejo de conhecer mais.|fonte=[[O Livro dos Contos Perdidos 1]] (1. [[O Chalé do Brincar Perdido]])}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é um ótimo exemplo do porquê de ser tão difícil tentarmos associar as palavras utilizadas por Tolkien, um filólogo, com a noção que nós temos dessas mesmas palavras na cultura popular (seja atualmente seja da época do próprio autor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, não há como supormos que os Elfos da Terra-média eram todos brancos simplesmente com base na etimologia da palavra porque&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# a etimologia de &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; é extremamente complexa, conforme ressaltado pelo próprio J.R.R. Tolkien em seu ensaio Sobre Estórias de Fadas;&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que os seus Elfos tinham pouco, se não nenhuma, relação com os Elfos da Europa, posto que &amp;quot;Elfos&amp;quot; foi usado apenas como uma tradução aproximada de “Quendi” (já que ele temia que as pessoas tivessem aversão a tantos nomes originais), ressaltando que essas duas palavras não eram equivalentes; e&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien disse que se arrependeu de ter se utilizado da palavra “Elfo” como uma tradução de Quendi, já que a cultura popular sugeria fantasias tolas, muito diferentes de suas criaturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adentrarei aqui nos possíveis significados originais de Elfos, pois entendo ser irrelevante para o objetivo deste artigo. Caso seja de seu interesse, eu adentro nessa questão no meu texto sobre os Elfos terem ou não orelhas pontudas: [[Os Elfos de Tolkien Tinham Orelhas Pontudas?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== “Tolkien nunca mencionou um Elfo de pele negra; se existissem, ele teria mencionado algum.” ===&lt;br /&gt;
Em primeiro lugar, é importante destacar aqui que Tolkien ser descritivo e Tolkien ser redundante são duas coisas totalmente diferentes. Em outras palavras, de fato J.R.R. Tolkien sempre foi muito descritivo com seus textos, em especial em se tratando na natureza de seu mundo, mas ele nunca foi redundante nessas descrições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato há alguns personagens élficos que Tolkien especifica nos livros como tendo pele clara, mas pense comigo: se todos os Elfos fossem brancos, seria necessário Tolkien ser redundante com relação a isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se supostamente já teria sido estabelecido que todos Elfos eram brancos, seja lá com base em qual argumento, qual seria a utilidade de Tolkien dizer especificamente, por exemplo, que os Noldor tinham pele clara? Ou por que Tolkien diria que Maeglin, um Elfo, era branco? Ou por que Tolkien diria que Túrin, um homem branco, podia ser confundido com um dos Noldor em vez de dizer simplesmente que ele podia ser confundido com um Elfo? Nestes três casos, o uso desses complementos por Tolkien me pareceria algo tão redundante e inútil quanto dizer &amp;quot;subir para cima&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se a gente considerar que nem todos os Elfos eram brancos, bem como que o único clã descrito como sendo branco era o clã dos Noldor, Tolkien dizer que Maeglin, um Elfo sindarin, era branco, e que Túrin, por ser branco (e ter outras características &amp;quot;élficas&amp;quot;), podia ser confundido com um dos Noldor, deixa de ser redundante e passa a ser uma descrição totalmente válida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Repito: Tolkien sempre foi muito descritivo, mas ele nunca foi redundante, e não havia utilidade nenhuma para que ele fosse redundante nessas pouquíssimas descrições de personagens élficos como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessa questão da redundância, também não podemos nos esquecer de que a ausência de prova não é prova de ausência. Até podemos dizer que nas versões posteriores de seu legendário Tolkien de fato nunca mencionou &#039;&#039;especificamente&#039;&#039; um Elfo como tendo pele negra, mas isso por si só não é capaz de implicar que eles não existiam (e quem acha que significa precisa estudar um pouco de hermenêutica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Tolkien sempre deixou claro que ele não estava criando essas histórias, mas apenas traduzindo textos por ele encontrados, que teriam sobrevivido a todas essas eras. Sua mentalidade era a de que ele não estava criando, mas sim &amp;quot;descobrindo&amp;quot; essas histórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a ilha de Númenor, por exemplo, Tolkien diz que é muito difícil precisarmos quais eram exatamente a sua cultura e os animais que viviam lá porque pouquíssimos escritos teriam sobrevivido à sua queda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Visto que todas esses assuntos eram estudados pelos homens de saber em Númenor, e muitas histórias naturais e geografias precisas devem ter sido compostas, aparentemente elas, como quase tudo o mais das artes e ciências de Númenor em seu apogeu, desapareceram na queda.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}{{Citação em Bloco|trecho=Como foi dito, não é fácil descobrir quais eram os animais, aves e peixes que já habitavam a ilha antes da chegada dos Edain, e quais foram trazidos por eles. O mesmo vale para as plantas.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Três: O Mundo, Suas Terras e Seus Habitantes, 13. Da Terra e dos Animais de Númenor)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa mesma linha, falando sobre o parentesco de personagens, &#039;&#039;&#039;Tolkien deixa claro que não devemos interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência&#039;&#039;&#039; de um filho ou parente para certo personagem, pois os textos élficos e humanos que teriam sobrevivido ao longo das eras costumavam mencionar apenas os personagens mais importantes, omitindo certos aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Deve-se recordar, no entanto, ao considerar os registros e as lendas do passado, que estes (em especial os feitos ou transmitidos pelos Homens) muitas vezes mencionam ou nomeiam apenas pessoas que desempenham um papel registrado nos eventos, ou que eram ancestrais diretos de tais atores principais. Portanto, não se pode concluir, apenas a partir do silêncio, quer na narrativa quer na genealogia, que determinada pessoa não tinha filhos, ou não mais do que os mencionados.|fonte=[[A Natureza da Terra-média]] (Parte Um: Tempo e Envelhecimento, 4. Escalas de Tempo)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois pontos (Tolkien nunca ter sido redundante e seu silêncio não poder ser interpretado como sinônimo de ausência), por si só, já deveriam ser suficientes para evidenciar que não é só porque Tolkien não falou sobre um personagem que ele necessariamente não existia. Isto é, não é porque Tolkien nunca descreveu um Elfo como tendo pele negra que nenhum existia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, em segundo lugar, é válido mencionar que na primeira versão de seu legendário, quando O Silmarillion ainda era chamado de O Livro dos Contos Perdidos e havia uma associação direta com a Inglaterra, como eu já comentei, Tolkien chegou sim a descrever um Elfo como tendo pele negra - mais especificamente Maeglin (na época chamado de Meglin), que era filho de Aredhel (uma Elfa 75 % noldorin e 25 % vanyarin) e Eöl (um Elfo sindarin).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Ora, o emblema de Meglin era uma Toupeira negra e ele era grande entre os que trabalhavam em pedreiras e um chefe dos que escavava em busca de minério, e muitos desses pertenciam à sua casa. Menos belo era ele do que muitos desse povo bonito, &#039;&#039;&#039;moreno&#039;&#039;&#039; e de ânimo não muito gentil, de modo que lhe tinham pouco amor [...].|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (O Conto Original)}}{{Citação em Bloco|trecho=Com ela veio seu filho, Meglin, e ele foi lá recebido por Turgon como filho de sua irmã e, embora tivesse metade de sangue dos Elfos-escuros, foi tratado como um príncipe da linhagem de Fingolfin. &#039;&#039;&#039;Era moreno&#039;&#039;&#039;, mas formoso, sábio e eloquente e sagaz na conquista dos corações e mentes dos homens.|fonte=[[A Queda de Gondolin]] (A História Contada no Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como já mencionei anteriormente, Tolkien estabeleceu que os Noldor eram todos brancos, mas Meglin, embora fosse filho da (75 %) Noldo Aredhel, também era filho do Sinda Eöl. O tom de pele dos Sindar ou de Eöl nunca foi mencionado (nem mesmo nas versões anteriores do conto), mas isso deixa a entender que Meglin teria puxado de seu pai Sinda a sua pele escura, posto que Tolkien nunca estabeleceu uma regra quanto ao tom de pele dos Elfos sindarin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, antes que alguém questione o significado de &amp;quot;moreno&amp;quot;, ressalto desde já que a palavra originalmente utilizada por Tolkien foi &amp;quot;swart&amp;quot;, conforme consta ao final do referido livro, no glossário de termos arcaicos e suas traduções para o português (A Queda de Gondolin, p. 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Now the sign of Meglin was a sable Mole, and he was great among quarrymen and a chief of the delvers after ore; and many of these belonged to his house. Less fair was he than most of this goodly folk, &#039;&#039;&#039;swart&#039;&#039;&#039; and of none too kindly mood, so that he won small love [...].|fonte=The Fall of Gondolin (The Original Tale)}}{{Citação em Bloco|trecho=With her came her son Meglin, and he was there received by Turgon as his sister-son, and though he was half of Dark-elven blood he was treated as a prince of Fingolfin’s line. &#039;&#039;&#039;He was swart&#039;&#039;&#039; but comely, wise and eloquent, and cunning to win men’s hearts and minds.|fonte=The Fall of Gondolin (The Story Told in the Quenta Noldorinwa)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não sabe, &#039;&#039;swart&#039;&#039; (e suas variantes swarty e swarthy) é uma palavra do inglês antigo, datada dos anos 1570, que, [https://www.etymonline.com/word/swart#etymonline_v_22466 segundo o Online Etymology Dictionary], significa &amp;quot;&#039;black, being of a dark hue&#039; [...] in reference to skin color of persons&amp;quot; (&amp;quot;preto, de uma cor escura&#039; [...] em referência à cor da pele de pessoas&amp;quot;). Suas variantes swarty e swarthy significam, [https://www.etymonline.com/word/swarthy#etymonline_v_22467 também segundo o OED], &amp;quot;&#039;dark-colored, tawny,&#039; especially in reference to skin&amp;quot; (&amp;quot;&#039;de cor escura, brozeado,&#039; especialmente com relação à pele&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de curiosidade, swarthy foi a mesma palavra que Tolkien usou para descrever os Haradrim em O Senhor dos Anéis. Os Haradrim, também chamados de Sulistas (Harad = Sul), foram alguns do Homens aliados a Sauron na Guerra do Anel e todos os leitores concordam que eles eram Homens negros - tanto é que muitas pessoas que discordaram da existência de um Elfo negro na série usaram como justificativa de que não tinham problema com personagens negros em si o fato de que não se importariam se tivessem Homens Sulistas negros (em vez de Elfos negros), já que Tolkien teria descrito os Sulistas como negros nos livros (swarthy, no original).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Em A Queda de Gondolin, &#039;&#039;swart&#039;&#039; foi traduzido como o &#039;&#039;moreno&#039;&#039;. Em O Senhor dos Anéis, &#039;&#039;swarthy&#039;&#039; foi traduzido como &#039;&#039;tisnados&#039;&#039;.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=&#039;It is close on ten leagues hence to the east-shore of Anduin,&#039; said Mablung, &#039;and we seldom come so far afield. But we have a new errand on this journey: we come to ambush the &#039;&#039;&#039;Men of Harad&#039;&#039;&#039;. Curse them!&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;Aye, curse the &#039;&#039;&#039;Southrons&#039;&#039;&#039;!&#039; said Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, eager to see more, went now and joined the guards. He scrambled a little way up into one of the larger of the bay-trees. For a moment he caught a glimpse of &#039;&#039;&#039;swarthy men&#039;&#039;&#039; in red running down the slope some way off with green-clad warriors leaping after them, hewing them down as they fled.|fonte=The Lord of the Rings (The Two Towers, Book IV, 4, Of Herbs and Stewed Rabbit)}}{{Citação em Bloco|trecho=&amp;quot;São cerca de dez léguas daqui até a margem leste do Anduin,&amp;quot; disse Mablung, &amp;quot;e raramente chegamos tão longe. Mas temos uma nova missão nesta jornada: viemos emboscar os &#039;&#039;&#039;Homens de Harad&#039;&#039;&#039;. Malditos sejam!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Sim, malditos sejam os &#039;&#039;&#039;Sulistas&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, disse Damrod. [...]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sam, ávido para ver mais, foi se juntar aos guardas. Engatinhou mais para cima, subindo em um dos loureiros maiores. Por um momento teve um vislumbre de &#039;&#039;&#039;homens tisnados&#039;&#039;&#039;, trajados de vermelho, que corriam encosta abaixo a certa distância dali, com guerreiros de verde que saltavam atrás deles, abatendo-os enquanto fugiam.|fonte=[[O Senhor dos Anéis]] ([[As Duas Torres]]; Livro IV; 4. De Ervas e Coelho Ensopado) - Grifou-se.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discussão sobre racismo nas obras de Tolkien é muito complexa e não vou adentrar aqui (nota-se que Tolkien diz que Meglin era &amp;quot;moreno, mas formoso&amp;quot;). Aos interessados, há excelentes vídeos no YouTube dissecando a evolução pessoal de Tolkien ao longo das décadas, feitos por pessoas que têm muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu (como, por exemplo, [https://www.youtube.com/watch?v=1j5-SPCyZz0 esse vídeo do Clube Literário Tolkieniano de Brasília]).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, em O Livro dos Contos Perdidos, que Tolkien começou a escrever em 1917, quando Tolkien tinha seus 25 anos, ele associava muito a cor negra (no geral, não necessariamente associada com a cor da pele) com a ideia de maldade. O famoso &amp;quot;luz vs. escuridão&amp;quot; sendo transposto como &amp;quot;branco vs. negro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de sua vida, conforme ia amadurecendo como pessoa, Tolkien foi deixando essa perspectiva de lado e &amp;quot;corrigindo&amp;quot; seus antigos escritos, retirando essas associações quando podia e passando a utilizar a cor negra também para coisas &amp;quot;boas&amp;quot; e a cor branca também para coisas &amp;quot;ruins&amp;quot;. A título de exemplo, a bandeira de Gondor era negra e isso nunca é mencionado como significando algo ruim, e Saruman, mesmo sendo &amp;quot;o Branco&amp;quot;, se corrompeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na versão mais recente do conto da Queda de Gondolin (vide a presente no Silmarillion como publicado) essa menção a Maeglin, um Elfo vilão, como tendo pele negra foi alterada pelo autor, passando ele a descrever Maeglin como tendo pele branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=Quando Maeglin chegou à sua estatura plena, &#039;&#039;&#039;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&#039;&#039;&#039;, mas em ânimo e mente era o filho de seu pai. [...] Era alto e de cabelos negros; seus olhos eram escuros, porém, luzentes e agudos como os olhos dos Noldor, e &#039;&#039;&#039;sua pele era branca&#039;&#039;&#039;.|fonte=[[O Silmarillion]] ([[Quenta Silmarillion]]; 16. De Maeglin)}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre essa alteração no tom de pele de Maeglin, é importante salientar que, como você deve ter percebido, na versão primária do conto, quando Meglin tinha pele negro, Tolkien apenas salientou suas diferenças com os Elfos noldorin, enquanto na versão posterior do conto, quando Maeglin passou a ter pele branca, o autor acrescentou a informação de que ele &amp;quot;assemelhava-se em rosto e forma antes à sua parentela dos Noldor&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto, por si só, corrobora com o já mencionado no primeiro tópico, de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos. Quando Tolkien diz que Túrin, um Homem branco, se parecia com os Elfos, ele não diz simplesmente &amp;quot;Elfos&amp;quot;, mas especifica ele como parecendo com os Elfos &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;. Quando Tolkien altera a pele de Maeglin, de negra para branca, ele acrescenta a informação de que ele se parecia com seus parentes &#039;&#039;noldorin&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizer que Maeglin se assemelhava &amp;quot;em rosto&amp;quot; com sua parentela dos Noldor (isto é, com os parentes de sua mãe) é o mesmo que dizer que ele &#039;&#039;não&#039;&#039; se assemelhava com sua parentela dos Sindar (isto é, com os parentes de seu pai). E nem se diga aqui que, quando disse &amp;quot;em rosto&amp;quot;, Tolkien estava se referindo aos olhos de Maeglin, pois os Noldor foram descritos especificamente como tendo olhos cinzas, enquanto Maeglin é decrito nessa passagem como tendo olhos escuros (embora &amp;quot;luzentes e agudos&amp;quot; como os olhos dos Noldor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os olhos de Maeglin não tinham a mesma cor dos olhos dos Noldor, o que mais poderia significar dizer que ele, &amp;quot;em rosto&amp;quot;, se assemalhava aos seus parentes noldorin? Ao meu ver, a única opção que sobra é a cor de sua pele, evidenciando que somente os noldor eram notórios por serem brancos e dando a entender que, se Eöl, o pai de Maeglin, não fosse negro, ao menos o seu povo, os Sindar, tinham membros negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em terceiro lugar, ainda que a cor da pele de Maeglin tenha sido alterada na versão posterior do conto, de modo que, a partir desse momento, passamos a não ter nenhum Elfo descrito por Tolkien como tendo pele negra, fato é que a versão antiga trazer ele como um Elfo negro é prova de que, para Tolkien, Elfos de pele negra eram plausíveis e existiam em seu universo, não sendo isso um problema para as leis estabelecidas pelo autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, com relação ao fato de Tolkien supostamente nunca ter descrito um Elfo como sendo negro, nós temos que considerar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ausência de prova não é prova de ausência, de modo que Tolkien nunca ter descrito um Elfo como tendo pele negra é diferente de ele ter dito que Elfos de pele negra não existiam;&lt;br /&gt;
# Tolkien chegou a descrever alguns poucos Elfos como tendo pele branca e, se todos os Elfos fossem brancos, essas passagens automaticamente se tornariam redundantes (algo que Tolkien nunca foi);&lt;br /&gt;
# o próprio Tolkien deixou claro que todas essas histórias se tratavam de &amp;quot;documentos históricos&amp;quot;, de modo que, se um personagem não aparecia nessas histórias, isso não significava que ele não existia, de modo que a gente não deveria interpretar o seu silêncio como sinônimo de inexistência;&lt;br /&gt;
# Tolkien já descreveu sim um Elfo como tendo pele negra em seu legendário, mais especificamente Meglin, no conto original da Queda de Gondolin, evidenciando que isso não era um problema;&lt;br /&gt;
# quando Tolkien alterou a pele de Meglin de negra para branca, ele acrescentou a informação de que ele era semelhante &amp;quot;em rosto&amp;quot; aos seus parentes Noldor, o que só pode significar seu tom de pele já que seus olhos eram negros e os Noldor tinham olhos cinzas, o que ressalta o ponto anterior de que apenas os Noldor eram notoriamente brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Da síntese e conclusão ==&lt;br /&gt;
Em síntese,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# apenas os Elfos noldorin foram especificados por J.R.R. Tolkien como tendo pele clara, de modo que essa questão foi deixada em aberto com relação aos outros dois clãs élficos (Vanyar e Teleri);&lt;br /&gt;
# sempre que um personagem branco é comparado aos Elfos, ele é comparado especificamente com os Noldor, o que ressalta a ideia de que apenas os Noldor eram notórios por serem brancos;&lt;br /&gt;
# Tolkien deixou claro que a Terra-média não representa a Europa nórdica nem setentrional, seja geográfica ou espiritualmente;&lt;br /&gt;
# não se sabe ao certo o significado original de &#039;&#039;Elf&#039;&#039;, bem como essa palavra adquiriu a atmosfera dos contos alemães, escandinavos e celtas apenas em épocas posteriores, por meio de seu uso em traduções, conforme o próprio Tolkien deixou claro em seu ensaio &amp;quot;Sobre Estórias de Fadas&amp;quot;, não sendo possível precisar se realmente seria relacionado à ideia de &amp;quot;branco&amp;quot;, como por alguns sustentado;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que &#039;&#039;Elfos&#039;&#039; não era equivalente a &#039;&#039;Quendi&#039;&#039; (termo utilizado naquele mundo para se referenciar aos Elfos), tendo &#039;&#039;Elfo&#039;&#039; sido a palavra inglesa mais próxima que ele conseguiu encontrar;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que se arrependeu de usar Elfo como tradução de Quendi, uma vez que, segundo ele, ela estava viciada por outros significados na cultura popular, que não guardavam relação com o seu universo, já que seus Quendi tinham pouca relação com os Elfos e Fadas da Europa;&lt;br /&gt;
# Tolkien disse que o seu silêncio não pode ser interpretado como sinônimo de inexistência, conforme por ele mesmo dito com relação às árvores genealógicas de seu universo;&lt;br /&gt;
# em O Livro dos Contos Perdidos, Tolkien chegou a citar um Elfo como tendo pele negra, sendo que, mesmo que essa descrição tenha sido deixada de lado mais tarde, isso prova que Elfos negros não eram um problema para as regras de seu universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fica evidente que o único possível desrespeito com relação ao &amp;quot;cânone&amp;quot; estabelecido por J.R.R. Tolkien seria com relação aos Elfos com sangue 100 % noldorin, que o autor especificou como tendo pele clara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a todos os outros grupos dos Elfos (que eram vários e descendiam dos clãs vanyarin e telerin), ou quanto aos Elfos que não tinham sangue 100 % noldorin, não foi estabelecido nenhuma regra, sendo possível que tivessem diferentes tons de pele, como o próprio Maeglin, que era apenas 37,5 % noldorin e no início tinha pele escura, provavelmente herdada de seu pai sinda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;references group=&amp;quot;Nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Projeto Tolkien]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Artigos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=Guy_Gavriel_Kay&amp;diff=1112</id>
		<title>Guy Gavriel Kay</title>
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		<updated>2025-02-26T23:41:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;Guy Gavriel Kay&#039;&#039;&#039; (7 de novembro de 1954) é um autor canadense que se mudou para [[Oxford]], [[Inglaterra]], em 1974 para auxiliar [[Christopher Tolkien]] na edição e publicação de [[O Silmarillion]]. Desde então, Kay se tornou um autor de fantasia diversas vezes premiado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Seu trabalho em O Silmarillion ==&lt;br /&gt;
A influência de Kay na edição de O Silmarillion não é sabida ao certo, mas Christopher Tolkien mencionou que, na história de Beren e Lúthien, &amp;quot;assim como em outros lugares, quase que cada uma das alterações substanciais&amp;quot; feitas aos manuscritos de seu pai para a publicação de O Silmarillion foi&lt;br /&gt;
{{Citação em Bloco|trecho=discutida com Guy Kay, que trabalhou comigo em 1974-5 na preparação de O Silmarillion. Ele de fato fez muitas sugestões para a construção do texto (tais como, no conto de Beren e Lúthien, a introdução de uma passagem da Balada de Leithian), e propôs soluções a problemas que surgiram na criação de uma narrativa compósita - em alguns casos, de maior importância à estrutura, como espero venha a ser mostrado em um livro posterior. Naturalmente, a responsabilidade pela forma final publicada é unicamente minha.|fonte=[[A Estrada Perdida e Outros Escritos]] (Parte Dois: Valinor e a Terra-média antes de O Senhor dos Anéis; 6. O Quenta Silmarillion)}}&amp;lt;blockquote&amp;gt;&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=O_Silmarillion&amp;diff=1111</id>
		<title>O Silmarillion</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://compendiumtolkien.com.br:443/index.php?title=O_Silmarillion&amp;diff=1111"/>
		<updated>2025-02-26T23:41:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: Expansão.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[Arquivo:O Silmarillion.jpg|alt=A capa do livro O Silmarillion, na edição da HarperCollins Brasil, de 2019. Ele conta com uma arte do próprio Tolkien, retratando um barco telerin navegando nas águas de Eldamar, em frente à vasta montanha de Taniquetil, com uma distante fortaleza em seu topo.|miniaturadaimagem|Capa de O Silmarillion. HarperCollins Brasil, 2019.]]&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O Silmarillion&#039;&#039;&#039; é um livro que compila diversos escritos de [[J.R.R. Tolkien]], editados e publicados postumamente por seu filho [[Christopher Tolkien]] em 1977, com o auxílio do autor [[Guy Gavriel Kay]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As histórias compiladas no livro abordam a pré-história do nosso mundo (na época chamado pelos [[Elfos]] de [[Arda]], o Reino da Terra, do qual o continente da [[Terra-média]] fazia parte), desde a criação do universo em um tempo imemorial até os eventos de [[O Senhor dos Anéis]] ao final da [[Terceira Era]]. Porém, apesar de abranger o início dos tempos e as três Eras dos [[Filhos de Ilúvatar]], o maior foco do livro é a história dos feitos dos [[Noldor]] na [[Primeira Era]], os Dias Antigos, abrangendo mais da metade do conteúdo do livro, e, subsidiariamente, a história da [[Queda de Númenor]] e dos [[Anéis de Poder]] na [[Segunda Era]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sumário ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Prefácio&lt;br /&gt;
* Prefácio da Segunda Edição&lt;br /&gt;
* De uma Carta de J.R.R. Tolkien para Millton Waldman&lt;br /&gt;
* Ainulindalë: A Música dos Ainur&lt;br /&gt;
* Valaquenta: Relato sobre os Valar e os Maiar de acordo com a sabedoria dos Eldar&lt;br /&gt;
* Quenta Silmarillion: A História das Silmarils&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Do Princípio dos Dias&lt;br /&gt;
# De Aulë e Yavanna&lt;br /&gt;
# Da Vinda dos Elfos e do Cativeiro de Melkor&lt;br /&gt;
# De Thingol e Melian&lt;br /&gt;
# De Eldamar e dos Príncipes dos Eldalië&lt;br /&gt;
# De Fëanor e de Melkor Desacorrentado&lt;br /&gt;
# Das Silmarils e da Inquietação dos Noldor&lt;br /&gt;
# Do Escurecimento de Valinor&lt;br /&gt;
# Da Fuga dos Noldor&lt;br /&gt;
# Dos Sindar&lt;br /&gt;
# Do Sol e da Lua e da Ocultação de Valinor&lt;br /&gt;
# Dos Homens&lt;br /&gt;
# Do Retorno dos Noldor&lt;br /&gt;
# De Beleriand e seus Reinos&lt;br /&gt;
# Dos Noldor em Beleriand&lt;br /&gt;
# De Maeglin&lt;br /&gt;
# Da Vinda dos Homens para o Oeste&lt;br /&gt;
# Da Ruína de Beleriand e da Queda de Fingolfin&lt;br /&gt;
# De Beren e Lúthien&lt;br /&gt;
# Da Quinta Batalha: Nirnaeth Arnoediad&lt;br /&gt;
# De Túrin Turambar&lt;br /&gt;
# Da Ruína de Doriath&lt;br /&gt;
# De Tuor e da Queda de Gondolin&lt;br /&gt;
# Da Viagem de Eärendil e da Guerra da Ira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Akallabêth: A Queda de Númenor&lt;br /&gt;
* Dos Anéis de Poder e da Terceira Era, na qual estas histórias chegam a seu fim&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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		<updated>2025-02-26T23:39:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Projetotolkien: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Capa do livro O Silmarillion. HarperCollins Brasil, 2019&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Projetotolkien</name></author>
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